Durante a primeira Cruzada da Igreja Católica aconteceu um feito bem curioso. Imagine, os cruzados estavam sitiados pelo exército Muçulmano durante alguns meses. A fome e a desolação da esperança já habitava o coração e a mente daqueles homens - incontáveis guerras eram vencidas apenas por sítio.

Já não havia o que fazer, senão esperar a morte dentro das paredes ou encará-la no campo de batalha além dos portões, mas pra que? 


Foi quando Pedro Bartolomeu retirou do bolso (na verdade de uma escavação) um artifício milagroso, a Lança do Destino. A relíquia que teria perfurado o peito do Cristo na cruz. Ninguém sabe se foi pela visão turva ou histeria coletiva, mas ele brandou ela no alto e disse algo como "ninguém pode com a gente, bora lá".  E aquela guerra foi vencida.

Essa é uma história muito curiosa, mas que expressa o que eu gostaria de trazer para a discussão: Histórias fantásticas sempre estiveram a frente de guerras.  Júlio César era outro, enviava seus arautos espiões que disseminavam entre seus inimigos feitos horrendos de batalhas (degolações, estupros e toda qualidade de tortura possível).  Assim, quando encarava o exército oposto, ele estava abalado de algum modo, tendendo fugir com mais facilidade.

Uma boa historia era capaz de influenciar legiões sem levantar uma espada. Então se um grande rei quisesse mudar a cultura de um lugar, ele começava a contar as suas. Já ouviu falar da verdade humana? Quando alguém encontrava uma verdade poderosa e usava uma boa estrutura arquetípica, a revolução era infalível.



Voltemos a religião cristã para entender isso. Quando Roma se tornou oficialmente cristã, eles tinham centenas de cultos politeístas, templos, calendários, símbolos que o povo cultuava. Confrontar isso poderia custar o império. Ao contrário, foram ressignificando tudo...

"Sabe aquele Deus Sol? Então vou te contar a história de quando ele nasceu em Jerusalém e a mensagem que ele deixou... é coisa nova, os homens acabaram de entender".

Assimilando e moldado novas culturas a igreja foi se instalando em Roma e propagando sua fé sobre todos os outros povos. A expansão da Igreja Romana foi uma forma de imperialismo cultural, que obliterou inúmeras culturas e histórias pelo seu caminho.  Depois de um tempo a própria igreja foi vitima disso, assimilada por todos símbolos, linguagem e sistema político europeu. Chegando a 2017 em países como o Brasil que ainda usam uma forma de canto gregoriano em rituais religiosos.



Agora que entendemos um pouco de como uma história pode cobrir uma cultura em toda sua extensão podemos levar essa discussão para outra dimensão, a dimensão comercial aonde as histórias mais vendidas e contadas por todo o globo são as Holywoodianas.

Quando o presidente americano Herbert Hoover, nos anos 20, promoveu os filmes americanos entre os outros países ele esboçou a famosa frase:"aonde quer que um filme americano penetre, nós venderemos mais automóveis, mais bonés e mais vitrolas americanas"

Historicamente, o país estava consolidando também o que foi chamado de Estilo de Vida Americano, que foi carregado junto com todo o cinema - sem contar a parte racista, afinal o primeiro grande filme do país "O Nascimento de uma nação" mostrava a Ku Klux Klan como heroína. 

Faturamento passou a ser um termo importante para o entretenimento e o Storytelling, as fórmulas surgiram e se adaptaram. A jornada do herói de Holywood foi reproduzida pela Disney, Universal, Warner e todos os outros estúdios que procuram morder esse bolo.  Daí que surgem aquelas conversas sobre os filmes da Marvel sempre puxar para o humor. O alívio cómico, aliás, é uma figura que Vogler trouxe á luz em sua obra "a jornada do escritor" como um dos principais arquétipos de um bom filme.



O passar dos anos foi juntando essas estruturas com um comportamento social padrão, um novo reino e uma nova religião conhecida como Cultura Pop. Vocês devem reconhecer seus símbolos e suas músicas.  Eles foram imprimidos no nosso DNA cultural de forma tão intensa, que muitas novas gerações nascem sem conhecer sua identidade local, apenas se alimentando das histórias pop, blockbusters e games AAA.

Vogler dedicou parte da segunda edição dos eu livro a discutir sobre isso, será que a generalização das histórias está matando as histórias que não seguem a estrutura da jornada do herói de holywood?  Definitivamente não, basta ligar a TV aberta no SBT por exemplo e ver as novelas latinas, que tem sua própria estrutura e arquétipos ou mesmo sucessos internacionais como Bahubali de Bolywood ou qualquer bom filme Chinês.

Mas de fato se você não prestar atenção vai ficar nadando eternamente nas histórias que propagam o império cultural popular. Isso não deve ser problema algum para a audiência, mas como escritor você precisa mergulhar mais fundo para ter ideias mais originais ou com conexões culturais verdadeiras em seu país.




Já faz mais de um ano, mas um bom exemplo de storytelling e de transmídia não pode passar despercebido.


Após a onda de manifestações que ocorreu a partir de julho de 2013, o país estava dividido: de um lado, aqueles que torciam pela continuidade do governo; do outro aqueles que estavam descontentes ou decepcionados e eram chamados de “coxinhas” pelos adeptos do governo vigente – e mesmo estes estavam descontentes com o mesmo.

O Brasil estava prestes a sediar uma Copa e uma Olimpíada e alguns acreditavam que muitas das reformas estruturais necessárias fossem feitas com o dinheiro que seria eventualmente arrecadado. Nossos sonhos tupiniquins estavam prestes a se tornar realidade... ou ao menos era o que muitos esperavam.

Amizades se desfaziam, seja no Facebook ou na vida real, muito embora a vida facebookiana e nas redes sociais seja às vezes mais real que a realidade, como uma película em Blu-ray... mas isso é papo pra outro artigo. Era preciso amar as pessoas como se não houvesse eleições...
Três anos depois, após o fiasco futebolesco, era a vez das Olimpíadas ganharem medalha de ouro em descaso e falta de planejamento. Remoções eram feitas. Superfaturamento de imóveis, especulação imobiliária... e o termo “gentrificação” passou a ser conhecido fora do meio acadêmico.

Neste cenário, o roteirista e diretor Rodrigo Mac Niven concebe o seu Olympia. Um documentário fictício (chamado em inglês de mockumentary, embora o mesmo não tenha nada de engraçado como o termo sugere) baseado em histórias reais, que se passa em um Rio de Janeiro distópico cujo nome é o mesmo que intitula o projeto.
Valendo-se do recurso de metalinguagem (o roteirista e diretor se encontra com um dos personagens numa conversa que realmente aconteceu na vida real e deu origem ao projeto), o documentário se intercala com uma HQ que, de forma muito mais fantasiosa, faz um interessante spin off que ilustra perfeitamente tanto o cenário quanto o pay off da trama.

Na HQ, os Olympianos se dividem em duas castas: os Alados, que não se adequam ao regime careta, de servidão, e não se mostram aptos aos trabalhos burocratizantes, e os Pés-no-Chão, que, embora pareçam comportados são na verdade tolhidos pela grande máquina burocrática. Através de campanhas culturais tendenciosas, aprendem a admoestar os Alados e a tratá-los como “vagabundos”. No filme, à medida que a investigação jornalística avança, os protagonistas vão recuperando gradativamente suas asas.

O projeto é audacioso e um exemplo tanto de storytelling quanto de transmídia. Através de uma história cativante, o enredo capta a atenção do espectador filtrando o caráter tedioso de um documentário para os que não são fãs do gênero e passa a mensagem valendo-se do recurso de apresentar a Verdade Humana, que fala a todos os corações e mentes independentemente da classe social ou nível cultural.

Como convém a qualquer obra que se valha da linguagem transmidiática, é possível assistir ao filme sem ler a HQ e vice-versa, já que cada obra se sustenta sozinha, apresentando um conteúdo novo, diferente e necessário à compreensão do todo embora não seja imprescindível a obtenção de todos os elementos da história para se compreendê-la. Ter acesso às duas obras torna a experiência única.

NOTA: É importante ressaltar que este conteúdo reflete as opiniões do autor de ambas as obras aqui citadas e não a opinião do Storytellers.

Confira o trailer do filme aqui: https://www.youtube.com/watch?v=j697cZ5zNic

  






Desvendando o Storytelling está chegando a segunda edição na cidade de Salvador. Um curso de 7 horas para ser ministrado em um dia. Esse formato é consagrado e já foi ministrado em dezenas de empresas e agências de grande porte, dentro e fora do Brasil. Só para se ter uma ideia, até mesmo universidades internacionais como a PUC do Peru e a Universidade da Beira Interior em Portugal já receberam uma versão do curso.

MÓDULOS
Os módulos duram cerca de 45 minutos e ao final temos a aplicação de um rápido exercício. Os temas são:

– Storytelling, a grande inovação: De onde veio, por que surgiu, o que é e como usar Storytelling. Por que se tornou uma tendência no mundo corporativo e como empresas e agências podem se beneficiar disso.

– Storytelling em apresentações: como transformar um .ppt em uma performance inesquecível.

– Storytelling corporativo: a evolução possível do storytelling dentro das organizações e como tem ajudado os executivos a otimizarem seus principais atributos: liderança, engajamento e viralização.

– Storytelling e Branding: como as marcas podem ganhar personalidade a ponto de se tornarem verdadeiros personagens.

– O Story do Storytelling: como compor uma história realista capaz de englobar tudo aquilo que se quer e que se precisa dizer.

– O Telling do Storytelling: como contar a sua história da forma mais intrigante possível e fazer com que seja adotada por uma cultura.

– Transmídia Branded Content: como planejar a distribuição da história em diferentes veículos de forma orquestrada e harmônica.

O curso fala da feitura do storytelling por quem mais entende: a indústria que vive de vender histórias. Ainda assim, todos os tópicos são amarrados com exemplos do mundo corporativo e da publicidade, nos mais diversos segmentos. É um curso que contribui com a construção e o pensamento de marcas desde start-ups, até multinacionais.

Inscreva-se aqui - Vagas Limitadas: http://bit.ly/storytelling-salvador



A forma mais simples de explicar o conceito que eu encontrei está no livro “For the Win: How Game Thinking Can Revolutionize Your Business”, para o autor gamificação é “o uso de elemento de jogos e técnicas de game design fora do contexto de jogos”, mais especificamente em ambientes que não são de jogos, o que acaba trazendo isso para a educação e para o ambiente corporativo.

Gosto de ressaltar que o ambiente educacional lançou mão de técnicas de ludicidade, que mais tarde o mercado empresarial chamaria de gamificação muito tempo antes. E ainda formam a maior parte das tentativas de gamificar até hoje, principalmente em escolas infantis - os jogo fazem cada vez mais parte da vida de crianças e jovens, então faz todo sentido que o conteúdo seja adaptado para essa realidade.

Voltando à definição, ela evoca uma questão interessante: Gamificação é técnica?

A resposta mais provável é que gamificação seja uma tecnologia. As técnicas mesmo são de Game Design, que é outra coisa. “Game Design não é código, arte, ou som. Não é sobre esculpir peças de um jogo ou pintar tabuleiros. Game Design significa elaborar as regras que possibilitam a essas peças ganharem vida” Essa é uma definição do livro “Designing Games a guide to engineering experiences” que eu gosto bastante, mas explica apenas metade das Skills de Gamificação.

Um Game Designer é a pessoa responsável por transformar um conceito de jogo em um plano de desenvolvimento para o jogo. Já um consultor de Game Design é a pessoa que vai incorporar esses elementos ao ambiente em questão.

Essa transição nem sempre é fácil, como sugeri acima o Game Design é uma das habilidades exigidas para a gamificação. A outra é o conhecimento sobre o mundo corporativo e suas práticas (Marketing digital, social media, processos operacionais, indicadores de resultados, definições estratégicas, branding...e por aí vai.)

Na maioria hegemónica dos casos os fatores de negócios tem um peso maior, afinal é quem paga por tudo. Então gamificação não é sobre construir completamente um jogo, há casos em que o cliente nem percebe que está sendo impactado por uma “parte de um jogo”, mas ele se sente motivado a seguir e é isso que importa.




Para se começar a escrever uma história, primeiramente é preciso definir sobre o que a narrativa vai tratar. Qual é o tema central daquela história e qual sua importância. A partir disso definimos o personagem principal que queremos apresentar ao público e o mais importante: quem ele é, o que ele representa.

O personagem principal é aquele que vai passar por uma transformação ao longo da história e seu sucesso ou fracasso em aprender uma lição determina se ele terá um final feliz ou trágico. Mas quais perguntas devemos fazer para que a narrativa toda se conecte em torno do personagem principal?

No VÍDEO dessa semana no canal da Storytellers, falamos sobre backstory e como ela pode ser uma ferramenta fundamental para entender nossos personagens. Essa história anterior serve como um primeiro passo para criar um grande universo narrativo.

Agora, podemos entender como aplicar os conceitos vistos e algumas das perguntas apresentadas a narrativas já existentes. Essas definições sobre personalidade e backstory dão um direcionamento único à trama e conectam os eventos que acometem os personagens. Selecionamos 3 narrativas populares para uma análise. 


Procurando Nemo:

Em procurando Nemo, os produtores escolheram nos dar um vislumbre da backstory do personagem principal, Marlin, o peixe palhaço, logo no início do filme. A escolha do posicionamento dessa cena como uma introdução foi feita para criar mais empatia do público com o personagem do pai controlador. 

Na história anterior, Marlin é um peixe palhaço aventureiro, apaixonado por sua esposa, Coral, que quer mostrar o mar para seus futuros filhos. Porém uma barracuda ataca sua família e Marlin é deixado sozinho com apenas um dos seus milhares de filhotes. Ele percebe, a partir desse momento, que tem apenas uma única chance de ser um bom pai. Esse é seu desejo primordial e sabemos que ele é forte o suficiente, pois Marlin estará disposto a arriscar a própria vida para conseguir satisfazê-lo, mais tarde no filme.

Mas Marlin é tomado pelo medo de perder o único filho que lhe restou e se torna um pai controlador e medroso. Em um momento crucial da narrativa, ele é traído por sua própria falha. Não confia que seu filho conseguirá se virar sozinho e muito menos que seguirá suas instruções de se manter fora de perigo. A desconfiança do pai gera raiva em Nemo que se aventura pelo mar aberto e é capturado por um humano.

Marlin deve então atravessar o mar aberto e arriscar sua vida para resgatar seu filho e realizar o seu desejo de ser um bom pai.

Sua aliada, Dory é a representação de seu completo oposto. Ela confia demais em todos os peixes que encontra e não se apega ao passado. Enquanto para Dory, o passado não existe, para Marlin, o passado é algo que ainda molda seu comportamento e atitudes.

Mas Marlin tem o superpoder da determinação o que faz com que ele não desista nunca. Sua esperteza também colabora quando ele tem que se livrar dos perigos do mar e convencer Dory a seguir seus planos.

Por fim, Marlin deve passar por uma prova final. Deve deixar que seu filho ‘nade com as próprias barbatanas’ e tome as próprias decisões. Ao superar sua falha e aprender sua lição, Marlin tem o final feliz que merece, encontra sua medida e consegue ser um bom pai.

Aladdin:

Se você procurar na Disney Wiki, poderá ver toda a história anterior que cerca Aladdin. Seu pai deixou a família com intuito de em outra cidade conseguir ganhar mais dinheiro, ao mesmo tempo em que sua mãe ficou doente e Aladdin foi forçado ainda jovem a sobreviver sozinho nas ruas de Ágraba. Mais tarde, seu pai viria a se tornar o líder dos 40 ladrões. Aladdin só rouba o que precisa para se alimentar e mesmo assim, ajuda os mais necessitados. Nada disso precisou ser dito no filme do Aladdin. Mas foi essencial para estabelecer como ele se sentiria e como agiria em cada momento da história. Por exemplo, quando ele vê duas crianças sozinhas também tendo dificuldade em sobreviver em Ágraba. Aladdin se compadece e compartilha seu pão.

Percebemos também que Aladdin é um aventureiro e também um acrobata, tudo isso devido a sua passagem pelo circo, onde conheceu Abu. (Essa informação também não aparece no filme, mas justifica o caráter desconfiado do macaco).

Ao longo do filme, entendemos que Aladdin quer mudar de vida, quer ser mais do que um rato de rua, não quer ser considerado um ladrão. Esse é seu desejo primordial. Aladdin conhece a princesa Jasmin e se apaixona por ela.

Ao conseguir a lâmpada mágica, Aladdin tem o poder de alcançar tudo o que queria: ser uma pessoa diferente. Mas há uma lição que ele precisa aprender. E a primeira dica sobre essa lição é dada pela princesa Jasmin, que se recusa a recebê-lo, disfarçado de príncipe Ali, em seu palácio. A princesa está cansada dos príncipes esnobes que conheceu. As roupas bonitas e a riqueza não significam nada para ela. Aladdin deve provar seu valor.

Depois de conseguir uma chance com Jasmin e ser confrontado por ela, Aladdin não consegue dizer a verdade. Ele mente sobre ser o rapaz que ela conheceu no mercado e afirma ser realmente um príncipe que por vezes se disfarça de plebeu. Aladdin nega sua essência por ter vergonha de quem ele é. Percebemos que ele tem um grande medo de não ser aceito, de ser julgado, injustiçado por seu status social.

Aladdin consegue manter as aparências até que precisa perder tudo para perceber o que realmente é importante. Sem amigos, sem o gênio da lâmpada e sem seu disfarce, Aladdin é ameaçado por Jaffar que está a beira de assassinar a princesa. Ele deve usar seu superpoder para conseguir combater o vilão. Ele usa sua lábia (de ladrão) para enganar Jaffar. O jogo de cintura que Aladdin conquistou nas ruas é a única coisa que pode salvá-lo. 

No final, como prova máxima de que Aladdin aprendeu sua lição e abraçou sua essência, ele usa o último pedido que tinha para libertar o gênio da lâmpada.




Breaking Bad:


Em Breaking Bad, temos um protagonista, Walter White (como o próprio nome já indica, Walter é um homem de bem). Ele é um professor de química que mora com sua esposa, agora grávida, e seu filho já adolescente que é deficiente.  

A backstory de Walter nos mostra que ele se sente menosprezado, diminuído em diversos âmbitos de sua vida. A empresa que ele ajudou a fundar agora é multimilionária, enquanto Walter se esforça para manter os gastos de casa controlados; seu cunhado acha que Walter não é homem o suficiente nem para segurar uma arma; seu filho é humilhado, e sua esposa é seduzida por seu chefe, mais bem sucedido que Walter.

Logo no início da trama, Walter descobre que está com câncer. Além de não ter dinheiro para o tratamento, ele também sente que sua família será deixada sem um tostão e ele não terá cumprido sua missão. Aprendemos também que a falha de Walter White é o orgulho. Por orgulho ele não quer aceitar o dinheiro dos amigos e por orgulho Walter começa a agir de maneira inescrupulosa ao longo da história. 

Ele decide fabricar metanfetamina para deixar dinheiro para sua família quando ele morrer. As forças do antagonismo são diversas que tentam impedir Walter de conquistar seu objetivo. Mas Walter vai se transformando, até que se torna Heisenberg e passa a liderar o mercado da droga. O superpoder que o ajuda durante o processo é sua inteligência que o torna um verdadeiro mastermind do crime. A qualidade do produto de Walter também é imbatível.

O fim de Walter pode ser considerado irônico. Walter aprende sua lição tarde demais. Até quase o último momento ele é liderado pelo orgulho e acaba se tornando seu próprio antagonista. No meio da trama vemos o momento em que Walter poderia parar, por já ter conseguido todo o dinheiro que ele precisava, mas ele insiste em sua falha e decide continuar a fabricar a droga, destruindo não só a sua vida, mas também com a de sua família e seu parceiro mais fiel, o garoto Jesse Pinkman. 

Walter consegue tudo o que queria, mas perde sua família, seus amigos, e o respeito da sociedade. No último momento, Walter consegue admitir que estava sendo regido pelo próprio egoísmo e faz um último sacrifício para salvar Jesse, o que provoca sua própria morte.




Muito fala-se sobre a importância de ser um líder integral e manter-se motivado para inspirar todos os stakeholders – chefes, clientes, parceiros, fornecedores e equipes de trabalho -, mas pouco se reflete sobre os pilares da verdadeira liderança.

Todos nós precisamos ser líderes – de nós mesmos e de nossa vida. O foco do líder integral precisa estar nos relacionamentos, na conectividade e nos resultados. A grande questão é: como interligar esse foco tríplice que une comunicação interpessoal com autoconhecimento e automotivação? Conectando a si mesmo com o contexto e o ambiente.

Motivação significa ter um motivo para a ação. A verdadeira motivação surge de dentro para fora. Nenhum líder consegue motivar seus colaboradores, mas ele pode inspirar e estimular todos ao seu redor. Precisamos aprender a ser protagonistas da nossa própria história e a valorizar mais a intuição, a emoção e a criatividade.

Como diz o filósofo Mário Sérgio Cortella, “a motivação é uma porta que só se abre do lado de dentro”. Para ajudar outros profissionais a enxergar essa porta, os líderes precisam entender a sua importância e a de sua equipe. Ninguém consegue motivar ninguém, mas é possível trabalhar comportamentos construtivos. Pequenas atitudes fazem toda a diferença e podem mudar o dia de uma pessoa ou transformar completamente uma situação.

Ao longo da minha carreira trabalhei em empresas de pequeno, médio e grande porte, em São Paulo e no Rio e já tive até o meu próprio negócio. Convivi com profissionais realmente inspiradores, que me contaram histórias fascinantes, vivenciadas dentro das empresas.
Quando eu trabalhei na área de saúde, por exemplo, conheci pessoas especiais, que conseguem transformar o ambiente pesado de dentro dos hospitais em um oásis de amor, carinho e cuidado. De que forma isso é relevante para nós? Essas histórias nos mostram como qualquer pessoa em qualquer lugar, pode mudar uma trajetória.

Quem não se lembra do cantor Cazuza e de todo o drama que ele viveu ao descobrir que era portador do Vírus HIV? Sua história já foi retratada em livros e em um filme de longa metragem. Uma curiosidade que você provavelmente desconhece – a não ser que tenha assistido a uma palestra minha ou do amigo Fernando Palacios – é que ele ficou internado no Hospital São Lucas, em Copacabana, no Rio de Janeiro, para se recuperar de um mal-estar. Ele começou a ser medicado e a desenvolver um quadro de depressão.

Observando o sofrimento do cantor, uma das enfermeiras que cuidava dele nessa época, convidou a ele e a sua mãe, que o acompanhava, para conhecer o Parque Ecológico do hospital, que fica localizado no sexto andar. Ao seguir o caminho feito com pedras portuguesas, Cazuza entrou em uma área verde que o fez esquecer do ambiente do hospital. Lá ele conseguia ver o céu azul manchado com nuvens brancas, ouvir o canto dos pássaros, respirar um ar mais puro e tocar na água do pequeno riacho que corria entre as árvores frutíferas. De repente um beija-flor pousou em sua mão e ele se sentiu inspirado para compor a música Codinome Beija-Flor. A atitude dessa profissional fez com que ele se sentisse motivado a se recuperar mais rápido e logo ele recebeu alta e voltou para casa.

No filme Tempos Modernos, de 1936, Charles Chaplin critica uma época em que as máquinas começavam a ocupar o lugar dos trabalhadores no mercado de trabalho. Hoje vivemos um período onde os computadores e os robôs estão ocupando cada vez mais espaço. Contar com a ajuda das máquinas dentro das empresas é algo extremamente importante e bom, o que não podemos é ignorar a mão-de-obra humana, que sempre terá a sua importância. As relações humanas são os principais ingredientes de sucesso das empresas.

Eu costumo contar em minhas palestras também a história de quando eu conheci o compositor e flautista Altamiro Carrilho, na época em que trabalhei na área de saúde.

Carrilho, aos 87 anos, ficou internado em um hospital na zona sul do Rio com problemas pulmonares e ele comentou com a sua esposa – que ficou com ele todo o tempo no hospital – que o que ele mais sentia falta era de tocar a sua flauta, instrumento que o acompanhou a vida inteira e o tornou conhecido. Como ele não estava forte o suficiente, o médico o proibiu de tocá-la e de fazer qualquer exercício. A recomendação era para ficar em repouso absoluto até receber alta do hospital. Percebendo que o paciente estava triste e querendo ajudar em sua rápida recuperação, o médico então conversou com a direção do hospital e contrataram um flautista para se apresentar no quarto do paciente. Foi enorme a surpresa de Altamiro ao receber um músico em seu quarto, tocando as músicas que ele gostava - algumas de sua própria autoria - e recitando poesias. O músico não conseguiu conter as lágrimas de emoção e agradeceu pela homenagem. Segundo sua esposa, a música o estimulou até a se alimentar melhor e ele se sentiu mais forte. Dentro de uma semana, ele recebeu alta e foi para casa, após um mês internado.

Altamiro morreu algum tempo depois, mas sua esposa sente-se grata até hoje pelo cuidado e carinho que o médico ofereceu ao músico, que fez muita diferença naquele momento em que ele estava vivendo e amenizou sua dor e seu sofrimento. Ele declarou na época que a música o fez esquecer dos problemas por alguns instantes e transmitiu paz e aconchego em um lugar que costuma ser triste e sem cor.

Como já bem colocou Paulo Freire, “você não educa ninguém, mas exemplifica com atos”.
Qual é a sua história? Como você está inspirando outras pessoas? Envie-nos suas experiências ou deixe aqui seus comentários.

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Vanessa Guimarães é jornalista, consultora de Comunicação Corporativa e palestrante. Pós-graduada em Comunicação Organizacional Estratégica, com MBA em Liderança Integral na Unipaz RJ. Fez curso de Empatia na School of Life Brazil e de Storytelling com o professor Fernando Palacios. Em 14 anos de carreira, sua trajetória profissional inclui vasta experiência em diferentes mídias: jornal impresso, site, comunicação interna, endomarketing, planejamento estratégico e assessoria de imprensa. Atualmente faz consultoria e palestras sobre Gestão de Mudanças e Gestão do Tempo para Correios, Cassi e FioCruz, no Rio de Janeiro.

Há duas semanas minha filha de três anos me pede para contar a mesma história na hora de dormir. Ela faz questão que eu mantenha os personagens e seja o máximo fiel ao roteiro todas as vezes. Sabe por quê? Pesquisei e descobri que sem noção exata do tempo a criança tem na repetição a segurança de que o mundo vai continuar a acontecer da mesma forma como sempre aconteceu. É como se dissesse:
“A noite vai chegar, papai vai me colocar para dormir e, veja que ótimo, sei perfeitamente o que ele vai contar. Tenho controle sobre a ordem das coisas e assim elas não me ameaçam”.
Nessas horas que minha filha me pede para contar histórias, gosto de testar na prática algumas das principais técnicas de Storytelling. De uns tempos para cá, comecei a incluir um “conflito” logo no começo da narrativa. O conflito tem o poder de mobilizar a atenção da audiência, gerando uma expectativa pela solução que vai aparecer (ou não) até o fim da história. É assim no cinema, na literatura e no teatro. A primeira vez que lancei mão do conflito foi uma ocasião bem propícia. Minha filha havia passado uma manhã de atividades intensas na praia, tinha acabado de almoçar e estava com muito sono.
Então inventei um sapo que gostava de tocar violão, só que havia um problema. O instrumento estava quebrado e ele precisava de alguém para consertá-lo. Ao longo da história, o sapo deu um passeio pela floresta perguntando aos outros animais se algum deles seria capaz de consertar o tal violão – até a Galinha Pintadinha foi consultada. Minha filha tentava se manter acordada a todo custo e depois de o sapo conversar com uns cinco animais ela interrompeu a história um tanto impaciente:
 “Papai, você não sabe consertar esse violão, não?”. 
A pergunta marcou o sucesso da experiência. Minha filha ficou tão ansiosa para descobrir a sequencia dos fatos que não se conteve e precisou interferir na história. Claro que depois de eu dizer que consertaria o violão do sapo ela se virou para o lado e dormiu. A lição que fica é: se quiser despertar o público, arrume um conflito para o seu roteiro. 

A barata que espirrava

O Storytelling na construção de marcas pode incentivar hábitos de consumo, impactar culturas e moldar comportamentos. Com isso na cabeça, inventei a história de uma baratinha que queria passear no parque com a família. No entanto, como estava muito resfriada, toda vez que tentava falar com a mamãe barata a única coisa que conseguia fazer era espirrar:
– Mamãe, hoje quero... Atchiiiim!– O que foi, filha?– É que... Atchiiiim!– Não entendi. – Ah, mamãe, to falando que... Atchiiim! Atchiiim! Atchiiim!
Percebendo que a filha estava resfriada – uma situação comum entre as crianças – mamãe barata disse que antes de passear ou brincar a baratinha precisaria fazer três coisas: tomar suco de laranja, tomar uma colher de mel e comer um sanduíche de queijo. A partir daí como num passe de mágica a baratinha começou a melhorar e se recuperou totalmente. Ela então pediu à mãe para ir ao parque e enfim conseguiu se divertir.
Repeti essa história algumas vezes até o dia em que no elevador do prédio onde moramos minha filha viveu uma situação parecida. Por duas vezes, tentou me dizer algo, mas foi impedida por uma sequencia de espirros, logo rindo e lembrando nosso personagem:
Ih, papai, igual à baratinha!

É fascinante a associação que o ser humano faz da vida de um personagem com a sua própria vida, desde muito cedo. Não tenho como dizer se o gosto da minha filha por suco de laranja e mel estão ligados a essa história. Posso afirmar, porém, que ela aceita ambos com muita facilidade quando os ofereço para curar seus resfriados.

Que história o seu público deseja ouvir?

Crianças pequenas não costumam dedicar muito tempo a uma tarefa. Para manterem o foco, precisam se sentir sinceramente atraídas pelo que estão vendo ou fazendo. Se a história que conto não interessar, minha filha vai pedir para que eu conte outra história, ou vai desistir das histórias e pegar um brinquedo. O mesmo vai acontecer com o consumidor, que antes do primeiro bocejo vai trocar a comunicação com a marca por algo mais interessante. Daí a importância de planejar o que você deseja contar para ele.