Encontrei isso no meu e-mail essa semana quando um amigo me enviou com o título “já assistiu MadMen?” Apesar da minha resposta ser um envergonhado “não”, abri a mensagem para ver do que se tratava e, para minha surpresa, não era nada mais, nada menos do que essa tabela periódica da série. 

Genial não? Devo admitir que eu estava adiando, mas depois dessa não dá mais, tenho que ceder a loucura. Já encomendei o meu! 



A primeira vez que entrei na sala de aula eu estava perdido, não sabia muito bem o que ia acontecer, na verdade eu não sabia muito bem nem o motivo pelo qual eu estava ali, naquele momento, para mim, era simples, eu queria aprender algo novo e o termo “storytelling’ me chamou a atenção. Comprei o caderno no caminho para o curso, em uma papelaria que achei enquanto estava perdido procurando pelo endereço da ESPM. O auditório era grande e estava razoavelmente cheio, os professores andavam de um lado para o outro resolvendo problemas comuns de sala de aula e recebendo os alunos.

Não demorou para que um a um, os três professores começassem  a falar, ou melhor, contar histórias. Foi assim, meio que sem perceber, que eu conheci o poder do storytelling, em uma sala de aula do Centro de Inovação e Criatividade da ESPM. Devo admitir que também não demorou muito para que eu me apaixonasse pelo assunto e procurasse nos professores maneiras novas de me reinventar e eu acho que nenhum de nós imaginou que aquilo tudo seria, na verdade o começo dessa minha reinvenção.

Cada vírgula virou um desafio,  um pensamento novo, uma maneira nova de construir as coisas na minha cabeça. Começamos simples, pensando em como usar aquela tecnologia para fazer as pessoas se relacionarem melhor com a nossa marca, ideia ou produto e depois passamos para como criar uma história, vimos arquétipos, nome e sobrenome, discutimos a importância de sabermos tudo sobre um personagem, ai nós chegamos a estratégias transmidia, viajamos ida e volta entre o story e o telling de tudo aquilo.

Sai do curso, como muitos outros alunos, cheio de ideias na cabeça e de histórias para contar, pedi ajuda e aos poucos fui trabalhando nessas ideias, percebendo que não podemos nos prender a uma ideia, que o storyteller deve saber quando jogar um papel fora e recomeçar a escrever em um novo. Aprendi que era muito mais difícil criar um personagem do que pensar em um nome e uma data de nascimento, apesar de que isso já é um começo. Estudei, escrevi e aprendi, mas ainda assim não era o suficiente, eu queria mais e por isso me inscrevi de novo, no curso extensivo, mais longo e com espaço para mais prática de toda a teoria.

O extensivo acabou semana passada e eu continuei cheio de ideias, no fim do curso todo mundo contou uma história, cada grupo tinha uma missão e cada missão era mais difícil que a outra, mas entre aliens sarados, acidentes dramáticos de transito, histórias sobre lugares maravilhosos e um circo 100% sustentável nós conseguimos contar histórias que fizeram pessoas se emocionarem, rirem e se divertirem, deixamos uns aos outros com um gostinho de quero mais. Quero mais histórias, quero mais conhecimento, quero mais daquilo tudo, no fim essa história, como toda boa história, deixou todo mundo pendurado em um penhasco, lutando para subir e descobrir como seria o fim dessa jornada e eu acho que ninguém sabe ainda a resposta dessa pergunta, mas uma coisa eu garanto, o primeiro a chegar ao topo vai conseguir contar uma bela de uma história.

Pois é, a verdade é que se tornar um storyteller é um processo, e que todos nós, lá do curso, demos os primeiros, alguns de nós vão usar esses aprendizados para criar campanhas publicitárias, outros para melhorar as apresentações de power point, alguns vão usar pra vender mais e outros pra melhorar o qualidade da venda, não importa onde ou como, saber contar bem uma boa história é uma habilidade útil para muita gente. 

O curso acabou e deixou saudade, mas os nossos mestres storytellers não cansam de ensinar e antes do Fernando Palacios se perder pelo mundo em busca da NovaMaravilha, da Martha Terenzzo decidir mudar o mundo de novo e do Bruno Scartozzoni inventar mais um viagem paro deserto, antes disso tudo eles nos dão mais uma oportunidade de aproveitar o curso e aprender um pouco mais sobre contar histórias em um curso intensivo de storytelling que começa agora, dia 07 de maio de 2012 lá na ESPM, e por experiência própria eu digo que vale a pena coferir. 


Carminha andava de um lado pro outro no corredor, todo pintado de branco, ansiosa como quem espera o resultado de um importante exame médico. Mas a verdade é que naquele prédio não havia médico algum, dentro da sala estavam os dois avaliadores de arte que a moça mandou vir da Europa para analisar o quadro que encontrara na garagem de sua avó. Dizia uma lenda familiar que aquele quadro tinha se perdido e que era uma grande obra de Van Gogh que a família Couto trouxera ao Brasil há várias gerações.

O Bizavô de Carminha era um grande negociador de arte e teria conseguido esse quadro com um excêntrico milionário que possuía em seu porão uma vasta coleção de arte. De acordo com os relatos de sua avó o milionário teria dado o quadro para o amigo como retribuição por um favor, mas ninguém nunca soube que favor era esse.

Quando sua avó faleceu Carminha já conhecia a história, mas acreditava na versão de que o quadro teria sido vendido, ou se perdido entre as gerações há anos e jamais esperava encontrá-lo na garagem, enrolado em velho cobertor.

Se aquele quadro fosse o original a vida de Carminha ia mudar e ela sabia disso.
– “Calma Carmem, ninguém vai morrer por causa desse quadro!” – Dizia Caio o marido da moça nervosa
– “Não entendo! Qual é a diferença se o quadro é verdadeiro ou não? Você disse que nem vender vai!” – completava o rapaz tentando acalmá-la.

Carmen pensava sem responder ao marido – “Não vou vender! Claro que não! É o quadro da minha família! Mas se for verdadeiro, ah... se for verdadeiro”

- as últimas palavras de seu pensamento escaparam pela boca em um tom de ânimo, deixando o marido ainda mais confuso e sem entender qual era a importância do quadro ser ou não verdadeiro se ela nem iria aproveitar de seu valor.

Afinal, qual é a diferença na beleza do quadro se foi ou não Van Gogh quem o pintou? 





http://www.ted.com/talks/lang/en/paul_bloom_the_origins_of_pleasure.html




Pois é, pois é. O Storytelling está se espalhando por todo o Brasil. Todos querem contar melhores histórias. Eu estarei lá para falar de alguns conceitos básicos de como contar bem uma boa história.

Parabéns à AmCham de Recife pela iniciativa fundamental. A programação é concisa e direto ao ponto:

» 8º Panorama de Marketing em Recife
08h00 - Credenciamento
08h30 - Curador de Honra do Evento: Hamilton Mattos
08h45 - Conceitos Básicos de Como Contar e Produzir uma Boa História
Fernando Palacios,ESPM |

Estudou Comunicação na USP e trabalhou no planejamento de grandes agências em projetos como Nokia Trends, Super Casas Bahia e Skol Beats.
Em 2007 defende o primeiro estudo acadêmico sobre storytelling no Brasil e logo em seguida fundou o primeiro escritório brasileiro de storytelling.
Em 2008 planejou o case para Mini-Schin, um game online com mais de 2 milhões de acessos e tempo médio de 27 minutos de navegação.
Em 2009 concebeu o primeiro e ainda hoje um dos poucos cases no mundo de transmídia para endomarketing.
Em 2010 realizou um experimento narrativo marcante na cidade de São Paulo, a Virada Cinegrastronômica.
Em 2011 lecionou na ESPM o primeiro curso universitário de Transmídia Storytelling.
Em 2012 decide finalmente se lançar como autor e larga tudo para se dedicar ao projeto autoral intitulado A Próxima Maravilha.
09h35 - Quais meios de comunicação utilizar para distribuí-las?
Mauro Vasquez,Agência Babel |

Planejamento de publicidade e comunicação on e offline. Mais de 20 anos de experiência no mercado publicitário, criação de conteúdo, planejamento e soluções integradas de comunicação. Formação em publicidade e propaganda (ESPM) e jornalismo (ECA-USP). Cambridge University-ESOL Proficiency in English, Francês e espanhol. Especilaização em web design pela United Digital Artists-NY. A experiência acumulada como cliente (gerente de marketing da Alphaville Urbanismo), professor (Universidade Anhembi Morumbi), jornalista e profissional de content marketing (MIM Editorial), Internet (Siren Internet Intelligence) e Publicidade (JourneyCom), construiram uma visão 360º do planejamento de publicidade e o desejo de trabalhar cada vez mais de perto com a investigação constante de tendências e comportamento do consumidor.
Especializações :Advertising Planning, Strategic On-Offline Communications Planning, Trendspotting, Trends and consumer behaviour, project management, presentation, clients pitch (Portuguese and English)
10h25 - Coffee Break
10h45 - Como adaptá-las aos diversos dispositivos de acesso?
Carlos Eduardo Batista, TeleMídia/PUC-Rio |

Mestre em Informática pela Universidade Federal da Paraíba, (ênfase em Sistemas Distribuídos). É colaborador do Laboratório de Aplicações de Vídeo Digital (LAViD) desde 2003, trabalhando com projetos na área de Multimídia e TV Digital; é co-autor das especificações do middleware Ginga. Atualmente conclui seu doutorado na PUC-Rio, atuando como pesquisador associado ao laboratório Telemídia, que é o grupo de pesquisa responsável pela especificação Ginga-NCL, subsistema declarativo padrão do Sistema Brasileiro de TV Digital e recomendação internacional UIT-T para interatividade em serviços IPTV
11h35 - As melhores estratégias utilizadas para divulgá-las
Raquel Scrivano, Coca-Cola Brasil |
Formada em Comunicação Social / Publicidade e Propaganda pela UFRJ e com Mestrado em Administração com ênfase em Marketing / Comportamento do Consumidor pela COPPEAD / UFRJ, é atualmente responsável pela área de inteligência em conexões com o consumidor da Coca-Cola Brasil, com foco em análise de resultados, capacitação do time e das agências, ferramentas de amparo a decisões de mídia e monitoramento de redes sociais. Atua em projetos digitais desde 2000 com experiências em diferentes start ups e passagens por sites de comércio eletrônico como Bondfaro e Buscapé.
12h30 - Encerramento


Para mais informações é só acessar o site:

http://ww2.amcham.com.br/eventos/tpl_evento?event_offer_id=1714113&organization_id=118



Já sabemos que o Storytellling é usado desde os primórdios para chamar atenção e engajar pessoas, sabemos também que uma boa história, bem contada,  tem muitas aplicações que vão além da publicidade. Nós mesmos da Storytellers já usamos a tecnologia para conscientizar equipes de uma grande empresa sobre o novo posicionamento das marcas e dos produtos do cliente. Mas hoje vamos falar de um de seus usos mais comuns e talvez um dos primeiros, hoje nós vamos falar do storytelling na educação.

Comecei a dar aula bem cedo e minha jornada como professor de inglês acabou quando eu parei de dar aulas na Wise Up, uma escola de Inglês que tem como principal proposta o ensino rápido do idioma, 18 meses para te ensinar inglês é uma proposta ousada, mas eles descobriram uma maneira de fazer isso: usando storytelling para fazer o que pode ser chato ficar interessante. Todo o curso da escola é baseado na história da família Elliot, composta por 3 irmãos, George, Peter e Eleanor Elliot, que vão passar o verão, todos juntos pela primeira vez em anos, na casa onde cresceram com seus pais. Além da família contamos com mais 3 personagens, um chefe de cozinha contratado por Eleanor Elliot para ajuda-la a escrever um livro sobre culinária, uma moça chamada Abigail que sofre de amnésia por causa de um atropelamento que sofrera logo no inicio da história, e Margot, fisioterapeuta do irmão mais novo que é um famoso campeão do surf internacional que sofreu um acidente e vê sua carreira em risco além de temer a possibilidade não poder mais voltar a praticar o esporte que tanto ama.

 Cada aula do curso contém uma pequena história, apresentada aos alunos através de uma minissérie em DVD e trabalhada em sala de aula com transcrições dos diálogos da série. Cada capítulo da história apresenta um conflito que será discutido entre os alunos e o professor durante as aulas, fazendo com que a curiosidade do aluno se transforme em material para prática do idioma. A verdade é que se tirarmos a história dos livros não teríamos matéria e a escola seria apenas mais um escola de inglês prometendo aprendizado rápido, mas a narrativa faz com que tudo fique diferente ao ser usada para que os alunos entendam o idioma além do vocabulário e a estrutura gramatical levando-os de dentro da sala de aula para um universo onde o inglês é usado no dia-a-dia dos personagens.

O storytelling deu tão certo para a escola que o Holding deles, o Grupo Ometz, apostou nas histórias para criar mais duas marcas e desenvolver mais dois métodos de ensino, a YouMove e a Wise Up Teens, cada uma com seu próprio universo e linguagem, especificamente criados para atingir uma parcela diferente do mercado em que atuam.

A iniciativa de usar o storytelling dentro e fora das salas de aula, através de seus livros e DVDS, para criar engajamento e tornar o aprendizado do idioma mais eficaz é ótima e bastante inovadora, visto que o método foi criado há 16 anos, porém a história falha em técnicas narrativas fazendo com que o engajamento dos alunos com o universo seja bastante limitado e em muitos momentos fugindo do próprio universo para atingir objetivos institucionais, interrompendo o ritmo da trama e fazendo com o interesse e a atenção dos alunos se perca em muitos momentos do curso, chegando até a reclamar que a série é chata por causa da falta de amarração entre os acontecimentos.  A escola se beneficia do storytelling para ajudar seus alunos a aprender inglês, mas perde uma ótima oportunidade de transformar seus alunos em atentos e melhorar ainda mais a relação do cliente com a marca fazendo com que o aprendizado desses alunos seja ainda maior,  tudo isso pela falta de investimento e atenção na criação do universo e no desenvolvimento narrativo da história.

Como educador e storyteller sempre sonhei com a oficialização das histórias como tecnologia de ensino para melhorar, quem sabe, a qualidade do aprendizado de nossos jovens brasileiros, fazendo com que os livros e as aulas fiquem mais interessantes e com que os alunos fiquem mais interessados.