Mantenha a fantasia. Não a roupa de pirata, rainha ou soldado. A fantasia que você carrega na imaginação. Hoje você é um rei que circulará pela cidade inteira, em meio aos súditos. Um mendigo que em vez de dinheiro deseja recolher moedas de alegria. Uma bruxa que usa o sorriso atroz para espantar a tristeza. Um vampiro eleito síndico do prédio. A única regra é ser o que não se costuma ser.  

Quando o gênio da lâmpada surgir, peça três desejos, quatro, cinco. Pouco importa se há possibilidade de serem realizados. Procure por alguém com uma bola de cristal, pergunte pelo futuro, pelo que as estrelas estavam querendo dizer ao se alinharem com a galáxia mais distante.   

Viaje. Viaje sem dar um passo. Você verá com quantos anéis se faz um planeta. Com quantas nuvens se faz um céu. Com quantos bêbados se faz um sóbrio e com quantos loucos se faz uma pessoa sã. Coloque a coroa de papel e finja que o jornal aberto é um tapete mágico para você sobrevoar os oceanos.

As notícias vão chegar por meio de uma garrafa atirada nas águas, ou uma grande mentira será soprada aos quatro ventos. Ouça, anote. Comece pela fantasia, descontinue pela realidade, vire a segunda à direita e pronto. Nada pronto. Pare, respire e se inspire.

É Carnaval. Era. Pode ser um bloco. Poderia. Na quarta-feira-de-cinzas, vi um storyteller, afastado da multidão, com um cartaz pendurado no pescoço por um barbante, onde se lia: “mantenha a fantasia”.   

Este texto foi originalmente publicado em meu blog pessoal, mas hoje eu decidi dividir essa experiência com o storytellers por aqui também. Espero que gostem. 




Há dois mundos coexistentes em e em algum momento você deverá cruzar para o outro lado. 
Quando eu comecei a escrever o mundo era mais simples e as palavras eram desenhos no caderno de caligrafia. Depois disso tudo se complicou um pouco, mas era um complicado bom, um complicado legal tipo se apaixonar pela menina mais gata da escola e viver suas próprias aventuras de filme da sessão da tarde pra conseguir, nem que seja, um beijo na testa. Nesse momento da vida a escrita era normal, ainda não era arte só por que eu ainda não sabia muito bem o que era arte. Mas numa noite qualquer de verão na cidade da garoa eu descobri o que era arte enquanto escrevia sobre meu coração quebrado por que e menina mais gata da escola tava beijando o loirinho que jogava futebol e ouvia axé. Quando vira arte tudo se complica, ou não, afinal não existe certo nem errado na arte, só existe o talvez e o talvez vira poema, parágrafo, diálogo, o talvez não existe por que não é certo, não tem forma e se não tem forma, vale tudo. O talvez é o que abre a porta para o outro o mundo. 
No outro mundo tudo é diferente e não existe mais nem a possibilidade do simples, aliás, não existem muitas possibilidades nesse outro mundo, tudo por aqui é uma certeza ou uma necessidade. Mas o interessante é o que acontece no meio do caminho entre a certeza e a arte. Esse é o momento em que todo mundo reconhece alguma semelhança entre o que a gente faz e uma coisa que eles chamam de talento. É show de elogios. Os amigos se emocionam com suas homenagens em forma de poesias e prosas no natal e no ano novo. Os professores começam e te dar dicas e ideias sobre jornalismo, redação e inconscientemente as coisas mudam de novo e o que você escreve, a sua arte, deixa de ser o foco para que todo mundo veja o artista. Ferrou meu amigo! Todo mundo acha que você tem talento né? Você passou a vida toda escrevendo e ouvindo gente te elogiar, se emocionar e incentivar, mas você não foi o único, na sua família talvez tenha sido, às vezes até no seu bairro, mas não foi o único na sua escola, nem na sua cidade e ai, quando você chega lá, naquela faculdade de jornalismo, publicidade ou até letras, você percebe que o seu texto, honesto e de coração, não é só arte, o seu texto é produto, seja você jornalista, escritor de ficção, roteirista ou tradutor, no fim das contas você vende texto e não arte. Arte não tem forma, texto sim. Arte é o que você cria, o que você faz, texto é o que você entrega e o que os outros vão ver. 
Sua namorada adorou a mensagem de aniversário que você escreveu para ela, mas ela adorou por que é sua namorada, tá fácil de emocionar. Teu amigo adorava as sacadas que você tinha na escola, te deu a maior força quando você decidiu escrever stand-up, mas nem todo mundo vai entender a sua piada sobre a professora de física, nem todo mundo vai conhecer a professora de física. Aquele parágrafo de uma linha no meio texto pode ser ignorado na sua rede social, mas teu chefe não vai gostar dele. Enfim, a parte mais difícil já foi, você já aprendeu a fazer arte, agora você tem que aprender a escrever, mas não se preocupe, assim como na vida o melhor não está nem no começo, nem no final da viagem, a melhor parte é a jornada.  



No livro “O Caminho de Swann”*, do escritor francês Marcel Proust, o narrador começa a se lembrar com mais clareza de sua infância, na pequena cidade de Combray, a partir de um episódio singular: o consumo dos famosos madeleines – pequenos biscoitinhos tradicionais da França.

Durante muito tempo, o narrador não tivera a chance de voltar a experimentar a iguaria, que, ao ser saboreada novamente, entre goles de chá, trouxe lembranças há tanto adormecidas. Mas Proust não se contenta em resumir a experiência em um parágrafo curto.

Na edição da obra que tenho em mãos, gasta boas três páginas relatando como os madaleines foram capazes de promover uma admirável e longa viagem pela memória. Mais do que isso, os biscoitinhos são um ponto-chave, servindo de pretexto para o desenrolar dos fatos. 
  
Vale destacar um trecho:
“E de súbito a lembrança me apareceu. (...) E logo que reconheci o gosto do pedaço de madeleine mergulhado no chá que me dava minha tia (...), logo a velha casa cinzenta que dava para a rua, onde estava o quarto dela, veio como um cenário de teatro se colar ao pequeno pavilhão, construído pela família nos fundos (...); e com a casa, a cidade (...)”.

Para Proust, foram os madeleines. E para você, caro storyteller? O sabor da macarronada que a vovó preparava? Uma fotografia descolorida? O perfume da ex-namorada? Jornais em um velho sebo? O tique-taque do antigo relógio do pai? Pare para pensar, revisite o passado. Se possível, como incentivo à inspiração, repita experiências que não tem vivido há um bom tempo. Elas ainda podem levar a um grande passeio pelo tempo, ajudando a render uma ótima história.       

*“O Caminho de Swann” é o primeiro livro da série “Em busca do tempo perdido”. 




As histórias são o toque de mágica capaz de transformar o rotineiro em algo fantástico, fabuloso e quem sabe até épico.

Tecnicamente falando, tudo pode vir a ser Storytelling. Mesmo assim, durante o Curso de Inovação em Storytelling, os professores insistem que é preciso escolher bem para onde apontar a varinha storyteller.

Storytelling não substitui um trabalho de marketing ou de comunicação ou de branding ou de publicidade. Ao invés disso, Storytelling reveste.

Por outro lado, quem vive de contar histórias vê em todo lugar uma boa oportunidade para criar. Até por isso o Storyteller Certificate é como é. Aliás ele ficou assim porque uma aluna do curso, inspirada, confeccionou espontaneamente usando uma das técnicas apresentadas.

Então, para quem ainda não tem esse diploma especial de poderes mágicos, a próxima chance será em abril.
http://www.espm.br/inovacao/curso.asp?cursoID=62





O bom contador de histórias sabe que por melhor que seja a narrativa, uma hora ela tem que chegar ao fim. Depois de uma semana acelerada, o Curso Intensivo de Inovação em Storytelling, carinhosamente apelidada de #plotESPM nas redes sociais, chegou ao fim de sua oitava edição.

Acabamos de tabular as avaliações e novamente o curso superou muito as expectativas - que como muitos disseram, já era alta! O que é fantástico considerando uma turma tão variada, composta por publicitários, engenheiros, advogados, jornalistas, rpgistas, contadores de histórias, escritores, empresários, executivos e até anjos. Ganhamos os céus!

De maneira geral, as críticas foram direcionadas ao volume de conteúdo transmitido em apenas uma semana e à ausência de atividades mais prática. Pois é, essas são mesmo características de um curso intensivo. 

Até por isso a partir desse ano teremos outros módulos mais práticos para exercitar diretamente.
O primeiro será a utilização do Storytelling em apresentações corporativas. Um workshop em que todos os alunos irão sair do curso com suas apresentações estruturadas em formato de história!