Faz uma semana que eu me engajei em uma experiência parecida com o que as pessoas chamam de férias,  mas no meu caso dediquei esse tempo para, além de relaxar,  assistir alguns filmes clássicos e melhorar o meu repertório.

Já postamos, aqui no storieswelike, algumas vezes sobre a importância de conhecer o universo da sua narrativa detalhadamente, mas dessa vez eu vou deixar a lição com um dos melhores storytellers do cinema, na minha humilde opinião.





A grande realidade é que o tema de sexo VENDE, e VENDE muito! Aliás, embora muitos digam algo diferente, essa não é a primeira vez que a sexualidade é tratada do ponto de vista da mulher.
Você tem o livro 100 Escovadas Antes de Ir Dormir que balançou o cenário literário italiano com os relatos sexuais de Melissa Panarello, que começou suas experiências com 15 anos de idade.
No Brasil tivemos há pouco tempo atrás O Doce Veneno do Escorpião, onde uma garota de programa, Bruna Surfistinha, vendeu diversos exemplares e até teve sua obra transformada em filme, contando fatos de sua vida sexual desde antes de se tornar prostituta até quando já era uma acompanhante de sucesso.
E agora vemos 50 Tons de Cinza voltando com o tema sexual, quebrando tabus e conquistando legiões de fãs. É uma história de amor? Sim, é. É uma pornografia leve? Sim, o livro também pode ser visto dessa forma. 
Mas qual é a grande realidade do que é de fato 50 Tons de Cinza? 50 Tons de Cinza nada mais é do que uma história, de amor ou sexo dependendo do seu ponto de vista, bem contada!
Se uma mulher conta de suas experiências sexuais ou de seus relacionamentos amorosos com as amigas, ela consegue cativá-las. Mas será que ela conseguiria vender diversos exemplares de livros?
Mas já que uma autora conseguiu cativar milhões de fãs, será que uma marca conseguiria fazer a mesma coisa com o assunto?
Em questão de histórias, tudo depende de como contá-las. E é aí que entra o storytelling.
Pense nisso. Pense nas suas fantasias, ou até mesmo nas suas experiências reias. Será que você conseguiria transformar esses pensamentos em um bestseller?

Enquanto pensa na resposta, dê uma olhada nas 5 técnicas de storytelling da saga de 50 tons: bit.ly/50TONS
E se o assunto te interesse, participe do I HANGOUT DE STORYTELLING no dia 20/01 às 20h bit.ly/HANGOUT


Storytelling tem 3 regras imperativas, imutáveis e inegociáveis e a regra número dois é:

TODA NARRATIVA É SOBRE UMA PESSOA

Assim, uma boa narrativa jamais será sobre uma marca ou um produto. Porque produtos e marcas são conceitos inanimados e abstratos.

Mas aí quem for mais sagaz vai questionar algo como "mas o Wall-E não é uma pessoa" e não é mesmo. Mas no caso, apesar de ser um robô, ele tem um ponto de vista humanizado. Ele vê e sente como se fosse uma pessoa.

Aí quem for realmente perspicaz vai dizer algo do tipo "então uma marca ou um produto não pode ser humanizado como o Wall-E?"

A resposta é simples: claro que sim! Não é nada fácil, mas é possível. Veja aí o caso da Leica:




Pois é, talvez seja melhor reescrever aquela Regra #2...

TODA NARRATIVA É SOBRE SENTIMENTOS HUMANOS


Sombra e água fresca, ler um livro ouvindo o mar lamber a areia... ahhh, nada como aproveitar as férias.

Só tem um outro jeito tão bom de aproveitar o merecido descanso: investindo naquilo que ninguém jamais poderá tirar de você... o conhecimento.

Pode ser que essa seja a sua chance de sair da sua cidade e fazer um curso de ponta.

Pode ser que você tenha evitado o trânsito pra sair de São Paulo e agora quer fazer algo de útil.

Pode ser que você mal tenha tido tempo de parar e queria ver e fazer algo diferente para espairecer.

Seja qual for o seu caso, fica aqui a sugestão de um curso de férias fantástico: Inovação em Storytelling.

Em apenas uma semana você vai ter uma visão geral de ponta-a-ponta do storytelling, com diferentes aplicações: da apresentação pessoal ao branded content aplicado num plano transmídia.

Mais informações aqui: cursoStorytelling e aqui: storyESPM



Você já se pegou pensando no Cinquenta Tons de Cinza. Mesmo que não tenha lido. Não é?

Esse post pode parecer um pouco antigo e muito modista, mas o fato é que apesar de tanto já ter sido dito sobre a saga, o post trata de um assunto inédito.

Pelo bem do storytelling eu venci o preconceito e fui ver o que, afinal, havia por trás de todo o buzz. Como era de se esperar, ele não se tornou um sucesso de vendas por acaso. 

Por maior que seja a crítica à autora e seus leitores, ELJames aplica com maestria uma série de técnicas avançadas de storytelling. Técnicas que poucas marcas são capazes de dominar.

 


AS 5 TÉCNICAS DE STORYTELLING DOS 50 TONS DE CINZA


1. UM NOVO GÊNERO?
Tem gente que diz que criou um novo gênero de literatura. É uma afirmação difícil de se fazer, mas uma coisa é certa: com certeza gerou uma nova audiência. Assim como outros bestsellers mundiais como Harry Potter, Código da Vinci e Saga Crepúsculo, os 50 Tons criaram uma espécie de código que foi seguido por dezenas de outros autores e publicações. 
Como fez isso? Uma dica está nas capas.


2. O ASSUNTO É SEXO!
Tem gente que arrisca chamar de pornografia literária. Mas isso não seria um novo gênero, seria? Afinal, esse tema já tem sido explorado há anos, com destaque para o excelente Story of O. Ao ler o livro você percebe que o sexo, na verdade, nada mais é do que um truque de storytelling chamado red herring. É quando você pensa que e uma coisa, mas no fundo é outra. "Enquanto todos olham pra esquerda, ela corre pela direita."

3. TUDO É UMA QUESTÃO DE PONTO DE VISTA...

Literalmente falando. Boa parte do sucesso do livro é a facilidade da leitura e muito dessa simplicidade veio com o emprego da técnica chamada de deep point of view.

4.... DE PRELIMINARES,

Você acha que é um livro sobre sexo, você lê a história com os olhos da personagem... mas absolutamente nenhum tipo de contato físico acontece antes do sétimo capítulo. Enquanto o jornalista faz o lead e conta tudo o que há de importante no primeiro parágrafo da notícia e os publicitários tentam condensar tudo em uma frase ou 30 segundos de ação, a autor consegue te prender por metade do livro sem que nada de importante aconteça.



5. OU DE UM CONTO DE FADAS.
No fim da história, essa é uma sobre um príncipe encantado. Um príncipe encantado moderno. Um príncipe encantado com quem as meninas dos dias de hoje podem sonhar. 

A construção do príncipe é genial: ele é o máximo, mas não é perfeito; ele é aspiracional, mas como o próprio livro mostra, não é inalcançável. 

Tanto que a crítica masculina diz que o livro mais parece o manual de "50 Passos Para Se Tornar uma Maria Gravata". Sendo que "maria gravata" seria a mulher que se interessa por CEOs... 

AS 5 TÉCNICAS OCULTAS QUE NINGUÉM PERCEBEU

Mas espere.
Isso é apenas a superfície.
Depois de dissecar a obra com os olhos de um storyteller estratégico, descobri mais 5 técnicas que transformaram um fanfiction em um império de US$ 1,3 bilhão.

6. O PODER DO ESPELHO EMOCIONAL
Ana Steele não é apenas uma personagem.
Ela é um espelho.

E.L. James criou uma protagonista propositalmente "vazia" - sem características marcantes, sem hobbies específicos, sem opiniões fortes.

Por quê?
Para que cada leitora pudesse se projetar nela.
Aplicação para marcas: Pare de criar personas ultra-específicas. Às vezes, o segredo é criar um arquétipo amplo o suficiente para que seu público se veja refletido.

7. A ECONOMIA DA ESCASSEZ NARRATIVA
Christian Grey é bilionário.
Mas você sabe como ele ficou rico? Não.

Você sabe o que sua empresa faz exatamente? Vagamente.

A técnica: Informação seletiva cria mistério. Mistério gera obsessão.
E.L. James revela apenas o suficiente para manter a fantasia, nunca o bastante para quebrar o encanto.
Como negócios podem usar isso: Nem tudo precisa ser explicado. Apple nunca revela como faz seus produtos. O mistério é parte do valor.

8. O LOOP DE DOPAMINA LITERÁRIO
Cada capítulo termina com um cliffhanger.
Cada cena promete algo que será entregue... mais tarde.

O mecanismo: Antecipação → Tensão → Alívio parcial → Nova antecipação

É o mesmo princípio dos apps viciantes.

Dos jogos que não conseguimos largar.

Como aplicar: Suas apresentações, seus conteúdos, suas campanhas - todos devem ter ganchos que criam antecipação para o próximo passo.

9. A SUBVERSÃO DO PODER
Aqui está a genialidade: em uma história sobre dominação masculina, quem realmente tem o poder?
Ana.

Ela que estabelece os limites. Ela que dita o ritmo. Ela que transforma o dominador.

A lição estratégica: O poder real está em quem define as regras do jogo, não em quem parece estar no comando.

Para líderes: Às vezes, liderar é deixar que outros pensem que estão liderando.

10. O FENÔMENO DA VALIDAÇÃO SOCIAL RECURSIVA
O livro não ficou famoso pela qualidade literária.
Ficou famoso por ser famoso.
O ciclo viral:

Mulheres leem porque outras mulheres estão lendo
Falam sobre isso porque todas estão falando
Compram porque se tornou um símbolo de pertencimento

É o mesmo mecanismo que criou:

O fenômeno das Stanley Cups
A febre dos NFTs
O sucesso do Clubhouse

Para sua marca: Não venda o produto. Venda o pertencimento ao movimento.

O EFEITO GREY: Quando Storytelling Vira Economia

Muitas mulheres estão presenteando seus namorados com o livro, como forma de incentivo à criatividade nos momentos íntimos.
Será que o baby boom dos bebês nascidos em 2013 serão chamados de Grey Generation?
Aliás, mais do que uma audiência, a obra formou todo um mercado:

Camisetas
Esmaltes
Sapatos
Canecas
Dezenas de outros apetrechos

Pois é, o poder do storytelling...
A Lição Final para Marcas Inteligentes
50 Tons de Cinza não é sobre sexo.
É sobre transformação.
Não é sobre dominação.
É sobre descoberta.
Não é literatura.
É uma máquina de storytelling estratégico.

3 Perguntas que toda marca deveria fazer:

Qual é o seu "red herring"? O que parece ser sua história, mas esconde algo maior?

Onde está sua tensão narrativa? O que faz seu público voltar sempre?

Quem é seu Christian Grey? Qual elemento aspiracional, mas alcançável, você oferece?

O Desafio Final
Você pode desprezar 50 Tons de Cinza.
Pode criticar a prosa.
Pode questionar o conteúdo...

Mas não pode ignorar os resultados.
150 milhões de cópias vendidas.
US$ 1,3 bilhão em bilheteria.
Um fenômeno cultural global.
Tudo através do poder do storytelling estratégico.

A pergunta que fica:
Se E.L. James conseguiu transformar um fanfiction em um império...
O que você poderia fazer com as técnicas certas?

Pronto para aplicar storytelling estratégico de verdade no seu negócio?
Desde 2007, transformo narrativas corporativas em resultados extraordinários.

Fernando Palacios é pioneiro do storytelling no Brasil e único brasileiro reconhecido com o prêmio World's Best Storyteller. Já aplicou técnicas avançadas de narrativa para Nike, Itaú, Pfizer e centenas de outras marcas.