Se é que não houve um grande vencedor da premiação do Oscar deste ano, o que mais levou estatuetas para estampar as capas de DVD em breve na locadora mais próxima, foi “Aventuras de Pi”, do taiwanês Ang Lee.
Com o título original “Life of Pi”, o filme conta a história de um garoto indiano que teve seu barco naufragado em plena Fossa das Marianas – área das águas mais turbulentas dos sete mares – e viveu grandes emoções cruzando os oceanos à bordo de um bote e ao lado de um tigre. Digno de tirinhas de Calvin e Haroldo, o extraordinário impera e não poderia ser diferente nesse épico solitário pelos mares.


(ilustração de Victo Ngai para a revista "New Yorker")
Pra quem assistiu o filme e até agora só relembrou o que viu, deve lembrar também da grande questão que o espirituoso Pi (que é ao mesmo tempo cristão, muçulmano e hindu, isto é, as 3 maiores religiões do mundo) nos deixou na cabeça ao fim do filme: Qual história você preferiu, a do garoto, do tigre, do orangotango e da hiena ou a do garoto, da sua mãe, do budista e do cozinheiro?
A não ser que você preencha o clássico estereótipo do “crítico chato de cinema”, ou que seja um dos representantes da companhia do cargueiro japonês naufragado “Tsimtsum”, você deve ter preferido a primeira. Porque histórias são sobre fatos extraordinários, e contadas nas telonas resultam em prêmios como de melhor diretor para Ang Lee, ou de melhor fotografia para Claudio Miranda.
Ainda que uma história cheia de espiritualidade (com direito a primorosos capítulos sobre o assunto no livro de Yann Martel – que deu origem ao filme), nota-se que em nenhum momento discutiu-se sobre qual é a história verdadeira. Para tal, e para encerrar o texto, faço minhas as palavras do sábio Mario Vargas Llosa:
“A ‘irrealidade’ da literatura fantástica se transforma, para o leitor, em símbolo ou alegoria, quer dizer, na representação de realidades, de experiências que se pode identificar na vida.”




Começando pelo conceito: o que é Storytelling?

Se eu tivesse que escolher apenas uma informação de todo o curso, seria essa aqui: Story é uma coisa, Telling é outra.

Para entender melhor, vamos à tradução de StoryTelling. Story significa história. É a parte abstrata do conteúdo. Cada pessoa carrega em si uma versão diferente da história. Isto porque as histórias só existem dentro de nossas mentes, e são feitas de memórias e de imaginação. Story é a morada da criatividade. Assim como o fogo da fogueira, ninguém pode manipular, já que sequer consegue tocar.

Já o termo Telling se refere ao ato de narrar e, mais especificamente, às narrativas. A diferença é que essa é a parte tangível do conteúdo. São os livros, as películas, os DVDs, os cartuchos... Telling é a morada da expressão. Assim como a madeira da fogueira, a função da narrativa é permitir que o fogo apareça.

Assim temos que a definição de storytelling é, literalmente, narrar histórias.

"Na prática, storytelling é a forma mais primitiva e, ainda hoje, a mais sofisticada de transmitir uma mensagem."

Castores sabem represar um rio e transformar o ambiente a seu favor. Alguns macacos sabem fazer ferramentas de pesca. Os humanos são a única espécie que conta histórias. Storytelling é o que nos diferencia dos outros animais.

Começamos a contar histórias nas cavernas, ao redor de fogueiras, e foi justamente por isso que chegamos até onde estamos hoje: no topo da cadeia alimentar.



Por que Storytelling é um conceito novo?

Ora, porque apesar de nós, seres-humanos, contarmos histórias há milhares de anos, nossas empresas estão aprendendo essa arte há pouco tempo. O Google Trends não me deixa mentir:



No Brasil, o interesse tem sido crescente. De novo o Google Trends:



Apesar do tema ser recente dentro das grandes corporações, entre as 3 grandes tendências de marketing para 2013, adivinha quem aparece? Pois é, a nossa amiga Narração de Histórias.



Quando esse tipo de coisa acontece, aparece um monte de gente para falar do assunto. E aí vão dizer que storytelling é uma técnica de comunicação ou, pior, uma ferramenta de marketing. Só digo uma coisa:



"Usar Storytelling como ferramenta, é igual a
usar uma Ferrari para transportar tijolos." 



O pensamento do Storytelling vai muito além de uma simples aplicação pontual. Claro que você pode contar uma anedota para abrir uma apresentação, OK, mas convenhamos que isso não seria o suficiente para fazer do Storytelling a grande tendência do momento, não é mesmo?


Por que o mundo corporativo está tão interessado em Storytelling?

A primeira coisa é que uma história boa e bem contada nos faz descruzar os braços, sentar na ponta da poltrona e impedir que os olhos pisquem. A gente quer absorver cada detalhe da narrativa. No mundo corporativo, isso é chamado de:

"Otimização do share de olhos e ouvidos"

Isso significa que quando a gente mergulha numa história, a gente mergulha de cabeça. A gente larga tudo e segura o livro com as duas mãos e até desliga o celular no cinema. Quem mais tem esse poder de cativar nossa atenção? 

Mais do que uma audiência de leitores, ouvintes ou gamers, quando nos conectamos a uma história, estamos atentos. 

Estar atento se traduz em motivação. Ter atentos garante engajamento. Trocando em miúdos, contar histórias serve tanto para o público interno, como externo.

No ano em que escrevi a primeira monografia brasileira sobre Storytelling, li um artigo da Harvard Business Review que falava que todas as áreas de uma empresa podem se beneficiar com Storytelling: um vendedor pode contar uma história em que o produto é o herói, um gerente de produtos pode incentivar a equipe com uma história que mostre que sacrifícios pontuais geram o sucesso no longo termo, um CEO pode usar uma história emotiva sobre a missão da empresa para atrair investidores e parceiros e inspirar os colaboradores.

Mas e do lado de fora das corporações? Por exemplo, como que uma agência de publicidade pode se beneficiar com Storytelling?

Se Storytelling fosse estudado no campo das ciências exatas, seria representado assim: S > T. A história é sempre maior do que a narrativa. Nesse índice, quanto maior for o S em proporção ao T, melhor será o T. Mas como não é estudado em exatas, vou explicar assim:

"O segredo está nos detalhes, meu caro Watson"

Antes de perguntar se anúncio X é Storytelling, procure ver se existe uma história maior por trás. Qualquer filme você vai conhecer tudo sobre o protagonista: onde ele mora, o que ele quer da vida, de quem ele gosta, quem não gosta dele... Agora tente achar um anúncio sequer em que o protagonista tenha nome. Pois é.

Antes que alguém diga que anúncios são curtos e que por isso são rasos, esse é só mais um argumento a favor do Storytelling: a história pode começar no anúncio e continuar em outras plataformas. É como se o anúncio fosse o trailer para um filme bacana na internet, e o filme bacana na internet vendesse o a marca de uma forma mais bacana ainda. Mas isso é só um exemplo, tem várias formas de valorizar a propaganda e outras formas de comunicação através de Storytelling.

Falando nisso, o que o jornalismo pode aprender com Storytelling?

Na verdade, o jornalismo pode "reaprender" com o Storytelling. Afinal, as equipes dos primeiros jornais eram compostos por equipes de escritores e poetas. Na década de 60 nos Estados Unidos, o jornalismo se confundiu com a literatura no estilo chamado de New Journalism. Era uma luta contra o objetivismo das reportagens diretas e ditas "imparciais".

Se na era do jornalismo impresso a reportagem objetiva levou vantagem pela economia de espaço na página, na era da internet ele perde espaço para outras linguagens mais interessantes. Assim que nos dias de hoje:
"Enquanto você tiver atenção do seu leitor, 
você tem todo o tempo do Mundo."

O jornalista aprende a começar uma matéria com o lead que responda as perguntas "o quê?", "quem?", "quando?", "onde?" e "por quê?". Já o Storytelling ensina que é mais interessante segurar as respostas. Tudo tem a hora certa na arte da narrativa. Pressa é uma palavra que não existe no vocabulário do Storyteller.


Como será o Storytelling no futuro?

Todas atividades humanas serão revestidas por Storytelling. Desde os projetos corporativos, até as escolas, tudo deve se tornar plataforma para narrativa. Não vai ter sequer um powerpoint que não conte uma história.

Se realmente vai ser assim, eu não posso afirmar. Diferente de muitos personagens de histórias clássicas, eu não tenho uma bola de cristal. Mas não seria interessante?

10 anos depois (spoiler: eu estava errado sobre quase tudo)

"Todas atividades humanas serão revestidas por storytelling."

Escrevi isso em 2013. Achei que estava sendo visionário.

Estava sendo conservador.

Não só todas as atividades foram revestidas por storytelling. Elas foram transformadas, hackeadas e reimaginadas por narrativas.

E o mais surpreendente?

Nem sempre para melhor.


A profecia que se cumpriu (com plot twist)

O que eu acertei:

"Não vai ter sequer um PowerPoint que não conte uma história"

Verdade. Hoje é impossível apresentar 10 slides sem uma narrativa.

Mas aqui está o plot twist:

PowerPoint virou o vilão da história.

Canva, Pitch, Notion... a nova geração não quer slides. Quer experiências narrativas.

Vi CEOs apresentando estratégias em Minecraft.
Startups fazendo pitch através de podcasts.
Relatórios trimestrais virando mini-documentários.

A narrativa não revestiu as apresentações. Ela as explodiu e reconstruiu.


O que eu errei (feio):

Achei que storytelling continuaria sendo "a forma mais sofisticada de transmitir mensagem".

Errado.

Storytelling virou a única forma aceita de transmitir mensagem.

E isso criou um problema que ninguém previu:


O paradoxo da saturação narrativa

2013: "Precisamos de mais histórias!"

2024: "Chega de historinhas, me dê os dados!"

Vivemos a fadiga do storytelling. Desse aí, com s minísculo. Cansamos do “storytellinho”.

Quando tudo é historinha, mas nada é enredo de verdade.

Exemplos do colapso:

  • LinkedIn: Cada post começa com "Deixa eu contar uma história..."

  • Reuniões: 15 minutos de metáfora para 2 minutos de conteúdo

  • E-mails: "Era uma vez um KPI que..."

O resultado?

Executivos implorando por bulletpoints.
Investidores pedindo "pule para os números".
Audiências desenvolvendo anticorpos contra narrativas forçadas.

Transformaram Storytelling em storytellinho. Até eu peguei bode.


O que realmente mudou em 10 anos

1. Story vs. Telling: a inversão fatal

Em 2013, expliquei que Story (história) e Telling (narrativa) eram diferentes.

Story = fogo intangível
Telling = madeira que permite o fogo

Hoje?

As empresas dominaram o Telling.
Mas perderam o Story.

Temos madeira perfeita, técnicas impecáveis, consultores especializados...

Mas cadê o fogo?


2. IA: o elefante na sala que ninguém previu

ChatGPT escreve histórias em segundos.
MidJourney cria narrativas visuais instantâneas.
Synthesia gera vídeos com storytelling automatizado.

A pergunta de 1 trilhão de dólares:

Se IA pode contar histórias, o que resta para nós?

A resposta de 10 trilhões:

Viver histórias que valem a pena ser contadas.


As mutações do storytelling corporativo

Micro-storytelling

A atenção média caiu de 12 para a necessidade de ser caputrada em 0,3 segundo.

Nova realidade:

  • Stories de 15 segundos > Apresentações de 15 minutos

  • Um tweet bem contado > White paper de 30 páginas

  • Meme certeiro > Campanha milionária

No entanto, se essa narrativa estiver solta e não fizer parte de um enredo maior, é como uma ponte que leva nada a lugar nenhum. Por trás de cada micro-storytelling deve haver um enredo tão épico quanto estratégico.

Data storytelling

O pêndulo balançou.

2013: "Números são chatos, conte histórias!"
2024: "Histórias são vazias, mostre os dados!"

A síntese:

Narrativas baseadas em evidências.
Dashboards que contam jornadas.
KPIs com arco dramático.

Só que é o seguinte: não adianta achar que colar a planilha no slide vai resolver. Pelo contrário.

O segredo aqui é saber selecionar os números como quem faz um casting de elenco… até porque o lance é fazer com que os números contem histórias.

Exemplo real: Spotify Wrapped. Seus dados viram sua história musical anual.


O lado sombrio que ninguém fala

Storytelling weaponizado

Fake news são histórias bem contadas.
Golpes financeiros têm narrativas impecáveis.
Ditaduras modernas dominam o storytelling.

A lição dolorosa:

A mesma técnica que inspira pode manipular.

A comoditização da autenticidade

"Seja autêntico" virou fórmula.
"Mostre vulnerabilidade" virou tática.
"Conte sua verdade" virou produto.

Quando autenticidade vira estratégia, deixa de ser autêntica.

Ainda assim, autenticidade de verdade e vulnerabilidade genuína continuam sendo raridade. 


O que aprendi sendo pioneiro por 19 anos

Timing é tudo (e eu errei o meu)

Lancei o primeiro estudo em 2007.
Mercado brasileiro: "Story o quê?"

Insisti por 6 anos até estourar.

Lição: Estar certo cedo demais é quase igual estar errado.

O paradoxo do especialista

Quanto mais expert em storytelling você se torna...
Menos suas próprias histórias conectam.

Você sabe demais.
Pensa demais.
Analisa demais.

Às vezes, ignorância é criatividade.

Ainda assim, é possível resgatar o poder das histórias. Só é mais difícil.


As previsões que faço para 2034 (que vou errar de novo)

1. Storytelling quântico

Histórias que mudam baseadas em quem está ouvindo.
IA analisando microexpressões e adaptando narrativa em tempo real.
Cada pessoa recebendo versão única da mesma história.

2. Blockchain narrativo

Histórias corporativas verificáveis.
"Proof of Story" substituindo "proof of work".
Transparência radical através de narrativas imutáveis.

3. Neuro-storytelling

Interfaces cérebro-computador permitindo "download" de histórias.
Experiências narrativas direto no córtex.
Matrix, mas para branded content.

Prevejo que vou errar 75% disso. E tudo bem.


A única verdade imutável sobre storytelling

Dez anos atrás, escrevi:

"Storytelling é o que nos diferencia dos outros animais"

Isso continua verdade.

Mas descobri algo mais profundo:

Não é que contamos histórias porque somos humanos.
Somos humanos porque contamos histórias.

E enquanto formos humanos – com IA, sem IA, no metaverso ou em Marte – continuaremos precisando de histórias.

Não como ferramenta.
Não como estratégia.
Mas como essência.


Um pedido pessoal para os próximos 10 anos

Para você que está lendo:

Pare de tentar "fazer storytelling".

Comece a viver histórias que merecem ser contadas.

Pare de perguntar "como conto melhor?"
Pergunte "o que vale a pena contar?"

Pare de buscar a técnica perfeita.
Busque a verdade imperfeita.

Porque daqui a 10 anos, quando eu escrever outro update, quero estar errado sobre coisas mais interessantes.


O futuro do Storytelling começa com sua próxima história

E qual vai ser?

Compartilhe sua previsão para 2034 →

Vamos errar juntos. Mas pelo menos errar tentando algo novo.

Afinal, as melhores histórias sempre foram sobre isso.


Fernando Palacios continua não tendo bola de cristal, mas agora tem 15 anos de erros documentados para aprender. Este artigo celebra uma década do post original "Fundamentos do Storytelling" e prova que prever o futuro é menos importante que moldá-lo.



Essa é uma história contada no futuro, uma hipótese para dizer a verdade. Os longos tapetes vermelhos irão se estender, estrelas e astros irão desfilar seus talentos, vestidos, ternos e, quem sabe, extravagâncias. O mundo das telonas irá invadir as telinhas do mundo inteiro e o cinema terá mais uma noite de celebração.

Daqui a pouco começa a premiação do Oscar 2013, então eu adiantei o post de hoje para quem sabe ajudá-los a entender um pouco mais dessa festa. Uma das primeiras coisas que eu acho que devemos ressaltar é que a premiação e suas categorias já nos ensinam uma ótima lição de storytelling. São ao todo 24 categorias premiadas, indo desde maquiagem e figurino até melhor filme, o que só mostra o quão complexa é essa história de contar histórias. É claro que estamos falando de filmes, mas e se você pensar no seu próximo conto, livro ou artigo como uma história merecedora do Oscar? Será que suas palavras são capazes de fazer o leitor ver a maquiagem de cada um dos personagens, sem que você precise enrolar por horas sobre o assunto? Será que você consegue sair um pouco do papel de roteirista e sair do story para pensar no telling como um diretor? Será que é possível transmitir em palavras a complexidade de um filme? 

Essa última pergunta eu posso responder tranquilo e dizer que sim, é possível desde que sejamos capazes de entender a diferença entre as várias linguagens que podemos usar para contar uma história. Me lembro de um livro que li quando era criança, um livro que por muito tempo eu achei que era um filme, pois na minha cabeça sou capaz, até hoje, de ver cada cena daquela história. A prova disso é o próprio Oscar, afinal, meus amigos, histórias de cinema começam com roteiros e só depois disso são interpretadas por talentosos diretores, maquiadores e figurinistas. Pergunte para um ator ou diretor qualquer e eles te dirão que não há nada melhor que trabalhar com um bom roteiro, um pedaço de narrativa escrita capaz de fazê-los imaginar suas próprias visões de cada uma das cenas. Se eu ainda não os convenci, tenho mais um simples fato na manga, dos 10 filmes indicados para melhor roteiro, original e adaptado, 8 fazem parte da lista de indicados a melhor filme. Pois é meus amigos, quem sabe não seja a hora de começar a pensar na iluminação e na maquiagem de nossos próximos contos? 

Quem foi que disse que storytelling tem que ser complicado?

Boa parte do meu trabalho é fuçar na internet, pular de um lado pro outro procurando algo interessante, caçando alguma história que inspire uma bela narrativa. O que tenho encontrado nessas minhas buscas são, na verdade, muitas perguntas, muitos mal-entendidos e muita gente falando que storytelling é uma tecnologia complicada e que só alguns talentosos mestres da arte são capazes de fazê-lo. Não vou dizer que é fácil, mas afirmo de consciência limpa que uma história pode (e deve, na verdade) ser simples. 

Nos primeiros segundos do vídeo abaixo ele apresenta o personagem e sua angústia, explica o conflito e pronto, temos um contexto. Mais alguns segundos, o produto entra na cena, literalmente, o personagem inicia sua jornada, enfrente seus obstáculos e volta para casa mudado. Pronto, temos em 1 minuto e 3 segundos uma boa história, bem contada e uma boa propaganda, tudo ao mesmo tempo. 




No Carnaval carioca deste ano, chamou a atenção uma forma de patrocínio que parece estar substituindo o antigo modelo sustentado pelo Jogo do Bicho. Dez das 12 escolas de samba tiveram dinheiro da área de marketing institucional para transformar suas ideias em desfile na Marquês de Sapucaí. No orçamento, houve desde verba corporativa à de países como Alemanha e Coreia do Sul.

De acordo com especialistas do samba e a imprensa de modo geral, um fator importante contribuiu para o sucesso da campeã, Unidos de Vila Isabel, foi a composição de um samba-enredo sem forçar demais a barra para o lado do patrocinador. O desfile contou sobre as manifestações culturais do Brasil rural e a canção não se prendeu a expressões que mais parecessem publicidade do que Carnaval.

Foi diferente da Unidos do Porto da Pedra, em 2012, que cantou “Leveza, o equilíbrio se traduz em beleza/ Do dia a dia me refaz/ Iogurte é leite, tem saúde e muito mais”. Não precisa nem dizer que tipo de indústria patrocinou a escola. Além disso, convenhamos, os versos soaram mal aos ouvidos e devem até ter desconcentrado o passista de gosto minimamente apurado.

O desfile das escolas reúne coreografia, música, personagens, carros alegóricos e fantasias narrando uma história. A bateria e a letra dão o tom, sendo fatores preponderantes para empolgar o público no sambódromo.

Diante dos enredos patrocinados, o desafio dos compositores se assemelha cada vez mais aos storytellers que enveredam pelo mundo das organizações. Em várias situações, ambos precisam passar a sua mensagem com graça, adequando a linguagem e recorrendo ao “corporativês” somente quando muito necessário, ou apropriado.  

Assim, o maior sucesso do patrocinador ocorrerá caso o samba caia no gosto popular, sendo repetido pelo povo nos carnavais seguintes, por muitos e muitos anos. Vai saber. Como será o amanhã? Responda quem puder. 

Quem vai ser o filme premiado de amanhã, ou qual será o diretor que levará para sua casa a estatueta, eu não sei dizer. Mas uma coisa é certa: esse ano a academia resolveu premiar o Storytelling. Como assim?

Nesse ano, ao invés de um rosto famoso, a cerimônia será conduzida por ninguém menos do que um roteirista. Parece estranho? E é mesmo.



Mas numa cerimônia que arrecada quase US$ 1 bilhão em veiculação de anúncios nos EUA, nada é por acaso. Seth MacFarlane é criador de vários programas, com destaque para os humorísticos. Até por isso dá para esperar um ano com muitos risos... e a brincadeira já começou!



Que sirva de inspiração para o nosso hangout logo mais... Quem quiser participar, esteja online às 20:00 no grupo do Face ou do G+

Ele levantou de sua cadeira com uma caneca de ferro em mãos, postou sua voz, inconfundível, para que todos pudessem ouvi-lo e parou, com apenas algumas palavras, a comoção do homens em torno da guerra. Tudo para contar mais uma de suas histórias. Tudo para explicar da maneira mais simples e compreensível o que queria dizer.



Eu estou me preparando para o hangout de amanhã do grupo de Storytelling & Transmedia e tudo o que conseguia pensar enquanto assistia a "Lincoln" era a tradição oral e o poder das palavras que aos poucos, através de histórias contadas pelo presidente dos Estados Unidos, construíam um protagonista forte e intrigante.

Ter um bom personagem é o começo, mas não é tudo, afinal só temos uma narrativa quando temos ação além da descrição. Saber apresentar esse personagem, mostrar que ele merece o respeito e, quem sabe, até a compaixão ou a paixão de quem o assiste. Fazer com que as pessoas queiram segui-lo em sua jornada, apoiá-lo em suas falhas e saudá-lo em suas vitórias. Esse é o segredo de todo bom storyteller e, por que não, de todo político. 

Não bastasse ele ser o responsável pelo fim da guerra e pela abolição da escravatura, agora ele também concorre ao Oscar, e caso sua história ganhe o tão famigerado prêmio do cinema mundial, acredito eu, que tanto seus feitos políticos em vida, quanto seu sucesso nos cinemas se devem a mesma coisa: histórias inspiradoras. 

Quem assistiu ao filme percebeu, ou não, que todas as vezes em que o alto senhor de rosto cansado começava a contar uma história, começava ali, durante o seu discurso o que nós storytellers conhecemos por plot-twist, ou seja, uma mudança brusca na maneira como os acontecimentos iriam (ou como nós imaginávamos que iriam) ocorrer. 

Em dado momento, um de seus conselheiros de guerra se revolta com essa mania de Lincoln de fingir que nada acontecia para que ele pudesse contar uma de sua histórias. A mania do protagonista o torna humano o bastante para que criemos uma relação com ele e a suas histórias inspiradoras o tornam especial o bastante para governar o que viria a ser uma das maiores potências do mundo. Tornar a sua mania uma ferramenta da narrativa, fazer do seu "defeito" algo importante para a história pode ser uma boa saída para os storytellers.   

O J.J. Abrams é o rei do "e se..." e se você não se lembra de quem ele é vamos passar por algumas de suas ideias para refrescar a memória.



E se um avião caísse em uma ilha desconhecida pela humanidade e todos ficassem presos por lá? E se essa ilha fosse dominada por um empresa/instituição super-secreta? Mas, e se a ilha tivesse vida? Ou se houvessem dinossauros? Ou se eles acreditassem que era um dinossauro mas não era? 

A quantidade de "e se..." que podemos encontrar no roteiro de Lost é enorme, um adicionado ao outro formando uma trama de linhas bem costuradas e contadas. Uma narrativa forte e bastante polêmica, do jeitinho que o nosso querido Adams adora trabalhar. Bom, já lembramos quem ele é, então vamos ao seu último e mais recente "e se..."? 

Acredito que muitos de vocês tenham visto o superbowl, aquele show de comerciais e habilidades publicitárias interrompido por uns jogadores de futebol americano e um ou outro astro pop. Pois é, no último evento desses as luzes se apagaram no estádio e o evento ganhou um toque de escuridão completa. O que lembrou a equipe de Revolution, a mais recente série de J.J. Abrams sobre "e se o mundo ficasse sem energia elétrica" de que o evento de maior audiência mundial seria uma boa ideia para promover a série. Mas o evento era exibido pela CBS e a série é da NBC, #comofaz? 

Eles foram rápidos no gatilho, se aproveitaram do "e se..." tão bem dominado pelo J.J. Abrams e usaram o twítter para dizer "isso é só um gostinho do que está por vir em 25 de março" (data da estréia da segunda temporada da série) e para trazer um pouco da série ao mundo real, publicando esta imagem: 
Como quem diz "e se isso funcionasse no mundo real também?"


Qkiw3Z1_wzaAa-JhhRSIIuCaz6DxldHS9pt7OBnPLJU"