O novo filme do Superman está chegando e claro, muita gente já imagina que se ele fizer tanto sucesso quanto Batman isso pode significar uma nova série de filmes dos heróis DC como a famosa Liga da Justiça. Parece fácil imitar a fórmula dos Vingadores da Marvel, mas não é bem por aí e vou dizer porque. 

No projeto Vingadores, acompanhamos as histórias de Hulk, Homem de Ferro, Thor, Capitão América e depois todos juntos em uma sequência de filmes que renderam uma boa grana aos estúdios e ainda abriu espaço para muito mais. Isso porque eles conseguiram representar no cinema o Universo Marvel, o ambiente aonde infinitas histórias podem acontecer e os espectadores ainda vão se sentir familiarizados com seus elementos.

Ok, então basta colocar Batman ao lado de Flash e tudo fica resolvido... ou não!

Essa união de todas as histórias de seus personagens só é possível na Marvel porque um cara chamado Stan Lee revolucionou o mundo das HQs criando heróis que tinham conflitos bem parecidos com os humanos e a partir daí o sucesso foi tremendo que esse conceito foi dando vida a outros seres super poderosos. Não foi que a DC aconteceu.

Ela cresceu comprando histórias prontas, primeiro com o Batman, depois vieram outros como Lanterna Verde e Aquaman. Cada um com um grupo de vilões e principalmente uma visão do mundo ou melhor uma versão do mundo bem peculiar. 

Batman sempre enfrentou vilões malucos ou bem armados, dentro de sua lógica não existiam aliens ou monstros devoradores de planetas. Da mesma forma, Mulher Maravilha é simplesmente uma princesa das Amazonas e sua história tem referências da mitologia grega. 
O que acontecia quando algumas dessas histórias precisavam se cruzar era a criação de um novo universo, que a DC chamava de Terra 1, 2 e etc. Dessa maneira as grandes alterações não influenciavam no plot principal de um personagem. Como (na época) Hqs vendiam bastante, o fato de ter várias versões de um mesmo herói não era preocupante. Mas chegou um tempo que o Multiverso (como foi chamado essa junção) impactou o comportamento dos leitores pois era um trabalho penoso comprar e acompanhar seu herói preferido. 

Foi quando veio uma série chamada Crise nas Infinitas Terras, que juntou todas as "Terras" e versões dos heróis em um só enredo. 

Porém isso não significa que eles resolveram o problema que é justificar a necessidade da existência de alguns heróis em uma mesmo grupo. Como criar uma história aonde a astúcia do morcego possa ser útil frente a um inimigo como Apocalypse que foi capaz de matar o Superman uma vez. Ou um vilão como o Capitão Bumerangue que era combatido pelo Flash, ter que enfrentar Hal Jordan com seu anel que pode expulsar da Terra a entidade Parallax... uma tarefa difícil.


Bem, no cinema, Batman já conseguiu seu sucesso. Enquanto isso algumas produções como o seriado Arrow vem construindo uma base de fãs bacana. Aliás se depender desse seriado eu acredito que os roteiristas estejam no caminho para nos mostrar como o universo DC pode se encontrar no cinema. Isso porque vários personagens como a Caçadora e Slade já foram vistos em vários episódios e a recepção está sendo boa. Inclusive há indícios que este seriado possa sofrer influência após o novo filme do Superman e tem outro herói dependendo desse sucesso, o Gladiador Dourado que também vai ter sua estréia na TV em breve.  O que falta para os estúdios investirem pesado em um filme da Liga da Justiça? ... falta Clark Kent mostrar porque é o Superman.  

Seu último filme deixou bastante a desejar e todas as notícias sobre a pressão que o diretor tem sofrido podem abalar nossa fé nesse filme, o que apenas aumenta a curiosidade para saber se Superman salvará novamente seu universo


O mundo da comunicação está repleto de exemplos e casos que reafirmam o poder das histórias na construção de marcas. Sem muito esforço encontramos diversas menções a storytelling em campanhas de comunicação – muitas delas até incorretas – mas sempre se vangloriando pragmaticamente pelo sucesso gerado.
Quando vamos a uma esfera científica do estudo da comunicação, do consumo e das marcas vemos que também não é diferente. Se por um lado respeitadas marcas como Coca-Cola e Google discutem o storytelling, por outro autores-referência como Colin Campbell e Andrea Semprini embasam a discussão em seu viés mais profundo e defendem a relação de consumo como cada vez mais imaginária, imaterial e simbólica.
E já que tratamos o storytelling em sua vertente acadêmica, valem algumas citações pra deixar tudo mais claro:
"Em muitas destas, a fronteira entre a representação dos interesses de determinado fabricante e distribuidor (i.e., a propaganda) e as imagens produzidas primeiramente para entretenimento é claramente distinguível, sugerindo que as duas coisas preenchem a mesma função de facilitar o hedonismo imaginativo. Em outras palavras, as pessoas 'desfrutam' dessas imagens em grande parte da mesma forma que desfrutam de um romance ou filme."
Retirada do livro “A ética romântica e o espírito do consumismo moderno”, de Colin Campbell, editora Rocco.
“Lembremos apenas que a capacidade de construir mundos desenvolver territórios simbólicos e manipular a abstração são aspectos que definem a lógica de marca. O desenvolvimento, no seio do consumo, de dimensões imateriais e imaginárias, entra então em íntima ressonância com a própria essência da lógica de marca.”
Do livro “A marca pós-moderna”, de Andrea Semprini, da editora Estação das Letras.
E disso tudo, em suma, o que se tira é que nada mais imaginário e possível de construir um mundo para uma marca do que uma boa história.




Antes de sua função puramente artística a narrativa já estava entre os primeiros grupos sociais humanos como um modo de transmissão de ideologia e regras de comportamento. Antes das HQ's modernas e da indústria cinematográfica, o ser humano já contava histórias para ensinar suas sociedades as regras e determinar o que se esperava de cada um de seus cidadãos. Não é a toa que os mitos Gregos e Romanos estão recheados, quase transbordando, de personagens com grande respeito as regras, tanto de seus deuses, quanto de seus imperadores. Afinal, era isso que se esperava de todo cidadão Grego ou Romano, heroísmo e honra em nome de suas crenças.

Já foi discutido e eu diria até comprovado o fato de que tais narrativas faziam parte de um importante kit de processos usados por tais sociedades para manter seus soldados motivados a morrer pelas ordens do império, sua mulheres orgulhosas dos homens que se distanciavam cada vez mais de suas famílias para defender a honra de sua sociedade e os filhos desses homens, que ouviam essas mesmas histórias, se mantinham motivados e treinar e se tornar mais um soldado, cheio de honra.

Concorde ou não comigo, concorde ou não com o vídeo a baixo, o importante aqui é perceber que a narrativa tem uma função social. As histórias que contamos de certa maneira representam as histórias que vivemos, ou que queremos viver, no sentido em que tais histórias representam os valores do grupo que as conta, mesmo que nem todos do grupo concordem com isso. A partir da consciência de que as histórias que contamos influenciam nos valores que ensinamos para a nossa própria sociedade, fica difícil pensar no storytelling sem considerar a força da narrativa. O vídeo abaixo trata de assunto com um visão bastante interessante, focando principalmente nas histórias contadas pela indústria do entretenimento, mas a discussão é importante para qualquer tipo de contador de histórias, de professores a roteiristas, devemos todos considerar a importância social das narrativas. 




De acordo com Jonathan Gottschall, autor do livro "The Storytelling Animal" o ser humano é incapaz de permanecer alheio a uma boa história. Somos naturalmente atraídos pelas experiências dos personagens e pelo mundo em que vivem. Tal pensamento seria uma ótima explicação para o crescimento, apesar das crises, da indústria cinematográfica e literária que temos experimentado nos últimos anos. O problema é que ninguém sabe factualmente o motivo de uma narrativa ser tão irresistível aos ser humano.

O que sabemos é que adaptar o poder da narrativa e das boas histórias vale ouro para qualquer um que trabalha com comunicação. Seguindo o pensamento da Coca-Cola que diz que em 20 anos sua propaganda estará nos cinemas e serão cobrados ingressos para a assisti-la podemos perceber, mesmo que isso ainda seja um sonho, as possibilidades que o bom uso do storytelling pode trazer para a nossas marcas e empresas.

Muito se tem falado dos segredos storytellers, das técnicas usadas em tal tecnologia e das diversas maneiras de se contar uma história para uma marca, mas poucos tem se aventurado pelo caminho científico da coisa. A Casa Mário de Andrade e a Oficina da Palavra me possibilitaram criar um curso que fale desses aspectos da tecnologia do Storytelling, ou seja, pela primeira vez, pelo menos que eu saiba, um curso irá debater exclusivamente a união da técnica narrativa que, nos acompanha desde os primórdios, com as ciências relacionadas a comunicação.

O objetivo do curso é discutir e analisar a narrativa desde o seu surgimento, antes mesmo de se tornar arte, até os dias da economia da atenção, tentando entender como é que o Storytelling se tornou a menina dos olhos da publicidade e se demonstra cada vez mais o último reduto da atenção em nossa sociedade. Tudo feito através do estudo e do debate de cases de sucesso no cinema, na literatura e até na educação.

ATUALIZAÇÃO:
Esse curso já passou, mas ele pode voltar e sempre há novas possibilidades. Fique de olho na nossa programação:
https://www.storytellers.com.br/p/sobre-nossos-cursos.html


Pense rápido: qual é a relação entre a sua mão e contar histórias? Não vale dizer que é com ela que você escreve as histórias. Acredite, há algo muito maior do que isso.
Segundo Jonathan Gottschall em seu livro "The Storytelling Animal", a sua, a minha e a mão de qualquer ser humano é composta de cerca de 27 ossos, 27 juntas, 123 ligamentos 48 nervos e 34 músculos. Mais que isso, cada parte da sua ou da minha mão tem uma função específica determinada. As unhas servem para arranhar ou agarrar o que quer que seja (ou para serem ornamentadas com os esmaltes dos mais diferentes nomes), as digitais para garantir que cada ser seja único dentre todos.
Com histórias, não acontece diferente. Não é preciso um épico de 1102 versos decassílabos se a sua história não é contada como os Lusíadas, mas cada personagem, cada fato e artefato devem ser minuciosamente pensados na construção de uma boa história. As unhas de uma história é aquilo que faz com que o personagem agarre o seu objetivo e passe pelos mais escabrosos obstáculos para chegar até ele (e acredite, tão bem como os nomes dos esmaltes, o nome do personagem também ornamenta a história).

Tudo isso para que, como nossas mãos, a história tenha uma digital única e inconfundível. E isso se torna, permitam-me o trocadilho, ainda mais “positivo”, “jóia”, quando se trata de um acirrado mercado onde uma marca precisa fazer de tudo para ter sua digital, sua identidade, como um diferencial perante seus concorrentes.
Se hoje nós estamos aqui, eu postando e você lendo esse texto, é porque historicamente tiveram mãos para fazer e registrar histórias, e boas histórias para serem passadas de mão em mão durante os séculos.