Fernando Palacios descreve um percurso que diz observar em quem começa a escrever com IA. No início, a ferramenta genérica parece resolver: já escreve, está bom. Com o tempo, vem a queixa de quem passa mais tempo arrumando o texto do que levaria para escrevê-lo.
No episódio 5 do Podcast Autoria, a conversa com a farmacêutica Raigna Vasconcelos chega ao passo seguinte desse percurso: um agente que conhece a pessoa e escreve em seu nome, com um critério simples para saber se deu certo.
Por que corrigir o texto da IA pode dar mais trabalho que escrever?
Porque a ferramenta genérica escreve do jeito para o qual foi treinada. Quando cada pedido exige ajustar ideia, tom e expressões, o tempo de correção se aproxima do tempo de escrita, e a vantagem some.
Fernando cita um desses vícios no episódio, a fórmula “não é sobre isso, é sobre aquilo”, e resume o problema: é a cara da ferramenta, distante do jeito de escrever de quem assina.
Qual é a diferença entre um bom prompt e um agente?
Na definição de Fernando, o agente é um prompt muito bem montado com um monte de arquivos que o apoiam: uma pasta organizada para a IA encontrar, com pouco gasto, o que precisa saber sobre a pessoa e sobre a tarefa.
A engenharia de prompt, segundo ele, continua importante, com peso menor. O passo seguinte é explicar bem a um agente, umas duas ou três vezes, quem você é e como faz, e deixar que ele aprenda. Aí, nas palavras de Fernando, a pessoa passou de fase. O blog detalhou essa escada em Agente de IA para especialistas: prompt, skill e o agente que fala em seu nome.
Como saber se a IA escreveu com a sua voz?
Pelo teste da assinatura. Fernando propõe que o agente de voz produza aquilo que a pessoa assina embaixo, um texto que ela reconhece como algo que teria escrito se tivesse parado para escrever.
Raigna dá nome ao agente que cumpre esse papel na rotina dela: o PLUME, agente de voz que cada pessoa monta com as próprias histórias e o próprio jeito de escrever, é a sua voz narrativa. No processo que Fernando descreve, montar esse agente vem primeiro, antes dos agentes de formato, porque qualquer conteúdo em nome da pessoa, do site à newsletter, precisa de quem assine por ela.
O que explicar ao agente para ele escrever como você?
Quem você é e como você faz. Fernando lista o material: suas histórias, aquilo em que acredita, seus valores, seu jeito de escrever, as expressões que usa e até a variação entre parágrafos longos e curtos.
Propomos um inventário curto antes de montar o agente: três histórias suas que explicam por que você trabalha do jeito que trabalha, cinco expressões que você usa e duas que evita, e um texto antigo que você assinaria hoje sem mudar nada. Com esse material, o teste da assinatura ganha critério.
Para organizar essas referências com mais detalhe, o blog publicou Como organizar referências de voz para um agente de escrita?
Assista: corte 6 do episódio 5 do Podcast Autoria, ou o trecho no episódio completo, a partir de 1:33:15.
O post principal do episódio reúne a conversa inteira: Como uma farmacêutica usa agentes de IA no trabalho.
Perguntas frequentes
Qual é a diferença entre prompt e agente de IA?
Na definição de Fernando Palacios, o agente é um prompt muito bem montado com um conjunto de arquivos que o apoiam. O prompt isolado depende de explicar tudo a cada pedido, e o agente guarda o que a pessoa já explicou.
Por que a IA escreve de um jeito que não parece meu?
Segundo Fernando, a ferramenta genérica escreve do jeito para o qual foi treinada, com vícios próprios. Para escrever como a pessoa, ela precisa conhecer histórias, valores, expressões e o ritmo de parágrafos de quem assina.
O que é um agente de voz narrativa?
É como Raigna Vasconcelos descreve o agente que escreve em seu nome e produz textos que ela reconhece. Fernando resume o critério: tem que ser aquilo que você assina embaixo.
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