Ele levantou de sua cadeira com uma caneca de ferro em mãos, postou sua voz, inconfundível, para que todos pudessem ouvi-lo e parou, com apenas algumas palavras, a comoção do homens em torno da guerra. Tudo para contar mais uma de suas histórias. Tudo para explicar da maneira mais simples e compreensível o que queria dizer.



Eu estou me preparando para o hangout de amanhã do grupo de Storytelling & Transmedia e tudo o que conseguia pensar enquanto assistia a "Lincoln" era a tradição oral e o poder das palavras que aos poucos, através de histórias contadas pelo presidente dos Estados Unidos, construíam um protagonista forte e intrigante.

Ter um bom personagem é o começo, mas não é tudo, afinal só temos uma narrativa quando temos ação além da descrição. Saber apresentar esse personagem, mostrar que ele merece o respeito e, quem sabe, até a compaixão ou a paixão de quem o assiste. Fazer com que as pessoas queiram segui-lo em sua jornada, apoiá-lo em suas falhas e saudá-lo em suas vitórias. Esse é o segredo de todo bom storyteller e, por que não, de todo político. 

Não bastasse ele ser o responsável pelo fim da guerra e pela abolição da escravatura, agora ele também concorre ao Oscar, e caso sua história ganhe o tão famigerado prêmio do cinema mundial, acredito eu, que tanto seus feitos políticos em vida, quanto seu sucesso nos cinemas se devem a mesma coisa: histórias inspiradoras. 

Quem assistiu ao filme percebeu, ou não, que todas as vezes em que o alto senhor de rosto cansado começava a contar uma história, começava ali, durante o seu discurso o que nós storytellers conhecemos por plot-twist, ou seja, uma mudança brusca na maneira como os acontecimentos iriam (ou como nós imaginávamos que iriam) ocorrer. 

Em dado momento, um de seus conselheiros de guerra se revolta com essa mania de Lincoln de fingir que nada acontecia para que ele pudesse contar uma de sua histórias. A mania do protagonista o torna humano o bastante para que criemos uma relação com ele e a suas histórias inspiradoras o tornam especial o bastante para governar o que viria a ser uma das maiores potências do mundo. Tornar a sua mania uma ferramenta da narrativa, fazer do seu "defeito" algo importante para a história pode ser uma boa saída para os storytellers.   

O J.J. Abrams é o rei do "e se..." e se você não se lembra de quem ele é vamos passar por algumas de suas ideias para refrescar a memória.



E se um avião caísse em uma ilha desconhecida pela humanidade e todos ficassem presos por lá? E se essa ilha fosse dominada por um empresa/instituição super-secreta? Mas, e se a ilha tivesse vida? Ou se houvessem dinossauros? Ou se eles acreditassem que era um dinossauro mas não era? 

A quantidade de "e se..." que podemos encontrar no roteiro de Lost é enorme, um adicionado ao outro formando uma trama de linhas bem costuradas e contadas. Uma narrativa forte e bastante polêmica, do jeitinho que o nosso querido Adams adora trabalhar. Bom, já lembramos quem ele é, então vamos ao seu último e mais recente "e se..."? 

Acredito que muitos de vocês tenham visto o superbowl, aquele show de comerciais e habilidades publicitárias interrompido por uns jogadores de futebol americano e um ou outro astro pop. Pois é, no último evento desses as luzes se apagaram no estádio e o evento ganhou um toque de escuridão completa. O que lembrou a equipe de Revolution, a mais recente série de J.J. Abrams sobre "e se o mundo ficasse sem energia elétrica" de que o evento de maior audiência mundial seria uma boa ideia para promover a série. Mas o evento era exibido pela CBS e a série é da NBC, #comofaz? 

Eles foram rápidos no gatilho, se aproveitaram do "e se..." tão bem dominado pelo J.J. Abrams e usaram o twítter para dizer "isso é só um gostinho do que está por vir em 25 de março" (data da estréia da segunda temporada da série) e para trazer um pouco da série ao mundo real, publicando esta imagem: 
Como quem diz "e se isso funcionasse no mundo real também?"


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Gosto de fazer analogias malucas (ou nem tanto) com filmes e seriados distintos e algumas vezes encontro coisas que me fazem em novas formas de contar histórias com fórmulas antigas. Pois andei observando algumas características bem interessantes no primeiro filme da série Velozes e Furiosos e vou mostrar algumas similaridades que vão surpreender vocês.

Dominic Toretto (Vin Diesel) é um líder que notavelmente se preocupa com o grupo, apesar de participar de corridas ilegais ele tem um certo senso de justiça e de família, tentando manter todos ao seu redor seguros. Além disso como um bom líder sabe dividir as tarefas, acreditar e estimular o potencial de cada um que trabalha com ele.

Isso é o bastante para manter semelhança com a maioria dos líderes de filmes Hollywoodianos só que tem uma particularidade a mais, o seu carro é vermelho - acalme-se, ainda tem mais antes de tomarem decisões precipitadas. Vamos passar para outro personagem.

Jesse, o cérebro de Dominic, o nerd que conhece bastante de tecnologia e tem algumas dificuldades para se relacionar socialmente como a gagueira. Te lembram alguém? Sim porém o carro dele é branco, mas com uma chama de cor que não poderia faltar... azul. Aliás quem assume o carro azul mesmo é Vince o amigo de infância de Domenic - é talvez as cores não sejam determinantes, mas vejam bem os personagens mantém padrões próximos.

O próximo é Letty a namorada de Dominic... o par romântico, deixa ver: sim, o carro dela é rosa.
Por fim o personagem principal, Brian O'Conner... ele começa como um homem que precisa se infiltrar no grupo de “criminosos” para prende-los. Praticamente começa como inimigo de todos eles, mas após certo tempo ele percebe que isso não tem fundamento e acaba se tornando parte daquela galera. Exatamente como o nosso amigo Tommy Oliver. Este começou sua saga como um dos maiores inimigos dos Rangers, porém acabou se tornando um líder depois. O que mais os dois têm em comum?

Vejam só, enquanto são inimigos eles utilizam a cor verde como determinante (no carro ou na roupa) e depois quando mudam de lado passam a utilizar o prata/branco.

Sério. Isso realmente me faz pensar que o grupo de Domenic é necessariamente igual aos Mighty Morphin Power Rangers na estrutura das equipes dos super Sentai. Quer mais? Então relembrem que a trama principal do filme gira em torno de roubos de mercadorias, dvds oriundos do Japão, aliás os asiáticos são considerados corredores velozes e com máquinas potentes o filme todo.

Claro que a gente nunca saberá até que ponto tudo isso não passa de coincidência. Particularmente acredito que seja uma questão de intertextualidade, mas se esses seriados de grupos japoneses incentivaram a criação de vários outros, porque não servir de base para filmes de ação americanos, não é? 



Mantenha a fantasia. Não a roupa de pirata, rainha ou soldado. A fantasia que você carrega na imaginação. Hoje você é um rei que circulará pela cidade inteira, em meio aos súditos. Um mendigo que em vez de dinheiro deseja recolher moedas de alegria. Uma bruxa que usa o sorriso atroz para espantar a tristeza. Um vampiro eleito síndico do prédio. A única regra é ser o que não se costuma ser.  

Quando o gênio da lâmpada surgir, peça três desejos, quatro, cinco. Pouco importa se há possibilidade de serem realizados. Procure por alguém com uma bola de cristal, pergunte pelo futuro, pelo que as estrelas estavam querendo dizer ao se alinharem com a galáxia mais distante.   

Viaje. Viaje sem dar um passo. Você verá com quantos anéis se faz um planeta. Com quantas nuvens se faz um céu. Com quantos bêbados se faz um sóbrio e com quantos loucos se faz uma pessoa sã. Coloque a coroa de papel e finja que o jornal aberto é um tapete mágico para você sobrevoar os oceanos.

As notícias vão chegar por meio de uma garrafa atirada nas águas, ou uma grande mentira será soprada aos quatro ventos. Ouça, anote. Comece pela fantasia, descontinue pela realidade, vire a segunda à direita e pronto. Nada pronto. Pare, respire e se inspire.

É Carnaval. Era. Pode ser um bloco. Poderia. Na quarta-feira-de-cinzas, vi um storyteller, afastado da multidão, com um cartaz pendurado no pescoço por um barbante, onde se lia: “mantenha a fantasia”.   

Este texto foi originalmente publicado em meu blog pessoal, mas hoje eu decidi dividir essa experiência com o storytellers por aqui também. Espero que gostem. 




Há dois mundos coexistentes em e em algum momento você deverá cruzar para o outro lado. 
Quando eu comecei a escrever o mundo era mais simples e as palavras eram desenhos no caderno de caligrafia. Depois disso tudo se complicou um pouco, mas era um complicado bom, um complicado legal tipo se apaixonar pela menina mais gata da escola e viver suas próprias aventuras de filme da sessão da tarde pra conseguir, nem que seja, um beijo na testa. Nesse momento da vida a escrita era normal, ainda não era arte só por que eu ainda não sabia muito bem o que era arte. Mas numa noite qualquer de verão na cidade da garoa eu descobri o que era arte enquanto escrevia sobre meu coração quebrado por que e menina mais gata da escola tava beijando o loirinho que jogava futebol e ouvia axé. Quando vira arte tudo se complica, ou não, afinal não existe certo nem errado na arte, só existe o talvez e o talvez vira poema, parágrafo, diálogo, o talvez não existe por que não é certo, não tem forma e se não tem forma, vale tudo. O talvez é o que abre a porta para o outro o mundo. 
No outro mundo tudo é diferente e não existe mais nem a possibilidade do simples, aliás, não existem muitas possibilidades nesse outro mundo, tudo por aqui é uma certeza ou uma necessidade. Mas o interessante é o que acontece no meio do caminho entre a certeza e a arte. Esse é o momento em que todo mundo reconhece alguma semelhança entre o que a gente faz e uma coisa que eles chamam de talento. É show de elogios. Os amigos se emocionam com suas homenagens em forma de poesias e prosas no natal e no ano novo. Os professores começam e te dar dicas e ideias sobre jornalismo, redação e inconscientemente as coisas mudam de novo e o que você escreve, a sua arte, deixa de ser o foco para que todo mundo veja o artista. Ferrou meu amigo! Todo mundo acha que você tem talento né? Você passou a vida toda escrevendo e ouvindo gente te elogiar, se emocionar e incentivar, mas você não foi o único, na sua família talvez tenha sido, às vezes até no seu bairro, mas não foi o único na sua escola, nem na sua cidade e ai, quando você chega lá, naquela faculdade de jornalismo, publicidade ou até letras, você percebe que o seu texto, honesto e de coração, não é só arte, o seu texto é produto, seja você jornalista, escritor de ficção, roteirista ou tradutor, no fim das contas você vende texto e não arte. Arte não tem forma, texto sim. Arte é o que você cria, o que você faz, texto é o que você entrega e o que os outros vão ver. 
Sua namorada adorou a mensagem de aniversário que você escreveu para ela, mas ela adorou por que é sua namorada, tá fácil de emocionar. Teu amigo adorava as sacadas que você tinha na escola, te deu a maior força quando você decidiu escrever stand-up, mas nem todo mundo vai entender a sua piada sobre a professora de física, nem todo mundo vai conhecer a professora de física. Aquele parágrafo de uma linha no meio texto pode ser ignorado na sua rede social, mas teu chefe não vai gostar dele. Enfim, a parte mais difícil já foi, você já aprendeu a fazer arte, agora você tem que aprender a escrever, mas não se preocupe, assim como na vida o melhor não está nem no começo, nem no final da viagem, a melhor parte é a jornada.