Futebol e histórias tem tudo a ver. A começar pela tensão, tão presente em grandes jogos e tão necessária a grandes histórias. E não é por ser brasileiro, por torcer pelo time de maiores histórias do país ou por somente ser um grande aficionado no tema que digo isso. A ficção, se souber abordar bem o tema, é capaz de conquistar os espectadores tal qual um campeonato conquista as torcidas.
É o que a emissora colombiana Caracol TV vem fazendo. Em sua mais recente produção, “La Selección”, o canal vem exibindo uma espécie de novela que retrata os tempos de ouro da seleção da Colômbia, entre os anos de 1987 e 1994. Com os ídolos Asprilla, Valderrama, Higuita e Rincón como personagens, a série conta os maiores feitos da seleção, como o terceiro lugar na Copa América de 1987 e um histórico 5x0 para cima da Argentina.

Não só, mas também por isso, a série é um exemplo para as produções brasileiras, que recentemente tem crescido impulsionadas por estímulos do governo. Se na Colômbia, país que, segundo a própria sinopse da série “que ama futebol, mas, por muitos anos, se acostumou a participar das competições sem conquistar muitas vitórias” a série lidera o Ibope do país, uma produção semelhante no Brasil, que nada mais é que o país do futebol, teria bastante potencial para “ser campeã”.
É claro que, num país onde todo mundo é um pouco treinador de futebol, o sarrafo para a qualidade da produção ficaria lá em cima. Entretanto, com a inspiração em programas como o eterno “Canal 100” e alcançando um bom nível, quem sabe a também eterna briga “Novela ou Futebol” pelo controle remoto se resolva em um seriado só.




Contar uma história, seja na cabeceira de uma cama, ao redor de uma fogueira, em uma sala de cinema ou em uma tela de computador, é sempre uma experiência de imersão. Toda história deve ter, de alguma forma, um convite ao atento para que ele esqueça do seu universo por alguns minutos e venha conhecer o universo do personagem.

Game of Thrones, na minha humilde opinião, tem feito os melhores trabalhos em relação a esse convite de imersão. Antes do lançamento da última temporada eu acompanhei ações como a imagem da sombra do dragão no New York Times e os caminhões culinários especializados em receitas do Universo de George R. R. Martin, receitas as quais você pode encontrar no livro oficial de Receitas do universo. Enfim, mesmo entre as temporadas da série e as longas esperas pelo lançamento dos próximos livros, o fã de Westeros e seus cativantes personagens não ficam "orfãos" e não precisam de maneira alguma deixar o complexo universo ficcional.


Em sua mais recente ação a equipe de Game of Thrones preparou uma surpresa para o povo Britânico de uma pequena cidade de litoral que acordou com uma cabeça de dragão do tamanho de um ônibus exposta em sua praia. Além de ser uma bela escultura, a cabeça do dragão, sem conter nenhum tipo de placa ou aviso publicitário se tornou uma das mais famosas ações de divulgação da nova tempora da série. A mídia espontânea gerada pela ação correu o mundo e deu uma nova vida as discussões sobre o futuro da narrativa. Mas GoT não é o primeiro a fazer e eu honestamente espero que não seja o último. Outro George, há alguns anos, já criou um universo que conquistou gerações e gerações através de seus contantes convites aos atentos para fazer parte do seu universo. A famosa franquia Star Wars recentemente vendida à Disney junto da Lucasfilm já havia se tornado desenhos animados, livros, revistas em quadrinhos e muito mais. J. K. Rowling demorou um pouco, mas acabou percebendo a importância de se abrir portas para deixar o público entrar no seu universo e finalmente criou o Potter More. 


Na verdade, se pararmos para pensar, todas as grandes histórias de ficção dos últimos anos souberam convidar seu fãs para se aventurarem ao lado de seus personagens favoritos de uma forma ou de outra. A intereção entre os elementos narrativos e os elementos publicitários se torna cada vez mais indispensável para o sucesso das narrativas nesse novo momento tecnológico em que vivemos.

Ver o “making of” de algumas produções, quase como um exercício metalinguístico, ajuda a formar outra impressão da obra em questão. Digo isso porque, recentemente, lidei com duas “situações”, por assim dizer, bastante curiosas acerca do que se passa “por trás das câmeras” e que me aproximaram de alguma forma das obras.
A primeira delas é uma série de curiosidades que saiu no site da revista Super Interessante essa semana. Em “8 coisas que você não sabe sobre as obras infantis”, se destacam histórias incríveis como a de que o casal responsável pela criação do desenho “George, o curioso” teve de fugir da França devido a invasão nazista, em 1940, com o primeiro livro da história na cesta de uma bicicleta, ou então o fato que J.M. Barrie, autor de Peter Pan, ter doado os direitos autorais de sua obra para um hospital londrino, que recebe por isso até hoje.
Os mais entusiastas hitchcockianos já devem estar estragando meu suspense e pensando na mais recente produção sobre o diretor. “Hitchcock” (2012) conta os percalços da produção de uma das maiores obras do diretor, o filme “Psicose” (1960). Como se não bastassem os problemas de saúde e de relacionamento com sua esposa, "Hitch", como gostava de ser chamado, ainda teve de lidar com um baixo orçamento devido a rejeição das produtoras da época ao roteiro de seu filme.

Com apenas 800 mil dólares para produção e mais de 50 milhões das mesmas verdinhas de faturamento, Psicose é um exemplo para as recentes superproduções que se esforçam para mover bilheterias e cobrir os astronômicos gastos de produção. Mas mais do que isso, pelo menos para esse texto em questão, se uma história tem o poder de humanizar uma marca para o consumidor, a experiência de conhecer a “história por trás de uma história”, pode se dizer, tem o mesmo poder para quem produz ou estuda o storytelling.




Na semana passada eu encontrei um artigo no aerogrammestudios.com com uma compilação interessante de dicas para jovens escritores e, por que não, storytellers.

Li as 23 dicas e cheguei a uma conclusão: podemos resumi-las basicamente em três "regras". Aqui vão as minhas "regras" com base no artigo original.

A primeira, e uma das mais repetidas, regras é algo que de inicio pode parecer óbvio, o que não quer dizer que seja fácil. "Escreva" - dizem os autores citados no texto. Isso mesmo, apenas um verbo, no imperativo: escreva.

Escrever, assim como qualquer outra técnica, é uma arte de repetição e prática, todos os grandes autores dizem que a melhor coisa a ser feita é escrever pelo menos 10 minutos todos os dias (dizem 10 minutos mas querem dizer 1 hora). Essa dica me lembrou de uma entrevista do Jô Soares em seu programa na qual ele revela que quando está trabalhando em um livro ele se obriga a escrever ao menos uma página por dia daquele mesmo projeto, independentemente do quão cansado ou "sem inspiração" ele está.

O velho ditado "a prática leva a perfeição" não poderia estar mais correto em nenhuma outra área, escrever é o que irá te tornar escritor e escrever é o que fará a diferença entre um bom, ótimo ou excelente escritor. 

O segundo conselho também não passa de outro verbo em sua forma imperativa: leia.

Escrever é algo íntimo, resultado de uma série de reflexões pessoais. Ler é a melhor maneira de se descobrir do que se gosta ou não, de entender o que faz um texto ter ritmo ou não, de conhecer novos personagens e determinar o que faz deles bons ou não. Os clássicos serão sempre os melhores professores. Obras que sobreviveram ao crivo do tempo, das criticas e das mudanças sociais são, sem sombra de dúvidas, os melhores exemplos que podemos carregar em nosso repertório referencial. Mas não deixe de lado os livros mais recentes, ou até mesmo as revistas, blogues e jornais, toda leitura faz bem. 

A união desses dois conselhos resultam no exercício absoluto para todo escritor iniciante, como eu, pois ao escrever nos familiarizamos com as palavras e suas peculiaridades no ato da construção textual e ao ler nós analisamos os resultados possiveis para o uso de cada uma dessas peculiaridades.

O terceiro conselho geral, também bastante repetido é: esqueça todos os conselhos que te derem. 

Por incrível que pareça quase todos os escritores concordam com essa regra. Não é que você não deve ouvir os mais velhos, ou simplesmente ignorar os dois primeiros conselhos desse texto e não ler, nem escrever mais. Mas [e uma questão de não se prender aos modelos apresentados, entender que o já foi feito é uma possibilidade já realizada e que o que um escritor sempre busca é o que não foi feito. Dizer palavras já ditas causará pouco impacto, a escrita criativa é uma jornada em busca de palavras não ditas, de novos pontos de vista e novas regras de escrita. Charlie Parker, um famoso e talentoso saxofonista costumava dizer que primeiro você aprende o instrumento, depois você pratica, pratica e continua praticando, mas ai você sobe no palco, esquece tudo isso e só sopra. 

Você pode ver o artigo original aqui!

É a partir do que, nos últimos anos, é chamado de storytelling que contar uma boa história ganha as salas de reuniões, escritórios de empresas e escolas de negócios. Se uma boa narrativa é capaz de chamar a atenção, entreter e comover, por que ela também não pode vender? - Pensamos nós, do ramo.
Mais do que nós, é o que pensa também a escola de negócios de Stanford, na Califórnia, em um recente e bastante interessante texto publicado em seu site. Nele, a autora e professora Jennifer Aaker cria uma espécie de “jogo dos sete erros” do storytelling corporativo. Segundo ela, que se baseia bastante na literatura de Daniel Pink, existem sete pontos principais a se considerar quando contamos uma história para um grupo de consumidores ao em vez de um grupo de amigos.

Falando rapidamente sobre cada um, o primeiro deles é a ordem cronológica. O que vem antes e depois na hora de contar não é necessariamente o que de fato aconteceu, mas o que for aumentar ainda mais a tensão e a emoção da história.
A seguir vem o “telling”. Apesar de sua tradução, “contar”, e de sua inquestionável importância no termo propriamente dito, “storytelling”, uma das grandes premissas de uma narrativa é exatamente não contar, mas mostrar.
Prosseguindo temos o que na tradução literal seria “jargão”, mas que funciona melhor se assim entendermos por “termos técnicos”. Desta forma, a começar pela própria palavra “jargão”, é bom evitar aquilo que vai se perder em traduções e não fala com todos os públicos desejados.
Muito ligado a este está o próximo erro. Seja lá qual for o seu negócio ou o negócio do seu cliente, sempre haverá um ser humano como qualquer outro em cada ponta da relação. Histórias são sobre humanos!
Aí vem a autenticidade. Ainda que a autora afirme que as pessoas gostam de ouvir histórias reais, aqui eu ouso em complementar, evitando a pergunta de “O que é real?”, ou seja: mais do que reais e verdadeiras elas devem ser condizentes.
Em seguida, se acabei de evitar perguntar sobre o que é real por, em anos de estudos dos mais diversos filósofos, ninguém ter certeza, o seu protagonista muito menos. Dúvidas fazem parte, e parte muito grande de uma boa história.
Para terminar, antes que isso mais pareça o atendimento do Spoleto ou do Subway, Jennifer diz que devemos prestar atenção no potencial das histórias de todos ao redor da empresa. Em tempos de Big Data, um banco de histórias não parece uma má ideia.
Ainda que para storytelling não haja, e que bom, uma fórmula totalmente enlatada de como fazer sucesso, as orientações e os caminhos sempre tendem a seguir a linha do que, como dito no início, vai atrair, entreter e comover quem consome a história.