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Nos cursos que dava na ESPM, Fernando Palacios abria a primeira aula com uma afirmação que, segundo ele, muita gente ainda desconhece: storytelling é técnica. Para sustentar a ideia, mostrava centenas de livros que ensinam a escrever peça de teatro, roteiro de cinema e literatura.

No episódio 5 do Podcast Autoria, a afirmação volta com um nome novo. Assim como a programação ganhou o vibe coding, diz Fernando, a narrativa caminha para um vibe storytelling, e a farmacêutica Raigna Vasconcelos reconhece a ideia numa experiência pessoal.

Storytelling depende de talento?

Depende de técnica, na visão de Fernando. Ele admite que algumas pessoas têm mais facilidade, como em qualquer habilidade, e sustenta que a técnica pode ser desenvolvida por quem a estuda e pratica.

Fernando usa o futebol para explicar: há o garoto que já sai chutando a bola direito e há quem aprende a jogar bem treinando. Storytelling, para ele, é a junção das técnicas de várias artes narrativas, reunidas no que funciona para todo mundo.

O que o romancista faz com os mesmos fatos?

Reorganiza. Fernando recorre a um posfácio de Affonso Romano de Sant'Anna e à pergunta que ficou com ele: o que existe no texto do romancista que falta no texto do jornalista, quando os dois contam a mesma história?

Na lembrança de Fernando, o posfácio contrapõe a notícia de jornal, que acabou servindo para embrulhar peixe, ao romance que Jorge Amado escreveu com a mesma história. A pergunta desloca a atenção do fato para a construção: os dois textos partem do mesmo acontecimento e produzem efeitos diferentes em quem lê.

Raigna reconhece o processo no trabalho de Flávia Monjardim, fundadora da Autoria. Quando conta a própria história a Flávia, recebe de volta a mesma história e se surpreende com o quanto ficou mais interessante, sem mentira e sem nada inventado. Fernando fecha a troca: “Isso muda tudo. A história é a mesma.”

Reorganizar os fatos é inventar?

Pelo relato de Raigna, reorganizar mantém os fatos e mexe em três escolhas: a ordem em que aparecem, a ótica de quem conta e o gancho que puxa a atenção. É essa fronteira que separa técnica narrativa de invenção.

Propomos um exercício com uma história sua que costuma ser contada sempre do mesmo jeito. Liste os fatos em frases curtas, um por linha. Escolha qual deles abre a história. Decida de que ponto de vista ela será contada. Teste um gancho que faça o leitor querer o fato seguinte. Por último, confira a lista inicial: todos os fatos continuam lá, e nenhum entrou sem ter acontecido.

O que é vibe storytelling?

É o nome que Fernando dá a contar bem a própria história com a técnica narrativa incorporada a agentes de IA. A expressão vem do vibe coding, a programação feita por quem descreve o que quer e deixa a máquina escrever o código.

O ponto de atenção, para ele, está no preparo do agente. Um pedido genérico a uma ferramenta sem as técnicas específicas tende a devolver um texto mediano, que ele chama de nota 5, e na disputa de atenção das redes sociais isso já não basta. O blog discutiu esse limite em Storytelling com IA: dá para fazer sozinho?

Assista: corte 2 do episódio 5 do Podcast Autoria, ou o trecho no episódio completo, a partir de 30:01.

O post principal do episódio reúne a conversa inteira: Como uma farmacêutica usa agentes de IA no trabalho.

Perguntas frequentes

Storytelling é dom ou técnica?

Para Fernando Palacios, técnica, e técnica documentada em livros de teatro, cinema e literatura. Ele admite diferenças de facilidade entre pessoas e defende que a técnica pode ser aprendida por quem a estuda.

Recontar uma história com técnica muda os fatos?

No relato de Raigna Vasconcelos, os fatos permanecem os mesmos. Mudam a ordem, a ótica e o gancho, e é isso que torna a versão recontada mais interessante para quem ouve.

O que é vibe storytelling?

É a expressão usada por Fernando no episódio para contar bem a própria história com apoio de agentes de IA que carregam técnicas narrativas, em analogia ao vibe coding da programação.

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