Texto inicialmente publicado pelo portal Mundo do Marketing

Nos últimos cinco anos, palavras como 'storytelling' e 'transmedia' têm pipocado cada vez mais na mídia internacional, nos comitês executivos, nos briefing corporativos, nos argumentos de vendas... e diz que tudo começou pelos relatórios de tendências.

Será? O storytelling em si certamente não é novidade. Contamos história desde a época pré-histórica. Antes mesmo de inventar a escrita ou outra forma de registro, inventamos as histórias. Inclusive, inventamos as histórias para não termos que reinventar a roda.

Afinal, o objetivo inicial do storytelling era de perpetuar descobertas e permitir que o conhecimento se acumulasse ao longo do tempo. Tanto que hoje temos a cerveja graças a uma antiga história dos sumérios. Pois é. No próximo happy hour erga a taça e proponha um brinde a eles. Se não fosse a história de dois deuses preparando uma festa de aniversário para o pai, certamente essa receita teria se perdido. Mas se storytelling não é novidade, por que tanto buzz?

Depois que o bug do milênio se provou falso, Hollywood mostrou mais uma vez que poderia fazer um anúncio de noventa minutos e que ainda assim pudesse vir a se tornar um clássico. Estou falando do funcionário da FedEx que passa quatro anos ilhado com uma bola de vôlei Wilson. 


Muitas décadas antes a própria indústria do cinema já tinha transformado a joalheria Tiffany como símbolo de elegância máxima e objeto de desejo de vida de uma Bonequinha de Luxo. Isso quer dizer que contar boas histórias para vender produtos e posicionar marcas também não é algo exclusivo dos últimos anos.

Então por que tanto tem se falado de storytelling desde as salas de aula das mais renomadas Universidades até os mais consagrados festivais de publicidade? Aí é que está: de certa forma ninguém sabe ao certo. Só se sabe que em tempos de excesso de informação, as mais intrigantes ganham sobre as entediantes. E isso é o que o storytelling sempre fez: ensinar ao entreter. 


O que precisamos aprender é como dominar esse processo sob a ótica empresarial. Os autores sabem contar suas próprias histórias, os publicitários sabem contar situações de marca... mas quem é que sabe juntar as duas coisas?




Estudando arquétipos e marcas para nossas aulas de Storytelling e Branded Content me deparei com a data de amanhã, segunda-feira: 07/07/2014 (2+1+4=7), ou seja, 7/7/7. 

No estudos sobre outras crenças do fundador da psicologia analítica Carl G. Jung, o SETE é um número perfeito e representa a Grande Mãe dos mistérios da vida, da morte e da transformação. O 7 é místico até para os matemáticos de tempos antigos. Ele representa a  Criação — 3 (o céu) + 4 (a terra) = 7 — e indica a relação viva entre o divino e o humano.

A trindade divina(o 3) é parte do 7. Na Grécia antiga o 3  era considerado o número perfeito por ter princípio, meio e fim,número.Na Bíblia é a trindade divina. Muito tempo depois, Jung elaborou seus estudos sobre quaternidade indicando que há sempre quatro elementos no plano físico: quatro cantos, quatro estações, quatro cores básicas. A soma dos números 3 e 4 resulta no 7 e assim expressam o plano divino e o físico-material onde vivemos. Talvez por isso o 7 esteja presente em listas importantes: 7 é o número de Chacras para hatha-yoga, são 7 as pirâmides (principais) no Egito, o 7 na Cabala, no judaísmo e seu candelabro de 7 braços.  

Procurei racionalizar mais e tirar algo da Astronomia. A constelação mais importante do Equador é Órion; a mais brilhante do Círculo Polar Ártico é a Ursa Maior; e, para o círculo Polar sul, é o nosso Cruzeiro do Sul. As três constelações são formadas por sete estrelas visíveis a olho nú a noite (quando há condições climáticas). Além disso, o número 7 é feminino e amanhã é segunda-feira também dia da figura máxima feminina: Dia da Lua.

Diante de tudo isso, é possível afirmar que o 777 de amanhã pode ser uma data muito representativa para cada um de nós, mas dependerá de cada indivíduo o que fazer nessa data tão misteriosa. 

No contexto de Storytelling, que estudava ao me deparar com essas informações, lembrei de um autor extraordinário, Ray Bradbury, que na obra-prima Fahrenheit 451 escreveu: "somos todos constituídos de bocados, de extratos de história, de literatura,  (...) E se nos perguntarem o que fazemos, podeis responder: ‘Recordamo-nos’". Depois de amanhã, poderemos recordar os  extratos desse dia, o recorte dessa história e as transformações que ocorreram. Um fato pode ocorrer. Se você leu esse post até aqui, já estará impregnado com o número 7. Seu subconsciente já estará alerta sobre as possibilidades de transformação e algo poderá de verdade mudar na sua vida. Assim são os arquétipos, os signos e o Storytelling.



Para celebrar o Anime Festival Asia (AFA) 2013 e divulgar o Internet Explorer 11 naquele continente a Microsoft resolveu levar a sério os animes, afinal todos sabemos que eles tem uma relevância para os povos asiáticos - tanto quanto as novelas tem aqui no Brasil. 

Em Novembro de 2011 divulgaram o video “Anime Festival Asia Special Video - feat Inori Aizawa” no YouTube. Inori é a personificação do Internet Explorer (segundo seu próprio perfil no facebook),  uma heroína que aparece lutando contra monstros relembrando clássicos de animes como Sailor Moon e Evangelion. Vejam o vídeo:




O vídeo se tornou viral e ganhou fama em todo o mundo. O anime do IE 11 e Inori foi criado pela Microsoft de Cingapura e dedicado a todos os fãs do gênero em todo o mundo e particularmente, apesar de reconhecer vários dos elementos da marca do IE e Microsoft na personagem ainda dá a vontade de ver como a Inori vai enfrentar o ultimo boss, quero dizer, isso poderia virar uma série animada pra televisão facilmente.

A história não para por aí 

Talvez muita gente vai pensar que um vídeo de 2 minutos (aprox) não tenha tanta força pra carregar uma história intensa, mas como sempre ressaltamos aqui no blog "o segredo é a parte da história que ainda não foi contada" pois ela vai criar conexões e fazer as pessoas continuarem com sua imaginação.

Foi o que aconteceu no caso de Inori, ela mantem um perfil ativo até hoje no Facebook ( https://www.facebook.com/internetexplorertan ) aonde é possível notar uma série de tirinhas ilustradas da Microsoft aonde Inori Aizawa aparece em situações que podem representar características do navegador.


O post com a tirinha sempre tem um link para um site com especificações técnicas e comparações. Além disso a página divulga artes dos fãs, ilustrando ou mesmo produzindo novos videos com a personagem cantando:

 

Também tem alguns wallpapers e muitas mensagens de fãs que devem estar esperando para ver novas aventuras de Inori pelo Youtube. Espero que com todo esse sucesso por lá, a Microsoft resolva expandir essa ação aqui pro ocidente e traga sua personagem para interagir com o público - quem saiba assim eu até pense em voltar a usar o navegador :p


Qual o poder de uma história? Será que é o suficiente para evitar um assalto?

O ator Pascoal da Conceição de 60 anos pode afirmar que sim. Segundo ele, ao sair de sua casa na Vila Mariana, bairro de São Paulo, o ator que é conhecido por interpretar o caricato vilão do Castelo Rá-Tim-Bum foi abordado por um motoqueiro que lhe ordenou que fosse entregue o celular e a carteira. 

Porém o assaltante teria reconhecido não o ator, mas sim o "Doutor Abobrinha" e desistido do assalto, devolvendo os pertences de Pascoal.

Salvo por uma história!

Leia a matéria publicada na Folha de São Paulo e saiba mais:


Demorou, mas entre oitavas e quartas-de-finais de Copa do Mundo, estreiará na quinta “Grande Hotel Budapeste”, novo filme do diretor Wes Anderson, no Brasil.


Quem conhece e se agrada com o estilo melancólico e bastante simétrico do diretor do recente Moonrise Kingdom, de Os Excêntricos Tenenbaums e de O Fantástico Sr. Raposo, sabe da originalidade que Wes emprega a seus filmes em meio a uma Hollywood tão commoditizada.

Wes Anderson coleciona cerca de 10 filmes de cinema e 3 indicações ao Oscar aos 45 anos de idade. Se isso ainda não é o bastante para trazê-lo a um texto para o este blog, seu trabalho em filmes de propaganda tem muito a nos ensinar.



Com seu estilo marcante presente também nos comerciais, não é só o movimento de câmera de seus filmes que chama a atenção. No mínimo, o cineasta Wes Anderson dá uma lição a nós, publicitários, de como inserir uma marca em uma história divertida.



A verdade é que quanto mais as marcas estão intrínsecas à sociedade, mais diretores como Wes são capazes de produzir grandes roteiros de comerciais. E então a luta diária do publicitário ganha novos e fortes concorrentes.

Sobretudo, o que diferencia os diretores de cinema dos diretores de publicidade são os conceitos e técnicas na construção de histórias que os cineastas praticam. No fim das contas, o que diferencia o storytelling do cinema da publicidade não é apenas o fato de contar histórias, mas de saber contar histórias. Estão as agências prontas para competir em alto nível?






Esse post foi originalmente publicado pelo site da Câmara Americana de Comércio.
Adotar storytelling pode beneficiar a empresa, mas pode prejudicá-la, se toda a comunicação não estiver alinhada com o conceito da ferramenta. Quem faz o alerta é  Fernando Palacios, co-fundador do escritório Storytellers Brand ‘n’ Fiction.
Abaixo, Palacios comenta os erros de empresas que querem usar o storytelling, mas não se posicionam integralmente com uma comunicação humanizada. Ele ainda indica quais os aspectos que vão predominar essa área, no futuro.
 Storytelling virou business com a indústria do entretenimento, mas é recente no mundo corporativo. O que há de tendência nessa área?
Muita coisa, até por ser tão inicial, embrionária. Uma das primeiras coisas é entender a importância do conflito. O mundo corporativo é muito genérico, na comunicação. Muitas empresas têm a comunicação oficial muito ligado ao jurídico, é fria, impessoal, distante. Só que cada vez mais isso vai dificultá-las a falar com os públicos, porque a distância entre as pessoas e as empresas está diminuindo, principalmente com as redes sociais e toda a informação disponível.
Então o posicionamento da comunicação da empresa interfere no storytelling.
Não só. Às vezes tem marca que fala super bem com o público, é descolada, mas no momento de crise, joga para o público um comunicado frio e distante. Cadê aquele cara que falava comigo, descolado? Tem de entender que a marca é vista pelas pessoas como uma entidade.
Essa dificuldade que empresas têm com storytelling é, na verdade, de comunicação e posicionamento?
Sim. Quando fala-se de storytelling, a grande tendência é entender os arquétipos. Carl Jung, cem anos atrás, estudou tipos de pessoas e personalidades, definiu alguns arquétipos, mas os arquétipos são muito anteriores. Há pelo menos 12 arquétipos padrões desde o “início” da humanidade. Na primeira história que a gente tem registro, a Epopéia de Gilgamesh, já tem 12 arquétipos diferentes. Quando se olha para o mundo corporativo, a tendência é de cada empresa se posicionar de acordo com um arquétipo diferente. Até porque, se todo mundo for igual e falar com a mesma voz, o próprio conceito de marca perde muita força. O princípio de marca é marcar, diferenciar. Se todo mundo for verdinho, correto, isso deixa de ser diferencial e vira pré-requisito, pedágio.
Então, quando a empresa se interessar pelo storytelling, deverá entender que vai ser mais humanizada e prioritariamente vai ter de passar por questões como conflitos e emoções?
A empresa tem de ter opinião, personalidade. Quanto mais se aproximar de um ser humano de verdade, que tem defeitos, falhas e não acerta sempre. Na hora em que a empresa tiver um erro, todo mundo já vai vê-la como humano, que pode errar, e não como uma entidade, um ser superior.
Você vê essas dificuldades nas empresas, quando elas vão atrás de um storyteller (especialista em storytelling)?
Eu vejo essa dificuldade de conseguir entender o preço da humanização. Toda marca quer ser mais humana, ter relacionamento, mas isso tem um preço. Você vai ter de se expor e o concorrente vai tentar tirar proveito disso. Mas quanto mais humano você for, mais as pessoas vão ficar do seu lado. As pessoas ficam do lado de quem está sofrendo, isso é natural, é assim que se estabelecem laços.
Quando as empresas começarem a entender isso, vão saber também que o storytelling pune e pode atrapalhar do mesmo jeito que ajuda muito. Se você tentar manipular uma historia e as pessoas descobrirem, sua descrença vai ser tão forte que será muito mais difícil reconstruir a relação. Então são muito importantes a autenticidade e a verdade de uma história. Não pode contar uma mentira, sabendo que é mentira, mas querendo postar como verdade.
As empresas precisam se posicionar para um público diferente, da era da informação.
Exatamente. A mesma informação que te atrapalha, que concorre com você. Seu anúncio, sua mensagem institucional, seu release, vão concorrer com o filme da Pixar que vai estrear. O tempo e a atenção da pessoa são mais limitados ainda. Além da concorrência, tem o fato de que a informação chega mais rápido. E se você tentar ser não autêntico e criar inverdade, as pessoas vão saber mais rápido e fazer contenção disso ficará mais difícil.
Além dessa questão, que outra tendência você vê?
Além de autenticidade e posicionamento, outra tendência muito forte é entender a qualidade de conteúdo. Cada vez mais vai ficar difícil concorrer com Disney, Hollywood, Pixar, Marvel e Globo. Aí podem falar, “então vou colocar meu anúncio dentro da Globo.” Hoje em dia dá muito resultado, mas no futuro vai ficar muito mais difícil, o ser humano vai arrumar cada vez mais formas de burlar isso (o anúncio). Hoje tem o Netflix, que não tem anúncio. O tempo em que vou assistir, vou deixar de ver comunicação de marca. Mas se você vai colocar como merchand, não pode ser algo horrível, que pára tudo e “vamos falar da água tal”. Tem formas de fazer isso.
Você não vai colocar duas pessoas bebendo água num bar porque é horrível, nem numa cena de palestra porque não faz diferença. Mas num deserto, em que o cara caiu do avião e sobreviveu e há cinco dias não bebe água, encontrar a garrafa vai ser mágico. Então tem de haver um contexto, saber colocar na forma certa, mesmo que tenha de criar uma história dentro de uma história.
Mas essa coisa de empurrar a informação, a marca, vai fazer cada vez menos sentido. O storytelling não vai funcionar como pizza. Ela é uma lasanha, tem várias camadas. Está tudo interligado: marketing, jurídico, branding, entretenimento, tudo. Você tem várias histórias: as dos usuários em relação à marca, colaboradores que constroem a marca, as histórias que a empresa cria. Tem uma série de coisas que é preciso filtrar. Não tem nada pior do que “vamos fazer um projeto de storytelling e contar cada um dos 100 anos da história da empresa”. Vão deixar de ver no ano três. Tem de entender que as histórias têm organicidade, dinâmica, que elas funcionam. Tem de entender a técnica, não é intuitivo. Tem gente que conta história sempre, mas não conta bem. Storytelling demora para ser feito, tudo isso são tendências pro futuro.
Outra vantagem é: a partir do momento que fizerem bem feito, outras empresas vão fazer também. Vão perceber que uma boa história dura muito tempo. É difícil, cara, trabalhosa de fazer, mas pode criar uma plataforma que vai durar cinco anos, com que todo mundo vai conversar e vai ser muito mais harmonioso do que cada vez fazer uma campanha diferente, trazer um assunto diferente. Você pode ir colocando tudo isso dentro de uma historia maior. Isso é a grande tendência de futuro, as empresas entenderem que vão ter de criar sua própria mitologia interna.
Trabalhar storytelling como um plano.
Isso. No mundo do storytelling e do entretenimento, a gente fala do universo ficcional. As empresas vão ter de criar seu próprio universo corporativo, assim como Star Wars tem Luky Skywalker, seus ambientes e personagens. A Lego é um exemplo disso, que pagava para usar universo dos outros, comprando histórias dos outros para seus brinquedos. Finalmente a Lego resolveu criar seu próprio universo e agora tem personagens que vai licenciar para outros produtos. Na hora em que os mascotes passarem a ser personagens verdadeiros, vão ter muito valor e a empresa vai poder vender a comunicação que era custo. E cada nova ação ajuda a construir mais a marca. Como os novos filmes da Marvel. Cada novo filme cria mais substância para empresa, aumenta o patrimônio dela, em vez de ser custo maior. Essa é mais uma tendência.



A Forbes lançou recentemente um estudo que olha para a indústria americana de video game e revelou dados que podem surpreender qualquer um que ainda se recuse a acreditar na consolidação deste hábito como entretenimento adulto.

Podemos perceber coisas como mais da metade dos americanos são players e mulheres estão muito pouco abaixo dos homens nessa lista. Outro dado bacana é que quase 40% dos jogadores tem idade acima dos 36 anos. Vejam o video completo abaixo (em inglês):




“Nós somos infinitos”

“Alguns infinitos são maiores que outros…”.

Se você ainda não leu ou viu A Culpa é das Estrelas, aviso que esse post contém spoilers. O filme lançado há três semanas está em 2º lugar no Brasil, e já teve mais de 3,5 milhões de espectadores. O livro lançado em 2012 vendeu mais de 1,2 milhões de exemplares em nosso país, mas com o filme ganhou fôlego e dobrou a média de vendas semanal.  Em janeiro de 2012, o livro ocupou o primeiro lugar no gênero da importante lista dos best sellers do The New York Times e seu autor incluído na lista da revista Time por estar entre as 100 pessoas mais influentes do mundo.

O autor desse movimento young adult (jovem adulto) é John Green, americano de 36 anos que escreve desde 2005. Seu primeiro livro, Quem é você Alasca ganhou em 2006 o Printz Award, quando ele então tinha 28 anos. Em 2007 criou com seu irmão Hank Green o canal de vídeo blogger VlogBrothers, que hoje tem mais de 2,1 milhões de assinantes no YouTube.

John é um adepto das redes sociais e usa o meio através da linguagem jovem. Ele faz sucesso tanto nas livrarias quanto na internet. Ele e seu irmão falam um com o outro no blog, como caras comuns, com leveza e humor. Isso continua atraindo muitos jovens que se identificam com essas “falas”.

Voltando ao filme, a história central é sobre Hazel Lancaster e Augustus Waters. A adolescente Hazel é diagnosticada com câncer se mantém viva graças a uma droga experimental. Após passar anos lutando contra a doença, seus pais imploram para ela participar de um grupo de apoio cristão. É nesse lugar que ela conhece Augustus, um rapaz que também sofre com câncer. Com visões muito diferentes sobre suas doenças eles “se estranham” logo no início. Hazel pensa apenas na dor que poderá causar aos outros e Augustus sonha em deixar a sua própria marca no mundo. Vivem os principais conflitos da adolescência, como a virgindade de Hazel e o primeiro amor, compartilham as dores da doença, brigam nas diferenças enquanto lutam para se manter otimistas e fortes.

A leitura é rápida, mas intensa. Pesa no coração lidar com a possível morte eminente dos personagens. No entanto, gera leveza e esperança para viver um dia de cada vez e a vontade de deixar um legado “aqui e agora”. A história transborda emoção.

A crítica estava muito apreensiva com a possibilidade de uma leitura clichê ou até manipuladora e apelativa para o problema do câncer. O livro recomendado por uma querida aluna, de 20 anos, arrancou muitas risadas, lágrimas e até raiva.  Não se sabe muito sobre o passado dos personagens principais e coadjuvantes. Também não se sabe do futuro: o que terá acontecido com Hazel?  É uma história sobre o presente e a vida presente desses personagens.  Com leveza mostra a realidade desses seres humanos sem explorar a doença. A patologia não é o centro da atenção, e sim as emoções profundas de Hazel e Gus. O projeto de Green é honesto e nada manipulador comparado à grande maioria das obras do gênero.

 A inspiração criativa de Green aconteceu num evento do Harry Potter onde ele conheceu Esther Earl, uma adolescente de 15 anos famosa por seus vídeos no YouTube, vítima do mesmo câncer que Hazel apresenta no livro: câncer na tireoide com metástase nos pulmões. Apesar de o autor negar que o livro seja sobre Esther, ele afirma que sem ter conhecido a garota, não teria escrito o livro. Após a morte de Esther escreveu sem parar impulsionado a apoiar a instituição criada em sua homenagem “This Star Won’t Go Out” e quem sabe como um tipo de catarse pelo sofrimento pouco depois do seu aniversário de 16 anos. A história real se mesclou a tentativas anteriores sem sucesso de escrever sobre a luta contra o câncer. O resultado, o best-seller A Culpa é das Estrelas.

 O tom da história é similar à comédia dramática independente norte-americana-indie (quase um novo gênero cinematográfico) de “As Vantagens de Ser Invisível” que também foi inspirado num livro. Trata-se de um drama adolescente que mostra a juventude de forma dura e ao mesmo tempo afetuosa. Ambos refletem  a questão essencial da marca deixada por cada ser humano ao redor daqueles que os amam. Charlie é um jovem solitário que já passou por traumas em sua vida. Convive com o suicídio recente de um amigo e as lembranças da morte da tia em um acidente. Ele tem dificuldades em encontrar novos amigos na nova escola e enfrenta todas as tribos do  colégio que já estão formadas e não deu espaço para sua entrada. Está saindo de um momento delicado em sua vida e precisa lutar contra a depressão.

Os dois filmes e livros exploram a metáfora do infinito para enfrentar o esquecimento, a passagem do tempo e o medo da morte.

Mas o que faz essas histórias, serem sucesso de audiência para uma geração tão conectada? Arrisco dizer que é a própria conectividade: do storytelling-pela transfusão de emoções- as redes sociais com seus diferentes formatos que conectam pessoas comuns. Estamos muito próximos às histórias de vida das pessoas. A rede aproxima a possibilidade de identificação com essas histórias. Histórias factíveis, perguntas profundas sobre morte e vida e quem conhece ou perdeu alguém sabe como o conflito de "aproveitar a vida em quanto é tempo" é difícil.  A simplicidade de linguagem e da construção dos personagens ajuda. Eles são reais, de carne e osso, sem espaço para imaginação e sem tempo a perder. Não são ricos nem pobres, nem bonitos e nem feios. Não são extremamente inteligentes. São comuns.  É o oposto dos sucessos do gênero ficção-fantasia dos filmes e livros como O Senhor dos Anéis. Há um time bomb para as vidas de Hazel e Gus, mas sem apelar para auto piedade e vitimização, o autor da história brinca com fragilidades humanas num formato comovente.

Identifico muitas das frases do livro na fala de alunos e jovens com que trabalho como, por exemplo:

“Você está tão ocupada sendo você mesma que não faz ideia de quão absolutamente sem igual você é.”

“Eu gosto de ser gostado.”

“É melhor ser amado profundamente do que amplamente." 

E a minha favorita: “Okay? Okay.”  Simples assim, uma frase quase imagética que você só percebe que tem enorme profundidade ao “ler esses jovens”.

Conectado, John Green conversa com uma parcela dessa juventude, estabelece contato, dialoga e abre espaço para a voz desse jovem. Denomina seus fãs de nerdfighters e pede ajuda, brinca com seus seguidores, provoca conversas, questiona assuntos. São mais de 30 memes sobre Green, centenas de tumblers criados pelos fãs do livro, blogs e mais blogs, mais de 2 milhões de seguidores no twitter fora os endereços não oficiais, 6 milhões de likes no Facebook e incríveis 151 milhões de resultados no Google para o nome do livro em inglês!

 Há trechos do filme e no livro que mostram afinidades comuns entre Hazel e Gus, ou qualquer outro par ao descobrir um amor: uma banda favorita, um time, um filme, um livro. Hazel deseja conhecer pessoalmente o autor de seu livro favorito e fictício           “Uma Aflição Imperial de Peter Van Houten, um escritor holandês”. Gus segura um cigarro entre os dentes, mas sem acender, talvez como uma metáfora de que ao fumar ninguém pensa que pode morrer. Mas se acender, levará isso para seus pulmões e poderá morrer, por outro motivo. Ao mesmo tempo é como um pequeno desvio usado para se expressar. Não existe o product placement de marca de cigarros (felizmente), foi criada uma marca exclusiva a Golden Hare. Outra marca fictícia criada é da banda The Hectic Glow que ambos gostam.

Jovens com seus dilemas sobre o que fazer da vida, consumindo ao mesmo tempo histórias incríveis de pessoas geniais que tomam por ídolos, mas vivenciando a vida comum de “ser humano”.

O fenômeno dessa história criará cópias mal feitas, mas também inaugura um novo gênero literário e cinematográfico. Denominei esse tipo de história de “Simples Cara Comum” referenciando o arquétipo. Tem drama, conflito, dilema e uma jornada, mas ao contrário de roteiros que seguem o Rebelde ou Herói, o mote é a simplicidade, a humanização através da dor que precisa ser sentida (muitas vezes rara no cinema), a proximidade de pensamento entre jovens, a necessidade de se ancorar na verdade, “aparentemente o mundo não é uma fábrica de desejos”.

Em um contexto onde o ato de ser feliz é cobrado vorazmente –razão de muitos jovens terem odiado o livro e filme- histórias como essa nos aproxima da limitação e finitude de sermos humanos. E essa é a conectividade emocional que só uma boa história pode dar. Somos finitos, mas podemos ter uma vida mais interessante.








Storytelling pode ser visto de diferentes maneiras e aplicado a muitas coisas. Primeiro porque o ato de contar histórias é uma das primeiras atividades humanas, que remonta à época das cavernas.

De certa forma, todas as formas de expressão em algum momento vão esbarrar em narrativas. Vale mesmo que para as artes plásticas, que podem parecer distante das palavras. Veja o caso de Leonardo da Vinci, que muitas vezes "escrevia" um quadro para só depois pintá-lo, como se tivesse feito um roteiro.

Mas não só a arte é fundamentada em histórias. A educação também. Desde os primórdios das cavernas, os primeiros homens contavam histórias para preservar o conhecimento para a próxima geração. Não é por acaso que a primeira receita de que temos notícia estava registrada dentro de uma história muito antiga.

Se arte e educação se pautam em histórias, então podemos dizer que basicamente toda forma de comunicação tenta - nem que seja em fragmentos - contar uma história.

Pensando na comunicação corporativa, mais especificamente na publicidade, podemos dizer que todo anúncio tem seus personagens - eles podem ser superficiais, muitas vezes não passam de figurantes no papel de protagonistas, mas ainda assim eles estão lá - da mesma forma que toda matéria jornalística em inglês é chamada de "story".

Artes, educação, comunicação e continua: o mundo jurídico trabalha em cima de versões de uma mesma história. Sem falar nas frentes mais polêmicas como política e religião. E pra finalizar, é claro, a própria indústria do entretenimento. Hollywood, Broadway e até a Globo vivem de vender suas histórias. Até mesmo um evento esportivo tem uma alta carga de storytelling na medida em que tem um narrador que explora vários ângulos do que está acontecendo.

Sendo assim, aprender como compor e contar bem uma boa história, pode ajudar praticamente qualquer profissional. Nos Estados Unidos, muitos administrados, engenheiros e cientistas estão investindo nesse aprendizado. O único problema é que Storytelling não é tão simples assim. Não se trata de uma "ferramenta única". Gosto do termo 'tecnologia', por se tratar de um conjunto de técnicas que podem ser combinadas de infinitas maneiras. Um grande escritor pode passar a vida dedicado a aprender como contar a história perfeita e mesmo assim jamais poderá dizer que dominou a arte do Storytelling. Nem Shakespeare, nem Camões, nem George Lucas ou George Martin. Sempre tem uma técnica a mais a ser descoberta, sempre há o que evoluir. Que a jornada seja boa!



Ano passado o Storytelling levou o GP de Cyber em Cannes como noticiamos aqui, desta na categoria Branded Games, Tech e Campanhas Integradas, “The Scarecrow” levou o Grand Prix.

Segundo o Advertising Age ao perguntar ao juri o porque do resultado a resposta foi simples: "Foi a narrativa", disse Renee Wilson, presidente do júri PR para Cannes Lions e diretor-chefe do cliente MSLGROUP do Publicis Groupe. Isso significa que desta vez o Storytelling Interativo, aquele presente nos games foi destaque em 2014.


The Scarecrow é um game que roda como app mobile e retrata a história de um espantalho que "ajuda animais enjaulados, protege e transporta vegetais frescos para a sua cidade."


Ele representa à sua estratégia de comunicação da Chipotle Mexican Grill com o tema “Cultivate a better world” e o vídeo de apresentação do projeto (em inglês) ressalta a profundidade do personagem, seu conflito e como se preocuparam em contar essa história em formato de game. 

Já escrevi aqui sobre, quando uma história deve ser maior que o gameplay (ou pelo menos equivalente), porque muitos advergames ou Branded Games que vemos por aí se preocupam tanto com um trabalho de design e mecânica e esquecem que o fator chave pra conexões emotivas entre pessoas sempre foram e sempre serão as histórias... quando falamos de marcas para pessoas isso deve se tornar mais presente ainda no projeto.  Espero que muitas outras campanhas sigam este caminho!