A série Breaking Bad chegou ao seu fim ao ritmo de muita euforia por parte de quem acompanhou, e de muita cautela de quem, como eu, vive fugindo dos spoilers porque ainda não chegou ao episódio dezesseis da quinta temporada. Aliás, a começar por aí a série já mostra o que tem de mais especial na sua construção, ao ser pensada e filmada tão só para cinco temporadas.
Assim, continuando o post do Luis Gaspar na semana passada, sobre o que podemos aprender com Breaking Bad, eu ainda acrescentaria uma grande máxima das grandes histórias que volta-e-meia aparece por aqui: boas histórias são criadas nos detalhes. Dentre os diversos detalhes em sites e blogs sobre “curiosidades de Breaking Bad”, alguns aqui merecem destaque e colaboram para que a série tenha, por assim dizer, os "99,1% de pureza".

No quesito “personagens”, a boa construção deles na série é um mérito que tem sua explicação desde a seleção e a preparação de autores. Bryan Cranston, que faz o protagonista Walter White, foi treinado por um professor de química real para viver o seu papel. Além disso e mais impressionante que isso é o fato de que o filho de Walter na série, Walter Junior, é interpretado por um ator que também tem paralisia cerebral, R.J. Mitte. A preparação de Aaron Paul, para viver Jesse Pinkman na série, também foi intensa e regada a muita bebida em bares – tudo, é claro, para trabalhar o vício com total verossimilhança.

Em se tratando de roteiro, a série de Vince Gilligan também é um belo exemplo a ser seguido. O autor, que diz ter pensado na série depois que seu amigo, também roteirista, disse que se eles não conseguissem vender um filme para Hollywood comprariam uma van e fabricariam metanfetamina no deserto, não precisou ser tão drástico na vida real – mas soube adaptar perfeitamente para a ficção. Em seu roteiro não há espaços para improviso. Cada palavra é parte do texto, inclusive cada gíria como os clássicos “Yo!” ou “Bitch” de Jesse na série.
Tudo isso, sem dúvidas, não sai barato. Estima-se que cada episódio da consagrada série custou cerca de três milhões de dólares – muito mais do que Walter White almejava conseguir no início da série quando descobre que tem câncer e resolve deixar um dinheiro para que sua família possa viver.




Em outubro começo uma oficina nova e bem interessante, sobre a prática do storytelling na prática.  Isso quer dizer que a metodologia é composta pela dupla técnica e aplicação.

Não existe nenhum tipo de livro sobre o tema, afinal, é uma novidade essa história de juntar histórias com marcas; ficção com corporação. Se ainda muito se discute sobre a teoria, aqui já vamos partir para a ação.

UM CURSO PARA QUEM...

...É PUBLICITÁRIO e busca técnicas avançadas e inspiração para melhorar seus projetos e cases...

...É EXECUTIVO E EMPREENDEDOR e quer dar vida à sua marca...

...É ESCRITOR E ROTEIRISTA e está à procura de novas formas de financiar seus projetos, sem abrir mão do seu estilo autoral...

...E FINALMENTE PARA QUEM JÁ FOI MEU ALUNO e ficou com gostinho de quero mais ;)

São só 15 vagas, já que é no esquema de Creative Writing da fantástica Oficina de Escrita Criativa: todos sentados ao redor de uma grande mesa, com seus papéis, canetas e notebooks a postos! Uma ode aos artesãos de histórias.

Para saber quando e onde haverá cursos de storytelling, acesse: https://www.storytellers.com.br/p/sobre-nossos-cursos.html


Toda história, seja real ou ficcional tem dois lados, normalmente acompanhamos o ponto de vista de quem nos conta a história, no caso de uma narrativa podemos dizer que é essa a principal função de um protagonista. Nos apresentar o universo e os acontecimentos através do seu próprio ponto de vista, nos emprestar os seus olhos para vermos as coisas do mesmo jeito que ele vê.


A filosofia nos diz que o ponto de vista de uma pessoa é formado por sua experiência no mundo, a semiótica concorda ao explicar que o significado de algo vai além do que ele representa praticamente, significados são abstratos e dependem, também da sua experiência de vida. Por isso, para que uma narrativa seja crível, ou seja, verossímil, precisamos ter personagens bem desenvolvidos o suficiente para que o autor saiba qual é o ponto de vista do seu personagem, como ele irá reagir as situações que lhe impostas e qual será a sua opinião sobre os acontecimentos ao seu redor. 

De acordo com Syd Field há dua maneira de se construir uma narrativa, a primeira é ter uma ideia de acontecimento e a partir dai criar personagens que se encaixem nesse acontecimento e a segundo é criar um personagem e trabalhar nele o suficiente para ele mesmo lhe apresente uma história. Eu não sei dizer qual foi o método escolhido pelos produtores da Showtime, responsável pela série, o que eu posso afirmar é que eles com toda certeza sabem que o personagem é a alma da série. 

Como eu disse logo no começo, toda história tem os dois lados e nós estamos acostumados a conhecer apenas um deles, mas Homeland decidiu mudar essa história e nos apresentar dois pontos de vista partindo de um só personagem. Pois é, a grande crise do nosso protagonista é na verdade a metáfora na qual são baseados os acontecimentos da série. Para quem ainda não assistiu aqui vai uma pequena sinopse da série;

O Sargento Nicholas Brody foi dado como morto em combate enquanto cumpria seu dever na guerra do Iraque, porém, 8 anos depois, durante uma ação anti-terrorista, um grupo de soldados o resgata e ele volta para os Estados Unidos e para a sua família. Nesses 8 anos muita coisa aconteceu e todos estão mudados, mas ninguém mudou tanto quanto Brody, um soldado americano que aprendeu a ver a guerra anti-terrorista com os olhos dos próprios terroristas. 

Envolvido em um emocionante esquema Brody tem que aprender a lidar com suas novas e antigas crenças e é essa crise, entre ajudar a grande nação amaericana a se proteger dos terroristas ou defender a nação Árabe, vítima de preconceito e ataques um tanto desonestos que coloca Brody entre a facção terrorista mais desejada da CIA e a própria agência de inteligência americana. 

Além de apresentar bons persoangens com ótimos pontos de vista e profundo conhecimento de seu passado os roteristas da série fazem questão de não deixar um só acontecimento passar em vão, em ótimas cenas alternadas entre ação e drama pessoal, tudo o que acontece na série tem um significado, deixando o espectador sempre curioso, sempre nervoso e sempre querendo mais ação e mais drama. Um plot que está sempre te revelando novos segredos dos personagens ou criando novas situações que levam todos em direções diferentes é o segredo dessa série que ainda está em sua segunda temporada. Além disso o uso do velho lema proposto por Hemingway deixa a série ainda mais interessante. "Mostre, não conte" dizia o escritor norte americano no intuito de instruir escritores a criarem ações que revelem o que querem revelar ao invés de apenas relatar os acontecimentos.  


Todos que estiveram online nas últimas semanas leram em algum lugar que Breaking Bad entrou para o Guinnes como a série mais bem avaliada da história. Pois é, se você ainda não começou a assistir a famigerada série norte americana sobre um professor de química superqualificado que diante de um câncer terminal decide ganhar dinheiro fabricando metanfetamina e virar traficante de drogas, essa é a sua desculpa para chegar em casa e começar a diversão. 

Em primeiro lugar eu acho importante citarmos que o parâmetro para essa seleção de Breaking Bad pelo Guinnes Book foi o uso de um agregador de criticas virtuais sobre séries e filmes, chamado "Metacritic", onde a série ficou com 99% de aprovação e, por isso, ganhou a oportunidade de ser selecionado para o Guinnes Book que tem previsão de ser publicado em 2014. 

Agora vamos ao que interessa, o que podemos aprender com Breaking Bad? 

A primeira coisa que tem sido citada pelos blogueiros e especialistas no assunto é o uso de uma técnica narrativa conhecida como Chekhov's Gun, que consiste em introduzir elementos aparentemente desimportantes na narrativa que serão resgatados mais tarde e terão o seu valor revelado. Causando no espectador uma sensação de surpresa e certa admiração pela forma como as coisas acontecem. É possível também usar essa técnica para aproximar a narrativa da realidade do expectador, afinal, quem nunca comprou algo aparentemente inútil que depois de algum tempo se revelou importante? 

A segunda coisa que podemos aprender com a série é a importância dos personagens de apoio, aqueles que não contamos 100% da história mas que estão sempre ali do lado do protagonista para ajudá-lo, ou atrapalhá-lo, conforme for necessário para o bem da história. Quanto mais profundos e melhor desenvolvidos forem os seus personagens de apoio mais fácil será para o autor usá-los na narrativa quando o protagonista precisar de uma força extra para se mexer e gerar ação na sua história. 

Por fim, falando em ação, outro aspecto importante da série é o uso de uma regra do roteiro que eu conheci através do Syd Field (ainda não sei se a regra é dele ou se ele apenas a usa). "Tudo na sua história de fazer uma dessas duas coisas: apresentar o personagem ou criar ação". Uma narrativa, principalmente visual como em um filme ou em um roteiro não deve ter "gordura" ou "acontecimentos sem importância", tudo deve servir para apresentar melhor o seu protagonista e/ou os personagens de apoio ou deve fazer a narrativa se mover e evoluir, todo acontecimento deve mudar o destino da história, ou pelo menos alterá-lo temporariamente. 

Nós, da Storytellers, entendemos que em uma história, assim como na publicidade, toda mensagem tem o objetivo de gerar reação no espectador, seja essa reação a compra, o interesse, ou o engajamento, tudo deve fazer com que o consumidor, que costumamos chamar de atento, tenha um experiência com cada uma das ações de nossos personagens. 

O que dizer de Sherlock Holmes sem Watson, Don Quixote sem Sancho Pança ou até Batman sem Robin? Pouca coisa, quando não nada, o que de cara nos leva a concluir que tanto quanto histórias são sobre humanos, humanos precisam de bons companheiros em suas jornadas. E, ainda que histórias sejam sobre humanos, não é sempre sobre homo sapiens que falamos. 
Muitos são os exemplos de aliados “não-humanos”. Objetos em geral, pelúcias, carros, monstros e principalmente cães já fizeram o papel de melhor amigo do homem também na ficção. Este último, por vezes, teve a audácia de inverter os papéis e assumir “o fronte” da história. É o caso de Lessie, Beethoven e do mais recente Marley & Eu.

Para Christopher Vogler, em “A jornada do Escritor”, “Estes aliados próximos do herói podem ser responsáveis por momentos de alívio cômico, além de prestarem assistência. (...) Essas figuras podem cruzar facilmente as fronteiras que separam os Mentores dos Pícaros, às vezes ajudando o herói e atuando como sua consciência, às vezes comicamente se metendo em trapalhadas ou causando encrenca.”

A verdade é que a lendária relação entre o homem e o cão, que aqui e na ficção se encaixa na relação entre o protagonista e seu fiel-escudeiro, é historicamente uma parceria pronta para a construção de qualquer história. Um protagonista sem um aliado, bem como um homem sem seu cão, é como um clássico pirata sem um papagaio. Afinal, continuando o raciocínio do início, o que dizer de Chuck (sim, o protagonista de “O Náufrago”) sem Wilson, a bola?