“O que é ser um Storyteller?” – Essa é uma das poucas questões capazes de me fazer parar no meu ofício diário de costurar histórias. Como uma legítima questão existencial para mim, é uma questão difícil de responder, assim, de pronto.


É claro que existe uma série de respostas prontas para questões como essa. Mas as medidas prontas nunca vestiram muito bem um Storyteller acostumado a cortar e costurar as tramas, como eu. Isso porque o Storytelling, esse que se escreve com o S capitular, está muito mais para a alta-costura do que para uma produção têxtil industrial.





Quando falamos de estrutura de narrativas a primeira e mais famosa que vem a nossa  mente é sem dúvida a Jornada do herói do norte-americano Joseph Campbell.  Apesar de funcionar bem conectando os conflitos do personagem ao leitor ela não é a única que existe.

Em 1928 o teórico russo Vladimir Propp, publicou "A Morfologia dos Contos de Fadas", na qual estabelecia os elementos narrativos básicos que ele havia identificado nos contos folclóricos russos.

Basicamente, Propp identificou 7 classes de personagens ("agentes"), 6 estágios de evolução da narrativa e 31 funções narrativas das situações dramáticas.

 As classes de personagens arquetípicas e podem ser a base para construção desses contos. Também podemos fazer um paralelo entre eles e algumas figuras importantes da jornada descrita por Campbell como o mentor. Veja as 7 classes de “agentes”:

Os personagem são divididos segundo sua esfera de ação:
1ª Esfera – O Agressor – o que faz mal;
2ª Esfera – O Doador – o que dá o objeto mágico ao herói;
3ª Esfera – O Auxiliar – que ajuda o herói no seu percurso;
4ª Esfera – A Princesa e o Pai – não tem de ser obrigatoriamente o Rei;
5ª Esfera – O Mandador – aquele que manda;
6ª Esfera – O Herói;
7ª Esfera – O Falso Herói.

Já as 31 funções narrativas das situações dramáticas podem ser vistas nesta tabela (em inglês) abaixo:




Pra saber mais, sugiro que procurem a obra original conhecida no Brasil como "A morfologia do conto maravilhoso" - mas aviso que não é uma edição tão fácil assim de encontrar nas livrarias.

Vasillisa and the Baba Yaga by Biffno



Abaixo trecho da matéria publicada na Revista da Administração. 

Contar histórias é uma aptidão inata do ser humano, desde que começamos a passar adiante nossas experiências em caçadas e a buscar explicações para o que nos acontecia. Seja no boca a boca ou pintando pessoas e animais em paredes de cavernas, criar narrativas faz parte de nossa natureza enquanto indivíduos. Com a evolução da comunicação e dos relacionamentos, tornou-se necessário aprimorar tal habilidade. Dentro do universo corporativo, essa prática tem o nome de storytelling. Os enredos, personagens e conflitos presentes em nossos cotidianos ganham força com uma narrativa apropriada e pensada com antecedência.

As nuances e a influência direta do ambiente corporativo sobre a vida das pessoas proporcionam conteúdo inesgotável de acontecimentos e vivências dignas de “causos”. “Dentro do público interno e através das próprias experiências na corporação, os líderes conseguem inspirar e fazer com que as pessoas não repitam erros, analisar o que deu certo ou mesmo ajudar os analistas a tornar tangíveis os projetos atuais”, afirma o professor da ESPM Fernando Palacios.

Para ter acesso ao conteúdo completo, acesse aqui







Desvendando o Storytelling
Como utilizar a habilidade de contar histórias para inovar?

O que é?

Contar histórias não é algo novo. Fazemos isso desde as eras mais remotas e ao longo desse período, pela experiência, aprendemos: histórias agradam, entretêm e tornam-se inesquecíveis (as boas, claro). 

Quer que um fato seja lembrado? Embale-o numa história. Você terá 20 vezes mais chance de ter sucesso. Palavra do grande psicólogo norte-americano Jerome Bruner.

Ok, e por que eu deveria fazer o curso? Porque você vai aprender a contar história com quem entende disso: a indústria que vive de contá-las. E nesse marzão de informação que vivemos, quem precisa ser mais atraente e eficaz ao transmitir uma ideia, fazer uma apresentação, vender um produto ou serviço? Eu, você, a startup, a grande empresa e qualquer outra pessoa ou instituição que você quiser inserir aqui __________.

Se você precisa de mais algum motivo, lá vai: esse curso, com esse formato, já foi apresentado em universidades internacionais como a PUC do Peru e a Universidade da Beira Interior em Portugal, e nas maiores empresas e agências de publicidade do Brasil.

Como vai ser?
O curso é dividido em 7 módulos + LAB:

1. Storytelling, a grande inovação: De onde veio, por que surgiu, o que é e como usar Storytelling. Por que se tornou uma tendência no mundo corporativo e como empresas e agências podem se beneficiar disso.

2. Storytelling em apresentações: como transformar um .ppt em uma performance inesquecível.

3. Storytelling corporativo: a evolução possível do storytelling dentro das organizações e como tem ajudado os executivos a otimizarem seus principais atributos: liderança, engajamento e viralização. 

4. Storytelling e Branding: como as marcas podem ganhar personalidade a ponto de se tornarem verdadeiros personagens.

5. O Story do Storytelling: como compor uma história realista capaz de englobar tudo aquilo que se quer e que se precisa dizer.

6. O Telling do Storytelling: como contar a sua história da forma mais intrigante possível e fazer com que seja adotada por uma cultura.

7. Transmídia Branded Content: como planejar a distribuição da história em diferentes veículos de forma orquestrada e harmônica.

LAB: hora de colocar a mão na massa e mostrar que aprendeu.

Quem é o mentor?

Fernando Palacios é um dos pioneiros de advertelling e branded content no Brasil. Co-fundador do primeiro escritório de Storytelling no Brasil. Inovou implementando o primeiro portal de conteúdos de marca e o primeiro curso universitário de Transmídia Storytelling na ESPM. É formado na USP, onde defendeu o primeiro estudo acadêmico sobre o tema Storytelling. Desde então ministra palestras e cursos no Brasil e internacionalmente. Atualmente é professor de Storytelling na ESPM e Diretor da Storytellers Brand´n´Fiction. Como um laboratório de conteúdos, seu projeto pessoal narra a busca de um personagem pela Próxima Maravilha da Humanidade e já conta com mais de 90 mil seguidores no Facebook.

Carga horária?
7 horas

Quando?
29 de Novembro. Das 10h às 18h30.

Quanto vou investir?
Até dia 14/11 – R$380
A partir do dia 15/11 – R$430

E a forma de pagamento?
Transferência bancária, boleto ou cartão de crédito.

Ficou alguma dúvida?
Estamos aqui: cursos@coolhow.com.br

Fechou, quero fazer. Qual é o próximo passo?
Vamos lá. Basta fazer sua inscrição aqui:http://www.coolhow.com.br/cursos/storytelling/


"O diálogo é a arena do Drama." - Newton Cannito 

Falar de diálogos é falar de drama. No cinema é através dele que a narrativa corre e vai revelando as ações e reações que envolvem os personagens.  Muitas vezes temos apenas um ponto de vista: o de espectador. 

Dentro desse ponto de vista o que escutamos pode estar carregado de paixão, ódio, ironia ou qualquer outro sentimento que vai fazer nos apegarmos a trama.  Mas vamos falar agora de narrativas interativas, as presentes em jogos.  Dentro delas é possível desconsiderar totalmente o papo com aqueles personagens não jogadores (NPCs)  e passar uma vida, talvez duas, se aventurando em busca de conquistas, ranks e coisas mais voltadas para o gameplay. 

Então quando você está uns níveis acima, resolve por acaso interagir com aquele cara que estava a frente do castelo desde que iniciou sua jornada e ele solta uma resposta como: Olá jovem, vejo que está muito mais forte do que a primeira vez que te encontrei... logo será um grande guerreiro.

Pronto! Sua experiência foi amplificada (mesmo que minimamente), porque o jogo criou com isso a sensação de quem alguém acompanha sua evolução e te valoriza por isso.
Esses diálogos, quando bem feitos, ajudam a dar consistência ao seu game world e poderão transferir para os jogadores a sua mesa a sensação de que estão realmente construindo um herói. Isso pode acontecer da forma mais simples possível como aquele guarda da torre que nunca falou uma palavra e sempre te olhou com desprezo depois que você retorna como paladino da cidade te dá uma saudação esperançosa.  As dicas pra criar diálogos proveitosos são simples:

  • Faça com que a reputação e a história dos personagens tenha influência em como os NPCs tratam ele ;
  • Modifique os diálogos dos mesmos NPCs a medida que o personagem evoluir ou não (quando retorna pra sua cidade após uma ou duas aventuras quem sabe aquele garoto franzino não seja considerado um pouco agora, mas só um pouco afinal ainda não se tornou um herói);
  • Sempre que puder planeje mais de uma resposta para a mesma situação e apresente-as de acordo com as ações do jogador; 
  • Escreva realmente os diálogos (pode parecer chato ou que ninguém vai ler, mas são importantes)
  • Conheça seus NPCs, eles tem história também e origens... apenas conhecendo a sua personalidade seus diálogos ganharão veracidade. 
A série Dragon Age é um belo exemplo de bons diálogos. É possível acompanhar papos engraçados ou tensos com os seus companheiros de viagens.