Fernando Palacios, um dos pioneiros de advertelling e branded content do País e co-fundador do Storytellers (primeiro escritório de storytelling do Brasil), foi convidado pela Fundação Arquivo e Memória de Santos para palestrar no VIII Seminário Regional de Memória, Arquivo, Biblioteca e Museu do Litoral Paulista e Vale do Ribeira.

Palacios irá apresentar a metodologia proprietária da “Topologia de Interesse”, que ajuda na identificação das melhores memórias. Segundo o professor, “o storytelling tem duas fontes de trabalho: imaginação e memória. E nessa segunda opção, o storyteller atua como uma espécie de arqueólogo de marcas. Ele explora todo o histórico da corporação em profundidade, até encontrar preciosidades, em informações, que podem gerar lucros incalculáveis”.

Cases de Julio Okubo, cujo resgate desvendou que foram eles que trouxeram a pérola para o Brasil, e de M. Dias Branco – cujo histórico de cada marca foi transformado em contos narrativos, que poderiam facilmente gerar uma antologia vendida nas melhores livrarias do Brasil – serão exibidos ao público em sua apresentação no próximo dia 7 de novembro, às 10h.

O VIII Seminário Regional de Memória, Arquivo, Biblioteca e Museu do Litoral Paulista e Vale do Ribeira ocorrerá nos dias 07 e 08 de novembro na sede da organizadora do evento, Fundação Arquivo e Memória de Santos, localizada na Rua Amador Bueno, 22, no Centro Histórico. 

Vamos falar um pouco sobre tendências.

Segundo Fábio Coelho, presidente do Google Brasil, o período de tempo para a publicidade na internet ser maior do que na televisão será de 5 a 7 anos. Pesquisas recentes apontam que 75% dos profissionais de marketing nos EUA consideram a publicidade de um vídeo na web mais eficiente do que a clássica, na televisão. Na Inglaterra e em alguns outros países a internet já é o primeiro meio em termos de anunciantes. Assim sendo, vemos uma migração midiática tanto em termos de público como em termos de anunciantes para o universo digital. Isso é uma tendência que não deve ser ignorada.

O case Intel/Toshiba "Beauty Inside", vencedor de três Grand Prix de Cannes em 2013, é um ótimo exemplo a ser seguido sobre como se aproveitar da comunicação com o público via internet. “Beauty Inside” é uma web-série sobre um homem que acorda todos os dias em um corpo diferente e que relata sua rotina através de um computador Intel. A história é contada em filmes de 4 a 6 minutos no Youtube e seus atores foram escalados por audições pelo Facebook. Seu sucesso fica nítido diante de 300% de aumento em vendas, 70 milhões de exibições globais, 97% de aprovação no Youtube e 26 milhões de interações na web.






“Beauty Inside” traz também em pauta outra tendência. Segundo o Stylesight, um dos maiores institutos de pesquisa e análise comportamental mundial, em 2015 teremos uma macro-tendência chamada “Memória”. Essa tendência aponta uma natureza de conexão pessoal diferente. Conforme a tecnologia avança e domina espaços emocionais, histórias nossas heranças que farão de nós humanos. São elas que continuarão presentes, sendo recontadas de novo e de novo e de novo. Livros serão substituídos por tablets. A televisão pela internet. Os jornais e as revistas por blogs. E as histórias do passado serão recontadas no futuro de maneiras diferentes. 

Unindo essas duas tendências, que ironicamente são complementares, temos um caminho claro a ser trilhado: o de contar histórias no universo digital.


Spin off, é um termo em inglês que é usado para designar uma empresa ou empreendimento que surge de outra empresa ou empreendimento já existente. O conceito ganhou força no mercado das séries desde a última temporada de lançamentos e renovações, também conhecido como side series, estamos, na verdade, falando da possibilidade de estender o universo de uma série. 

Escrever é a arte da edição, é o ato de colecionar conteúdo e definir o que irá realmente ser publicado. Nenhum conteúdo, nenhuma frase, na verdade, é demais. O tradicional ditado "quanto mais, melhor" não poderia ser mais verdadeiro do que no processo de criação de uma narrativa. Afinal, quanto mais escrevemos, melhor iremos conhecer nossos personagens e suas vidas e quanto melhor conhecemos esse universo, melhor serão nossas histórias. Porém, é possível perceber, no meio do processo de escrita que muito material bom não será publicado. Nesses momentos temos duas opções: podemos praticar o desapego e aceitar que esse material, não importa quão bom ele seja, deve ser retirado da narrativa pelo bem maior, ou seja, para cumprir a função da proposta inicial, ou podemos simplesmente achar uma utilidade diferente para esse material, criar uma segunda narrativa apenas para ele.

Once Upon a Time é uma série da proutora norte americana ABC baseada na adaptação de contos de fada clássicos, unindo-os em uma só história através de seus personagens e trazendo as histórias para o período atual. A série conquistou um público fiel e se tornou uma boa fonte de audiência para a produtora. Mas em séries de televisão, como no empreendedorismo, não há motivos para parar na primeira boa ideia que vem a mente. Depois de duas temporadas de sucesso usando os contos de fadas tradicionais a série foi renovada para sua terceira temporada e, é claro, ganhou uma irmã, um side serie baseada na história de Alice no País das Maravilhas, que apesar de não ser exatamente um conto de fadas, tem um histórico de ser manter próxima da Branca de Neve e outras personagens com as quais já estamos acostumados. É interessante citar, que apesar das séries terem protagonistas diferentes e narrativas bem particulares, um dos personagens que desaparece na primeira série, tem a sua história explicada na segunda.

Outro caso interessante é o da série Chicago Fire, que conta a história de uma unidade de bombeiros de Chicago e todas as dificuldades da vida desses heróis (fictícios) da vida real. A série é baseada nos dramas pessoais desses homens que arriscam suas vidas dia e noite para a salvar civis dos acidentes mais improváveis possíveis. Gabriela Downson, uma das personagens, é a paramédica responsável pela ambulância da Brigada 51 e irmã de um policial com um forte código moral. O personagem Antônio Dawson tem poucas aparições nas primeiras temporadas da série, apesar de fazer parte de um dos principais plots e ajudar a paixão não tão secreta de Gabriela a resolver um problema com um policial corrupto. Parece que o Antônio conseguiu a atenção do público, ou pelo menos dos próprios roteiristas e produtos, pois essa semana após o cancelamento de Iron Side, um série que não passou do segundo episódio, a produtora anunciou que o horário de Iron Side seria ocupado por Chicago PD, um spin off de Chicago Fire baseado nas histórias dos policiais do departamento de Antônio.
Esses recentes spin offs parecem demonstrar que as séries de televisão perceberam uma das principais características de uma boa narrativa e que estão procurando uma maneira de usar isso ao seu favor. Uma boa história, bem construída permite que vários pontos de sua narrativa sejam explorados independentemente, no caso das séries ampliando o público alvo e possibilitando que uma série crie engajamento para outra. Como eu disse, spin off é um termo tipicamente corporativo que chega ao mundo das séries para provar que empresas e narrativas tem mais em comum do que imaginamos.




Contar histórias é inerente ao ser humano. Uma de nossas lembranças mais antigas da infância é, quase sempre, uma história que ouvimos de nossos pais, avós ou tios. Isso, ainda porque, muito provavelmente, essa história tenha sido contada a nossos parentes em uma mesma situação como a nossa, e assim passada de geração em geração. Indo ainda mais fundo por entre a história da humanidade, constatamos que as histórias existem e são contadas desde a época do homem primata, através de figuras desenhadas nas paredes de suas cavernas – as chamadas artes rupestres.
Seja através de histórias de caçadas, mitos, contos de fada ou fábulas, em geral temos que o “ato de contar histórias” está presente desde o princípio da humanidade graças ao seu poder em ensinar lições a seus ouvintes. Ainda que na língua portuguesa este “ato” não tenha para si um termo único que o designe, é na língua inglesa que “contar histórias” ganha conotação especial.
“Storytelling” é um termo que rompeu as barreiras do inglês e transcendeu, no século XXI, à realidade da comunicação publicitária como uma “buzzword”. Buzzword, segundo a Wikipédia, é uma palavra “usada para impressionar, ou que está na moda”. Desta forma, storytelling se difundiu pela publicidade com o objetivo inicial de importar o conhecimento desenvolvido durante anos pela humanidade em contar histórias, para aplica-lo à comunicação de marcas.
Todavia, por se tratar de uma buzzword, muito burburinho é gerado em torno de sua definição e, por vezes, por não se acatar a um mínimo rigor científico, o termo acaba por ter sua relevância denegrida em certa forma. Assim, o valor conceitual de um estudo acerca do storytelling acresce à sua importância como um todo para que se evite o senso comum e os achismos em um tema que historicamente comprova a sua importância.
Esse é apenas um trecho da introdução da minha monografia, que estou finalizando por esses dias como trabalho de conclusão do curso de Comunicação Social pela ESPM. Nela, abordarei como as histórias ficcionais evoluíram na comunicação, a ponto de influenciarem na construção da identidade de marcas. Aguardem!





Umberto Eco, autor do clássico “O Nome da Rosa”, conta que começou a escrever romances ainda quando criança. O seu método era quase sempre o mesmo: 

começava pelo título, desenhava os personagens e em seguida começava o primeiro capítulo. Não por acaso, ele assume que depois de algumas páginas se cansava e desistia de sua obra. Ainda que, no caso de Eco, ele fosse uma criança, quem nunca se sentiu – ou se sente – assim até hoje?

A verdade, por mais irônico que seja, é que para um “escritor”, a última coisa a se fazer em uma história é, justamente, “escrevê-la”. Quase como num espetáculo da Broadway, a história é só o que aparece em cena, mas sem um punhado de contra regras, técnicos, e muito ensaio que compõem um universo ficcional, a magia não acontece.

Em “Confissões de um Jovem Romancista”, Umberto Eco conta um pouco sobre como escreveu seus romances: “da esquerda para a direita”. Piadas a parte, ele também revela todo o seu processo antes a, de fato, escrever em uma folha, da esquerda para a direita:


  1. Estudar: “Minha tese de doutorado foi sobre a estética medieval, e dediquei estudos posteriores à Idade Média. Ao longo dos anos, visitei muitas abadias românicas, catedrais góticas, e assim por diante. Quando decidi escrever o romance (O Nome da Rosa), foi como se abrisse um grande armário no qual, durante décadas, vinha depositando meus arquivos medievais.”
  2. Construir um mundo: “Para narrar algo, você começa como uma espécie de demiurgo criador de um mundo – um mundo que precisa ser o mais fiel possível, de modo que você possa locomover-se nele com total segurança.”
  3. Ideias Seminais: “Somente depois do meu terceiro romance é que percebi com clareza que todos os meus livros nasceram de uma ideia seminal pouco maior que uma imagem.”
  4. Restrições: “As restrições são fundamentais a todos os empreendimentos artísticos. Um pintor que decide usar tinta a óleo em vez de têmpera, uma tela em vez da parede; um compositor que opta por determinado tom; um poeta que escolhe empregar dísticos rimados, ou hendecassílabos em vez de alexandrinos – todos estabelecem um sistema de restrições.”
  5. Duplo-código: “O termo foi cunhado por Charles Jencks(...): A obra de arte ou o edifício pós-moderno se dirigem simultaneamente a uma minoria, uma elite que emprega códigos ‘elevados’, e um público de massa que utiliza códigos populares.”
Umberto Eco não foi o primeiro e nem será o último a escrever sobre processos de escrita de criação de histórias. 
Muitos outros autores já deram suas fórmulas que, apesar de não ser regra, são bons caminhos a se basear. 
Uma regra, entretanto, a todos grandes romancistas como Eco (que também a cita em seu livro) é a de que “genialidade é composta de dez por cento de inspiração e noventa por cento de transpiração.”