O primeiro e mais consagrado Curso de Storytelling do Brasil terá uma edição especial em agosto, quando o professor Fernando Palacios estará de passagem pelo Brasil. Talvez seja a última chance de fazer o curso com os três professores em 2012.

Essa edição intensiva contará com um período especial para workshop. O último dia do curso será dedicado a iniciar na prática de contar histórias, sejam elas sobre empresas, marcas ou pessoas, e assim captar a atenção e fascinar e envolver e dar vida à sua comunicação.

Para saber mais e fazer inscrição, clique no link: http://bit.ly/storyclass


Diante de uma folha em branco, seja no seu moleskine ou no laptop, as palavras custam a aparecer. Quando aparecem decidem se misturar, não combinar e você apaga tudo. Quem aqui já não passou por isso um bocado de vezes?

Pois é, isso aconteceu comigo esta semana. Recebi um convite, seguido de uma tarefa, enviados por uma pessoa que está do outro lado do mundo. Para cumprir a tarefa precisava escrever algo e as palavras não vinham. O moleskine passou a semana com as folhas em branco. O Word ficou ileso. Tinha exatos cinco dias. 

Todas as folhas continuavam em branco e eu, em busca da história. A tarefa pressupunha responder a uma pergunta: como? Mas as perguntas nunca vêm sozinhas. Precisava responder o porquê? Para isso tive que mergulhar fundo nas minhas memórias, nas minhas verdades, no que eu espero da vida e em como alcançar esses objetivos.

Como você veio parar aqui?  Vim a convite de Fernando Palacios, que estava na Croácia no momento em que me chamou para ser colaboradora do Stories We Like. Fiquei honrada e feliz em poder falar sobre histórias neste espaço.
Mas só o como não bastava. O porquê ainda precisava ser respondido. Por que eu vim parar aqui? Essa eu precisava responder para mim. Vim parar aqui porque as histórias me encontraram. Sou Renata Rossi, jornalista, e meu ofício é contar histórias... De vida, de fatos, de momentos. Só que essas já não me bastavam. Em minhas buscas por algo que me fizesse mais sentido, encontrei um curso de storytelling e conheci três mentores. Eles abriram a porta. Eu entrei.  Investi no story.

E então chegou a hora de ir atrás do telling e outros dois mentores me colocaram mais para dentro daquela porta. Ao olhar ao redor, percebi que o universo que havia ali era absurdamente gigante.  Descobri que as histórias só existem quando são contadas e é graças à tradição oral conhecemos tantas histórias.


Em busca do sonho, narrado por Cristiana Ceschi

A história desse homem me fez pensar que, embora tenha sido contada num tempo em que não existia tempo, num lugar que não era lugar nenhum, ela pode ocorrer comigo, com você, com o cara ali na esquina. Para contar boas histórias é preciso conhecer muitas histórias. Porque as boas histórias são atemporais e são elas que ficam.


Para quem acompanhou  a história da Nokia na semana passada, leu o post com algumas considerações técnicas de storytelling do case, que não deu tão certo quanto podia ter dado. Aqui vai mais um exemplo de storytelling feito por marcas de celular. A Nokia já foi, agora é a vez da Samsung.

E se você acordasse da sua soneca diária no metrô e estivesse no futuro? - Já começamos com uma sinopse  bem elaborada. O vídeo começa com a fotografia típica de um sci-fi moderno, o azul, cor usada pela marca, está presente desde o começo, o que já nos ajuda com a inclusão da marca na história.

O rapaz se levanta e apresenta o universo, sem nenhuma palavra dita, andando pelo metrô, olhando para as pessoas e os lugares. Vocês lembram do "show, don't tell" tão importante no storytelling? Pois é, o vídeo faz isso muito bem.

Os personagens são bem desenvolvidos, desde as roupas até suas reações em relação as situações nas quais são colocados, as atitudes de cada um deles condizem com aquilo que esperamos desde suas apresentações. O malvado é malvado, mas tem seu motivos para ser, o mocinho é o mocinho e tem um desafio: entender o que está acontecendo. A mocinha é só a mocinha, mas tem um problema: a relação amorosa com o vilão. E no fim de tudo, mas não menos importante, o artefato (sim o Galaxy S III) é o único meio de comunicação entre o mocinho e a mocinha e que, para fazer a narrativa mais interessante é o celular do vilão que acabou se perdendo e parando na mão do nosso "herói".

Ficaram curiosos para saber como isso tudo acontece? Pois é, entrem na página do facebook e assistam ao vídeo, ou melhor, participem dele já que além de tudo, o vídeo é interativo. A parte da interatividade, na minha humilde opinião de aprendiz, poderia ter sido melhor explorada, mas no fim das contas a Samsung fez a lição de casa e apresentou uma ótima ação de storytelling, com uma boa história, bem contada, por personagens consistentes, um universo bem desenvolvido e, é claro, com uma boa apresentação do produto como artefato participante da história. Parabéns para a Samsung e para a CuboCC pela ação e pela história, mas agora fica a pergunta: será que eles vão continuar a história ou o universo fica por ai mesmo?


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Quando alguém conhece um escritor é normal ter curiosidade sobre a tal da escrita. Escrever parece fácil, mas na prática é tão difícil. Até porque a beleza do texto, diferente de uma imagem, é mais subjetiva. Demora mais pra saber se um texto é gostoso ou bonito. Quando as pessoas encontram uma fonte de bons textos, elas não entendem exatamente o que fascina tanto. Só sabem que querem ler mais e mais. Um vício saudável. Aí começa a fase das perguntas, do querer entender. Depois vem a fase do querer tentar por conta. De querer escrever também.

Resolvi escrever esse post no meio da viagem porque pareceu importante. A pergunta "sobre o que eu escrevo?" é bem típica, mas na última semana foi como se entrasse em ebulição. Apareceu por email, em conversas no face, na página e até ao vivo. Se você também está se perguntando isso, vale a leitura e se quiser ir mais a fundo, recomendo o Curso de Inovação em Storytelling na ESPM.

Escreva sobre aquela cicatriz que você tem. Mesmo que seja aquela cicatriz que ninguém nunca tenha visto, porque não fica na pele.

Escreva sobra o seu melhor amigo de infância, aquele que só você conhecia. Ou sobre a baleia que está presa em sua imaginação e louca para sair.

Escreva sobre todas as coisas que te fascinam. Sobre as maravilhas do mundo, as maravilhas da vida. Mesmo que seja o  pão com azeite e sal que seu avô preparava antes das refeições.

Escreva sobre o seu primeiro beijo. Sobre a primeira vez que suas pernas tremeram na presença de alguém. Sobre o último beijo seu que alguém recebeu.

Escreva sobre aquela sua viagem por um país exótico. Conte os detalhes do cenário. Mesmo que a jornada tenha sido durante um sonho.

Escreva sobre um belo dia de Sol que começou a chover.

Escreva sobre a chuva que parou.

Escreva sobre escrever.

Escreva.



O vídeo a seguir é a história de um cara que perdeu o telefone de uma menina que conheceu na balada. Pois é, com uma sinopse dessas eu não imaginava o quanto de atenção ele conseguiria, mas depois de ignorar o link, que pipocava na minha timeline de tempos em tempos, comecei a ler sobre esse vídeo em blogs de publicidade e os números são assustadores, 706.270 views no youtube (até o momento em que escrevi este post), 78.793 pessoas no grupo do facebook e por aí vai. Até o segundo vídeo aparecer e tudo ficar um pouco estranho, os números baixaram e as teorias da conspiração (justificáveis) começaram a aparecer. 

Pensando bem, a história nem é tão ruim assim e está começando a ficar interessante, pelo menos a história de "de onde veio isso?" ou "qual é a marca responsável?". 

Assistam ao vídeo e vamos ao Story e Telling da coisa:


Daniel Alcantara, 20 e poucos anos de idade, é simples (talvez simples demais) e simpático, leva sua vida entre a balada com os amigos e o trabalho do dia-a-dia (Pelo menos é isso que o vídeo deu a entender). Até que um dia, numa noite de balada, damos início ao conto de fada dos tempos modernos, o jovem se apaixona pela moça (Até ai a história vai quase bem...) e pega o telefone dela, em um guardanapo (OPS! Tem coisa errada ai, afinal, alguém que frequenta um lugar como a "Casa 92" em 2012, com toda certeza do mundo tem um celular no bolso. Quando as ações de um personagem não condizem com as situações em que o colocamos a história fica confusa e o personagem superficial. (Sem contar que se o amor era tanto assim, mesmo que o número estivesse em um guardanapo o rapaz teria copiado pro celular, talvez até usando a câmera de 41 MP do novo aparelho da nokia...) Mas a história de amor dos tempos modernos cativou muita gente e por enquanto (mesmo sem aparecer nada da marca) é o que conta. 

Ainda falando de personagens podemos partir do amante para a amada e ai, meu amigo, temos um problema sério. A descrição da garota segue abaixo: 


Fernanda, pele clara, olhos verdes ou azuis, aproximadamente 1,70, magra, cabelos longos, lisos e escuros e idade APARENTE 28 anos. Tudo bem que para o bem da história ele realmente não teria muitas informações sobre a garota que conheceu na balada, mas espera um pouco, nenhum comentário sobre uma mania? Nenhuma tatuagem, cicatriz ou qualquer outra característica que a torne especial? Nem a cor do olho ele lembrava? (talvez isso seja justificável pelo fato deles estarem em uma balada, mas mesmo assim, sinto falta de algo especial na descrição da moça). Com essa descrição eu conheço milhões de garotas que poderiam ser a Fernanda. O objetivo do storytelling é sim fazer com as pessoas se relacionem com os personagens, podemos sim olhar para um personagem e pensar "nossa sou eu", mas será que alguém no mundo não quer ser especial? O que é que me faria querer ser essa Fernanda no final das contas?

A história continuou, o segundo vídeo forçou a barra, mas ainda deixou a dúvida na cabeça de muita gente: real ou não?

E é ai que entra outro erro da história, quando falamos de storytelling para marcas devemos ter em mente o objetivo principal de um publicitário: vender. Sim, é lindo poder ser artista e escrever belíssimas histórias com ótimas artes, mas não somos apenas escritores ou pintores, somos publicitários e comunicamos marcas. O celular, no terceiro vídeo (veja a abaixo) foi apresentado como um artefato solucionador de problemas. Usar o produto como artefato pode funcionar, mas um artefato também tem que ser especial, é só pensar na varinha do Harry Potter ou na lâmpada do Aladim. Ainda no terceiro vídeo houve outro erro e talvez o mais sério de todos eles: eles pararam de mostrar a história e começaram a contar uma história nova. (Show, don't tell é a primeira coisa que me vem a mente quando penso em storytelling). 



A história, que virou um vírus na internet pode acabar sendo uma gripe, das fortes para a Nokia, já que a falta de presença da marca desde o início da ação causou um sentimento de traição nos consumidores e ao invés de "Nokia, a marca daquele case muito bom de storytelling, uma linda história de amor" ganhamos um "A Nokia, aquela empresa que mentiu pra todo mundo no facebook."

Pois é, meus amigos, a ação da Nokia tinha tudo pra dar certo, mas o erro aconteceu no StoryPlacement e a maneira como a marca apareceu frustrou a atenção de todos, ou quase todos. Antes de terminar devo dizer que esse case me serviu de aviso sobre algo que eu ainda não tinha pensado:

Youtube, Facebook, Twitter e tantas outras redes podem ser ótimas mídias para publicarmos uma história, e o tom de realidade também, mas devemos tomar cuidado para não deixar a nossa história se perder entre todas as outras e por consequência a nossa marca perder a chance de virar um mito nesses novos e turbulentos tempos da publicidade.