Para comemorar a décima quinta edição do curso mais tradicional sobre o tema no Brasil, a ESPM fará uma edição especial com workshop no sábado

Imagine que ao chegar no prédio, assim que o elevador se abriu, de dentro saíram zumbis esfomeados. Sabe o que você faria?

Pensar em termos de situações inusitadas como a citada acima é uma das técnicas mais clássicas dos grandes autores para criar histórias e milhões de fãs. Por que as empresas não fazem a mesma coisa? A resposta é simples: o mundo corporativo e mesmo o publicitário ainda não evoluiu sua forma de contar histórias.

A partir do dia 22 de junho, os professores que trouxeram o Storytelling ao Brasil vão explicar por que esse termo tem sido tão usado por empresas e publicitários, para o bem e para o mal. Os alunos vão entender onde acertaram e erraram as marcas que prometerem sucos bondosos e sorvetes italianos.

Ao longo da semana, o autor e professor Fernando Palacios fica encarregado de ensinar como as técnicas utilizadas por escritores, roteiristas, quadrinistas, dramaturgos e gamers podem ser aplicadas na hora de se contar uma história.

Enquanto isso, a empresária e professora Martha Terenzzo explica como essas técnicas podem ser apropriadas para melhorar a comunicação corporativa em diversas vertentes: branded content, product placement, mídias sociais que engajam, eventos temáticos, apresentações emotivas e inesquecíveis e até construção de marcas que ganhem vida e aplausos.

Este curso é por um lado direcionado para diretores de comunicação e marketing, gestores de marcas, profissionais responsáveis por recursos humanos e treinamentos, produtores culturais, publicitários, executivos, empresários, jornalistas e todos aqueles que queiram contar melhores histórias. Por outro, o curso também beneficia escritores, roteiristas, cineastas, bloggers, instagramers, youtubers e todos aqueles que já contam histórias e buscam formas de potencializar e até monetizar seus conteúdos.

No sábado o curso é encerrado com um workshop especial, em que os alunos serão monitorados pelos professores para experimentarem o processo autoral: partindo de um birefing para criar histórias fabulosas com potencial de narrativa transmídia.

As inscrições do curso estão abertas até o dia 21 de junho e devem ser realizadas no site do CIC ESPM (Centro de Inovação e Criatividade da ESPM) - http://www2.espm.br/cursos/espm-sao-paulo/inovacao-em-branded-content. O valor do investimento é de R$ 1.299 e pode ser parcelado em até 3 parcelas de R$ 433. Mais informações pelo telefone (11) 5085-4600.

E uma coisa é certa, se um dia você sobreviver de um ataque zumbi, pode ter certeza que vai ter uma ótima história para contar.

PROFESSORES

FERNANDO PALACIOS
Diretor da Storytellers Brand ’n’ Fiction. É um dos pioneiros do branded content no Brasil. Cofundador do primeiro escritório de storytelling do País. Inovou implementando o primeiro portal de conteúdos de marca e o primeiro curso universitário de Transmídia Storytelling na ESPM.
 É formado na USP, pela qual defendeu o primeiro estudo acadêmico sobre o tema Storytelling. 
Atualmente é professor e representa a ESPM em congressos para C-levels como IT Forum e IT Mídia. Já ministrou mais de uma centena de palestras em grandes empresas no Brasil e internacionalmente. Seu projeto pessoal narra a busca de um personagem pela próxima “Maravilha da Humanidade” e já conta com mais de 90 mil seguidores no Facebook e foi contemplado com o prêmio Widbook Top Writers 2013.

MARTHA TERENZZO
Profissional multifacetada, com experiência de mais de 25 anos na área de marketing e inovação. Desenvolve projetos de inovação e ministra aulas em MBA e pós-graduação da ESPM, Insper e Sebrae. É mentoring, colabora com diversos blogs e revistas e também é diretora da Inova 360º (empresa de inovação e negócios).
Coordenou marcas e projetos de grande porte em empresas como: Cargill, Sadia, Parmalat, Bombril, União, Reckitt & Benckiser, Melhoramentos de Papéis, Seara e Ajinomoto. Estabeleceu processos e metodologias específicas de marketing com visão na gestão de negócios e inovação.
Implementou áreas de inovação e marketing de alta performance nas empresas, arquitetura e gestão de marcas, gerenciamento de portfólio, lançando cases de sucesso como Pizza Sadia, Hot Pocket, Miss Daisy e Vono, entre outros.

SERVIÇO
Curso “Inovação em Branded Content”
Local: CIC ESPM/SP – Rua Dr. Álvaro Alvim, 123 – Vila Mariana, São Paulo
Data: de 22 a 27 de junho de 2015
Horário:  segunda a sexta das 19h30 às 22h30 e sábado das 9h às 13h
Mais informações pelo telefone (11) 5085-4600

Mais informações para a imprensa:
Story Press
Carolina Martins
11 98847-6363



Lembram que citei lá atrás em um post 5 aplicativos para ajudar na escrita? Pois bem, vamos nos aprofundar um pouco em um deles que considero essencial e se tornou meu companheiro de brainstorming e worldbuilding: o Evernote - leia o que ele faz aqui 

Obviamente cada um de vocês poderá ter uma experiência única com o aplicativo e com isso desenvolverão seus próprios métodos de trabalho, mas vou dar algumas dicas de uso que faço para minhas narrativas. 


Como o processo de desenvolvimento do "story" pode ser intenso e descentralizado o primeiro passo é ter o evernote em todos seus dispositivos (celular, desktop, tablet, aonde der...).  Assim sempre que algo surgir em sua mente, basta registrar de maneira rápida. Da pra fazer isso em registro de voz ou transcreve-la com a ferramenta, mas nem sempre fica bom e eu prefiro escrever mesmo em tópicos.


versão web do evernote 

Este é o ensaio para um romance,  separei em notas os motivos que gostaria que o plot abrangesse, a esquerda é possível ver que tenho outras notas para os eventos importantes.  Pelas datas fica visível que os eventos foram surgindo após definir o motivo e o plot. 


Crie pilhas de cadernos e junte suas referências

A pilha de caderno é como um fichário com várias divisões que aqui chamamos de cadernos.  Em cada um deles eu gosto de trabalhar algo diferente.  Segue abaixo uma estrutura rápida de como eu monto minha pilha:

Pilha "Nome do Livro":  - Motivos - Plot -Eventos - Personagens - Lugares & cenários - Plot Devices (Itens) - Escaleta 


Os personagens ficam muito bem organizados como cards digitais que dá paera acessar a cada momento, basta juntar tudo que puder ali: ilustrações, bio, histórico e o que achar essencial para que ele funcione de maneira profunda.  Como vocês poderão ver no Thomaz Magnus, personagem que desenvolvi para o jogo Selene The Fantasy 




Essa ilustração é original do game, quando você trabalha em conjunto com um designer ou ilustrador (como foi nesse caso) fica muito mais fácil imergir na personalidade que está criando, principalmente quando se tem tudo ali na sua mão de maneira bem acessível. 

Acontece também de você não ter talento algum para ilustração, da mesma forma como este que voz escreve.  Mas isso não nos impede de buscar referências em sites de ilustração que possam servir de base para o projeto.  Isso agiliza tudo na hora de descrever para outra pessoa o mundo que está criando ou quais são as características físicas dos personagens. Geralmente quando for contratar ou fazer parceria com um desenhista ele vai requerer essas fontes, é aí que o evernote se mostra efetivo mais uma vez. 


Desenvolvimento do storyworld para conto de scifi "A cor dos seus olhos" 



Nem tudo você vai fazer na frente do PC, lógico! Mesmo assim ainda dá para aproveitar o aplicativo tirando fotos das anotações e salvando nos cadernos específicos, como o da escaleta.  Na versão plus ou premium do app você ainda pode compartilhar os cadernos e trabalhar colaborativamente.  E, para não ser perder, o programa ainda cria um sumário com links para as notas do bloco que você criou.  





Desde que comecei a trabalhar com o Evernote para meus textos ficou mais fácil retomar o trabalho de escrita quando passo um tempo fora daquele universo.  Com as coisas sempre a mão a história vai se construindo no tempo que ela precisa para se tornar coesa e tudo vai se esclarecendo na minha mente até que eu passo para as páginas. 

Espero que essas dicas tenham ajudado vocês! O que acham, me indicam um outro uso ou um outro app para organizar sua narrativa? Deixa aqui nos comentários.  





Escrevi recentemente, aqui no blog, sobre como uma história nasce. Independente do meio ela acaba respondendo umas perguntas básicas que vão dar sentido para tudo e muitas vezes esse sentido se encerra em uma só história - ou, pelo menos temos a sensação de que sim. 

Então, como continuar a história? 


Acredito que a pergunta que você deve responder antes seja "você deve continuar a sua história?".  Por vezes os personagens encontraram um sentido e a narrativa alcançou tão bem a missão de transmitir uma sensação ao leitor que ela deveria ficar intacta.  Você sabe o que pode acontecer, muitos filmes tiveram um bom começo, mas quando assistimos a sequência percebemos que a história se esvaziou, se arrastando indevidamente. 

Existe algo de mais relevante ou algum outro ponto que eu gostaria de tocar em uma conversa com meus leitores? Se sim... bola para frente!


Não se preocupe se a sequência não nascer junto com o primeiro texto. Na verdade até acho isso mais digno. Sua história deve dizer se ela precisará de uma cronologia ou não. Existe uma discussão muito grande em torno de autores (novos e antigos) e suas trilogias - no meu ponto de vista, se você planeja uma sequência sem nem saber do enredo da primeira história, você está fazendo isso errado. 




Aquele meu conto de Scifi virou uma quadrilogia, foi quando terminei que percebi que ainda haviam assuntos a serem discutidos.  Eu quero mostrar como o mundo se transformou após a invasão alien e também quero mostrar mais sobre como os humanos poderiam lidar com uma tentativa de dominação total da espécie.  Primeiramente eu divaguei sobre o momento em que percebemos que a humanidade está vendendo a própria alma, abrindo suas portas para uma promessa de cura total.  Então percebi que existe uma centelha, que pode despertar estes homens, algo que Descartes trouxe no seu discurso "cogito ergo sum"... dessa nova visão para a mesma história surgiu a continuação que chamei de Refúgio da Alma. 


Sem dúvida esse é um processo muito íntimo e longe de mim ditar uma regra, por isso mesmo a dica que posso compartilhar é que você deve levar essa história para dentro de você, exatamente por essa natureza do processo.  Mastigue um pouco e pense, repense... levará um tempo para você descobrir o que ela quer dizer. 


Tecnicamente você precisará de ganchos para esticar a narrativa e os melhores ganchos surgem da profundidade dos personagens que você criou. Se quer surpreender o leitor dê profundidade a um personagem secundário, mas recorte de um modo a não deixar tão claro de cara. Quando estiver escrevendo sua sequência será como jogar cartas na mesa e pensar "esse personagem teve um conflito intenso que pode vir a tona durante esta nova história" 




O personagem principal da minha saga é um psiquiatra, não atoa. Eu queria alguém que conectasse com outros personagens em um nível de profundidade muito grande, então ele poderia ajudar na narrativa de forma a explicar os processos inconscientes que estavam acontecendo.  Na segunda história ele encontra uma ex-paciente da qual manteve uma relação quase de paternidade. Então o leitor pode perceber que mesmo sendo Able Waltz o psiquiatra, no final era ele quem estava no divã do texto, exatamente porque ele tem um passado que levei um tempo planejando. 

Lembro-me de uma crítica do Mckee às novelas brasileiras e ele diz que a narrativa se esvazia pois os personagens tinham poucas dimensões.  Mas como eu escrevi no começo desse post, nem sempre sua história nasce como cronologia. Será que vale a pena desenvolver todos personagens dessa forma? Vale. Isso também confere veracidade ao seu texto, independente do tamanho dele. 


Book Fairy by CandyFlavoredTears


O paradoxo da segunda história

Você acabou de criar uma narrativa poderosa. O eco ainda reverbera na sua mente, aquela sensação de ter tocado em algo verdadeiro. E agora?

Existe um momento perigoso após o sucesso de uma história - aquele silêncio expectante onde a audiência pede mais. É sedutor, quase irresistível. Mas como aprendi com minha quadrilogia de ficção científica, nem sempre "mais" significa "melhor".

Lembro-me de quando terminei a primeira parte da saga. Havia algo completo ali, redondo como uma pérola. Mas então percebi - havia camadas não exploradas, personagens secundários com histórias não contadas. Foi quando entendi que uma sequência não deve nascer da pressão externa, mas de uma necessidade narrativa genuína.


Quando o silêncio é mais eloquente

Penso em Matrix voando pelos céus, Neo transformado. Aquele voo carregava todas as respostas necessárias. As sequências tentaram explicar o inexplicável, filosofar sobre o que já estava poeticamente completo. Às vezes, o mistério é mais poderoso que a revelação.

Existe uma sabedoria em saber quando parar. Como psiquiatra que virou personagem em minha própria narrativa, aprendi que nem todo paciente precisa de mais uma sessão. Nem toda história precisa de mais um capítulo.


O teste do espelho narrativo

Desenvolvi um exercício simples mas revelador: coloque sua história diante do espelho. Se a continuação for apenas o reflexo da primeira - mesma estrutura, mesmos conflitos, apenas com roupas diferentes - você tem uma repetição, não uma evolução.

A verdadeira sequência não continua; ela aprofunda.

Quando decidi escrever Refúgio da Alma, não foi porque queria estender a invasão alienígena. Foi porque descobri que a verdadeira invasão acontecia dentro de nós. O Descartes tinha razão com seu "cogito ergo sum", mas eu queria explorar o que acontece quando o "penso" é invadido, quando o "logo" é questionado.


A anatomia de uma continuação orgânica

Observo as grandes narrativas que souberam evoluir. O Poderoso Chefão II não é sobre mais máfia - é sobre o preço da máfia. A Apple não vendeu mais computadores - redefiniu o que significa computar. A evolução narrativa genuína muda a pergunta, não apenas a resposta.

Há anos analiso cases corporativos e percebo o padrão: Coca-Cola tentou melhorar a fórmula perfeita. Netflix transformou um teste secundário em revolução. A diferença? Um forçou continuidade onde havia completude. O outro encontrou nova história dentro da antiga.


O personagem secundário como semente

Aqui mora um segredo que descobri criando Able Waltz: todo personagem secundário bem construído carrega uma história completa não contada. Na primeira narrativa, ele era o psiquiatra que analisava. Na sequência, descobrimos que era ele no divã o tempo todo.

McKee criticava nossas novelas pela falta de dimensão dos personagens. Tinha razão. Mas não é sobre criar complexidade artificial - é sobre plantar sementes narrativas que podem ou não germinar. Algumas ficam dormentes para sempre. E tudo bem.


O processo íntimo da descoberta

Leva tempo para saber se existe uma segunda história. Não é decisão que se toma no calor do sucesso ou na pressão do mercado. É processo de digestão narrativa.

Primeiro, deixe a história descansar. Como um bom vinho, ela precisa respirar. Depois, questione: o que ficou não dito que precisa ser dito? Ou o não-dito é exatamente onde mora a poesia?

Quando escrevi sobre a invasão alienígena, pensei ter contado tudo. Semanas depois, uma pergunta me assombrou: e se a verdadeira resistência humana não fosse física, mas existencial? Nasceu ali a semente da continuação.


A vulnerabilidade da segunda chance

Há algo profundamente vulnerável em continuar uma história. É admitir que a primeira, por mais completa que parecesse, tinha lacunas. Ou pior - é arriscar diluir o que estava concentrado, explicar o que deveria permanecer misterioso.

Mas quando funciona... ah, quando funciona é revelação.

É descobrir que sua história não era sobre invasão, mas sobre rendição. Que seu personagem psiquiatra não estava curando, estava se escondendo. Que sua marca não vendia rapidez, vendia tempo - dois opostos que coexistem.


A sabedoria final

Grandes histórias merecem finais dignos. Às vezes, o final mais digno é não ter continuação. Outras vezes, descobrimos que o que chamávamos de história completa era apenas o primeiro ato de algo maior.

Antes de escrever aquela segunda linha, aquele segundo capítulo, aquela segunda campanha, respire. Mastigue a narrativa original como eu fiz com minha saga. Pergunte-se:

Estou revelando ou apenas repetindo? Estou aprofundando ou apenas alongando? O silêncio seria mais eloquente?

Se sobreviver a essas perguntas - se houver algo genuíno e necessário a ser dito - então você não tem apenas uma sequência.

Você tem uma nova história que honra a antiga enquanto revela dimensões que sempre estiveram lá, esperando o momento certo para emergir.

Como Descartes no divã de Able Waltz, às vezes precisamos pensar sobre nosso próprio pensar. E descobrir que a melhor continuação pode ser o ponto final.

Descubra se sua narrativa corporativa precisa de um novo capítulo

A Storytellers ajuda marcas e líderes a identificar quando evoluir narrativas e quando preservar legados.



As fronteiras entre a ficção e a realidade estão borradas.  É o que afirma o dinamarquês Jesper Juul em seu livro Half-Real e de tempos em tempos uma grande empresa lança mão da ponte que existe entre nosso mundo e a fantasia para se tornar mais relevante aos seus consumidores.

Vocês poderão se lembrar de casos como a cerveja Duff, as barras de chocolate Wonka e vários outros produtos que surgiram de histórias. 


A Microsoft entendo bastante disso: "A empresa confirmou oficialmente nesta terça-feira (26) que irá levar a assistente pessoal Cortana para o iOS e Android." Ano passado a empresa havia lançado uma video satirizando Siri, a assistente pessoal nativa do Iphone. Com a expansão para outras plataformas a empresa pretende integrar outros sistemas operacionais móveis com o novo software da empresa.




Para quem não conhece, Cortana é uma inteligência artificial que ocupa a interface neural de Master Chief, na franquia Halo. O primeiro game da série foi lançado em 2001 e desde então passaram a quebrar vários recordes de vendas. Halo 3 vendeu mais de US$ 170 milhões nas primeiras 24 horas de lançamento.  Ainda conta com HQs, um filme (que particularmente acho mal aproveitado) e spin-off games. 

Quando foi lançada, originalmente para Windows Phone (2014), Cortana chegou com a mesma voz que a dos games.  Recentemente terminei Halo 4 e confesso que ao me deparar com o nome Cortana nos TT's eu fiquei intrigado. Será que vão tentar aproximar mais a experiência com a personagem da série Halo? 


É possível... a Microsoft já desenvolveu um personagem para o Internet Explorer, o que gerou uma animação bastante celebrada pelos fãs de anime.  Que bacana seria ver uma campanha utilizando Cortana em nosso mundo, mostrando como ela pode nos ajudar assim como ajudou Chief! 



Trecho de matéria publica na edição 178 da revista ProNews escrita por Ivelise Buarque.

“Anualmente o Brasil produz cerca de 100 longametragens, dos quais apenas uma média de 10 conseguem se pagar através da bilheteria. Por isso a presença das marcas é tão importante. Mas, existe uma diferença entre a marca querer aparecer na obra final (e pagar por isso, como no caso da novela) ou apenas ficar nos bastidores (e receber uma parcela do faturamento). O filme Tropa de Elite, por exemplo, gerou um retorno sobre investimento fantástico”, lembra Fernando Palacios, diretor da Storytellers Brand'n'Fiction.

Esses retornos acabam sendo os estímulos para que as empresas se envolvam neste cenário, mas naturalmente de que forma podem se envolver e quais as marcas e segmentos estimulam mais nesta nova produção audiovisual brasileira depende de diversos fatores, segundo o especialista. “Essa questão depende muito da finalidade do produto audiovisual. Quatro vertentes de destaque são a teledramaturgia, o cinema nacional, a TV fechada e a Internet.

A novela é um mercado de poucos players, mas extremamente rentável. As marcas costumam entrar como anunciantes nos intervalos comerciais ou dentro da trama através do product placement, que no Brasil costuma ser erroneamente chamado de 'merchandising'. Uma novela pode chegar a nove meses de duração e o valor investido pelas empresas nesse período podeultrapassarR$3bilhões”, ressalta Palacios.

Observamos, contudo, que esta indústria não só está crescendo de forma acelerada em virtude de um cenário de valorização ou de protecionismo, como devido à existência de demanda e oportunidades crescentes para profissionais e marcas se integrarem numa nova produção de campo, a do setor Multimídia.