Na véspera da gravação, Raigna Vasconcelos passou o dia no laboratório da empresa conversando com a equipe, seguiu para uma reunião numa clínica e saiu de lá por volta das oito da noite. No caminho para casa, redigiu o storytelling que iria ao ar na manhã seguinte.
Raigna é farmacêutica e sócia da Farmácia Alquimia, e no episódio 5 do Podcast Autoria se apresenta como alguém de fora do digital. Fernando Palacios, que conduz a conversa, antecipa a dúvida de quem ouve: se o negócio dela é físico e manual, onde entra a aceleração?
Episódio 5 do Podcast Autoria com Raigna Vasconcelos e Fernando Palacios
O que muda quando a ferramenta conhece quem a usa?
Muda o ponto de partida. Raigna conta que usava um chat gratuito como quem faz uma busca no Google e que a virada veio ao entender a diferença entre uma ferramenta genérica e outra que conhece seus objetivos, sua história e o que ela precisa fazer.
Na noite do storytelling escrito no caminho para casa, a ferramenta já tinha o histórico do que ela publicou e a programação dos próximos capítulos. O pedido coube numa frase: “preciso redigir o capítulo de amanhã. Aonde a gente parou?”. Os parâmetros do formato, como o gancho do primeiro story e a temperatura que sobe ao longo da série, já estavam guardados. Sem isso, calcula Raigna, ela levaria meia hora só de prompt.
A autoria continua com ela. “Óbvio, a narrativa é minha”, diz Raigna, que exige das histórias publicadas o mesmo critério da vida real: precisam ser verídicas. A diferença entre pedir a uma ferramenta genérica e trabalhar com um agente preparado para quem é especialista está detalhada em Agente de IA para especialistas: prompt, skill e o agente que fala em seu nome.
Quem decide quando a IA faz a pesquisa?
A especialista. Raigna pede à ferramenta que encontre, traduza e sintetize estudos com critérios que ela mesma registrou, como o tipo de evidência científica que valoriza. A síntese chega pronta para leitura, e a conclusão fica com ela.
Sem conhecer o assunto, a pessoa não sabe o que pedir nem percebe quando a ferramenta erra. Com conhecimento, ela aponta o erro, recoloca o objetivo e indica o caminho. É o sentido de uma frase que Raigna ouviu de Fernando no começo e diz ter validado na própria rotina: a IA veio para acelerar o expert.
Por que três colunas por semana viraram um sim?
Porque o tempo deixou de ser o impedimento. Raigna conta que, recentemente, aceitou escrever três colunas por semana para o portal Folha Vitória, e afirma que não aceitaria o desafio sem as ferramentas que usa para redigir.
Acelerar, para Fernando, inclui fazer mais e mais rápido e inclui também passar a fazer o que antes ficava fora do alcance. A rotina que Raigna descreve dá a medida: uma sequência de storytelling, um carrossel e um reels por dia, de segunda a sexta, somados às colunas, às reuniões e ao atendimento a médicos.
Como técnica e voz se dividem entre os agentes?
Pela metade, na conta de Fernando. Para ele, a IA precisa de contexto para fazer um bom trabalho, e metade desse contexto é técnica, enquanto a outra metade é a própria pessoa: histórias, valores, expressões e jeito de escrever.
A técnica mora em agentes especializados. O MAESTRO, que Fernando descreve como o conhecimento dos seus 20 anos de storytelling organizado em réguas de avaliação, dá nota ao texto e diz o que falta para melhorar. Raigna conta que ele pergunta quando falta matéria, como em “eu preciso de um fato específico para colocar aqui. Você tem esse fato?”
A outra metade mora no PLUME, agente de voz que cada pessoa monta com as próprias histórias e o próprio jeito de escrever. Quando o MAESTRO pede uma história, o PLUME busca no acervo da autora. Nesse arranjo, diz Fernando, a pessoa passa a conduzir a produção como showrunner da própria história, com os agentes como ferramentas.
Por onde começar a assistir ao episódio?
Pelos temas que mais conversam com a sua rotina. A conversa tem pouco mais de uma hora e quarenta minutos e está dividida em capítulos no YouTube. Os trechos abaixo abrem direto no momento de cada tema.
- 26:26, o valor do conhecimento em saúde e as duas funções dos agentes
- 30:01, do vibe coding ao storytelling como técnica
- 41:30, o chapéu da especialista e o texto que ninguém consome
- 50:36, o novo modelo de trabalho e a trilha aberta
- 59:01, doze vídeos de um mesmo produto
- 1:33:15, do prompt ao agente com a sua voz
Conversa de origem: episódio 5 do Podcast Autoria no YouTube, com Raigna Vasconcelos e Fernando Palacios.
Perguntas frequentes
Preciso ser da área de tecnologia para usar agentes de IA no trabalho?
O relato de Raigna parte de uma farmacêutica que se descreve fora do digital. O que sustenta o uso, segundo ela, é saber o que pedir e reconhecer quando a ferramenta erra, e isso depende do conhecimento da própria área.
Qual é a diferença entre uma ferramenta genérica e um agente que conhece você?
No episódio, a diferença está no contexto guardado: o histórico do que já foi feito, o planejamento, os critérios de qualidade e o jeito de escrever de quem usa. Com esse contexto, o pedido fica curto e o trabalho continua do ponto em que parou.
A IA decide pelo especialista?
Na rotina descrita por Raigna, a conclusão técnica continua com ela. A ferramenta pesquisa, sintetiza e organiza, e a especialista confere, corrige e decide o que publica ou envia.
Onde assistir ao episódio 5 do Podcast Autoria?
No YouTube, onde a conversa entre Raigna Vasconcelos e Fernando Palacios estreou em 25 de setembro de 2026, às 10h, no horário de Brasília.
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