Muita gente que leu a apresentação do post abaixo disse ter ficado curiosa e que gostaria de saber mais a respeito. Pois muito bem, atendendo aos pedidos, aí vai:
Para quem já leu, a novidade começa a partir do vigésimo slide.
E se as histórias tiverem o poder de fazer fortunas?
Por Fernando Palacios
Todo o mundo anda falando sobre contar histórias... mas que tal vender com histórias?
Novo projeto autoral...
Por Fernando Palacios
@PostPause: gente atrai gente
Esse texto comecei a escrever esperando para comprar o ticket para o Chateau de Versailles. A fila durou duas horas. Mais uma comprovação do que informou minha hostess de Paris: é a cidade mais visitada do mundo.
Não é sorte, tampouco circunstância. Em Paris tudo é desenhado para causar um senso de importância. Cada detalhe é apresentado pelo ângulo que causa maior interesse. Ah, como eles se vendem… e como aproveitam pra vender tudo: subir na torre, entrar na igreja, ver a estátua, ver a vista de cima do prédio…
Comecei e terminei a viagem por Portugal e lá é o avesso. Foram eles os primeiros a partir para as Grandes Navegações. Foi em Portugal que começou a reconquista sobre os mouros. A Capela dos Ossos é uma das atrações mais inusitadas da Europa. Apesar de tantos motivos para orgulho, Portugal é o único às moscas. O País vive uma crise financeira e outra de desertificação demográfica. Ruas vazias. Poucos jovens. Os jovens portugueses que conheci moravam em outros países sem a menor intenção de voltar.
Meu tio e host em Portugal apontou a única explicação para o fato de as pessoas deixarem Portugal ao invés de irem para lá: eles são pouco celebrativos. É como se nada do que aconteceu por lá merecesse destaque. Eles não brandam suas conquistas. Não divulgam suas belezas. Não contam suas histórias. Agora que estou de volta noto que São Paulo herdou um pouco desse espírito.
*Descoberta do post: o conteúdo que ninguém sabe que existe é desperdício como comida raspada do prato.
CURSO: TRANSMÍDIA STORYTELLING
Por Fernando Palacios
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Há quem defenda que o ato de contar histórias foi responsável pela formação da civilização. Talvez. Mas é certo que é base de religiões e culturas. Um exemplo notável são as Mil e Uma Noites, em que Xerazade se valeu de contos para escapar da sentença de morte e, de quebra, ser coroada rainha. Nada mal, não é?
Ainda melhor é pensar que a história de Aladdin, entre as mais famosas das Mil e Uma Noites, não passa da narrativa de um mercador para vender uma lâmpada. Eis o poder das histórias: não apenas o mercador teria comercializado o item, como a Disney vendeu milhões de réplicas em todo o mundo.
É verdade que já se tentou de tudo, alguns casos com êxito: A Tiffany brilhou mundialmente com o filme Bonequinha de Luxo; no Brasil o Vigilante Rodoviário salvou a Simca da bancarrota; recentemente, a Ikea foi praticamente um personagem no (500) Dias Com Ela...
Mas por que esses casos são tão pontuais? Por que não transpor apresentações de PPT em peças de teatro? Por que não contamos nossos murais corporativos com histórias em quadrinhos? Por que não criar uma grande novela para contextualizar nos mínimos detalhes os features de toda uma família de produtos? Enfim, por que não aquecer o frio discursivo ao narrar o encadeamento de idéias da forma como os ancestrais expunham seus pensamentos para a tribo?
O fato é que storytelling é quem melhor trabalha com um dos recursos mais raros e preciosos da atualidade: a atenção. E quando uma pessoa dá sua atenção e gosta do que recebe de volta, ela fica disposta a dar muitas outras coisas: de dinheiro à fidelidade de marca. Ou você acha que o Facebook dobrou o número de usuários logo após a exibição do filme A Rede Social por acaso?
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Se você está interessado no assunto de Transmídia Storytelling aproveite para se inscrever no curso:
Há quem defenda que o ato de contar histórias foi responsável pela formação da civilização. Talvez. Mas é certo que é base de religiões e culturas. Um exemplo notável são as Mil e Uma Noites, em que Xerazade se valeu de contos para escapar da sentença de morte e, de quebra, ser coroada rainha. Nada mal, não é?
Ainda melhor é pensar que a história de Aladdin, entre as mais famosas das Mil e Uma Noites, não passa da narrativa de um mercador para vender uma lâmpada. Eis o poder das histórias: não apenas o mercador teria comercializado o item, como a Disney vendeu milhões de réplicas em todo o mundo.
É verdade que já se tentou de tudo, alguns casos com êxito: A Tiffany brilhou mundialmente com o filme Bonequinha de Luxo; no Brasil o Vigilante Rodoviário salvou a Simca da bancarrota; recentemente, a Ikea foi praticamente um personagem no (500) Dias Com Ela...
Mas por que esses casos são tão pontuais? Por que não transpor apresentações de PPT em peças de teatro? Por que não contamos nossos murais corporativos com histórias em quadrinhos? Por que não criar uma grande novela para contextualizar nos mínimos detalhes os features de toda uma família de produtos? Enfim, por que não aquecer o frio discursivo ao narrar o encadeamento de idéias da forma como os ancestrais expunham seus pensamentos para a tribo?
O fato é que storytelling é quem melhor trabalha com um dos recursos mais raros e preciosos da atualidade: a atenção. E quando uma pessoa dá sua atenção e gosta do que recebe de volta, ela fica disposta a dar muitas outras coisas: de dinheiro à fidelidade de marca. Ou você acha que o Facebook dobrou o número de usuários logo após a exibição do filme A Rede Social por acaso?
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INOVAÇÃO EM STORYTELLING – DO BRANDED CONTENT À TRANSMÍDIA
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TOQUE DE MÁGICA
Por Fernando Palacios
Loving in an elevator… Livin’ it up when I’m going down
O Jet Lag praticamente não afetou sua animação. Pisar aquela terra encantada era ainda melhor do que sonhar deitado numa cama confortável. Era real. Acordou naquele dia especial, de férias, para realizar um sonho antigo, dos idos de sua infância sofrida. O sonho de conhecer a Disney.
Loving in an elevator… Lovin’ it up ‘til I hit the ground
Aprendeu com os filhos que esperar pelo presente podia ser melhor do que brincar com ele. O segredo seria permanecer ocupado. Aproveitar cada segundo. Sabia de antemão como desfrutar cada hora daquele dia tão aguardado.
I kinda hope we get stuck
Neste exato momento, ele está numa missão. Mal aterrissa um pé e o outro decola. Estica a perna a cada passo.
Nobody gets out alive
Alcança a atração do Aerosmith. Ao invés de entrar na fila, desvia dela e estaciona em frente a uma banquinha vermelha. Falta mais de uma hora para o almoço e as crianças já estão com fome... de pipoca. Enquanto a mãe ficou no brinquedo, o pai foi providenciar o desejo dos pequenos. Avistou uma jovem no balcão com cara de uns vinte anos. Cabelos negros estilo channel. Sua pele tinha cor de doce de leite. Esbelta, de rosto quadrado. Olhos grandes e penetrantes. Apesar de exótica, ou talvez até por isso, formava uma bela composição.
She said I’ll show you how to fax in the mailroom honey
Uma gota brotou no canto da testa, mas não foi do calor. Habituado a blazer e gravata, vestir camiseta e bermuda era como ter um ar-condicionado a céu aberto. Ela abriu um sorriso inocente, convidativo. Um pouco destrambelhado, ele chegou ao balcão. “May I help you?” disse ela. Ele hesitou um pouco, mas depois desembestou a falar “ah meu santo pai. E agora, como é que eu vou fazer isso? Olha aqui, moça, eu preciso de quatro pipocas... QUA-TRO… E mais refrigerante. Só que eu não sei como pedir isso, nem sei quanto que vai custar essa brincadeira. Como é que a gente vai fazer? Eu não falo nadica de nada de inglês...” Com um sorriso maroto, ela retrucou “rá! Eu sou brasileira.”
And have you home by five
Tomado por uma emoção redentora, ele não se conteve e abraçou a moça. Ela deu dois risinhos e continuou “então são as quatro pipocas... os refrigerantes são grandes ou pequenos?” – “tudo grande; é melhor sobrar do que faltar.”
In the air, in the air…
Se na noite anterior ele tivesse o mínimo vestígio do que estava pra acontecer, jamais teria perdido tanto tempo planejando. Simplesmente teria aproveitado mais com sua mulher. É uma rara ocasião essa de as crianças ficarem em quartos distantes.
Honey one more time now it ain’t fair.
Ela disse “vai ficar por...”, mas ele interrompeu com a palma da mão estrelada, “péra um pouco, minha filha, acho que ouvi meu celular...”. Levantou a camiseta, abriu a pochete e sacou o aparelho: “á-aaaaalô.... tudo, tudo... e por aí? ...ãhã... ...péra, péra, VOLTAR? Como assim, voltar?... e não dá pra falar por telefone? ...mas estou de férias... sim, estou viajando, é meu primeiro dia aqui; tô com a minha família ...... ãhã.... sim, eu entendi, mas.... ãhã.... o CEZAR?! CEZAR GOLDMAN??? ...não, tá, então tá, né? ....é, fazer o quê, né? Que horas é o vôo? ...mas já?? ...conexão ainda por cima? ...é, também sinto muito. Tá, daqui a pouco estou aí.”
Goin’ doooooown!
“Dá pra acreditar?” foi tudo o que PC conseguiu comentar. Num estado catatônico, ele pagou, acomodou as guloseimas entre os braços e agradeceu. A jovem achou melhor abortar o protocolo e poupá-lo do script “Have a Magical Day.” Dois passos adiante, ele pensou alto “e agora, como é que eu vou contar isso pra Regina?”. A jovem, esperta, logo comentou como quem não quer nada “seja positivo... lembre-se: você está num reino encantado!”. Ele arqueou as sobrancelhas, “hmm”, acenou e disse “é, talvez você esteja certa. Obrigado por tudo. Eu sou o PC e hoje você foi minha fada.”

