Storytelling é mesmo uma palavra que já causa muita confusão por quem ainda não entende o poder de uma história, agora se inserirmos a palavra transmidia antes tudo se complica muito mais.  Isso porque transmídia sem storytelling é basicamente multiplataforma e não transmidia. (mas vamos voltar a falar disso em outro post para não complicar). 

O que importa é saber que o passo principal e inicial para uma transmidia dar certo é ter muito conteúdo e deixar ele fluir naturalmente para outras mídia, assim como o novo projeto do RPG Dungeons & Dragons da WOTC.

  • Pra quem não conhece o D&D é primeiro RPG de mesa ou tabletop que ficou famoso pelo mundo inteiro na década de 70 e inspirou séries como o desenho Caverna do Dragão.  A publisher WOTC desenvolveu ao longo dos anos vários storyworld que também são conhecidos como cenários de campanha pelos jogadores 

O cenário atual é Forgotten Realms, que vem sendo construído desde 1967 e foi projetado para acomodar elementos tradicionais de D & D,  um mundo de terras estranhas, criaturas perigosas e poderosas divindades, onde os fenômenos sobrenaturais e magia são bastante reais.

O sucesso do cenário, embalado por uma série de romances de  R. A. Salvatore que se tornaram best sellers nos EUA,  levou-o até os MMORPGs em 2013 quando Dungeons & Dragons: Neverwinter foi lançado (já compreendendo uma série de quatro livros de fantasia) As mecânicas do jogo eram inspiradas na edição do tabletop de D&D - demonstrando um interesse em transmidializar o conteúdo e o gameplay que não cabiam mais em uma só plataforma.

Agora com o lançamento de uma nova edição do D&D (a quinta) a WOTC teve a oportunidade de fazer algo único, aproximando ainda mais o MMORPG do RPG e lançando um conteúdo que converge para o mesmo mundo e o mesmo conflito: Tyranny of Dragons




Nessa próxima aventura os jogadores terão que impedir (ou ajudar) um culto do Dragão que planeja trazer Tiamat de volta para dominar o mundo.  Este lançamento vem com atualização de regras para as duas versões do jogo, novos personagens e em breve uma nova série de HQs e romances.

Os players poderão experimentar uma narrativa mais linear no MMO e depois partirem para suas próprias aventuras com as narrativas emergentes do tabletop, tendo toda literatura produzida em torno de Forgotten Realms e Tyranny of Dragons dando suporte a sua imaginação, isso é pura imersão narrativa transmidia.  Querem embarcar nessa? Conheçam mais no site oficial - dnd.wizards.com



Muita gente pergunta de cursos de storytelling online, tá aí uma chance de conhecer uma introdução ao assunto: palestra online pelo Sebrae-MG amanhã.

http://www.sebraemg.com.br/atendimento/conteudo/cursos-e-eventos



Um dos calcanhares de aquiles do storytelling interativo é o "quão interativo a sua história pode ser".  Produtoras passam anos estudando formas de conectar emoções em jogos através dos seus personagens e do mundo ao seu redor e cada novo personagem que possa interagir com o player abre uma nova árvore de possibilidades do enredo - se for personagem jogador então pode abrir várias.

Tudo isso nos trás dois cenários que ainda são quase imutáveis: Quanto mais personagens maior será o tempo de produção de um jogo e mais caro ele fica.  Por fim, atualmente ainda há pouca possibilidade de um personagem de game construir realmente uma história própria, a maioria das escolhas que ele toma são consideradas "cosméticas" e não vão influenciar no final do game que converge para um ou dois finais apenas. 

Isso não necessariamente destrói a experiência do player, porque quando se joga uma vez o game você consegue se conectar com o enredo e viver grandes experiências com seus desafios, mas quando acaba o game e tenta joga-lo novamente aí a graça toda vai para o ralo.



Agora, Brian Schwab, ex-desenvolvedor da Blizzard Entertainment que trabalhou na inteligência artificial de Heartstone, decidiu trabalhar em um pequeno estúdio em Londres com o intuito de desenvolver uma nova forma de evoluir a narrativa ainda deixar tudo muito mais barato na hora de produzir estes tipos de jogos focados em elementos narrativos. É a engine que ele chama de Storybrick, que vai Diretor de Inteligência Artificial.  Nesse processo o motor gráfico constrói o personagem e suas ações como vários tijolos que vão se conectando e considerando tudo para criar diferentes situações para ele.

Isso tudo ainda está em fase experimental e talvez nem se torne algo muito comercial, existem vários fatores que podem influenciar a construção de um game e muitos jogos estão alcançando o sucesso utilizando as mecânicas tradicionais (como nos games da Bioware, que sempre surpreende com histórias fantásticas) , mas é um caminho e mostra um movimento da indústria para amplificar a experiência - que eu ainda acredito ser mais viável com a transmídia.





Desde 2008 ao menos um membro da Storytellers está presente no evento literário mais importante do Brasil, a FLIP. O que para muita gente é turismo e até festa, para nós é trabalho. Sempre acabamos marcando reuniões com editores e livreiros e, acima de tudo, aproveitamos para nos mantermos informados sobre as novidades no mundo da literatura. Aliás, se estiver por lá, dê um alô.

Aproveitando a viagem, fizemos alguns levantamentos sobre alguns autores e achamos que não custava compartilhar por aqui.

Eliane Brum
Autora brasileira muito premiada e especialista em histórias reais.

Charles Peixoto
Autor brasileiro que ao nascer tinha outro nome e mestre na poesia marginal. 

Elif Batuman
Autora estadounidense que tem se dedicado a estudar grandes épicos.

Vladimir Georgievich Sorokin
Autor russo muito popular na literatura contemporânea e crítico ao regime de Putin.

Joël Dicker
Autor suíço é uma das novas vozes da literatura européia e já vendeu mais de um milhão de livros.

Eleanor Catton
Autora canadense, tão jovem quanto o Joel Dicker e laureada com o Man Booker Prize pelo seu segundo romance, The Luminaries. A mesa traz um clima de Granta VS Geração Sub Zero.

Francesco Dal Co
Historiador italiano especializado em arquitetura.

Paulo Mendes da Rocha
Arquiteto brasileiro consagrado e cheio de histórias para contar.

Michael Pollan
Autor estadounidense que trabalha temas de ativismo.

Charles Henry Ferguson
Documentarista estadunidense interessado em temas de guerra e autoridade em temas de tecnologia.

Etgar Keret,
Escritor israelita e um dos mais populares da nova geração. 

Juan Villoro Ruiz
Autor mexicano que critica as redes sociais e as informações nos meios digitais. 

Jhumpa Lahiri
Escritora nascida na Inglaterra e criada nos Estados Unidos. Passou anos tendo seu trabalho rejeitado e quando finalmente publicou uma coleção de contos, em 1999, vendeu mais de 600 mil cópias e venceu o prêmio Pulitzer no ano seguinte.

Andrew Solomon
Autor estadunidense que fala sobre psicologia e aspectos da depressão. Tem uma palestra interessante no TED.

Jorge Edwards
Autor chileno nascido em 1931 com grande repertório, mas no Brasil ainda pouca notoriedade.

Graciela Mochkofsky,
Escritora argentina que trabalha o interessante conceito de livro-reportagem.

Daniel Alarcón,
Escritor peruano que caiu nas graças da crítica internacional.

Almeida Faria,
Escritor português com grande bagagem.

Mohsin Hamid
Escritor paquistanês que tem inovado na estrutura narrativa e diz que prefere que seus leitores leiam suas obras duas vezes ao invés de apenas metade.


Matéria publicada pelo Diário do Nordeste.
A criatividade inerente ao cearense se uniu aos princípios do design estratégico para propôr ideias pautadas na eficácia da comunicação durante o workshop de storytelling realizado ontem, no Sebrae, dentro da programação da 4ª Semana + Design. O evento, promovido pela Associação Brasileira das Empresas de Design (Abedesing), com o apoio do Sistema Verdes Mares, teve início no dia 21 e segue até quinta-feira, com palestras e workshops sobre temas relacionados ao design.
O storytelling, segundo o responsável pelo workshop e professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Fernando Palacios, é "uma forma sofisticada de se comunicar" visando a construção da identidade de uma empresa. "Se você não tiver uma boa comunicação, as pessoas não vão saber que o seu negócio existe, não vão entender o que você tem de diferente", acrescenta Palacios. O Ceará, na visão do professor, é propício ao desenvolvimento de ideias inovadoras ligadas ao design. "Os profissionais daqui têm essa vontade de aprender mais, se comprometem, se envolvem com o trabalho", destaca.
Inserção
O evento surgiu em 2011, mesmo ano em que foi oficializada a regional da Abedesign no Ceará. "Nossa intenção era mostrar para a comunidade o que estava acontecendo, juntar essas empresas de design que estavam começando a se organizar", lembra o presidente da entidade no Estado, Allysson Reis.
Os temas abordados a cada edição, segundo Reis, buscam aproximar diversas áreas ao design. "A gente tenta ser o mais diverso possível, até por conta da própria natureza dessa área", explica. Hoje com dez empresas associadas, a Abedesign-CE busca difundir e valorizar a aplicação do design entre os profissionais da Capital. "O amadurecimento começou pelas próprias empresas do setor, que perceberam que precisam se preparar melhor ", acrescenta.
De acordo com o presidente nacional da Abedesign, Gustavo Gelli, a entidade vem trabalhando cada vez mais na perspectiva de inserir o design no desenvolvimento da economia. Como exemplo, ele cita a parceria firmada entre a entidade e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil).
"Estamos ajudando oito empresas de vidro a melhorarem suas condições de exportação. O design pode melhorar a produtividade e ser ponta de lança na inovação", garante Gelli. Em todo +o País, a Abedesign reúne cerca de 200 associados.
Economia criativa
Para o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Ceará (Sebrae Ceará), parceiro da Abedesign na organização no evento, o encontro de profissionais é uma maneira de fortalecer a economia criativa no Estado. "Trazer pessoas de fora e estabelecer um dialogo com conteúdo de ponta faz parte dessa qualificação de empresas e profissionais", explica o coordenador de Economia Criativa do Sebrae-CE, Glauber Uchôa.
Segundo um estudo realizado há dois anos pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), em 2011, o Ceará era o Estado com maior representatividade no núcleo de economia criativa na região Nordeste.