Quando nos referimos ao uso do storytelling como “a última esperança” para captar a atenção do consumidor, ainda que nossos exemplos sejam predominantemente mercadológicos, não podemos nos esquecer de que a falta de atenção não é característica do ser humano só enquanto consumidor, mas enquanto indivíduo inserido na pós-modernidade.
Por assim dizer, temos que o storytelling surge como caminho não só para a comunicação publicitária, mas para a comunicação em geral – o que inclui outro grupo de graduados em comunicação: os jornalistas. Para explicar aqui, brevemente, como o storytelling poderá (e deverá) ir parar nas capas dos jornais, proponho um paralelo com a história da propaganda.
Há muitos e muitos anos atrás, num lugar não muito distante, a publicidade se limitava a anúncios que transmitiam as qualidades de um produto. Eternizados pela voz imperativa do “Compre!” e “Experimente!”, os chamados anúncios “hard sell” dominavam a propaganda e a cabeça de seus criadores com uma fórmula pronta.
Entretanto, com o passar do tempo, o inchaço comunicacional, dentre outros motivos, começou a diminuir a eficácia com que estes anúncios funcionavam, obrigando assim os publicitários a repensar a forma com que anunciariam seus produtos. Nascia aí o que é conhecido como “soft sell”.
Para o jornalismo a história não é diferente nos dias de hoje. As múltiplas telas e as redes aumentam gradativamente a dispersão dos espectadores até na hora das principais manchetes do dia. Por um lado uns buscam cada vez mais o sensacionalismo, a “Bomba!” que, se não pode ser chamada de “sell”, não é mais que o imperativo “hard tell”. Por outro, um caminho, que por conveniência aqui podemos chamar de “soft tell”, é o storytelling como forma de comunicar cada dia mais efetivamente a notícia (story) através da narrativa (telling).

O “soft tell” para o jornalismo, ou seja, o storytelling aplicado às páginas de jornais não é de todo novidade. Que diga o “new journalism” nos anos 60. Mas só quando mais fórmulas forem quebradas é que teremos mais narrativas eternizadas e leitores atentos ao noticiário.


Quem hoje vê a Disney lançando um sucesso atrás do outro nas telonas, mal pode imaginar que um dia a empresa de Mickey Mouse já passou por maus bocados quando o assunto é a sétima arte.

Eis que, no final dos anos 80, os filmes lançados pela Disney não estavam dando os resultados esperados. Até que um então funcionário da empresa, Christopher Vogler, baseou-se na literatura do mestre Joseph Campbell e do monomito para criar uma estrutura referência para as próximas narrativas produzidas nos estúdios de Walt Disney. Batizado “Memorando de Vogler”, que posteriormente, em 1992, veio a originar o livro “A jornada do escritor”, o modelo sofreu algumas adaptações e ficou também conhecido como o “Paradigma Disney”.
A partir daí ocorreu a grande virada nas contas da Disney, e o sucesso da empresa voltou a ser como é conhecido por todos nós até hoje – ainda que com uma ou outra diferença – também nos filmes produzidos por ela em parceria com a Pixar. Se você ainda duvida, pode conferir em todos os mais recentes sucessos da Disney que você deverá encontrar os doze estágios da jornada, um herói, um mentor, um arauto e todos os outros personagens da forma com que Vogler assim nomeou.
Com “Aviões”, o mais novo filme anunciado pela Walt Disney Company, não deverá ser diferente. “Derivado” do sucesso de 2006 – “Carros”, o trailer pode ser conferido aqui enquanto aguardamos ele aparecer no cinema mais próximo de você.

"O excesso de informação gera a escassez de atenção". Essa premissa proposta por Herbert Simon pode nos ajudar a entender um pouco melhor os recentes movimentos, tanto de agências quanto de anunciantes, em busca do storytelling.

Em um mundo com celulares inteligentes, tablets, notebooks e até vídeo games capazes de nos conectar com a infinidade de informações da internet, conseguir a atenção do consumidor/leitor é o maior desafio do comunicador. A geração Y não costuma perder tempo com o que não lhes interessa e é o nosso trabalho criar conteúdo e propaganda que interessem. Afinal, antes de trocarmos produto por dinheiro, nós trocamos conteúdo por atenção e é por isso que o mercado acostumado a lutar por "share of market",  "mind" e "voice" deve se preparar cada dia mais para ganhar o share de olhos e ouvidos desse grupo de consumidores que não param suas atividades facilmente para ouvir o que temos a dizer.

Mas eu não vou me prolongar sobre o assunto e vou passar a palavra para o Fernando Palacios que explicou tudo isso de maneira bem fácil e prática na entrevista pro vlog do Ideia de Marketing  dessa semana. É só apertar o play e se preparar para aprender um pouco mais sobre storytelling, branding e narrativa.


Boa parte dos temas propostos nas publicações aqui no blog relacionam o storytelling, cedo ou tarde, ao consumo. As histórias entram na comunicação mercadológica também e tão bem para quebrar o caráter descritivo e imperativo da propaganda convencional, e assim é indelével que elas acabem por vagar entre o campo da ficção e da realidade. É daí que surge a pergunta de um milhão de dólares, que insiste em não querer calar-se em uma resposta definitiva: o que é real e o que é ficcional?


E não me venham dizer que real é aquilo que você vive ou sente. Não são poucos os estudos que, com um foco ou outro, acabam por comprovar que nosso cérebro nos faz enganar e se enganar diariamente. Assim, dizer tão só que real é aquilo que você vive ou sente é não mais que se enganar também.

Entretanto, não satisfeito com a tenuidade entre o real e o ficcional, trago ainda um terceiro conceito defendido pelo autor francês Jean Baudrillard: a hiper-realidade. Em suma ela pode ser definida como o contato com além do que pode ser chamado de real (se é que algo pode ser chamado, de fato, de real) em um acontecimento. Essa situação se evidencia ainda mais quando inserimos a tecnologia em nossa vida cotidiana. Ou seja, a hiper-realidade se expressa, por exemplo, no momento em que eu, você ou nós assistimos a um capítulo da novela, a uma notícia na televisão ou a um filme no cinema já tendo lido, jogado, consumido mais sobre o respectivo assunto (ou história) anteriormente.
Por fim, quando a alternativa é a do parêntese acima e tratamos sobre ter contato com diferentes vertentes de uma mesma história em diferentes mídias, qualquer semelhança de hiper-realidade com transmídia não é mera coincidência.


Antes de mais nada, quero deixar claro que o uso incorreto da palavra "storytelling" não faz com que uma campanha seja classificada automaticamente como "ruim", pelo contrário, campanhas bastante interessantes e com ótimos resultados não são storytelling, mas dizem ser.

Hoje eu vou falar de uma campanha que encontrei enquanto trilhava os caminhos diários da internet. Quando eu li "Storytelling Tecnisa" fiquei agitado, curioso e ansioso para saber o que estaria do outro lado do link que se escondia entre outros milhões de links do meu google reader. Enfim, cliquei e fui levado a uma página simpática com uma boa apresentação da campanha e uma ideia que me parecia cada vez mais genial: apresentar os bairros de suas construções através da histórias desses bairros. Uma ação muito inteligente para uma construtora famosa que busca se relacionar melhor com seu consumidor. Com a expectativa lá em cima continuei clicando.  

Tamanha não foi a minha decepção quando entrei no primeiro bairro da lista, Vila Prudente, ansioso por uma experiência emocionante e prazerosa eu me deparei com um texto, bem escrito, no estilo Wikipedia de ser que não me oferecia a experiência prometida pelo título. "O bairro nasceu no ano XX pela concentração de imigrantes Y e por isso virou um pólo cultural de Z" e assim continuava o texto que me deixou disperso e me permitiu voltar minha atenção para a televisão antes mesmo de terminar o primeiro parágrafo, só voltei para terminar algumas horas depois. Devo admitir, antes de continuar, que grande parte da minha decepção é culpa minha por causa dessa mania que eu tenho de criar grandes expectativas. A campanha, no fim das contas não é ruim, a ideia é boa e bastante intrigante, afinal eu fui até o fim para descobrir do que se tratava, não fui? 

O problema da "Storytelling Tecnisa" assim como de diversas outras marcas e campanhas que buscam o storytelling como tecnologia de comunicação é que há uma grande confusão sobre o que é storytelling. O que eu esperava era encontrar boas narrativas que me emocionassem e cativassem, mas ao invés disso encontrei um enorme histórico que, apesar de bem escrito, ainda era frio e pouco engajador. Fiquei triste, de verdade, por perceber a oportunidade que a marca perdeu de apaixonar o consumidor por um daqueles bairros e assim, quem sabe, até vender um de seus imóveis. Com uma ideia dessas eles mereciam um pouco mais de engajamento, mas faltaram alguns pontos importantes, na minha opinião, para que a companha fosse um completo sucesso do Storytelling.

O mais importante desses pontos é  que o storytelling deve trabalhar emoções e sensações, criando sorrisos, levando a reflexão e se possível transformando a publicidade em entretenimento. Trabalhar emoções e levar a reflexão não é função da publicidade e sim da arte, portanto para que uma campanha de storytelling seja completa e alcance todo o seu potencial é preciso se apropriar das técnicas artísticas, no nosso caso, usar o que conhecemos como narrativa.

A narrativa é uma técnica que envolve uma série de padrões e regras para se contar um história, entre essas regras a presença de um personagem com a função de emprestar a sua visão de mundo ao leitor é uma das mais importantes, esse personagem é o responsável por transmitir sensações e amoções que vão além do fato e criar identificação através da experiência, o que faz com que a história seja apreendida melhor pelo consumidor. Um narrador melhor definido como um personagem já faria uma diferença incrível na proposta do "Storytelling Tecnisa". Está tudo lá, a ideia é boa, histórias para contar tenho certeza que não faltam, o marketing e a agência são obviamente bons e antenados, só faltou mesmo um storyteller para transformar essa campanha em um grande case brasileiro de inovação e engajamento.