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Cena de A Knight of the Seven Kingdoms, série da HBO baseada no universo de Game of Thrones que atingiu nota 10 no IMDb e provocou uma guerra de votos com Breaking Bad

A Knight of the Seven Kingdoms é a série derivada de Game of Thrones que atingiu nota 10/10 no IMDb em 2026, provocando uma guerra de votos com fãs de Breaking Bad. Além da polêmica, a série ilustra um princípio fundamental de storytelling: ao reduzir o escopo narrativo (de guerras continentais para a jornada pessoal de um cavaleiro errante), A Knight multiplicou a conexão emocional da plateia. O princípio é o mesmo que George R. R. Martin aplicou desde 1996: Story é o universo imenso, Telling é o recorte humano que você escolhe dentro dele.

A série que chegou a 10/10 no IMDb (e a guerra que tentou impedir)

Tem algo acontecendo em Westeros que vai além de dragões e duelos.

Na semana passada, um episódio de A Knight of the Seven Kingdoms atingiu nota 10/10 no IMDb logo após a estreia. Dez. A nota máxima. Em seguida, fãs de Breaking Bad entraram em campo para proteger Ozymandias, o episódio mais bem avaliado de toda a história da série. E aí começou uma guerra de votos que derrubou a nota perfeita de Westeros para 9,8/10 e, de quebra, tirou um décimo de Ozymandias também.

Dois lados brigando por uma nota. Nenhum dos dois percebendo que estavam discutindo storytelling.



Estrelada por David Duchovny (Arquivo-X), a série Californication conta a história do escritor e popstar Hank Moody que mais parece um astro do Rock e vive cercado de drogas, bebidas e mulheres. A série, que lembra em certos pontos as pornochanchadas brasileiras, mostra de forma bem humorada os conflitos da vida de um escritor.

Exibida pelo ShowTime nos EUA nesta que é sua sétima e última temporada, Californication tem mostrado de forma caricata o ambiente de trabalho de roteiristas de TV explorando em alguns momentos o conflito claro entre storytelers pantzers e plotters.

No Brasil as aventuras de Hank Moody são exibidas pelo canal FOX na TV paga e no SBT na TV aberta. Vale a pena conferir.

Na última segunda feira, dia 09, o American Film Institute divulgou sua lista com seus 10 melhores melhores filmes e 10 melhores séries, neste post irei falar brevemente sobre 3 das 10 séries e os motivos pelos quais você deve assisti-las. 

Vamos começar pelas séries "originais" da Netflix que merecem seu espaço na lista não apenas pela inovação serem exclusivamente transmitidas pelo veículo online, mas por suas histórias bem escritas e personagens bem desenvolvidos. 


House of Cards é uma série sobre o cenário político norte americano baseado, porém, em uma série originalmente Britânica. O ambicioso Frank Underwood, interpretado por Kevin Spacey, é um político em busca de poder com pouquíssimas limitações éticas para conseguí-lo. 


Uma das coisas mais interessantes da série é a construção dos personagens e a brincadeira do protagonista com a quarta parede, que em diversos momentos conversa diretamente com o espectador, revelando "segredos" para quem assiste a série que os outros personagens não são capazes de ouvir, o que cria uma dinâmica interessante para todo o plot. 

Orange is the new Black é uma comédia dramática que trata da condenação de uma jovem por tráfico de drogas, crime que ela cometerá anos antes quando ainda era uma adolescente inconsequente e apaixonada. Ao ser presa, Piper Chapman (Taylor Schilling) vê a sua vida tomar uma direção inesperada e é obrigada a aprender novos truques e adaptar velhos conhecimentos para sobreviver na prisão.


Uma série baseada em personagens e backgrounds, Orange is the New Black, oferece ao mesmo tempo a emoção de acompanhar a história de uma personagem carismática e comovente e a visão cômica das situações extremas que a personagem é forçada a viver na prisão. A apresentação do passado das personagens e como esse passado as levou para a prisão é uma das coisas mais interessantes da série, provando mais uma vez que o passado dos seus personagens é tão importante quanto o presente. 



Por último vou falar de uma série que me surpreendeu em sua qualidade técnica e principalmente narrativa: Scandal é uma série norte Americana que narra a vida de Olivia Pope e as pessoas ao seu redor, incluindo sua equipe formada por um ex-agente da CIA, um advogado ex-presidiário, uma investigadora particular e uma ex-suspeita de terrorismo doméstico, além é claro do presidente dos Estados Unidos da América, seu chefe de equipe e a primeira Dama. 


O ritmo da série foi uma das coisas que mais me chamou a atenção até agora (ainda estou na segunda temporada e já aconteceu tanta coisa que eu nem saberia por onde começar). Os roteiristas de Scandal não deixam uma página passar em branco e parecem levar isso muito a sério, cada minuto da série é um possível momento de plot twist, o espectador mais desatento, como eu, estará em constante alerta para não perder nada. 



Consumir narrativas e estudá-las é um dos passos mais importantes na vida de um storyteller, o repertório é a sua principal ferramenta nos momentos em que a 'inspiração' te deixa na mão. Por isso decidi listar aqui três séries com personagens que valem a pena estudar. 

White Collar 

A série trata sobre as aventuras de uma dupla inusitada formada por um agente do FBI responsável pela investigação de casos de colarinho branco e um falsificador cheio de estilos que parece nunca ficar sem troques na manga. Ambos os personagens merecem a nossa atenção, mas Neil Caffrei, o falsificador é um caso a parte. Um personagem complexo e constante e bastante condizente com o que imaginamos ser o resultado de alguém com a sua história de vida. Ou seja, um personagem crível com uma história bem definida e bem apresentada para justificar a maior parte de suas ações. 

Californication 

Hank Moody, um escritor americano em decadência faz justiça ao seu nome (Moody pode ser traduzido como um adjetivo para pessoas mal-humoradas) e está sempre em busca da felicidade. O personagem é 100% humano, cheio defeitos, falhas de caráter e sonhos. A série, recheada com uma porção bem servida de referência literárias a Charler Bokowiski, é voltada para os dramas e 'aventuras' de um grupo de personagens 100% humanos, sem super-poderes, ou habilidades especiais os personagens se aproximam do telespectador de maneira invejável. 

Life 

Apesar de seu final repentino na segunda temporada, a série vale a pena. Contando a história do Detetive Crews, um policial que passou 12 anos preso por um crime que não cometou e foi inocentado recebendo um acordo milionário do estado e voltando para a polícia para fazer o que mais gosta de fazer: investigar crimes. Com uma boa dose de comédia a série é na verdade um drama sobre como Crews irá recuperar sua vida após 12 anos preso. Um personagem construído nos detalhes, Crews é um exemplo de como dar credibilidade para o protagonista da narrativa.  

Eu acho fascinante ver a relação que as pessoas criam com personagens fictícios. Essa semana o assunto foi a morte de Brian Griffin o cachorro intelectualizado do desenho Norte Americano Family Guy (Uma família da Pesada em português). Pois é, meus amigos, o animal de estimação da família de um desenho animado morre e a internet vai a loucura, abaixo assinados surgem pedindo pela ressuscitação do personagem. Nesses tempos modernos em que vivemos como produtores e consumidores de informação, tudo ao mesmo tempo, às vezes a ficção atinge a realidade.

O site #savebrian foi criado para coletar assinaturas e convencer os roteiristas do desenho animado a darem mais uma chance para o cachorrinho que, aparentemente, é um dos personagens favoritos do público cativo da série. Mas o que mais me impressionada nisso tudo é que em mais uma semana de existência o site já coletou 700 mil assinaturas ao redor mundo, muito mais do que algumas campanhas de abaixo assinado para salvar a floresta amazônica ou tartarugas em extinção são capazes de conseguir. Além dessas assinaturas o episódio da morte de Brian ganhou um espaço em todas as revistas e blogs sobre narrativas e séries do mundo. Até mesmo o site da TMZ, revista especializada em noticiar fofocas e novidades nas vidas de celebridades hollywoodianas, reservou um espaço em site para noticiar a fim trágico do cachorro.

O que me leva à seguinte pergunta: e se a morte do Brian fosse uma ação publicitária?  

 Estou para conhecer um publicitário que não sonha com um engajamento capaz de colher 700 assinaturas digitais e conquistar mídia espontânea por todo o mundo em só uma semana. Então, não seria demais se a morte do Brian fosse uma ação publicitária, digamos, para um instituto de cuidados com os animais? Ou quem sabe até se esse episódio fosse financiado pelo governo norte americano para conscientizar as pessoas sobre o uso de coleiras? Não seria genial se a morte do personagem fosse, no fim das contas, apenas uma forma de recuperar audiência para a própria série?

As possibilidades são infinitas, mas o importante mesmo, na minha opinião, é percebermos que uma narrativa é uma mídia que vai além do “mostre meu produto por 15 segundos”, se soubermos usar bem a narrativa ela pode gerar consequências inimagináveis. Podemos usar o poder narrativo de produtos culturais a favor de nossas mensagens, sejam elas comerciais, sociais ou apenas de entretenimento. E o melhor de tudo? Se A morte Brian Griffin não fosse em vão, ou seja, isso tudo fosse mesmo uma ação para salvar cães de atropelamento pelo mundo, talvez o público não se revoltasse contra os produtores, mas sim, os elogiassem pela sua ação nobre. 


Eu sou do tipo de cara que é capaz de assistir uma (ou duas) temporadas de uma vez. Sou fascinado pela mecânica complexa da construção de séries, pelo trabalho envolvido em manter uma narrativa viva e interessante por um longo período e por isso, ouvindo as sábias palavras de J.J. Abrams eu tenho mania de desconstruir essas narrativas, separar todas as peças e ver se consigo reconstruí-la sem deixar sobrar nenhum parafuso do lado de fora. 


SEJA CONSISTENTE

Crie um universo, um personagem, ou até mesmo um plot capaz de segurar a história, algo que outra pessoa seria capaz de escrever caso você não consiga terminar o trabalho sozinho. O primeiro motivo que faz disso algo tão importante é que se você conseguir criar personagens fortes e narrativas envolventes o suficiente o espectador irá continuar a história na cabeça dele, criar suas próprias teorias, desenvolver os seus próprios projetos para os personagens e assim ficar cada vez mais curioso para saber o que você, autor, irá fazer com "os planos dele". Isso aumenta o engajamento do espectador na sua história. 

Outro motivo importante para isso, falando especificamente de séries é que muito provavelmente não será você quem irá escrever toda a série. Homeland, por exemplo, já teve 11 roteiristas diferentes e todos eles dependiam dos personagens e da história para fazer a coisa funcionar. Se a sua história é fraca, entregá-la na mão de outra pessoa pode ser um desastre, o novo ponto de vista pode atingir aquela rachadura que você estava tentando esconder, mas se a sua história é boa, um novo ponto de vista só vai te ajudar a manter o espectador atento e curioso. 

O que nos leva ao segundo ponto desse post:

SEJA IMPREVISÍVEL 

Sabe aquele plano que o espectador criou para os seus personagens e para o futuro da sua narrativa? Aquele que eu falei ali em cima que é o resultado de uma boa narrativa? Então, tenha certeza de não seguir esses planos. Se o espectador espera que o personagem pule, faça-o voar, ou ficar sentado, ou sei lá, mude de núcleo e conte outra história enquanto o espectador fica na dúvida se ele estava certo ou não. 

Surpresas são a chave da atenção, é através da surpresa que você irá conquistar a fidelidade do espectador, mas tenha cuidado, não exagere, não destrua o personagem, não force a narrativa. Não importa qual seja a ação, ela tem que ser consistente, você não pode simplesmente, de um episódio pro outro, ou de um capítulo pro outro, transformar a sua moça nerd e delicada em uma ninja super habilidosa. Surpreenda sem exageros. 

NÃO ESCREVERÁS EM VÃO

Esse conselho, na verdade, eu não aprendi com a série, mas Homeland é, pelo menos as duas primeiras temporadas (ainda não assisti a terceira) o melhor exemplo disso que eu já vi em uma série até hoje. Mas afinal, do que estamos falando? 

Certifique-se de que nada do que é apresentado ao espectador seja em vão, ou seja, como diz Cyd Field (o cara de quem eu "roubei" essa ideia) "tudo na sua narrativa deve fazer uma de duas coisas: revelar o personagem, ou mover a narrativa adiante". Toda e qualque cena, interação ou até mesmo fala deve servir ou para apróximar o espectador de um personagem ou para avançar a narrativa. Tudo é ação, tudo é importante, tudo é movimento. É esse movimento que irá manter o seu espectador na ponta do sofá com as mãos cobrindo o rosto, é esse movimento que garante a atenção completa do espectador. 

É esse movimento que irá garantir que os passos acima funcionem de maneira eficaz, dê ao seu espectador tempo para imaginar o próximo passo, mas não deixe-o com tempo para desvendar o resto da história. 


O ano era 2000. Em um voo com destino a Dallas, no Texas, estavam os dois fundadores da Netflix, Reed Hastings e Marc Randolph, e o diretor financeiro, Barry McCarthy. O objetivo da viagem era encontrar John Antioco, diretor da Blockbuster, e negociar a venda da Netflix para a rede de locadoras por 50 milhões de dólares.
“Hastings queria propor uma parceria para Antioco, onde a Netflix divulgaria o nome da Blockbuster na internet e, em troca, a divulgação da Netflix nas lojas físicas. Saímos do escritório dele sob risos, eles achavam que estávamos em um nicho muito pequeno.” – diz McCarthy.
Hoje, quase 13 anos depois, a Blockbuster fecha as portas e a Netflix já vale cerca de 20 bilhões de dólares. Levando em conta que o produto de ambas é, de certa forma, o mesmo, o que mudou de lá para cá?

A resposta para a pergunta é quase óbvia: a Blockbuster não soube se renovar enquanto a Netflix nasceu na inovação. E quando falamos em inovação da Netflix, não é apenas sobre streaming de filmes e séries, mas sobre comunicação e criação de conteúdo de marca que garantiram a ela sair na frente de outras concorrentes dentro do próprio streaming. O que dizer de House of Cards?
Muito além de tão só novas mídias, mas de conteúdo, a publicidade é uma área que vem precisando se renovar – e inovar. Enquanto os dinossauros da propaganda ainda riem em seus escritórios, tudo parece estar bem. Mas não tarda e seu prazo de validade acaba chegando. Afinal, ainda que em 2000 a internet já fosse uma realidade, quem apostaria todas as suas fichas que, um dia, a gigante Blockbuster fosse ruir em seu império? 

Um universo que crie fãs, ou mais que isso, fanáticos. Esse é o sonho de todos os publicitários, principalmente os storytellers. Ter pessoas ansiosas para ouvirem o que você tem a dizer, cativar um público o suficiente para que ele deseje o seu conteúdo e se sinta feliz ao obtê-lo.

Muito antes do Storytellling ganhar nome e virar a febre que é no mercado de comunicação, algumas marcas já sabiam fazê-lo com excelência. Tanta excelência, aliás, que vendiam só isso: história. Afinal, para empresas como a Marvel o produto é o universo ficcional, e esse é um produto cheio de possibilidades. Dos quadrinhos para os cinemas a Marvel conseguiu emplacar grandes feitos, como, por exemplo, a reaparição do Homem de Ferro e o seu mais recente sucesso com os últimos 3 filmes, todos aclamados pelo público de tal maneira que acabou transformando o ator, Robert Downey Jr, em um ícone moderno. Tudo com uma história que não tinha feito tanto sucesso nem nos quadrinhos, nem no desenho animado. 

Essa semana estreou nos Estados Unidos o que pode ser a mais nova fonte de renda milionária da Marvel, a série Marvel's Agents of S.H.I.E.L.D foi o melhor lançamento da emissora ABC nos últimos quatro anos, totalizando 11,9 milhões de espectadores em sua estréia. A série estreou no Brasil dia 26 de Setembro de 2013 pela emissora Sony, às 21.00 horas e antes que surjam quaisquer dúvidas, sim, vale a pena a assistir. 

Se eu tivesse que definir esse primeiro episódio da série para algum fã da Marvel eu diria que é banquete de referências e piadinhas sobre o nosso amado universo, ou melhor, sobre um dos nossos amados universos. A série trata da jornada de uma equipe da agência super-secreta S.H.I.E.L.D chefiada por Nick Fury, representado por Samuel L. Jackson no último filme dos vingadores. Infelizmente, porém, o único personagem da Marvel que já cansou de desafiar e prender o Wolverine não está no elenco, pelo menos por enquanto. Na série nos reencontramos com o Agente Coulson, que supostamente morreu durante o ataque de Loki em Os Vingadores. O mesmo personagem que apareceu no fim de um dos filmes do Homem de Ferro para avisar que havia encontrado o Mijolnir o famigerado machado do Deus nórdico Thor. 

Pois é meus amigos, está tudo ligado, todos os pontos estão amarrados e bem apresentados, todas as histórias fazem parte da mesma tenebrosa trama da Marvel para conquistar nossa atenção e, é claro, nossos ingressos para os próximos filmes e revistas em quadrinhos. Uma estratégia transmídia realizada por uma das maiores e, ouso dizer, melhores contadoras de histórias do mundo.  

A série Breaking Bad chegou ao seu fim ao ritmo de muita euforia por parte de quem acompanhou, e de muita cautela de quem, como eu, vive fugindo dos spoilers porque ainda não chegou ao episódio dezesseis da quinta temporada. Aliás, a começar por aí a série já mostra o que tem de mais especial na sua construção, ao ser pensada e filmada tão só para cinco temporadas.
Assim, continuando o post do Luis Gaspar na semana passada, sobre o que podemos aprender com Breaking Bad, eu ainda acrescentaria uma grande máxima das grandes histórias que volta-e-meia aparece por aqui: boas histórias são criadas nos detalhes. Dentre os diversos detalhes em sites e blogs sobre “curiosidades de Breaking Bad”, alguns aqui merecem destaque e colaboram para que a série tenha, por assim dizer, os "99,1% de pureza".

No quesito “personagens”, a boa construção deles na série é um mérito que tem sua explicação desde a seleção e a preparação de autores. Bryan Cranston, que faz o protagonista Walter White, foi treinado por um professor de química real para viver o seu papel. Além disso e mais impressionante que isso é o fato de que o filho de Walter na série, Walter Junior, é interpretado por um ator que também tem paralisia cerebral, R.J. Mitte. A preparação de Aaron Paul, para viver Jesse Pinkman na série, também foi intensa e regada a muita bebida em bares – tudo, é claro, para trabalhar o vício com total verossimilhança.

Em se tratando de roteiro, a série de Vince Gilligan também é um belo exemplo a ser seguido. O autor, que diz ter pensado na série depois que seu amigo, também roteirista, disse que se eles não conseguissem vender um filme para Hollywood comprariam uma van e fabricariam metanfetamina no deserto, não precisou ser tão drástico na vida real – mas soube adaptar perfeitamente para a ficção. Em seu roteiro não há espaços para improviso. Cada palavra é parte do texto, inclusive cada gíria como os clássicos “Yo!” ou “Bitch” de Jesse na série.
Tudo isso, sem dúvidas, não sai barato. Estima-se que cada episódio da consagrada série custou cerca de três milhões de dólares – muito mais do que Walter White almejava conseguir no início da série quando descobre que tem câncer e resolve deixar um dinheiro para que sua família possa viver.


Toda história, seja real ou ficcional tem dois lados, normalmente acompanhamos o ponto de vista de quem nos conta a história, no caso de uma narrativa podemos dizer que é essa a principal função de um protagonista. Nos apresentar o universo e os acontecimentos através do seu próprio ponto de vista, nos emprestar os seus olhos para vermos as coisas do mesmo jeito que ele vê.


A filosofia nos diz que o ponto de vista de uma pessoa é formado por sua experiência no mundo, a semiótica concorda ao explicar que o significado de algo vai além do que ele representa praticamente, significados são abstratos e dependem, também da sua experiência de vida. Por isso, para que uma narrativa seja crível, ou seja, verossímil, precisamos ter personagens bem desenvolvidos o suficiente para que o autor saiba qual é o ponto de vista do seu personagem, como ele irá reagir as situações que lhe impostas e qual será a sua opinião sobre os acontecimentos ao seu redor. 

De acordo com Syd Field há dua maneira de se construir uma narrativa, a primeira é ter uma ideia de acontecimento e a partir dai criar personagens que se encaixem nesse acontecimento e a segundo é criar um personagem e trabalhar nele o suficiente para ele mesmo lhe apresente uma história. Eu não sei dizer qual foi o método escolhido pelos produtores da Showtime, responsável pela série, o que eu posso afirmar é que eles com toda certeza sabem que o personagem é a alma da série. 

Como eu disse logo no começo, toda história tem os dois lados e nós estamos acostumados a conhecer apenas um deles, mas Homeland decidiu mudar essa história e nos apresentar dois pontos de vista partindo de um só personagem. Pois é, a grande crise do nosso protagonista é na verdade a metáfora na qual são baseados os acontecimentos da série. Para quem ainda não assistiu aqui vai uma pequena sinopse da série;

O Sargento Nicholas Brody foi dado como morto em combate enquanto cumpria seu dever na guerra do Iraque, porém, 8 anos depois, durante uma ação anti-terrorista, um grupo de soldados o resgata e ele volta para os Estados Unidos e para a sua família. Nesses 8 anos muita coisa aconteceu e todos estão mudados, mas ninguém mudou tanto quanto Brody, um soldado americano que aprendeu a ver a guerra anti-terrorista com os olhos dos próprios terroristas. 

Envolvido em um emocionante esquema Brody tem que aprender a lidar com suas novas e antigas crenças e é essa crise, entre ajudar a grande nação amaericana a se proteger dos terroristas ou defender a nação Árabe, vítima de preconceito e ataques um tanto desonestos que coloca Brody entre a facção terrorista mais desejada da CIA e a própria agência de inteligência americana. 

Além de apresentar bons persoangens com ótimos pontos de vista e profundo conhecimento de seu passado os roteristas da série fazem questão de não deixar um só acontecimento passar em vão, em ótimas cenas alternadas entre ação e drama pessoal, tudo o que acontece na série tem um significado, deixando o espectador sempre curioso, sempre nervoso e sempre querendo mais ação e mais drama. Um plot que está sempre te revelando novos segredos dos personagens ou criando novas situações que levam todos em direções diferentes é o segredo dessa série que ainda está em sua segunda temporada. Além disso o uso do velho lema proposto por Hemingway deixa a série ainda mais interessante. "Mostre, não conte" dizia o escritor norte americano no intuito de instruir escritores a criarem ações que revelem o que querem revelar ao invés de apenas relatar os acontecimentos.  


Os perigos do apocalipse zumbi não se aplicam apenas aos personagens. Muitas vezes escrever é um processo "orgânico" e cronológico, uma brincadeira de personagens e uma sucessão de "e se"s que acabam se transformando em uma narrativa. Esse processo arriscado de construção narrativa já custou dois showrunners (responsáveis criativos da série) em 18 meses. Eu sei que estou simplificando muito o processo, mas foi basicamente assim que a AMC conseguiu quebrar todos os recordes de audiência de séries com The Walking Dead.

CUIDADO COM AS PROMESSAS

Uma das coisas mais importantes em uma narrativa, seja ela série ou livro, é o que chamamos por aqui na storytellers de Grã-conceito, ou seja, aquela promessa que fazemos ao espectador quando apresentamos a nossa história. Quando falamos de The Walking Dead o grã-conceito é bem simples "Um xerife norte americano que acorda de um coma no meio do apocalipse zumbi e começa uma jornada para proteger e salvar sua família, encontrando no caminho, além dos obstáculos apocalíticos, muitos outros sobreviventes" ou simplesmente "Uma história sobre sobre o apocalipse zumbi".

Com um grã-conceito assim, precisamos apenas de bons personagens e alguma imaginação. Conhecendo nossos personagens somos capazes de prever o que eles fariam em certas situações e é ai que entra o "e se..." na brincadeira. Dai pra frente é só continuar escrevendo e se perguntando, "e se eles fossem atacados por 100 zumbis ao mesmo tempo, o que fariam?", " e se eles forem atacados por um grupo de humanos?", "mas e se a mulher estivesse grávida?" e imaginar as respostas de cada personagem para cada uma dessas situações. Pronto, temos uma história... ou não... 


PENSE NAS PESSOAS

Um bom personagem é para o autor como um de seus melhores amigos já que é preciso ter a capacidade de descrever o que ele faria em determinada situação. Pense no seu melhor amigo e tente imaginá-lo no apocalipse zumbi, o que ele faria? Será que ele seria um sobrevivente? Como ele morreria? Qual seria a fraqueza dele que o levaria a morte? Ou qual seria qualidade que garantiria sua sobrevivência? 

Pense nas pessoas, o público tem que entender os personagens como você os entende, se relacionar com eles. Fazê-los acreditar que o personagem é real e humano, vai te ajudar a fazê-los acreditar que todo o resto também é real. 

NÃO SE ESQUEÇA DOS ZUMBIS 

Um dos perigos de seguir a regra de cima é que nós podemos nos esquecer das nossas promessas, então vamos lembrar que: se você prometeu uma história sobre o apocalipse zumbi entregue uma história, no mínimo, sobre zumbis. Pensar nas pessoas é importante, saber o que elas fariam também é, mas no fim das contas o que deve determinar suas ações na história, assim como na vida, deve ser a situação em que estão inseridas, portanto, os zumbis devem fazer parte do "e se..." e ao invés de reagirem eles devem forçar reações, invadir áreas desconhecidas do acampamento supostamente seguro de seus personagens, vez ou outra pegar a menininha loirinha que vocês estava começando a conhecer e se apaixonar e quem sabe até atacar o líder da turma só pra criar um conflito.


Um dos problemas desse tipo de processo é que podemos nos perder no meio do caminho e, ao invés de escrever sobre os zumbis, transformamos a história em um relato sobre um grupo de pessoas forçadas a viverem juntas, dramas pessoais entre eles tomam conta da narrativa enquanto o apocalipse se torna uma desculpa para a união dos personagens, com uma ou outra aparição de um zumbi.  






Post de madrugada, um tanto atrasado, mas ainda no clima de Halloween e ainda falando de transmídia. A série True Blood da HBO já colocou nas prateleiras dos super-mercados americanos a bebida Tru Blood que de acordo com a história é um sangue sintético desenvolvido por cientistas que permite que os vampiros sobrevivam sem se alimentar de seres humanos, o que faz com que os vampiros parem de se esconder e se revelem na sociedade.

No episódio de número 3 da quarta temporada um dos personagens da série convidas todos os humanos a entrarem em um site, e adivinhem só o que acontece quando realmente procuramos a página na internet. O site realmente existe é nada mais é do que uma página de blog dedicada a provar a existência de vampiros em nossa sociedade. Caso você seja como eu e ainda esteja no clima do Halloween, vale a pena dar uma conferida no site http://www.vamps-kill.com

Eai, você acredita em vampiros?


Encontrei isso no meu e-mail essa semana quando um amigo me enviou com o título “já assistiu MadMen?” Apesar da minha resposta ser um envergonhado “não”, abri a mensagem para ver do que se tratava e, para minha surpresa, não era nada mais, nada menos do que essa tabela periódica da série. 

Genial não? Devo admitir que eu estava adiando, mas depois dessa não dá mais, tenho que ceder a loucura. Já encomendei o meu!