O IT Forum já começou para muitos CIOs, eles chegaram nesta manhã à Praia do Forte e foram recepcionados pelos personagens construídos para a narrativa transmidia do evento.

Após fazer check-in no hotel, receber os kits com a agenda do evento e de acompanhantes, todos os CIOs receberam um item muito especial: o primeiro Card que compõe o deck oficial da gamificação do IT Forum 2017.  Ao longo dos 4 dias de eventos, eles terão a oportunidade de completar um deck especial, um conjunto de cards de Storytelling e de objetivos específicos nas reuniões ou visitas de negócios. 

Além deste Card, o conjunto oficial do IT Forum apresenta todos os patrocinadores do evento como um elemento importante do gameplay e do storytelling. Acompanhe essa jornada em nossa Fanpage

Leia mais sobre a Gamificação com Transmidia Storytelling o IT Forum 2017



O time da Storytellers já está na Bahia tecendo os últimos preparativos para a nova edição do IT Forum, que é o maior evento de TI da América Latina.  Ano passado iniciamos uma jornada épica, uma narrativa fantástica distribuída pelos eventos IT Forum e IT Forum + respectivamente em Abril e Agosto sob a forma de um Alternate Reality Game - relembre clicando aqui

Em 2017 a saga continua: Os personagens se modificaram respondendo a competição de ligas que os CIOs promoveram e a mecânica da gamificação recebeu uma atualização, transformando-se em um Trading Card Game (jogo de colecionar cartas), que  absorveu de forma excepcional as narrativas de patrocinadores e os objetivos do evento, ganhando elegância no game design.  Foram mais de 25 mil cards impressos dispostos em qualidade diferentes que vão dos comuns aos raros e lendários que serão conquistados no percurso de 4 dias de reuniões de negócios com as maiores empresas do setor. 

Acompanhe a semana desse projeto pela Fanpage da Storytellers 


Uma semana atrás me chamaram para ver o filme da Bela e a Fera versão 2017 da Disney. Confesso que não estava muito animada, afinal, já tinha visto o trailer e as novas cenas pareciam uma cópia idêntica da versão animada de 1991.

“Onde foi parar a criatividade que a Disney mostrou em repaginar a história da Bela Adormecida com o filme Malévola?” Pensei, ao ver o trailer.

Mesmo com as expectativas baixas, concordei em assistir o filme - pelo menos os detalhes e a riqueza da produção me manteriam entretida. Mas o que aconteceu naquela sala de cinema foi inesperado.
Aos poucos durante a sessão, o filme foi me surpreendendo, até me levar às lágrimas no final. As adaptações e upgrades sutis da nova versão fizeram uma grande diferença na emoção sentida pelos expectadores. Vamos analisar agora quais foram esses ajustes de roteiro e os recursos técnicos usados de forma inteligente nesse filme.

ATENÇÃO! O que vem a seguir contém SPOILERS!

* Coerência e risco aumentado. A primeira incoerência que notei no desenho original da Bela e a Fera, era que nenhum morador da vila parecia saber que há pouco tempo no passado havia um rei e um castelo nas redondezas. Aprendemos em Storytelling que a relevância de um personagem se dá a partir das reações dos outros personagens ligados a ele. Se um Rei ou o sumiço dele não é notado, ele perde a relevância.
Na nova versão ficou explicado que os moradores da vila não se lembravam do castelo devido ao encantamento da feiticeira. Esse fato aumenta a tensão final quando os aldeões invadem e tentam destruir o castelo. Descobrimos aí que o marido de Mrs. Potts é um dos aldeões e que se os membros do castelo não voltarem a ser humanos, ele a terá esquecido para sempre.

* Timebomb otimizado. Uma das ferramentas muito utilizada nas narrativas é o TIMEBOMB. Serve para criar um senso de urgência nos personagens. Estipula um prazo para que algo aconteça e o personagem tem que correr contra o tempo para que essa bomba não exploda. A Disney usa muito isso. Na Pequena Sereia, Ariel tem 3 dias para conquistar o príncipe, caso contrário, ela vira propriedade da bruxa do mar. A Bela Adormecida espetará o dedo na roca aos 16 anos. Cinderela tem até meia noite para ficar no baile. Moana tem um prazo limitado para salvar sua ilha antes que ela seja destruída. No caso da Bela e a Fera, a rosa representa o timebomb. A Fera tem até o cair da última pétala da rosa dada pela feiticeira para fazer com que Bela se apaixone por ele e quebre o feitiço. Caso contrário, ele virará Fera para sempre.
Na versão atual, esse timebomb foi otimizado. A cada cair de pétala, os membros castelo ficam cada vez mais “objetificados” e menos humanos. Eles sentem as mudanças e sofrem com elas cada vez que seu fim se aproxima. Isso aumenta a responsabilidade da Fera (príncipe) sobre seus atos. Caso ele não consiga amar e ser amado, não só ele permanece com essa aparência para sempre, mas também seus criados – as únicas pessoas que se importam com ele – viram mobília e perdem sua essência humana. Em outras palavras, morrem. 



* Sacrifício que transparece índole. Com o timebomb otimizado, o sacrifício da Fera também ganha mais valor e automaticamente percebemos que ele aprendeu a lição e merece um final feliz.
Mesmo com a grande risco nas mãos de virar uma Fera para sempre e viver solitário no castelo, com a responsabilidade de ter transformado seus amigos em objetos, vemos que ele finalmente aprendeu a amar, pois coloca as necessidades de Bela acima das suas quando a deixa partir para salvar seu pai.

* Profundidade do personagem gera empatia. Durante a animação, o príncipe é mostrado apenas como um ser arrogante que se recusa a dar abrigo a uma velha, o que nos faz perguntar se ele merece mesmo voltar a ser humano. Na nova versão, o príncipe ganha mais profundidade. É explicado que ele era um menino doce e gentil que, ao perder a mãe, teve que ser criado por seu monstruoso pai que acabou com sua inocência.  Essa adição, além de dar mais dimensão ao personagem, também faz com que criemos mais empatia e torçamos para que ele se livre do feitiço.
Bela também ganhou mais profundidade. Além de auxiliar seu pai em suas invenções, na nova versão, ela também se mostra como uma inventora – quando cria uma versão rústica da máquina de lavar roupas. Além disso, Bela também é apaixonada por leitura e no começo do filme, tenta ensinar uma menina a ler, o que gera revolta da população da vila, que boicota suas iniciativas. Bela também ganha mais força e mais qualidade de heroína quando se defende dos objetos falantes e quando planeja sua fuga do castelo.





* A resposta para um questionamento otimiza a moral. Se você algum dia se perguntou “Mas se o príncipe foi arrogante, por que todos no castelo tinham que virar objetos falantes?”. Sua pergunta finalmente ganhou uma resposta coerente a alinhada com a moral da história. Em determinado momento do filme, Mrs. Potts conta para Bela o motivo do encantamento ter prejudicado a todos. Ela diz que quando a mãe do príncipe morreu e ele foi influenciado pelo pai, os criados não fizeram nada para reverter a situação. Foram então coniventes com aquele tipo de educação. Isso otimiza a moral, já que mostra que o problema não é apenas fazer o mal a alguém, mas também não agir quando alguém o faz. Ensina que temos o poder da mudança e somos responsáveis direta ou indiretamente pelas coisas que nos acontecem.

* Interesse com fundamentação psicológica. Se você assistiu a animação de 1991 já adulto, provavelmente deve ter pensado que a paixão da Bela pela Fera não aconteceria no mundo real. Apesar da Fera ter salvado Bela dos lobos e os dois terem tido momentos juntos, aquilo ainda não era suficiente para gerar um convencimento nos olhares mais céticos. A nova versão vem com uma relação um pouco mais aprimorada. Logo no começo vemos que a grande paixão de Bela é a leitura e como ela se sente diferente, praticamente uma alienígena, vivendo numa vila de pessoas atrasadas que não aceitam mudanças e  mal sabem ler. Quando o príncipe (Fera) mostra que sabe trechos de Shakespeare e possui livros em sua biblioteca até em Grego, Bela percebe que existe um lugar ao qual ela pode pertencer, e que a Fera está no mesmo nível intelectual que ela. Ela encontra aquilo que estava procurando desde o começo: uma vida maior do que a vida de uma vila no interior.
No desenho, Bela ensina a Fera a ler. Isso coloca o ex-príncipe em uma situação inferior. Na versão atual, o ex-príncipe não só é letrado como também culto e possui um olhar crítico sobre as obras de literatura, o que o torna muito mais interessante. Psicologicamente faz mais sentido, pois Bela além de admirá-lo, percebe que ele tem algo que ela almeja.
Outro fator que liga os dois é o fato de ambos terem perdido a mãe quando pequenos. Com o livro mágico da Fera, Bela consegue viajar até sua antiga casa em Paris e descobrir o que realmente aconteceu com sua mãe.
Sendo assim, os dois compartilham mais sofrimentos e afinidades do que na versão anterior.



Percebemos então como um roteiro bem pensado e técnicas bem aplicadas podem mudar as percepções sobre uma história e mexer com a emoção do público.

Se você notou mais alguma coisa sobre esse ou outros filmes adaptados, comente aqui em baixo. 




Vinte e cinco anos atrás a Índia começou a realizar um congresso de profissionais de Recursos Humanos e desde então o evento cresceu a ponto de hoje ser o maior encontro do setor no mundo.

Hoje o congresso reúne mais de mil e quatrocentos líderes de Recursos Humanos advindos de cento e trinta e três países.

Para a ocasião especial dr comemoração dos 25 anos do evento, os organizadoras decidiram lançar o World Story Telling Congress.Este foi o primeiro ano que introduzimos esse elemento, em resposta à demanda por parte dos líderes de RH, que sentiram que precisavam desenvolver mais a fundo as habilidades de Storyteller” explicou Michael Mcdonald, presidente do congresso.

O congresso contará com a fala de um brasileiro. Fernando Palacios é o fundador da Storytellers Entretenimento Estratégico, primeiro escritório latinoamericano dedicado ao tema do Storytelling, e vai apresentar aos líderes de todo o mundo a visão brasileira sobre o assunto. “Temos um contato muito próximo com todos os grandes nomes do tema no mundo todo e sabemos que nossos cases têm sido estudado em diversos países, em especial pela inovação” explicou.

A sessão do brasileiro acontecerá no dia 16 de fevereiro às 17h no horário da Índia. “Vou mostrar um pouco de como os líderes brasileiros já se beneficiaram com as técnicas de Storytelling e de como a cultura brasileira ajuda na compreensão e difusão do tema. Nossas novelas já deram mais audiência do que a final em que o Brasil se consagrou campeão mundial pela terceira vez. Já houve países que interromperam uma guerra civil para assistir aos últimos capítulos de Escrava Isaura em paz. já que somos o país do futebol, mas a nação do folhetim.” finalizou o empresário, professor e autor do Guia Completo do Storytelling.



Você deve ter lido ou assistido algumas vezes caras como Myamoto ou Kojima falando sobre o seu desinteresse catedrático com o Storytelling de suas produções.  Kojima já chegou a afirmar que não está interessado em contar uma história.

Isso pode parecer um paradoxo, afinal ele é considerado um dos maiores storytellers de games do mundo, apesar de uma análise mais minuciosa em seus jogos revelar que ele não tenta controlar em nenhum momento a progressão e o drama das narrativas. 


E no final das contas, contar uma história é sobre isso: controlar o drama e a emoção que a audiência vai absorver. As técnicas de roteiro são, exatamente, para isso e é onde o Storytelling se torna relevante dentro da indústria de jogos AAA.

O livro Beyond Game Design, Nine Steps toward creating better videogames trás uma citação interessante: "Game designers não podem projetar emoções. Eles criam regras para desencadear situações que impulsioam elas."

E sem uma fundamentação lúdica que conectasse com o imaginário, os jogos complexos seria abstratos demais. Ironicamente (ou não) a função do mito dentro de um jogo acaba sendo a mesma em nossas vidas, dar sentido para passar por coisas mais trabalhosas, penosas e aumentar a satisfação da recompensa.

Já storytellers de meios tradicionais podem sugerir emoções bem definidas, fazendo a audiência amar, odiar ou sentir pena de personagens em cenas específicas - como nosso amado/odiado G. R. Martin
Mas existe um outro forte motivo para a indústria AAA investir em grandes narrativas para seus jogos, um motivo mais comercial que vamos discutir no próximo artigo ;)