No fim das contas a minha participação foi a menor, mas o meu sorriso de felicidade com toda certeza foi o maior de todos. Dividir aquilo tudo com pessoas tão admiráveis me fez perceber que estou no caminho certo para me tornar, um  dia, um bom storyteller.

Ontem a storytellers participou do KM Brasil, o maior evento de RH da América Latina. Começamos a palestra com o Fernando Palacios, autor do livro "A Próxima Maravilha", e a Martha Terenzzo, fundadora da Inova360, dizendo o que é e o que não é storytelling.

Eles explicaram que storytelling deve ser visto em duas partes: o "story" E O "telling" e depois de desmitificar boa parte desse maravilhoso processo eles deixaram com o Bruno Scartozzoni (Sócio da Ativa Esportes) a missão de mostrar como as histórias podem ser usadas em endo-marketing. Para cumprir essa missão ele apresentou o case de como eles transformaram mais de 1000 slides de power point em uma peça de teatro para explicar aos funcionários de um grande grupo do setor alimentício quais eram os novos posicionamentos das suas marcas.

A Renata Rossi que, além de escrever aqui storieswelike, está usando as suas histórias para divulgar o portfólio de educação do Hospital Albert Einstein usou a sua experiência com educação para reforçar o poder dessas histórias no mundo corporativo. O Marco Franzolin (Sócio-diretor da MonkeyBusiness) entrou logo depois da Renata e mostrou para todo mundo como transformar uma simples apresentação em um show capaz até de engajar adolescentes na hora do recreio. Eu vim por último, como devia ser desde o início, falei um pouco sobre as dificuldades que as empresas encontram quando usam storytelling e tentei dividir a minha pouca experiência com quem estava por lá.  

O texto ficou técnico, eu sei, mas se você não entendeu do que eu estou falando e quer saber mais sobre como as histórias podem mudar a sua vida e a sua empresa? Entra nesse link e se inscreve nessa edição super especial do curso de Inovação em Storytelling do CIC-ESPM. Estarei por lá e prometo que eles vão explicar tudo isso e um pouco mais.



- Luis, eu me interessei muito por essa coisa de storytelling, mas não acho que eu consigo. - disse uma das meninas da minha sala de aula enquanto discutíamos um texto que eu publiquei no grupo do face para ajudar na divulgação do próximo curso de storytelling do CIC-ESPM. 

- Como assim, não sabe se conseguiria? - perguntei genuinamente curioso.

- Não sei se eu consigo escrever uma história porque alguém mandou. Sabe? Tipo "escreve sobre isso ai..."- disse a menina como quem realmente pensa no assunto. 

- Então, isso na verdade é costume, prática e algumas regras. Essa parte é mais publicidade do que escrita, está mais relacionado ao que chamamos de "storyplacement" e "productplacement" do que a narrativa realmente. Mas consegue sim, todos nós conseguimos. Contar histórias é da nossa natureza, fazemos isso desde que se tornou possível desenhar, falar e escrever, para transmitir conhecimentos e nos comunicar. É mesmo difícil lidar com o briefing, com essa coisa do "escreve sobre isso...". Mas eu acho que é esse o desafio, escrever bem apesar dos limites que temos que seguir. 

Me lembrei imediatamente de um texto que li na internet enquanto pesquisava storytelling logo depois do primeiro curso que fiz. O texto dizia que um bom escritor e principalmente um bom redator, deve saber lidar com limites e não adianta reclamar deles, ou achar que são eles que seguram a criatividade. Na verdade esse texto me fez perceber que é no limite que encontramos as ideias mais criativas. Afinal é fácil pensar fora da caixa se a caixa está desmontada. Os limites servem para que possamos contorná-los e provarmos que somos criativos mesmo com pouca liberdade. Como diz um amigo meu "as melhores músicas brasileiras foram escritas durante a ditadura porque os músicos trabalhavam o dobro para driblar as regras." 








No começo éramos apenas homens e mulheres, barulhentos e pouco sociáveis, mas logo aprendemos a desenhar, escrever e nos comunicar. Logo nos tornamos Aladim, Peter Pan, Chapeuzinho Vermelho. Logo nos tornamos lendas e viramos história. Histórias que vivem para sempre.

Criamos histórias, primeiramente, para passar o conhecimento. Um sumério, em um dia de inspiração e com o objetivo de registrar e transmitir seu conhecimento, deixou desenhado em uma pedra a receita de um bebida: a cerveja. É graças a uma história, gravada em pedra, que podemos aproveitar nossos "happy hours" e dizemos, cada dia mais, que cerveja faz parte da nossa brasilidade.

Muitos homens e mulheres alcançaram a eternidade e hoje ocupam um espaço na imaginação coletiva. Muitas histórias estão dependuradas em prateleiras por todo o mundo, o país das maravilhas de Alice divide o mesmo espaço no meu quarto que o fascinante universo de Douglas Adams e o seu guia dos mochileiros da galáxia. O mundo das histórias é infinito e todos temos permissão de entrada.

Eu, que já era fascinado pelas palavras, entrei nesse mundo pela sala de aula. Ouvindo as histórias de quem sabe o que faz simplesmente por ter praticado, errado e aprendido. Histórias tão inspiradoras que se tornaram curso e foi nesse curso e eu encontrei uma nova direção para a minha história. Este texto, apesar de não ser storytelling, é apenas um "extra" para avisar quem ainda não sabe que o Fernando Palacios, a Martha Terenzzo e o Bruno Scartozoni, mestres do storytelling publicitário, irão iniciar no dia 27 de Agosto mais um curso, abrindo as portas desse maravilhoso universo para que mais pessoas possam mudar suas vidas e começar novas páginas. Vamos aprender juntos os segredos do storytelling? Ainda tem vaga, aproveitem e entrem no link: http://bit.ly/storyclass 




Começar uma história não é fácil, mas terminar parece sempre mais complicado. Fugir do desfecho óbvio e surpreender a audiência está entre os objetivos de todo storyteller. Nesse caso, o “foram felizes para sempre” não é a melhor alternativa. Para fugir do óbvio é preciso despistar a preguiça. Essa foi a primeira lição que aprendi com Hemingway.

O autor norte-americano, vencedor do Pulitzer de 1953 e do Nobel de Literatura em 1954, escreveu 47 finais para o romance A Farewell to Arms, publicado em 1929. Imagine a gama de possibilidades para a mesma história. Os desfechos variavam de uma ou duas curtas sentenças – bem característico do estilo enxuto de Hemingway – a diversos parágrafos. Em uma entrevista décadas depois, disse que tinha feito tantas tentativas para conseguir as palavras certas.

A segunda lição foi manter a capacidade de ouvir. Olhos atentos e ouvidos abertos. Assim é possível captar detalhes aqui e acolá, os quais um dia servirão para a história em que você estiver trabalhando. Hemingway falou sobre isso em uma carta que escreveu em resposta ao seu amigo F. Scott Fitzgerald, sobre um romance que ele acabara de publicar, em 1934.

“Há muito tempo você parou de ouvir, exceto as respostas às suas próprias perguntas. Isso é o que ‘seca’ um escritor, não ouvir. É de onde vem tudo, de ver, de ouvir. Você vê muito bem, mas parou de ouvir. [...] Apenas escreva sem se preocupar com o que vão dizer, se vai ser uma obra-prima ou não. Eu escrevo uma página de obra-prima depois de noventa páginas de merda e tento colocar essa merda no lixo.

Depois desse tapa na cara de Fitzgerald (e de qualquer um que se propôs a escrever uma história alguma vez na vida), Hemingway volta ao seu estilo conciso e finaliza:

Go on and write.

Imagem: http://problogservice.com/images/ernest-hemingway.jpeg





Eu sempre estive em sala de aula, ou como aluno, ou como professor. Acabei me acostumando com aquele lugar único em nossa sociedade. Ensinar é arte, é quase como atuar, cada dia somos uma coisa, amigo, psicologo, conselheiro, líder e até professor. No fim das contas as salas de aula não são mesmo, assim tão diferentes dos palcos de teatro, salas de cinema e prateleiras de livrarias. Na verdade é na sala de aula que isso tudo deve se unir para permitir que nossos alunos criem seus próprios mundos, com as peças, livros e filmes que escolherem carregar consigo em suas jornadas.

Porém, enquanto as novas gerações reaprendem a importância da leitura com livros como Harry Potter, Guerra dos Tronos e Crepúsculo. O cinema bate mais um recorde de bilheterias quase todo semestre. Enquanto os teatros voltam para ficar e começam a faltar ingressos para os musicais em São Paulo, por exemplo e a indústria do entretenimento cresce e cada vez mais pessoas prestam mais atenção nessas histórias, o professor está em sala de aula reclamando que o aluno o trocou pelo celular ou computador.



Não é verdade que o jovem de hoje em dia não consegue prestar atenção nas coisas, aliás, pelo contrário, o jovem da sociedade em que vivemos é capaz de prestar atenção em várias coisas e desenvolve cedo em sua vida, um senso crítico em relação a informação que nós demorávamos anos para desenvolver. Se os jovens de hoje não fossem capazes de prestar atenção as indústrias do cinema, teatro e literatura estariam em crise, afinal se isso fosse verdade, sagas de 5 ou 6 livros, cada um com 300 ou mais páginas, jamais seriam best-sellers. O desafio não está em encontrar a atenção que o jovem perdeu, o desafio está em perceber que a atenção do seu aluno está em algum lugar e que nós temos que achar um jeito de fazer com que esse lugar seja a sala de aula.

Nossos alunos ficam horas sentados em silêncio no cinema e não conseguem ficar 50 minutos parados em suas carteiras de escola, afinal no cinema a tela é grande e o som é de qualidade. Mas na verdade, a diferença que importa mesmo é que as histórias estão melhores no cinema e nas redes sociais do que nas salas de aula. Storytelling, apropriando-se de suas características publicitárias é capaz de trazer  atenção do seus alunos para a sala de aula. O que falta na educação hoje, além de investimento, cuidado e outros aspectos "políticos" da coisa é um pouco de marketing: estude o seu público alvo, conheça o seu produto, crie seu personagem, prepare sua apresentação e conte a sua história. Assim podemos finalmente fazer os alunos abaixarem seus smartphones e levantarem suas orelhas. Na publicidade não falamos mais apenas de consumidores, falamos de atentos e engajamento e é hora da educação aprender um pouco com a propaganda.