Quem acompanhou os lançamentos da Globo no começo do ano, se deparou com a minissérie em 4 capítulos: Alemão, os dois lados do morro.  O que, na verdade, era uma versão estendida do filme lançado em 2014, ele narra a saga de 5 policiais infiltrados que tem sua identidade revelada - de modo bem confuso - em meio a invasão do complexo (que ficou famosa pela cena dos bandidos fugindo da PM). No elenco da minissérie temos nomes como Antonio Fagundes, Cauã Reymond, Caio Blat, Otávio Müller, Gabriel Braga Nunes, Marcello Melo Jr e Milhem Cortaz.

Para o novo roteiro, 25 minutos da transmissão, feita pela Globo, da tomada do morro pela polícia, foram adicionadas ao longa. Além de cenas inéditas gravadas e outras que foram cortadas do longa ajudaram a forjar a nova narrativa. 


A princípio achei que simplesmente as histórias dos personagens foram pouco explicadas, pra ser sincero, entre uma ida à cozinha para um copo d"agua ou um lanche já era possível se perder completamente.  Foi bastante inovador, o fato de tentarem misturar a trama de um documentário com a ficção, mas não sei dizer até que ponto isso atrapalhou o drama da obra, mas o roteiro não pareceu agradar muita gente (como eu) , principalmente porque fez os personagens parecerem rasos e sem proposição.  E quando o seu original já é visto dessa forma, não há cenas estendidas que o salvem!




Estudar quando se tem o dia a dia profissional tão corrido é quase impossível. Para resolver esse problema de agenda, a ESPM disponibilizou sua grade de cursos para a temporada de férias de 2016. Com as inscrições abertas, os alunos terão a oportunidade de garantir especialização em Storytelling com o curso comandado pelos especialistas Fernando Palacios e Martha Terenzzo. Chamado de “Inovação em Storytelling: do branded content à transmídia”, o módulo faz parte do Centro de Inovação e Criatividade da ESPM e vai oferecer conteúdo no início de janeiro – 26/01 a 30/01/2016.

Quem trabalha com comunicação se depara todos os dias com o desafio de ter sucesso em suas ações de conteúdo. É para falar sobre isso e mostrar detalhes de um caminho que tem conquistado o planejamento das empresas que os especialistas Fernando Palacios e Martha Terenzzo vão se encontrar com alunos em São Paulo. O objetivo das aulas é compartilhar com profissionais técnicas capazes de fazer o que contadores de história fazem há anos: conquistar o público com relatos. A ideia é mostrar como o Storytelling pode ser usado como elemento para ajudar a construir marcas e alavancar vendas conquistando o público pela emoção. O curso vai muito além dos modismos do mercado e abordará branding, cultura organizacional, branded content, product placement e plataformas transmídia.


No total, serão 6 dias de compartilhamento de ideias. As aulas vão mostrar bibliografia seleta e comentada para cada módulo, revelar os bastidores do Storytelling e promover o networking. De maneira inédita, a edição do curso vai discutir ética e abordar storydoing.

Conheça detalhes da grade do curso:

Dia 1. COMO O STORYTELLING PODE MUDAR SUA VIDA

Dia 2. COMO O STORYTELLING PODE DAR VIDA À SUA MARCA

Dia 3. COMO O STORYTELLING PODE DEIXAR MAIS INTRIGANTE SEU CONTEÚDO

Dia 4. COMO PROGREDIR DO STORY AO TELLING

Dia 5. TRANSMÍDIA: COMO TRANSFORMAR EM ATIVO O UNIVERSO POR TRÁS DA HISTÓRIA

Dia 6. WORKSHOP: O STORYTELLING NA PRÁTICA

Saiu no Portal da Propaganda

O garçom serviu a cerveja e saiu de perto da mesa.

– E agora? – me perguntou meu mestre em Storytelling. – O que é que você vai fazer?

– A única coisa que me resta. Eu vou em busca do meu final feliz.

Tomei um gole de cerveja gelada do meu copo. O amargor era doce comparado ao gosto da incompletude que estava na minha boca. Eu tinha chegado tão perto. Mas tão perto mesmo.
Eu andei até Jerusalém sem dinheiro e cheguei lá na Páscoa, exatamente quando eu queria. Venci meu desafio. Em Ibiza eu comecei trabalhando de noite em um puteiro e saí de lá com uma proposta para ser gerente de marketing em uma das melhores baladas da ilha. Outra vitória esmagadora. E em Londres eu conheci a família da princesa com quem minha história terminaria. Eu tinha dinheiro, uma namorada e amigos lá. Praticamente tinha conseguido meu final feliz. Praticamente...


Em uma mensagem de texto, tudo foi por água abaixo. A menina terminou comigo enquanto viajava pela Tailândia. Eu não tinha onde morar. Eu gastava mais dinheiro do que ganhava (e isso passando fome). Meus amigos estavam em situações tão desesperadoras que não poderiam me ajudar e logo nos distanciamos. Londres era supostamente meu prêmio. Mas na verdade foi minha aniquilação. Um supercombo que me levou para a lona. Sozinho naquela cidade depressiva, meu coração estava em pedaços do outro lado do mundo. Logo ficou claro que não haveria final feliz ali para mim.

– Eu cheguei tão perto, Mestrão – disse depois de engolir a cerveja goela abaixo. – Mas tão perto mesmo...

Calmo tomando um gole da sua cerveja, o Mestrão me encarava sabendo exatamente o que tinha acontecido.

– Talvez você não tenha aprendido sua lição – ele sugeriu.

A frase me atingiu como um tapa na cara, me tirando do meu estado de desgosto e me levando a um novo caminho de raciocino que eu não havia trilhado antes.

– Como assim? – indaguei curioso.

Eu tinha encontrado Deus na estrada. Tinha mudado completamente minha vida. Tinha aprendido lições que seriam impossíveis serem aprendidas de outra forma. Do que será que ele estava falando?

– Histórias têm um poder ímpar de nos ensinar alguma coisa. Vamos pegar uma parte da premissa de storytelling aristotélica:

“Um personagem passa por uma situação familiar com a vida real. Ele pode evoluir, aprender a lição que a história quer passar e assim se tornar merecedor de um final feliz. Caso o personagem não aprenda essa lição, ele terá um final trágico. Sabe o símbolo do teatro?, a máscara feliz e a máscara triste? Então, elas vêm daí.”

Eu não tinha aprendido minha lição? Seria mesmo?

– Mas que lição seria essa?

– Não sei – respondeu o Mestrão. – Talvez a como ser menos cafajeste. Ou como ser menos emotivo. Ou como selecionar melhor seu foco. Ou como ser mais independente...

Eu não disse nada. Fiquei pensativo por um momento, confuso e perdido pelas minhas memórias tentando desvendar o que poderia ter me escapado. E o Mestrão percebeu isso depressa.

– Vamos pegar um exemplo que talvez possa te ajudar – continuou ele. – Em “Procurando Nemo” Marlin, o personagem principal, precisa aprender a como ser um pai melhor. Ele perdeu a mulher e todos os outros filhos de uma forma trágica, deixando-o apenas com Nemo. E por isso ele acaba sendo super protetor, sufocando o peixinho.

“O Nemo, no caso, é o objeto de estudo. É o filho super protegido que não suporta mais a relação com o pai. A história se desenvolve quando em um ato de rebeldia, causado numa tentativa de se rebelar contra Marlin, Nemo é levado embora do coral aonde vive para o consultório de um dentista.”

“Assim sendo, Marlin sai numa busca. E não tarda muito até ele encontrar um personagem que é seu oposto, a peixe sem memória chamada Dory. É ela que vai mostrar a Marlin uma realidade totalmente diferente e vai ensiná-lo a ser mais relaxado.”

“Mas, por ser seu total oposto, Dory não representa a personalidade para Marlin aprender sua lição e virar um pai melhor. Essa personalidade é algo no meio termo entre os dois. Não tão preocupado, mas também não tão relaxado.”

“A personalidade ideal para Marlin se espelhar só aparece próximo ao final da história, quando ele já está mais bem preparado para recebê-la, após vivenciar diferentes aventuras e desafios.  Essa personalidade vem com Crush, a tartaruga que está na corrente indo para a Austrália. Ele deixa o filho se aventurar, mas está atento. É nesse contato que Marlin aprende sua lição. E, sendo assim, é merecedor de um final feliz, resgatando seu filho e voltando ao seu coral como um pai muito melhor.”


Quando ele parou de falar, eu fiquei quieto. Rapidamente pensei numa lição que a vida poderia querer me ensinar. E algo posto no meu caminho para que eu me mobilizasse para aprender. E também nas pessoas que conheci na minha trajetória. O Mestrão estava certo, eu não tinha aprendido a lição.

Não pude deixar de rir. Eu, que vivi três meses na estrada contando histórias, me julgava ser um storyteller completo. E em um simples gole de cerveja o cara na minha frente me mostrou que eu ainda tenho muito a aprender.

Eu ainda não aprendi a lição que me escapou em Londres. Muito pelo contrário. Acho que preciso de uma aventura completamente nova para aprendê-la. Mas, pelo menos, essa nova lição de storytelling eu absorvi para criar minhas próximas histórias.


Enquanto a história acaba, a vida continua. E eu vou atrás do final que eu quero. E você, o que aprendeu ultimamente?

Comecei meu dia ontem vendo uma maratona de Star Wars. Os três primeiros episódios da série que foram os três últimos a serem produzidos.

Ironicamente, na metade do segundo, recebi uma mensagem de uma namoradinha de infância com quem tenho falado muito ultimamente. A mensagem dizia mais ou menos o seguinte: “Ando muito cri-cri para tudo. Festa, trabalho, namoro. Queria ter a inocência de quando a gente namorava, porque
tudo era mais simples e divertido”.

A mensagem caiu como uma luva. Quando eu era moleque tinha adorado aqueles três filmes. Mas ontem de manhã não entendia como. Acho que eu virei cri-cri.


O começo de “A Ameaça Fantasma” é bom... até o Jar Jar Binks aparecer e começar a arruinar tudo, pisando em merda, tendo um bicho peidando na frente dele, lambendo o motor de um pod racer e ficando com a língua dormente, e por aí vai. Quando minha opinião estava completamente dividida, o Senado Galáctico cuidou do resto e me fez dizer as seguintes palavras: “nossa, que merda”. O filme não tem uma espinha dorsal. Ele é o monte de coisa e nada ao mesmo tempo. Você não sabe se ele é sobre política, sobre a Força, sobre o Anakin, sobre o retorno dos Sith. Simplesmente não tem foco. E, de certa forma, nem mesmo um protagonista e um antagonista.

O Ataque dos Clones foi um pouco melhor. Menos aparições de Jar Jar Binks e politicagem. E a porrada comeu. Entretanto, as três palavras mágicas saíram da minha boca quando Anakin e Padme começaram a rolar na grama. No manual do Jedi deve estar escrito em algum lugar que para se conquistar uma mulher deve-se ser obsessivo, agressivo e estranhamente desesperado. Assista o Ataque dos Clones, vá para a balada ou saia para um encontro e escreva aqui o que aconteceu. Acho que nem em uma galáxia muito distante dá para um cara forçar a barra daquele jeito, sair da friend zone, ganhar bitoquinha na varanda e ouvir um “eu te amo” de um modo tão medíocre e rápido. Detalhe que o cara era segurança da “gatinha”, então só faltou a música da Whitney Huston para completar a trama. Isso tudo sem falar na atuação magnifica do Hayden Christensen. Sério, vai no Colégio Dante Alighieri em São Paulo durante a madrugada que dá para encontrar alguma opção melhor de Darth Vader.


Por último, A Vingança dos Sith, o “menos” pior. Porém com o maior problema que essa segunda trilogia da série apresentou, na minha opinião: a constante necessidade de transformar Anakin em um Jedi fodão e fazê-lo se converter para o lado negro. É muito forçado. Parece que o cara tá numa bad trip de algum coisa pela paranoia e as contradições do final. E forçada também é a luta do Darth Sidious contra os Jedi, coreografada de uma forma pífia e tosca.

Eu resolvi resumir e enxugar bem esse começo da minha manhã com Star Wars nesse post por uma simples razão: apenas para poder descer o cacete melhor no filme novo.

AVISO DE SPOILERS

Depois dessa maratona, tomei uma decisão. Resolvi ir ver Star Wars – O Despertar da Força no cinema.

Naquela tarde eu me sentei na poltrona relaxado, pois muitos dos meus amigos elogiaram ao filme. A musiquinha começou. Pan, pan, panpanpanpan pan... E veio a historinha. Um começo muito bom. As sombras do império ressurgindo, Luke desaparecido, Leia liderando uma nova aliança rebelde e procurando pelo irmão desaparecido. Realmente, nada mal.

A história e os elementos me lembravam muito os três primeiros filmes. Muito mesmo. Muito até demais. E foi aí que eu percebi que eu não estava vendo uma continuação, mas uma remake.

Eu sou noveleiro, não tenho problemas com repetecos. Mas o repeteco de Star Wars começou a me incomodar. E começou a me incomodar pelo fato da Disney ter cagado para o universo expandido de livros e quadrinhos que ocorre depois de O Retorno de Jedi. E também por ter criado um bando de personagem escroto para vender boneco.


Eu não gostei do Finn. Achei ele covarde, sem nenhuma habilidade especial e bobo. Mas também achei ele um personagem cômico melhor que o Jar Jar Binks, então vou poupá-lo. Entretanto, que porra é aquela de Kylo Ren?

O cara usa uma máscara com uma voz estranha por nenhum motivo aparente além de ser feio pra cacete. Meio que uma versão Disney do Darth Vader, avô do personagem. Mas enquanto a transformação de Anakin para Darth Vader tem motivos psicológicos e físicos (Anakin foi escravo, perdeu a mãe de um jeito bárbaro e estava prestes a perder a mulher que amava), ao que parece, Kylo Ren apenas dá chiliques como um adolescente mimado que fugiu de casa para chamar atenção. Isso sem falar no sabre de luz escroto que não tem funcionalidade prática nenhuma. E que no final ele, tão fodão que consegue parar um disparo de blaster com a Força, toma um cacete de uma menina que era catadora de lixo poucos dias antes.


A catadora de lixo que dá um pau nem Kylo Ren é a Rey. E ela é linda S2. Sério, estou querendo construir uma nave espacial e ir para puta que pariu pedir ela em casamento. Tirando esse fato, e todo o carisma e habilidade da atriz, o personagem é muito mal construído. Ela é abandonada no deserto e não quer sair de lá por nada no mundo. Depois se descobre uma Jedi  e piloto fodástica do nada. Tipo eu quando escutei Wesley Safadão pela primeira vez e dei uma aula de dança na balada, sqn. É muito forçado o jeito que as habilidades dela aparecem e se desenvolvem. Na minha opinião, Rey é uma personagem que poderia ter sido tão melhor construída por ter sido abandonada no deserto e crescer em um ambiente hostil, mas acabou ficando no bonitinha e carismática. Pegue um Peter Quill dos Guardiões da Galáxia e faça um comparativo, para se ter uma ideia melhor do que eu estou falando. Como o personagem evoluí e muda a partir de elementos da história, e não simplesmente do nada.

Quanto aos velhos personagens da série, isso não tenho nada a declarar. Han Solo, Chewbacca, Princesa Leia, C-3PO e R2-D2 estão sensacionais. Se encaixaram perfeitamente. Já o Luke, não tenho como falar mal, mas também não tenho como falar bem. Em seus trinta segundos de filme, fiquei na dúvida se ele iria pedir crack ou não para Rey. Mas só poderei afirmar no episódio seguinte.

Eu defendo muito que histórias são como relacionamentos amorosos. É melhor terminar de um modo digno. Sem brigas, conflitos hediondos ou traições. Terminar de um jeito que os dois sejam felizes para sempre ou que pelo menos possam ser amigos no futuro. E não persistir no erro até que não dê mais para um elemento do casal olhar para a cara do outro.

Os episódios I, II e III da série apresentam falhas nos roteiros, péssimos diálogos, falta de protagonismo, falta de antagonismo, falta de uma história sólida e coesa e ritmo confuso. O Despertar da Força não é tão falho quanto os prequels da trilogia. A história inicial é boa, existe um protagonista e um antagonista, e o ritmo é envolvente. Entretanto o desenvolvimento da história é falho, os personagens são mal construídos e a repetição do modelo original já está muito manjada. Fica evidente a exploração da “Jornada do Herói” de Joseph Campbell, que funciona, mas poderia ter sido melhor mascarado ou mais surpreendente.


Se “O Despertar da Força” fosse uma menina com quem eu estivesse saindo, diria que houveram partes boas nesse primeiro momento da relação, mas que ela deu algumas mancadas que me deixaram com o pé atrás. Mancadas que podem ser facilmente remediadas no futuro, mas que também podem se agravar. Ou seja, mesmo com um pé atrás (põe atrás nisso), eu vou dar um voto de confiança, mais pelo sentimento do que pela razão, e vou ver a continuação de Star Wars no cinema. Mas, para o próximo filme, já estou prevendo um término de relação.

A Força despertou, mas ainda não saiu da cama. Quem sabe no próximo filme já seja hora do café da manhã?



Peter Quill é um aventureiro interestelar que foi raptado da Terra quando ainda era bem jovem.  Ele, aparentemente é o líder dos Guardiões da Galáxia, filme inspirado no grupo homónimo criado pela Marvel nas histórias em quadrinhos.

A primeira cena do filme serve para apresentar uma característica importante do personagem, seu gosto musical. Ele está sentando no hospital, com um walkman (nem me lembro a última vez que precisei escrever esse termo) recheado de músicas dos anos 60/70/80. 


Essa sua peculiaridade praticamente segura o tom da narrativa, proporcionando sequências muito interessantes, como a primeira que ele invade um planeta para roubar a orbe - acarretando em todo desenrolar do enredo.  Se você ainda não assistiu este filme, faça. Agora! Creio que já compreenda que uma das revoluções que Stan lee trouxe para o mundo dos heróis foi a dimensão dramática, pautada em seus conflitos.  




Todavia, não é muito perceptível para escritores menos experientes o impacto desses conflitos na vida do seu personagem: ele conseguirá um tipo de muleta psicológica, vai desenvolver raiva ou trauma de algo? Se sim, há como criar um indício desse trauma como um traço de personalidade ou gosto peculiar? 

Mostrar essas características na narrativa pode dar mais personalidade para sua história.  E pensar sobre elas pode ser um exercício de criação de personagens. Mude as dimensões dele, aprofunde e experimente novas perspectivas.


Já repararam que a maioria das heroínas da cultura POP, não passam de homens enfeitados? Explico: Elas seguem uma jornada toda masculinizada, baseado em porrada e destruição.  É como se fossem versões femininas de plots dos heróis marombados.

Nos games modernos esse comportamento é muito evidente. As personagens exibem grandes atributos sexuais e poucos conflitos femininos. Sim, mulheres tem seus próprios conflitos. Não estou dizendo que elas são mais fracas, apenas que elas não se comportam como homens, mesmo a face mais cruel de uma mulher é distinta. Olhe os noticiários, dificilmente uma obsessão sexual feminina vira um estupro... está mais para um jogo de sedução e estelionato.

Aliás o mundo real pode ser muito mais perigoso para mulheres do que a fantasia, em sumo elas ainda ganham menos do que homens e são violentadas de várias formas todos os dias.  Dói ter que dizer isso, mas essa cultura pop/nerd ainda é bem restrita para minorias e dá a impressão de que tudo é criado para a diversão dos homens.  Foi por isso que me surpreendi com o seriado Jessica Jones, lançado recentemente no Netflix.


Sinopse: Desde que sua curta vida como super-heroína acabou de forma trágica, Jessica Jones (Krysten Ritter) vem reconstruindo sua carreira e passou a levar a vida como detetive particular no bairro de Hell's Kitchen, em Nova York, na sua própria agência de investigações, a Alias Investigations. Traumatizada por eventos anteriores de sua vida, ela sofre de Transtorno de Estresse Pós-Traumático, e tenta fazer com que seus super-poderes passem despercebidos pelos seus clientes. Mas, mesmo tentando fugir do passado, seus demônios particulares vão voltar a perseguí-la, na figura de Zebediah Kilgrave (David Tennant), um obsessivo vilão que fará de tudo para chamar a atenção de Jessica.


O ritmo dos primeiros episódios podem parecer bem arrastados, eu até acho que demoraram demais para construir a personagem na tela, mas pode ter uma função: a tensão dramática.  O programa é sobre essa tensão.  Imagine se um homem fosse capaz de entrar na mente de uma mulher de tal maneira que ela fizesse tudo por ele, mesmo que ferisse seu senso de moral. Pense em uma mulher que passou anos tentando se libertar dessa prisão psicológica que castigava o senso de sua própria existência.  Olha, eu poderia estar falando da Jessica, mas estou narrando a saga de milhares de mulheres que leis como a Maria da Penha não são capazes de defender.

Killgrave, o vilão da série, dono de poderes psíquicos pode ser trocado por qualquer "marido, namorado, ficante, pai" que surge nos programas policiais da tarde.  Só que Jessica tem super poderes, ela pode erguer um carro, porém sua confiança não.  Na minha percepção essa série apresenta uma jornada de reconstrução dessa heroína. Existem outras mulheres fortes no programa e espero ver todas elas ganharem seu espaço, Jessica Jones fala sobre super heroínas legítimas. Do jeito que o mundo precisa.




Há um tempo a Rede Globo vem testando inúmeras formas de aprimorar suas novelas e mini séries. Verdades secretas foi o último grande sucesso e convenhamos que foi mais um dos méritos da direção, da produção e da escolha dos temas que chocou parte da população brasileira em seu plot. - leia o melhor e o pior da novela na coluna do Maurício Stycer

Mas outras tentativas não foram tão bem sucedidas assim, Babilônia e Além do Horizonte foram encurtadas pelo fracasso de audiência. A segunda, tentou se aproximar do plot de seriados, envolvendo um mistério em uma ilha (tipo Lost). 

Pois é, foi o canal do bispo Macedo que fez um tremendo barulho com sua recente produção: Os Dez Mandamentos.  Com uma produção pequena e efeitos especiais questionáveis , ela vem abocanhando cada vez mais audiência e gerando mais buzz nas redes sociais. Mostrando que uma boa história faz a diferença. 

Aliás, qual é essa diferença? 


Se perguntarem a algum roteirista da Globo sobre o tema de sua novela ele provavelmente diria algo como "é um recorte da vida", como me foi lembrado pelo Fernando Palacios em uma conversa recente.  Mas vejam bem o quanto isso realmente significa algo.  Na maioria das vezes tentar imitar a vida não é uma estratégia convincente, vide os blockbusters de Holywood para comprovarem que as pessoas gostam de histórias fantásticas. (Por várias razões psicológicas que comentamos em posts aqui na redação)   

Talvez o problema não seja tentar criar um realismo na história, mas colocar isso como a essência da sua história de modo que ela não seja mais nada além disso.  É aí que entra o trunfo de Os Dez Mandamentos... um mito. 

Sabemos que um mito é um conjunto de narrativas épicas. Quando levamos isso pra uma novela podemos construir núcleos aonde os acontecimentos englobam algo bem maior e coeso.  Nesta novela, são as 10 pragas que carregam várias histórias e acontecimentos simultâneos com um fundo dramático.   Sabemos que esse é um dos episódios mais fantásticos da bíblia. Tanto que conseguimos assistir várias representações ao longo dos anos e mesmo conhecendo o final, gostamos de descobrir as "entrelinhas" ou perspectivas diferentes dentro da saga de Moisés.  

É tanto potencial narrativo que a Record conseguiu estender os episódios principais das pragas, as vezes transformando em mais de um.  Investir em um mito parece ter dado muito certo para a emissora, agora o próximo desafio pode ser construir um... será possível? Bem, G. R. Martin provou que sim. Mas essa já é outra história :) 





Warcraft é uma série de jogos de estratégia criada pela empresa Blizzard que mais tarde veio a se tornar o Massive Multiplayer Online Role Playing Game (MMORPG) mais bem-sucedido do mundo por vários anos.

Mas a empresa não parou por aí, além de contar sua história nos games, o universo de Warcraft também dispõe de dezenas de livros e histórias em quadrinhos. Recentemente foi anunciado com um trailer, que foi capaz de roubar a atenção de STAR WARS, um filme baseado neste universo.


A verdade é que Blizzard sempre primou pela coesão de seus universos fantásticos, buscando estar envolvida em todas as histórias levando o título Warcraft, seja em qual mídia fosse. A exemplo da Marvel, a empresa zela pela qualidade dos conteúdos que levam a sua marca, e conhece bem de perto o seu público, que cativou desde a década de 90.

Expandir universos é sempre rico e lucrativo, desde que você se consiga manter o controle das muitas mentes criativas envolvidas no processo.



Cristal Festival é um tradicional evento que premia as melhores ideias de profissionais da comunicação, publicidade e criação do mundo todo.  O seu DNA é revelar algumas das tendências e suas melhores práticas, reunindo em  Courchevel na França, um time jurados e palestrantes extremamente competentes.

Neste ano, a Storytellers  Brand' Fiction estará no evento através da Martha Terenzzo, que foi confirmada como parte do juri de Brand Entertainment e Content. O evento acontecerá no próximo mês.

Sobre Martha Terenzzo


Muitas Marthas compõem a profissional com mais de 25 anos de carreira em marketing e inovação. A primeira delas, inclusive, foi responsável pelo lançamento de cases de sucesso como Pizza Sadia, Hot Pocket, Miss Daisy e Vono, por onde passou. Outra importante Martha é a líder, responsável por coordenar grandes projetos em empresas como Cargill, Sadia, Parmalat, Bombril, União, Reckitt & Benckiser, Melhoramentos, Seara e Ajinomoto. A sábia e experiente Martha de hoje é mentoring e ensina um pouco de cada Martha de sua jornada a alunos em MBA e pós-graduação da ESPM, Insper e Sebrae – além de coordenar projetos de inovação em sua empresa, a Inova 360°.

Acompanhe Martha diretamente pelo Twitter - twitter.com/marthaterenzzo9



Sobre o Cristal Festival 



E não é que eu tinha encontrado o final para o meu livro?! Lá estava eu, com a inglesa por quem eu tinha me apaixonado, deixando Ibiza em uma balsa a caminho de Barcelona.

Eu tinha passado por muita coisa. Muita mesmo. Fui de Roma a Jerusalém só pegando carona, quase morri congelado nas montanhas da Toscana, morei em uma comunidade anarquista em um castelo abandonado, fui preso pulando trens, solto e quase preso de novo logo em seguida, caí de um penhasco na Capadócia, passei a noite com contrabandistas de ouro no sul da Turquia, lutei por dinheiro em Chipre, fui para a farra duas horas de distância do ISIS, e cheguei na cidade mais sagrada do mundo bem quando eu queria chegar: no meio de três Páscoas (Católica, Judaica e Grega Ortodoxa).


Eu vi o Fogo Sagrado que desce dos céus no domingo de Páscoa (Grega Ortodoxa) na Igreja do Santo Sepulcro. E o que o Fogo me disse? Que o vento sopra... ou seja, nada.

Minha história não poderia acabar ali. Então eu pedi um favor para Deus. Que Ele me deixasse pecar um pouco.
E depois de dois meses de peregrinação, parti rumo a Ibiza, com um desvio intencional na Dinamarca.

Vamos fazer uma pausa. Eu sempre fui um pouco frustrado por meus pais ou minhas avós nunca lerem os meus textos publicados aqui ou em outros lugares. Mas, nessa continuação, acho que até vou ficar um pouco feliz por isso...

O caminho até Ibiza não foi tão pesado. Tirando um porre pesado na República Tcheca, outro na Dinamarca e uma putaria em Hamburgo com duas alemãs, nada que valha a pena ser detalhado.
Mas em Ibiza a coisa mudou. Na primeira noite eu peguei carona com um australiano e nós quase fizemos uma orgia no hotel com três inglesas. Fomos expulsos e a polícia foi chamada quando estávamos no elevador.

Depois de um começo conturbado trabalhando em uma boate stripper de noite e fazendo entrevistas durante o dia, consegui um dos melhores empregos da ilha. E aí virei um rockstar no sentido que as mulheres vinham fácil e as drogas vinham barato. Todo mundo me conhecia e todo mundo queria ser meu amigo. Eu transava com uma menina diferente por semana e ia para todas as festas sem pagar nada. Tinha uma certa fama e prestígio, ambas permeadas por uma mediocridade tingida de dourado.

Minha vida virou uma mistura de Lost com O Lobo de Wall Street. Como se o personagem do Leonardo DiCaprio tivesse sido escolhido pela ilha para estar no Oceanic 815. Já dava outro livro, não é?!

Mas ainda assim eu não tinha um final. Quero dizer, que tipo de história deturbada termina com “... e eu comi o monte de gostosas e usei droga pra caralho. O Fim.”?!  Faltava uma lição de moral, um pódio de chegada e um beijo de namorada. E ele veio bem a tempo.

A temporada acabou antes de acabar em si. A ilha esvaziou. Meus melhores amigos foram embora. E aquela vida de sexo, drogas e música eletrônica não estava mais me satisfazendo. Eu já tinha reduzido o ritmo depois de ter tomado uma facada durante uma briga por causa de uma noite de amor na praia (história engraçada, mas um pouco longa para eu contar aqui). E resolvi parar de vez depois que meu amigo Homeless Mike foi internado no hospício de Ibiza. Mas o final “e foi ai que eu resolvi parar com a putaria e as drogas” ainda não me soava bom. Muito... simplista... ou chato mesmo... Faltava alguma coisa.

Foi na noite que eu virei sem teto de novo que começou o final da minha história. Carlos Calhorda, o zelador do meu prédio, trocou minha fechadura porque meu aluguel tinha vencido. Eu estava na rua sem dinheiro e sem documentos, como um indigente. Mas eu vi uma luz no fim do túnel. Do túnel, não! Do meu corredor. Minha vizinha estava em casa, e ela tinha passado as duas últimas noites comigo. Achei que estava na hora de ela retribuir a hospitalidade.

– I am homeless – eu disse, comunicando minha situação depois que ela abriu a porta.

Ela resolveu me receber. Mas não só isso. Ao invés de ficarmos na casa dela e perdermos uma noite em Ibiza, nós resolvemos ir para a festa de encerramento da Flower Power, na Pacha. Umas das melhores nights do mundo!



É estranho o que faz algumas pessoas se apaixonarem. No dia anterior eu tinha transado com uma amiga de manhã e com aquela minha vizinha a noite (sim, eu sou um lixo, pode me julgar). Logo, eu posso concluir que exatamente uma noite antes eu não estava muito apaixonado. Entretanto, em 24 horas as coisas mudaram. Eu não sei se foi o fato de ela me acolher. Não sei se foi por nós ficarmos até às sete da manhã juntos dançando músicas dos anos 70. Ou se foi por nós virmos o nascer do sol de cima do castelo de Ibiza, ouvindo sertanejo universitário agarradinhos. Acho que me apaixonei pela história daquela noite. E Vanilla, a minha vizinha, era a parte central da história.

Nas últimas semanas em Ibiza, nós passamos por mais algumas coisas juntos. Coisas bem normais, como quando ela quase foi estuprada por um cara esquisito que andava com uma cobra no pescoço (não é zueira) ou quando eu descobri que ela tinha sangue real e era prima distante da rainha. Coisas bem normais que acontecem no dia a dia de qualquer pessoa. E tivemos também nossos altos e baixos. Mas no final, estávamos indo embora da ilha juntos.

O sol se punha quando nós embarcamos. Mas já estava escuro quando a balsa zarpou rumo a Barcelona. Na nossa frente não se via nada. Para trás, víamos luzes cada vez mais distantes. No último andar do navio, nós tínhamos só a companhia um do outro, enquanto terminávamos juntos aquela etapa das nossas vidas.


Um final lindo, não? Digno de filme. Vai ser o final do meu livro, isso já decidi. Ou melhor, iria...

O escritor do meu destino é um tipo de George Martin. Ele me faz ter medo de virar a página do dia seguinte. Mas como qualquer fã de Game of Thrones eu não posso parar de seguir adiante.

Depois de Barcelona, eu vim para Londres, atrás da menina por quem eu estava apaixonado. Eu liguei para ela, como ela tinha me pedido para fazer. A gente saiu, se divertiu, ela me apresentou para os pais e eu até dormi uma noite na casa dela. Ela estava com viagem marcada para a Tailândia, foi embora, mas antes me pediu para eu esperar, que nós ficaríamos juntos quando ela voltasse.


Se você chegou nesse ponto da história, deve pensar que já sabe o que aconteceu. Que eu fui cachorro e não consegui me segurar de novo. Mas como qualquer personagem de várias facetas, eu jamais seria tão simples assim. Quando dou para ser cachorro, sou o mais vira lata possível. Mas quando me apaixono... sou fiel, entrego café da manhã na cama, faço cafuné e todo o resto. Então eu estava esperando. Passando fome, frio, solidão, mas esperando. E depois de sete dias sem me mandar mensagem, minha inglesa de sangue real terminou comigo no momento que mais precisava de carinho e atenção.

Pode rir. Eu me fodi. E dessa vez foi ao quadrado. Se você já tomou um pé na bunda, sabe como é a situação. Agora forme uma equação elevando isso ao fato de você estar em um país estrangeiro triste, sem amigos, e com pouco dinheiro. Pois é... estou pagando por todos os meus pecados.
Então o final do meu livro mudou. Mas mudou para uma coisa que faz muito mais sentido com a minha história.

Sabe, muitas vezes fiquei decepcionado com os finais de diferentes histórias. Já usei o exemplo do Lost aqui, então vou variar, embora encaixasse perfeitamente no que eu queria dizer. Vou pegar a última trilogia do Batman e levantar a bola dizendo: que merda é aquela com o Bruce Wayne e a Mulher Gato no final? Não tem nada a ver com a história e os personagens construídos ao longo da trama. Aquele cara fodido e perturbado vai sair de casalzinho pelo mundo com uma ladra também psicologicamente instável?! Sério mesmo? Teriam tantos outros finais mais condizentes com a história que eu fiquei decepcionado...

Quando eu vim a caminho da Inglaterra, achei que finalmente minha história tinha terminado. Que meu final seria criando responsabilidade na cidade que mais move dinheiro no mundo e tendo um relacionamento sério que me serviria de apoio e ancora para minha nova vida. Era tudo nítido. A inglesa conhecia diversos Head Hunters e publicitários pela cidade, iria me ajudar, nós iriamos ficar juntos e o Alfred iria nos ver em um café em Firenze.


Pera aí... cadê o maluco que fugiu da rotina em São Paulo para uma vida de aventura? Que estava de saco cheio de tudo que era normal? Que viveu três meses sem dinheiro? Que criou gosto pela vida cigana? Porra, é mais fácil o Batman virar normal do que eu!
Por isso o final do meu livro mudou. Daquele lá que você leu alguns parágrafos acima, mudou para alguma coisa assim:

“O sol se punha quando nós embarcamos. Mas já estava escuro quando a balsa zarpou rumo a Barcelona. Na nossa frente não se via nada. Para trás, víamos luzes cada vez mais distantes. No último andar do navio, nós tínhamos só a companhia um do outro, enquanto terminávamos juntos aquela etapa das nossas vidas. Lá estava eu, abraçado com a inglesa que um mês depois partiria meu coração e me abandonaria na hora que eu mais precisasse. Mas naquele momento eu não sabia daquilo. E naquele momento a vida era muito mais simples e doce. O final da minha história é como o final de toda a história de aventureiro: apenas o começo de uma nova aventura.”

Muito mais contundente, não?  Então, pegue minha vida e minha estrada como exemplos quando estiver construindo seu final. Não force a barra. Não mude a natureza dos personagens para as coisas se encaixarem. Tente acabar com um gostinho de quero mais. Você não precisa fugir do clichê para fazer algo inesperado. E deixe o público de consciência tranquila quando a história acabar, sem achar que tem alguma coisa errada ou estranha. É isso. 

O Fim!


PS: Caso você ficou interessado na minha história e queira saber mais, não se preocupe, tem um livro vindo aí.

PS2: Caso você seja um editor ou coisa do gênero, sinta-se livre para entrar em contato.