Ao começar um curso eu gosto de perguntar “quem aqui pediria ao gênio da lâmpada o poder de contar bem uma boa história?”. Raramente alguém levanta a mão. Das mais de duas mil pessoas que treinei, não passam de 30 as que pediriam tal poder. O curioso é que ao questionar aqueles que não levantaram a mão as respostas sempre giram em torno de dois motivos.
Grande parte das pessoas preferiria pedir a fortuna do Tio Patinhas. Tudo bem, é um desejo bastante justo. Mas, no entanto, e se no dia seguinte o governo confiscar esse dinheiro? Por outro lado, com o poder de contar uma boa história, a escritora J.K.Rowling conseguiu sagrar-se a mulher mais rica do Reino Unido e caso o governo confisque a fortuna, basta que ela conte a história dos pais ou dos filhos de Harry Potter que estará bilionária novamente.
O ato de contar história nos acompanha desde os tempos mais remotos. Antes de inventar a escrita, antes mesmo de criar as pinturas rupestres, nossos ancestrais já se sentavam ao redor de fogueiras para longas sessões narrativas. Graças a isso que, geração após geração, fomos capazes de acumular conhecimento e aperfeiçoar a nossa condição. Quem trabalha com comunicação sabe disso. Ainda assim, também essas pessoas não pediriam ao gênio esse poder ancestral. Só que nesse caso a justificativa é outra.
Quem trabalha com comunicação e, em especial publicidade, julga que já sabe contar histórias e afirma que pratica storytelling todos os dias no ofício. Engana-se quem acredita que a publicidade sempre fez storytelling, da mesma forma que se engana quem acha que quem escreve emails é um escritor. Storytelling vai muito além de redigir textos e roteiros. Digo isso de experiência própria.  Para afirmar que a publicidade sempre contou histórias é preciso recorrer a um anúncio de 1987. Fica a impressão de que já faz 25 anos que os publicitários estão perdendo a chance de contar boas histórias.
Já trabalhei como redator e sempre ‘soube’ que por ter feito dezenas de roteiros eu dominava a arte da narrativa. Só quando fui escrever a primeira peça teatral que entendi (por) que storytelling é outra coisa.
Não quero dizer que a publicidade brasileira não faz uso da narrativa. Ela o faz na mesma medida em que as pessoas pediriam ao gênio da lâmpada o poder de contar bem uma boa história. É raro, mas acontece. E seria muito melhor se acontecesse mais.
As pessoas não querem mais ser tratadas como target de consumidores. As pessoas – eu que escrevo, você que lê – querem usar o tempo da melhor forma possível. Sempre que possível, evito anúncios. Mas se eu tiver que pagar, pago feliz pelo ingresso do cinema. Também não me importo em pagar para ter acesso a livros, games e revistas em quadrinhos. Esses são os lugares onde estão as boas histórias e é aí que devemos recorrer para aprender como manter acesa a chama milenar do poder de contar bem boas histórias. O segredo é que não é dom, tampouco inspiração. Para fazer um bom storytelling qualquer comunicador pode contar com técnicas narrativas para parar de depender do acaso.
Esse texto foi originalmente publicado no portal Ideia de Marketing.

Na última segunda feira, dia 09, o American Film Institute divulgou sua lista com seus 10 melhores melhores filmes e 10 melhores séries, neste post irei falar brevemente sobre 3 das 10 séries e os motivos pelos quais você deve assisti-las. 

Vamos começar pelas séries "originais" da Netflix que merecem seu espaço na lista não apenas pela inovação serem exclusivamente transmitidas pelo veículo online, mas por suas histórias bem escritas e personagens bem desenvolvidos. 


House of Cards é uma série sobre o cenário político norte americano baseado, porém, em uma série originalmente Britânica. O ambicioso Frank Underwood, interpretado por Kevin Spacey, é um político em busca de poder com pouquíssimas limitações éticas para conseguí-lo. 


Uma das coisas mais interessantes da série é a construção dos personagens e a brincadeira do protagonista com a quarta parede, que em diversos momentos conversa diretamente com o espectador, revelando "segredos" para quem assiste a série que os outros personagens não são capazes de ouvir, o que cria uma dinâmica interessante para todo o plot. 

Orange is the new Black é uma comédia dramática que trata da condenação de uma jovem por tráfico de drogas, crime que ela cometerá anos antes quando ainda era uma adolescente inconsequente e apaixonada. Ao ser presa, Piper Chapman (Taylor Schilling) vê a sua vida tomar uma direção inesperada e é obrigada a aprender novos truques e adaptar velhos conhecimentos para sobreviver na prisão.


Uma série baseada em personagens e backgrounds, Orange is the New Black, oferece ao mesmo tempo a emoção de acompanhar a história de uma personagem carismática e comovente e a visão cômica das situações extremas que a personagem é forçada a viver na prisão. A apresentação do passado das personagens e como esse passado as levou para a prisão é uma das coisas mais interessantes da série, provando mais uma vez que o passado dos seus personagens é tão importante quanto o presente. 



Por último vou falar de uma série que me surpreendeu em sua qualidade técnica e principalmente narrativa: Scandal é uma série norte Americana que narra a vida de Olivia Pope e as pessoas ao seu redor, incluindo sua equipe formada por um ex-agente da CIA, um advogado ex-presidiário, uma investigadora particular e uma ex-suspeita de terrorismo doméstico, além é claro do presidente dos Estados Unidos da América, seu chefe de equipe e a primeira Dama. 


O ritmo da série foi uma das coisas que mais me chamou a atenção até agora (ainda estou na segunda temporada e já aconteceu tanta coisa que eu nem saberia por onde começar). Os roteiristas de Scandal não deixam uma página passar em branco e parecem levar isso muito a sério, cada minuto da série é um possível momento de plot twist, o espectador mais desatento, como eu, estará em constante alerta para não perder nada. 





Vamos continuar explicando a luz da psicologia por que os valentões fazem tanto sucesso. Na primeira parte que você pode ler aqui, explicamos por que um dos ingredientes de um bom valentão é uma pitada de perversão. Agora entenda o que a obsessão tem a ver com isso:
PARTE 2:
Além da fixação do objeto de desejo, como vimos no artigo anterior, a perversão está conectada a ausência de culpa mesmo diante dos atos mais macabros, o que tira o seu carisma. Então em geral os anti-heróis como eu e você são neuróticos. Mais especificamente neuróticos obsessivos onde há uma idéia de fixação do objeto de desejo, assim como na perversão.
Porém, eles têm em sua personalidade conceitos de moral e ética, ao contrário dos perversos e a transgressão destes conceitos pesa em sua consciência, o que torna o personagem mais cativante.
Um neurótico obsessivo irá ter objetivos claros e transgredir regras para alcança-los, o que o torna forte. Mas haverá momentos de vacilo em que ele irá refletir sobre seus atos e arcar com as consequências. O perverso não tem esse momento de reflexão porque é um sociopata, ou seja, incapaz de viver em sociedade.
É por isso que personagens como o serial-killer Dexter, apesar de serem “diagnosticados" como perversos em suas histórias são na verdade neuróticos obsessivos, pois em algum momento refletem sobre seus atos. Enquanto outros como o doutor Hannibal Lecter geralmente são vistos como vilões ou personagens secundários, porque não existe possibilidade deles hesitarem em suas ações pois são sociopatas.
Descobrimos até aqui que ser um valentão é diferente de ser o perverso, apesar de ambos compartilharem traços de personalidade. Mas será que é possível ser um valentão durante todo o tempo? Descubra na última parte do artigo!

Fique ligado no site!



A série Breaking Bad acabou e seu criador, Vince Gilligan, já anunciou uma possível nova série dentro do mesmo universo. “Better Call Saul” conta as peripécias de um dos personagens de Breaking Bad, o advogado Saul Goodman. Mais um “spin off”, como definimos na semana passada, este não é o único que caberia na série de Walter White. Quantos podemos enumerar?


  1. A começar pelo próprio protagonista, a história de White antes de se tornar Heisenberg, quando ainda era um promissor estudante de cristais e fundou, junto de Elliott e Gretchen, a Gray Matter Technologies renderia uma história e tanto.
  2. Gus Fring e seu misterioso passado sulamericano é mais um personagem que mereceria uma série só para a sua história até o comando da “Pollos Hermanos”.
  3. Mike Ehrmantraut, o braço direito de Gus, é outro que seria capaz de render uma série entre sua exímia habilidade na organização do crime e sua paixão por sua neta, como avô.
  4. Ainda que preso em uma cadeira de rodas e sem voz, Hector Salamanca é um dos personagens mais intrigantes da série, e caberia desenvolver a sua história muito além de seu sino.
  5. Do outro lado da lei, o agente Hank Schrader se mostrou incorruptível e, junto de seu parceiro Gomez, poderia dar frutos a mais uma série de investigação policial de que tanto o americano gosta.
  6. O que dizer, então, da história de Walter Jr e Skyler, após a perda do patriarca, no aniversário de Junior, quando o casal Schwartz faz uma misteriosa doação de 10 milhões de dólares de presente ao filho de Walter White?
  7. E Jesse Pinkman, teria largado o crime após sair vivo de Breaking Bad, ou se consagrado como, agora, o único a produzir a “Blue Sky” com seu nível de pureza?
Isso sem falar em Lydia, Todd, Jack, e outros personagens tão profundos que também seriam dignos de suas próprias séries. Se Breaking Bad é considerada uma das melhores séries já produzidas, um dos segredos da pureza de 99,1% que só Walter White conseguia alcançar, é a complexidade de todos os personagens envolvidos na trama.

Consumir narrativas e estudá-las é um dos passos mais importantes na vida de um storyteller, o repertório é a sua principal ferramenta nos momentos em que a 'inspiração' te deixa na mão. Por isso decidi listar aqui três séries com personagens que valem a pena estudar. 

White Collar 

A série trata sobre as aventuras de uma dupla inusitada formada por um agente do FBI responsável pela investigação de casos de colarinho branco e um falsificador cheio de estilos que parece nunca ficar sem troques na manga. Ambos os personagens merecem a nossa atenção, mas Neil Caffrei, o falsificador é um caso a parte. Um personagem complexo e constante e bastante condizente com o que imaginamos ser o resultado de alguém com a sua história de vida. Ou seja, um personagem crível com uma história bem definida e bem apresentada para justificar a maior parte de suas ações. 

Californication 

Hank Moody, um escritor americano em decadência faz justiça ao seu nome (Moody pode ser traduzido como um adjetivo para pessoas mal-humoradas) e está sempre em busca da felicidade. O personagem é 100% humano, cheio defeitos, falhas de caráter e sonhos. A série, recheada com uma porção bem servida de referência literárias a Charler Bokowiski, é voltada para os dramas e 'aventuras' de um grupo de personagens 100% humanos, sem super-poderes, ou habilidades especiais os personagens se aproximam do telespectador de maneira invejável. 

Life 

Apesar de seu final repentino na segunda temporada, a série vale a pena. Contando a história do Detetive Crews, um policial que passou 12 anos preso por um crime que não cometou e foi inocentado recebendo um acordo milionário do estado e voltando para a polícia para fazer o que mais gosta de fazer: investigar crimes. Com uma boa dose de comédia a série é na verdade um drama sobre como Crews irá recuperar sua vida após 12 anos preso. Um personagem construído nos detalhes, Crews é um exemplo de como dar credibilidade para o protagonista da narrativa.