A mesma história pode ser contada de várias formas e uma das mais frequentes companheiras do storytelling é a transmídia, então, eu preparei um "conto publicitário" em várias mídias e vou postar os pdfs aqui. A ideia é que cada mídia faça sentido individualmente porém que a união de todas as mídias forme uma narrativa ainda maior. Nesse caso comecei com um conto literário: 

"Ela entrou na sala, doce como sempre, meio como doce de limão, eu imagino. Afinal, nunca comi doce de limão, nem sei se existe para ser sincero, mas sei que se existe deve doer na boca, bem fundo no maxilar, você sabe como é, já deve ter comido abacaxi. A moça, apesar de doce, estava dura, dura como alegria que dura pouco. O copo do rapaz do outro lado do salão caiu e quebrou de espanto, ela andava até ele, em silêncio, como se até as suas palavras estivessem economizando energia. Pedro, um pobre-quase-coitado nem sabia o que estava por vir. Sua vida agora seria uma miséria, eram palavras tristes, copiosas lágrimas, gritos, todo o show normal de qualquer mulher traída. O que o homem antes usava para causar inveja nos amigos: suas duas mulheres. Agora era o motivo de todo o o sofrimento do seu coração miserável. Meus olhos a seguiam por cima de seu ombro, vendo Pedro, assustado, sentado ao lado da outra, sem nem a mais absurda das ideias para salvá-lo.

Pedro corre na direção de Mariana, mas não consegue alcança-la antes de ouvir o barulho alto e ameaçador do disparo. O rapaz acorda em seu quarto, assustado, olha no relógio e vê que ainda é madrugada, respira fundo e deita novamente no travesseiro. Olha para o lado, vê a pequena embalagem colorida onde lê: "Deixe o drama para os escritores. Durma em paz com sleepingpills". 
Depois do conto literário a história continua em forma de roteiro de vídeo.



Por fim escrevi uma parte do conto em forma de roteiro de revista em quadrinhos, adoraria ter a habilidade artística de realmente produzir os quadrinhos, mas infelizmente não tenho e prefiro ater-me ao uso de palavras. 









Alguns amigos andam me perguntando sobre o que é o "transmídia", então, resolvi escrever um pouco sobre o assunto. Pouco mesmo, só pra tentar esclarecer algumas coisas. 

Storytelling, em uma definição bastante básica, é a tecnologia ou processo publicitário em que contamos uma história através de uma narrativa para criar laços emocionais entre uma marca e seus consumidores. Transmídia é a maneira como contamos essa história, ou seja, a união de mídias para contar separadamente uma parte da narrativa, fazendo com que o consumidor tenha a possibilidade de ter contato com a história e com a marca por mais de um ponto de entrada. 

Livros são escritos para os rituais, momentos de entrega total do leitor a narrativa, pensados cuidadosamente para que o leitor queira conquistar com o protagonista as novas páginas. Gibis, filmes, toda narrativa, cada uma em sua parte do mundo, aproveitando o melhor que pode de suas mídias. Coisa de artista, emoção em sua forma mais representativa. Já os publicitários ao contar suas histórias perceberam a necessidade de algo que agrade não apenas a leitores fanáticos, cinéfilos ou colecionadores de revistas. 

Uma ação de Storytelling Transmidia além das vantagens, já faladas aqui no blog, como emocionar o seu consumidor, melhorar a sua comunicação e trabalhar uma estratégia de branding mais eficaz e com uma melhor fixação de marca, oferece uma grande diversidade de estratégias de marketing já que a partir da transmidia a sua história poderá atingir mais pessoas e, talvez, proporcionar uma experiência mais completa e dinâmica aos consumidores que forem atingidos pelas diversas mídias. 

Se você quer saber mais sobre Transmídia ou Storytelling, entre no grupo do Facebook e não perca o curso Inovação em Storytelling - do Branded Content à Transmídia


A palavra "storytelling" é mágica. Sim, eu juro. Basta pronunciar que começa a chover... perguntas.
Não é por acaso. O conceito de contar histórias é tão antepassado que nos influencia de forma profunda e quase mística. E qual a relação das empresas com isso? A sempre genial Martha Terenzzo explica...




Era uma vez um jovem que tinha medo. Um tipo de medo diferente que não era do escuro, nem de nenhum inseto. O jovem tinha medo de errar. Pois é meus amigos, vejam vocês, com tantas coisas no mundo para se ter medo, entre os desconhecidos segredos do escuro, animais famintos de presas enormes e seres humanos que mais parecem ter saído de histórias de terror, aquele jovem e inocente rapaz escolheu o erro como seu maior fantasma.

"Errar é humano" - dizia sua avó para acalmar o coração aflito do jovem - "Todos erramos e devemos aprender com os nossos erros" - continuava a senhora com um sorriso calmo no rosto tentando amenizar os efeitos do pânico que se estampavam na face do pobre neto. E assim o tempo passou, entre muitas crises de pânico e discursos tranquilizantes. 

O fato é que o mundo é um amontoado de erros, uma sucessão de desentendimentos e, hora ou outra, um pequeno acerto, aqui ou ali e por causa de tudo isso não demorou para que o mundo se tornasse por inteiro um lugar apavorante para o pequeno Luis. Com o risco de um erro a cada palavra, decisão e pensamento o jovem vivia assustado, com medo de que um daqueles pequenos erros do dia a dia fosse o definitivo, o erro que acabaria com a sua vida, com a sua carreira. Mas, em uma noite qualquer de janeiro o garoto conheceu o storytelling, uma maluquice bem do tipo que ele gostava e no meio de seus estudos e aprendizados ele percebeu que uma narrativa só faz sentido quando o personagem é imperfeito. 

Olha o que a vida faz, deixou como se fosse de propósito um recado para o garoto nas entrelinhas de sua própria função profissional, ensinou-lhe com a sua história que errar não só é humano como dizia a sua avó, mas que é o de erro que nascem as melhores e mais interessantes mudanças, lições, aprendizados e história. O erro definitivo do jovem Luis  era, na verdade, ter errado pouco por ter tanto medo de errar. 


Escrevo contos e alguns poemas há um tempo, com a intenção de expressar o que estou sentido e, às vezes, tentar responder algumas perguntas que estão me rondando. Porém, fazia isso naturalmente, por “instinto”, sem me atentar necessariamente para técnicas. Então, em determinado momento descobri que era possível, de certa forma, “racionalizar” essa escrita - e sendo o meu primeiro texto aqui, escrevo sobre isso que foi o que me despertou interesse em Storytelling.
Apesar de a escrita autoral ser uma descarga do que se está sentindo, de experiências vividas, referências pessoais, ou seja, em essência particular e criada naturalmente, é possível encarar a criação como um projeto, com etapas definidas e com elementos narrativos que, se não necessários, são aconselháveis que sejam incluídos no texto. Assim, fazer uso de um “plano de escrita”.
Um plano de escrita, fazendo uso das técnicas de storytelling, deve considerar alguns aspectos como, por exemplo, a existência de “brain rules”, que nos dão um caminho de como capturar a atenção das pessoas, nos mostrando que estamos mais propensos a nos atentar a questões de ameaça (instinto de sobrevivência), sexo (instinto de reprodução) e emoções (que é aquilo que nos faz humano).
Com esses elementos chamando atenção das pessoas, alguma coisa tem que acontecer na história. Algo tem que ser transformado: o personagem, o universo onde ele está inserido, um modelo pelo qual ele lutou contra etc. Se uma história merece ser contada, é porque algo aconteceu, é porque alguma coisa mudou do início para o seu fim.
Essa mudança pode ser a superação de uma rivalidade que o personagem enfrenta no decorrer da história, podendo ser com outro personagem, com um objeto, com o status quo, entre outros.
Outro elemento auxiliador é o cronograma. Podemos tirar dos projetos empresarias esse ensinamento, que conta com um cronograma em todo projeto bem estruturado. Encarar a escrita como algo planejado, então, faz necessário uma pequena organização das datas: o que pretendo ter em determinado dia, quais avanços devo fazer hoje, quando pretendo ter o projeto finalizado etc.
Vale lembrar que na criação de uma história não existe fórmula e nada está totalmente certo nem errado, e que as técnicas não se esgotam nessa breve pincelada apresentada. Até as brain rules podem ser desconsideradas. Também, mesmo que com um projeto estruturado, o “instinto” pode tomar conta e se entregar a ele seja o melhor caminho para a sua história. Contudo, pensar a escrita como um projeto pode ajudar na medida em que torna o processo, de certa maneira, mais estruturado.