Uma década atrás, na leitura de Fernando Palacios, a tecnologia mexia com a camada da informação: organizar dados, montar bancos, estruturar o que já existia. Agora a inteligência artificial chega à camada de cima, a do conhecimento, onde está o jeito que cada especialista encontrou de dar sentido às informações.
É nesse ponto do episódio 5 do Podcast Autoria que a conversa com a farmacêutica Raigna Vasconcelos passa pela saúde. Os dois concordam que o pessoal da área está atento ao que acontece, e Fernando acrescenta médicos, artistas e roteiristas à lista de quem está com o mundo chacoalhado, na expressão dele.
Quem trabalha com conhecimento está mais exposto à IA?
Mais exposto e com mais a ganhar, na visão de Fernando. Quem tem conhecimento técnico pode acelerar com a IA ou ficar para trás, e a saúde, por concentrar muito conhecimento, vive esse momento com intensidade.
A observação é uma leitura dos participantes naquele encontro, gravado em julho de 2026, e não tem caráter de orientação clínica. Se as ferramentas chegaram ao conhecimento, a pergunta prática passa a ser o que fazer com aquilo que se sabe.
Um agente pode ensinar o que um especialista ensinaria?
Pode, na descrição de Fernando. Ensinar é a primeira das duas funções que ele atribui aos agentes que construiu, com o que levava para aulas de faculdade e para empresas. Quem conversa com os agentes pode aprender essas técnicas no ritmo das próprias perguntas.
O exemplo vem de uma aluna antiga, que fez os cursos de Fernando há mais de uma década. Conversando com os agentes, ela disse ter entendido pela primeira vez ideias que ouvira dele anos antes. A diferença, no relato que Fernando reproduz, está na duração: uma mentoria termina em uma ou duas horas, e a conversa com o agente continua enquanto houver pergunta.
O blog já explorou essa ideia de mentoria que segue depois da aula em Curso vira mentoria viva com IA.
Como pedir que o agente aplique o conhecimento?
Com o projeto na mão. A segunda função é a que Raigna mais usa: ela entrega ao agente os dados do trabalho e pede que ele aplique as técnicas que já tem, por exemplo para montar uma sequência de histórias.
Fernando descreve o que acontece em seguida: o agente pega a parte técnica que ele construiu ao longo de duas décadas e a aplica ao material de Raigna. A teoria fica disponível para quem quiser conversar sobre ela, e o pedido prático vai direto para a entrega.
Aprender ou aplicar: como escolher o pedido?
Pelo que você quer ter ao fim da conversa. Se o objetivo é entender uma técnica, o pedido é de explicação. Se o objetivo é uma peça pronta, o pedido é de aplicação, com os dados do projeto.
Propomos um teste de uma linha antes do próximo pedido. Escreva o que você quer ter nas mãos quando fechar a conversa. Se a resposta for compreender, peça explicação e exemplos e continue perguntando até conseguir explicar a técnica com as suas palavras. Se a resposta for uma entrega, leve os dados do projeto, o formato e o público, e peça a aplicação. Os dois caminhos usam o mesmo conhecimento, e misturá-los pode render uma aula quando se queria uma peça.
Nos dois casos, a conferência continua com quem conhece o assunto. O agente aplica técnicas, e a responsabilidade pelo que sai com o seu nome segue com você.
Assista: corte 1 do episódio 5 do Podcast Autoria, ou o trecho no episódio completo, a partir de 26:26.
O post principal do episódio reúne a conversa inteira: Como uma farmacêutica usa agentes de IA no trabalho.
Perguntas frequentes
Quais são as duas funções dos agentes descritas no episódio?
Ensinar e aplicar. Fernando Palacios conta que os agentes podem ensinar o que ele ensinaria em aula, quando a pessoa conversa com eles, e aplicar as técnicas a um projeto, quando a pessoa entrega os dados e pede a execução.
Por que profissionais de saúde aparecem na conversa?
Porque, na leitura de Fernando, a IA chegou à camada do conhecimento, e a saúde concentra muito conhecimento técnico. As observações sobre medicina são opiniões dos participantes naquele encontro, sem caráter de orientação clínica.
O que levar ao agente quando o objetivo é uma entrega?
No exemplo de Raigna, os dados do projeto e o pedido de ajuda com as ferramentas que o agente já tem. Formato, público e objetivo ajudam o agente a saber o que produzir.
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