Essa é uma história contada no futuro, uma hipótese para dizer a verdade. Os longos tapetes vermelhos irão se estender, estrelas e astros irão desfilar seus talentos, vestidos, ternos e, quem sabe, extravagâncias. O mundo das telonas irá invadir as telinhas do mundo inteiro e o cinema terá mais uma noite de celebração.

Daqui a pouco começa a premiação do Oscar 2013, então eu adiantei o post de hoje para quem sabe ajudá-los a entender um pouco mais dessa festa. Uma das primeiras coisas que eu acho que devemos ressaltar é que a premiação e suas categorias já nos ensinam uma ótima lição de storytelling. São ao todo 24 categorias premiadas, indo desde maquiagem e figurino até melhor filme, o que só mostra o quão complexa é essa história de contar histórias. É claro que estamos falando de filmes, mas e se você pensar no seu próximo conto, livro ou artigo como uma história merecedora do Oscar? Será que suas palavras são capazes de fazer o leitor ver a maquiagem de cada um dos personagens, sem que você precise enrolar por horas sobre o assunto? Será que você consegue sair um pouco do papel de roteirista e sair do story para pensar no telling como um diretor? Será que é possível transmitir em palavras a complexidade de um filme? 

Essa última pergunta eu posso responder tranquilo e dizer que sim, é possível desde que sejamos capazes de entender a diferença entre as várias linguagens que podemos usar para contar uma história. Me lembro de um livro que li quando era criança, um livro que por muito tempo eu achei que era um filme, pois na minha cabeça sou capaz, até hoje, de ver cada cena daquela história. A prova disso é o próprio Oscar, afinal, meus amigos, histórias de cinema começam com roteiros e só depois disso são interpretadas por talentosos diretores, maquiadores e figurinistas. Pergunte para um ator ou diretor qualquer e eles te dirão que não há nada melhor que trabalhar com um bom roteiro, um pedaço de narrativa escrita capaz de fazê-los imaginar suas próprias visões de cada uma das cenas. Se eu ainda não os convenci, tenho mais um simples fato na manga, dos 10 filmes indicados para melhor roteiro, original e adaptado, 8 fazem parte da lista de indicados a melhor filme. Pois é meus amigos, quem sabe não seja a hora de começar a pensar na iluminação e na maquiagem de nossos próximos contos? 

Quem foi que disse que storytelling tem que ser complicado?

Boa parte do meu trabalho é fuçar na internet, pular de um lado pro outro procurando algo interessante, caçando alguma história que inspire uma bela narrativa. O que tenho encontrado nessas minhas buscas são, na verdade, muitas perguntas, muitos mal-entendidos e muita gente falando que storytelling é uma tecnologia complicada e que só alguns talentosos mestres da arte são capazes de fazê-lo. Não vou dizer que é fácil, mas afirmo de consciência limpa que uma história pode (e deve, na verdade) ser simples. 

Nos primeiros segundos do vídeo abaixo ele apresenta o personagem e sua angústia, explica o conflito e pronto, temos um contexto. Mais alguns segundos, o produto entra na cena, literalmente, o personagem inicia sua jornada, enfrente seus obstáculos e volta para casa mudado. Pronto, temos em 1 minuto e 3 segundos uma boa história, bem contada e uma boa propaganda, tudo ao mesmo tempo. 




No Carnaval carioca deste ano, chamou a atenção uma forma de patrocínio que parece estar substituindo o antigo modelo sustentado pelo Jogo do Bicho. Dez das 12 escolas de samba tiveram dinheiro da área de marketing institucional para transformar suas ideias em desfile na Marquês de Sapucaí. No orçamento, houve desde verba corporativa à de países como Alemanha e Coreia do Sul.

De acordo com especialistas do samba e a imprensa de modo geral, um fator importante contribuiu para o sucesso da campeã, Unidos de Vila Isabel, foi a composição de um samba-enredo sem forçar demais a barra para o lado do patrocinador. O desfile contou sobre as manifestações culturais do Brasil rural e a canção não se prendeu a expressões que mais parecessem publicidade do que Carnaval.

Foi diferente da Unidos do Porto da Pedra, em 2012, que cantou “Leveza, o equilíbrio se traduz em beleza/ Do dia a dia me refaz/ Iogurte é leite, tem saúde e muito mais”. Não precisa nem dizer que tipo de indústria patrocinou a escola. Além disso, convenhamos, os versos soaram mal aos ouvidos e devem até ter desconcentrado o passista de gosto minimamente apurado.

O desfile das escolas reúne coreografia, música, personagens, carros alegóricos e fantasias narrando uma história. A bateria e a letra dão o tom, sendo fatores preponderantes para empolgar o público no sambódromo.

Diante dos enredos patrocinados, o desafio dos compositores se assemelha cada vez mais aos storytellers que enveredam pelo mundo das organizações. Em várias situações, ambos precisam passar a sua mensagem com graça, adequando a linguagem e recorrendo ao “corporativês” somente quando muito necessário, ou apropriado.  

Assim, o maior sucesso do patrocinador ocorrerá caso o samba caia no gosto popular, sendo repetido pelo povo nos carnavais seguintes, por muitos e muitos anos. Vai saber. Como será o amanhã? Responda quem puder. 

Quem vai ser o filme premiado de amanhã, ou qual será o diretor que levará para sua casa a estatueta, eu não sei dizer. Mas uma coisa é certa: esse ano a academia resolveu premiar o Storytelling. Como assim?

Nesse ano, ao invés de um rosto famoso, a cerimônia será conduzida por ninguém menos do que um roteirista. Parece estranho? E é mesmo.



Mas numa cerimônia que arrecada quase US$ 1 bilhão em veiculação de anúncios nos EUA, nada é por acaso. Seth MacFarlane é criador de vários programas, com destaque para os humorísticos. Até por isso dá para esperar um ano com muitos risos... e a brincadeira já começou!



Que sirva de inspiração para o nosso hangout logo mais... Quem quiser participar, esteja online às 20:00 no grupo do Face ou do G+

Ele levantou de sua cadeira com uma caneca de ferro em mãos, postou sua voz, inconfundível, para que todos pudessem ouvi-lo e parou, com apenas algumas palavras, a comoção do homens em torno da guerra. Tudo para contar mais uma de suas histórias. Tudo para explicar da maneira mais simples e compreensível o que queria dizer.



Eu estou me preparando para o hangout de amanhã do grupo de Storytelling & Transmedia e tudo o que conseguia pensar enquanto assistia a "Lincoln" era a tradição oral e o poder das palavras que aos poucos, através de histórias contadas pelo presidente dos Estados Unidos, construíam um protagonista forte e intrigante.

Ter um bom personagem é o começo, mas não é tudo, afinal só temos uma narrativa quando temos ação além da descrição. Saber apresentar esse personagem, mostrar que ele merece o respeito e, quem sabe, até a compaixão ou a paixão de quem o assiste. Fazer com que as pessoas queiram segui-lo em sua jornada, apoiá-lo em suas falhas e saudá-lo em suas vitórias. Esse é o segredo de todo bom storyteller e, por que não, de todo político. 

Não bastasse ele ser o responsável pelo fim da guerra e pela abolição da escravatura, agora ele também concorre ao Oscar, e caso sua história ganhe o tão famigerado prêmio do cinema mundial, acredito eu, que tanto seus feitos políticos em vida, quanto seu sucesso nos cinemas se devem a mesma coisa: histórias inspiradoras. 

Quem assistiu ao filme percebeu, ou não, que todas as vezes em que o alto senhor de rosto cansado começava a contar uma história, começava ali, durante o seu discurso o que nós storytellers conhecemos por plot-twist, ou seja, uma mudança brusca na maneira como os acontecimentos iriam (ou como nós imaginávamos que iriam) ocorrer. 

Em dado momento, um de seus conselheiros de guerra se revolta com essa mania de Lincoln de fingir que nada acontecia para que ele pudesse contar uma de sua histórias. A mania do protagonista o torna humano o bastante para que criemos uma relação com ele e a suas histórias inspiradoras o tornam especial o bastante para governar o que viria a ser uma das maiores potências do mundo. Tornar a sua mania uma ferramenta da narrativa, fazer do seu "defeito" algo importante para a história pode ser uma boa saída para os storytellers.