Os diálogos são muito importantes em qualquer história. Mas como desenvolvemos esta dimensão da história de forma eficiente?

Boa parte da comunicação humana é baseada na fala. É através dela que nos comunicamos racionalmente aliada é claro a expressão corporal, que é uma forma inconsciente e, na maioria das vezes, irracional de comunicação.

É através do diálogo que você decide suas ações em relação a determinada situação envolvendo outra pessoa, que transmite seus pensamentos e até mesmo emoções. É por isso que o diálogo é uma grande ferramenta do storyteller. Ele transmite as ideias, os pensamentos dos personagens e ajuda a explicar e contar a história e até mesmo influencia a opinião do público sobre ela.

Como escrever bons diálogos?

Uma dica é consumir bastante material: cinema, livros, séries e etc.

Outra dica é: converse! Bons interlocutores geralmente são excelentes contadores de histórias. Você é tímido? Então seja mais observador: repare nas pessoas que são carismáticas, na forma como elas falam, seus trejeitos e particularidades. Afinal de contas a maioria das conversas é, de certa forma uma história.

Um diretor de cinema famoso por seus diálogos é Quentin Tarantino. Assista os filmes dele, preste atenção como em cenas de pouco mais de 5 min ele consegue apresentar seus personagens de uma forma profunda.

Quer ser um pouco mais técnico? Existem alguns livros sobre o assunto, dentre eles o "Diálogo - Cinema" dos brasileiros Julio Cabrera e Marcia Tiburi.

E mãos à obra!



Semana passada eu terminei um relacionamento de 1 ano e meio. No mesmo dia, vi 300: a Ascensão do Império. As duas coisas estão relacionadas? Óbvio que não. Mas, talvez, uma sirva metaforicamente para explicar a outra.



Pare tudo o que você estiver fazendo por um momento e preste atenção nesse post. Ele pode te ajudar muito caso você esteja em um relacionamento como o que eu estava, ou, pelo menos, te dar mais uma boa dica sobre Storytelling.

Relacionamentos amorosos muitas vezes podem ser vistos como histórias. Algumas dessas histórias são cômicas, outras trágicas. Algumas são lindas, outras desastrosas. E algumas são tão boas que precisam de continuação, já outras não.

O caso de 300: a Ascensão do Império é o perfeito exemplo de uma história que não precisava de continuação. Enquanto eu via o filme ao lado da minha futura ex-namorada, senti como se assistisse o Leônidas ser estuprado durante duas horas na minha frente, sem que eu pudesse fazer nada. Sério, na minha opinião, foi o pior filme que eu já vi, enquanto seu antecessor foi um dos melhores.

Isso tudo me lembrou o começo do meu relacionamento. Foi uma história linda, muito linda mesmo. Mas, infelizmente, não foi uma história destinada a ser de longa duração. O tempo e as diferenças foram definhando meu relacionamento aos poucos, e o que me mantinha junto da minha ex-namorada no final de tudo nada mais era do que o medo de tentar algo novo e a segurança de continuar com algo que já tinha dado certo uma vez.

Me pergunto se é isso o que muitos roteiristas e criativos sentem quando persistem em uma história que já deveria ter acabado. A ideia de persistir em um relacionamento fadado ao fracasso é tão relevante quanto à ideia de substituir os 300 de Leônidas por um bando de atenienses escrotos e babacas. Ou de continuar Two and a Half Men sem o Charlie.



Encerrar essas histórias teria sido muito mais digno do que o que fizeram com elas. A lembrança teria sido mais bonita. E revê-las de novo seria muito mais divertido. Foi com esse pensamento que eu terminei meu namoro. Pensando que não era justo arruinar uma história tão linda por medo de tentar uma coisa nova. E hoje, depois de um período de dor e sofrimento, estou bem. E melhor: estou feliz com a minha decisão.


Por isso, meu caro aspirante a Storyteller, deixo o meu conselho aqui para você: saiba quando e como terminar suas histórias, sejam elas dentro ou fora do mundo da imaginação. Você pode começar novas histórias muito mais bonitas. Ou simplesmente dar um fim digno para uma história antiga.


Como usar as técnicas dostorytelling para melhorar sua comunicação.
inicialmente publicada na Revista Você S/A - por Alice Sosnowski

As empresas e os profissio­nais mais antenados nas novidades estão redesco­brindo o poder da narrati­va, também chamada de storytelling. Essa forma de co­municação busca envolver o in­terlocutor ou a audiência e pode ser aplicada tanto para vender produtos e serviços quanto para engajar a plateia num projeto ou ideia. "A mensagem é mais facil­mente absorvida quando vem embalada em uma boa história", garantem Bruno Scartozzoni e Fernando Palacios, professores do curso de inovação em storytelling da ESPM de São Paulo. Uma história bem contada precisa ter personagem, conflito, transformação e sentimentos hu­manos. A técnica funciona para publicitários, profissionais de ven­das, que têm de motivar suas equipes, e marqueteiros. Abaixo, os itens de uma boa narrativa, o passo a passo do storytelling.

Arquétipo: Pode ser o herói, o rebelde, o mago ou o criador. O arquétipo, com suas virtudes e fraquezas, será usado como base para a construção do protagonista.

Transmídia: São di­versas histórias de uma mesma trama criadas para diferentes mídias, como TV, internet e até apresentação em Power Point. Os conteúdos não devem ser iguais.

Universo ficcional: São lugares, cenários, objetos e artefatos que dão consistência à história. É fundamental que a narrativa tenha um contexto.

Trama: O chamado plot, a estrutura narrativa com início, meio e fim, conflitos, resoluções e superações. A trama potencializa os atributos da marca.

Personagem: É o protagonista da histó­ria, que vai revelar os sentimentos humanos. "Marcas não contam histórias. Personagens contam", diz Fernando Palacios, da ESPM.

Highconcept: É o clímax da história­ a cena, o elemento catalisador que captura a atenção do público e revela a mensagem que você quer transmitir.


- Em meados dos anos 1990, o e-book era inventado.
- Em 1995, a Amazon começava a vender livros pela internet, e em 2000 Stephen King publicava seu primeiro livro digital – Riding Bullet.
- Mais de 2 milhões de livros são digitalizados no Brasil no ano de 2006.
- Em 2007, enfim, é lançado o primeiro Kindle, da Amazon.
Desde então, a discussão sobre “qual é o futuro do livro?” e “qual é a nova forma de narrar?” tem, constantemente, esquentado. Para os amantes das páginas impressas, a textura, o cheiro – e todo o ritual que compõe a leitura – são insubstituíveis. Para os simpatizantes dos arquivos .pdf, .epub & cia, a praticidade (seja “logística” ou financeira) de um e-book é latente.
Essa semana, a notícia de que a Marvel está começando a substituir papel por HQs digitais espantou os entusiastas dos quadrinhos que não se importam em perder prateleiras e mais prateleiras com suas coleções.
Nesses mesmos últimos dias, boatos sobre um aplicativo chamado “Spritz”, que promete revolucionar a forma e a velocidade com que se lê um livro, brilharam os olhos daqueles que sempre relutaram em ler Tolstói.
Imagine agora um aplicativo assim em um Google Glass.

A Marvel realmente abominará o papel? Spritz de fato revolucionará a leitura? Questões como essas vieram e se foram desde os meados dos anos 1990. “Do outro lado da história”, surge outra questão: O que muda para os contadores de histórias?
Em termos de produção de histórias, ou de storytelling, as novas formas de consumir uma história acabam por se limitar, justamente, à forma, ou ao telling. Por fim, seja em um livro impresso, leitor de e-book, novo aplicativo ou na plataforma que seu consumidor preferir, o segredo para uma boa história se mantem o mesmo durante todos os anos: os bons “storys” são sempre muito maiores que seus “tellings”.



10 anos depois da "Titanium", aprendemos a contar histórias?
Inicialmente publicada na Revista Exame, por Leonardo Araújo.

A publicidade possui alguns divisores de água em sua história. É o caso do "Just do It", da Nike, do "Think Small", da Volkswagen, por exemplo. Mas há um case que ainda precisa servir de inspiração para as marcas: “The Hire”, da BMW. O Adnews aproveita os dez anos da categoria Titanium do Festival de Cannes – criada para premiar a série de filmes da montadora – para relembrar esta campanha histórica e qual sua importância no mundo criativo.

Lançada em 2001 e produzida até 2002, a série tinha como objetivo rejuvenescer a marca. "Eles pensaram: 'vamos fazer uma coisa completamente diferente'. Geralmente, há 10% da verba para a criação e 90% para a divulgação. Eles inverteram", explica Fernando Palacios, professor de Storytelling na ESPM e Diretor da Storytellers Brand´n´Fiction.

Exatamente, 90% da verba para a produção. O resultado? Nada de videozinhos feitos para a web. Eram superproduções dirigidas por nomes como John Woo (Missão Impossível 2, A Outra Face), Tony Scott (Top Gun, Chamas da Vingança), Ang Lee (Brokeback Mountain, As Aventuras de Pi), Guy Ritchie (Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes), entre outros.

Então a BMW contratou grandes nomes para dirigir seus filmes publicitários e pronto? Não. A marca e a agência "brifaram" os diretores cuidadosamente, pois quando se trata de storytelling e branded & content, é preciso equilibrar. " O ideal é 50% de pensamento de marca e 50% de storytelling no sentido da qualidade da narrativa", explica Palacios.

No case da BMW, as histórias giravam em torno de um veículo da montadora, é claro, e toda a grandiosidade e espírito dos automóveis da marca. Tudo isso com astros de peso no elenco, como Madonna, Clive Owen (o motorista dos filmes), James Brown, Gary Oldman, etc.

A campanha faturou o GP de Cyber em Cannes 2002, bem como outros prêmios como o Clio e o Black Pencil. Além disso, como já foi dito, a série de oito curtas inspirou a criação do prêmio Titanium no Festival de Cannes.

Para ler a matéria original, visite o site: http://exame.abril.com.br/marketing/noticias/10-anos-depois-da-titanium-aprendemos-a-contar-historias

Para aprender a contar histórias publicitárias, conheça o curso Storytelling em Publicidade da Oficina de Escrita Criativa, que começa amanhã!