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O material está impecável. Trinta e dois slides, dados conferidos, gráfico do trimestre, comparação com o mercado, três cenários projetados. O trabalho levou três semanas e é bom trabalho.

Aos oito minutos de reunião, alguém da mesa faz uma pergunta que estava prevista para o slide 24. A resposta obriga a pular a sequência, a sequência quebra, o tempo acaba, e a recomendação, que morava no slide 29, fica para o próximo comitê.

O trabalho era bom. O arquivo foi montado na ordem em que a apuração aconteceu, e a diretoria escuta na ordem em que decide. As duas ordens correm quase invertidas uma em relação à outra.

O que é storytelling para apresentações executivas?

É a disciplina de montar a apresentação a partir do movimento que se espera da sala. Ela define a primeira frase, a sequência das evidências, o momento exato do pedido e o que fica de fora, no anexo, esperando ser chamado.

A diferença em relação a uma boa apresentação comum está no ponto de partida. Uma apresentação comum parte do que quem apresenta sabe. Uma apresentação executiva parte do que a sala precisa decidir naquele dia, e recua daí para trás até a primeira frase.

Quando o assunto é palco e persuasão executiva, a casa opera um recorte próprio do método, o Talk de Midas, dedicado a apresentações e palestras de alta consequência.

Como a diretoria escuta uma apresentação?

Em três camadas e nesta ordem: risco, número, método. A pessoa entra com o celular na mão, forma uma hipótese nos primeiros minutos e usa o resto do tempo procurando evidência de que a hipótese dela estava correta.

Isso tem uma consequência prática dura. A sala classifica a sua proposta cedo, e a apresentação inteira serve para confirmar ou derrubar essa classificação. Quem entrega a recomendação aos quarenta minutos está pedindo à diretoria que mude de opinião no cansaço, quando a atenção já foi gasta em outra coisa.

A camada do método, que costuma ser a parte que dá mais orgulho a quem construiu, é a última na régua de quem escuta. Ela sustenta a confiança depois que o risco e o número já foram resolvidos na cabeça da sala.

Quais são as quatro peças de um roteiro executivo?

Tensão, evidência, pedido e custo de adiar. As quatro cabem em qualquer duração, de dois minutos de corredor a uma hora de comitê, mudando apenas o espaço que cada uma recebe.

A tensão. Ela já existe dentro da empresa antes de você entrar na sala, e o seu trabalho é nomeá-la com as palavras que a diretoria usa entre si. Tensão importada de estudo global rende pouco, porque a sala não reconhece o próprio calendário na frase. Tensão nomeada com um fato interno recente prende a atenção inteira.

A evidência. É o número que mede a tensão, com base, período e responsável pela apuração. Um dado por tensão. A tentação de mostrar as sete análises feitas durante o trabalho é a maior causa de reunião que termina sem decisão.

O pedido. Uma frase que começa por verbo: aprovar, realocar, contratar, encerrar, adiar com data. O pedido precisa caber no poder de quem está na sala. Pedido dirigido a quem não pode conceder vira ata.

O custo de adiar. A peça que a maioria esquece, e a única que produz urgência sem drama. Quanto custa a empresa manter a decisão em aberto por mais um trimestre, em dinheiro, em prazo ou em posição competitiva.

A Storytellers já treinou mais de 200 C-levels.

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Como dividir uma reunião de vinte minutos?

Com a decisão na abertura e o tempo mais longo reservado à evidência. A divisão abaixo é o padrão da casa para comitês curtos, e ela sobrevive bem a interrupções.

Minuto O que acontece Peça do roteiro
0 a 2 A recomendação, em uma frase, sozinha na tela Pedido antecipado
2 a 6 A tensão nomeada com fato interno recente Tensão
6 a 12 O dado que mede a tensão e o cenário Evidência
12 a 15 O pedido formal e o custo de adiar Pedido e custo
15 a 20 Perguntas, com o anexo aberto na mão Anexo

A recomendação aparece duas vezes: no começo, como promessa, e no minuto 12, como pedido formal. A repetição é deliberada. Diretoria decide no reencontro com a ideia, raramente no primeiro contato.

O que fazer com o material que sobrou?

Vira anexo, e o anexo é uma peça de trabalho séria. Ele guarda o histórico da área, a metodologia, as análises alternativas, os cenários descartados e a memória de cálculo. Nada disso se apaga.

A regra de corte é simples: cada slide da apresentação responde a uma pergunta que a diretoria faria em voz alta. Slide que responde a duas perguntas vira dois slides. Slide que responde a nenhuma vai para o anexo com o número da pergunta que ele antecipa.

Sobre o ensaio: uma passada em voz alta, cronometrada, com alguém de outra área ouvindo. O objetivo do ensaio é medir tempo e testar a primeira frase, e ele revela em cinco minutos o que a revisão silenciosa esconde por três semanas.

Quais são os vacilos mais caros nesse tipo de apresentação?

Quatro se repetem em quase toda sala corporativa, e os quatro se corrigem antes de abrir o arquivo.

  1. Abrir pela agenda. O primeiro slide gasta a melhor atenção da reunião listando o que virá. A sala já sabe por que foi convocada.
  2. Contar o processo de trabalho. As três semanas de apuração interessam ao anexo. A diretoria compra a conclusão e o rigor que a sustenta.
  3. Recomendação com duas linhas. Quando a frase precisa de duas linhas para ficar de pé, a decisão ainda está sendo tomada por quem apresenta.
  4. Encerrar com agradecimento. O último minuto é o mais lembrado da reunião, e ele pertence ao pedido com data e responsável.

Quem quiser aprofundar a lógica de atenção que sustenta esses cortes pode ler como montar uma palestra que ninguém esquece, ver os cases da Storytellers e conhecer o método por trás do Talk de Midas.

Traga a apresentação que vai à diretoria no próximo mês.

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Perguntas frequentes sobre storytelling para apresentações executivas

O que é storytelling para apresentações executivas?

É a montagem da apresentação na ordem em que a diretoria decide. O roteiro abre pela recomendação, nomeia a tensão que a empresa já vive, apresenta a evidência que mede essa tensão, faz o pedido com verbo e data e declara o custo de adiar. O material de apoio vira anexo.

Quantos slides deve ter uma apresentação de diretoria?

A conta útil se faz por perguntas. Cada slide responde a uma pergunta que a diretoria faria em voz alta. Numa reunião de vinte minutos, isso costuma resultar em cinco a oito slides na apresentação e o restante do material no anexo.

Devo abrir com a recomendação ou construir o argumento antes?

Abra com a recomendação. A sala forma hipótese nos primeiros minutos e passa o resto do tempo testando essa hipótese. Entregar a conclusão cedo transforma o restante da reunião em avaliação da sua proposta, que é exatamente o trabalho que você quer que a diretoria faça.

Como lidar com a pergunta que quebra a sequência?

Prevendo as prováveis e numerando o anexo por elas. Responda em uma frase, mostre o anexo correspondente e retome o roteiro pelo ponto em que parou. Reunião executiva aceita interrupção como parte do formato, e o roteiro precisa ser resistente a ela.

Storytelling em apresentação executiva significa contar histórias pessoais?

Significa estrutura narrativa aplicada a fato de negócio. A cena que abre uma apresentação de diretoria costuma ser um episódio interno recente, com data e área envolvida. Anedota pessoal entra apenas quando ela carrega o argumento, e ocupa segundos da reunião.

Como treinar executivos da minha empresa nesse formato?

Com turmas que trabalham apresentações reais da agenda daquele trimestre. Cada participante remonta um material próprio durante a sessão e ensaia diante dos colegas. A Storytellers já treinou mais de 200 C-levels, e o formato de turma curta com material real é o que fixa a régua.

Qual a diferença entre apresentação executiva e palestra?

A apresentação executiva termina em decisão de quem está na sala, com verbo e prazo. A palestra termina em mudança de repertório de uma plateia ampla. As duas usam a mesma estrutura de tensão, evidência e virada, com pedidos finais de natureza diferente.

Fernando Palacios

Fundador da Storytellers

Fundou a Storytellers em 2006, primeira empresa de storytelling do Brasil. Coautor de O Guia Completo do Storytelling (Alta Books, 2016). Duas vezes World's Best Storyteller no World HRD Congress, Mumbai, 2017 e 2018, único brasileiro. Treinou 30 mil profissionais ao vivo, em 10 países. Entidade registrada no Wikidata sob Q137738680.

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