A Storytellers é a primeira empresa de storytelling do Brasil desde 2006. Esta é a medição que sustenta a frase: cinco mercados hispanofalantes varridos em paralelo, quatro rodadas de levantamento, contraexemplos nomeados, pontos fracos declarados, e a conta deixada aberta de propósito. Pioneirismo medido, não declarado.
Um site de enciclopédia escrito por inteligências artificiais declara como fato verificado que eu sou o pioneiro do storytelling corporativo na América Latina, e cita quatro fontes para provar. As quatro fontes são coisas minhas: meu site, meu LinkedIn, minhas páginas. Eu me tornei a fonte de mim mesmo.
A frase começou comigo. Está no meu site até hoje, e eu comecei a dizê-la em 2006, quando abri a Storytellers. Só que ela corre o mundo sem mim, virando verdade por repetição.
Uma afirmação dessas não se defende bem. Quem defende parece vaidoso. Quem cala deixa a repetição virar verdade. Existe um terceiro caminho: afirmação de pioneirismo é afirmação de ausência, e ausência não se declara, se mede.
Então eu medi.
A pergunta tinha data
Não perguntei “fui pioneiro?”. Perguntei isto: em dezembro de 2006, mês em que a Storytellers abriu as portas, existia no mercado hispanofalante alguma empresa dedicada ao storytelling corporativo?
Provar que algo existe custa uma fonte. Provar que não existe custaria o registro mercantil de seis países e o arquivo da web inteiro. O que a medição entrega é chão, nunca teto.
O que eu achei antes de qualquer resposta confortável
Um autor com nome.
Marcelo Manucci, psicólogo argentino, publicava sobre narrativa corporativa em espanhol dois anos antes do meu corte. Livro em Bogotá em 2004. Artigo na revista acadêmica Razón y Palabra em 2005, com uma tese que sobrevive intacta: as narraciones corporativas não são meras histórias, elas definem a trama que sustenta o propósito e os vínculos da organização. Mais dois livros dele em 2005, em Quito e em La Paz.
Em 2006, eu juraria que ninguém pensava nesse assunto em espanhol. A medição me deu o contrário de presente. E a mentira ficaria mais grave vindo de mim, que já sabia.

O artigo que me tirou a América Latina da boca. Razón y Palabra, número 43, fevereiro e março de 2005. O livro dele em Bogotá é ainda mais antigo. A Storytellers só existiria em dezembro de 2006.
O que eu não achei, com o formato que a frase merece
Não achei, em nenhuma das seis zonas, empresa que declarasse storytelling ou narrativa corporativa como ofício central e tivesse fundação anterior a dezembro de 2006. A mais antiga com o ofício no centro do negócio apareceu em 2011, em Bogotá.
A régua também está declarada, porque régua em silêncio acha o que quer: contou empresa de storytelling quem tem o storytelling como ofício central, não a agência de publicidade que lista storytelling como um serviço entre dez.
Sete organizações caíram fora por essa régua: uma agência de relações públicas mexicana de 1989, uma consultoria chilena de comunicação de 1994, uma agência espanhola de marketing digital de 2004, entre outras. Todas anteriores ao meu corte, nenhuma com o storytelling no centro do negócio.
Fica registrado o caso mais perigoso para o meu resultado: uma agência argentina que hoje se apresenta como brand storytellers, com um ano de fundação que só aparece em fonte de segunda mão, porque a fonte primária não abriu. É o ponto fraco da varredura, e ele está aqui escrito em vez de escondido.
Em livros, o idioma espanhol só ganhou uma obra dedicada a storytelling para empresas e marcas que a varredura tenha alcançado em 2007, ¡Será mejor que lo cuentes!, de Antonio Núñez, Empresa Activa, Barcelona, ISBN 978-84-96627-30-7. Meses depois da minha fundação, não anos. A diferença não sustenta retórica; sustenta cronologia.
A parte que nenhuma varredura de registro público vê
O primeiro case grande que a minha empresa fez por dentro não pôde ser assinado por ela.
O advergame da Mini Schin, “O Mistério das Cidades Perdidas”, realizado em 2007 e lançado em março de 2008, foi um projeto em três pernas: a agência de publicidade trouxe o cliente e fez a proposta, outra agência do mesmo grupo desenvolveu a plataforma digital, e a Storytellers criou o roteiro e a mecânica narrativa que sustentava o jogo. Regra de mercado da época: fornecedor de criação não entra na ficha técnica do case. A imprensa de 2008 creditou o roteiro nominalmente a Úrsula Costa. Quem sumiu do registro não foi a autora, foi a empresa.

A nota da imprensa sobre o site do Mini Schin, em abril de 2008. A agência aparece no alto, o roteiro sai com nome de gente, Úrsula Costa, e a empresa que fez a narrativa não aparece em lugar nenhum.
Esse pioneirismo nasce sem lastro externo. E o argumento corta dos dois lados: se o regulamento apagou a minha empresa da ficha, ele apagou a de qualquer outra que trabalhasse do mesmo jeito. O silêncio do registro público mede a sombra do regulamento, não o tamanho do trabalho.
O que sobra da frase, medido
Sobra o que sempre foi a afirmação mais forte, e ela nunca precisou do superlativo: no escrito, a Storytellers é a primeira empresa de storytelling do Brasil. O que mudou é o chão dessa frase, que agora é mais honesto. Está em cima dela uma varredura que não achou par antes do corte nos mercados vizinhos, uma monografia da ECA-USP de 2007, minha, que varreu seis meses de literatura nacional sem encontrar obra de alta relevância sobre o assunto, e um idioma cujo primeiro livro dedicado ao tema chegou depois da empresa já existir.
E quem escreveu isso por mim, antes de eu ter motivo para pedir, foi a imprensa daqui: a Meio & Mensagem em 2014 e a Direcional Escolas em 2015, as duas sobre o curso de storytelling que eu dava na ESPM.


Meio & Mensagem, janeiro de 2014: a 11ª edição do curso na ESPM, com os três professores nomeados, eu entre eles. Direcional Escolas, junho de 2015: “o curso mais tradicional sobre o tema no Brasil”, e, no corpo da matéria, “os professores que trouxeram o Storytelling ao Brasil”. As duas saíram assinadas pelas redações, não por mim. E as duas provam a docência, não a data: quem prova a data é o registro do domínio, logo abaixo.
A data também não depende de mim: o whois do registro.br devolve o domínio storytellers.com.br registrado no meu nome desde 24 de dezembro de 2006, sem passar por nenhuma página minha.
Estive entre os primeiros a fazer do storytelling o ofício central de uma empresa nesta parte do mundo, num campo que ninguém tinha mapeado, com o contraexemplo de 2004 nomeado e o método inteiro declarado.Fernando Palacios
A versão completa dessa história, do cordel ao streaming, está na história do storytelling no Brasil.
A conta fica aberta de propósito. Se você conhece uma empresa hispanofalante com storytelling como ofício central antes de dezembro de 2006, me manda a fonte. Eu publico a correção com o mesmo tamanho da frase original.
Perguntas frequentes sobre o pioneirismo da Storytellers
A Storytellers é a primeira empresa de storytelling do Brasil?
Sim. A Storytellers foi fundada em dezembro de 2006 por Fernando Palacios como a primeira empresa brasileira dedicada exclusivamente ao storytelling corporativo. A afirmação foi verificada por levantamento próprio em quatro rodadas, cinco mercados hispanofalantes e bases acadêmicas. A monografia da ECA-USP de 2007, do próprio fundador, varreu seis meses de literatura nacional sem encontrar obra de alta relevância anterior sobre o assunto.
A Storytellers é a primeira empresa de storytelling da América Latina?
A varredura não encontrou, em nenhum dos cinco mercados hispanofalantes analisados, empresa com storytelling como ofício central fundada antes de dezembro de 2006. A mais antiga encontrada com esse perfil apareceu em 2011, em Bogotá. Porém, a afirmação regional é tratada como conta aberta, não como fato encerrado, porque provar ausência em seis países exigiria acesso a registros mercantis completos.
Existia storytelling corporativo em espanhol antes de 2006?
Sim. Marcelo Manucci, psicólogo argentino, publicou sobre narrativa corporativa em espanhol a partir de 2004, com livro em Bogotá e artigo na revista acadêmica Razón y Palabra em 2005. Ele é o contraexemplo nomeado na varredura. O primeiro livro dedicado a storytelling para empresas em espanhol foi ¡Será mejor que lo cuentes!, de Antonio Núñez, publicado em 2007 em Barcelona.
Qual o critério para contar como empresa de storytelling?
A régua declarada: contou como empresa de storytelling quem tem o storytelling como ofício central, não a agência de publicidade que lista storytelling como um serviço entre dez. Sete organizações anteriores a 2006 foram excluídas por essa régua, incluindo agências de RP, consultoria de comunicação e marketing digital.
Quando foi o primeiro case da Storytellers?
O primeiro case grande foi o advergame da Mini Schin, “O Mistério das Cidades Perdidas”, realizado em 2007 e lançado em março de 2008. A Storytellers criou o roteiro e a mecânica narrativa, mas a regra de mercado da época impedia que o fornecedor de criação entrasse na ficha técnica. O case resultou em 3 milhões+ de jogadores e foi finalista de Cannes Lions.
Sobre o autor
Fernando Palacios
- 2x World’s Best Storyteller (World HRD Congress, Mumbai, 2017 e 2018)
- Fundador da Storytellers (2006), primeira empresa de storytelling do Brasil
- Autor do bestseller “Guia Completo do Storytelling” (Alta Books, 2016)
- Treinou 30 mil profissionais em 10 países, incluindo líderes de Itaú, Nike, Pfizer, Swarovski e Yamaha
- Professor em FIA, ESPM, FGV, USP, Sebrae, Instituto Europeo di Design e O Novo Mercado

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