No livro “O Caminho de Swann”*, do escritor francês Marcel Proust, o narrador começa a se lembrar com mais clareza de sua infância, na pequena cidade de Combray, a partir de um episódio singular: o consumo dos famosos madeleines – pequenos biscoitinhos tradicionais da França.

Durante muito tempo, o narrador não tivera a chance de voltar a experimentar a iguaria, que, ao ser saboreada novamente, entre goles de chá, trouxe lembranças há tanto adormecidas. Mas Proust não se contenta em resumir a experiência em um parágrafo curto.

Na edição da obra que tenho em mãos, gasta boas três páginas relatando como os madaleines foram capazes de promover uma admirável e longa viagem pela memória. Mais do que isso, os biscoitinhos são um ponto-chave, servindo de pretexto para o desenrolar dos fatos. 
  
Vale destacar um trecho:
“E de súbito a lembrança me apareceu. (...) E logo que reconheci o gosto do pedaço de madeleine mergulhado no chá que me dava minha tia (...), logo a velha casa cinzenta que dava para a rua, onde estava o quarto dela, veio como um cenário de teatro se colar ao pequeno pavilhão, construído pela família nos fundos (...); e com a casa, a cidade (...)”.

Para Proust, foram os madeleines. E para você, caro storyteller? O sabor da macarronada que a vovó preparava? Uma fotografia descolorida? O perfume da ex-namorada? Jornais em um velho sebo? O tique-taque do antigo relógio do pai? Pare para pensar, revisite o passado. Se possível, como incentivo à inspiração, repita experiências que não tem vivido há um bom tempo. Elas ainda podem levar a um grande passeio pelo tempo, ajudando a render uma ótima história.       

*“O Caminho de Swann” é o primeiro livro da série “Em busca do tempo perdido”. 




As histórias são o toque de mágica capaz de transformar o rotineiro em algo fantástico, fabuloso e quem sabe até épico.

Tecnicamente falando, tudo pode vir a ser Storytelling. Mesmo assim, durante o Curso de Inovação em Storytelling, os professores insistem que é preciso escolher bem para onde apontar a varinha storyteller.

Storytelling não substitui um trabalho de marketing ou de comunicação ou de branding ou de publicidade. Ao invés disso, Storytelling reveste.

Por outro lado, quem vive de contar histórias vê em todo lugar uma boa oportunidade para criar. Até por isso o Storyteller Certificate é como é. Aliás ele ficou assim porque uma aluna do curso, inspirada, confeccionou espontaneamente usando uma das técnicas apresentadas.

Então, para quem ainda não tem esse diploma especial de poderes mágicos, a próxima chance será em abril.
http://www.espm.br/inovacao/curso.asp?cursoID=62





O bom contador de histórias sabe que por melhor que seja a narrativa, uma hora ela tem que chegar ao fim. Depois de uma semana acelerada, o Curso Intensivo de Inovação em Storytelling, carinhosamente apelidada de #plotESPM nas redes sociais, chegou ao fim de sua oitava edição.

Acabamos de tabular as avaliações e novamente o curso superou muito as expectativas - que como muitos disseram, já era alta! O que é fantástico considerando uma turma tão variada, composta por publicitários, engenheiros, advogados, jornalistas, rpgistas, contadores de histórias, escritores, empresários, executivos e até anjos. Ganhamos os céus!

De maneira geral, as críticas foram direcionadas ao volume de conteúdo transmitido em apenas uma semana e à ausência de atividades mais prática. Pois é, essas são mesmo características de um curso intensivo. 

Até por isso a partir desse ano teremos outros módulos mais práticos para exercitar diretamente.
O primeiro será a utilização do Storytelling em apresentações corporativas. Um workshop em que todos os alunos irão sair do curso com suas apresentações estruturadas em formato de história!







Uma aula de como fabricar um bestseller, os 50 Tons de Cinza renderam uma série de posts em janeiro:

- O que é essa mania de 50 Tons de Cinza - uma introdução para quem nem mesmo folheou o livro.

- As 5 técnicas dos 50 Tons - as técnicas de storytelling que fizeram dessa saga, um fenômeno mundial.

- As 5 marcas dos 50 Tons - quais empresas que pegaram carona e lucraram com a história.

- Uma tradução precipitada - sobre as diferenças entre as versões linguísticas da obra.

- Os tons por trás das páginas - um estudo de todo o movimento dos bastidores e da propaganda:




Por último, na semana passada os 50 Tons de Cinza foram o tema do Primeiro Hangout Brasileiro de Inovação em Storytelling. Até por isso, essa primeira edição foi carinhosamente chamado de 50 Tons de Storytelling. Para quem quiser ver o que rolou, abaixo um vídeo com os melhores momentos editado por Pedro Kastelic.




Depois de toda essa diversão, resolvemos tornar a iniciativa mensal.

O próximo já tem data e tema: dia 25 de fevereiro e a escolha do tema vai para........ os filmes do Oscar!

Clique aqui e venha celebrar com a gente.



Mônica chegou a tempo de ajudar Tia Aldete a carregar o carrinho da feira para o lado de dentro. Com um sorriso no rosto a dizia o quão linda Mônica estava depois de tantos anos. A moça, também sorrindo, perdeu a concentração no discurso de Tia Aldete e percebeu, do outro lado da rua, um jovem de cabelos longos, sem nenhum corte e roupas rasgadas, arrumando o que parecia ser um fogão improvisado.

 O rapaz avistou Mônica, curiosa, do outro lado da rua, agarrou sua panela e foi até a moça. Mônica o atendeu na porta. Ele pediu-lhe educadamente para que enchesse a panela de água para que ele pudesse fazer uma sopa para aquecê-lo naquela manhã fria. Mônica foi até a cozinha e voltou com a panela cheia de água. O rapaz voltou para o seu canto na praça em frente a casa, acendeu a pequena fogueira entre os tijolos, buscou um pedra lisa do tamanho do seu punho de dentro de sua mochila. Ao ver essa cena Mônica foi até o rapaz do outro lado da rua perguntar o que é que ele estava fazendo.

- Uma sopa de pedras - respondeu o garoto como se fosse a coisa mais normal do mundo. - aprendi a receita com a minha avó quando perdemos nossa casa e fomos morar nas ruas. Essa pedra é mágica e faz a melhor sopa do mundo. -  Mônica não sabia o que dizer ou como reagir, apenas olhou para a panela com a pedra em água fervendo. - É claro que ficaria muito melhor se eu tivesse uma cebola. Minha avó costumava me deixar cortar a cebola para a sopa, primeiro tira a casca, depois divide a cebola em quatro e joga com as pedras na água.

 A moça, tocada pela maneira carinhosa com a qual o garoto falava de sua avó, tomou seu rumo para dentro da casa de Tia Aldete, correu até a cozinha e pegou uma cebola em uma das sacolas de feira. Voltou até o garoto e ainda sem dizer nem mesmo uma palavra esticou a mão revelando uma cebola.

Mônica ainda não entendia como é que alguém seria capaz de comer aquilo, água, cebola e pedras e ainda sair por ai dizendo que era a melhor sopa do mundo. O garoto pegou uma colher de sopa de sua mochila, retirou da panela um pouco da água e experimentou sua sopa. - Falta alguma coisa - concluía o garoto - Faz tanto tempo que eu não faço uma dessas que eu me esqueci. Minha avó costumava pegar umas cenouras em um restaurante perto da praça onde dormíamos.

 Mais uma vez Mônica entrou na casa de sua tia, assaltou mais uma de suas sacolas de feira e voltou com uma cenoura em mãos para entregar ao jovem cozinheiro. E assim foi, cada vez que ele contava uma parte de sua história com sua avó e se lembrava de um ingrediente da receita, Mônica se levantava e buscava seus legumes e verduras. Quase uma hora depois a panela estava cheia de cenoura, cebola, batata, feijão e espinafre. O garoto retirou de sua mala uma caneca de plástico e virou o conteúdo da penela. A sopa estava pronta. - Quer experimentar? - perguntou o garoto estendendo a caneca na direção de sua bem feitora. Mônica não resistiu ao convite, a receita que o garoto descrevera em sua história parecia deliciosa. Ao provar a sopa Mônica ficou impressionada com o sabor, aquela era realmente uma ótima sopa.

- Só tome cuidado para não comer minha pedra mágica, tá bom moça? - Disse o garoto sorridente enquanto comia sua sopa.

 Minha avó costumava me contar essa história quando eu era pequeno e eu sempre fui fascinado pela maneira como esse garoto convenceu a moça e lhe dar todos os ingredientes que ele precisava para a sua sopa. Hoje quando penso nesse conto eu percebo que a minha avó estava me ensinando o poder da curiosidade. Histórias são sempre sobre ter mais perguntas do que respostas.