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Fernando Palacios, especialista em narrativa transmídia e fundador da Storytellers Brand’n’Fiction participa desta matéria publicada originalmente pela Nextnow

Por: Bárbara Sacchitiello e Thaís Monteiro 
Ascensão de estudos de comportamento e análise de dados mostram que indústria audiovisual se orienta mais na própria demanda da audiência para produzir conteúdos.
O israelense Yuval Harari, autor do best-seller Sapiens: Uma Breve História da Humanidade, coloca a evolução cognitiva como uma das principais transformações que tornaram o ser humano dominante no planeta Terra. Mais do que pensar, ao articular ideias e se comunicar com seus semelhantes, o homem tem uma capacidade inexistente em outras espécies: acreditar em coisas que não existem. O ato de contar histórias, construir mitos e, a partir deles, conceber um universo ficcional em paralelo à realidade foi elemento essencial para a formação e a organização da sociedade e para a construção do mundo como o conhecemos. A humanidade evoluiu muito, mas nossa necessidade de histórias, para ouvir ou para contar, se mantém há milhares de anos.
O avanço tecnológico, comportamental e social permite que essas narrativas cresçam exponencialmente e, com elas, uma indústria pujante e altamente tecnológica. Algoritmos já trabalham, por exemplo, para entregar ao público o quê, supostamente, ele quer assistir. Algumas empresas têm investido na criação de narrativas interativas. Esse recurso, típico dos games, começou a ganhar relevância em conteúdo audiovisual entre no final de 2018, quando a Netflix lançou o filme Bandersnatch, derivado do universo Black Mirror, série que aborda a complexa relação entre seres humanos e tecnologia. Em abril deste ano, a plataforma disponibilizou o longa Você Radical, também interativo, e possui produções infantis com a mesma tecnologia.
Seguindo essa tendência, no primeiro semestre deste ano, o YouTube promoveu Ben Relles, antigo chefe de programação não-roteirizada do YouTube Originals, para comandar a área de inovação da plataforma, divisão que não existia até então. De acordo com a revista Variety, uma de suas funções será integrar ferramentas interativas para criar maneiras de o usuário interagir e participar do conteúdo.
A realidade brasileira não fica tão distante. Para a série Detetives do Prédio Azul, produzida pela Conspiração Filmes, o público pode escolher o final de alguns episódios por meio dos perfis das redes sociais do canal Gloob. “O espectador mudou de papel. Antes ele era meramente passivo. Hoje ele tem mais poder, acabou ditando uma nova estrutura, agora é um agente ativo, seja escolhendo o que assistir ou interagindo com o conteúdo”, afirma Renata Brandão, CEO da Conspiração.
Na perspectiva de Fernando Palacios, especialista em narrativa transmídia e fundador da Storytellers Brand’n’Fiction, a interatividade é uma resposta às empresas que buscam alto engajamento, o que justifica o sucesso da indústria dos games frente às do cinema e da música. Não por acaso a Netflix declarou, em um de seus relatórios corporativos deste ano, o game Fortnite como seu principal concorrente. Segundo a consultoria SuperData, o game pode ter chegado a US$ 2 bilhões em receita no final do ano passado. “Ao ‘criar o que quer ver’ ou ao menos ‘conduzir a narrativa para onde prefere’, a audiência se sente protagonista e fica muito mais engajada”, afirma Palacios.
O limitador do crescimento das narrativas interativas é o alto investimento. Segundo o especialista, o roteiro de um filme tem cerca de cem páginas, enquanto o de um game possui de duas a três mil páginas devido aos múltiplos caminhos que a história percorre, ao sabor da decisão do jogador. “A cada ramificação de interatividade, o investimento aumenta exponencialmente e nem todo mundo será capaz de bancar produções assim. No entanto, não há dúvidas de que as narrativas interativas devam crescer nos próximos anos”, prevê. Palacios também aposta no surgimento de startups de conteúdo numa corrida para achar uma combinação que denomina “autoridade artificial”, com estratégia de inteligência para criar roteiros interativos, engajadores e emocionantes.
Vida sem grades
Narrativas com múltiplos desdobramentos são reflexo da multiplicidade de opções à disposição dos consumidores em diversos segmentos. As próprias plataformas de streaming e seu modelo de negócio são consequência disso. “O timing das histórias mudou completamente. As tecnologias alteraram a lógica do consumo”, afirma João Daniel Tikhomiroff, fundador e sócio-diretor da Mixer Films. “Antes, recebíamos uma curadoria pronta e definida das opções que tínhamos para nos entreter. Hoje, ficamos livres para selecionar o que quisermos. Vejo a saída da grade televisiva para o consumo sob demanda como o marco dessa transformação. Literalmente, o consumidor se livrou das grades.”
As novas opções de distribuição de conteúdo audiovisual trouxeram outro conceito de liberdade de consumo de entretenimento. “Hoje temos 200 ou 300 opções para consumir conteúdos audiovisuais, seja novela, longa metragem, games, além dos microentretenimentos que também precisam ser considerados nesse novo contexto”, destaca Hugo Janeba, CEO e sócio-diretor da Mixer, citando formatos como GIFs e memes num conjunto de conteúdos à disposição para entreter o público. “Haverá, em algum momento, a limitação do quanto as pessoas irão gastar, tanto em termos de dinheiro como de atenção, para consumir essa grande quantidade de conteúdo. Para ganhar espaço nessas escolhas, o denominador comum do sucesso para qualquer veículo, plataforma ou produtor de conteúdo sempre será a qualidade.”
A demanda por plataformas de streaming ainda é alta, sobretudo num mercado com oportunidades de crescimento como o brasileiro. Mas começam a surgir dúvidas sobre a extensão desse potencial. Assim como ocorreu com a TV paga há quase 30 anos, que deu muito mais opções de canais do que a televisão aberta, as pessoas passaram a ter diversas assinaturas de serviços de streaming para suprir suas necessidades de lazer. Netflix, Globoplay, Prime Video, Play Plus, YouTube, Apple TV+ são apenas algumas das plataformas ligadas a grandes players que concorrem nesse mercado — sem contar marcas de nicho ou independentes. Será possível a coexistência de tantos players disputando a atenção do consumidor?
Eldes Matiuzzi, CEO da Telecine, acredita que o excesso de conteúdo causará a saturação em algum momento. Segundo ele, terá lugar mais privilegiado quem conseguir, mais do que entreter, entregar curadoria e serviço de valor agregado. “Há espaço no Brasil, em média, para três a quatro serviços de streaming na carteira do consumidor. O Netflix já tem seu lugar garantido e todos os entrantes querem estar lá”, diz. Eldes reforça a importância do uso de tecnologia para oferecer o conteúdo certo: “Quando eu entro em streaming de música, raramente procuro algo no browse. Eu vou pelas recomendações. E essa personalização só ocorre com muitos dados e algoritmos”.
O algoritmo pode ser um forte aliado dos produtores de conteúdo, se utilizado de forma inteligente, aponta Lucas Herdy, coordenador de operação digital da VIU Hub, da Globosat. Segundo ele, o uso de dados pode ajudar o criador a “identificar o que a plataforma quer, o que está alinhado com os seus objetivos, sua capacidade de produção e o que o público quer assistir. Quando isso tudo está alinhado, o canal só tende a crescer. Acrescento ainda que é essencial testar, testar e testar, sempre de olho nos dados”.
Sem fórmula
A evolução de ferramentas tecnológicas e o crescente investimento em pesquisa e análises de dados têm facilitado o trabalho de empresas de produção e distribuição de conteúdo, como a Endemol Shine. Esses recursos, porém, não são suficientes para prever variáveis de comportamento e consumo, segundo Juliana Algañaraz, CEO da operação no Brasil. “Hoje, praticamente todas as produções que vemos no mundo são baseadas em dados de consumo e de comportamento. Temos orientações para compreender que tipo de conteúdo as pessoas gostam e quais formatos tendem a ser mais aceitos. Mas o fator humano sempre será o ingrediente imprevisível dessa fórmula. Uma pessoa, hoje, pode assistir a um reality, por exemplo, e adorar aquele conteúdo. Mas se ela for exposta ao mesmo programa em outro momento, quando estiver com o humor diferente, a reação pode não ser a mesma. A tecnologia auxilia, mas nunca será possível encontrar uma fórmula certeira na produção do entretenimento”, afirma.
Para a executiva, é essencial explorar a multicanalidade no sentido de tentar satisfazer diferentes momentos de consumo. “Já há algum tempo assistir a um programa na TV ou a um filme de que se gosta muito não satisfaz mais. A demanda das pessoas por um conjunto de experiências conectadas ao conteúdo cresce bastante. A exibição de um episódio de Masterchef, por exemplo, é somente um dos pontos de contato que o espectador tem com aquele conteúdo. Para a experiência ser completa, ele precisa acompanhar os comentários na internet, ter a opção de adquirir os utensílios mostrados nas provas e estar, por todas as telas, conectado àquele universo”, diz Juliana.
De todo modo, análise de dados, pesquisas de consumo e maior entendimento da jornada do consumidor prometem tirar um pouco das incertezas do processo. A Globosat utiliza muitos estudos de comportamento. Um dos achados é que, nesse novo cenário, a companhia tem trabalhado para individualizar a experiência do conteúdo sem deixar de lado as ofertas de distribuição em massa. “A forma como as pessoas serão impactadas tanto pelo conteúdo de entretenimento como também pelas marcas e anunciantes será bem mais inteligente e contextualizada”, afirma Manuel Falcão, diretor de marketing da programadora. “Diversas pessoas consumirão o mesmo conteúdo, mas serão impactadas e estimuladas de maneira diferente. Mais para a frente, podemos chegar a um modelo em que uma audiência diversa assista ao mesmo conteúdo, mas com a opção de ter narradores e apresentadores diferentes, por exemplo.”
Apesar disso, Manuel não acredita — assim como Juliana da Endemol — que será possível produzir entretenimento de sucesso integralmente baseado em dados. “O dado será um indicador forte, mas nunca o protagonista. Hoje, ele tem um papel importante por ser uma nova tecnologia, mas em algum momento, vai se tornar commodity. Se não tivermos, necessariamente, um produto de qualidade, nada sobreviverá”, afirma.
Ambiente físico
General manager das operações da Viacom no Brasil, Mauricio Kotait acredita que o futuro do entretenimento também passa pela combinação da oferta de diferentes experiências de conteúdo, seja na TV linear, no digital ou no ambiente físico. “O entretenimento sempre foi calcado na emoção e na idolatria. Quando as pessoas gostam de um programa, uma música ou um artista, o consumo audiovisual de seu conteúdo não é suficiente. Elas querem vestir suas roupas, usar seus produtos e se sentir no mesmo ambiente no qual essas pessoas ou aquele conteúdo faz parte”, diz Kotait. Segundo ele, essa nova perspectiva tem alterado o modelo de operação da empresa internacionalmente. “Ao trabalhar essa estratégia no Brasil, descobrimos algo interessante que é ver uma nova geração, que já nasceu conectada, deixar o celular e aceitar sair de casa para vivenciar uma experiência física com nosso conteúdo, seja com Meus Prêmios Nick ou com o MTV Miaw”, descreve Kotait, citando dois dos diversos eventos realizados pela Viacom.
A estratégia segue a uma nova lógica de negócios que se impõe a toda produção de conteúdo: se pulverizar por diversas telas e lugares, ao alcance do consumidor em todos esses pontos de contato. “O conteúdo acaba sendo quase infinito, pois ele tem a possibilidade de ser espalhado em diferentes locais. O filme sai do cinema e vai para o canal de TV, para a plataforma de streaming e para a locadora virtual da operadora. O mesmo conteúdo pode dar origem a uma nova série na TV ou a uma linha de produtos licenciados. É necessário estar em qualquer espaço, seja virtual, como uma plataforma de streaming, ou físico, como um shopping”, diz Kotait.
Não por acaso, muitos conglomerados de mídia têm testado o fornecimento de conteúdo por vias alternativas. No Brasil, canais como Fox, HBO, Telecine e Premiere são alguns que já distribuem diretamente ao consumidor. Apesar disso, ainda mantém estratégias também  em televisão linear, em acordo  com operadoras.
Há quem teste modelos de distribuição de conteúdo de canais pagos, mas sem depender de operadoras, como a Guigo TV. A empresa oferece a assinatura de canais tradicionais de TV via internet, como Disney, ESPN, Band, Cultura, Bloomberg, BBC World News e Al Jazeera. “As pessoas querem preços mais acessíveis, mobilidade e pouca burocracia. O tamanho do mercado de pirataria no Brasil nos mostra que existe demanda pelo conteúdo, mas que é reprimida por causa do preço”, conta Renato Svirsky, fundador e CEO da Guigo TV. “A internet é o meio de comunicação da atualidade, seja para vídeo, música, telefonia, notícias. Decidimos implementar o projeto porque achávamos que era bom para o usuário e para os produtores de conteúdo. É uma situação de ganha-ganha.”
A médio e longo prazos, a conexão 5G também impactará a produção e distribuição de entretenimento em vários formatos. Além de aumentar a velocidade de conexão mobile e diminuir sua latência, a rede de quinta geração vai facilitar o acesso a vídeos em 4K e 8K, conteúdos de realidade virtual e aumentada e games multiplayer. Do ponto de vista de produção, a rede de quinta geração impactará os processos de players de entretenimento. Elementos como a pré-visualização em tempo-real do conteúdo filmado, transmitido via 5G e renderizado na nuvem, vão reduzir drasticamente o tempo de produção de animações, games e conteúdo em realidade aumentada, por exemplo. Os sets de filmagem, por sua vez, tendem a ser cada vez mais automatizados, com recursos como captação remota de imagens, captura volumétrica de objetos 3D e presets de iluminação, tudo conectado a sistemas digitais, câmeras-robôs e drones.
Algoritmo dançante
Ainda antes do audiovisual, o uso de algoritmos para direcionar o consumo já tinha demonstrado força na indústria musical. Em plataformas de streaming como Deezer, Spotify e Tidal, são utilizados para recomendar músicas e artistas aos usuários baseados em seu histórico de consumo. A questão hoje é a introdução dessa inteligência artificial na produção de música em si. Em 2016, o Laboratório de Pesquisa CSL, da Sony, noticiou a criação do que seria a primeira música composta e produzida por inteligência artificial. Daddy’s Car, um som pop que lembra canções dos Beatles, foi desenvolvido por meio do sistema Flow Machines e auxílio do músico francês Benoit Carré, que finalizou o material. Em janeiro de 2018, o Laboratório, junto com Universidade Pierre e Marie Curie, em Paris, lançou o álbum Hello World, primeiro disco criado com recursos de inteligência artificial com Benoit Carré como diretor artístico. Em março deste ano, o Warner Music Group assinou contrato com a Endel, empresa dona de um algoritmo capaz de criar músicas em tempo real segundo o humor do ouvinte e controlar a ansiedade. O contrato prevê a criação de 15 álbuns ainda este ano.
Para Rebeca de Moraes, head e fundadora da consultoria de tendências Trop.Soledad, esse tipo de produção ja é resultado da transformação total na forma como as pessoas consomem música. “A relação das pessoas com a música, hoje, passou a ser definida pelo humor do ouvinte”, .destaca. Fábio Santana, gerente de marketing de artistas na Deezer Brasil, diz que o uso de algoritmos para criar música já é realidade. “A ideia não é substituir produtores, mas tornar o processo mais acessível e alternativo. É difícil saber se essas tecnologias podem aprender música da mesma forma que um humano, mas já é uma opção viável para diversos músicos”, afirma, contextualizando que, para alguns artistas, a tecnologia minimiza questões como distância e tempo de produção.
Presente na edição deste ano da Rio Creative Conference (Rio2C), François Pachet, diretor de pesquisas tecnológicas do Spotify, anunciou que a plataforma está investindo em ferramentas capazes de compor músicas junto com humanos. O Spotify é parceiro do laboratório da Sony, que criou a música Daddy’s Car. “Quando eu era mais jovem, costumava ouvir a álbuns inteiros do início ao fim. Hoje, jovens pulam músicas o tempo todo e a média de permanência em cada música é de um a dez segundos e isso terá consequências inéditas na história da música”, falou Pachet durante a conferência.
“Esses elementos se tornarão mais comuns e naturais conforme vão se desenvolvendo e ficando mais baratos e eficientes. Já é uma realidade do presente e no futuro próximo veremos uma evolução. Diversos artistas já começaram e vão continuar a experimentar essas diversas opções”, prevê Santana, do Deezer. Na sua opinião, a tecnologia não restringe a criatividade e sim abre portas para os artistas serem mais criativos e usarem novas ferramentas para experimentar e criar sons nunca ouvidos antes. “Há artistas e produtores que têm sido extremamente bem-sucedidos adaptando essas tecnologias em seu trabalho, como Björk e Brian Eno”, exemplifica.
Para além da tecnologia, Rebeca acredita que diferentes gêneros musicais vão se misturar mais e artistas vão fortalecer parcerias. “As novas gerações se interessam muito menos por shows que as anteriores, pois para eles, sair de casa precisa ser um evento, algo muito diferente do que você vê na balada ou em casa. Por isso o sucesso dos festivais, que reservam uma diversidade de experiências, entre shows, atrações, bebidas, lounges, brindes etc”, afirma.
A evolução do conteúdo de entretenimento é, acima de tudo, um forte indicador de tendências sociais, diz Rebeca. “Esse mercado é hoje tanto receptor quanto emissor de comportamentos emergentes. Serviços de streaming mudaram profundamente nosso consumo de conteúdo, pautado basicamente no desejo do usuário. E quando se está em dia com o desejo do usuário, se está também em dia com o espírito do tempo, com as tendências”, diz.
*Colaborou Teresa Levin


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Storytelling: o case IT Forum

Essa entrevista foi publicada originalmente pela Revista EBS

Depois de quase 20 anos, um dos maiores congressos de tecnologia da América Latina, reformulou a sua grade e incluiu o Storytelling para motivar os participantes


Storytelling nada mais é que a arte de contar histórias, método que consegue promover um negócio gerando identificação. Através de inúmeros recursos, principalmente, o audiovisual, podemos persuadir os consumidores de uma maneira tão efetiva como nas propagandas diretas. Inegavelmente é um conceito bem antigo, já que o ser humano na Pré-História utilizava os desenhos nas cavernas para transmitir conhecimento. Hoje, a técnica já domina o universo das empresas de Marketing e Publicidade e segue agregando valores às marcas. Até por isso extrapolou o ambiente da comunicação, chegou ao setor de eventos e gerou ótimos resultados. Um dos exemplos mais recentes do êxito nessa junção de Storytelling/Eventos é o IT Forum que, recentemente, mudou toda sua programação e se tornou muito mais interativo. O IT Forum é um congresso organizado pela IT Mídia, empresa que há 20 anos conecta os líderes de tecnologia do país. O evento que é realizado durante cinco dias em um resort na Bahia reúne 180 CIOs (chief information officer) das maiores empresas brasileiras, e mais de 70 executivos de empresas fornecedoras de soluções de tecnologia dentre as 100 maiores empresas desse setor no Brasil. Os conteúdos e palestras presentes no evento tem como função gerar reflexões, instruir os CIOs e apresentar soluções para o dia a dia. O IT Forum é hoje o maior e mais importante evento de Tecnologia da Informação da América Latina, tem como objetivo principal a interação entre os participantes.
O problema é que com o crescimento do evento ao longo dos anos, a IT Midia foi perdendo a proximidade que tinha com seus clientes. Além disso, os concorrentes estavam investindo no intimismo. Foi quando em 2015, o sociólogo e escritor, Domenico de Masi, que foi Keynote Speaker da edição, fez uma reflexão: “Os eventos devem ser mais estéticos e cada item decorativo, cada cenário, precisa fazer sentido para as pessoas ali presentes”.

A inspiração no Tomorrowland

A missão era reformular o IT Forum, torná-lo mais moderno e gerar ainda mais interação. Os organizadores fizeram inúmeras reuniões para decidir os novos rumos, mas o insight de incluir o Storytelling surgiu depois que o CEO da IT Mídia, Adelson Sousa, participou do Tomorrowland, maior festival de música eletrônica do mundo, que cria um universo de fantasia para envolver o público. “O Tomorrowland é, sem dúvidas, um dos cases mais incríveis de Storytelling que conhecemos. O Adelson esteve presente e ali teve certeza que tinha achado um novo jeito de fazer eventos”, afirmam os organizadores do IT Forum.
A empolgação com o Tomorrowland não foi à toa, o festival nasceu de uma ideia entre dois sócios, que tinham um propósito de melhorar o mundo. Eles criaram um o evento onde as pessoas pudessem experimentar algo fora de seus cotidianos, onde elas pudessem ser espontâneas, serem elas mesmas. Pessoas diferentes, de lugares diferentes, mas unidas pela música, por uma história, pelo mesmo propósito.

IT Forum e o storytelling – um case de sucesso

Definido como seria o It Forum em 2016, faltava achar um profissional com expertise para ajudar a executar o projeto audacioso. Até que em um evento da IT Mídia, na Escola superior de Propaganda e Marketing (ESPM), houve uma palestra com um professor que falava sobre Transmedia e Storytelling. O profissional era o pioneiro em Storytelling e Branded Content no país e sócio-fundador do Storytellers, Fernando Palacios.
Logo depois de assumir o projeto Palacios participou de inúmeras reuniões com o CEO da IT Mídia para elaborar todo o conceito do IT Forum até a entrega da primeira edição do evento em sua nova configuração, em abril de 2016. A entrada do Storytelling no IT Forum fez com que os participantes imergissem em uma outra realidade. Ao chegar no local a pessoa recebia um livro que contava a história de um deus do tempo que havia sido aprisionado.
Uma ordem secreta controlava o tempo e havia uma disputa entre três grupos para saber qual a melhor maneira de usar o tempo. O primeiro era favorável para que houvesse uma desaceleração maior, pois segundo eles evoluímos muito rápido e a consequência foi a desordem e a poluição. Já o segundo, concordava que o tempo estava exatamente onde ele deveria estar, não era para ficarmos contemplando o passado e nem sonhando com futuro. O último grupo acreditava que o tempo estava passando muito devagar, pois ainda não tínhamos tecnologias como os carros voadores, logo os ponteiros do relógio deveriam correr.
Os profissionais de TI eram convidados a participar de um dos três times apresentados e o jogo começava. Durante todo o evento houveram várias ações como teatro no final de cada dia, os participantes também recebiam vídeos nos celulares. Era uma espécie de vídeo game com vários caminhos possíveis. No encerramento, que contou com a presença dos familiares dos jogadores, o tempo foi libertado pelo time vencedor.


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Por que contar histórias é tão importante para a saúde?

Essa entrevista foi publicada originalmente pelo YouCare



Storytelling é uma estrutura usada por roteiristas de Hollywood para que seus filmes sejam apreciados por diferentes audiências em todos os cantos do mundo. O conceito já vem sendo usado por outros segmentos há algum tempo, mas na saúde é ainda muito novo.
Desde 2016, o Inrad promove Workshops de Storytellig na saúde, ministrados pelo Storyteller Fernando Palacios.
Convidamos ele para nos explicar melhor sobre este conceito e porque contar histórias é importante também para a saúde.

YC: O que é Storytelling e como surgiu este conceito?
Palacios: Storytelling é o ato de se contar uma história. Mas esse resumo é como dizer que para fazer música basta soprar uma gaita. Se formos definir mais a fundo, storytelling é a habilidade de saber como (escolher ou criar e) contar da melhor forma uma história. Mas ainda assim falta um elemento importante. Uma pessoa pode contar uma história em seu diário e deixá-la escondida para sempre. Storytelling remete ao tempo das homens das cavernas que sentavam ao redor de fogueiras ancestrais e contavam histórias uns para os outros. Uma narrativa implica na existência de uma audiência. Nesse sentido, ninguém conta uma história por acaso. Os ancestrais ensinavam técnicas de caça e sobrevivência com suas histórias. Nós buscamos influenciar consumo e comportamentos. Storytelling, então, é saber escolher ou criar uma história que consiga transmitir uma mensagem para uma audiência e para isso é preciso saber narrar de forma que capture a atenção.

YC: O Storytelling é fácil de ser aplicado na prática?
Palacios: Contamos histórias todos os dias, mas não nos damos conta do processo. O difícil é saber contar histórias direcionadas a um objetivo.

YC: Quais setores que mais utilizam? Por quê?
Palacios: O entretenimento é quem mais se utiliza do Storytelling, já que é impossível pensar num filme, seriado ou game sem uma boa história.

YC: Como ele pode auxiliar as empresas de saúde?
Palacios: De várias formas, desde pequenas empresas como dentistas, como grandes empresas como hospitais e farmacêuticas.
Por exemplo, um dentista pode contar histórias para estimular uma criança a escovar melhor os dentes.
Um médico pode contar histórias para explicar que o Dr. Google nem sempre tem razão e com isso engajar seu paciente a seguir à risca um tratamento.
Um hospital pode contar histórias que mostrem seus diferenciais diante dos demais.
A equipe de enfermagem pode contar histórias que conscientizem todos a realizar tarefas que parecem simples, mas que muitas vezes são ignoradas e com isso causam problemas, como o hábito de lavar as mãos a cada vinte minutos.
Uma farmacêutica pode contar histórias sobre seus medicamentos e assim explicar a eficácia.
Para executivos da área de saúde, inclusive das áreas de consultoria e pesquisa, Storytelling também ajuda a preparar melhor seus projetos e apresentar com mais impacto suas descobertas, ideias e cases de sucesso.
E para os médicos que são professores, Storytelling pode ajudar muito na sala de aula.

YC: O que os participantes aprenderão com o Workshop de Storyteling na Saúde?
Palacios: Desde o conceito geral, passando pela importância de se adquirir essa habilidade, até métodos para contar histórias de forma rápida e eficiente.

YC: Esta é a segunda edição do curso, na sua opinião, o conceito está sendo utilizado no setor de saúde? Poderia nos dar um exemplo/case?
Palacios: Ainda é muito recente o uso na saúde, mas já estamos vendo algumas iniciativas, em especial na pediatria em que o universo lúdico é mais próximo.

Sobre Fernando Palacios
Quando vê tudo que se diz e se produz de Storytelling no Brasil, Fernando lembra do passado – quando o tudo ainda era nada. Lembra-se do seu estudo, o primeiro acadêmico sobre o Storytelling na América Latina. “Primeiro”, aliás, é um adjetivo que lhe cai muito bem. O primeiro escritório de Storytelling do país, o primeiro portal de conteúdos de marca, o primeiro curso sobre o tema em território brasileiro, na ESPM, ainda em 2010. Fernando já ministrou cursos em dezenas de países e que, junto ao seu projeto W’nderer Writer, o consagram como um explorador congênito que é.
https://www.storytellers.com.br




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Há diversas definições sobre a técnica, o que, inclusive, é um problema que acaba confundindo o mercado brasileiro.
Essa matéria foi publicada originalmente no Administradores.
Sempre que se tenta restringir algo abstrato a um conjunto de palavras, acaba-se entrando na situação de uma noite fria com um cobertor curto: ou o pé vai ficar descoberto, ou os ombros, ou o conceito vai ter que ser encolhido para caber.
Há diversas definições sobre storytelling, o que, inclusive, é um problema que acaba confundindo o mercado brasileiro. Storytelling é um termo em inglês que traz duas informações fundamentais: Story – que é a construção mental feita de memórias e imaginações que cada pessoa tem sobre uma determinada história – e o Telling – que é uma versão da história expressa por um narrador. Uma só Story pode gerar um grande número de Tellings. O Conde Drácula foi um só, mas muitos autores deram versões diferentes.
Por isso, para algumas pessoas, storytelling pode ser apenas contar uma historinha qualquer. Mas é possível ir muito além. Vale lembrar que a prática de contar histórias é pré-histórica, o que significa que antes mesmo de poderem ser registradas, as histórias já eram transmitidas oralmente. Inventamos o storytelling para não termos que reinventar a roda a cada geração.
Com o passar do tempo, essa prática de contar histórias foi se tornando cada vez mais complexa e até por isso tão difícil definir. Um humorista que conta uma piada está contando uma história tanto quanto um romancista que escreve uma saga com sete livros. Além disso, algumas pessoas vão levar em conta o aspecto emocional que uma narrativa pode promover, afinal, quem nunca foi ao cinema e saiu com um nó na garganta?
Outros autores vão considerar mais o poder de argumentar sem ter que racionalizar, já que você só conta uma história e deixa que a audiência decida por conta própria o que fazer com essa informação que foi transmitida.
Quem assiste aos seriados modernos como Dexter, Dr. House, Homeland, Game of Thrones, House of Cards, Breaking Bad e tantos outros, sabe que é difícil decidir se o protagonista é “bonzinho ou malvado”, se ele está certo ou errado. Essas decisões os roteiristas e diretores deixam para a audiência responder.
Storytelling como disciplina empregada pelas organizações e seus prestadores de serviço é algo mais recente, surgiu inicialmente nos relatórios de tendência internacionais como Iconoculture, WGSN e Trendwatching em meados de 2005. Até por isso complica ainda mais sua classificação.
Muitos autores consideram o storytelling como uma ferramenta para marcas e negócios. Há os que focam no storytelling como o registro de relatos de histórias de um determinado público. Existem estudiosos especializados em narrativas como forma de aperfeiçoar a comunicação. Finalmente, muita empresa vai dizer que “fez um storytelling” porque isso ajuda na hora de divulgar. Soa como algo “in”. Esse processo começa nas agências, que conseguem aprovar o projeto com o cliente com mais facilidade ao dizer que “isso aqui não é um projeto qualquer, é um projeto de storytelling”.
Esse é o problema de aplicar storytelling como um instrumento ou ferramenta: a empresa irá compreender apenas uma parte de um composto de técnicas. Storytelling vai muito além da utilização do léxico, do uso de um personagem, de expressão através a linguagem de quadrinhos ou de transmitir uma mensagem com começo, meio e fim ou mesmo de fazer um videozinho emotivo. Pensar storytelling como uma ferramenta pontual é como comprar um aparelho celular, mas não contratar uma operadora.

Até por isso prefiro a definição de que storytelling não é apenas contar histórias. O Storytelling - escrito assim, com S capitular - é uma metodologia que implica saber contar uma história fabulosa, de forma fantástica, com um propósito messiânico. O que quero dizer com isso é que não basta contar de qualquer jeito uma história aleatória que não leve a nada.

Para ser prático, aplico sempre dois critérios, um para a audiência e outro para o executivo. Para a audiência pergunto: se você tivesse pago para ler/ouvir/ver essa história, você recomendaria aos amigos ou pediria o dinheiro de volta? Para o executivo pergunto: essa história traduz o diferencial do seu produto e o valor da sua marca? Se o executivo não responder sim duas vezes e a audiência não recomendar, não considero que seja Storytelling com S capitular.

Com esse critério, podemos dizer que o Storytelling ainda engatinha. São poucos os cases que realmente conseguem passar por esse filtro.

Fernando Palacios - um dos pioneiros de advertelling e branded content no Brasil. É fundador da Storytellers, o primeiro escritório especializado do Pais. Implementou o primeiro curso universitário de Transmídia Storytelling na ESPM-SP. Desde então ministra palestras e cursos no Brasil e internacionalmente, somando, até o momento, mais de 60 apresentações.



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Por que a sua história interessa?

Essa entrevista foi publicada originalmente pelo Nathy Faria

Todo fã quer conhecer melhor a trajetória de seu artista favorito: saber como tudo começou, quais caminhos levaram até o presente, quais histórias estão por trás das músicas. O storytelling é uma estratégia já muito conhecida na publicidade em geral e, quando bem aplicada na música, torna-se uma ferramenta ímpar de comunicação do artista com seu público.

Seja por entrevistas, letras de músicas, videoclipes ou até mesmo melodias, o artista tem em suas mãos o poder de escolher como irá escolher suas mensagens e influenciar seu público. Saber contar bem uma história é uma arte que permite que o público se identifique não só com a música, mas com tudo que o artista significa: suas crenças, seu estilo de vida, sua forma de se comunicar e sua identidade.
Segundo o especialista em Storytelling, Fernando Palacios, a técnica vai muito além de simplesmente contar uma história. "O músico tem duas formas principais de usar o storytelling: tanto quando fala de sua trajetória, quanto por meio das histórias que suas canções cantam. Em ambos os casos, ele deve ter um objetivo ao consturir uma narrativa, e isso significa entender o que ele gostaria de expressar para o público e escolher quais recortes vão compor a história contada", esclarece.
Expressar uma visão de mundo
Conexão com o público
Ele ressalta que alguns artistas iniciam sua trajetória contando um tipo de história, mas depois acabam tendo outros objetivos de comunicação e mudam. "O John Lennon, por exemplo, entra na música com um propósito de conquistar mulheres - e é sobre isso que ele fala no início da carreira. Mas de repente ele entende uma coisa muito mais profunda e muito maior de que a música é uma ferramenta muito mais poderosa para levar mensagens às pessoas. E ao mudar a visão de mundo, ele também muda sua forma de se expressar, e começa a contar histórias que sirvam a esse novo objetivo", exemplifica Palacios.
Ele conta que também é possível comunicar essas mensagens pelas próprias letras. "Toda música propõe contar uma história e isso vem de muito tempo. Antigamente, a melhor forma de levar uma história de um lugar para outro era cantando, porque as rimas ajudavam a memorizar os fatos. E todo músico deveria ter como foco essa ferramenta, para conseguir cantar melhor aquilo que ele deseja passar pro público. Alguns artistas como Bob Dylan, compreendem isso muito bem: ele havia pensado em ser poeta, um autor de literatura, mas descobre que a música é uma outra forma de se expressar e cantar as suas histórias", relembra o professor.
E é quando o público compreende, se relaciona e se identifica com essas histórias cantadas ou contadas, que o artista torna-se referência para além de suas próprias canções. Assim, por meio desse tipo de discurso empático, torna-se possível criar a demanda de todos produtos relacionados ao artista: de shows a camisetas; dos discos a posteres.
Dessa forma, contar a sua história é na verdade dar visibilidade para a identidade da sua carreira, comunicar-se para além das melodias e harmonias e criar espaço para a interação com o público. E por todas essas razões, esteja certo, sua história importa - e muito. Você já sabe qual é a melhor forma de contá-la?


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Fernando Palacios fala sobre a construção de histórias e criação de personagens que aproximam o cliente das marcas e facilitam fidelização. 

Essa entrevista foi publicada originalmente pelo Consumidor Moderno

A melhor forma de fidelizar um consumidor é fazer com que ele viva uma história e se identifique com ela. Para Fernando Palacios, especialista em Storytelling, a construção de histórias e a criação de personagens aproximam o cliente das marcas e facilitam fidelização.
De acordo com ele, a base do storytelling é o personagem. “Ao invés de falar sobre um produto, que pode ser uma coisa muito cansativa, com uma comunicação muito cinzenta, muito monótona, é mais fácil visualizar um produto dentro da história de alguém do que ele sozinho, sem contexto”, afirma.

Caso

O pesquisador cita o exemplo da venda de celular. “Posso passar horas falando de um aparelho celular, quantos gigabytes de memória ele tem, sua conectividade ou posso contar a história de um fotógrafo que viajou para se encontrar em um momento da vida, entrou em um ônibus sem destino e esqueceu de levar a câmera fotográfica, levando somente a carteira, os documentos e o celular. Assim, fica muito fácil de mostrar como o celular é bom para fotografar”, comenta.

Problema

Para incentivar o consumidor é preciso trazer histórias de pessoas como ele. Palacios alerta para a importância de se deixar claro quando essas narrativas forem fictícias.
“Dos 100 filmes mais assistidos na história, 99 são ficção. Mas a questão da ficção é a convenção, tem que ficar claro desde o início que ela é uma história inventada. Quando uma história fictícia se passa por verdadeira, ela pode confundir as pessoas e deixarem elas chateadas ou até bem irritadas. É preciso ter muito bom senso e muita cautela na hora de montar a história da sua marca”, conta.

Interesses do consumidor

O consumidor dos dias de hoje, segundo o especialista, está saturado de opções e informações. Por isso, ele procura marcas que apresentem “um algo a mais”. “O consumidor quer personalidade, cor, posicionamento, ele querer entender no que a marca acredita e se ela está alinhada aos seus desejos, anseios, crenças e valores.
Experiências também são outro atrativo buscado pelo consumidor da era digital. Ao tomar um café, por exemplo, ele busca mais do que somente o produto, diz Palacios. “Ele não quer só um café, ele quer uma cafeteria que tenha um clima, um ambiente temático. Uma cafeteria em estilo português, com doces portugueses, uma decoração portuguesa tende a ser muito mais interessante do que uma cafeteria branca servindo café, pura e simplesmente”.

Engajamento

Palacios ainda afirma que desde grandes marcas como Natura, Boticário e Nike até empresas de pequeno porte podem apostar no storytelling como uma técnica para aumentar as vendas e impulsionar o engajamento dos clientes. “É possível conseguir resultados muito extraordinários tanto financeiros quanto em relação ao engajamento. Tanto para o consumidor quanto para a empresa, nas duas frentes, existem muitos casos com resultados impressionantes, finaliza.


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Storytelling: a técnica de contar uma história . Entrevista com Fernando Palacios, fundador da Storytellers

Essa entrevista foi publicada originalmente pelo Diario do Nordeste.

Criar histórias. Narrar. Emocionar. Os ingredientes formam a receita do storytelling, um método que utiliza palavras ou recursos audiovisuais para transmitir uma mensagem. Pode ser utilizado em várias vertentes, como estratégia de marketing, para motivar colaboradores ou até mesmo no lançamento de produtos. O mundo corporativo vem se apropriando cada vez mais da técnica de contar histórias relevantes para potencializar resultados em suas marcas e atrair a atenção de seu público-alvo.
"Desde a antiguidade, no tempo dos homens das cavernas, todo mundo contava uma história por vários motivos. Para ensinar a caçar ou falar dos perigos. Os pais contam histórias para os seus filhos", explica Fernando Palacios, um dos fundadores do primeiro escritório de Storytelling no Brasil, a Storytellers Brand 'n' Fiction que tem como principais cases: a peça de Teatro "Filhas do Dodô" para o Grupo J. Macêdo e "O Mistério das Cidades Perdidas" para Mini-Schin que superou 2 milhões de leitores na internet.
Em algum momento, a organização precisa contar uma história, seja ela de ficção ou não, para atingir determinado objetivo, "sem que a narrativa se torne chata". O storytelling foge das abordagens tradicionais de comunicação, valendo-se de histórias interessantes para obter a atenção de alguém.
A técnica, como parte da visão corporativa, vem sendo utilizada pelas empresas há pouco mais de dez anos. Com nascimento nos Estados Unidos, no Brasil, é uma abordagem recente. As empresas, segundo Fernando, estão começando a despertar para a necessidade de contar histórias interessantes sobre ela ou sobre seus produtos. "O método trabalha com o emocional das pessoas, podendo ser de forma dramática ou engraçada".
A propagação do storytelling como um método eficaz desperta a curiosidade das empresas cearenses. "O Ceará é um polo forte nesse sentido. As primeiras histórias, as mais bem construídas são do Estado". Fernando cita o caso do Grupo M. Dias Branco que vem construindo uma narrativa para um dos produtos da marca Richester, o Animado Zoo. O produto possui vário mascotes. O trabalho do storytelling é construir narrativas envolvendo esses personagens, criando um vínculo emocional para cada um deles, aproximando a marca de seus principais consumidores.
Um exemplo de storytelling que ficou conhecido pelos consumidores foi o filme de despedida da Kombi. Um vídeo lançado pela Volkswagen mostrou a última viagem oficial do utilitário. "A narrativa tinha um discurso emocionado e divertido e não vendia o produto, mas reforçou a imagem da marca".


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Por que o storytelling (contar histórias) é fundamental para saúde? a sua história interessa?

Essa entrevista foi publicada originalmente pelo saudebusiness

Em apresentação do Fernando Palacios, da fundador da Storytellers Brand 'n' Fiction, pioneiro do Storytelling no Brasil, pude aprender muito e consolidar a convicção de que saber contar uma boa história é fundamental para as organizações de Saúde. Em primeiro lugar, storytelling nada mais é do que a técnica de contar uma boa história, de modo que a narrativa seja envolvente e os espectadores se interessem pela história. De acordo com Fernando Palacios, a narrativa tem que ter um problema para ser boa, se tudo estiver bem na narrativa, então a história perde a graça.
A história tanto pode ser verdadeira e totalmente relacionada com a empresa, como pode ser uma ficção, mas com o intuito de agregar valor à companhia e envolver o consumidor/cliente. No entanto, o Palacios orienta que é importante deixar claro para o público-alvo quando a história é uma ficção.
Quem se lembra da história do Nemo, da princesa Ariel ou do Rei Leão? A Disney é, sem dúvida alguma, a maior empresa de storytelling do mundo, sendo capaz de comercializar uma séria de acessórios e experiências relacionados às suas histórias, gerando um enorme valor para a companhia por meio de histórias envolventes. Em um experimento citado por Fernando Palacios, produtos de uma empresa norte-americana que custavam até USD 3,00 tiveram seus valores aumentados exponencialmente ao terem uma história criada associada a eles.
Vale acrescentar que contar histórias é inerente ao ser humano. A primeira história escrita no Egito que se tem registro, contém uma receita para fazer cerveja, ou seja, a receita é totalmente envolta por uma história envolvente. E talvez seja por conta dessa história que o conhecimento  sobre fazer cerveja não se perdeu e você, hoje em dia, pode usufruir da bebida, sem nem imaginar que ela teve uma super história que ultrapassou gerações.
E na área de Saúde? Contar histórias não seria uma excelente forma de se comunicar com os pacientes, clientes , fornecedores e investidores? Claro que sim e temos muitos exemplos disso no setor.  A cada vez que Thomaz Srougi aparece na mídia falando do Dr. Consulta, a história da empresa é reforçada, como uma empresa que nasceu para atender a população sem plano de saúde, que quer um atendimento médico de qualidade e acessível. Ou ainda a história das amigas Janete Vaz e Sandra Costa, fundadoras do laboratório Sabin, que resolveram empreender e transformar um sonho em realidade, hoje sendo referência na área laboratorial do País. Elas nunca perdem a história da origem do Sabin de foco.
Outra dica do Palacios foi “nunca comece uma apresentação no PowerPoint ou Keynote diretamente”. Sempre faça um roteiro antes da apresentação, escrevendo um rascunho do que estará em cada slide, tal qual o roteiro de um filme. Entre os elementos a destacar na área de saúde, por exemplo, vale seguir: qual é o problema, caracterização do problema com seus custos, possíveis soluções, caracterização da sua solução do ponto de vista técnico e financeiro, possível impacto da solução e conclusão.


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El storytelling surgió como una necesidad de captar la atención de la gente. Entrevista com Fernando Palacios, fundador de Storytellers.

Esta entrevista fue publicada originalmente por pucp.edu

Trabaja en un proyecto autoral llamado A Próxima Maravilha, en el que viaja alrededor del mundo iones contando historias y en busca de la próxima maravilla del mundo. Paralelamente, busca batir el récord del libro más largo escrito desde un celular. Invitado por la Especialización en Gestión de Contenidos de nuestra Maestría en Comunicaciones para dictar el taller Innovación en el storytelling, el profesor Fernando Palacios, experto de la Universidad de Sao Paulo, nos visitó.

El storytelling es un concepto publicitario reciente, ¿no es así?

Sí y no. Como estudio o concepto, efectivamente, tiene pocos años. Pero como práctica se remonta a la época de las cavernas. Storytelling es la transmisión de conocimientos e información buscando dejar claros los mensajes a nuestro público. Por ejemplo, no es lo mismo decirle a un niño “no comas la frutita roja” que contarle la historia de un gran guerrero poderoso que, tras vencer a todos, come la fruta roja y cae enfermo. Al aprender a contar una historia aseguramos que el conocimiento llegue mejor a nuestro público.

¿Cómo así se convirtió el storytelling en una disciplina?

Hace como ocho años atrás, los guías de tendencias, los coaching, dijeron que había algo que en el futuro estaría ligado con el storytelling. Es claro que, actualmente, hay una gran disputa por la atención. Antes se pensaba que se podía comprar el tiempo de la gente para que te atienda, pero eso no siempre funciona. Imagínate que tu empresa te lleva a un taller de capacitación obligatoria, ¿cuántos estarán realmente atentos a lo que se dice sin sacar sus celulares para revisar mensajes o navegar en internet? Tú no controlas la atención de la gente, eso es algo más involuntario, y ese es el momento en el que el storytelling entra con mucha fuerza.

¿De qué manera?

Aprender a contar una historia te va a asegurar la atención de tu público. La industria del entretenimiento, por ejemplo, el cine, tiene mucha experiencia contando historias y armando estrategias que capturan la atención. Pero no solo el cine, las novelas también te presentan un proceso que da muchos detalles, información dosificada que te invita a querer más: hay una promesa, hay duda, hay misterio, la historia se hace más atractiva. Ahora las empresas quieren saber cómo usar este mismo mecanismo para transmitir mensajes corporativos, y, en lugar de hacer una convención, contar una obra de teatro para transmitir un mensaje. Entonces, esto surgió como una necesidad de captar la atención de la gente.

¿Qué usos prácticos se le puede dar?

Cuando una historia es buena puede vender algo, pero también puede transmitir una información importante. La idea es crear una historia interesante para insinuar algo a la gente. Puede usarse en educación, sin duda. Existe un gran movimiento que apunta a transformar muchas historias o muchos conocimientos en novelas gráficas. Es más interesante leer una novela gráfica que una tesis de doctorado porque esta última es muy densa, muy difícil y no es accesible; pero si se transforma en un contexto de historia, queda más interesante, fácil y la puedes leer en el autobús, en vez de solamente en la biblioteca. Storytelling es como una traducción de un texto técnico, en el que colocas entretenimiento junto con la información.

¿Cuáles son las estrategias o técnicas que utiliza el storytelling para cumplir sus objetivos?

Hay que comprender que existen dos momentos muy distintos, uno es el momento de story y otro es el momento de telling. Son dos procesos completamente distintos hasta en su forma de trabajar. El primero es la construcción de un mundo: hay personajes, hay artefactos, hay lugares, hay cosas, muchas informaciones. De otro lado, el telling tiene muchas estrategias de cómo se va hacer para contar la historias y captar la atención desde el principio hasta el final.

¿Cómo sería en un libro, por ejemplo?

Si vas a escribir un libro, el storytelling te diría que al final de cada párrafo tiene que haber un “gancho” que haga que te interese leer el próximo. Al final de cada página se debe generar una expectativa para que el lector quiera pasar a la siguiente. Al final de cada capítulo, lo mismo. Entonces, es un proceso continuo con muchos modos de atraer la atención, casi hay que dialogar con la persona que está en frente, a la que no conoces pero en la que siempre debes pensar. Es como la receta de un ceviche: su story serían los ingredientes y el procedimiento; otra cosa es cómo se prepara o cómo se va a servir a la mesa, eso es telling.

¿De qué manera se relaciona esto con la transmedia?

Transmedia es pensar en que, actualmente, el público accede a la información desde distintas plataformas. Puede consumir la misma historia, pero cada plataforma necesita un tratamiento especial: el uso de recursos visuales, textos, sonido, entre otros. Se aprende mucho de las técnicas narrativas de los guionistas de cine. Si nuestra empresa tiene que dar un mensaje, necesita que el público preste la misma atención que le prestaría a una película hecha por Pixar.


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