Neste semana, de 23 a 27 de Julho acontece na California a San Diego International Comic Con, o mais famoso evento de cultura pop do mundo. Lá são apresentados novos filmes, séries, quadrinhos, há entrevistas ao-vivo com diretores, roteiristas, atores e muitos, muitos cosplayers!

Você já deve ter percebido que nesses locais há uma grande concentração de fãs de uma determinada história, seja ela de qual mídia for. Já percebeu que quando dois ou mais fãs conversam sobre a mesma história parece que eles estão falando de algo REAL?

Isso acontece porque o próprio conceito de Storytelling nos diz que as histórias foram feitas para ilustrar a realidade. Nós somos um dos poucos seres terrestres capaz do tal "pensamento abstrato", isso nos permite trabalhar com coisas do passado, do futuro e com hipóteses, ou seja, temos a capacidade da imaginação. A princípio, nosso cérebro desenvolveu essa capacidade para poder prever estações de escassez, evitar predadores e assim sobreviver no mundo hostil e selvagem. Porém, chegamos a um ponto em que fazemos abstrações sobre abstrações. Imaginamos mundos que nem mesmo existem e quando encontramos pessoas que conhecem esses mundos imaginários somos capazes de interagir com elas como se esta história fosse real.

Com o advento dos jogos eletrônicos isso ficou ainda mais intenso. Aposto que, se você for um gamer, já disse alguma coisa do tipo "aí eu fui lá e matei um dragão" ou coisa do tipo, como se aquilo fosse parte do seu cotidiano, uma realidade. Preste atenção no discurso de pessoas que jogam os famosos Massive Multiplayer Online RPG's. O discurso dessas pessoas é estruturado como se as aventuras que eles vivem naquele mundo fossem reais.

Aliás, quando uma história é contada em mais de uma mídia, ou seja, quando ela é TRANSMÍDIA, isso ajuda ainda mais as pessoas a mergulhar naquele universo e fazer com as vezes ele pareça mais real que a realidade.





Nossas séries ainda engatinham. Nossos filmes, vezes deslancham, vezes encalham. Nossos livros até andam, em círculos. 

Gostemos ou não, o formato de história que é a cara do Brasil ainda é a telenovela. Complexo de vira-lata à parte – temos muito o que aprender com as novelas brasileiras. Esse é o segundo de 4 episódios sobre as telenovelas brasileiras.


Quando a Globo anunciou que a próxima novela das 6 seria de Benedito Ruy Barbosa, muitos atores tiraram o corpo fora. Isso porque Benedito tem a fama de atrasar roteiros, entregar tudo em cima da hora da gravação. Mas a Globo evitou isso: fez com que o autor entregasse o roteiro completo, pronto, antes mesmo da estreia.


Essa decisão não só aliviou os atores, como deu força à trama. Entre o amor e o ódio à novela, o primeiro elogio a ser feito para “Meu Pedacinho de Chão” é à sua construção dramática.

1) PERSONAGENS
Se na semana passada os personagens foram alvos de crítica, hoje são de elogios. A começar pelos números. Na construção de uma história, assim como numa casa, os personagens são os tijolos que sustentarão a narrativa. Sem personagens não há história, sem paredes não há casa que pare em pé.

Meu Pedacinho de Chão provou que quantidade não é qualidade: com apenas 23 personagens na história (contra 68 e 56 das duas novelas anteriores do horário, e quase 100 de “Em Família”), a novela tem poucos, mas ótimos personagens. É possível ver a profundidade em cada um deles e até identificar seus arquétipos. Ninguém está na trama por acaso.

2) DETALHES
Há uma máxima que diz: “As boas histórias são contadas nos detalhes”. Basta assistir uma cena de Meu Pedacinho de Chão e enumerar quantos detalhes ela tem. Desde o cenário, construído totalmente do zero e muito mais do que um desgastado Leblon, passando pelos animais e pelos incríveis figurinos.

Tudo isso confere à novela um ar teatral. Cada elemento de Meu Pedacinho de Chão enriquece o universo da história – que mais parece uma fábula. Não por acaso os figurinos da novela ganharam uma exposição no Rio.

3) REFERÊNCIAS
Não é novidade que, ainda que a passos de elefante, a Globo tem procurado reinventar seu modelo de novela. Para isso ela não tem medo de buscar referências naquilo que está em alta mundo afora. O novo traje de Zelão, quando o inverno chega, remete a Jon Snow de Game of Thrones. Gina é a cara da Merida, de Valente. São referências que vão além da estética até as características dos personagens.


Pessoalmente, há tempos não assistia uma novela tão bem construída e divertida quanto Meu Pedacinho de Chão. Àqueles que assistiram uma vez e não gostaram, vale ligar a TV às seis horas e assistir com outros olhos. Horário das seis este, aliás, que tem sido um grande laboratório à inovação nas novelas da Globo.

Nossas séries ainda engatinham. Nossos filmes, vezes deslancham, vezes encalham. Nossos livros até andam, em círculos.

Gostemos ou não, o formato de história que é a cara do Brasil ainda é a telenovela. Complexo de vira-lata à parte – temos muito o que aprender com as novelas brasileiras. Esse é o primeiro de 4 episódios sobre as telenovelas brasileiras.


Quando o assunto é novela, inevitavelmente, o assunto são as novelas globais. Entre os grandes autores de telenovelas da Globo, Manuel Carlos é um dos maiores. “Maneco”, como é conhecido, assinou 15 novelas na carreira – e anunciou que deve parar por aí. Entretanto, sua última novela, Em Família, não termina com todo o prestígio que o autor merece.



1) DO PROTAGONISTA…
Conhecido por seus personagens fortes e suas “Helenas com H maiúsculo”, tão fortes como a de Tróia, a última novela de Manuel Carlos peca, justamente, em seus personagens.
A Helena vivida por Júlia Lemmertz é uma protagonista sem personalidade, ressentida e apegada a seu amuleto – um colar de fênix. Se há uma vertente de estudo de narrativas que afirma que protagonistas são, em essência, sem personalidade para que haja identificação com todo e qualquer tipo de espectador (é o caso do Batman, por exemplo) – essa vertente não se aplica à Helena de Em Família.
Não é à toa que os únicos lampejos de viralização que a personagem registrou foram nos episódios em que ela “soltou a franga”.

2) AO ANTAGONISTA.
Também conhecido como “vilão” para os íntimos, o papel do antagonista ficou vago na novela de Maneco. Se, na mesma vertente que afirma que protagonistas devem ser “fracos”, os vilões é que são interessantes e cheios de personalidade (que é o caso do Coringa) – faltou um antagonista à altura de Felix – da novela anterior. Shirley até tenta ser a sua versão feminina, mas até nessa versão Félix divertia muito mais o público. Laerte até poderia ser um vilão e tanto, e ajudar a dar mais vida a protagonista, mas é previsível.

Entre outras críticas sites e revistas à fora, como o conto-de-fadas gay criado pela reprovação do público ao casal, ou a trilha-sonora fraca em relação a outras novelas de Manuel Carlos, a lição que Em Família deixa está na construção de personagens. Personagens são a soma de personalidade e ação. Sem bons personagens, não há história que se mantenha - quanto mais em horário nobre.



Nas últimas semanas só se falou em Copa do Mundo. Quem afinal levaria a tão desejada taça...?! Na disputa final deu Argentina e Alemanha. E sabe como é, brasileiro, o verdadeiro torcedor de futebol, parece que não torce pra Argentina. Uma bobagem. Los hermanos são isso aquilo e mais não sei o quê, mas o fato é que Buenos Aires é um dos destinos preferidos pela brasileirada, los hermanos têm ótimas vinícolas e quando se trata de cinema e filmes bons, estão à frente de muitos países, inclusive do Brasil.

E o quê, quem define que um filme é bom? A crítica, o elenco, o valor investido, a quantidade de prêmios?! Bom, também, e pode ser. Para mim um filme bom é aquele que me faz sentir melhor que quando entrei na sala de cinema. Aquele que me dá vontade de ir ao cinema todos os dias. Aquele que me faz pensar que, o que eu queria mesmo, é um trabalho que pague para eu assistir filmes! Acho até que trabalharia de graça. 

E quem curte mesmo cinema sabe: os filmes argentinos (também) estão dando de goleada (e faz tempo).  Talvez seja o eco do crescimento da América do Sul. Ou melhor, da crise do próprio país, no caso, da Argentina. O fato é que nos últimos anos fomos surpreendidos positivamente com o cinema dos hermanos muito mais que o próprio futebol. Ou não?! E devo dizer, sujeita a críticas e ferroadas, ao contrário, dos recentes filmes franceses que têm me assombrado. Salvo exceções.

Mas voltando ao cinema dos hermanos, verdade que o país ficou anos sem novidades; ali recluso, se recuperando da ditadura, entre crises e meio que vivendo seu próprio show de tango. Durante esse processo criou e produziu filmes inesquecíveis. A  lista não é pequena, e olha que devo ter deixado de mencionar alguns: "Nove Rainhas", "O Filho da Noiva", "O mesmo amor, a mesma chuva", "O Segredo dos Seus Olhos", "Medianeras", "Um Conto Chinês",  "Infância Clandestina", "O Ladrão e A  Bailarina", "Elefante Branco", "Lugares Comuns", "Elsa e Fred", "Plata Quemada", "A História Oficial"... só pra citar alguns e bons filmes. 



Elsa & Fred


Um conto chinês
Tá, tem outros tantos filmes bons mundo afora. Fato. Mas por que será que os filmes argentinos ganharam notoriedade, público e já mereceram dois Oscar de melhor filme estrangeiro?! Boa pergunta. 



Medianeras
Nada de grandes produções, efeitos especiais, orçamentos estratosféricos e figurinos de sonho (não que nós, o público comum, não goste das grandes produções, mas hoje, não nos rendemos apenas a elas). Originalidade, ótimos roteiros, podem ser  a resposta correta. Também há que se considerar a franqueza, a clareza, que o cinema argentino expõe os temas abordados. As tramas e os personagens bem construídos. Gente como a gente. 

Como no futebol, é necessário muito trabalho para se ter  e oferecer um bom filme. Dedicação. Inovação. A Argentina sai da Copa 2014 sem a tão deseja taça. Mas leva a dignidade de um povo de luta, que se reinventou, e mostra que tem boas histórias para contar. No campo e no cinema. 







Esse texto foi publicado inicialmente pelo Gogojobs.


Em tempos de Copa do Mundo, praticamente não se fala em outro assunto na terra do futebol. Os brasileiros se referem ao esporte bretão como paixão e religião, como se esse assunto estivesse acima de qualquer outro. Mas será que isso é verdade? Será que não existe nada capaz de mexer ainda mais com o coração verde-amarelo?

Os arquivos da Rede Globo afirmam que algo inesperado aconteceu em 1970, ano em que o Brasil de Pelé conquistou seu terceiro título mundial. Contrariando as expectativas, a audiência da final entre Brasil e Itália não foi a maior do ano. No dia seguinte, a novela Irmãos Coragem obteve uma contagem superior no Ibope. É verdade que o futebol que corre em nossas veias, da mesma forma que contar boas e longas histórias está no nosso DNA. Mas como a ideia aqui não é colocar um para jogar contra o outro, vamos  fazer um paralelo para elucidar o storytelling através do futebol. 


Para começar é preciso destacar a grande diferença: narrativas não são um esporte, são uma expressão artística. Então não existe uma forma única de se contar histórias. Ainda assim, há formas melhores. Da mesma forma que existe a Copa, existe o Oscar, a Palma e o Globo de Ouro e, acima de tudo, os medidores de audiência e bilheteria. Considerando que times vencem uns sobre os outros, o mesmo ocorre com as histórias: as melhores ganham atenção e são assimiladas como parte da cultura, recomendadas e repassadas através de gerações. Para fazer uma história vencedora, é preciso entender a dinâmica desse jogo chamado Storytelling.


Regras do futebol CONTRA Regras da história
No futebol existem as regras do jogo: a partida dura 45 minutos, a bola na rede pelo lado de fora não vale nada, só o goleiro pode colocar as mãos na bola e assim por diante. No storytelling, cada história tem suas próprias regras: se numa história de zumbis eles são rápidos e burros, em outra eles são lentos só que mais assustadores. O importante é ter uma dinâmica clara, que faça sentido lógico.

Campo de jogo CONTRA Formato da narrativaO futebol acontece dentro de campo. O storytelling acontece nos formatos narrativos: pode ser uma revista em quadrinhos, um filme de longa-metragem, um game, uma música, um livro de romance. Enfim, o importante é que o formato seja explorado da melhor maneira: o cinema privilegia a ação, já a literatura fortalece a vida interior e os pensamentos do protagonista.

Craque CONTRA ProgatonistaNo futebol é comum a figura da estrela do time, um craque que promete direcionar sua equipe. No storytelling existe o protagonista, um personagem muito especial, que vai conduzir a narrativa. Ele vai sofrer e ele vai se transformar e vai acabar sendo muito marcante. Na comunicação corporativa muitas vezes ao invés de fazer um personagem especial as empresas acabam dividindo uma celebridade com muitas outras. É como se o Neymar pudesse jogar pudesse jogar em todas as seleções.

Time de onze CONTRA Dinâmica dramática
Com ou sem craque, um time de futebol tem onze jogadores. No storytelling é possível existir centenas de personagens, mas doze são suficientes para compor uma dinâmica dramática satisfatória. O importante é que cada personagem esteja engajado na história e, para isso, ter um aprofundamento pelo autor. O erro mais comum de autores amadores é fazer personagens superficiais e previsíveis. Assim como o jogador de futebol tem uma vida fora de campo - ele dedica o gol ao filho que nasceu ou sofre uma crise de choro porque perdeu o pai - também os personagens precisam ter toda uma vida que não apareça na tela e só fique nas entrelinhas.

Rivalidade CONTRA Antagonismo
No futebol dois times disputam entre si: e quanto maior a tradição de jogos entre eles, mais promissora é a partida. No storytelling existe a questão do antagonismo, de forças que disputam um mesmo objetivo: o mocinho e o bandido que querem o coração da garota. Assim como um campeonato de futebol comporta muitos times, o storytelling também pode ter várias forças antagônicas. No Game of Thrones são sete reinos disputando o mesmo trono. Já na publicidade é como se todo comercial não passasse do treinamento. Não existe o adversário, a competição, apenas a marca chutando contra um gol vazio e depois comemorando sozinha.

Técnico CONTRA Autor
No futebol é imprescindível a presença do técnico, que apesar de não entrar em campo, é quem escala a equipe e escolhe a estratégia do time. No storytelling o mesmo acontece com o autor, que por mais que esteja escrevendo a história, sempre diz que os personagens só fazem o que eles querem. Sim, porque bons personagens têm vida própria e não podem ir contra suas naturezas.

Bola CONTRA Fio da meada
No futebol todos os olhos se fixam na bola. No storytelling existe o conceito do fio da meada, uma linha invisível que conduz a narrativa. Esse fio condutor pode ser um personagem em perigo, uma maleta com uma carga importante, o mistério de uma ilha e assim por diante. O importante é que essa esse elemento seja estimulante o suficiente para prender a atenção. Numa saga como Harry Potter, o fio da meada é capaz de segurar a narrativa durante milhares de páginas ao longo de sete livros. Por outro lado, tem muito comercial que esse fio não resiste a 5 segundos. Só ver a contagem regressiva do Youtube.

Lances CONTRA Cenas
O futebol acontece em lances, que posteriormente pode ser compactado em melhores momentos. Já o storytelling se desenvolve ao longo de cenas. Cada cena tem uma estrutura de começo, meio e fim ao redor de um conflito, e uma conclusão. Boas cenas acontecem em tempo real e despertam grande emoção.


Viradas CONTRA Reviravoltas
Tem certos jogos de futebol que parecem estar dominados, até que nos últimos segundos o time em desvantagem faz dois, três, até quatro gols e inverte o placar. Já o storytelling tem o conceito de reviravolta, uma revelação que faz você rever a história inteira por um outro ângulo. Fãs de Star Wars, Lost, Jogos Mortais, Sexto Sentido entre tantos outros sabem do que estou falando.

Narrador esportivo CONTRA Narrador da história 
Quando o futebol é transmitido, uma nova figura entra em cena: o narrador, que tem a função de contar o que está acontecendo dentro de campo destacando detalhes que poderiam passar despercebidos pela audiência.  No storytelling também existe o narrador. Nem sempre o narrador é confiável. Ele pode ser um personagem e estar enviesado ou até mesmo mentindo. Os grandes narradores são capazes de dar personalidade e até uma emoção a mais aos acontecimentos. No caso dessa Copa o case fica para a Fox Sport 2, que contratou o humorista Paulo Bonfá para narrar as partidas e com isso ganhou muita audiência.


Placar final CONTRA Moral da história
No final de todo jogo o futebol exibe com muito orgulho o placar final, especialmente se tiver muitos gols. No storytelling as narrativas terminam com a moral da história, às vezes de forma implícita, outras vezes de forma decodificada ou simbólica, a moral é a responsável por trazer o aprendizado, aquilo que faz valer a pena a história ser passada adiante. No caso desse texto, poderíamos dizer: Brasil, o país do futebol, a nação do folhetim.

Torcida CONTRA Atentos
Finalmente, o futebol só tem tanta força no Brasil e no mundo por existir a torcida. No storytelling esse papel quem assume são os leitores no caso da literatura e dos quadrinhos, a audiência no caso do cinema e dos seriados de TV, a plateia no teatro, o gamer dos videogames e o ouvinte das histórias orais. Para facilitar, chamo todos esses de atentos. Isso porque quem está assistindo, lendo ou ouvindo uma boa história, está com toda a sua atenção sintonizada: as duas mãos segurando o livro, o celular desligado no cinema e nem deixa alguém passar na frente da TV no último episódio do seriado favorito. Agora, todo o mundo só fala de futebol, mas quando a Copa acabar o assunto vai saturar e as pessoas vão buscar outras histórias. A sua marca está preparada para narrar? Prepare-se aqui!



Em algum momento em nossa discussão sobre Storytelling Interativo, com certeza acabaríamos falando sobre ARG's. Estes jogos são uma das formas de entretenimento emergentes da Internet com um poder de engajamento espetacular. Afinal como o próprio nome diz, eles moldam a realidade de maneira a envolver os participantes em um game.

Se você ainda não conhece ou sabe o que é um ARG vamos ver uma definição rápida da Wikipédia: Um alternate reality game (ARG) é um tipo de jogo eletrônico que combina as situações de jogo com a realidade, recorrendo às mídias do mundo real, de modo a fornecer aos jogadores uma experiência interativa.


Para que tudo isso funcione, sua produção do ARG é dirigida pelo mantra TINAG - This Is Not a Game , que ficou famoso quando os primeiros grandes cases surgiram. Mas nos últimos anos parece que não se produz mais coisas do tipo,  talvez por conta de seu caráter dispendioso (não só de dinheiro, mas de tempo e produção) ou que não tem dado muito certo ( por conta de uma má produção mesmo)

Mas o que torna a produção de um ARG difícil? 


Antes de responder isso, vamos entender o que acontece em um ARG.  Wendy Despain da IGDA define isso da seguinte maneira:  "[...] usam todos os elementos da era da Internet para criar uma experiência de entretenimento totalmente nova".  Depois ela completa o raciocínio no terceiro livro da IGDA falando sobre o trabalho que é construir uma realidade alternativa. Afinal é essa realidade que deve hospedar as pessoas, se tornando players.

Percebemos então dois aspectos que respondem a questão acima: Precisamos criar uma realidade alternativa e desenvolver mecânicas de jogos que funcionem no mundo real como portas para essa realidade.  Os jogadores precisam desbravar a narrativa, encontrar pistas e seguir em frente no fluxo da história/jogo e que acompanha este blog sabe que quanto mais intensa e profunda for a narrativa, maior é a imersão- sim, é aí que entra o Storytelling.

Olhando para dois grandes ARGs que fizeram bastante sucesso podemos entender melhor isso. No case do ARG Batman (desenvolvido para o primeiro filme), ainda que o jogo aconteceu antes do lançamento no cinema, temos uma figura mitológica já difundida há décadas para o grande público.  Aliás, não apenas uma... quem não gostaria de se encontrar com o Coringa, na praça para ver qual estrago ele faria no seu mundo real?


No caso do ARG The Beast, criado para o lançamento do filme AI: Inteligência artificial os desenvolvedores do jogo precisaram não apenas criar um universo de histórias, mas também tiveram o esforço para que seus jogadores o conhecessem bem enquanto se envolviam em investigações. Segundo a reportagem da Folha de São Paulo, foram cerca de quase 100 profissionais, entre roteiristas, designers e atores. Um tempo curto de produção requer todo esse pessoal, a gente sabe que criar um universo inteiro para narrar uma história é algo que pode levar anos (como no caso do G. R. Martin ou Tolkien) se você fizer isso sozinho.


Além desses aspectos de um ARG, precisamos levar em conta o fato de que ele acontece em tempo real e produzir os desafios e a mecânica do jogo para isso deve acompanhar o ritmo, em muitos casos a equipe deve captar o feedback dos jogadores em tempo real e saber o que está funcionando ou não em seu planejamento e alterá-lo conforme o ARG acontece.  Lee Sheldon que é roteirista de TV, Games e professor universitário de NY ressalta esse aspecto em seu livro Multiplayer Classroom, ele diz que projetar um ARG em tempo real conferiu-o "um nível de flexibilidade e velocidade de implementação semelhante a improvisação". 


Qual o caminho para bons ARGs? 


Responder essa questão diretamente pode ser uma tremenda armadilha. De fato em muitos outros storytelling games como RPGs, FPS e RTS desenvolver um mundo de jogo consistente e profundo aumenta as chances dos jogadores imergirem no conteúdo narrativo e quebrar o círculo mágico levando aquele conteúdo para as suas vidas.  Também sabemos que as mitologias sustentam qualquer realidade.  Então fica um pouco claro que se um ARG quer funcionar como deve, ele precisa fazer as pessoas desenvolverem uma suspensão da realidade através de um bom mito com histórias bem contadas.

E quando a gente fala em contar bem uma história, o "telling", não podemos esquecer das características particulares do meio.  Continue acompanhando nossos posts sobre Storytelling e Games aqui :) 




Um dia o Brasil é acachapado pela Alemanha. No outro, a Argentina passa pela Holanda e chega a final da Copa, da nossa Copa. O que seria capaz de levar milhares de argentinos a um estádio torcer por um jogador brasileiro?

Mais de 8 mil argentinos se reuniram no Luna Park, Buenos Aires, assistindo aos últimos minutos da história do craque Tufão – da novela Avenida Brasil. O sucesso brasileiro de 2012 terminou no país vizinho na última segunda-feira, dia 7, e comoveu os argentinos com mais de 400 mil menções no Twitter.



Se no campo o país do futebol tomou de goleada, na tevê o país da novela venceu e convenceu os hermanos no país do cinema. Com uma trama divertida e cheia de bons personagens, não só até a Argentina, mas a novela Avenida Brasil chegou a 130 países desde seu lançamento.

Em resumo, uma grande história, como Avenida Brasil, se assemelha a uma grande seleção de futebol. Ao mesmo tempo em que grandes personagens – e grandes jogadores – são indispensáveis, um universo ficcional é indispensável ao elenco, e sem uma boa trama como tática a torcida não irá a delírio.

Ainda assim, para unir brasileiros e argentinos em plena Copa, só uma boa história.





O especialista e professor de Storytelling Fernando Palacios vem a Fortaleza ministrar um curso e participar do evento +DesignCeará 2014, em que vai apresentar uma palestra e conduzir uma oficina de storytelling.


O público de Fortaleza poderá entender o que é, para que serve, por que surgiu e quais as tendências de mercado relacionadas ao storytelling. Uma das principais referências sobre o tema no Brasil, o diretor da Storytellers Brand ‘n’ Fiction e professor da ESPM-SP, Fernando Palacios, estará em Fortaleza, a partir do próximo sábado, dia 19, para algumas atividades relacionadas ao mundo do storytelling.

Dentre as atividades, Palacios aceitou o convite para ministrar o inédito “Curso de Storytelling”, no próximo sábado, dia 19, das 10h às 17h na sede do Elephant Coworking, situada na Rua Barbosa de Freitas, 1741. “Já estive em Fortaleza para uma palestra sobre storytelling na Unifor, mas está será a primeira vez que irei dar o curso completo sobre o tema. Estou muito feliz com o convite e ansioso para começar”, declara o diretor do primeiro escritório de storytelling do País.

Executivos, diretores de empresas, gestores, publicitários, designers, empreendedores, inovadores e todas as pessoas interessadas em se comunicar de uma forma mais eficiente e interessante, poderão se inscrever até o dia 18 de julho, através do link http://www.eventick.com.br/story. O valor do investimento varia entre R$ 490,00 e R$ 590,00 reais, de acordo com os lotes. As vagas são limitadas.

Confira os módulos do curso:
Storytelling, a grande inovação: De onde veio, por que surgiu, o que é e como usar Storytelling. Por que se tornou uma tendência no mundo corporativo e como empresas e agências podem se beneficiar disso.
Storytelling em apresentações: como transformar um .ppt em uma performance inesquecível.
Storytelling corporativo: a evolução possível do storytelling dentro das organizações e como tem ajudado os executivos a otimizarem seus principais atributos: liderança, engajamento e viralização.
Storytelling e Branding: como as marcas podem ganhar personalidade a ponto de se tornarem verdadeiros personagens.
O Story do Storytelling: como compor uma história realista capaz de englobar tudo aquilo que se quer e que se precisa dizer.
O Telling do Storytelling: como contar a sua história da forma mais intrigante possível e fazer com que seja adotada por uma cultura.
Transmídia Branded Content: como planejar a distribuição da história em diferentes veículos de forma orquestrada e harmônica.


Com relação à participação no evento +DesingCeará:
PALESTRA: QUE HISTÓRIA É ESSA DE STORYTELLING?
Fernando Palacios vai ajudar a entender o que é Storylling, como surgiu, e ilustrar o tema exemplos através de sua experiência.

WORKSHOP: TÉCNICAS DE STORYTELLING
A arte de contar histórias, quando aplicada no contexto dos negócios, ganha muitas facetas. Para citar dois exemplos, é possível contar histórias para motivar e liderar equipes, da mesma forma que é possível recorrer às narrativas para vender produtos e serviços. Por isso que Storytelling - mais do que uma ferramenta - é uma tecnologia. Isso quer dizer que Storytelling é a composição de várias técnicas que podem ser combinadas de infinitas maneiras. Nessa oficina vamos conhecer e aplicar algumas dessas técnicas que conquistam a atenção e o coração da audiência.

FERNANDO PALACIOS
Sócio-fundador da Storytellers, primeiro escritório brasileiro dedicado exclusivamente a compor histórias para empresas e seus negócios, que tem como grande cliente a cearense M.Dias Branco. É um dos pioneiros de advertelling e branded content no Brasil. Inovou implementando o primeiro portal de conteúdos de marca e o primeiro curso universitário de Transmídia Storytelling na ESPM. É formado na USP, onde defendeu o primeiro estudo acadêmico sobre o tema Storytelling. Desde então ministra palestras e cursos no Brasil e internacionalmente. Atualmente é professor de Storytelling na ESPM e diretor da Storytellers Brand´n´Fiction. Como um laboratório de conteúdos, seu projeto pessoal narra a busca de um personagem pela Próxima Maravilha da Humanidade e já conta com mais de 90 mil seguidores no Facebook. Esse trabalho já rendeu o primeiro capítulo de um romance, que foi premiado com Top 5 Widbook Authors 2013.

 Serviço “Curso Desvendando o Storytelling” com Fernando Palacios
Data: Sábado, 19 de julho de 2014
Horário: das 10h às 17h
Local: Elephant Coworking - Rua Barbosa de Freitas, 1741, Aldeota, Fortaleza – Ceará
Mais informações no link http://www.eventick.com.br/story

Serviço “+DesignCeará” com Fernando Palacios
Data: terça, 22 de julho de 2014
Horário: das 10h às 17h
Mais informações no link https://www.facebook.com/MaisDesignCeara


Recentemente, o autor George R.R. Martin mandou os seus leitores para "aquele lugar" ao ser questionado se viveria tempo o suficiente para escrever o fim de sua saga "As Crônicas de Gelo e Fogo" também conhecida na forma do seriado de TV "Game of Thrones". Aliás, este também foi um dilema vivido pelo autor Stephen King com sua série A Torre Negra, porém o rei dos textos de terror encarou a coisa de uma forma muito mais poética e menos agressiva do que Martin.

Já falamos muito aqui das técnicas de STORYTELLING, e muita gente tenta separar ARTE de TÉCNICA, sendo que os dois são a mesma coisa. A arte é a maestria de uma técnica. Muitos escritores acreditam que precisam de "inspiração" para escrever e acham que ela vem do além, o que, se você já leu este artigo sabe que não é verdade. No entanto, muitos autores têm planejamento e técnica o que inegavelmente é o caso de Martin, porém a execução demanda disciplina e muito esforço.

Por isso, muitas vezes os storytellers não conseguem entregar seus projetos no prazo, porém se você é um autor já consagrado, seus leitores com certeza irão aguardar ansiosos. Outros até entenderão a demora se for para zelar pela qualidade do material. No entanto, se você quer se tornar um storyteller profissional, precisará ter disciplina e respeitar prazos!


A poucas horas do jogo entre Brasil e Alemanha, o assunto que domina o burburinho dos torcedores é o mesmo: quem substituirá o lesionado Neymar? Será Willian? Bernard? Ou Luiz Gustavo voltará e Felipão optará por três volantes?

Enquanto a escalação oficial da seleção não sai, escalamos a “Seleção Brasileira do Storytelling”: as campanhas que emprestaram jogadores brasileiros em suas próprias histórias de vida ou em enredos da própria campanha.

No gol: Júlio César (Gatorade)

Na defesa: Thiago Silva (Nextel, Tam), David Luiz (Nike, Vivo, Tam, Itaú), Dante (Johnson & Johnson), Daniel Alves (Adidas), Marcelo (Tam)

Meio-campo: Paulinho (Nike), Oscar (Hyundai), Willian (Guaraná Antarctica), 

Ataque: Hulk (Budweiser, Vivo), Bernard (Vivo, Guaraná Antarctica)

Comissão Técnica: Felipão (Walmart, Vivo, Brahma, Guaraná Antarctica), Rogelson (Itaú)

(Clique nos links para acessar as campanhas)

Entre atuações com mais, menos ou quase nenhum elemento de Storytelling, dois tipos de histórias se destacam entre as melhores campanhas: as histórias fruto da memória (depoimentos, histórias de vida dos jogadores) e da imaginação (universos criados que usam a figura dos jogadores).

Assim acontece com o Storytelling como um todo. Se por um lado temos as histórias reais – ricas de emoção e humanização – por outro temos os universos ficcionais, criativos e divertidos. É como um duelo entre jogadores mais táticos e coletivos versus atletas talentosos e individuais. Onde o papel do storyteller é, também, saber qual se encaixa melhor em um time – ou em uma marca.