Storytelling: a técnica de contar uma história . Entrevista com Fernando Palacios, fundador da Storytellers

Essa entrevista foi publicada originalmente pelo Diario do Nordeste.

Criar histórias. Narrar. Emocionar. Os ingredientes formam a receita do storytelling, um método que utiliza palavras ou recursos audiovisuais para transmitir uma mensagem. Pode ser utilizado em várias vertentes, como estratégia de marketing, para motivar colaboradores ou até mesmo no lançamento de produtos. O mundo corporativo vem se apropriando cada vez mais da técnica de contar histórias relevantes para potencializar resultados em suas marcas e atrair a atenção de seu público-alvo.
"Desde a antiguidade, no tempo dos homens das cavernas, todo mundo contava uma história por vários motivos. Para ensinar a caçar ou falar dos perigos. Os pais contam histórias para os seus filhos", explica Fernando Palacios, um dos fundadores do primeiro escritório de Storytelling no Brasil, a Storytellers Brand 'n' Fiction que tem como principais cases: a peça de Teatro "Filhas do Dodô" para o Grupo J. Macêdo e "O Mistério das Cidades Perdidas" para Mini-Schin que superou 2 milhões de leitores na internet.
Em algum momento, a organização precisa contar uma história, seja ela de ficção ou não, para atingir determinado objetivo, "sem que a narrativa se torne chata". O storytelling foge das abordagens tradicionais de comunicação, valendo-se de histórias interessantes para obter a atenção de alguém.
A técnica, como parte da visão corporativa, vem sendo utilizada pelas empresas há pouco mais de dez anos. Com nascimento nos Estados Unidos, no Brasil, é uma abordagem recente. As empresas, segundo Fernando, estão começando a despertar para a necessidade de contar histórias interessantes sobre ela ou sobre seus produtos. "O método trabalha com o emocional das pessoas, podendo ser de forma dramática ou engraçada".
A propagação do storytelling como um método eficaz desperta a curiosidade das empresas cearenses. "O Ceará é um polo forte nesse sentido. As primeiras histórias, as mais bem construídas são do Estado". Fernando cita o caso do Grupo M. Dias Branco que vem construindo uma narrativa para um dos produtos da marca Richester, o Animado Zoo. O produto possui vário mascotes. O trabalho do storytelling é construir narrativas envolvendo esses personagens, criando um vínculo emocional para cada um deles, aproximando a marca de seus principais consumidores.
Um exemplo de storytelling que ficou conhecido pelos consumidores foi o filme de despedida da Kombi. Um vídeo lançado pela Volkswagen mostrou a última viagem oficial do utilitário. "A narrativa tinha um discurso emocionado e divertido e não vendia o produto, mas reforçou a imagem da marca".


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Por que o storytelling (contar histórias) é fundamental para saúde? a sua história interessa?

Essa entrevista foi publicada originalmente pelo saudebusiness

Em apresentação do Fernando Palacios, da fundador da Storytellers Brand 'n' Fiction, pioneiro do Storytelling no Brasil, pude aprender muito e consolidar a convicção de que saber contar uma boa história é fundamental para as organizações de Saúde. Em primeiro lugar, storytelling nada mais é do que a técnica de contar uma boa história, de modo que a narrativa seja envolvente e os espectadores se interessem pela história. De acordo com Fernando Palacios, a narrativa tem que ter um problema para ser boa, se tudo estiver bem na narrativa, então a história perde a graça.
A história tanto pode ser verdadeira e totalmente relacionada com a empresa, como pode ser uma ficção, mas com o intuito de agregar valor à companhia e envolver o consumidor/cliente. No entanto, o Palacios orienta que é importante deixar claro para o público-alvo quando a história é uma ficção.
Quem se lembra da história do Nemo, da princesa Ariel ou do Rei Leão? A Disney é, sem dúvida alguma, a maior empresa de storytelling do mundo, sendo capaz de comercializar uma séria de acessórios e experiências relacionados às suas histórias, gerando um enorme valor para a companhia por meio de histórias envolventes. Em um experimento citado por Fernando Palacios, produtos de uma empresa norte-americana que custavam até USD 3,00 tiveram seus valores aumentados exponencialmente ao terem uma história criada associada a eles.
Vale acrescentar que contar histórias é inerente ao ser humano. A primeira história escrita no Egito que se tem registro, contém uma receita para fazer cerveja, ou seja, a receita é totalmente envolta por uma história envolvente. E talvez seja por conta dessa história que o conhecimento  sobre fazer cerveja não se perdeu e você, hoje em dia, pode usufruir da bebida, sem nem imaginar que ela teve uma super história que ultrapassou gerações.
E na área de Saúde? Contar histórias não seria uma excelente forma de se comunicar com os pacientes, clientes , fornecedores e investidores? Claro que sim e temos muitos exemplos disso no setor.  A cada vez que Thomaz Srougi aparece na mídia falando do Dr. Consulta, a história da empresa é reforçada, como uma empresa que nasceu para atender a população sem plano de saúde, que quer um atendimento médico de qualidade e acessível. Ou ainda a história das amigas Janete Vaz e Sandra Costa, fundadoras do laboratório Sabin, que resolveram empreender e transformar um sonho em realidade, hoje sendo referência na área laboratorial do País. Elas nunca perdem a história da origem do Sabin de foco.
Outra dica do Palacios foi “nunca comece uma apresentação no PowerPoint ou Keynote diretamente”. Sempre faça um roteiro antes da apresentação, escrevendo um rascunho do que estará em cada slide, tal qual o roteiro de um filme. Entre os elementos a destacar na área de saúde, por exemplo, vale seguir: qual é o problema, caracterização do problema com seus custos, possíveis soluções, caracterização da sua solução do ponto de vista técnico e financeiro, possível impacto da solução e conclusão.


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El storytelling surgió como una necesidad de captar la atención de la gente. Entrevista com Fernando Palacios, fundador de Storytellers.

Esta entrevista fue publicada originalmente por pucp.edu

Trabaja en un proyecto autoral llamado A Próxima Maravilha, en el que viaja alrededor del mundo iones contando historias y en busca de la próxima maravilla del mundo. Paralelamente, busca batir el récord del libro más largo escrito desde un celular. Invitado por la Especialización en Gestión de Contenidos de nuestra Maestría en Comunicaciones para dictar el taller Innovación en el storytelling, el profesor Fernando Palacios, experto de la Universidad de Sao Paulo, nos visitó.

El storytelling es un concepto publicitario reciente, ¿no es así?

Sí y no. Como estudio o concepto, efectivamente, tiene pocos años. Pero como práctica se remonta a la época de las cavernas. Storytelling es la transmisión de conocimientos e información buscando dejar claros los mensajes a nuestro público. Por ejemplo, no es lo mismo decirle a un niño “no comas la frutita roja” que contarle la historia de un gran guerrero poderoso que, tras vencer a todos, come la fruta roja y cae enfermo. Al aprender a contar una historia aseguramos que el conocimiento llegue mejor a nuestro público.

¿Cómo así se convirtió el storytelling en una disciplina?

Hace como ocho años atrás, los guías de tendencias, los coaching, dijeron que había algo que en el futuro estaría ligado con el storytelling. Es claro que, actualmente, hay una gran disputa por la atención. Antes se pensaba que se podía comprar el tiempo de la gente para que te atienda, pero eso no siempre funciona. Imagínate que tu empresa te lleva a un taller de capacitación obligatoria, ¿cuántos estarán realmente atentos a lo que se dice sin sacar sus celulares para revisar mensajes o navegar en internet? Tú no controlas la atención de la gente, eso es algo más involuntario, y ese es el momento en el que el storytelling entra con mucha fuerza.

¿De qué manera?

Aprender a contar una historia te va a asegurar la atención de tu público. La industria del entretenimiento, por ejemplo, el cine, tiene mucha experiencia contando historias y armando estrategias que capturan la atención. Pero no solo el cine, las novelas también te presentan un proceso que da muchos detalles, información dosificada que te invita a querer más: hay una promesa, hay duda, hay misterio, la historia se hace más atractiva. Ahora las empresas quieren saber cómo usar este mismo mecanismo para transmitir mensajes corporativos, y, en lugar de hacer una convención, contar una obra de teatro para transmitir un mensaje. Entonces, esto surgió como una necesidad de captar la atención de la gente.

¿Qué usos prácticos se le puede dar?

Cuando una historia es buena puede vender algo, pero también puede transmitir una información importante. La idea es crear una historia interesante para insinuar algo a la gente. Puede usarse en educación, sin duda. Existe un gran movimiento que apunta a transformar muchas historias o muchos conocimientos en novelas gráficas. Es más interesante leer una novela gráfica que una tesis de doctorado porque esta última es muy densa, muy difícil y no es accesible; pero si se transforma en un contexto de historia, queda más interesante, fácil y la puedes leer en el autobús, en vez de solamente en la biblioteca. Storytelling es como una traducción de un texto técnico, en el que colocas entretenimiento junto con la información.

¿Cuáles son las estrategias o técnicas que utiliza el storytelling para cumplir sus objetivos?

Hay que comprender que existen dos momentos muy distintos, uno es el momento de story y otro es el momento de telling. Son dos procesos completamente distintos hasta en su forma de trabajar. El primero es la construcción de un mundo: hay personajes, hay artefactos, hay lugares, hay cosas, muchas informaciones. De otro lado, el telling tiene muchas estrategias de cómo se va hacer para contar la historias y captar la atención desde el principio hasta el final.

¿Cómo sería en un libro, por ejemplo?

Si vas a escribir un libro, el storytelling te diría que al final de cada párrafo tiene que haber un “gancho” que haga que te interese leer el próximo. Al final de cada página se debe generar una expectativa para que el lector quiera pasar a la siguiente. Al final de cada capítulo, lo mismo. Entonces, es un proceso continuo con muchos modos de atraer la atención, casi hay que dialogar con la persona que está en frente, a la que no conoces pero en la que siempre debes pensar. Es como la receta de un ceviche: su story serían los ingredientes y el procedimiento; otra cosa es cómo se prepara o cómo se va a servir a la mesa, eso es telling.

¿De qué manera se relaciona esto con la transmedia?

Transmedia es pensar en que, actualmente, el público accede a la información desde distintas plataformas. Puede consumir la misma historia, pero cada plataforma necesita un tratamiento especial: el uso de recursos visuales, textos, sonido, entre otros. Se aprende mucho de las técnicas narrativas de los guionistas de cine. Si nuestra empresa tiene que dar un mensaje, necesita que el público preste la misma atención que le prestaría a una película hecha por Pixar.


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Storytelling é a melhor forma de personificar a marca em um personagem. Entrevista com Fernando Palacios, fundador da Storytellers

Essa entrevista foi publicada originalmente pela Aberge


Fernando Palacios é um dos pioneiros em storytelling e brand content no Brasil: realizou o primeiro estudo acadêmico sobre o tema na América Latina e é fundador do primeiro escritório de Storytelling no Brasil. Palacios será um dos palestrantes do 2º Seminário Aberje de Storytelling, que será realizado no próximo dia 20 de maio. Confira abaixo o que ele contou sobre as histórias, o mundo corporativo e suas expectativas para o seminário:



O que diferencia, no seu ponto de vista, o storytelling do simples ato de contar uma simples história?

FP: Se olharmos de um certo ponto de vista, um humorista que conta uma piada narra uma história tanto quanto o autor que escreve uma saga de sete livros com mil páginas em cada. O que diferencia a piada da saga é o grau de complexidade.

Da mesma forma, storytelling significa literalmente “contar histórias”. Tudo parte dessa premissa básica, seja a piada ou a saga. No entanto, quando falamos do storytelling na esfera empresarial, a sua diferença em relação ao simples ato de contar uma história, é a intenção.

No caso corporativo, o storytelling sempre busca atingir um objetivo de comunicação. Ninguém tem tempo a perder dentro das empresas e, até por isso, ninguém vai contar (e escutar) uma história qualquer. As narrativas empresariais devem ter funções claras.

Existem diversos objetivos que as histórias podem atingir, desde ajudar um executivo a explicitar um projeto e, assim, vender uma ideia para a diretoria, até criar laços emocionais entre marca e audiência.
Nesse sentido, defendo o conceito de Storytelling com S maiúsculo, que compreende: contar uma história marcante, de forma intrigante e com um objetivo estratégico.

Conte um pouco da sua trajetória profissional. Quando você percebeu e decidiu estudar o storytelling no mundo corporativo e na publicidade?
FP: Estudei Comunicação Social com ênfase em Relações Públicas na USP. Durante esse período, sempre busquei estágios para poder comparar teoria e a prática. Busquei diversificar experiências. Trabalhei em assessoria de imprensa, no terceiro setor, em eventos e em publicidade.
Trabalhei com planejamento criativo e precisava sempre me manter a par das tendências do mercado. Foi em 2005 que comecei a encontrar a palavra “storytelling” aparecendo em relatórios internacionais. Ninguém sabia dizer ao certo o porquê, mas todos afirmavam que essa história de contar histórias seria algo importante no futuro da comunicação.
Decidi mergulhar nesse assunto, comecei a experimentar dentro das agências e, em 2007, defendi na USP o primeiro estudo acadêmico no Brasil sobre o tema. A bibliografia era escassa e até por isso fui obrigado a fazer uma revisão bibliográfica sobre tudo o que já havia sido publicado no mundo. Eram 64 livros, além de reportagens e alguns estudos. Ao final, cheguei a algumas conclusões e propus um modelo.
Com essa base fundei a Storytellers, primeira empresa no Brasil inteiramente dedicada ao tema.

Como contar a história de empresas ou marcas pode interferir na relação com o consumidor?
FP: Quanto tempo demora entre você conhecer uma empresa e suas marcas e você se apaixonar por elas? Meses? Talvez anos? Agora quantas vezes você foi ao cinema e depois de duas horas já tinha se apaixonado pelo personagem?
Como membros da raça humana, temos muito mais facilidade em nos relacionarmos com outros seres humanos. Em contrapartida, marcas são abstratas e, por isso, mais difíceis de amarrarem laços.
Storytelling é a melhor forma de personificar a marca em um personagem e, a partir disso, humanizar a relação.

Qual a maior dificuldade das empresas em incluir o storytelling como um método de marketing?
FP: Storytelling não substitui uma ação de marketing. É um processo que se sobrepõe, é como um verniz. É algo “a mais” que a empresa normalmente faria. Isso quer dizer um investimento maior. É preciso mais tempo, mais verba e mais criatividade. Esse custo a mais só se justifica se o aumento de retorno for compatível.
Na prática, o que falta é a disseminação de bons exemplos de cases que comprovem a efetividade dessa estratégia.

Vemos cases de sucesso em grandes empresas que de certa forma são grandes conhecidas no imaginário popular. Como você vê o uso do storytelling em pequenas empresas ou startups?
FP: Trabalho muito com preparação de startups. Todo empreendimento parte da visão ou do sonho de um fundador. Essa história de origem é efetiva e sempre pode ser contada. A questão é que essas histórias acabam ficando restritas a um pequeno círculo. Então não é que esses cases não existam, eles apenas não são tão difundidos.


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O poder de uma história. Entrevista com Fernando Palacios, fundador da Storytellers

Essa entrevista foi publicada originalmente pelo The São Paulo Times.

Fernando Palacios é Diretor da Storytellers Brand ’n’ Fiction. É um dos pioneiros do branded content no Brasil. Cofundador do primeiro escritório de storytelling do País. Inovou implementando o primeiro portal de conteúdos de marca e o primeiro curso universitário de Transmídia Storytelling.
 É formado na USP, pela qual defendeu o primeiro estudo acadêmico sobre o tema Storytelling. 
Atualmente ministra palestras em grandes empresas no Brasil e internacionalmente. Seu projeto pessoal narra a busca de um personagem pela próxima “Maravilha da Humanidade” e já conta com mais de 90 mil seguidores no Facebook.
Confira a entrevista que fizemos com ele:
1- Diga pra gente, de forma que o público possa entender o que é o Storytelling?
Na tradução literal, storytelling é o ato de narrar histórias. Ao vincular com a comunicação, o termo assume um significado um pouco mais complexo. Nesse caso, Storytelling significa contar uma história com algum propósito de marca. As narrativas funcionam como bons exemplos, do tipo que inspiram modelos de comportamento, e para isso basta que as histórias sejam originais e autênticas o suficiente para estimular a curiosidade e a imaginação de quem as ouve.
2- Sempre contamos histórias, seja em livros, filmes e até em propaganda. O conceito é realmente novo ou apenas foi criado um “nome” para isso?
Todos nós, todos os dias, tentamos contar histórias, mesmo nas conversas mais corriqueiras. Mas da mesma forma que nem todo o mundo que chuta uma bola é um jogador de futebol profissional, nem todo o mundo que escreve um email é um escritor e nem todo o mundo que conta histórias é um Storyteller. Mesmo entre os profissionais, uma coisa é jogar no time da terceira divisão e outra é ser convocado para defender a seleção. Então, apesar de a atividade de contar histórias seja uma das mais antigas da humanidade, o que o Storytelling se propõe é a profissionalização. É preciso entender que existem centenas de técnicas e milhares de referências para serem dominadas e aplicadas.
3- Você acha que grande parte dos clientes já entendem esse conceito?
Sei que grande parte dos executivos e publicitários já ouviu falar de Storytelling, mas poucos compreendem de fato. A tendência natural é achar que tudo é história e portanto tudo o que sempre fez foi exemplo de Storytelling. Mas basta conhecer a primeira técnica do curso mais básico que já vai perceber que a intuição nem sempre é amiga da boa narração. Em especial no mundo empresarial. Existe uma geração de profissionais treinados para apresentar slides da forma mais objetiva e pragmática possível e isso é o avesso do Storytelling. Ao contar uma história o narrador está propondo um jogo com a dua audiência. Ele não vai dar as respostas aos poucos, com pistas falsas ao longo do caminho. Essa lógica contradiz inclusive o jornalismo moderno, que segue o preceito de ‘lide’ e que responde todas as perguntas no primeiro parágrafo. Transformar a mensagem em um quebra-cabeça torna o processo muito mais instigante. Até por isso temos presenciado um grande aumento de jornalistas nos cursos de Storytelling.
4- De que forma ele melhor se aplica a empresas?
As aplicações são diversas, mas o pensamento por trás é sempre o mesmo. O mundo corporativo adora pensar tudo em termos de fatias. Share of Mind, Share of Heart, Share of Wallet… tem até Share os Stomach. Marcas de um mesmo segmento disputam uma fatia da mente do consumidor, marcas de segmentos diferentes disputam o coração e a carteira. E para a empresa fabricante de cerveja, os petiscos são competidores. Nesse sentido, surge a fatia mais preocupante, que é aquela em que todas as marcas de todos os segmentos disputam: o que se pode chamar de ‘share de ouvidos e olhos’, ou share de atenção.
Há 40 anos um economista chamado Herbert Simon previu um dos maiores problemas atuais: “O que a informação consome é um tanto óbvio, ela consome a atenção do seu receptor. Assim, a riqueza de informação cria a pobreza de atenção, e a necessidade de alocar a atenção de forma eficiente em meio às abundantes fontes de informação que irão consumi-la.”
A atenção é cada vez mais fragmentada e dispersa. E sem atenção é impossível transmitir uma mensagem. Não existe comunicação. Sem o processo de comunicação não tem marketing. Fica cada vez mais difícil vender ideias ou produtos. É disso que o entretenimento extrai seu poder. Afinal, estar entretido significa estar com seus olhos e ouvidos sintonizados em uma mensagem.
Aí que entra o Storytelling. A semelhança entre quem ouve uma história, vê um filme e lê um livro é o fato de estarem todos compenetrados no enredo. Assim, quando se trata de histórias, ouvintes, audiência e leitores são todos atentos.
5- Como o Storytelling pode ajudar marcas?
Marcas são entidades abstratas. Não possuem corpo ou emoções. Por mais detalhado que seja o estudo de posicionamento e por mais diligente que seja a aplicação do branding, as marcas sempre vão sofrer na hora em que tentarem se expressar.
Storytelling permite que as marcas possam ser transformadas em personagens e assim transmitir seus valores, crenças e personalidades de forma muito mais verdadeira. Isso vale para qualquer tipo de marca em qualquer segmento.
6- Qual é a diferença entre Storytelling e Branded Content?
Storytelling e Branded Content são conceitos que se intersectam. Branded Content são todos os conteúdos produzidos por uma marca, mas nem sempre esse conteúdo é uma narrativa ou compõe uma história. Um festival musical que leve o nome da marca é um exemplo de algo que pode ser considerado Branded Content sem que seja Storytelling.
Por outro lado, o objetivo de todo projeto de Storytelling é se tornar um conteúdo para a marca. Mas ao longo do processo, boa parte do que é feito é estratégico e nunca chega aos olhos do público. Um bom exemplo é o filme de Lego, que começou a ser pensado em 2007, produzido em 2011, mas dura ‘apenas’ uma hora e quarenta minutos. Ou seja, sete anos de Storytelling para menos de duas horas de Branded Content. Por outro lado, é um super anúncio que as pessoas pagaram para assistir.
7- O que de fato um estúdio de Storytelling faz?
Sua história? Conte com a gente! Esse é o nosso slogan. No primeiro momento, os Storytellers trabalham histórias para marcas. Essas histórias podem ser reais e aí vamos fazer um trabalho de resgate das memórias. Essas histórias podem ser ficcionais e aí vamos criar uma mitologia para a marca.
Assim que a história está consolidada, passamos a trabalhar as narrativas. De nada adianta ter uma  história épica, se ela não for contada da melhor maneira. O ponto é que cada formato narrativo tem uma peculiaridade. Então o que funciona num romance literário nem sempre se traduz em um curtametragem. Por isso que na etapa das narrativas é comum pensarmos o conceito de Transmídia, permitindo criar uma experiência imersiva e inesquecível para os consumidores.
De forma resumida, criamos e contamos histórias. Mas ainda existe uma outra possibilidade, que é de ajudar outras pessoas a contarem suas próprias histórias.
Em poucas palavras, posso afirmar que resgatamos e criamos histórias de marca, para contá-las da forma mais fabulosa e no formato mais adequado, e também ajudamos executivos a fazer o mesmo.
8- Conte um pouco sobre como iniciou a carreira.
Toda carreira começa na infância e a minha não foi diferente. Meu avô, Alfredo Palacios, foi um grande cineasta e pioneiro da TV brasileira. Ele foi o responsável pelo primeiro seriado nacional, o Vigilante Rodoviário. Do outro lado da família, meu bisavô foi um kossaco russo que escapou de um campo de concentração. Com isso, cresci cercado por histórias e desde cedo quis ser escritor.
Contudo, o Brasil não oferece uma formação para quem quer viver de histórias. Acabei estudando na USP Comunicação Social, a ênfase foi em Relações Públicas e a prática em Publicidade e Propaganda. Logo no primeiro ano comecei a estagiar e rapidamente já estava no mundo das agências. Foi aí que percebi que seria possível juntar o antigo sonho de escrever histórias com a carreira corporativa. Mergulhei no assunto em 2007 e escrevi o primeiro estudo acadêmico relacionando Storytelling com comunicação corporativa. A partir de 2008 a Storytellers já estava no ar e logo no primeiro ano fizemos grandes cases para grandes marcas: game online com milhões de acessos, transformar 1248 slides de PPT em espetáculos teatrais, promosodes, endotransmídia. Tudo isso só no primeiro ano.
9- Onde uma pessoa que quer trabalhar com Storytelling deve procurar trabalho? 
Os Storytellers sempre contratam. O difícil é encontrar pessoas com o perfil. É preciso gostar de histórias e essa parte é facil. Também é preciso entender de histórias e narrativas e dramaturgia. Escritores e roteiristas possuem essa vocação. Mas não adianta contar uma boa história se a narrativa não vincular a uma mensagem corporativa. Por isso, também é necessário entender de marketing e ser capaz de traduzir mensagens corporativas em formato de histórias. Publicitários e jornalistas são ótimos nessa etapa. Mas aí acaba faltando a dinâmica dramática e o entretenimento. Por isso que sempre digo que o melhor lugar para procurar trabalho são nos cursos. Toda a equipe que tenho hoje é composta por ex-alunos.


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