Num tempo que não havia tempo, num lugar que não era lugar nenhum uma menina caminhava saltitante pelo bosque, com uma cesta cheia de guloseimas, a caminho da casa da vovozinha. Quem já não ouviu essa história inúmeras vezes?

Conto de fada dos mais conhecidos, Chapeuzinho Vermelho data do século 17, com versões de Charles Perrault e dos irmãos Grimm. Em ambos a estrutura da narrativa se mantém, mas na versão dos Grimm há um desfecho feliz, com a ajuda do caçador que abre a barriga do lobo e salva a vovó e a menina.

Por ser tão conhecido, o conto já ganhou inúmeras versões. Encontrei uma que me surpreendeu. A inocência da Chapeuzinho Vermelho foi por água abaixo na animação RED, de Jorge Jaramillo e Carlo Guillot. Talvez uma mistura de Matriz com Kill Bill? Um toque de Tim Burton?

A estrutura da narrativa original se perdeu nesta adaptação. Talvez tenha sido a intenção dos autores. A ideia pode ter sido apenas fazer uma referência a essa história, que é universal. Se eles queriam tornar a menina contemporânea, conseguiram. Caçador pra que mesmo?





Enquanto abria o velho portão de entrada a moça se lembrou de tudo de um vez só. Lembrou de quando voltava da escola e corria para a cozinha sentindo o cheiro do almoço escapar pela janela. Pensou em todas as dificuldades que passou, e ainda passa, quando decidiu mudar para a cidade grande. Imaginou como seria a vida, hoje, se ela ainda morasse com os pais. 

- Filha! Ah! Que saudades meu amor! Vem, entra que o almoço já está quase pronto! 

- Oi, mãe? Tudo bem? - disse a moça com um sorriso no rosto enquanto corria para abraçar a senhora que a recebia de braços verdadeiramente abertos na porta da sala. 

- Tudo bem... e com você filha? Nossa! Como você tá magrinha, minha flor? Não tem comida naquela sua casa não? 

- Tem sim mãe, não estou tão magra assim, vai... cadê o pai mãe? 

- O pai tá lá dentro, cuidando do almoço... esse homem não me deixa mais cozinhar, sabia? 

- Calma mãe, ele só quer que você descanse... afinal você cozinhou pra gente a vida toda. Deixa ele fazer alguma coisa pra você de vez em quando vai.

- Oi filha! Vem cá, vem, prova esse molho, me diz se tá bom de sal. 

- Oi, pai! Tudo bem? - disse moça enquanto experimentava o molho direto da colher de pau que seu pai segurava na direção de sua boca. 

Aquele molho de tomate a fez lembrar um pouco mais da sua infância. Dos domingos de sol em que toda a família se reunia para preparar o almoço. Lembrou de Lucas. 

- Mãe, o Lucas vem hoje? 

- Não filha, ele está viajando de novo. Ele veio mês passado... - a mãe de Monica sempre justificou a falta do filho usando suas viagens de trabalho, mas a menina nunca acreditou. 

- Sei, sei. Mãe, eu queria ver umas fotos antigas, preciso de fotos minhas pequena para o meu próximo livro, você ainda tem aqueles álbuns de quando eu era pequena. 

Nunca ouvi falar de uma mãe que perdeu os álbuns de foto dos filhos. Logo chegaram álbuns e mais álbuns nas mãos de Mônica que olhava para as fotos e era atacada por um série de perguntas sobre o passado e o futuro. Em uma das fotos Monica estava ao lado de Bruno, um namoradinho da adolescência, e pensou - "e se eu tivesse aceitado o pedido de casamento dele? Onde será que estaríamos?" - tremeu de calafrios só de imaginar uma vida como a de sua mãe, para sempre na mesma casa, com a mesma rotina. 

- Venham, a comida está pronta! - anunciou o pai de Monica com orgulho do seu próprio trabalho. 

Seu Pedro, pai de Monica e Lucas, sempre disse que se pudesse teria se tornado chefe de cozinha. Aos fins de semana adorava cozinhar para os filhos, mas só sabia fazer uma receita de macarrão e alguns lanches. Hoje a mesa estava diferente, a panela deixava escapar um cheiro forte de camarão e as torradas com alho estavam excelentes. A aposentadoria tinha mesmo feito a diferença na vida culinária de Seu Pedro. A menina comia e pensava - "E se meu pai fosse mesmo chefe de cozinha?". Sonhou com uma infância diferente, como a filha de um chefe famoso, dono de um lindo restaurante na área nobre de São Paulo. - "Alex Atala que nada, o nome do momento ia ser Pedro Karr" - comentou a menina como se todos pudessem ouvir seus pensamentos. Mais e mais perguntas vinham a sua mente enquanto a menina revisitava o seu passado. 

E se o Lucas estivesse aqui ainda? E a se meu livro não ficar bom? E se descobrirem que o último livro é horrível? E se eu não conseguir terminar essa nova história? E se a minha vida mudasse por completo? E se...? 

No meio do último pedaço de torrada, Monica percebeu, que não conseguia mais não pensar nas possibilidades. Um hábito que adquirimos quando escrevemos muito. O "e se" é um bom jeito de criarmos novas situações e histórias para nossos personagens. 

E se a sua empresa usasse storytelling? Quem sabe não aumentavam as vendas, o engajamento? Quem sabe tem alguém no mundo que precisava ouvir a sua história para mudar de vida? 



No fim das contas a minha participação foi a menor, mas o meu sorriso de felicidade com toda certeza foi o maior de todos. Dividir aquilo tudo com pessoas tão admiráveis me fez perceber que estou no caminho certo para me tornar, um  dia, um bom storyteller.

Ontem a storytellers participou do KM Brasil, o maior evento de RH da América Latina. Começamos a palestra com o Fernando Palacios, autor do livro "A Próxima Maravilha", e a Martha Terenzzo, fundadora da Inova360, dizendo o que é e o que não é storytelling.

Eles explicaram que storytelling deve ser visto em duas partes: o "story" E O "telling" e depois de desmitificar boa parte desse maravilhoso processo eles deixaram com o Bruno Scartozzoni (Sócio da Ativa Esportes) a missão de mostrar como as histórias podem ser usadas em endo-marketing. Para cumprir essa missão ele apresentou o case de como eles transformaram mais de 1000 slides de power point em uma peça de teatro para explicar aos funcionários de um grande grupo do setor alimentício quais eram os novos posicionamentos das suas marcas.

A Renata Rossi que, além de escrever aqui storieswelike, está usando as suas histórias para divulgar o portfólio de educação do Hospital Albert Einstein usou a sua experiência com educação para reforçar o poder dessas histórias no mundo corporativo. O Marco Franzolin (Sócio-diretor da MonkeyBusiness) entrou logo depois da Renata e mostrou para todo mundo como transformar uma simples apresentação em um show capaz até de engajar adolescentes na hora do recreio. Eu vim por último, como devia ser desde o início, falei um pouco sobre as dificuldades que as empresas encontram quando usam storytelling e tentei dividir a minha pouca experiência com quem estava por lá.  

O texto ficou técnico, eu sei, mas se você não entendeu do que eu estou falando e quer saber mais sobre como as histórias podem mudar a sua vida e a sua empresa? Entra nesse link e se inscreve nessa edição super especial do curso de Inovação em Storytelling do CIC-ESPM. Estarei por lá e prometo que eles vão explicar tudo isso e um pouco mais.



- Luis, eu me interessei muito por essa coisa de storytelling, mas não acho que eu consigo. - disse uma das meninas da minha sala de aula enquanto discutíamos um texto que eu publiquei no grupo do face para ajudar na divulgação do próximo curso de storytelling do CIC-ESPM. 

- Como assim, não sabe se conseguiria? - perguntei genuinamente curioso.

- Não sei se eu consigo escrever uma história porque alguém mandou. Sabe? Tipo "escreve sobre isso ai..."- disse a menina como quem realmente pensa no assunto. 

- Então, isso na verdade é costume, prática e algumas regras. Essa parte é mais publicidade do que escrita, está mais relacionado ao que chamamos de "storyplacement" e "productplacement" do que a narrativa realmente. Mas consegue sim, todos nós conseguimos. Contar histórias é da nossa natureza, fazemos isso desde que se tornou possível desenhar, falar e escrever, para transmitir conhecimentos e nos comunicar. É mesmo difícil lidar com o briefing, com essa coisa do "escreve sobre isso...". Mas eu acho que é esse o desafio, escrever bem apesar dos limites que temos que seguir. 

Me lembrei imediatamente de um texto que li na internet enquanto pesquisava storytelling logo depois do primeiro curso que fiz. O texto dizia que um bom escritor e principalmente um bom redator, deve saber lidar com limites e não adianta reclamar deles, ou achar que são eles que seguram a criatividade. Na verdade esse texto me fez perceber que é no limite que encontramos as ideias mais criativas. Afinal é fácil pensar fora da caixa se a caixa está desmontada. Os limites servem para que possamos contorná-los e provarmos que somos criativos mesmo com pouca liberdade. Como diz um amigo meu "as melhores músicas brasileiras foram escritas durante a ditadura porque os músicos trabalhavam o dobro para driblar as regras." 








No começo éramos apenas homens e mulheres, barulhentos e pouco sociáveis, mas logo aprendemos a desenhar, escrever e nos comunicar. Logo nos tornamos Aladim, Peter Pan, Chapeuzinho Vermelho. Logo nos tornamos lendas e viramos história. Histórias que vivem para sempre.

Criamos histórias, primeiramente, para passar o conhecimento. Um sumério, em um dia de inspiração e com o objetivo de registrar e transmitir seu conhecimento, deixou desenhado em uma pedra a receita de um bebida: a cerveja. É graças a uma história, gravada em pedra, que podemos aproveitar nossos "happy hours" e dizemos, cada dia mais, que cerveja faz parte da nossa brasilidade.

Muitos homens e mulheres alcançaram a eternidade e hoje ocupam um espaço na imaginação coletiva. Muitas histórias estão dependuradas em prateleiras por todo o mundo, o país das maravilhas de Alice divide o mesmo espaço no meu quarto que o fascinante universo de Douglas Adams e o seu guia dos mochileiros da galáxia. O mundo das histórias é infinito e todos temos permissão de entrada.

Eu, que já era fascinado pelas palavras, entrei nesse mundo pela sala de aula. Ouvindo as histórias de quem sabe o que faz simplesmente por ter praticado, errado e aprendido. Histórias tão inspiradoras que se tornaram curso e foi nesse curso e eu encontrei uma nova direção para a minha história. Este texto, apesar de não ser storytelling, é apenas um "extra" para avisar quem ainda não sabe que o Fernando Palacios, a Martha Terenzzo e o Bruno Scartozoni, mestres do storytelling publicitário, irão iniciar no dia 27 de Agosto mais um curso, abrindo as portas desse maravilhoso universo para que mais pessoas possam mudar suas vidas e começar novas páginas. Vamos aprender juntos os segredos do storytelling? Ainda tem vaga, aproveitem e entrem no link: http://bit.ly/storyclass