Essa publicação apareceu primeiro no Mundo do Marketing e foi adaptada aqui na redação dos Storytellers.
Depois ter de termos visto uma corrida eleitoral acalorada, com azul de um lado e vermelho de outro, ambos excludentes, com cada um tendo toda a razão e não deixando nenhuma para o outro lado, de certa forma, a mesma coisa aconteceu na matéria publicada pela revista Exame intitulada no impresso como “Marketing ou Mentira” e “Toda empresa quer ter uma boa história. Algumas são mentira” no site.
O tema central da matéria é a crítica à "pseudo-história", quando uma marca inventa uma história. Ela cita os casos como os sorvetes Diletto e os sucos Do Bem. Essas marcas inventaram um avô e um fazendeiro, respectivamente. Como sempre digo nos cursos: o Storytelling pune. A questão da ética é fundamental ao se contar uma história e a mentira, que tem pernas curtas, vai acabar aparecendo mais cedo ou mais tarde. Por isso, a regra é simples: se o que você estiver contando for verdade, diga que é baseado em fatos reais e se for mentira, diga logo que é uma ficção. As pessoas não se importam com ficção, a lista dos 100 filmes mais assistidos prova isso. As pessoas só não querem ser enganadas.
Não há dúvidas de que o Marketing às vezes exagera em suas histórias, só que da mesma forma como algumas marcas foram longe demais com a invenção de histórias, a matéria também foi longe demais na crítica ao embaralhar os conceitos de pseudo-história (quando uma marca inventa uma ficção e diz que é real) com DOC (denominação de origem controlada).
Ao criticar a água Fiji que de fato vem das Ilhas Fiji e faz um trabalho fantástico com as comunidades locais, a matéria automaticamente critica todo o mundo que se preocupa com a qualidade dos ingredientes: qualquer vinícola; os produtores orgânicos; boa parte das marcas de luxo; as tecelagens mais especiais; os chefs de cozinha... é como se qualquer produto fosse igual, de forma indiscriminada. Não é bem assim.
O grande problema da matéria da Exame acaba sendo a falta de um contraponto. Existem inúmeros bons exemplos de quando uma marca conta uma boa história e a matéria falhou ao não citar nenhum.
A Intel uniu-se à Toshiba para criar uma mentira deslavada: um homem que acorda todos os dias em um corpo diferente. Às vezes ele é jovem e bonito, noutras acorda com o aspecto de uma senhora cansada. Essa metáfora é genial por ajudar a entender um dos dilemas de um processador, que cada vez está em um computador diferente, mas vai ainda mais além quando dialoga com o espírito do momento. Uma geração de jovens no mundo inteiro sente dificuldades de identidade num mundo tão globalizado e disseram que essa história ajudou com que eles se sentissem mais compreendidos.
A mesma coisa vale para a marca Chipotle que inventou a história de um espantalho que se sentia mal ao ver o processo cruel com que os animais eram tratados pelas marcas de fast-food e resolveu se rebelar e fazer algo mais natural. A mesma marca também mentiu ao criar uma websérie em que vacas eram alimentadas com petróleo e podiam chegar a explodir. Duas mentiras que ajudaram a propor uma reflexão importante sobre o que consumimos.
Ao olharmos todas as marcas no microscópio do puritanismo, nenhuma das 5000 maiores empresas do mundo vai escapar ilesa. A matéria cita algumas marcas que inventaram alguma história, mas existem muitas outras como o Coca-Cola que reinventou o Papai Noel e que falou que as frutas do suco infantil Del Valle Kapo são provenientes de um vale mágico.
Além disso, também podemos falar das marcas que se passam por uma nacionalidade diferente daquela que prometem, como é o caso da estadunidense Häagen-Dazs que inventou uma palavra eslava ou da rede Outback que não tem nem origem e nem cardápio australiano. Mas existem outros problemas como esconder parte da história que de fato aconteceu. Diversas marcas que apoiaram o nazismo durante a Segunda Guerra não colocam nada disso na sua timeline corporativa, assim como empresas que nasceram de roubo de patente contam uma versão editada no seu vídeo institucional.
Esse formato lançador de pedras é bom para inflamar, mas ruim para instruir. Esse tipo de argumentação é que acaba dificultando uma compreensão mais aprofundada sobre temas. Gera-se muita opinião e pouco conhecimento. Assim ficamos reféns de ter que apostar todas as fichas em uma única cor e nos esquecemos de que existe toda a variação de tonalidades. 




Lovecraft foi um dos autores que revolucionou o gênero do Terror americano, porque ele adicionou com seu estilo elementos de ficção e fantasia a estas histórias que antes ficavam longe destes temas.  O mais surpreendente é que ele fez tudo isso sem escrever um livro, pois é nenhum!

Ele escrevia contos, dos quais o mais famoso é "O Chamado de Cthulhu", que inspirou gerações futuras e podemos ver referências em jogos como Silent Hill, Doom, diretores como Guilhermo Del Toro e escritores como Neil Gaiman



Pra celebrar esta data misteriosa do dia 31 de Outubro, nada melhor que acompanhar um documentário que vai levar você para uma viagem na história e na mente deste autor (que eu, particularmente sou bastante fã).



 Joana Rativa é gerente de Marketing da décima maior multinacional brasileira. Ela é do tipo que gosta do que faz e está atualizada de todas as novidades no mercado. Mas tem algo que a irrita profundamente.

Vira e mexe Joana ouve sobre esse tal de Storytelling. Desde quando trabalhava em uma das maiores agências de publicidade do país, a palavrinha inglesa de difícil pronúncia aparece em sites e briefings. Joana já tinha escrito dezenas de roteiros para filmes publicitários. Ela sabia contar uma história, o que podia haver de especial nisso? Só podia ser um conceito recauchutado. Mesmo assim uma pulga vivia atrás de sua orelha.

Sempre que ela pesquisava mais sobre o assunto, só encontrava informações desencontradas. Até que em novembro de 2013 ela ficou sabendo que Fernando Palacios estava de visita à cidade maravilhosa para desvendar o Storytelling. O problema é que o curso seria no sábado, dia do sagrado descanso. Com isso ficou aflita. Joana sabia que jamais iria se perdoar se investisse dinheiro suado e tempo de sábado caso o curso não ensinasse nada de novo. Por outro lado, a oportunidade era especial, já que pela primeira vez poderia ouvir a explicação direto do pioneiro do assunto no Brasil sem ter que sair de sua cidade. Resolveu se inscrever. A aflição se converteu em ansiedade.

Só que não contava que o fatídico dia traria uma chacoalhada nos seus conceitos. Ela que sempre escreveu e aprovou filmes publicitários nunca havia aprofundado suas histórias. Ela sequer sabia o sobrenome dos personagens de seus anúncios. O professor insistiu nesse ponto, na importância de criar histórias com raízes profundas. Mas será que precisava disso mesmo para fazer uma história de trinta segundos? Agora Joana tinha que decidir se aceitava que durante esse tempo todo ela teve a chance de contar boas histórias e nunca aproveitou, ou se defendia dizendo que no marketing e na publicidade a história é diferente. Eis que Joana resolveu mergulhar de vez no assunto e tentar fazer diferente o que vinha fazendo há anos em sua carreira.

Hoje Joana já contou várias histórias e até mesmo transformou o que seria uma apresentação de slides em um verdadeiro espetáculo teatral. Agora Joana quer mais e pediu para que Palacios retornasse à cidade com um programa mais completo. Ele aceitou. Na próxima edição o curso terá 65% mais tempo e vai contar com a prática de exercícios.

Joana Rativa é uma personagem ficcional e ainda assim a história é verdadeira. Inclusive o curso mais completo já está agendado para os dias 31 de outubro e 1º de novembro. Mais informações podem ser desvendadas pelo link http://www.eventick.com.br/storytelling-rj.html

Eleições passadas, amizades reatadas e ânimos acalmados a vida vai voltando ao normal. Mas que lição de storytelling podemos levar das eleições?

Se ficou um clichê no pleito de 2014 é que o país está dividido. De um lado, os azuis, os gerondinos, os tucanos, os coxinhas, os reacionários. De outro, os vermelhos, os jacobinos, os petistas, os petralhas. A direita se personificava em Aécio, a esquerda em Dilma.

Nos debates, nas redes sociais e na rua o clima entre os dois lados era tenso. Ataques, ofensas e violência geravam a dúvida comum nos clássicos do futebol: seriam eles inimigos ou rivais?



No storytelling, basicamente, existem duas formas de confrontar personagens: o antagonismo e o contagonismo.

O antagonismo é o mais conhecido deles. É o clássico vilão do protagonista, aquele que busca em sua jornada exatamente o oposto do herói – e por isso haverá de travar uma disputa homérica contra ele. O objetivo do antagonista bate de frente com o objetivo do protagonista.

Já o contagonista não é aquele que busca o oposto do protagonista – mas disputa com ele o mesmo objetivo, o mesmo elixir. O contagonista é o personagem que está em paralelo ao protagonista, na mesma estrada, buscando cruzar a linha de chegada antes de seu rival. O objetivo do contagonista é o mesmo objetivo do protagonista.

Quando o resultado das eleições saiu e a presidenta foi confirmada em Brasília por mais quatro anos, tanto o discurso de Aécio quanto o de Dilma prezavam por uma mesma prioridade: o país precisa se unir para continuar avançando.

Se é utópico e perigoso pensar na opinião unânime de um povo, porque todo debate deve ser saudável e não há um caminho certo contra outro errado, o Storytelling nos ensina que o conflito PSDB versus PT há de ficar na rivalidade (no contagonismo) porque o objetivo de lá ou de cá é um só: um país melhor.


Sua história? Conte com a gente! Esse é o nosso slogan.

Muita gente acha que Storytelling é só contar uma historinha, um causo e pronto, "acabou de fazerm umstorytelling". Mas  existe um outro mundo muito além desse, o mundo em que Storytelling é escrito assim, com letra maiúscula.

Storytelling desse outro mundo injeta função nas histórias, exatamente como pretendiam os nossos ancestrais ao redor das fogueiras.

No primeiro momento, os Storytellers trabalham histórias para marcas. Essas histórias podem ser reais e aí vamos fazer um trabalho de resgate das memórias. Essas histórias podem ser ficcionais e aí vamos criar uma mitologia para a marca.

Assim que a história está consolidada, passamos a trabalhar as narrativas. De nada adianta ter uma  história épica, se ela não for contada da melhor maneira. O ponto é que cada formato narrativo tem uma peculiaridade. Então o que funciona num romance literário nem sempre se traduz em um curtametragem. Por isso que na etapa das narrativas é comum pensarmos o conceito de Transmídia, permitindo criar uma experiência imersiva e inesquecível para os consumidores.

De forma resumida, criamos e contamos histórias. Mas ainda existe uma outra possibilidade, que é de ajudar outras pessoas a contarem suas próprias histórias.

Em poucas palavras, posso afirmar que resgatamos e criamos histórias de marca, para contá-las da forma mais fabulosa e no formato mais adequado, e também ajudamos executivos a fazer o mesmo.

Caso você tenha contado alguma história e não deu muito certo, a culpa não é do Storytelling, mas do storytelling. Tente de novo e dessa vez lembre do slogan dos Storytellers.



Antes de qualquer coisa, longe de mim iniciar uma terceira guerra mundial me posicionando entre DC ou Marvel.  :P

Há um tempo a gente já sabe que a Marvel se tornou referência em filmes de heróis em Holywood, exatamente porque ela consegue expandir o poder comercial de suas obras enganchando todas no seu universo - que abrange também as HQs, séries animadas, games e etc. 

Agora a DC está tendo alguns problemas com isso.  A começar por seus reboots frequentes que tentam dar mais coesão ao seu multiverso. Aliás nesse caso o termo multiverso é extremamente aplicável. Explico, ao contrário da sua concorrente, a DC foi criada comprando direitos de personagens que ocasionalmente viviam em mundos distintos. Unifica-los e manter o sentido de cada herói no cinema é algo que a empresa ainda não conseguiu definitivamente.

Nas HQs alguns reboots aconteceram para reconstruir as sagas, apagar alguns mundos com versões que se tornaram desinteressantes para a empresa ou o público.  O mais famoso reboot foi feito na série "Crise nas infinitas terras" e o mais recente ganhou a alcunha de "Novos 52".  



Na TV tudo parecia caminhar para a construção mais sólida de um universo que pudesse hospedar tudo. Primeiro com o Seriado Arrow (indo para a terceira temporada)  de onde surgiu o spin-off do herói Flash e várias outras possibilidades como o "Esquadrão Suicida" as "Aves de Rapina" e etc.

Porém, alguns indícios podem sugerir uma nova reorganização do plano da DC.  Esperava-se que os heróis da TV fossem para os cinemas na hora da formação da liga da justiça (e eu particularmente espero que a liga seja formada na TV em um episódio especial que unificaria todas as séries), mas de antemão o ator que faz Barry Allen (o Flash) não será o mesmo no cinema.  




Ao mesmo tempo a nova série "Gotham" narra fatos que antecedem o próprio arco de Arrow, possibilitando a reconstrução de algumas narrativas de personagens que Batman e Arqueiro Verde tem em comum. Isso seria apenas uma hipótese distante, não fosse a última notícia sobre os arcos originais.

"Rich Johnson disse que a DC mandou um memorando pros seus artistas, pedindo que eles todos CONCLUAM SEUS ARCOS de histórias até o início do ano que vem, para que não fique nada pendente para o início da nova saga da editora (que especulam que se chamará Blood Moon).
Johnson chama a atenção pro fato de que da última vez que isso foi requisitado pras equipes criativas da DC foi lançada a saga Ponto de Ignição que culminou posteriormente com os Novos 52. " - do site MDM


Se essa alteração no cânon dos heróis da DC se consolidar, isso significaria que eles precisariam recomeçar todo o planejamento de filmes, produtos licenciados, programas de TV e etc etc.  Começar do zero seria correr para o lado oposto da Marvel que já tem uma década de universo cinematográfico bem sucedido.  Ou, o mais provável... que eles já estejam compreendendo esse reboot da HQ com as possibilidades construídas a partir da TV.  Talvez estejamos presenciando um movimento único aonde produções em outras mídias estejam influenciando e sendo compreendidas no "sagrado Cânon criado nas HQs" - relevando o fato da empresa já ter divulgado o calendário de filmes até 2020,  esta ideia se torna mais forte.  





Quando transmídia storytelling começou a surgir nas conversas entre produtores de entretenimento ou no mercado de comunicação, era comum pensar em uma história que começa em um filme e pode ter até um "gamezinho" para dar "suporte" a narrativa. 

Na frase acima estão dois erros básicos de quem costuma subestimar uma narrativa interativa: chamar de gamezinho uma indústria que superou Holywood e considerar este meio (ou qualquer outro) como suporte de um planejamento transmídia.  Essa representação de Robert Pratten mostra como as narrativas devem funcionar.


Mas como diz sabiamente Fernando Palácios a transmídia deve surgir da necessidade de expansão criada pela própria narrativa, ou seja a narrativa deve crescer ao ponto de transbordar para outros meios.

É o que tem acontecido por exemplo com os games MMORPGs. World of Warcraft tem tanto conteúdo e tanta coisa para se explorar que não cabe mais dentro da tela do PC e acabou virando romances literários, HQs e webséries. 



A experiência de quem joga (como eu) é intensa quando entra em contato com um conteúdo narrativo mais denso, tendo em vista de que um jogo pode se pautar mais no gameplay com conquistas e desafios do que nas interações com a história. 

Acompanhem a nova websérie "Lords of War" aqui no youtube - https://www.youtube.com/playlist?list=PLY0KbDiiFYeP8hkPrVS3y0Ua45EJlWRBw

A princesa virou uma rebelde. A bruxa uma gostosa. Os animais falantes e objetos animados se tornaram aplicativos. Essas são algumas mudanças na realidade dos Contos de Fada modernos. A liberdade sexual e os avanços tecnológicos mudaram completamente os arquétipos que tínhamos na infância.

Muitos de nossos comportamentos e percepções atuais foram moldados quando éramos crianças por histórias. Se a Bela não tivesse ficado com a Fera, agiríamos diferente. Se o sapatinho de cristal não entrasse no pé da Cinderela, pensaríamos diferente. Porém, atualmente, os signos da nossa infância estão mudando cada vez mais. Não digo isso pensando nas crianças da atualidade ou em nossos pensamentos infantis como adultos. Digo que o príncipe e a princesa mudaram na nossa própria visão. E digo que os vilões e todo o resto dos personagens também mudaram.

A liberdade sexual nos trouxe uma nova realidade. Afinal, um príncipe seria um tanto quanto tedioso se fosse ruim de cama, não?! E o mesmo pode se dizer da princesa. Aquela visão do casal perfeito e apaixonado está sendo moldada em um casal repleto de falhas, mas que se encaixa, como peças de quebra cabeça. O príncipe pode ser um cafajeste tentando se comportar. A princesa pode ser uma prostituta tentando mudar de vida.


Por outro lado, o vilão não é mais necessariamente um malvadão. Ele pode ser um coxinha. Simples assim. Ou uma bruxa má que nada mais é do que uma ex-namorada. O vilão pura e simplesmente mal deixou de existir. O que existe hoje é alguém no meio do caminho de algum objetivo. Especialmente porque o certo e errado estão cada vez mais difíceis de serem definidos (vide eleições, dois candidatos de merda, mas ambos defendidos ferrenhamente por seus eleitores).

A liberdade sexual em si já seria uma grande coisa sozinha. Porém veio acompanhada de tecnologia.
Sério, Tinder e Snapchat... putaria no alcance do seu bolso, literalmente. Você está na academia e seu celular vibra com um fantasminha. Ao clicar na tela é a foto de uma garota de biquíni mostrando os resultados da academia. Ou surge um foguinho na tela e você recebeu a mensagem de uma gata que quer te conhecer. Nos livros e filmes da nossa infância, animais e objetos falantes viriam nos dar notícias sobre alguma princesa, ou algum plano malvado de alguma bruxa. Hoje em dia os aplicativos fazem esse trabalho. A magia se tornou real. Menos pura e inocente... porém extremamente real.

Fico imaginando as histórias que os irmãos Grimm, Hans Andersen e Perrault escreveriam atualmente. Aliás, nem preciso ir tão longe. Posso pensa também em Walt Disney e Will Eisner. Mas infelizmente eles não podem mais fazer isso... entretanto, nós podemos.
Cabe agora aos Storytellers da realidade levarem em conta esses dois grandes elementos que citei aqui para criarem suas histórias. Contos de Fadas  existem e estão por todos os lados. Basta observar e escrevê-los!




Muito tem se falado e esperado do game Middle Earth: Shadow of Mordor. O novo jogo que vai levar os fãs da literatura de Tolkien de volta a Terra Média. Estive no Brasil Game Show e pude presenciar o alvoroço que o título esta causando na garotada -  eu mesmo só fiquei feliz quando consegui um pôster :).

A história do jogo acontece no espeço entre o "O Hobbit" e "O Senhor dos Anéis" e narra a saga de Talion, um Ranger do Portão Negro que recebe o auxílio de Celebrimbor (o mesmo que forjou os anéis do poder) para se vingar de Sauron. Vejam o trailer oficial:







Um dos destaques desse game é o sistema Nemesis, que evolui os nossos inimigos e que promove disputas de poder entre si. Isso vai revolucionar a experiência de uma narrativa interativa, porque mostra o impacto que as falhas devem ter na vida do protagonista.

Sabe aquela batalha em que você fracassou, morrendo e tendo que voltar ao ponto de partida? Pois então... se você fracassou, isso significa que alguém te venceu, Um Orc, que provavelmente ganhou uma reputação maior pela vitória.  


É isso que o jogo compreende. Os NPCs (Personagens não-jogadores em tradução livre), vão ter sua própria vida independente da sua. Vão disputar cargos, poder e podem subir de níveis se forem ganhando batalhas importantes - mesmo que você refaça a aventura.-  Isso nos lembra que "O vilão tem sua própria jornada em que o herói é o malfeitor".




Te colocar diante dessa situação fará que o envolvimento emocional se intensifique, que seja possível você desenvolver uma narrativa única (emergente) criando inimigos íntimos diferente dos outros players e gerenciando a tensão entre eles: "Então você se tornou general?! Será mais interessante vê-lo cair de um degrau mais alto... hahahaha" - É o que eu diria para um inimigo importante :p

Segundo os desenvolvedores a ideia do sistema não é penalizar mais as derrotas, mas em incentivar os jogadores a supera-las. Pessoalmente ainda não experimentei se isso funciona no game, mas logo que o fizer trarei as devidas conclusões para vocês.


Já não era sem tempo de corrigir uma falha. Há anos defendi na USP o primeiro estudo acadêmico relacionando Storytelling e Comunicação Corporativa e até hoje não havia disponibilizado por aqui.

Contudo, o Brasil não oferece uma formação para quem quer viver de histórias. Acabei estudando na USP Comunicação Social, a ênfase foi em Relações Públicas e a prática em Publicidade e Propaganda. Logo no primeiro ano comecei a estagiar e rapidamente já estava no mundo das agências. Foi aí que percebi que seria possível juntar o antigo sonho de escrever histórias com a carreira corporativa. Mergulhei no assunto em 2007 e escrevi o primeiro estudo acadêmico relacionando Storytelling com comunicação corporativa. 



Toda carreira começa na infância e a minha não foi diferente. Meu avô, Alfredo Palacios, foi um grande cineasta e pioneiro da TV brasileira. Ele foi o responsável pelo primeiro seriado nacional, o Vigilante Rodoviário. Do outro lado da família, meu bisavô foi um kossaco russo que escapou de um campo de concentração. Com isso, cresci cercado por histórias e desde cedo quis ser escritor.