A série Breaking Bad acabou e seu criador, Vince Gilligan, já anunciou uma possível nova série dentro do mesmo universo. “Better Call Saul” conta as peripécias de um dos personagens de Breaking Bad, o advogado Saul Goodman. Mais um “spin off”, como definimos na semana passada, este não é o único que caberia na série de Walter White. Quantos podemos enumerar?


  1. A começar pelo próprio protagonista, a história de White antes de se tornar Heisenberg, quando ainda era um promissor estudante de cristais e fundou, junto de Elliott e Gretchen, a Gray Matter Technologies renderia uma história e tanto.
  2. Gus Fring e seu misterioso passado sulamericano é mais um personagem que mereceria uma série só para a sua história até o comando da “Pollos Hermanos”.
  3. Mike Ehrmantraut, o braço direito de Gus, é outro que seria capaz de render uma série entre sua exímia habilidade na organização do crime e sua paixão por sua neta, como avô.
  4. Ainda que preso em uma cadeira de rodas e sem voz, Hector Salamanca é um dos personagens mais intrigantes da série, e caberia desenvolver a sua história muito além de seu sino.
  5. Do outro lado da lei, o agente Hank Schrader se mostrou incorruptível e, junto de seu parceiro Gomez, poderia dar frutos a mais uma série de investigação policial de que tanto o americano gosta.
  6. O que dizer, então, da história de Walter Jr e Skyler, após a perda do patriarca, no aniversário de Junior, quando o casal Schwartz faz uma misteriosa doação de 10 milhões de dólares de presente ao filho de Walter White?
  7. E Jesse Pinkman, teria largado o crime após sair vivo de Breaking Bad, ou se consagrado como, agora, o único a produzir a “Blue Sky” com seu nível de pureza?
Isso sem falar em Lydia, Todd, Jack, e outros personagens tão profundos que também seriam dignos de suas próprias séries. Se Breaking Bad é considerada uma das melhores séries já produzidas, um dos segredos da pureza de 99,1% que só Walter White conseguia alcançar, é a complexidade de todos os personagens envolvidos na trama.

Consumir narrativas e estudá-las é um dos passos mais importantes na vida de um storyteller, o repertório é a sua principal ferramenta nos momentos em que a 'inspiração' te deixa na mão. Por isso decidi listar aqui três séries com personagens que valem a pena estudar. 

White Collar 

A série trata sobre as aventuras de uma dupla inusitada formada por um agente do FBI responsável pela investigação de casos de colarinho branco e um falsificador cheio de estilos que parece nunca ficar sem troques na manga. Ambos os personagens merecem a nossa atenção, mas Neil Caffrei, o falsificador é um caso a parte. Um personagem complexo e constante e bastante condizente com o que imaginamos ser o resultado de alguém com a sua história de vida. Ou seja, um personagem crível com uma história bem definida e bem apresentada para justificar a maior parte de suas ações. 

Californication 

Hank Moody, um escritor americano em decadência faz justiça ao seu nome (Moody pode ser traduzido como um adjetivo para pessoas mal-humoradas) e está sempre em busca da felicidade. O personagem é 100% humano, cheio defeitos, falhas de caráter e sonhos. A série, recheada com uma porção bem servida de referência literárias a Charler Bokowiski, é voltada para os dramas e 'aventuras' de um grupo de personagens 100% humanos, sem super-poderes, ou habilidades especiais os personagens se aproximam do telespectador de maneira invejável. 

Life 

Apesar de seu final repentino na segunda temporada, a série vale a pena. Contando a história do Detetive Crews, um policial que passou 12 anos preso por um crime que não cometou e foi inocentado recebendo um acordo milionário do estado e voltando para a polícia para fazer o que mais gosta de fazer: investigar crimes. Com uma boa dose de comédia a série é na verdade um drama sobre como Crews irá recuperar sua vida após 12 anos preso. Um personagem construído nos detalhes, Crews é um exemplo de como dar credibilidade para o protagonista da narrativa.  


Ontem à noite terminei de ler o 5º volume da série Crônicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin. A única coisa que consigo pensar hoje é na história da série e no que vai acontecer no próximo livro.


George Martin faz isso com seus leitores. Ele conquista suas mentes. Não é à toa o tamanho do seu sucesso: mais de 15 milhões de cópias vendidas pelo mundo e uma das séries de TV mais aclamadas dos últimos tempos.

O autor diz que o segredo de tanto sucesso é simples: ele faz com que seus leitores sintam medo ao virarem as páginas, nunca sabendo o que pode acontecer, exatamente como na vida real. Como assim?, você pode estar se perguntando. Bem, a trama que George Martin criou é extremamente complexa e não dá para se ter certeza do que vai acontecer em nenhum momento. Seus personagens possuem múltiplas facetas e os rumos da história são tão imprevisíveis que muitas figuras principais da trama morreram logo no primeiro livro.


É daí que podemos extrair uma grande e importante lição: a audiência quer mais emoção! Quer o imprevisível! O público está cansado de coisas óbvias. E isso não vale só para literatura e televisão. Vale para tudo!

Quer um exemplo? Então dê uma olhada no briefing de segurança da Air New Zeland. Não é porque o assunto é chato que a comunicação precisa ser chata também.



Quer outro exemplo? Que tal as apresentações em PPT, Prezi e Keynote da Monkey Business, uma empresa com vários cases de sucesso, especializada em apresentações profissionais. A Monkey oferece uma contraproposta às apresentações previsíveis costumeiras, adicionando elementos diferenciados dentro das apresentações de seus clientes. Nesse caso, não é porque o formato é tido como maçante que o conteúdo e a forma de passá-lo também precisam ser.


Então, se seu público pede por emoção, dê emoção a ele. Seja no formato, seja no conteúdo, seja na trama, tente fazer algo original e diferente. Não se apegue ao previsível. Se for para se apegar a alguma coisa, faça como George R. R. Martin: se apegue ao imprevisível.

Quando a série “How I Met Your Mother”, ou “HIMYM” para os íntimos, estreiou escancarando a sua proposta desde seu título, seus fãs não imaginavam esperar 184 episódios para, finalmente, conhecer essa tal mãe. Como se não bastassem esses mais de 4000 minutos, o cocriador da série Carter Bays prometeu ainda mais: “How I Met Your Dad”, uma nova série sob o ponto de vista feminino.
O nome desse artifício é “Spin Off”, e já falamos disso por aqui em algumas postagens. Spin Off é, basicamente, quando uma nova série nasce a partir de outra pré-existente. Prometido em séries como Breaking Bad e Modern Family, o modelo está em alta entre as séries americanas.
Mas o que faz do spin off em “How I Met Your Dad” diferente? Novamente, a resposta está no título. Enquanto a série de Ted Mosby trabalha o seu ponto de vista para contar a história de como ele conheceu a mãe de seus filhos, “HIMYD” inverterá esse ponto de vista para a versão de uma mãe. O desafio se amplia ainda mais por, ao contrário do que pode parecer, a nova série ser sobre uma outra mãe de uma outra família.
Ainda que spin offs possam se aproveitar de universos ficcionais prontos de suas “séries mães”, nada de personagens como Ted, Barney e Cia em How I Met Your Dad. A série, que deverá estreiar em maio de 2014, começará do zero. O que não significa, para os mais atentos, não procurar por semelhanças e referências à serie em sua história.
How I Met Your Mother conquistou fãs durante suas 9 temporadas com uma proposta simples: a história de como um casal se conheceu. Através do consagrado modelo de sitcom, a série obteve sucesso até hoje, em sua última temporada, liderando a audiência do canal CBS. A questão que fica é: isso tudo será suficiente para o sucesso de How I Met Your Dad?



As vezes eles apenas têm gênio difícil, como mau humorado Doutor House, o escritor Hank Moody, ou o detetive Sherlock Holmes. Podem ser mal encarados como os personagens dos filmes de ação de Stallone, Van Damme (e cia.) ou até valentes cowboys como Clint Eastwood. Mas uma coisa é inegável: os valentões fazem sucesso! Mas por que esses personagens são tão bem-sucedidos?
Na primeira parte desta série de artigos explicaremos a luz da psicologia porque a “perversão” é uma das chaves para entender os valentões:
PARTE 1 - A PERVERSÃO
Para Freud existem três formas de funcionamento da mente: Neurose, Psicose e Perversão. Para o pai da psicanálise tudo depende da forma como gerenciamos nosso desejo. 
Nós, as pessoas ditas “normais”, somos neuróticos. Ou seja não sabemos direito pra onde o seu desejo aponta. Por isso nunca estaremos satisfeitos plenamente. Esse é o maior motivo pelo qual as pessoas procuram terapia: não saber o que realmente queremos.
Já o perverso tem o desejo definido. Ele sabe exatamente o que quer e como quer e só se satisfaz daquela forma específica. Um serial killer muitas vezes é um perverso. Por ter seus desejos bem definidos eles têm seu próprio sistema moral, e se consideram acima da lei e de qualquer opinião que não seja a sua própria.
No entanto, por mais que você entenda que a perversão é uma doença psíquica, todos querem saber que os satisfaz e acabam invejando a perversão.

Muitos desses personagens “badass” apresentam características dessa patologia psíquica. Porém, em sua maiorias os valentões não são perversos, mas sim obsessivos, e esta é uma forma de neurose. Quer saber por quê? Confira na próxima parte desse artigo!

Eu acho fascinante ver a relação que as pessoas criam com personagens fictícios. Essa semana o assunto foi a morte de Brian Griffin o cachorro intelectualizado do desenho Norte Americano Family Guy (Uma família da Pesada em português). Pois é, meus amigos, o animal de estimação da família de um desenho animado morre e a internet vai a loucura, abaixo assinados surgem pedindo pela ressuscitação do personagem. Nesses tempos modernos em que vivemos como produtores e consumidores de informação, tudo ao mesmo tempo, às vezes a ficção atinge a realidade.

O site #savebrian foi criado para coletar assinaturas e convencer os roteiristas do desenho animado a darem mais uma chance para o cachorrinho que, aparentemente, é um dos personagens favoritos do público cativo da série. Mas o que mais me impressionada nisso tudo é que em mais uma semana de existência o site já coletou 700 mil assinaturas ao redor mundo, muito mais do que algumas campanhas de abaixo assinado para salvar a floresta amazônica ou tartarugas em extinção são capazes de conseguir. Além dessas assinaturas o episódio da morte de Brian ganhou um espaço em todas as revistas e blogs sobre narrativas e séries do mundo. Até mesmo o site da TMZ, revista especializada em noticiar fofocas e novidades nas vidas de celebridades hollywoodianas, reservou um espaço em site para noticiar a fim trágico do cachorro.

O que me leva à seguinte pergunta: e se a morte do Brian fosse uma ação publicitária?  

 Estou para conhecer um publicitário que não sonha com um engajamento capaz de colher 700 assinaturas digitais e conquistar mídia espontânea por todo o mundo em só uma semana. Então, não seria demais se a morte do Brian fosse uma ação publicitária, digamos, para um instituto de cuidados com os animais? Ou quem sabe até se esse episódio fosse financiado pelo governo norte americano para conscientizar as pessoas sobre o uso de coleiras? Não seria genial se a morte do personagem fosse, no fim das contas, apenas uma forma de recuperar audiência para a própria série?

As possibilidades são infinitas, mas o importante mesmo, na minha opinião, é percebermos que uma narrativa é uma mídia que vai além do “mostre meu produto por 15 segundos”, se soubermos usar bem a narrativa ela pode gerar consequências inimagináveis. Podemos usar o poder narrativo de produtos culturais a favor de nossas mensagens, sejam elas comerciais, sociais ou apenas de entretenimento. E o melhor de tudo? Se A morte Brian Griffin não fosse em vão, ou seja, isso tudo fosse mesmo uma ação para salvar cães de atropelamento pelo mundo, talvez o público não se revoltasse contra os produtores, mas sim, os elogiassem pela sua ação nobre. 

Durante essa última semana, muito se falou sobre esse tal de Lulu. Para quem ainda não conhece, o Lulu é um aplicativo exclusivo para o público feminino que permite às mulheres fazerem resenhas (de cunho sexual) anônimas de seus amigos, ex-namorados, parceiros ou afins. Além de dar uma nota para o cara em questão, o Lulu possibilita que as mulheres preencham o perfil dele com hashtags positivas ou negativas, como: #SemMedoDeSerFofo, #TaradoDoJeitoCerto, #NuncaPassaANoite, #LindoTesãoBonitoeGostosão, #PiorMassagemDoMundo, #CurteRomeroBritto, #TrêsPernas, #FilhinhoDaMamãe, #LábiosdeMel, #MaisBaratoQueUmPãoNaChapa, #PrefereoVideogame, #Bebezão, #DáSono, #ArrotaePeida e etc.


Alguns homens ficaram apavorados. Alguns ficaram entusiasmados. E outros nem ligaram (eu me incluo nesse último grupo). Meu amigo que faz mais sucesso com as mulheres foi destruído no Lulu. Um outro amigo que não faz tanto sucesso assim foi extremamente bem avaliado. No final das contas, a mulherada se divertiu às custas dos homens, tanto pelo lado bom quanto pelo lado ruim.

As feministas mais fascistas ressaltaram que o Lulu veio como vingança por anos de objetificação das mulheres por parte dos homens. Ou seja, para elas, os homens devem pagar o preço agora (acho engraçado como essas feministas querem ter os mesmo direitos dos homens em comportamentos tão babacas como esse, ao invés de se mostrarem superiores e agir diferente). Alguns homens mais sensíveis chegaram até a processar o aplicativo, de tão insultados que se sentiram. E, eis então que agora está para surgir a versão masculina do negócio.

Daqui a uma semana vai ser lançado o Tubby, uma resposta masculina ao Lulu. Agora é a vez das meninas ficarem desesperadas por duas razões específicas: 1- as máscaras de muitas meninas que pagavam de santinhas vão cair; 2- vai ser muito mais pesado, com hashtags, segundo boatos, como #EngoleTudo, #ComiDePrimeira, #AdoraDáD4 e etc.


Se esses dois aplicativos farão sucesso ou serão rapidamente esquecidos eu não sei dizer. O que sei dizer é que eles mostram uma coisa muito clara dos dias de hoje: a forma mecânica dos relacionamentos afetivos da nossa geração.

Tanto homens quanto mulheres estão virando objetos. São apenas bocas a serem beijadas e corpos a serem usados. Esses aplicativos só mostram isso de uma forma nua e crua. E daí surgem problemas. Não digo isso de um ponto de vista conservador ou coisa do tipo. Digo a partir de um ponto de vista analítico. Quando pessoas usam outras e aceitam serem usadas como objetos não só perdem parte de sua humanidade como também se expõe a diversos problemas que não precisariam existir em suas vidas. Primeiramente pela questão das DSTs, que muita gente transmite sem nem saber que tem. Depois pela questão psicológica, que vai desde fragilidade e depressão até transtornos compulsivos e obsessivos. E agora surge também a questão cibernética, não só com aplicativos, mas com exposição de intimidade e humilhação em redes sociais (como no tão falado e recente caso Fran).

Escrevi um livro fantástico infato-juvenil na tentativa de criar um exemplo para a geração que está vindo aí mudar esse quadro. Mas como acho que ele pode demorar um pouco ainda para ser publicado, quero deixar meu apelo aqui.

Como Storyteller crio histórias para marcas e produtos. Mas gosto de ir além disso. Gosto de criar histórias escritas fora do papel. Ou ajudar na criação delas. Gosto de criar histórias para serem vividas.

Infelizmente eu não posso pegar todos os usuários dos aplicativos que falei e criar uma história para inspirar cada um deles. Mas o que eu posso fazer é aconselhar os leitores desse blog a apoiarem e ajudarem histórias de amor como antigamente.

Não é uma coisa difícil. Pensando como storytellers, como criar histórias de amor?

 - Primeiramente, temos que encontrar os dois personagens principais dessa história e temos que conhecê-los. E, lembre-se, ninguém é perfeito. Exatamente por isso que ambos os seus personagens precisam ter falhas!


 - Depois, temos que pensar nos elementos da história. Como os personagens se conheceram, como se apaixonaram, como se relacionaram e etc. Isso é o que dirá e fará a história ser um romance ou apenas mais um caso mecânico qualquer. Se os elementos da história não forem especiais, críveis ou cativantes, apague tudo e comece do zero.


 - Por último, obviamente, vem o final da história. Ele pode ser feliz, triste, cômico, irônico, trágico ou simples. Mas independentemente de como a história acaba, o importante é que ela existiu.


Então, pense nesses passos acima. A partir deles você pode fazer inúmeras coisas. Pode escrever uma história de amor. Pode inspirar uma história de amor. Pode ajudar uma história de amor. Pode participar de uma história de amor. E, quem sabe, pode viver uma história de amor.


Experimente uma dessas oportunidades. Garanto que vai ser bem melhor do que correr para o celular e ficar cada vez mais robotizado com aplicativos de relacionamentos.




Recentemente fui entrevistado pelo Tiago Bosco da Revista Wide sobre como o storytelling pode ajudar a promover marcas. Abaixo segue um trecho da entrevista:


WIDE Você criou o Storytellers, um pioneiro escritório de Innovative Storytelling. Em que consiste este projeto? E quais tipos de clientes vocês atendem?
FERNANDO PALACIOS Innovative Storytelling é uma tecnologia de comunicação e marketing que nasceu no Brasil, já foi exportada para outros países e que, basicamente, parte da premissa de que não basta apenas contar uma historinha. Essa metodologia divide storytelling em duas etapas: Story e Telling. Cada qual funciona como uma engrenagem composta por dezenas de técnicas. Por exemplo, temos 25 etapas para criar um personagem. Só assim ele vai deixar de ser uma mera mascote e vai passar a ser um verdadeiro branded hero, capaz de protagonizar narrativas marcantes.
"A grande euforia das empresas com relação ao storytelling está na busca por metodologias que sejam aplicáveis para marcas e replicáveis em níveis industriais"

Atendemos quatro perfis de clientes. Nas consultorias de branding vamos entender o posicionamento proposto e assim concretizar a personificação da marca. Para isso, desenvolvemos a partir da persona de marketing a construção de um herói para a marca. Em um desses casos, transformamos 1.248 slides de pesquisa de marca em uma peça de teatro de uma hora. Assim foi possível fazer com que mais de 200 executivos da alta gestão fossem capazes de entender cada detalhe e cada nuance dos posicionamentos.

Clientes podem ser agências de publicidade, para as quais fornecemos um rico material com dezenas de possibilidades de histórias que podem virar anúncios. Clientes podem ser assessorias de imprensa, para as quais vamos buscar no histórico da marca os fatos mais noticiáveis e, a partir dele, desenhamos as estratégias transmidiáticas para narrar essa história por meio de múltiplas plataformas. Finalmente, os clientes podem ser as próprias empresas, para as quais vamos desenvolver um projeto contínuo de captação e composição de Story, além do design de novos Tellings. Essa estratégia tem sido fantástica para alinhar todos os esforços dos fornecedores ao redor da marca.

No fim das contas, nosso intuito é fazer com que as histórias de empresas e suas marcas sejam tão bem contadas quanto às narrativas da indústria cultural. Aliás, o objetivo é que as histórias comerciais passem a ser um produto de entretenimento com valor cultural. Assim, todo o mundo ganha - agências ganham prêmios, consumidores ganham bons conteúdos e empresas ganham pessoas mais atentas às suas ofertas.

WIDE Como você define o conceito de Storytelling?

WIDE E de que maneiras as marcas podem se beneficiar por meio do storytelling?

WIDE Em sua opinião, por que storytelling se tornou uma tendência no mundo corporativo e como e empresas e agências podem se beneficiar disso?

WIDE Poderia citar um exemplo mundial e outro local de storytelling?

Entre na página e confira todas as respostas. ;)



Eu sou do tipo de cara que é capaz de assistir uma (ou duas) temporadas de uma vez. Sou fascinado pela mecânica complexa da construção de séries, pelo trabalho envolvido em manter uma narrativa viva e interessante por um longo período e por isso, ouvindo as sábias palavras de J.J. Abrams eu tenho mania de desconstruir essas narrativas, separar todas as peças e ver se consigo reconstruí-la sem deixar sobrar nenhum parafuso do lado de fora. 


SEJA CONSISTENTE

Crie um universo, um personagem, ou até mesmo um plot capaz de segurar a história, algo que outra pessoa seria capaz de escrever caso você não consiga terminar o trabalho sozinho. O primeiro motivo que faz disso algo tão importante é que se você conseguir criar personagens fortes e narrativas envolventes o suficiente o espectador irá continuar a história na cabeça dele, criar suas próprias teorias, desenvolver os seus próprios projetos para os personagens e assim ficar cada vez mais curioso para saber o que você, autor, irá fazer com "os planos dele". Isso aumenta o engajamento do espectador na sua história. 

Outro motivo importante para isso, falando especificamente de séries é que muito provavelmente não será você quem irá escrever toda a série. Homeland, por exemplo, já teve 11 roteiristas diferentes e todos eles dependiam dos personagens e da história para fazer a coisa funcionar. Se a sua história é fraca, entregá-la na mão de outra pessoa pode ser um desastre, o novo ponto de vista pode atingir aquela rachadura que você estava tentando esconder, mas se a sua história é boa, um novo ponto de vista só vai te ajudar a manter o espectador atento e curioso. 

O que nos leva ao segundo ponto desse post:

SEJA IMPREVISÍVEL 

Sabe aquele plano que o espectador criou para os seus personagens e para o futuro da sua narrativa? Aquele que eu falei ali em cima que é o resultado de uma boa narrativa? Então, tenha certeza de não seguir esses planos. Se o espectador espera que o personagem pule, faça-o voar, ou ficar sentado, ou sei lá, mude de núcleo e conte outra história enquanto o espectador fica na dúvida se ele estava certo ou não. 

Surpresas são a chave da atenção, é através da surpresa que você irá conquistar a fidelidade do espectador, mas tenha cuidado, não exagere, não destrua o personagem, não force a narrativa. Não importa qual seja a ação, ela tem que ser consistente, você não pode simplesmente, de um episódio pro outro, ou de um capítulo pro outro, transformar a sua moça nerd e delicada em uma ninja super habilidosa. Surpreenda sem exageros. 

NÃO ESCREVERÁS EM VÃO

Esse conselho, na verdade, eu não aprendi com a série, mas Homeland é, pelo menos as duas primeiras temporadas (ainda não assisti a terceira) o melhor exemplo disso que eu já vi em uma série até hoje. Mas afinal, do que estamos falando? 

Certifique-se de que nada do que é apresentado ao espectador seja em vão, ou seja, como diz Cyd Field (o cara de quem eu "roubei" essa ideia) "tudo na sua narrativa deve fazer uma de duas coisas: revelar o personagem, ou mover a narrativa adiante". Toda e qualque cena, interação ou até mesmo fala deve servir ou para apróximar o espectador de um personagem ou para avançar a narrativa. Tudo é ação, tudo é importante, tudo é movimento. É esse movimento que irá manter o seu espectador na ponta do sofá com as mãos cobrindo o rosto, é esse movimento que garante a atenção completa do espectador. 

É esse movimento que irá garantir que os passos acima funcionem de maneira eficaz, dê ao seu espectador tempo para imaginar o próximo passo, mas não deixe-o com tempo para desvendar o resto da história. 



Há um tempo estou para escrever sobre este MMORPG, também conhecido como LoTRO o jogo transmídia do universo do Senhor dos Anéis leva os players de volta a Terra Média para aventuras fantásticas e a gente do blog a discussões intermináveis - perdi a contagem de quantas vezes discuti com o Fernando Palácios os aspectos desse game realmente intrigante.  Se quiser desbravar como os mistérios da narrativa do game acompanhe agora o post!
Lord of The Rings online é um jogo no estilo MMORPG, desenvolvido pela Turbine, e lançado em 24 de Abril de 2007 (na época chamado de Térra Média Online). O jogo narra acontecimentos que acontecem durante os acontecimentos de "O Senhor dos Anéis".  Isso significa exatamente que ele não é uma adaptação, você não vai acompanhar a exata história de Frodo e da Sociedade do Anel. Na verdade aí entra uma ótima estratégia de transmídia: a produtora contratou escritores especialistas na obra de Tolkien para costurar a trama entre a história principal. 
Algumas das várias perguntas que pensamos quando assistimos os filmes ou lemos os livros podem ser entendidas durante o game. O que Radagast o castanho realmente estava fazendo que não pode se juntar a Gandalf na batalha direta contra Sauron? Pois é, no game você descobre isso e passa um bom tempo ajudando ele em suas quests.

O player se torna um tipo de suporte para a saga da Sociedade do Anel, resolvendo problemas para abrir caminhos e aliviar a barra dos bravos heróis e pra que tudo isso funcione de maneira progressiva, as missões foram dispostas nas Quests Épicas divididas em 15 livros.  Realmente a falta de Tolkien escrevendo esse caminho entre sua história original faz uma grande diferença, mas dá pra aproveitar muita coisa e se divertir bastante.


Já no primeiro livro "Shadows of Angmar" você começa a encontrar humanos leais ao inimigo e ajudar Aragorn a impedir que suas forças aumentem. Essas missões somada ao todo da obra de Tolkien torna seu conhecimento sobre a Terra Média uma experiência sem igual.  Toda sua visão é enriquecida com os fatores sociais do tipo conflitos dos povos da Terra Média e quem está por trás da corrupção de cada lugar e cada personagem.

A noção geográfica do mundo também vem a tona, mas isso é uma característica natural de jogos como este. Após um tempo desbravando o mapa é provável que você desenvolva um senso de localização, mas nessa hora a transmídia volta a fazer toda a diferença. Um simples rio que você estaria atravessando a cavalo se torna aquele rio em que Arwen invocou a correnteza em forma de cavalos para levar os cavaleiros Nazgûl para longe e então você percebe que está andando perto das terras antigas dos Elfos. Tudo o que você conheceu antes passa a fazer sentido e a tornar sua experiência com o game melhor.
Ou quando você está em uma instância fora da Quest Épica defendendo uma Torre de vigília contra um Nazgûl e vem a memória que é exatamente a mesma torre aonde Frodo foi ferido pela espada de um dos cavaleiros negros no primeiro filme. 
Só que não adianta ter uma bela história dando suporte para tudo se você não consegue conta-la e criar a emoção e nesse ponto também gosto da Narrativa incorporada de Lotro. (já falamos desse tipo de narrativa por aqui). A remediação da cenas, ambientes e personagens dentro deste game é um caso a parte. Ela intensifica realmente nossas memórias a cerca da obra de Tolkien e agrega esse sentido a experiência do game.  Quando lemos ou assistimos o caminho que Aragorn faz até Rivendel podemos perceber suas dificuldades, não é uma subida fácil é bastante hostil e em certo trecho da conversa com Sam podemos perceber que era um lugar tomado por Ogros e eu convido vocês a experimentarem este mesmo caminho no LoTRO para perceberem que a sensação deve ser a mesma que Aragorn tem viajando a cavalo - aliás se gosta de desbravar o mapa em games de RPG se prepare, pois as viagens em LoTRO podem ser bastantes longas.


Mas não há nada mais dramático neste game do estar sozinho entrando em uma instância cheia de Uruk Hai, marcados de mão branca conversando com algum Nazgûl e quando você se aproxima as bordas da tela ficam claras como se estivessem queimando, mas no fundo você sabe que é porque está sendo observado pelo senhor das trevas Sauron.  Acredito mesmo que a sensação que alguns dos heróis na história original sentia era essa mesma que podemos sentir quando isso ocorre no game.

Existe um problema com a ordem cronológica dos acontecimentos, entre a morte dos anões em Moria (por exemplo) e a chegada da Sociedade do Anel nessas minas. Mas particularmente eu acredito que a não existência de um ritmo progressivo e controlado dentro de jogos de MMORPG ajudam a compensar (um pouco) esse conflito. Afinal você pode passar horas em uma cidade e sentir que isso é alguns meses antes de voltar para a Quest Épica.  Mas LoTRO ainda está longe de ter a narrativa perfeita para os jogos, porém ainda consegue conquistar bastante gente. Esse gênero de jogos no geral está passando por uma certa crise de narrativa e estão tentando se adaptar ou mudar sua forma de contar histórias... e nós acompanhando por aqui.

Quem curtiu e quiser jogar basta acessar http://www.lotro.com/en