Olá, sou Tiago Cabral, o “novato”do site. Sou psicólogo e (pretenso) escritor. Vim parar aqui a convite do nobre Fernando Palácios pra conversar um pouco com vocês sobre Storytelling e sua relação com a psicologia! O que essas duas práticas teriam em comum? 

Antes disso muita gente sempre se pergunta "o que raios é Storytelling"? Com uma pesquisa no Google qualquer um descobre que é um daqueles termos de publicidade. No entanto, ele é algo que faz parte da natureza humana: é a arte de contar histórias.

A simplicidade do termo nos faz subestimá-lo por alguns instantes. Mas não se engane pela simplicidade da definição, afinal você pode definir a medicina como "a arte de curar pessoas", e mesmo assim a  prática não vai ser algo simples. Ao estudar o assunto me descobri um “storyteller” sem saber. Muitos dos livros recomendados eu já havia lido e usava muitas das técnicas que citavam em meus textos.

“Storytelling? Isso é desculpa pra vender workshop” eu mesmo já disse. Até que num livro li que "saber apreciar uma música tocada num piano não te torna um pianista”.  Ou seja, ser capaz de apreciar um bom livro não significa que você possui as ferramentas pra escrever!

"Mas o que isso tem a ver com psicologia social?"

Como eu disse eu sou psicólogo. Atendo a crianças e adolescentes e suas famílias e as vezes é necessário “ensinar” as pessoas a lidar com determinadas situações. E o método mais prático que encontrei de fazer isso é contando histórias!


E eu só sei disso porque eu aprendi com o storytelling que a maioria dos mitos tem por objetivo passar conceitos de moral. As histórias ajudam a definir quem somos, e também influenciam diretamente na nossa comunicação. Seja na psicologia ou em qualquer outra prática social.

O ano era 2000. Em um voo com destino a Dallas, no Texas, estavam os dois fundadores da Netflix, Reed Hastings e Marc Randolph, e o diretor financeiro, Barry McCarthy. O objetivo da viagem era encontrar John Antioco, diretor da Blockbuster, e negociar a venda da Netflix para a rede de locadoras por 50 milhões de dólares.
“Hastings queria propor uma parceria para Antioco, onde a Netflix divulgaria o nome da Blockbuster na internet e, em troca, a divulgação da Netflix nas lojas físicas. Saímos do escritório dele sob risos, eles achavam que estávamos em um nicho muito pequeno.” – diz McCarthy.
Hoje, quase 13 anos depois, a Blockbuster fecha as portas e a Netflix já vale cerca de 20 bilhões de dólares. Levando em conta que o produto de ambas é, de certa forma, o mesmo, o que mudou de lá para cá?

A resposta para a pergunta é quase óbvia: a Blockbuster não soube se renovar enquanto a Netflix nasceu na inovação. E quando falamos em inovação da Netflix, não é apenas sobre streaming de filmes e séries, mas sobre comunicação e criação de conteúdo de marca que garantiram a ela sair na frente de outras concorrentes dentro do próprio streaming. O que dizer de House of Cards?
Muito além de tão só novas mídias, mas de conteúdo, a publicidade é uma área que vem precisando se renovar – e inovar. Enquanto os dinossauros da propaganda ainda riem em seus escritórios, tudo parece estar bem. Mas não tarda e seu prazo de validade acaba chegando. Afinal, ainda que em 2000 a internet já fosse uma realidade, quem apostaria todas as suas fichas que, um dia, a gigante Blockbuster fosse ruir em seu império? 

Aprendi com o Fernando Palacios que storytelling é uma tecnologia da comunicação. Mas para entender o que isso significa precisamos conhecer o significado de tecnologia. Uma das definições de tecnologia que eu mais gosto é que tecnologia é a soma de técnica + ciência. Portanto, o storyteller é, ao mesmo tempo, o mecânico e o engenheiro das narrativas. É o responsável por transformar o briefing em uma história e uma narrativa é um anúncio publicitário.

Somos escritores com clientes, escrevemos para transmitir uma mensagem pré-determinada, para promover uma marca, um produto, um sentimento ou, até mesmo, uma sensação. Começamos no briefing, como qualquer outro publicitário, conhecendo melhor o nosso cliente, a sua história, os seus desejos e, é claro, os seus objetivos, já que esses serão os objetivos da nossa narrativa. Pensamos em problemas e objetivos de marketing e de comunicação, pensamos no consumidor, nas histórias que eles contam e consomem. Por isso é importante conhecer séries, filmes e livros que fazem sucesso. Depois disso nos tornamos projetistas, desenhando universos, criando personagens, pensando em situações que se encaixem no briefing, histórias que resolvam nossos problemas e alcancem nossos objetivos.

Voltando ao pensamento de engenharia, antes de se desenhar um prédio é preciso aprender as leis da física, assim como antes de escrever uma história é preciso conhecer o que é uma boa narrativa. Como construir uma estrutura sólida que aguente todas as camadas e andares do que iremos construir, onde colocar as colunas estruturais que não devem ser alteradas, como dividir o espaço para caber tudo o que precisamos acomodar, como criar algo que resista a interferência exterior, seja da chuva ou de um leitor desatento. Cada detalhe de uma história deve estar baseado no conhecimento científico, desde a semiótica até a narratologia.

As técnicas vem depois, como colocar os fios elétricos nos lugares certos, onde posicionar as lâmpadas, as portas e as janelas. Como apertar os parafusos o bastante para que não soltem e sem exagerar para que não espanem. Depois da ciência vem a técnica, o cuidado com os detalhes, a especialidade de cada um. No caso do storyteller, precisamos ter muitas especialidades para garantir a qualidade de nossas narrativas desde a sua base até o seu acabamento.

O ano é 2110, e o Corinthians, graças a um longo processo de internacionalização, é o maior time do mundo. Mas, no ano em que completa 200 anos, o saudosismo torna ao coração alvinegro e resulta em louca invenção: um dispositivo capaz de voltar a qualquer período da história.
Essa é a premissa do filme “Nova Era: Corinthians”, previsto para 2015. Após alguns documentários sobre momentos marcantes do clube, este será o primeiro filme ficcional sobre um clube de futebol brasileiro – e logo de ficção científica.

De alguns anos para cá, não é novidade a ninguém que os clubes tenham inovado em vender a sua marca a seu “fiel” consumidor. Os departamentos de marketing cresceram, com direito a todos os Ps: Produto, Preço, Praça, Promoção e Paixão.
E não é preciso ser corinthiano para saber: se não foi o primeiro, o Corinthians hoje é o clube que melhor trabalha a sua marca dentro e fora das quatro linhas. Tanto é que, além dos 5 Ps citados, o time inova mais uma vez e traz o P de Plot para reforçar o seu time a partir de uma lógica básica: Se conseguimos lotar estádios, podemos lotar as salas de cinema também.
A grande questão, desta vez, é que se trata de uma história ficcional, ainda que, é claro, com pitadas de muitas histórias verdadeiras do clube. É comprar a pipoca e esperar pra ver o resultado dessa história dentre os mais de 30 milhões de espectadores em potencial. 


As empresas já perceberam que as pessoas estão consumindo informação de uma forma transmidia e muitas delas estão buscando desenvolver histórias que possam envolver seu público com o maior engajamento possível através do Transmídia Storytelling. Claro que pra isso você precisa de pessoas que possam entender bem cada um desses meios e é com essa premissa que a ESPM lançou um curso inédito.
Com o nome "As mídias do transmídia – como contar 4 atos em 4 formatos"  o curso - idealizado pelo Fernando Palácios - conta com 5 professores que vão ensinar como otimizar suas histórias e conectar cada uma delas em uma estratégia transmidia. Vejam as informações oficiais: 

Esse não é um curso sobre como criar e compor histórias. Esse é um curso para quem já tem suas histórias e quer saber como otimizar a forma de narrar histórias diante de diversas mídias e telas disputando a atenção de targets cada vez mais fragmentados. 

Seja uma apresentação de power point, seja um projeto milionário de branded content, saber explorar a potencialidade de cada mídia exige expertise técnico. Uma história contada por meio de um livro de romance pode ter reações completamente diferentes da adaptação para as telas do cinema.
Na ponta disso tudo está o conceito de transmídia, que é o pensamento de como orquestrar uma só história em diferentes narrativas que se espalham por diversos formatos. A indústria do entretenimento vem usando cada vez mais esse recurso. Chegou a hora das empresas e seus fornecedores desvendarem de uma vez por todas essa disciplina. Num mercado tão dinâmico surge a necessidade de se tornar um poliglota narrativo, ou seja, de entender e saber falar as diversas linguagens de uma história.


Conheça os professores do curso


FERNANDO PALACIOS
Um dos pioneiros de advertelling e branded content no Brasil. Inovou com muitos "primeiros": realizou o primeiro estudo acadêmico sobre storytelling e publicidade na América Latina, é co-fundador do primeiro escritório de Storytelling do País, implementando o primeiro portal de conteúdos de marca e, finalmente, ministrou na ESPM-SP o primeiro curso universitário de Transmídia Storytelling. Desde então ministra palestras e cursos no Brasil e internacionalmente.
Atualmente é professor de Storytelling na ESPM e Diretor da Storytellers Brand´n´Fiction. Desenvolveu dezenas de projetos de Storytelling que moldaram o setor, entre eles, O Mistério das Cidades Perdidas (Game Interativo Online, 2 milhões de usuários e finalista do Festival de Cannes, para Mini-Schin); As Filhas de Dodô (Transmídia com 2 peças teatrais, 1 filme, 2 talkshow, contos de apoio, para J.Macêdo); Virada Cinegastronômica (experimental e experiencial, 3 edições, evento proprietário); Os Donos da Noite (livro, para Absolut); Coletânea de Contos Corporativos (livro, para M.Dias Branco); Minha Aventura no Escuro (projeto de storytelling completo, para Animados Zôo).
Para experimentar inovações de conteúdos, desenvolve um projeto autoral onde narra a busca de um personagem pela Próxima Maravilha da Humanidade e já conta com mais de 90 mil seguidores no Facebook. Esse projeto está produzindo uma obra de literatura, publicada aos poucos, através da plataforma digital Widbook e o primeiro capítulo já pode ser lido em www.widbook.com/a-nova-maravilha

THIAGO FOGAÇA
Thiago Fogaça é roteirista e professor de roteiro, formado na FAAP e na New York Film Academy com um Master of Fine Arts in Screenwriting. Tem experiência de leitura e análise de roteiros nas produtoras Broken Lizard (Beerfest e Supertroopers) e The Gotham Group (Spiderwick Chronicles e Coraline). Ensinou roteiro no Centro Universitário Senac, no Museu da Imagem e do Som MIS e na Escola Meliés de Cinema e Animação.
Atualmente faz coaching de Storytelling e Roteiro em produtoras de cinema e agências de publicidade, ensina na AIC (Academia Internacional de Cinema), na FAAP, no Colégio Oswald de Andrade e dá palestras no interior do Estado de São Paulo sobre Roteiro e Storytelling, no projeto Pontos MIS, além de escrever e revisar longas profissionalmente.

EDU MAGALHÃES
Eduardo Magalhães é Desenhista por natureza e pela formação em Design Gráfico pela Escola Carlos de Campos do Centro de Educação Tecnológica Paula Souza. Há mais de 10 anos atua como Diretor de Arte e Criação em agências de Live Marketing como Banco de Eventos, Grupo TV1, Super Produções e Samba.
Para complementar o mundo das imagens, Edu estudou as palavras. Cursou Letras na USP e faz questão de ler tudo o que cai na sua mão.
Foi professor de criação de um dos primeiros cursos sobre Live Marketing no Brasil, na Lemon School.
Colecionador, especialista e pesquisador de Histórias em Quadrinhos prepara-se para produzir sua primeira História em Quadrinhos autoral a ser publicada de maneira independente em 2015.

ALE SANTOS
Alexandre Santos é formado em Publicidade e Propaganda e pós-graduando em Marketing e Design Digital.
No twitter é conhecido por milhares de seguidores como O RPGista, fundador e editor do blog RPG Vale, eleito dentre os Top 3 no prêmio Top Blogs 2010, 2011 e 2012 na categoria blogs profissionais de games.
Redator e RPGista, sempre direcionou seus estudos para a comunicação no mundo dos games, sendo, inclusive, seu projeto de conclusão de curso um Advergame para propagação de cultura, história e educação ambiental no Vale do Paraíba. Lançou diversos contos e conquistou o respeito como mestre de RPG com suas dicas sobre criação de universos e roteiro para role playing game.
Recentemente participou como juiz da edição brasileira do Tomorrow Project, concurso de Ficção Científica promovido pela Intel, e também como autor convidado para a coletânea de contos oficiais do projeto. Atua como redator do jogo Living Card Battle Arena: Selene - The Fantasy e colabora com os blogs do Clube de Criação do Vale do Paraíba e com o Stories We Like. Atualmente elabora uma pesquisa acadêmica sobre organizações sociais em mundos sintéticos de MMORPG.

THIAGO IACOCCA
Thiago Iacocca é jornalista formado pela Puc-SP (2002), escritor e roteirista. Trabalha com criação e produção de conteúdo e eventos culturais. É autor dos livros Furta-cor (romance) e Meu avô italiano (infantil). Em 2008 criou a revista independente BETA, que dirigiu até o seu fechamento, em 2011 - iniciativa única no Brasil que deu voz a todos os envolvidos no processo de produção audiovisual nacional e internacional.
Trabalhou como editor de texto nas redações de jornalismo das emissoras Band e Record e atualmente está à frente do Estúdio Blu, produtora de conteúdo e incubadora de projetos culturais, colabora com revistas (Tpm, Audi Magazine, Personnalité), escreve storytelling para marcas e desenvolve pesquisas e roteiro para documentários, destacando-se uma série sobre educação que será dirigido por Luiz Bolognesi para a Buriti Filmes, enquanto finaliza seu segundo romance.

O curso tem como um de seus objetivos ensinar como otimizar o Storytelling ao selecionar o formato que melhor comporta cada parte da mensagem a ser transmitida. Para se inscrever basta acessar o link a seguir - http://www.espm.br/inovacao/curso.asp?cursoID=116