Ontem à noite terminei de ler o 5º volume da série Crônicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin. A única coisa que consigo pensar hoje é na história da série e no que vai acontecer no próximo livro.


George Martin faz isso com seus leitores. Ele conquista suas mentes. Não é à toa o tamanho do seu sucesso: mais de 15 milhões de cópias vendidas pelo mundo e uma das séries de TV mais aclamadas dos últimos tempos.

O autor diz que o segredo de tanto sucesso é simples: ele faz com que seus leitores sintam medo ao virarem as páginas, nunca sabendo o que pode acontecer, exatamente como na vida real. Como assim?, você pode estar se perguntando. Bem, a trama que George Martin criou é extremamente complexa e não dá para se ter certeza do que vai acontecer em nenhum momento. Seus personagens possuem múltiplas facetas e os rumos da história são tão imprevisíveis que muitas figuras principais da trama morreram logo no primeiro livro.


É daí que podemos extrair uma grande e importante lição: a audiência quer mais emoção! Quer o imprevisível! O público está cansado de coisas óbvias. E isso não vale só para literatura e televisão. Vale para tudo!

Quer um exemplo? Então dê uma olhada no briefing de segurança da Air New Zeland. Não é porque o assunto é chato que a comunicação precisa ser chata também.



Quer outro exemplo? Que tal as apresentações em PPT, Prezi e Keynote da Monkey Business, uma empresa com vários cases de sucesso, especializada em apresentações profissionais. A Monkey oferece uma contraproposta às apresentações previsíveis costumeiras, adicionando elementos diferenciados dentro das apresentações de seus clientes. Nesse caso, não é porque o formato é tido como maçante que o conteúdo e a forma de passá-lo também precisam ser.


Então, se seu público pede por emoção, dê emoção a ele. Seja no formato, seja no conteúdo, seja na trama, tente fazer algo original e diferente. Não se apegue ao previsível. Se for para se apegar a alguma coisa, faça como George R. R. Martin: se apegue ao imprevisível.

Quando a série “How I Met Your Mother”, ou “HIMYM” para os íntimos, estreiou escancarando a sua proposta desde seu título, seus fãs não imaginavam esperar 184 episódios para, finalmente, conhecer essa tal mãe. Como se não bastassem esses mais de 4000 minutos, o cocriador da série Carter Bays prometeu ainda mais: “How I Met Your Dad”, uma nova série sob o ponto de vista feminino.
O nome desse artifício é “Spin Off”, e já falamos disso por aqui em algumas postagens. Spin Off é, basicamente, quando uma nova série nasce a partir de outra pré-existente. Prometido em séries como Breaking Bad e Modern Family, o modelo está em alta entre as séries americanas.
Mas o que faz do spin off em “How I Met Your Dad” diferente? Novamente, a resposta está no título. Enquanto a série de Ted Mosby trabalha o seu ponto de vista para contar a história de como ele conheceu a mãe de seus filhos, “HIMYD” inverterá esse ponto de vista para a versão de uma mãe. O desafio se amplia ainda mais por, ao contrário do que pode parecer, a nova série ser sobre uma outra mãe de uma outra família.
Ainda que spin offs possam se aproveitar de universos ficcionais prontos de suas “séries mães”, nada de personagens como Ted, Barney e Cia em How I Met Your Dad. A série, que deverá estreiar em maio de 2014, começará do zero. O que não significa, para os mais atentos, não procurar por semelhanças e referências à serie em sua história.
How I Met Your Mother conquistou fãs durante suas 9 temporadas com uma proposta simples: a história de como um casal se conheceu. Através do consagrado modelo de sitcom, a série obteve sucesso até hoje, em sua última temporada, liderando a audiência do canal CBS. A questão que fica é: isso tudo será suficiente para o sucesso de How I Met Your Dad?



As vezes eles apenas têm gênio difícil, como mau humorado Doutor House, o escritor Hank Moody, ou o detetive Sherlock Holmes. Podem ser mal encarados como os personagens dos filmes de ação de Stallone, Van Damme (e cia.) ou até valentes cowboys como Clint Eastwood. Mas uma coisa é inegável: os valentões fazem sucesso! Mas por que esses personagens são tão bem-sucedidos?
Na primeira parte desta série de artigos explicaremos a luz da psicologia porque a “perversão” é uma das chaves para entender os valentões:
PARTE 1 - A PERVERSÃO
Para Freud existem três formas de funcionamento da mente: Neurose, Psicose e Perversão. Para o pai da psicanálise tudo depende da forma como gerenciamos nosso desejo. 
Nós, as pessoas ditas “normais”, somos neuróticos. Ou seja não sabemos direito pra onde o seu desejo aponta. Por isso nunca estaremos satisfeitos plenamente. Esse é o maior motivo pelo qual as pessoas procuram terapia: não saber o que realmente queremos.
Já o perverso tem o desejo definido. Ele sabe exatamente o que quer e como quer e só se satisfaz daquela forma específica. Um serial killer muitas vezes é um perverso. Por ter seus desejos bem definidos eles têm seu próprio sistema moral, e se consideram acima da lei e de qualquer opinião que não seja a sua própria.
No entanto, por mais que você entenda que a perversão é uma doença psíquica, todos querem saber que os satisfaz e acabam invejando a perversão.

Muitos desses personagens “badass” apresentam características dessa patologia psíquica. Porém, em sua maiorias os valentões não são perversos, mas sim obsessivos, e esta é uma forma de neurose. Quer saber por quê? Confira na próxima parte desse artigo!

Eu acho fascinante ver a relação que as pessoas criam com personagens fictícios. Essa semana o assunto foi a morte de Brian Griffin o cachorro intelectualizado do desenho Norte Americano Family Guy (Uma família da Pesada em português). Pois é, meus amigos, o animal de estimação da família de um desenho animado morre e a internet vai a loucura, abaixo assinados surgem pedindo pela ressuscitação do personagem. Nesses tempos modernos em que vivemos como produtores e consumidores de informação, tudo ao mesmo tempo, às vezes a ficção atinge a realidade.

O site #savebrian foi criado para coletar assinaturas e convencer os roteiristas do desenho animado a darem mais uma chance para o cachorrinho que, aparentemente, é um dos personagens favoritos do público cativo da série. Mas o que mais me impressionada nisso tudo é que em mais uma semana de existência o site já coletou 700 mil assinaturas ao redor mundo, muito mais do que algumas campanhas de abaixo assinado para salvar a floresta amazônica ou tartarugas em extinção são capazes de conseguir. Além dessas assinaturas o episódio da morte de Brian ganhou um espaço em todas as revistas e blogs sobre narrativas e séries do mundo. Até mesmo o site da TMZ, revista especializada em noticiar fofocas e novidades nas vidas de celebridades hollywoodianas, reservou um espaço em site para noticiar a fim trágico do cachorro.

O que me leva à seguinte pergunta: e se a morte do Brian fosse uma ação publicitária?  

 Estou para conhecer um publicitário que não sonha com um engajamento capaz de colher 700 assinaturas digitais e conquistar mídia espontânea por todo o mundo em só uma semana. Então, não seria demais se a morte do Brian fosse uma ação publicitária, digamos, para um instituto de cuidados com os animais? Ou quem sabe até se esse episódio fosse financiado pelo governo norte americano para conscientizar as pessoas sobre o uso de coleiras? Não seria genial se a morte do personagem fosse, no fim das contas, apenas uma forma de recuperar audiência para a própria série?

As possibilidades são infinitas, mas o importante mesmo, na minha opinião, é percebermos que uma narrativa é uma mídia que vai além do “mostre meu produto por 15 segundos”, se soubermos usar bem a narrativa ela pode gerar consequências inimagináveis. Podemos usar o poder narrativo de produtos culturais a favor de nossas mensagens, sejam elas comerciais, sociais ou apenas de entretenimento. E o melhor de tudo? Se A morte Brian Griffin não fosse em vão, ou seja, isso tudo fosse mesmo uma ação para salvar cães de atropelamento pelo mundo, talvez o público não se revoltasse contra os produtores, mas sim, os elogiassem pela sua ação nobre. 

Durante essa última semana, muito se falou sobre esse tal de Lulu. Para quem ainda não conhece, o Lulu é um aplicativo exclusivo para o público feminino que permite às mulheres fazerem resenhas (de cunho sexual) anônimas de seus amigos, ex-namorados, parceiros ou afins. Além de dar uma nota para o cara em questão, o Lulu possibilita que as mulheres preencham o perfil dele com hashtags positivas ou negativas, como: #SemMedoDeSerFofo, #TaradoDoJeitoCerto, #NuncaPassaANoite, #LindoTesãoBonitoeGostosão, #PiorMassagemDoMundo, #CurteRomeroBritto, #TrêsPernas, #FilhinhoDaMamãe, #LábiosdeMel, #MaisBaratoQueUmPãoNaChapa, #PrefereoVideogame, #Bebezão, #DáSono, #ArrotaePeida e etc.


Alguns homens ficaram apavorados. Alguns ficaram entusiasmados. E outros nem ligaram (eu me incluo nesse último grupo). Meu amigo que faz mais sucesso com as mulheres foi destruído no Lulu. Um outro amigo que não faz tanto sucesso assim foi extremamente bem avaliado. No final das contas, a mulherada se divertiu às custas dos homens, tanto pelo lado bom quanto pelo lado ruim.

As feministas mais fascistas ressaltaram que o Lulu veio como vingança por anos de objetificação das mulheres por parte dos homens. Ou seja, para elas, os homens devem pagar o preço agora (acho engraçado como essas feministas querem ter os mesmo direitos dos homens em comportamentos tão babacas como esse, ao invés de se mostrarem superiores e agir diferente). Alguns homens mais sensíveis chegaram até a processar o aplicativo, de tão insultados que se sentiram. E, eis então que agora está para surgir a versão masculina do negócio.

Daqui a uma semana vai ser lançado o Tubby, uma resposta masculina ao Lulu. Agora é a vez das meninas ficarem desesperadas por duas razões específicas: 1- as máscaras de muitas meninas que pagavam de santinhas vão cair; 2- vai ser muito mais pesado, com hashtags, segundo boatos, como #EngoleTudo, #ComiDePrimeira, #AdoraDáD4 e etc.


Se esses dois aplicativos farão sucesso ou serão rapidamente esquecidos eu não sei dizer. O que sei dizer é que eles mostram uma coisa muito clara dos dias de hoje: a forma mecânica dos relacionamentos afetivos da nossa geração.

Tanto homens quanto mulheres estão virando objetos. São apenas bocas a serem beijadas e corpos a serem usados. Esses aplicativos só mostram isso de uma forma nua e crua. E daí surgem problemas. Não digo isso de um ponto de vista conservador ou coisa do tipo. Digo a partir de um ponto de vista analítico. Quando pessoas usam outras e aceitam serem usadas como objetos não só perdem parte de sua humanidade como também se expõe a diversos problemas que não precisariam existir em suas vidas. Primeiramente pela questão das DSTs, que muita gente transmite sem nem saber que tem. Depois pela questão psicológica, que vai desde fragilidade e depressão até transtornos compulsivos e obsessivos. E agora surge também a questão cibernética, não só com aplicativos, mas com exposição de intimidade e humilhação em redes sociais (como no tão falado e recente caso Fran).

Escrevi um livro fantástico infato-juvenil na tentativa de criar um exemplo para a geração que está vindo aí mudar esse quadro. Mas como acho que ele pode demorar um pouco ainda para ser publicado, quero deixar meu apelo aqui.

Como Storyteller crio histórias para marcas e produtos. Mas gosto de ir além disso. Gosto de criar histórias escritas fora do papel. Ou ajudar na criação delas. Gosto de criar histórias para serem vividas.

Infelizmente eu não posso pegar todos os usuários dos aplicativos que falei e criar uma história para inspirar cada um deles. Mas o que eu posso fazer é aconselhar os leitores desse blog a apoiarem e ajudarem histórias de amor como antigamente.

Não é uma coisa difícil. Pensando como storytellers, como criar histórias de amor?

 - Primeiramente, temos que encontrar os dois personagens principais dessa história e temos que conhecê-los. E, lembre-se, ninguém é perfeito. Exatamente por isso que ambos os seus personagens precisam ter falhas!


 - Depois, temos que pensar nos elementos da história. Como os personagens se conheceram, como se apaixonaram, como se relacionaram e etc. Isso é o que dirá e fará a história ser um romance ou apenas mais um caso mecânico qualquer. Se os elementos da história não forem especiais, críveis ou cativantes, apague tudo e comece do zero.


 - Por último, obviamente, vem o final da história. Ele pode ser feliz, triste, cômico, irônico, trágico ou simples. Mas independentemente de como a história acaba, o importante é que ela existiu.


Então, pense nesses passos acima. A partir deles você pode fazer inúmeras coisas. Pode escrever uma história de amor. Pode inspirar uma história de amor. Pode ajudar uma história de amor. Pode participar de uma história de amor. E, quem sabe, pode viver uma história de amor.


Experimente uma dessas oportunidades. Garanto que vai ser bem melhor do que correr para o celular e ficar cada vez mais robotizado com aplicativos de relacionamentos.