E se não existissem histórias? Esse recurso amplamente utilizado no storytelling pode ter servido de inspiração para a criação desse conto de origem africana. O autor não se sabe ao certo. O conto foi recolhido na tradição oral da África ocidental e está recheado de simbolismo e elementos mágicos. Não estamos falando de um sabre de luz, mas um elemento comum na região: um pássaro. Mas não é qualquer pássaro. Ele tem algo especial. Temos também uma bebida, que carrega forte simbolismo religioso. E no retorno com o elixir ainda ganhamos uma preciosa dica para colocarmos em prática com o storytelling que fazemos hoje. 

Por isso sou apaixonada pelas histórias africanas.   




Porque os contadores de histórias têm boa memória e apreciam bons vinhos

Os pássaros não podem escrever, eles têm penas demais.
Ora, conta-se na África ocidental que no início dos tempos não havia histórias e também não havia sabedoria. O mundo era muito triste. Por isso, o primeiro contador de histórias foi também o primeiro buscador de histórias que saiu pelo mundo afora acompanhado de um pássaro-escrivão: o marabu.

O marabu é o único pássaro que sabe qual das penas do seu traseiro deve ser arrancada para que, com ela, se possa escrever, o que faz dele um pássaro especial. É por isso que foi escolhido para sair pelo mundo, pousado no ombro do primeiro buscador e contador de histórias.
Andaram pelo mato afora, pela savana e ao longo dos rios para escutar os ventos, as pedras, as águas, ás árvores e os animais. E encontraram muitas pessoas até então desconhecidas que iam lhes contando suas histórias.

Munido da pena arrancada de seu traseiro e utilizando uma tinta feita de água, pó de carvão e goma-arábica, o marabu-escrivão anotava conscienciosamente todas as histórias que escutava. O buscador e contador de histórias caminhava e pensava:
“Não me será possível recordar todas essas histórias.”
Mas o marabu continuava a ouvi-las e a escrevê-las.

Pois saibam que, uma vez tendo voltado para casa, o primeiro buscador e contador de histórias obteve a solução para o problema que o atormentava. Seguindo os conselhos do marabu, encheu de água uma grande cabaça e nela mergulhou todas as histórias escritas. Durante a noite, naquela cabaça, que na África é chamada de canari, as palavras escritas com tinta se dissolveram na água. No dia seguinte, na refeição da manhã, o marabu mandou que o buscador e contador de histórias bebesse todo o conteúdo do canari como desjejum.

Assim, todas as histórias bebidas tornaram-se histórias sabidas.

Se por acaso você precisar beber uma história, escute o meu conselho: beba tudo. Não deixe nada no fundo do copo, porque isso poderia dar um branco em sua memória.

Essa é a razão pela qual, em todos os tempos, os contadores de histórias sempre foram, também, bons bebedores de vinhos.  

Conto publicado no livro O Ofício do Contador de Histórias, de Gislayne Avelar Matos e Inno Sorsy



A mesma história pode ser contada de várias formas e uma das mais frequentes companheiras do storytelling é a transmídia, então, eu preparei um "conto publicitário" em várias mídias e vou postar os pdfs aqui. A ideia é que cada mídia faça sentido individualmente porém que a união de todas as mídias forme uma narrativa ainda maior. Nesse caso comecei com um conto literário: 

"Ela entrou na sala, doce como sempre, meio como doce de limão, eu imagino. Afinal, nunca comi doce de limão, nem sei se existe para ser sincero, mas sei que se existe deve doer na boca, bem fundo no maxilar, você sabe como é, já deve ter comido abacaxi. A moça, apesar de doce, estava dura, dura como alegria que dura pouco. O copo do rapaz do outro lado do salão caiu e quebrou de espanto, ela andava até ele, em silêncio, como se até as suas palavras estivessem economizando energia. Pedro, um pobre-quase-coitado nem sabia o que estava por vir. Sua vida agora seria uma miséria, eram palavras tristes, copiosas lágrimas, gritos, todo o show normal de qualquer mulher traída. O que o homem antes usava para causar inveja nos amigos: suas duas mulheres. Agora era o motivo de todo o o sofrimento do seu coração miserável. Meus olhos a seguiam por cima de seu ombro, vendo Pedro, assustado, sentado ao lado da outra, sem nem a mais absurda das ideias para salvá-lo.

Pedro corre na direção de Mariana, mas não consegue alcança-la antes de ouvir o barulho alto e ameaçador do disparo. O rapaz acorda em seu quarto, assustado, olha no relógio e vê que ainda é madrugada, respira fundo e deita novamente no travesseiro. Olha para o lado, vê a pequena embalagem colorida onde lê: "Deixe o drama para os escritores. Durma em paz com sleepingpills". 
Depois do conto literário a história continua em forma de roteiro de vídeo.



Por fim escrevi uma parte do conto em forma de roteiro de revista em quadrinhos, adoraria ter a habilidade artística de realmente produzir os quadrinhos, mas infelizmente não tenho e prefiro ater-me ao uso de palavras. 









Alguns amigos andam me perguntando sobre o que é o "transmídia", então, resolvi escrever um pouco sobre o assunto. Pouco mesmo, só pra tentar esclarecer algumas coisas. 

Storytelling, em uma definição bastante básica, é a tecnologia ou processo publicitário em que contamos uma história através de uma narrativa para criar laços emocionais entre uma marca e seus consumidores. Transmídia é a maneira como contamos essa história, ou seja, a união de mídias para contar separadamente uma parte da narrativa, fazendo com que o consumidor tenha a possibilidade de ter contato com a história e com a marca por mais de um ponto de entrada. 

Livros são escritos para os rituais, momentos de entrega total do leitor a narrativa, pensados cuidadosamente para que o leitor queira conquistar com o protagonista as novas páginas. Gibis, filmes, toda narrativa, cada uma em sua parte do mundo, aproveitando o melhor que pode de suas mídias. Coisa de artista, emoção em sua forma mais representativa. Já os publicitários ao contar suas histórias perceberam a necessidade de algo que agrade não apenas a leitores fanáticos, cinéfilos ou colecionadores de revistas. 

Uma ação de Storytelling Transmidia além das vantagens, já faladas aqui no blog, como emocionar o seu consumidor, melhorar a sua comunicação e trabalhar uma estratégia de branding mais eficaz e com uma melhor fixação de marca, oferece uma grande diversidade de estratégias de marketing já que a partir da transmidia a sua história poderá atingir mais pessoas e, talvez, proporcionar uma experiência mais completa e dinâmica aos consumidores que forem atingidos pelas diversas mídias. 

Se você quer saber mais sobre Transmídia ou Storytelling, entre no grupo do Facebook e não perca o curso Inovação em Storytelling - do Branded Content à Transmídia


A palavra "storytelling" é mágica. Sim, eu juro. Basta pronunciar que começa a chover... perguntas.
Não é por acaso. O conceito de contar histórias é tão antepassado que nos influencia de forma profunda e quase mística. E qual a relação das empresas com isso? A sempre genial Martha Terenzzo explica...




Era uma vez um jovem que tinha medo. Um tipo de medo diferente que não era do escuro, nem de nenhum inseto. O jovem tinha medo de errar. Pois é meus amigos, vejam vocês, com tantas coisas no mundo para se ter medo, entre os desconhecidos segredos do escuro, animais famintos de presas enormes e seres humanos que mais parecem ter saído de histórias de terror, aquele jovem e inocente rapaz escolheu o erro como seu maior fantasma.

"Errar é humano" - dizia sua avó para acalmar o coração aflito do jovem - "Todos erramos e devemos aprender com os nossos erros" - continuava a senhora com um sorriso calmo no rosto tentando amenizar os efeitos do pânico que se estampavam na face do pobre neto. E assim o tempo passou, entre muitas crises de pânico e discursos tranquilizantes. 

O fato é que o mundo é um amontoado de erros, uma sucessão de desentendimentos e, hora ou outra, um pequeno acerto, aqui ou ali e por causa de tudo isso não demorou para que o mundo se tornasse por inteiro um lugar apavorante para o pequeno Luis. Com o risco de um erro a cada palavra, decisão e pensamento o jovem vivia assustado, com medo de que um daqueles pequenos erros do dia a dia fosse o definitivo, o erro que acabaria com a sua vida, com a sua carreira. Mas, em uma noite qualquer de janeiro o garoto conheceu o storytelling, uma maluquice bem do tipo que ele gostava e no meio de seus estudos e aprendizados ele percebeu que uma narrativa só faz sentido quando o personagem é imperfeito. 

Olha o que a vida faz, deixou como se fosse de propósito um recado para o garoto nas entrelinhas de sua própria função profissional, ensinou-lhe com a sua história que errar não só é humano como dizia a sua avó, mas que é o de erro que nascem as melhores e mais interessantes mudanças, lições, aprendizados e história. O erro definitivo do jovem Luis  era, na verdade, ter errado pouco por ter tanto medo de errar.