Até o dia em que ouvi o relato de uma inseminação realizada por uma mosca, jamais poderia imaginar tal coisa. E é bem provável que você também não. Por isso, quero começar esse artigo te contando esse causo.

Estávamos eu e meus colegas de turma, numa noite como outra qualquer, assistindo a uma aula de Psicopatologia, na faculdade. Já se passaram uns 5 anos desse dia para cá. Bom, preciso que guarde essa informação: 5 anos. 

O professor da disciplina era um sujeito célebre, de um vasto conhecimento. Uma verdadeira enciclopédia ambulante, nós dizíamos. Acontece que ele já era idoso e cubano. Calma, meus caros, esse não é um comentário xenofóbico e não há demérito algum na idade avançada e muito menos na nacionalidade do estimado professor. O problema é que, para alguns, havia dificuldade de prestar atenção por conta do portunhol e pelo ritmo desacelerado, natural devido ao avançar da idade.

Lá pelas tantas daquela aula, depois de explicar meia dúzia de conceitos, a nossa enciclopédia anunciou que contaria uma experiência vivida por ele in loco. Nesse momento, uma forte brisa entrou pelas janelas trazendo um novo brilho para o ambiente e fazendo com que magicamente o espírito da sala mudasse. 

Não seria exagero algum descrever esse instante assim, com essas palavras, acredite!

Se você estivesse lá veria que aqueles que estavam com os celulares nas redes sociais, jogando paciência, tetris ou qualquer sorte de outro jogo, escantearam seus aparelhos. Outros que estavam quase cochilando ou mais despojados nas cadeiras receberam no cérebro uma dose de dopamina e então se ajeitaram em seus assentos aguardando ansiosos para ouvir o causo. 

Não tinha mais portunhol ou ritmo desacelerado que atrapalhasse, todos nós queríamos ouvir a história do professor.

Ele então nos contou que há décadas, tinha trabalhado em um manicômio, na Espanha. Lá atendera dezenas de pacientes com as mais variadas psicopatologias. Mas, naquela noite, naquela aula, queria nos contar sobre a Arlete (o professor, óbvio, não nos disse o nome da paciente, portanto, eu a batizo no exato momento em que escrevo esse texto). 

Arlete era uma mulher de meia idade e mantinha um bom convívio com os profissionais de saúde e os outros pacientes. Mas nem sempre fora assim. No início da sua estadia lá no local, tinha um comportamento arredio, um tanto agressivo. Com o passar do tempo, com as medicações, o seu comportamento foi ficando ameno.

O professor nos contou que precisou conquistar a confiança dela para poder entender como era para a paciente a experiência de estar ali. Foi então que ficamos surpresos com o que ouvimos.

Arlete, depois de alguns encontros, depois de acreditar que o professor não era um espião da Rainha Elisabeth, do Reino Unido, resolveu contar o porquê de estar ali naquele manicômio. Porém, antes dessa revelação, ela levantou e, antes de fechar a porta, certificou-se, olhando para um lado e para o outro, de que não havia ninguém por perto para ouvir o que iria dizer. Em seguida, fez o mesmo debruçando-se no parapeito da janela. Por fim, debaixo da mesa constatou que não havia ninguém. Só então, voltou para a cadeira e pôs-se a contar o motivo de estar naquele lugar.

A corte britânica estava prestes a descobrir que ela havia engravidado do rei (referia-se ao príncipe Philip).

No entanto, continuou dizendo, contudo, que nunca havia se deitado com ele. O que tinha acontecido, na verdade, é que Arlete tivera a má sorte de estar no mesmo hotel em que o Philip e a rainha estavam, durante uma temporada de inverno. E a gravidez se deu após uma mosca ter transportado um espermatozoide do pênis do rei até as partes íntimas dela, isso claro, depois de o rei e a rainha terem gozado de uma noite regada a muito vinho e frio, se é que me entende. 

Arlete então justificou os seus picos de comportamentos agressivos pelo fato disso fazer com que ela permanecesse internada e, com isso, não ser descoberta pela corte real, o que colocaria a vida do seu bebê em risco.

Bom, a verdade é que ela não estava grávida e repetia essa história há anos, desde o início de seu internamento pelo fato de sofrer com a Esquizofrenia.

Mas, por que cargas d’água eu contei essa história para você? Não precisa se certificar se você foi redirecionado para um blog de psicologia, psiquiatria ou algo do tipo. Você continua no storrytellers, pode ficar tranquilo.

Pois bem, lembram que eu pedi que você guardasse que faz 5 anos que ouvi essa história? 5 anos e ela e os ensinamentos que surgiram a partir dela permanecem vívidos na minha memória  – eu contei apenas a história, mas intercalada a ela havia explicação de conceito. 

Devo confessar que eu sequer me lembro do que comi anteontem. Mas é curioso que eu me lembre dos aprendizados adquiridos no causo da Arlete. Isso se dá pelo fato de todo o ensinamento estar contido em um enredo envolvente e curioso. A história da paciente era muito boa, do ponto de vista do Story, e a narrativa do professor, envolvente, do ponto de vista do Telling. Encontro perfeito para a instrução de algo, para o ensino.

Contudo, me parece que intuitivamente o professor nos fez experimentar o poder do que eu chamo de “Storytelling de Estudo de Causo”.

Peemm... Há muito, foi dada a largada da corrida por apresentações que prendam a atenção dos espectadores. Digo isso, sobretudo, no âmbito corporativo. 

É bem verdade que se apresentar com uma jaca na cabeça e um colar de uvas pendurado no pescoço pode até chamar a atenção, mas, prender a atenção é só um trecho do caminho. 

É preciso, acima de tudo, encantar a audiência. Nesse sentido, estratégias exóticas não surtem o efeito necessário. Por isso, sábios comunicadores recorrem ao storytelling para prender a atenção, encantar e, por fim, persuadir a sua audiência. 

Fernando Palácios, o Pedro Álvares Cabral do Storytelling, ensina que existem três formas de utilizar storytelling durante as apresentações. Bom, aqui eu vou batizá-las de: STS, STI, SFT

STORYTELLING TO START (STS)

O STS, primeira forma, nada mais é do que contar uma história logo no início da apresentação. 

Essa pode ser uma estratégia bem proveitosa. É como quebrar o iceberg antes que o Titanic se choque com ele. Ou seja, uma história bem contada, no início, além de quebrar o gelo, serve como uma ótima roda do leme direcionando a sua comunicação a uma apresentação bem sucedida.

A história pode ser contada para quebrar o gelo inicial, mas não só isso. A narrativa introdutória pode ser usada como bússola para todo o momento. Nesse caso, a abordagem conceitual que seguirá será ancorada na história de início.

A sua escolha também pode ser estratégica. Isto é, pensada e utilizada com o intuito de ser recobrada lá por meados da apresentação. Para entender isso, entrarei na segunda forma de utilização de storytelling.

STORYTELLING TO ILLUSTRATE (STI)

A forma STI é a que utiliza a narração de uma história durante a apresentação como maneira de exemplificar o conteúdo abordado.

Nesses casos, contar histórias, relatar causos e episódios são úteis para exemplificação conceitual. 

É sempre importante lembrar que nos recordamos mais facilmente das histórias em que os conceitos estão envolvidos do que deles propriamente ditos sem um contexto narrativo.

Desta forma, é possível, como exposto anteriormente, retornar à narrativa contada no início da apresentação, como forma de ilustração do conteúdo tratado. 

Porém, existe ainda uma última forma de utilização do storytelling nas apresentações. 

STORYTELLING FULL TIME (SFT)

O SFT é quando a história contada abarca toda a apresentação. Nesse caso, a abordagem técnica é transmitida durante a narrativa. 

Em vez de instruir de modo tradicional, as informações a serem passadas são inseridas nas experiências das personagens que aparecem durante o enredo.

Bom, a escolha pode ser por histórias reais como também por histórias ficcionais, o que é mais comum. Isto pelo fato de que a segunda opção dá margem para tratar de pontos escolhidos estrategicamente pelo condutor da apresentação.

MINHA SUGESTÃO É...

Primeiro faça uso do STS na sua próxima apresentação. Em seguida, experimente o STS com pitadas de STI. Isto é, conte uma história para iniciar a sua apresentação, mas lembre-se: não é apenas uma história para quebrar o gelo, nesse caso. Use uma que você possa, de modo estratégico, resgatar em determinados pontos para exemplificar a sua abordagem. 

Só então, depois de vivenciar as duas formas, o Storytelling to Start e o Storytelling to Illustrate, mergulhe fundo no Storytelling Full Time

No SFT, você pode expandir a sua capacidade criativa. Criar, por exemplo, uma personagem que passe pelas transformações inerentes ao aporte teórico da sua apresentação. 

Para se inspirar, clique aqui e veja o case da molécula do futuro. 

De todo modo, seja qual for a realidade da sua próxima apresentação, não corra o risco de deixá-la insossa, tempere-a, portanto, com a forma de storytelling que julgar adequada à ocasião.


Devo dizer, logo de cara, que esse não se trata de um texto sobre ficção científica. Aos que curtiriam se assim o fosse, minhas sinceras desculpas! Mas, espere, não vá embora, tenho certeza que você me entenderá, pois acredito que já tenha encontrado também essa máquina.

Recordo-me agora do dia que estive diante dela de modo consciente, foi no início da minha graduação em Psicologia, há uns 8 anos. O interessante é que ninguém vai ao primeiro dia de aula preparado para esse encontro, ainda que ele seja bem previsível.

E lá estava eu, na aula de Introdução à Psicologia, a sala estava com as cadeiras organizadas em formato de U onde vários alunos permaneciam conversando, antes da aula começar – se você já esteve em algum curso de humanas sabe que há uma espécie de campo magnético que de cara facilita a interação entre os alunos. Àquela altura, antes mesmo da aula iniciar, muitos deles já tinham feito o encontro com a máquina do tempo. Eu não!

Costumo ficar quieto, observando, quando sou novo em algum lugar. Atitude que sempre me rendeu comentários do tipo: “Nem parece mais aquele cara sério de quando chegou!”;  “Nos enganou, chegou todo sério!”.

Mas, antes de contar como foi o meu encontro com a máquina do tempo, naquela aula, preciso revelar algo sobre ela. O fato de não ser possível ir para o futuro. Não se decepcione! A meu ver, poder visitar somente o passado não é tão mau assim. Afinal, a construção do futuro em muito depende de como olhamos e contamos o nosso passado.

Naquele dia, de repente silêncio. A professora acabara de entrar na sala. Ela, depois de fazer algum gracejo e se apresentar, nos deu a chave de acesso a máquina do tempo: “Agora vocês. Brevemente, pois são mais de 40, de um a um, diga-nos: QUEM SÃO VOCÊS?”. 

Essa é sempre uma pergunta impactante. Seja feita por nós mesmos ou vinda de terceiros. Estamos a todo momento nos apresentando, dizendo quem (ou o que) somos. Mas quando estamos diante de questionamentos assim é que muitas vezes paramos, entramos na máquina do tempo e escolhemos o capítulo da nossa narrativa do qual julgamos ser aquele que mais deixa claro nosso enredo. 

Depois de perceber a inquietação da turma, ela nos fez o favor de dar dicas do que poderíamos falar, quase que como o Cid Moreira, na chamada do Globo Repórter

“O bicho de psicologia. 'De onde vem?';'Pra onde vai?'; Seus principais hábitos e costumes. Tudo isso e muito mais, logo mais, à noite, no Globo Repórter.” 

Eu estava no meio do U e vi uns falando muito, outros pouco. Depois de algumas vozes estridentes e outras inaudíveis, tinha chegado a minha vez. 

“No meu sangue, corre o dendê da cidade baixa de Salvador, há 32 anos. Embora tenha sempre cultivado certa afeição por observar o cotidiano, só descobri que podia encontrá-lo na literatura, depois dos 18 anos, quando finalmente li o meu primeiro romance. Um encontro tardio, eu diria. O engraçado disso é que desde a mocidade arrisco-me nos versos e prosas. No final das contas, do princípio ao fim, tudo é história. E é nessa ótica que sempre enxerguei o mundo. Porém, antes intuitivamente, agora conscientemente”.

Essas são minhas palavras hoje. O que eu disse, na ocasião, já não me recordo mais. No entanto, foi meu interesse por histórias que me trouxe até aqui. 

Hoje, após apresentar o que eu pensava ser o meu primeiro artigo para o Storytellers, o Fernando me disse algo como: “Excelente, mas antes desse, você precisa escrever outro dizendo quem é você!”.

Pois bem, muito prazer, caro leitor do Storytellers! Sou Diego Teles e inicio aqui uma jornada aonde irei fazer novas experiências para o meu próximo encontro com a máquina do tempo.

 


Você já teve que preparar uma apresentação e não sabia nem por onde começar?

Já passou noites em claro na angústia de não conseguir produzir mas também não conseguir relaxar?

Quando você vai conduzir uma reunião é normal alguém te interromper passados 2 ou 3 slides?

Essas são situações normais no corporativo, mas não é por serem corriqueiras que não sejam igualmente aterrorizantes. Por isso, escrevi um artigo explicando formas de resolver essas e outras questões… seja numa reunião com chefe, seja numa palestra pra milhares de pessoas.




STORYTELLING pode ser a carta na manga na sua próxima apresentação

Já ouviu falar de "storytelling"? 
De onde surgiu isso? 
Pra que usar um termo em inglês? 
Não era melhor chamar de "histórias"? 
Uau, quantas perguntas! Excelente! Melhor assim. Vamos uma a uma, de trás pra frente…

"Histórias" são apenas uma parte do Storytelling. Tem a outra parte, que são as "narrativas". Por incrível que pareça, não são sinônimos. São conceitos complementares com ferramentas distintas. Em inglês fica tudo junto numa palavra só: story+telling e facilita a troca de informações entre interessados de diferentes nações.

Storytelling surgiu nas cavernas, ao redor de fogueiras ancestrais. Contamos histórias desde os primórdios para ensinar técnicas de caça e sobrevivência. De uma década pra cá as empresas começaram a usar o mesmo modelo para ensinar técnicas de marketing e vendas.

Storytelling é diferente do marketing tradicional, porque amarra a mensagem com entretenimento. Storytelling é diferente da publicidade tradicional porque coloca um significado mais profundo em cada mensagem. Storytelling é a escolha de histórias capazes de gerar narrativas de entretenimento estratégico.

Na prática, essas histórias e narrativas ajudam a expressar melhor as ideias a partir de contextos mais amplos que permitem ao ouvinte enxergar o potencial máximo de uma ideia e, como consequência, perceber seu valor.


Storytelling pode ser usado de 1001 formas: para construir marcas, para melhorar a performance de anúncios, para tornar treinamentos mais cativantes… quando é usado para apresentar um projeto ou vender uma ideia é chamado de "Pitch". Os pitches são muito comuns no ecossistema de startups, mas não é só lá que eles acontecem. Quando um roteirista quer que um estúdio produza seu roteiro, ele faz um pitch.

Quando um executivo de TI quer que o board aprove verba para implementar um novo sistema de TI, ele faz um pitch. Quando uma criança quer que os pais a deixem fazer uma excursão, ela faz um pitch. Existem duas teorias sobre a origem da palavra. Ou vem do arremesso no beisebol, ou seja, sua chance de emplacar. Ou então "pitch" vem de "Speech". Nesse caso, um discurso ensaiado. Ou seja, pitch é uma expressão de impacto com objetivo de gerar aceitação e convencimento.


Levei mais de uma década até realmente conseguir modular e expressar melhor as minhas ideias. Sorte sua, que agora pode encurtar o caminho. Isso só aconteceu quando comecei a mergulhar no Storytelling.

Percebi que a minha maior dificuldade era hierarquizar as informações. Tinha vezes que ficava faltando. Tentava de novo, acabava compensando e escrevia e falava demais... e o que era mais importante se perdia numa enxurrada de irrelevância. Sua vez de refletir sobre suas apresentações.

Onde acha que não está funcionando?

Pode me enviar email, que eu te ajudo.

Nesse artigo vou dar destaque para esse assunto.

Os 45 tópicos possíveis para uma apresentação



Comecei apresentando pitches aos vinte anos, em agência de publicidade. Em três anos realizei mais de uma centena de pitches. Sem exagero. Assim que entrei no departamento de criação de uma agência, algo logo me intrigou.

De certa forma, aquilo lembrava um pouco a dinâmica dos trabalhos de escola e faculdade. O departamento era dividido em grupos, cada pessoa com algumas funções. Reparei que havia uma grande diferença entre os salários, causada por dois motivos.


O primeiro era um tanto óbvio: senioridade. As pessoas com mais experiência ganhavam mais. Até aí, nada de muito diferente do mundo corporativo de onde eu vinha como estagiário. Exceto por um jovem, pouco mais velho do que eu, que ganhava mais do que qualquer outra pessoa ali.

Esse jovem era um redator, ou seja, ela escrevia os textos criativos. Ao ler as coisas que ele escrevia, fiquei confuso. Não só não eram das mais criativas, como ainda tinham erros gramaticais. Só fui entender esse mistério tempos depois.


Entrei como trainee, então circulei entre as áreas até que fui trabalhar com esse jovem redator. Vendo de perto percebi novas surpresas. Ele não só não era talentoso para escrever, como também não era o mais esforçado. Enquanto as pessoas ficavam trabalhando de madrugada, ele voltava pra casa cedo. Até que numa bela manhã entendi o motivo das regalias.

Fomos apresentar uma concorrência para um cliente. Nessa hora o jovem se revelou. Ele era um showman! Fazia lembrar um ator feliz de estar no palco. Gesticulava. Dava detalhes engraçados e arrancava gargalhadas. Depois fez suspense e deixou todos vidrados para a virada do slide. Chegou a subir na mesa na hora de revelar a grande ideia por trás do projeto. Ele fez aquela proposta - no papel tão parecida com tantas outras - brilhar na máxima potência.

Lembro que voltei encantado e isso suscitou um debate com meus colegas trainees: aquela desenvoltura era um talento nato? Seria mérito da ideia? Havia algo que pudesse ser feito para que outras apresentações ficassem mais parecidas com aquelas? Resolvi investigar.

Comecei analisando todos os pitches que eu mesmo já havia apresentado. Queria entender o que faltava para melhorar. Meu próximo passo foi buscar boas apresentações para servir de base de comparação. Pedi para amigos que trabalhavam em agências e em empresas para me enviarem apresentações que não fossem confidenciais. Cheguei à conclusão que a maioria se parecia e que não tinha muito o que ser feito.

Levou alguns anos até que eu virasse a chave, quando já estava trabalhando em outra agência. Tudo mudou quando descobri os TED Talks.  Com o conceito de "ideas worth spreading", os TED Talks são eventos que reúnem mentes brilhantes e os preparam para condensar 400 páginas de um livro numa apresentação de dezesseis minutos. O evento existe desde 1984, mas em 2007 ele começou a ser colocado online. Estive entre os primeiros a acessar e foi uma obsessão.

Passei meses desconstruindo mais de uma centena de TED Talks. Eu estava alucinado. Minha casa parecia com a de um cientista maluco. Papéis espalhados por todas as paredes. Linhas conectando de um a outro. Ao final, cheguei aos 45 tópicos possíveis de uma apresentação:

Nome do projeto (ou da empresa, produto, ideia, livro etc.)

Protótipo (ou demo)

Visão de Mercado

Tamanho de Mercado

Oportunidades de Mercado

Desafios de Mercado

Testemunho consolidador

Fotos da pesquisa de campo

Dados sobre público-alvo

Hábitos e atitudes do target

Vantagem principal do projeto

Lista de todos os problemas mapeados

Retorno Sobre Investimento (ROI)

Retorno Sobre Esforço (ROE)

Cronograma

Planilha de custos

Ponto central, aquilo que todos querem saber

Índice

Case de fiasco

Case de sucesso

Biografia do apresentador

Dados para contato

Agradecimentos

Uma rejeição a ser superada

Descritivo racional, de que forma o projeto faz sentido

Uma curiosidade

Benefícios adicionais

Gráfico ilustrativo

Resultados obtidos na última tentativa (ou num determinado período de tempo)

Dilemas atuais a serem enfrentados

Dados e fatos com fonte de informação

Descritivo técnico do projeto

Insight: qual a grande ideia por trás do projeto

O investimento necessário (ou qualquer que seja a solicitação)

Pior cenário

Próximos passos

Piada para descontrair

Dados técnicos

Passo-a-passo do processo

Meta a ser batida

Proposta de solução

Call to action

Base teórica

Dúvidas? Perguntas?

Credenciais / histórico da empresa

Quase duas décadas depois, reconheço que esse foi o momento em que entendi na prática a diferença entre uma explanação e um pitch. O pitch é a melhor versão possível de uma apresentação, capaz de fazer o projeto sendo vendido brilhar na sua máxima intensidade. Isso não acontece por sorte nem acaso. É resultado de uma série de fatores, que começam antes mesmo da apresentação.

TAREFA: considerando os 45 tópicos, como você montaria o pitch ideal: quais tópicos escolheria, quais deixaria de fora e em qual ordem organizaria?

Se você nunca tinha parado pra pensar nisso, eu te entendo. O mundo corporativo é alucinante. Lembro de quando eu trabalhava em agência, muitas vezes terminando uma apresentação de concorrência no táxi a caminho do cliente.

A boa notícia é que se você chegou até aqui na leitura, talvez agora consiga separar alguns minutos pra isso. Em sala de aula eu deixo 20 minutos para os alunos. Se você comentar a sua ordem final, digo se está perto ou longe da sequência ideal.

A má notícia é que muitos desses tópicos são furados e mais atrapalham do que ajudam. 
A seguir falarei mais sobre isso.

8 sinais de que seu elevator pitch vai de mal a pior



Se você nunca ouviu falar em ‘elevator pitch’ então com certeza nunca trabalhou numa start-up. Nesse meio é comum essa ideia de "vender a empresa para um investidor no tempo de uma viagem de elevador". Esse conceito surgiu em Hollywood, quando roteiristas queriam vender a ideia de um filme para um estúdio.

Estou nesse negócio de pitch há duas décadas. Comecei em agência fazendo pitch de projetos. Depois, com a Storytellers, passei a ajudar equipes corporativas a montarem os pitches de seus projetos internos. Pouco depois, startups em rodadas de negócios. Lá pra 2015 eu já estava sendo convidado a preparar presidentes de empresas a darem palestras em convenções.

Quando fui ver, já estava dando palestra na Índia para CFOs e diretores financeiros sobre pitch de relatórios anuais para board e investidores. Algumas empresas como Yamaha e Itaú contrataram o treinamento mais de uma dezena de vezes para equipes diferentes.


Mesmo assim, depois de décadas e centenas de turmas, a cada turma continuo fazendo uma coisa como se fosse a minha primeira vez: antes de preparar um workshop de pitch, sempre converso com lideranças sobre o briefing. Ou seja, por qual motivo eles estão contratando.

Cada empresa tem suas peculiaridades e seu jeito de ser, mas o motivo sempre esbarra em: como fazer o pessoal falar mais em menos tempo? Minha resposta: essa é a parte fácil.


Nos tempos de hoje, estamos numa constante luta contra o relógio. Mas existe um desafio ainda mais profundo. Estamos num duelo cada vez mais acirrado por atenção. O tempo até pode ser comprado, reservado, agendado… já atenção, essa não.

Uma coisa é certa: a obrigação de quem apresenta é levar a melhor versão possível. Só que isso inicia uma série de sensações tenebrosas em quem tem a delicada tarefa de dar a cara a tapa. Tudo começa com…


A sensação de intimidação ao ter que "ir lá na frente apresentar". Seja ao ser escolhido para ser a pessoa que vai falar, seja no dia a dia quando chega a hora de apresentar um relatório para os superiores. O coração fica apertado assim que recebe a notícia e pode passar dias e até semanas nesse estado, estragando o sono com a sensação de que não tem muito o que possa ser feito a respeito. A maior parte das pessoas só resolve isso com um coração calejado depois de muito sofrer.

A sensação de injustiça por ter que falar de um assunto ou produto desinteressante. Afinal, é fácil para um Elon Musk da vida entrar no palco com um carrão elétrico que vai deixar a plateia babando. Mas e a maioria das pessoas comuns, que precisam falar de temas mundanos como a importância de economizar água? Só resta iniciar a apresentação com um tom de quem pede desculpas pelo incômodo.

A sensação de tristeza ao confirmar que as pessoas estão desinteressadas. Elas começam a olhar no vazio. Disfarçam para checar o celular. Não vai demorar até que alguém interrompa.

A sensação de confusão ao ter a apresentação interrompida. Agora que perdeu o ritmo, já não sabe ao certo qual slide vem a seguir. O jeito é tentar enrolar enquanto avança uns dois slides, depois volta três. Como ninguém tá interessado, nem vão perceber… Será?

A sensação de desespero ao ter a apresentação bombardeada por interrupções, seja pra comentar ou perguntar. A coisa saiu do controle. O pior é que a resposta estava uns 6 slides pra frente, custava esperar um pouco?

A sensação de pressa ao avançar um slide e antes mesmo de poder falar qualquer coisa, reparar que a audiência está olhando fixa para o relógio para sinalizar que está atrasada para outro compromisso. O pitch está com os minutos contados.

A sensação de raiva quando a audiência assume um tom arrogante, quase agressivo, ao questionar algo que você tinha acabado de deixar claro. Só bobear que o pitch vira discussão.

A sensação de derrota ao perceber que você chegou ao final da apresentação e não conseguiu nenhuma conexão. Não arrancou uma lágrima ou gargalhada. Sequer um sorriso. Do outro lado apenas a máscara gelada típicas dos jogadores de poker.

TAREFA: separe alguns minutos para refletir quais desses sintomas você tem sentido nas suas apresentações.

Se você sente muitas dessas dores a culpa não é sua. Ninguém 
aprende isso na escola. Nem mesmo na faculdade de comunicação. Mesmo nas empresas é uma raridade. A maioria das pessoas pra quem ensinei pitch, nunca tinha aprendido antes. Agora, se você não quer mais passar por essas sensações, há uma esperança no fim do túnel.

Veja a seguir como mapear os pontos de melhoria.

Principais sinais de amadorismo num pitch deck




Já ouviu falar de pitch deck? Assim como num jogo de baralho, você pode embaralhar e descartar e adicionar cartas até formar a sua canastra ideal. Em situações como concorrências ou rodadas de negócios, cada ‘jogador’ escolhe quais cartas vai colocar na mesa, ou melhor, na tela.

Seguindo na metáfora das cartas, existe um ditado no jogo de poker "sempre existe um pato na mesa. Se você olha ao redor e não sabe quem é, então o pato é você." O pitch tem um funcionamento parecido: talvez só você não perceba que está errando.


Durante a apresentação, esses erros vão ficando evidentes, mesmo para quem não é um avaliador profissional. Isso porque basta ter visto uma boa apresentação na vida para que ela se torne a referência da "nota 10". A partir disso, a audiência vai deduzindo pontos a cada falha em outras apresentações. Funciona mais ou menos assim:

Começa com nome do projeto, logo no primeiro slide. Logo na primeira rodada queimou sua melhor carta. No truco, seria como abrir a mesa com o zap.
Perde um ponto

Começa a falar engasgando ou, pior, mostrando o total de slides. Igual quem não sabe segurar direito as cartas. Deixa cair uma. Revela a mão inteira pro adversário. Perde um ponto

Começa a falar e falar e falar sem dizer muita coisa.
Por exemplo, quebrar o gelo falando de futebol. Isso porque você usa segundos e até minutos cheios de energia e atenção sem construir nada. No buraco é como jogar o coringa na canastra limpa. Perde dois pontos

Slides com planilhas completas. Igual gente que vai acumulando cartas e mais cartas na mão a cada rodada e depois não sabe o que fazer com isso. Perde um ponto

Slides com blocos de textos. Slides mais parecem páginas de livros. Fazendo com que a audiência fique perdida sem saber se deve prestar mais atenção em ler ou ouvir. Ao invés de fechar uma canastra com sete, abre uma nova sequência com três. Perde dois pontos

Slides sem apelo visual. Slides sem imagens e nem cores, ou, pior, com cores que dão dificuldade de leitura. Igual quem joga sem saber direito quais são as regras do jogo. Perde um ponto

Apresentação de forma robótica, decorada. Igual quem joga só pra passar o tempo, sem o menor interesse em vencer. Descarta oportunidades sem pensar direito. Perde dois pontos

TAREFA: resgate o último pitch deck que você apresentou e avalie de 0 a 10.

Se ficou abaixo de 7, tenho duas boas notícias. A primeira é que agora fica mais fácil mapear os reais problemas. A segunda notícia é que ao resolver esses problemas é possível melhorar substancialmente não só as apresentações, como também resultados indiretos que você nem imagina. A seguir, vamos ver como fazer isso.

O jeito mais rápido de repensar um pitch



"Por que gastar tempo preparando pitch?" Já fiz essa pergunta para milhares de pessoas em workshops e palestras no mundo todo. Sabe o que a maioria respondeu?

"A sensação de apresentar bem é boa".Até aí, parece óbvio.

Em seguida, questiono "quanto tempo você dedicou no último mês a aperfeiçoar seu pitch?". Aí vem a surpresa. A dedicação da maior parte das pessoas pode ser medida em minutos.


Isso é preocupante quando analisamos grandes apresentadores corporativos, a começar por Steve Jobs. Ele separava 3 meses para se preparar para um pitch. Ele dedicava semanas inteiras a isso.

O que Jobs percebeu é que essa era a segunda tarefa mais importante do seu trabalho como executivo. O primeiro era saber enxergar os melhores caminhos futuros para a empresa. O segundo era saber expressar isso da melhor forma para todas as pessoas.


Depois de facilitar mais de mil pitches e ver o impacto que eles geraram, posso afirmar sem medo: não desenvolver o pitch é o problema número 1 que trava o progresso corporativo.

Quando pergunto "o que falta para você dar o próximo passo na sua carreira?" Já ouvi as mais diversas respostas, algumas apontando para uma cultura muito fechada para inovação, outras culpando as lideranças ou então os clientes, muitos se dizendo injustiçados. Meses depois vejo no LinkedIn essas pessoas sendo reconhecidas e promovidas, algumas até ganhando prêmios. O que mudou? A cultura da empresa certamente permaneceu a mesma, as lideranças e clientes também.


Por que a ‘desenvoltura de palestrante’ é um soft skill tão transformador para pessoas normais do mundo corporativo? Eis 5 motivos:

1. Uma boa apresentação faz com que a audiência se empolgue.

2. Uma audiência empolgada embarca com muito mais facilidade numa ideia.

3. Um cliente fica mais predisposto a comprar o projeto.

4. Um subordinado fica mais inclinado a dar tudo de si na realização.

5. A liderança fica mais confiante em aprovar.

Mais um, de lambuja: Até mesmo um jornalista fica mais entusiasmado em divulgar.

Uma pessoa capaz de fazer isso vale ouro. Até porque, como vimos no primeiro artigo, isso é algo que não se ensina por aí. Surge um novo questionamento: será então que essa habilidade é ensinável?


Vou dar dois exemplos e uma amostra. Hoje se você me contar sobre o seu projeto, talvez você passe de duas a três horas para conseguir elaborar sobre quem é você, o que você faz e qual é o seu projeto da vez. Em quinze minutos consigo reformular tudo o que você me falou e destilar num pitch de 3 minutos. Mas nem sempre foi assim.

Desde a escola até a faculdade eu sempre era o aluno que fazia boa parte dos trabalhos em grupo contanto que os outros fossem lá na frente apresentar. Passei quatro anos trabalhando em agências de publicidade fazendo pitch sem saber o que estava fazendo. Ao terminar um pitch eu sequer sabia dizer se a apresentação tinha sido boa ou ruim. A coisa só mudou de figura quando descobri um segredo, guardado a sete chaves pelos grandes escritores e roteiristas. Eu não fui o único a descobrir isso.


Outro exemplo de alguém que aprendeu a arte do pitch é Bill Gates. Basta acessar sua palestra keynote em 1992 para ver que o que falta de carisma e desenvoltura sobra em termos de linguagem técnica. Esse vídeo está disponível no Youtube desde 2016 e tem 28 curtidas enquanto escrevo esse artigo.

Agora compare com a apresentação TED que ele realizou em 2014, em que ele entra em palco carregando algo estranho e começa a palestra contando uma história de quando ele era pequeno. Parece outra pessoa. Resultado, 730.000 curtidas. Se esse jovem nerd conseguiu adquirir desenvoltura, você também consegue. Tudo é uma questão de técnica e treino. Veja só:


O jeito mais rápido de repensar e redesenhar um pitch é trazendo clareza. O que eu mais vejo em pitches amadores são pessoas querendo resolver todos os problemas do mundo numa única apresentação. Não tem como. Se ao invés de uma apresentação de meia hora e dezenas de slides você só tivesse 30 segundos e 3 frases, o que você diria?

Agora vamos um passo além. Sua apresentação não é sobre você. Não é sobre a sua empresa. Não é sobre o seu projeto. Não é sobre seu projeto e sequer é sobre a sua ideia. Pitches profissionais são sobre uma entre duas possibilidades: ou são a cura de um problema ou são o mapa que revela uma grande oportunidade.

Na prática, todo pitch é sobre a audiência. Sobre o que ela tem a ganhar ou deixar de perder ao ouvir você.
 Essa clareza vai te dar o norte.

O pitch é a melhor versão possível para se apresentar essa cura ou esse mapa. Entre a abertura e o fechamento, o roteiro comporta informações adicionais interessantes.

O que nos leva à TAREFA desse artigo:
 qual projeto você gostaria de deixar impecável?

Vamos ver a seguir 3 formas de fazer isso...

Qual foi sua última ideia que emplacou?



Faz tempo isso?

Você mal pode esperar pela sua próxima reunião de apresentação ou se pudesse nunca faria uma dessas?

Vou contar uma coisa que parece óbvia, mas levei alguns anos pra entender: se uma ideia faz muito sentido pra você, mas não empolga quando você conta - o problema não está na ideia em si - mas na forma como ela foi estruturada e contada.

Quando você conta sua ideia pra alguém, acontece uma dessas coisas:

OU a audiência se interessa
e demonstra isso fazendo perguntas específicas e, no fim das contas, se dispõe a pagar por ela...

OU não
e aí as pessoas olham pro lado, pro alto, pra baixo, pra qualquer canto, menos pra vc… e se for online, ela desliga a câmera e vai fazer outra coisa.

OU pior
ela até faz perguntas, mas pra interromper com intuito de sabotar. Provavelmente porque ela só quer que acabe logo, e ironicamente a apresentação acaba que se arrasta ainda mais.

uma coisa é CERTA
Se você não quiser que a sua ideia vá para o lixo - e todo trabalho que foi colocado nela - você precisa aprender a trocar tédio por empolgação.

Você sabe quais são as etapas que levam a ideia na cabeça até o dinheiro na ideia?

Encontrar uma ideia em que você bote fé
Existem dois tipos de pessoas: aquelas com mil ideias e aquelas que não acreditam em nenhuma. Mesmo no primeiro caso o desafio é conseguir eleger uma delas para investir. Se nem você dedicar tempo e dinheiro à sua ideia, por que alguém iria?

Empacotar num projeto
Muita gente diz que ideia não vale nada, que o que vale é a execução. Não é bem assim. Mas o fato é que nenhuma ideia muda nada enquanto não for bem estruturada.

Estimar uma verba
Ter a ideia custa tempo. Colocar a ideia de pé custa mais do que isso. Entre ferramentas e fornecedores, muitos recursos são necessários.

Definir um modelo de negócio
Mesmo que seja um projeto artístico ou sem fins lucrativos, é preciso pensar como a verba será arrecadada.

Calcular uma oferta
Artistas dependem de patrocinadores. Ativistas, de doadores. Vendedores, de clientes. Professores, de alunos. Até mesmo projetos internos dependem de uma aprovação: gerentes dependem dos diretores. Diretores, do presidente. O presidente, do conselho... a oferta representa o tamanho do investimento a ser aprovado.

Planejar uma proposta
Quem for contribuir com a verba precisa entender os motivos para investir e se possível receber algo em troca.

Desenhar uma apresentação
Tudo isso que foi pensado e colocado no papel, tem que ir pros slides. Qual a melhor ordem pra isso? Quase ninguém pensa nisso... e aí, feito sem pensar, dá no que dá: apresentações longas, cansativas, que mais escondem do que revelam as ideias.

Preparar um pitch
Chegou a hora de mostrar pra quem está com a "caneta na mão". Aqui a maior parte das pessoas "morre na praia". Nem sempre pelo aprovador não gostar da ideia... na maioria das vezes a recusa tem mais a ver com ele não ter entendido. Um chance de ouro, que poderia mudar a vida, desperdiçada...

Envolver num STORYPITCH
Um pitch lotado de dados e fatos se torna enfadonho. Um pitch só emocional fica apelativo. STORYPITCH é medida certa entre um caminho racional apresentado de forma emocionante.



Origem do STORYPITCH

Se você passar uma hora me contando sobre a sua melhor ideia, em seguida vou repaginar num storypitch envolvente e inesquecível. Mas nem sempre foi assim…Tempos atrás eu vivia disso e mesmo assim não tinha ideia do que estava fazendo.

Estudei comunicação na USP, mas nunca aprendi como apresentar uma ideia. Comecei minha carreira trabalhando em agências. O que eu mais fazia eram apresentações de projetos para concorrências.
Passei meses estudando as melhores apresentações disponíveis na internet. Testei de tudo e nada parecia funcionar… até o dia em que fui escrever a minha primeira peça de teatro.

Foi aí que um grande segredo se revelou: a medida certa entre um caminho racional apresentado de forma emocionante... em menos três minutos!

Depois disso, os bocejos deram lugar aos aplausos e passei a ser convidado a falar para milhares de pessoas em auditórios, universidades e empresas.

Quando os auditórios fecharam e as salas de reuniões digitalizaram, resolvi trazer isso tudo pro online. Agora você tem a oportunidade de conhecer as técnicas que utilizei para criar storypitches para grandes marcas como Nike, Unicef, Natura e tantas outras.

O Storypitch é o caminho para fazer com que a sua ideia seja ouvida, entendida e assim ter suas chances de aprovação multiplicadas.

Três jeitos de fazer um Storypitch

1. Eu e minha equipe podemos fazer pra você. Nesse caso a gente pega as informações num briefing e desenvolve o roteiro, os slides e até mesmo um vídeo!

2. Eu e minha equipe podemos fazer com você e sua equipe. Através de uma facilitação incompany. Vamos trabalhar juntos passo a passo e depois de algumas horas estaremos com roteiro pronto, slides tinindo e apresentador ensaiado e pronto pro show.

3. Você pode aprender o framework dos 8 Passos do Palacios agora mesmo ou então já partir para o curso. São três horas de conteúdo e mais três horas para aplicação.

Se quiser fazer a melhor apresentação da sua vida, envie uma mensagem por email ou instagram ou linkedin com qual dos caminhos acima gostaria de seguir: storypitch#1, storypitch#2 ou storypitch#3 e se prepare pra impressionar até a diretoria mais crítica, até o board mais racional, até o chefe mais resistente...

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Você acaba de conhecer alguém. Quem quer que seja. Num elevador, um potencial network. No trabalho, um novo colega. Até mesmo na internet, um interesse romântico. A próxima etapa é sempre a mesma: se apresentar. Esse momento te empolga, te entedia ou te apavora?

Cada reação dessas tem uma razão de ser. Já passei por todas elas. Pra mim o mais o cenário mais comum sempre foi ao conhecer pessoas em viagens. Já me peguei entediado ao responder pela quinquagésima vez perguntas como "de onde é?" ou "para onde vai?" até que tive uma sacada.

Antes disso, o que me apavorava era conhecer a família de algum novo romance. Não sabia nem por onde começar a falar de mim… já devia falar da visão política? Talvez ir pra um campo neutro e falar de trabalho, mas correndo o risco de descambar pra uma conversa chata. Até que descobri o ponto certo.

Graças a duas viradas de chave, hoje em dia fico empolgado com toda e qualquer situação em que eu tenha que falar de mim. Explico:

Quando alguém te conhece é como se acabasse de chegar a uma casa sem eletricidade em plena madrugada. Escuridão total. Quando você se apresenta, é como se acendesse uma vela. A pessoa passa a ter uma ideia do que tem ali. Nem mais, nem menos. Com o tempo essa vela se apaga e a pessoa mal se lembra da gente. Isso vale pra carne e osso ou dígitos. 

O erro que a maior parte das pessoas comete é acender uma mesma vela pra todas as pessoas que encontra. Contar a mesma história, do mesmo jeito, pra qualquer pessoa, nunca vai ser bom. Pra começo de conversa fica tedioso. Você se cansa da própria história. A dica é tentar contar outras histórias sobre você ou, no mínimo, por outros ângulos. Esse simples exercício vai te levar do tédio à empolgação em menos de três tentativas.

Se quiser ver alguns exemplos disso, clique aqui.





Dia desses acabou o carnaval, hoje foi a vez do verão e agora, logo mais o trimestre e por incrível que pareça ainda tem gente esperando o ano começar enquanto outros não vêem a hora de acabar. Seja como for, a questão é o quanto você planeja adiante?


Conversei hoje com uma amiga que mora na Dinamarca. Ela disse que pra eles não estamos em março, mas na semana 11. Diz ela que os nórdicos já estão com tudo planejado até agosto.


Não sou desses. Estou vivendo como nômade digital e sequer sei onde estarei daqui duas semanas. A ironia do destino é que comecei minha carreira como planner e planejar sempre foi um talento natural.


Depois de alguns anos e algumas centenas de projetos planejados com sucesso, aprendi 3 coisas que continuam valendo mesmo duas décadas depois:


1. Aprender a planejar muda a vida de qualquer pessoa. É um tipo de encadeamento lógico que você leva pro dia a dia e causa uma revolução na forma de ver a atuar no mundo.


2. Mais importante do que planejar é replanejar. Por mais bem pensado que seja, pelo menos 30% das variáveis lo são imprevisíveis. Planejar pode levar meses. Replanejar tem que ser num piscar de olhos.


3. É impossível planejar uma inovação disruptiva. Se nunca foi feito, não tem como parametrizar. Nesses casos, o melhor a fazer é escaletar - um conceito que aprendi anos depois que deixei de ser planner e me tornei roteirista.


Estou vivendo nesse terceiro momento, me lançando de cabeça numa iniciativa disruptiva. Vou colocar em jogo mais de uma década de conhecimento acumulado como Pedro Álvares Cabral do Storytelling. Um projeto sem igual no campo do marketing digital.

Se quiser acompanhar, assine a newsletter. Você ainda recebe uma aula secreta.


 

 


Você sabia que o Monet foi um herói de Guerra Mundial? Pois é. Essa é uma história que pouca gente sabe sobre o famoso artista francês.

Monet foi considerado um gênio pelo seu estilo único na pintura. Seu objetivo com os pinceis era transmitir a impressão exata que ele sentia diante de algo belo. Sua preferência eram flores e águas – e o reflexo da luz solar sobre estes elementos da natureza.

Assim como acontece com a maior parte dos grandes artistas, foi desacreditado no começo. Passou por dificuldades financeiras. Suas pinturas eram chamadas de incoerentes, falsas, insalubres e cômicas. Ele conta, com certo ressentimento, que um colecionador que comprou um quadro seu foi tão ridicularizado pelos críticos que o retirou da parede. Um desses críticos chegou a dizer que uma criança se divertindo com giz de cera fazia um trabalho melhor.

Aliás, “impressionismo”, movimento artístico do qual Monet é considerado o maior nome, foi um batismo pejorativo dos críticos. Ele, Renoir, Degas e Cézanne eram menosprezados jocosamente por suas obras que seriam “menos bem-acabadas do que um papel de parede”.

Ele mantinha uma caderneta com os recortes das críticas. Apesar disso, nunca se abalou. Ignorou todas e se manteve firme numa jornada de autoaperfeiçoamento. Essa persistência deu frutos e o levou a ser um dos poucos artistas a verem o sucesso em vida. E não qualquer sucesso.

Em um momento triunfante, ele viu 14 de seus quadros irem para um dos maiores museus do mundo, o Louvre (isso geralmente acontecia após, pelo menos, 10 anos da morte de um artista). Aquelas mesmas obras que, um dia, foram tão intensamente desprezadas pelo estabelecimento artístico e tão controversas para o público, agora, ocupavam um lugar de respeito na história.

Enfim, suas obras foram elogiadas a ponto de serem comparadas aos afrescos de Michelangelo na Capela Sistina e aos últimos quartetos de Beethoven. Seu colega Manet o chamou de “Rafael das águas”. A reputação de Monet como maior artista vivo era indiscutível. Porém, após o sucesso, veio o cataclisma da tristeza.

Alice, sua esposa amada, morreu. Em seguida, seu filho Jean, precocemente também morreu. Como se já não fossem perdas suficientes, a vista esquerda começou a ficar comprometida, bem como a sua percepção de profundidade e, o pior: até a visão das cores tinha ficado distorcida. Os críticos – olha eles aí novamente - já começaram a apontar que Monet estava ultrapassado... Mas ele seguia não se importando com isso.

Até que veio a Primeira Guerra Mundial e tudo mudou. Se Monet lidava bem com as críticas externas, certamente não lidou tão bem com a autocrítica. Ele passou a se sentir constrangido por pintar flores e lagos, enquanto outros franceses, inclusive um de seus filhos, pegavam em armas. Ele paralisou. Chegou a pensar que nunca mais iria voltar a pintar...

Começou, neste momento, sua busca por tentar ser útil para além dos pinceis. Os soldados feridos eram alimentados com legumes da sua horta. Ele doou quadros para que instituições de caridade pudessem fazer leilões. Ainda assim, ele se sentia insuficiente. Até que foi convocado a ser um dos signatários de um manifesto contrário à guerra. Os artistas e intelectuais franceses precisavam daquele nome de peso para dar relevância àquela ofensiva cultural.

O manifesto não foi a última vez que Monet foi convocado a emprestar seu nome e seu talento aos esforços de guerra. Mas, enquanto não foi convocado novamente, ele pôde voltar a pesquisar cores e formas em paz. Trabalhou por anos naquele que veio a se tornar o projeto mais importante da sua vida: a Grand Décoration.

A Grand Décoration era um projeto audacioso, que beirava o impossível. Monet sonhava em pintar vários quadros imensos que não terminavam em si. Um a um, as telas de muitos metros de largura e altura se complementavam em composição, formas e luz. Juntos formariam um ambiente imersivo jamais visto.


 Enquanto Monet trabalhava em seu projeto dos sonhos, o governo francês fez uma proposta inusitada: o convidou para pintar a Catedral de Reims, uma das mais importantes da França e que havia sido destruída pelos alemães. A ideia era que essa imagem chocasse o mundo e servisse como um testemunho contrário à barbárie. Uma série de pinturas da catedral semidestruída, vinda do pincel de Claude Monet, anunciaria ao restante do mundo o medonho vandalismo de um modo que nenhum fotógrafo poderia fazer.

Embora Monet tenha respondido prontamente à incumbência, ela viria a apresentar uma série de desafios. O maior deles, evidentemente, era que os bombardeios estavam longe de acabar. Os projeteis seguiam caindo. A população de Reims estava praticamente exterminada. E não havia qualquer razoabilidade em levar um senhorzinho de 78 para se expor tão vulneravelmente assim.

Monet não era um artista de ateliê. Ele pintava in loco. Captando as impressões do momento. Essa era a sua marca registrada. Destruída pela guerra, Reims não oferecia abrigos onde ele pudesse se instalar com segurança ou comodidade. Portanto, o tempo foi passando sem que essa empreitada tivesse início.

Nessa época, algumas fotos da Grand Décoration começaram a circular pela França. Gente do alto escalão do governo e grandes artistas, como Matisse, se impressionaram com a vasta ambição de Monet e, acima de tudo, com a abrangência do seu talento. Monet nunca havia feito algo naquela escala de complexidade.

Para a sua surpresa, seus esforços e talentos não apenas foram notados, como consagrados. Aqueles membros do governo que haviam contratado as obras da Catedral de Reims, decidiram que a grande “obra de guerra” (oeuvre de guerre) seriam as ninfeias de Monet. Ou seja, ao invés de promover uma catedral destruída, fazia muito mais sentido utilizar a Grand Décoration, como propaganda da glória da cultura francesa.

Foi assim, portanto, que Claude Monet, o maior dos impressionistas franceses, e certamente um dos maiores artistas de todos os tempos, se tornou, aos 78 anos de idade, um verdadeiro Herói de Guerra, sem nunca ter tocado em armas.  

Fiquei sabendo dessa história no livro “Monet e a pintura das Ninfeias” de Ross King, enquanto estou vivendo em Paris. A dica veio de uma seguidora no insta. Uma das coisas que gosto dessa vida de nômade digital é mergulhar na cultura do local e descobrir as suas histórias enquanto estou ali pra ver de perto. Dessa forma, acabei aprendendo duas grandes lições com Monet.

Primeiro, as críticas vão vir a qualquer momento da sua carreira, então registre mas não se abale. Segundo, há outras formas de lutar numa guerra e a arte talvez seja a maior das armas secretas. Afinal, mesmo depois de décadas, essas obras continuam aqui pra nos impressionar. Elas estão expostas no museu L´Orangerie. Aliás, qual foi a última vez que uma obra de arte te impactou?

Com amor,

Flávia Monjardim


 
Vou fazer mistério, deixando a resposta para o fim. Até porque eu mesma ainda não terminei de ler. Uma coisa eu já adianto: foi um livro que me surpreendeu muitas vezes. Por exemplo, você sabia que o Will Smith começou a carreira como um rapper? Digo mais: um rapper de sucesso! A ponto de ter sido citado por ninguém menos que Eminem em uma de suas músicas de maior sucesso.

A grande surpresa, no entanto, é o quanto o tema “storytelling” é abordado – e não somente nas entrelinhas.  Em determinados trechos, a lógica da contação de histórias é explorada de maneira mais didática e explícita.

Will Smith, que se auto intitula “contador de histórias”, chega a afirmar que um dos livros que mais marcou a sua vida foi “O herói de mil faces”, de Joseph Campbell. A jornada do herói se tornou seu guia para criação de personagens interessantes, fornecendo recursos para transformá-los em protagonistas memoráveis.

Ele percebeu que a mente humana busca por histórias, sobretudo aquelas que inspirem a “volta por cima”. É exatamente por isso que a jornada do herói funciona tão bem - não apenas nos grandes sucessos de bilheteria dos cinemas mundiais, mas também nos best-sellers da literatura.

O Alquimista, de Paulo Coelho, por exemplo, foi o primeiro caso de amor literário de Will Smith (e ainda é uma das suas maiores referências). Apesar de muitos brasileiros torcerem o nariz para o autor brasileiro, seu talento em contar histórias que cativam é inegável. E por que cativam? Dentre vários motivos, se destaca a utilização dessa fórmula tão manjada quanto eficaz.

É interessante perceber, contudo, que a ligação de Will Smith com storytelling surgiu muito antes do contato com esses conceitos. Ele entendeu storytelling na prática, sentindo seus efeitos na pele.

Quando criança, a habilidade de contar histórias engraçadas foi desenvolvida por ele como um mecanismo de defesa surgido a partir do medo que ele sentia de seu pai. Ele sentia culpa pelos episódios abusivos do seu genitor, sempre autoritário e por vezes violento.

Ao fazer os familiares rirem das suas piadas, ele redirecionava a energia de briga para a alegria. Sendo assim, desde muito cedo, seu primeiro impulso sempre foi transformar a realidade em algo melhor, de modo que a verdade não machucasse tanto.

Na adolescência, a habilidade de contar histórias ganhou outra dimensão. Além de um recurso protetivo na vida pessoal, foi o mecanismo que fez com que ele se destacasse em sua primeira profissão, a de rapper.

Ele formou uma dupla com Jazzy Jeff, DJ que detinha enorme sofisticação musical e conhecimento profundo desse universo. O que eles fizeram juntos foi revolucionário. Will fazia versos que contavam uma história (storytelling aplicado à música). Cada verso levava ao próximo, implorando ao ouvinte que terminasse de escutar a canção para descobrir o que acontecia no final.

DICA: Se você, assim como eu, desconhecia esse passado do ator, sugiro que explore suas músicas. São bem divertidas. Eu, particularmente, adorei Girls ain’t Nothing but Trouble.

É óbvio que algumas pessoas já nascem com uma inclinação natural a serem engraçadas. Mas, sendo a comédia uma extensão da inteligência, com observação, estudo e perspicácia, é possível aplicar o humor às suas histórias. O próprio Will Smith credita à disciplina a lapidação do seu talento.

Aliás, o próprio professor Fernando Palacios já afirmou que humor é uma habilidade treinável na escrita. Para quem deseja desenvolver ou aprimorar essa técnica, ele recomenda o livro: “The Comic ToolBox – how to be funny even if you´re not”.

Se você, por acaso, ainda está na dúvida se deve ler “Will”, escrito em coautoria com Mark Manson, vá em frente, que eu te garanto: mais do que uma biografia, ele é um livro técnico, cheio de dicas para quem busca o sucesso... escrito de um jeito leve, que arranca risos e sorrisos o tempo todo. Existe algo mais poderoso do que o humor?

Com amor, Flávia Monjardim.

PS: Este é meu primeiro texto para o blog. Ainda estou pegando o jeito de como escrever por aqui. A minha ideia é dividir semanalmente minhas percepções sobre histórias que me marcaram e, eventualmente, dar pitacos sobre storytelling. Qual deveria ser meu próximo tema?