O bom contador de histórias sabe que por melhor que seja a narrativa, uma hora ela tem que chegar ao fim. Depois de uma semana acelerada, o Curso Intensivo de Inovação em Storytelling, carinhosamente apelidada de #plotESPM nas redes sociais, chegou ao fim de sua oitava edição.

Acabamos de tabular as avaliações e novamente o curso superou muito as expectativas - que como muitos disseram, já era alta! O que é fantástico considerando uma turma tão variada, composta por publicitários, engenheiros, advogados, jornalistas, rpgistas, contadores de histórias, escritores, empresários, executivos e até anjos. Ganhamos os céus!

De maneira geral, as críticas foram direcionadas ao volume de conteúdo transmitido em apenas uma semana e à ausência de atividades mais prática. Pois é, essas são mesmo características de um curso intensivo. 

Até por isso a partir desse ano teremos outros módulos mais práticos para exercitar diretamente.
O primeiro será a utilização do Storytelling em apresentações corporativas. Um workshop em que todos os alunos irão sair do curso com suas apresentações estruturadas em formato de história!







Uma aula de como fabricar um bestseller, os 50 Tons de Cinza renderam uma série de posts em janeiro:

- O que é essa mania de 50 Tons de Cinza - uma introdução para quem nem mesmo folheou o livro.

- As 5 técnicas dos 50 Tons - as técnicas de storytelling que fizeram dessa saga, um fenômeno mundial.

- As 5 marcas dos 50 Tons - quais empresas que pegaram carona e lucraram com a história.

- Uma tradução precipitada - sobre as diferenças entre as versões linguísticas da obra.

- Os tons por trás das páginas - um estudo de todo o movimento dos bastidores e da propaganda:




Por último, na semana passada os 50 Tons de Cinza foram o tema do Primeiro Hangout Brasileiro de Inovação em Storytelling. Até por isso, essa primeira edição foi carinhosamente chamado de 50 Tons de Storytelling. Para quem quiser ver o que rolou, abaixo um vídeo com os melhores momentos editado por Pedro Kastelic.




Depois de toda essa diversão, resolvemos tornar a iniciativa mensal.

O próximo já tem data e tema: dia 25 de fevereiro e a escolha do tema vai para........ os filmes do Oscar!

Clique aqui e venha celebrar com a gente.



Mônica chegou a tempo de ajudar Tia Aldete a carregar o carrinho da feira para o lado de dentro. Com um sorriso no rosto a dizia o quão linda Mônica estava depois de tantos anos. A moça, também sorrindo, perdeu a concentração no discurso de Tia Aldete e percebeu, do outro lado da rua, um jovem de cabelos longos, sem nenhum corte e roupas rasgadas, arrumando o que parecia ser um fogão improvisado.

 O rapaz avistou Mônica, curiosa, do outro lado da rua, agarrou sua panela e foi até a moça. Mônica o atendeu na porta. Ele pediu-lhe educadamente para que enchesse a panela de água para que ele pudesse fazer uma sopa para aquecê-lo naquela manhã fria. Mônica foi até a cozinha e voltou com a panela cheia de água. O rapaz voltou para o seu canto na praça em frente a casa, acendeu a pequena fogueira entre os tijolos, buscou um pedra lisa do tamanho do seu punho de dentro de sua mochila. Ao ver essa cena Mônica foi até o rapaz do outro lado da rua perguntar o que é que ele estava fazendo.

- Uma sopa de pedras - respondeu o garoto como se fosse a coisa mais normal do mundo. - aprendi a receita com a minha avó quando perdemos nossa casa e fomos morar nas ruas. Essa pedra é mágica e faz a melhor sopa do mundo. -  Mônica não sabia o que dizer ou como reagir, apenas olhou para a panela com a pedra em água fervendo. - É claro que ficaria muito melhor se eu tivesse uma cebola. Minha avó costumava me deixar cortar a cebola para a sopa, primeiro tira a casca, depois divide a cebola em quatro e joga com as pedras na água.

 A moça, tocada pela maneira carinhosa com a qual o garoto falava de sua avó, tomou seu rumo para dentro da casa de Tia Aldete, correu até a cozinha e pegou uma cebola em uma das sacolas de feira. Voltou até o garoto e ainda sem dizer nem mesmo uma palavra esticou a mão revelando uma cebola.

Mônica ainda não entendia como é que alguém seria capaz de comer aquilo, água, cebola e pedras e ainda sair por ai dizendo que era a melhor sopa do mundo. O garoto pegou uma colher de sopa de sua mochila, retirou da panela um pouco da água e experimentou sua sopa. - Falta alguma coisa - concluía o garoto - Faz tanto tempo que eu não faço uma dessas que eu me esqueci. Minha avó costumava pegar umas cenouras em um restaurante perto da praça onde dormíamos.

 Mais uma vez Mônica entrou na casa de sua tia, assaltou mais uma de suas sacolas de feira e voltou com uma cenoura em mãos para entregar ao jovem cozinheiro. E assim foi, cada vez que ele contava uma parte de sua história com sua avó e se lembrava de um ingrediente da receita, Mônica se levantava e buscava seus legumes e verduras. Quase uma hora depois a panela estava cheia de cenoura, cebola, batata, feijão e espinafre. O garoto retirou de sua mala uma caneca de plástico e virou o conteúdo da penela. A sopa estava pronta. - Quer experimentar? - perguntou o garoto estendendo a caneca na direção de sua bem feitora. Mônica não resistiu ao convite, a receita que o garoto descrevera em sua história parecia deliciosa. Ao provar a sopa Mônica ficou impressionada com o sabor, aquela era realmente uma ótima sopa.

- Só tome cuidado para não comer minha pedra mágica, tá bom moça? - Disse o garoto sorridente enquanto comia sua sopa.

 Minha avó costumava me contar essa história quando eu era pequeno e eu sempre fui fascinado pela maneira como esse garoto convenceu a moça e lhe dar todos os ingredientes que ele precisava para a sua sopa. Hoje quando penso nesse conto eu percebo que a minha avó estava me ensinando o poder da curiosidade. Histórias são sempre sobre ter mais perguntas do que respostas.


A saga dos 50 Tons de Cinza é um bestseller... e não digo isso só como fenômeno editorial - que já se estima ter ultrapassado US$ 1 bilhão em vendas em todo o planeta - mas também como bestseller de outros produtos para outras marcas.

Olhando para o poder de influência do storytelling e seus personagens, o livro atua como uma espécie de "caroneiro do sucesso". Já que o livro se passa em lugares existentes e inclui marcas reais, fica fácil para um fã se aproximar do seu desejo imaginário...

A seguir, os 5 maiores beneficiados dos livros da autora britânica. Os dados foram pesquisados por Pedro Kastelic.

Produtos Eróticos - 30% aumento na venda de bondagens e 10% aumento na venda de cordas
Mais do que uma marca ou produto, o primeiro grande beneficiado foi a indústria do erotismo. Se o sexo vende, com um pouco de estímulo ele enriquece. Uma ideia aqui, outra brincadeira ali e se fosse possível somar tudo ligado a sexo que foi movimentado no mundo inteiro por conta do livro, superaria em 50 vezes o valor do resgate do sequestro de um CEO.

Rede de hotéis Heathman - novo pacote de hospedagem "Charlie Tango" no valor de US$ 2700
Não apenas muito mais gente se hospedou no hotel em que se situa parte da história, como ainda queriam refazer os mesmos passos dos personagens. Sem perder tempo, a rede que aparece no livro criou um roteiro com direito a passeio de helicóptero... e muita gente deixou sua imaginação voar alto.

Audi - recorde histórico de vendas em abril 2012 e 28% de aumento nas vendas em julho
Um mês após o livro atingir o topo da lista dos mais vendidos do jornal NY Times, o principal "presente" que o CEO mais famoso da literatura deu para sua amada passou a ser uma espécie de desejo de consumo... e as vendas só subiram depois disso e olha que muito pouca coisa acontece dentro do veículo.

Apple - difícil de medir, já que também aparece em mais de 900 outras histórias
Ainda assim, uma coisa é certa: para quem sonha com Christian Grey, tem um iMac faz parte do pacote...

Blackberry - esse nem o livro conseguiu salvar
Se por um lado uma boa história pode ser grande o suficiente para que marcas concorrentes coexistam, por outro, nem mesmo 50 Tons de Cinza conseguiu levantar as vendas do Blackberry, que vinham caindo e continuaram no mesmo ritmo... e isso que um capítulo-chave do segundo livro gira em torno do aparelho. No caso, a protagonista não usou o smarthphone e se deu mal. Parece que a mesma resistência continuou no mundo real.

Ou seja, uma história proeminente não ganha sozinha. Quem vier com ela, enriquece junto. Afinal, todo o mundo que gostou da trama, vai querer vivenciar um pouco daquilo que seus heróis fizeram. Não é por acaso o aumento de 23% das vendas nas gravatas Cinza-Grey. Não basta ser CEO, tem que ser Grey.

Se você quer aproveitar pra falar mais de bestsellers, sejam marcas ou livros, aproveite o curso Inovação em Storytelling - do Branded Content à Transmídia na ESPM-SP.



"Quando você começa uma carreira artística você não a menor ideia do que está fazendo. Isso é ótimo! As pessoas que sabem o que estão fazendo, sabem as regras, o que é possível e impossível. Você não sabe e nem deveria saber. As pessoas que criaram as regras no mundo das artes não ultrapassaram os limites entre o possível e o impossível. Mas você pode!"

Assisti a este vídeo no início da semana e esse pensamento ficou na minha cabeça, me incomodando ao ponto de que quase tudo o que tentei escrever caia nessa discussão entre o que é possível e o que não é. Afinal, se há um ano atrás você me perguntasse se eu achava possível estar onde estou, finalmente podendo dizer que vivo de escrita eu seria cético, pessimista até. Mas aqui estou eu, crescendo aos poucos e fazendo o que eu gosto.

Às vezes, depois de uma reunião de trabalho da qual eu chego em casa com pilhas de folhas em branco a serem preenchidas, eu sinto como se eu estivesse realmente fazendo o impossível, possível. É a realização de um sonho, mas não é disso que eu estou falando. Estou falando de um poder da minha profissão: o poder de fazer a imaginação se tornar real o bastante para que outras pessoas se sintam naquele mesmo lugar, naquela situação e o melhor de tudo, sentindo aquela mesma sensação que você, ou o seu personagem está sentindo.

Eu já escrevi sobre como a minha vida mudou por causa de um curso que fiz na espm em 2012, mas hoje me dei conta que faz um ano que isso aconteceu e que 2012 se foi deixando um gostinho de quero mais, um saudosismo gostoso daqueles que nos faz sentir satisfeitos com nossas vidas e decisões. 2012 foi um ano em que eu aprendi muito e me tornei um escritor melhor, mas acima de tudo eu me tornei uma pessoa melhor. Hoje eu percebo que grande parte dessa realização tem relação com este curso que eu fiz, então eu decidi sequestrar esse espaço para agradecer ao Fernando Palacios, Martha Terenzzo e Bruno Scartozzoni pela transformação que suas histórias causaram na minha história pessoal. Obrigado meus queridos mestres, obrigado mesmo.