WilyKit e WilyKat falam de aborto, redução da maioridade penal, legalização e uso recreativo de drogas, e contam como ficaram reféns de Mumm-Ra, a bicha velha de vida eterna.

Era o ano de 2003 após a guerra com o povo Cão e mesmo tendo forjado uma aliança nefasta com o afetadíssimo Mumm-Ra, Lion-O não conseguiu evitar que parte de seu povo gato (os principais dissidentes de Thundera) fosse escravizado pela múmia cri-cri e seus asseclas mutantes. Nesse processo, os dois "ninfetos" felinos acabaram virando room service da tumba do faraó falido. Em entrevista exclusiva para a Storytellers, os dois adolescentes contam como foi essa bizarra – e desconfortável – experiência.

Storytellers- Vocês ficaram reféns durante quanto tempo?

WilyKat- Durou apenas cinco edições, mas pra nós foi uma eternidade. E ficar refém de múmia por uma eternidade... mano, cê tá fodido! (Risos)



Storytellers- Como ocorreu a captura?

WilyKit- Durante a guerra com aqueles cães dos Wardogs, a gente (os Thundercats) tava perdendo, já que eles tinham a ajuda dos Lizarianos (Povo Réptil), que são fortes pra caralho! Foi aí que o Lion-O (na época, recém-coroado Rei do Terceiro Mundo) teve a brilhante ideia de se aliar à nosso arqui-inimigo. Foi a maior furada! O pulha traiu a gente e botou geral pra trabalhar forçado nas minas, plantações e pra erguer mais pirâmide e ídolo pros Antigos Espíritos do Mal. Sabe qual é, né? Quem faz acordos com o diabo...

Storytellers- Vocês ralaram no sol também?
WilyKat- Como eu e minha irmã somos os novinhos da parada, a múmia cretina botou a gente de bucha servindo cafezinho. E não só servindo cafezinho.


Storytellers- O que mais vocês eram obrigados a fazer?
WilyKit- Cafezinho era o de menos. Quando a gente foi recrutado pros aposentos do dito cujo, fiquei apavorada! Pensei que ia ser violentada! Foi um horror!



Storytellers- Vocês chegaram a sofrer abusos sexuais?
WilyKit- No início, achei que ia sofrer mesmo. Ainda mais quando vi as roupitchas que o Escamoso trouxe lá de um sarcófago lilás. Tinha que dar banho de ofurô todos os dias na múmia velha. Múmia velha é redundância, né? (Risos) Na primeira vez, fiquei assustadíssima! – Medo! – pensei. Imagina ter que encarar bilau de múmia? Nem na versão fitness do Mumm-Ra (Risos). Mas daí vi que eu ia ser só a escrava confidente. Já o meu irmão...



Storytellers- O que ele te obrigou a fazer, Wilykat?

WilyKat- Prefiro não falar sobre o assunto. (suspiro) 


Storytellers- E como conseguiram escapar?

WilyKat- A fim de atrair Lion-O pra uma arapuca, a múmia velha--

WilyKit (interrompendo)- Múmia velha é redundância, Wilikat!

WilyKat- Enfim, a múmia v... o Mumm-Ra me mandou de mensageiro pra atrair o Lion-O pra uma casa de caboclo (embuste onde uma pessoa é atraída para um local sigiloso para ser executada). Eu me arranhei todo pra fingir que tinha fugido e chamei Lion-O pra pirâmide.



Storytellers- Você não contou a ele a verdade logo que chegou?

WilyKat- Não. A melhor maneira de enganar alguém é acreditar na própria mentira. Quando a gente chegou lá ele descobriu tudo, libertou geral e nos escafedemos daquela porra!



Storytellers- Como você sabia que ia dar certo?

WilyKat- Regalia de protagonista, né? Eu tinha certeza que o Lion-O ia sacar que era "caô" (gíria para mentira) e vencer a parada. Senão não tinha virado rei.

Storytellers- E ele perdoou você?

WilyKat- Hhmmm... mais ou menos. Depois que acabou tudo e geral tava voltando, eu fui condenado a vagar um tempo pelos desertos do Terceiro Mundo. Só pra aprender a não enganar o rei. Sabe como é, né? Leão é majestoso, é bonito, mas não admite traição.



Storytellers- Então você admite que acha Lion-O bonito?

WilyKat- Qual é, tá me tirando? Geral acha leão bonito. Homem, mulher, todo mundo! Cê não acha ele gato, irmã?

WilyKit- Olha, no nosso caso todo mundo é gato. Mas, sinceramente, prefiro o Panthro. Negro, mais velho, mais inteligente... grosso... ! Esse negócio de homem bonito não me atrai muito não, sabe?

Storytellers- E que fim levou Mumm-Ra?

WilyKit- O Panthro... ai! (suspirando), segurou ele e o Lion-O desceu a porrada! A múmia virou pó.

Storytellers- Então vocês eram escravos do pó?

WilyKat- Mais ou menos, mano. De vez em quando rolava um agrado--

Storytellers (interrompendo)- Um agrado da parte dele ou da de vocês?

WilyKit- Das nossa parte TINHA que rolar agrados. Principalmente da parte do meu irmão. (Risos)



Storytellers- Um agrado da parte dele.

WilyKat- Então?! O que eu tava falando... de vez em quando rolava um agrado da múmia velha que botava um risc--

WilyKit (interrompendo)- Múmia velha é redundância!

Wilykat- Foda-se!

Wilykit- Ele só virou pó no final da estória toda, então acho que a sua pergunta não procede.

Storytellers- Além dos abusos sexuais e dos trabalhos forçados, vocês eram estimulados ao uso de entorpecentes?

Wilykit- Dentro da pirâmide é mais fácil você me perguntar o que não rola. Eu tinha acesso a tudo de graça, digo, sem ter que fazer mais nada, já que a mona precisava de alguém pra conversar, além daqueles espíritos. Falar com ser invisível o tempo todo é foda, né? Já o meu irmão tinha que ralar mais duramente pra ter as regalias.



Storytellers- Mudando de assunto, como vocês encaram o uso de entorpecentes e como o rei Lion-O está tratando a legalização das drogas no Terceiro Mundo?

Wilykat- Droga pesada é viagem errada, cara! E olha que de viagem a gente entende. A gente saiu lá da puta que o pariu que era Thundera pra vir pra cá, outro fim de mundo.

Wilykit- Maconha, sálvia e psicoativos alucinógenos como o cipó jagube, o cogumelo amanita muscaria e a semente agireia já estão sendo cultivados para comércio e uso indiscriminado da população. Mesmo algumas drogas sintéticas como o MDMA já estão sendo sintetizadas em nossos laboratórios. Já a cocaína impera lá nos domínios de Mumm-Ra e dos Mutantes e dos Lunatacs. Os Coffee Shops são abundantes em nosso reino desde que Lion-O assumiu.



Storytellers- E a folha de coca?

Wilykat- Vigora na mesma lei da Cannabis e da Salvia. A folha de coca não é crime.

Storytellers- Mas corrói os dentes.

Wilykat- Viver faz mal à saúde. E quem quer viver para sempre? Só a bicha velha que fica de ti-ti-ti com aqueles espíritos do "tempo do Onça" (expressão para "de antigamente")...

Wilykit- Você tem que morrer todos os dias pra não morrer. É um paradoxo interessante. Se você não dormir, vai morrer mais cedo, vai ter uma vida menos saudável. O sono, assim como o orgasmo, é uma pequena morte. E nós gatos adoramos dormir.

Storytellers- E como fica a questão da maioridade penal?

Wilykit- Filhotes bem educados viram adultos que não dão trabalho à sociedade. Infelizmente muitos filhotes não foram bem educados e é impossível fazer vista grossa pra suçuarana que se acha Sphynx. Pra nós é como Bar e Bat Mitzvah. Aos seis anos e mais um dia para as fêmeas e aos sete anos e mais um dia para os machos. Somos educados para sermos autossuficientes. Não somos cães.



Storytellers- E o aborto, será legalizado?

Wilykit- Nenhuma fêmea gosta de abortar, mesmo parindo uma ninhada. Mas é importante que ela possa ter a opção de não ter uma gravidez indesejada, mesmo quando não se pode sustentar a ninhada.


Wilykat- Hoje, com nossa tecnologia avançada, é raro algum filhote morrer durante seu crescimento. Nós levamos anos pra reconstruir nossa sociedade no Terceiro Mundo e não queremos uma superpopulação. Seria mais difícil educar os filhotes para construirmos uma sociedade justa e saudável e a criminalidade aumentaria.



Wilykit- Veja o que aconteceu com os Wardogs, os Lizarianos, os Mutantes e os Lunatacs. São sociedades decadentes e desorganizadas. Os recursos naturais rapidamente se esgotam. Saímos às pressas de Thundera e tivemos que deixar alguns dos nossos pra trás. Não foi fácil essa diáspora sideral. Não queremos que o mesmo ocorra no Terceiro Mundo. Gato escaldado tem medo de água fria.



Créditos das Imagens (a partir da primeira):

Imagens 1, 2, 3, 4, 5, 7, 10, 11, 13, 14, 15 & 16, da HQ Thundercats - The Return

Imagens 6, 8, 9 & 12, da HQ Thundercats - Dogs of War

WildStorm Comics

Assassinos famigerados, temidos tanto no plano físico quanto no astral, entrevistamos cinco dos mais famosos “monstros” da história. Embora nenhum deles seja inumano (à excessão de Chucky), todos fazem jus ao título, devido às atrocidades que cometeram. Storytellers foi até o Asilo Arkham (em Gotham City) para descobrir o que pensam – se é que pensam.


Em meio a corredores amplos e devidamente escoltados pelo Comissário Gordon e pelo psiquiatra Leonard Samson, adentramos as entranhas do Asilo Arkham, o manicômio judiciário mais capacitado a abrigar superseres de sanidade mental ímpar. Como três dos entrevistados não falam, tivemos a assistência de Charles Xavier para perscrutar suas mentes e servir como intérprete.

Storytellers- Como vocês se sentem tendo feito tudo o que fizeram?

Freddy Krueger- Você deveria se perguntar como EU me sinto por ter sido morto por meus PAIS.

Charles Lee Ray (Chucky)- Cara, eu já não sentia muito quando tinha forma humana. Imagina no corpo de um boneco, que nem coração tem. (Risos)


"Já não era fácil ser uma criança deformada e ainda ter sido deixado pra morrer afogado enquanto o casalzinho que tava lá pra tomar conta de mim tava se pegando. Por que tu acha que eu tenho predileção por casalzinho apaixonado?" - Jason

Jason (Psicografado por Charles Xavier)- Já não era fácil ser uma criança deformada. Menos fácil ainda ter sido deixado pra morrer afogado enquanto o casalzinho que supostamente tava lá pra tomar conta de mim e das outras crianças tava trepando. Por que tu acha que eu tenho predileção por casalzinho apaixonado?

Leatherface (Psicografado por Charles Xavier)- Geral da minha família faz barbaridade e eu fui educado assim. Fora que eu sempre fui um monstro numa família de monstros. Tu qué o quê, porra?!

Michael Myers (Psicografado por Charles Xavier)- Na minha primeira vez eu era criança. Era Dia das Bruxas e eu nunca curti muito doce... 

Storytellers- Então vocês justificam suas atrocidades pelo histórico de vida de cada um?

Chucky-
 No meu caso, não. Sempre fui ruim que nem beira de rio em final de enchente. Tava encurralado, cheio de tiro nos peito, e vi nesse boneco uma chance de viver pra sempre. Se é que se pode chamar isso de viver.

Freddy Krueger- Bom, não é todo mundo que foi morto por quem lhe deu a vida...

Jason- sofri bullying desde que se chamava "zoação". Ainda morri afogado e, quando dei por mim, já tava grande. Não tenho nem memórias de adolescência. Eu sou o caso de Master-Blaster mais escroto da história, já que não tenho Master nenhum. Fora que faz o maior frio em Crystal Lake.

Leatherface- Eu fiz alguma atrocidade?

Michael Myers- Acho engraçado que só é considerado atrocidade numa via de mão única. Ninguém aqui é santo, eu sei, mas todos sofreram atrocidades antes de se tornarem o que são. Menos eu e o boneco aí (referindo-se a Chucky). E eu falei na época que não gostava de doce, porra!

Storytellers- Com exceção de Leatherface, que deu um upgrade na "carreira" (com o último filme e com o próximo, que sairá em 2016, somente sobre sua vida), todos vocês parecem estar meio em baixa, né?

Chucky- Eu sempre estive em baixa, né? 

Freddy Krueger- Eu tava em baaaixo mesmo! Lá no quinto dos infernos dei uma ideia no idiota do Jason pra tocar o terror na molecada pra eles voltarem a ter pesadelo e me alavancar de sei lá qual círculo do inferno que eu tava. Mas é foda! A molecada hoje não se assusta com as mesmas coisas de antigamente.


"Tô pensando em dar um rolé no Brasil. Geral usa máscara no Carnaval. Imagina?! Cinco dias pra barbarizar! E ainda tem a quarta-feira de cinzas." - Michael Myers

Jason- Eu não sei porque fui dar ouvidos a esse filho da puta! No final só serviu pra gente ser humilhado, sair na porrada e vir parar aqui.

Leatherface- O que é upgrade? Tá me tirando?

Michael Myers- Tô pensando em dar um rolé no Brasil. Geral usa máscara no Carnaval. Mais fácil dichavar (Risos). Imagina?! Cinco dias pra barbarizar (Gargalhadas)! E ainda tem a quarta-feira de cinzas.

Storytellers- Então vocês acham que monstros como vocês não assustam mais como antigamente?

Michael Myers- A gente nunca assustou ninguém. Nem dava tempo de ninguém ficar assustado.

Leatherface- Te garanto que sem a máscara é pior. (Na imagem, a foto do momento em que Leatherface foi apanhado, registrado pelo aparelho celular de um policial).  


"Sempre me amarrei em máscara. 
Halloween eu sempre preferia as tricks do que as treats
Não tinha dinheiro pra comprar máscaras, 
daí eu 'doyourselfizei' a minha própria" - Leatherface
Jason- Sóóó...

Freddy Krueger- Cara, o problema nem é o medo. Os jovens de hoje dormem menos. Fora que esses remédios que impedem de sonhar são foda! Mal sabem eles que o Alzheimer os espera. (Risos)

Chucky- Olha esse mundo como tá, bróder! Cê acha que nêgo vai ter medo de monstro?

Storytellers- O Modus Operandi de vocês é bem diferente um do outro. Vocês poderiam falar um pouco sobre isso?

Freddy Krueger- Eu simplesmente esperava os otários dormirem e cortava o Cordão de Prata, separando a alma do corpo físico. A luva com as garras era só pra compor o visual. Sabe como é, né? Faz o inconsciente atuar a meu favor.

Jason- Nem sei o que é Modus Operandi. Só ia lá e descia a porrada!


"O Kardecismo é tão ridículo que só fez sucesso no Brasil. O país de vocês é assim mesmo. Até o Positivismo virou igreja no Brasil. Como eu sei disso tudo? Habito o mundo dos sonhos. A humanidade pra mim é uma biblioteca." - Freddy Krueger

Michael Myers- Eu ficava passando devagariiinho de carro, de rolé. De máscara, pra botar um terror. À noite, que geral fica com o cu na mão, eu atacava. Você se espantaria com a quantidade de gente que deixa a porta de casa aberta e vai dormir.

Chucky- Que mané Modus Operandi, rapá! Isso é coisa de baitôla!

Leatherface- Não sei que porra é essa, mas o meu dom é de família, né?

Storytellers- A respeito do Modus Operandi, faremos uma pergunta para cada um individualmente. Freddy, como você sabe o que é Cordão de Prata, se não é brasileiro?

Freddy Krueger- Cara, sinceramente, o Kardecismo é tão ridículo que só fez sucesso no Brasil. O país de vocês é assim mesmo. Até o Positivismo, que não rendeu o menor "ibope" na França, virou igreja no Brasil. Como eu sei disso tudo? Habito o mundo dos sonhos, cara. Absorvo o Inconsciente Coletivo de geral. A humanidade pra mim é uma biblioteca.

Storytellers- Jason, você tem intenção de diversificar o tipo de vítima, além de jovens enamorados?

Jason- Essa pergunta é engraçada porque a gente tá próximo do Dia dos Namorados  de vocês e eu nem matei ninguém. Valentine´s Day sempre foi minha data favorita.  Bicho não tem graça porque é instintivo e não entra em pânico igual gente. 

Storytellers- Você diversifica bastante o seu Modus não é, Chucky?

Chucky- Que mané Modess, rapá! Tá maluco?!

Storytellers- Me refiro à maneira como você trucidava suas vítimas.

Chucky- Tá dizendo que eu sou o mais versátil da cambada aqui? Bom, o Jason é um boçal e o Leatherface, um retardado. O Myers é meio caladão e o Freddy é o mais rebuscado mesmo...

Storytellers- Leatherface, a despeito do que disse o Chucky, essa máscara já demonstras uma bom nível de subjetividade da sua parte.

LeatherfaceO que eu sei é que a minha cara é feia pra caralho e eu sempre me amarrei em máscara. Halloween eu sempre preferia as tricks do que as treats. Não tinha dinheiro pra comprar máscara, daí eu "doyourselfizei" a minha própria.

Storytellers- Michael, se você ampliasse um pouquinho o seu senso de justiça, poderia se tornar um anti-herói como Rorschach (Assassino serial que integra a equipe Watchmen).

Michael Myers- Expressão inexpressiva é massa, né? A máscara dele é mais "da hora", mas sou mais a minha. Ele se baseia naquele psiquiatra suíço, né? Ninguém sabe quem foi esse tal de Rorschach...

Storytellers- Se quase todos vocês são superseres e alguns nem fazem parte do Plano Físico, como foram pegos?

Michael Myers - Aquele policial filha da puta me perseguiu a vida inteira pra meter bala no meu peito. Sorte que eu não morri. Depois eu que sou o maníaco. Por que ele não tá aqui também?!


Jason- Na hora do desespero, parceiro, até moleque dá porrada em nós.

Chucky- No meu caso, fica difícil até correr, né, bróder?


"Vou fazer o quê nesse corpo de boneco, parceiro? 
Trabalhar de boneco de ventríloquo?" - Chucky

Leatherface- Depois que deram cabo da minha família, eu perdi as esperanças e me tranquei no porão. Só saía pra rangar. De mais a mais, ninguém deu falta de mim na delega! Minha prima foi me visitar. No início me estranhou, depois se afeiçoou a mim. Queria ter a minha guarda como tutora, mas o juiz não aceitou a apelação e vim parar aqui.

Freddy- Ghostbuster é foda, né, cumpádi?! Bastou bater um fio pro Egon e cia. e aqui tô eu.

Storytellers- Segundo consta, há possibilidade de reabilitação. Vocês concordam em se adequar novamente à sociedade?

Freddy, Jason e Myers arrumados para a terapia em grupo. Segundo Doutor Samson, a indumentária visa adequar os detentos à reabilitação. 
As máscaras os auxiliam para que não seja muito abrupta. 
Leatherface- Nunca me adequei à sociedade. A única que eu cogitei foi a dos Poetas Mortos. Se fosse eu quem matasse.
Chucky- Vou fazer o quê nesse corpo de boneco, parceiro? Trabalhar de boneco de ventríloquo? Vou ficar no colinho de macho não!
Jason- E eu, vou fazer o quê? Trabalhar em açougue? Ou de Crash Test Dummie?
Michael Myers- Tem gente que acredita em reabilitação. E em ex-gay, você acredita?
Freddy- Cara, eu vivo de pesadelo. E aqui nesse lugar, tenho muita matéria-prima pra trabalhar. Sair daqui pra quê?

Colaboraram com a reportagem, o psiquiatra Leonard Samson e o telepata Charles Xavier.

Sobre as imagens:
As imagens aqui postadas são fan mades
Quando vi a primeira, fiquei muito a fim de fazer uma entrevista fictícia como ocorre na coluna Blogs do Além, de Vitor Knijnik, da revista Carta Capital

Monstros e Escravos do Pó são as primeiras experiências aqui postadas na categoria Coringa. Em breve, lançarei outras, como uma forma de Transmídia, pois isso já é feito na forma de desenhos e ensaios fotográficos. Por que não contar a história destas imagens?


The Writer Prisoner by Marvin1988


Sabem, basicamente existem dois tipos de escritores: os Pantsers, dotados de sensibilidade sobre seu enredo e os Ploters, arquitetos da narrativa.

Frequentemente conversamos sobre o lado obscuro de um pantser, naturalmente acessado por escritores iniciantes. É aquele lado em que se perde o controle da narrativa e até a alma de alguns personagens.  Dificilmente uma narrativa empresarial vai ser trabalhada neste modo, pois as marcas necessitam de mais precisão para conversar com seu público.

Todavia os arquitetos de narrativas (Ploters) também podem cometer o erro de se guiar cegamente pelo teu caminho e fazer com que sua estrutura de texto pareça mais com um presídio cheio de paredes e limites que você mesmo vai ter trafegar com dificuldades.


O personagem não consegue fugir do óbvio


Alguns escritores podem dizer que a melhor forma de surpreender um leitor é começar escrevendo o desfecho da história.  Isso é assunto pra outro post, mas se fizer isso e seu personagem estiver preso na estrutura, mesmo que tente ocultar, pode parecer óbvio demais para o leitor.

É como se as opções de ações estivessem se esgotando e seu leitor estivesse dizendo "se ele fizer qualquer coisa diferente disso, a história acabou para mim"



O autor não se emociona, porque estava tudo mecanicamente planejado


Hemingway dizia que o texto estava pronto quando o autor estava esvaziado emocionalmente.  Porém quando o processo é todo mecanizado, construído de forma milimétrica... o autor pode passar por ele sem esboçar nenhuma reação de medo, amor, fúria e qualquer outra emoção.  Ok, se você não for o primeiro a se emocionar com seu texto, dificilmente outras pessoas farão por ti. 


O segredo para evitar estes erros é a prática.  Escrever de forma frequente e se empenhar em aprender sobre a prática da escrita e sobre o gênero que se propôs a escrever. Estas duas coisas devem se tornar constantes em sua vida e naturalmente você passará pelas armadilhas construídas pela sua arquitetura de texto, e poderá dizer algo como "isso não funciona mais, vou destruir essa parede e construir um novo caminho a partir daqui."






Publicação adaptada do artigo publicado no Portal Administradores

Os Storytellers estão na Flip2015 e já participaram dos cafés literários promovidos pelo Sesc. O primeiro teve o sugestivo tema (Sobre)viver de Literatura. O debate foi acalorado, não só pelo calor da sala lotada de pessoas interessadas pelo assunto, como pela paixão da fala dos autores. Diz o bordão popular que "não tá fácil pra ninguém", mas para o escritor brasileiro parece que a situação é ainda mais difícil.

Uma coisa é certa, aos olhos da sociedade brasileira, escritor não é profissão. Faça o teste ao conhecer alguém: apresente-se como alguém que vive de escrever livros e verá que as próximas perguntas serão "você escreve sobre o quê?", "como é a vida de escritor?" e "como você faz para ganhar dinheiro?". O escritor Paulo Scott que lançou um livro intitulado O Ano Em Que Vivi De Literatura brincou "se você quiser saber como foi a minha vida de deixar um alto cargo de advocacia para viver de literatura, pergunte à minha mulher" e alguém da plateia comentou sem titubear "coitada".

Números do mercado comprovam um pouco dessa visão. Mesmo que as vendas de livros venham crescendo a um ritmo de 10% ao ano, a expectativa de um novo autor é ter de duzentas a trezentas cópias desovadas por leitores. Um livro no Brasil que venda mais de dez mil cópias é considerado um best seller. Já nos Estados Unidos, a expectativa de estreia de um novo autor está em torno de vinte a trinta mil cópias. O próprio Paulo Scott comentou que "ainda temos que comer muita grama para chegar mais perto deles".

Dois grandes motivos separam as realidades literárias do Brasil e dos Estados Unidos. O que separa o sobreviver do poder viver bem. A primeira é mercadológica, e como apontou Luiz Ruffato, "escrevemos em português, que é uma língua que ninguém fala". Fica mais difícil de levar a obra a outros mercados. Alguns acadêmicos rebateriam esse argumento com a literatura russa, que é uma língua menos abrangente que o português e mesmo assim se tornou a literatura mais influente do mundo. O que nos leva ao segundo motivo, que tem a ver com o preparo técnico.

A maioria dos autores brasileiros são autodidatas, perseguem seus sonhos e escrevem o que vem do estômago. Os autores nos Estados Unidos, depois da graduação, estudam mais dois anos o Master em Fine Arts, o equivalente ao MBA para um romancista ou roteirista. Não quer dizer que todo livro escrito por um estadunidense é ótimo. O ponto é que olhado do ponto de vista de produto cultural, sempre é uma obra mais completa. Existe um equilíbrio entre enredo, estilo e divulgação.

Um dos problemas de escrever pelo estômago é o ritmo, que tende a ser considerado lento demais para manter intrigado os jovens leitores crescidos ao ritmo dos filmes, dos vlogs e dos romances em que muita coisa acontece em pouco tempo. Essa questão de estilo, também chamada de poética, tem a ver com as técnicas narrativas, com o 'telling' do storytelling, e ajudam a manter a atenção de um leitor cada vez mais disputado.

O outro problema é o controle sobre o enredo. Ao não conhecer a estrutura tradicional dos contos e fábulas, além das convenções de gênero, o autor tem dificuldade em manejar os rumos da narrativa além de onde o estômago aponta. Uma evidência disso é a dificuldade que os autores brasileiros encontram ao ter que escrever uma história a partir de um briefing, por mais vago que seja. O exemplo da coleção Amores Expressos citada durante o debate ilustra esse ponto. Muitos anos depois que um grupo de escritores consagrados brasileiros foram convidados a viajar para se inspirar e na volta escrever uma história de amor, muitos sofreram com o processo e outros nem chegaram a concluir o desafio. O difícil é conseguir fazer uma obra funcionar, sendo que ela não veio do âmago.

Mais do que programas de incentivo à produção literária, a solução para o mercado brasileiro de livros apontada pelos debatedores foi a educação. Claro. Afinal, como podemos falar de um Brasil que lê, com grande parte da população sendo analfabeta funcional? Mas a educação também pode servir aos escritores.

Para ajudar a entender as engrenagens e dominar melhor o processo é fundamental que os autores invistam na formação técnica, seja por meio da imersão em livros técnicos, seja por meio dos cursos de escrita criativa como a do Assis Brasil e de storytelling e transmídia em instituições culturais como a galeria de arte b_arco.

Para terminar, a questão da divulgação é sempre polêmica. Paulo Scott comentou o problema que assola muitos jovens escritores que mais se preocupam com suas contas nas redes sociais do que com suas obras. Não adianta divulgar algo que não tem substância. Mas quando algo com substância não é devidamente divulgado, caímos no desperdício tão cruel quanto raspar a comida do chef na lata do lixo. A reclamação que mais tenho ouvido de editores é que o escritor brasileiro entrega o texto e, pronto, considera que seu trabalho está finalizado.

Muitos escritores sentem que fazer a autopromoção seria se vender ao sistema e macular a aura artística. Aqui vale evocar a fala 'bélica' do escritor Luiz Ruffato, "esse tipo de discussão é uma mediocridade da classe média, que quer alçar a letra e a literatura a um patamar imaculado. Ninguém levanta essa questão para cineastas ou artistas plásticos".

Saber divulgar o próprio trabalho é fundamental para formar novos leitores. Afinal, como alguém vai se interessar por algo de que nunca ouviu falar? Não adianta reclamar depois que o Brasil é um país de não-leitores e vociferar contra sucessos internacionais que souberam embalar suas obras para criar um público interessado. 




Acho que esse é um assunto não muito usual no mercado de comunicação.  Para muitas agências, narrativas são narrativas... ou seja, elas acabam não se preocupando em entender qual o tipo, função e impacto que a história tem quando é propagada pelas redes sociais.

Hoje venho trazer um tipo bem conhecido do toolkit de Storytelling Interativo, para tentarmos entender de onde ela veio e quais suas principais características: A narrativa emergente (NE)


Quando uma campanha ou ação de comunicação tem uma Narrativa Emergente?


Nada melhor do que começar com os exemplos práticos. Sabe quando a sua empresa convida os seus consumidores a "contarem suas histórias, juntos" ? Assim como fez marcas como Nextel, Petrobrás e etc, esse tipo de conteúdo gerado (UGC - user generated content) constrói uma narrativa emergente, exatamente porque ela vai emergir em algum momento dos seus consumidores. 

Apesar de ser uma prática que se popularizou nos últimos anos, ela existe há décadas atrás, na indústria de Games.   O que uma narrativa emergente precisa para acontecer é basicamente um ambiente sociável, um contexto forte e gatilhos narrativos.  


Alguns games conseguem criar emergência sem a socialização. Um exemplo clássico disso é o modo "carreira" de jogos de futebol.  Nele você pode viver a ascensão e a queda do estrelato como um jogador, começando por times desconhecidos e passando por grandes clubes. Tudo depende das suas escolhas, dos contratos e principalmente do seu desempenho em campo.  Abaixo, temos um gameplay que dá uma visão geral nisso para nós.





Contexto Vs Intenção


Em jogos como este de futebol, o contexto criado é básico e, na verdade ele não é criado pelo jogo em si. Ser um jogador de futebol de sucesso é uma intenção forte criada culturalmente na sociedade brasileira, aliada a ludicidade dos games gera outra intenção no player que é a de se divertir. 

Quando a sua narrativa não é pautada em uma intenção cultural, você vai precisar trabalhar mais no contexto.  Ou melhor, no Story.  Aqui podemos ver como exemplos os MMOs - Massively multiplayer online games.  Do qual ainda existe uma intenção secundária de socialização, mas a história central envolve as pessoas de uma forma intensa, gerando uma imersão narrativa. 





No video acima encontramos o novo investimento da Blizzard, Heroes of The Storm, um MMO/MOBA que carrega as décadas de histórias criadas em várias franquias.


Mas como essas mecânicas podem funcionar em campanhas publicitárias? 


Primeiro, umas questões que podemos levantar: se existem milhares de pessoas interessadas em se envolver e criar suas próprias histórias em jogos, por que as empresas precisam investir quantias exuberantes em mídia, apenas para atrair a atenção e fazer com que uma parcela do target se envolva?   

E, até quem ponto a narrativa gerada desse conteúdo se consolida na cultura da empresa e dos consumidores? 

Tudo depende da ficção aplicada. O envolvimento inicial é notório e esperado pela novidade originada da ação.  Talvez a campanha mais lembrada nesse quesito é a da Nextel. Percebemos que o contexto é criado com os videos iniciais, exibidos na TV.








No primeiro vídeo o ator Fábio Assunção convida os clientes a contarem suas histórias, podemos chamar isso de um gatilho narrativo (bem direto, aliás).  E pra contextualizar, vários outros atores contaram a sua... é uma forma de ensinar como eles gostariam de receber seus videos.

No site naofoiparaoar.com.br (hoje inativo) existiam vários outros gatilhos, em sua maioria, sociais. Para estimular o compartilhamento.  A desabilitação do site já é um indício e característica que se difere dos jogos e, volto a dizer, depende da ficção aplicada. 


Podem perceber que alguns jogos de narrativa emergente proliferam conteúdo, geram fãs.  Lembram da denominação de fãs criada poe H. jenkis?

"Fãs são pessoas inspiradas por histórias que circulam através da mídia de massa, que pegam elementos dessas histórias e os usam como material bruto para sua própria expressão criativa, e que se aproximam devido à sua devoção a esses materiais culturais ricos. Não chamo de "faça você mesmo" e sim de "façamos nós mesmos", por causa da natureza profundamente colaborativa dessas formas de produção cultural. "






Jenkis afirma com isso: quando uma história é boa, os fãs tomam conta dela e continuam a narra-la.  Gerando fanfics como no caso de Star Wars e H. Potter ou inspirando bandas musicais como The Lord of The Rings. Apesar de ainda hospedar um site (vc.nextel.com.br) a participação ainda é condicionada pelas regras iniciais, como se ainda estivesse no primeiro capítulo de um livro... enquanto um fanfic expande o mundo inicial.


Narrativas emergentes tem um ponto negativo que ainda não foi compreendido pelas marcas


A menos que seja a proposta da ação, uma narrativa emergente faz com que os envolvidos tenham tantas experiências distintas que fica difícil dizer que se eles receberam a mensagem central.  Assim como acontece nos jogos, os clientes podem simplesmente desconsiderar toda mensagem central e começarem a criar aleatoriamente, por isso esse tipo de jogo é considerado com menor imersão de Storytelling. 

Para funcionarem as produtoras trabalham uma série de outras formas de conteúdos envolvendo todos no seu storyworld. No caso das marcas é ideal que a sua consultoria domine todas as formas de contar histórias e saiba identificar quando uma delas pode se propagar na mente dos seus consumidores. Ou ela vai passar batido quando a verba pra mídia se for. 


Existem inúmeros gatilhos narrativos e muitas formas de construir uma ficção de marca, verdadeiramente envolvente.  Com base nos valores e das expectativas do público que pretende atingir.  Não tem problema dar poder para as pessoas contarem a história da sua empresa, elas também podem contar as histórias delas juntos com a sua marca, mas pra que essas histórias não morram e a narrativa emergente alcance o seu potencial, as empresas precisam de um suporte muito sério, de quem entende todo o processo.