Bom, o ano acabou e não poderíamos deixar de relembrar nossas melhores histórias. 
Selecionamos os 10 posts na Storytellers que mais deram o que falar.

O ano começou quente com AS 5 TÉCNICAS DOS 50 Tons de Cinza e a análise sobre a sua   TRADUÇÃO PRECIPITADA.

Depois percebemos que já não era sem tempo de o mercado discutir os FUNDAMENTOS DO STORYTELLING.

Para a discussão não ficar apenas conceitual, em seguida analisamos as 3 DICAS DE ESCRITA DE THE WALKING DEAD.

De tantos posts, cursos, estudos e projetos surgiu A FÓRMULA DO STORYTELLING.

Entra um novo integrante no time que decide ir muito além da sobrevivência ao refletir sobre O QUE STORYTELLING E PIRÂMIDE DE MASLOW TEM A VER?

No meio do ano não dá para deixar de falar do festival de publicidade mais importante do mundo, ainda mais quando o storytelling vence a categoria mais digital de Cannes.

Mas como nem tudo são flores no mundo da publicidade revestida com contos, fadas, mitos e histórias, também tivemos que olhar a fundo a PROBLEMÁTICA DO STORYTELLING.

No fim do ano valeu explorar um dos autores excepcionais, que conseguem a adoração popular sem perder o respaldo acadêmico e o respeito intelectual e assim aprendemos OS 5 PASSOS DE UMBERTO ECO PARA ESCREVER HISTÓRIAS.

Finalmente, já olhando para o futuro, formulamos que Comunicação Digital + Storytelling = Tendência.

Foi um ano fantástico. Fabuloso. Épico... e que venha 2014!


Este post é o resultado de uma entrevista para o SESI CULTURAL e foi inicialmente postado aqui.
Que dicas você daria para quem quer construir um bom roteiro de ficção?
Em primeiro lugar, é preciso conhecer muito bem a história que você quer contar. Conheça muito bem os personagens antes de começar a escrever o roteiro, tenha domínio dos detalhes da sua história. O ideal é você já saber o final antes de começar a escrever. O roteiro é uma ferramenta de meio de caminho, que fica entre o autor e o diretor. Então, a história tem que estar muito bem construída na cabeça do autor para que ele possa contá-la para o diretor ali.
Além disso, como se trata de uma ferramenta técnica, quanto mais clara o roteiro for, melhor. Não tem necessidade de se usar uma linguagem rebuscada, o mais eficaz é transmitir sua ideia da forma mais simples possível. Uma das qualidades dele é não ter muitas palavras. Pode ter muitos diálogos, mas não precisa entrar no detalhe na descrição. O foco do roteirista deve ser a ação do que está acontecendo.
Se você já tem o final em mente, fica mais fácil começar a desenvolver seu roteiro em etapas: começo, meio e fim são as gerais. Uma coisa que ajuda muito é começar de trás pra frente. Tem outras muitas técnicas sobre como desenvolver as outras etapas, como a Jornada do Herói, que é interpretada de um jeito numa comedia romântica e, de outro, num filme de terror. Então, é fundamental estudar o gênero que você quer fazer, assistir a muito filmes e séries daquele gênero para ter referências, até para não cair no clichê, pra evitar fazer aquilo que não gostou nas historias dos outros.
Outra coisa que pode ajudar muito é que você está falando de um assunto ligado à emoção. Se for um filme de terror, temos o elemento medo. Se for comédia, humor. Drama, tristeza. O fundamental é que seu roteiro seja capaz de transmitir essa emoção. Seu personagem tem que passar isso para que as pessoas também sintam. Quem for ler seu roteiro, tem que sentir isso. Então, o roteirista tem que sentir quando está escrevendo. Se estiver escrevendo uma comédia, naturalmente, dará risada enquanto cria. Essa questão da emoção é chave.
Por fim, conheça bem cenário e personagem. Saiba tudo sobre ele, não só o que será contado no roteiro, mas toda a sua história de vida. Assim, fica mais fácil de humanizá-lo e aproximá-lo das pessoas.
Existem alguns modelos de estrutura, certo? Quais você destacaria?
A mais básica é a estrutura de três atos: começo, meio e fim. Na prática, ela vira quatro atos, já que o meio é dividido. Aí, tem alguns autores que defendem umas coisas mais fixas. Por exemplo, que até a página 30, você precisa resolver a primeira etapa: apresentar o protagonista e o problema que ele tem que resolver; primeiro, mostra o personagem no mundo em que ele vive e como é a sua rotina. Depois, na metade do primeiro ato, você tira ele dessa rotina e o leva para outra etapa, outra realidade. Os segundo e terceiro atos são o meio. No final do segundo, tem o momento em que o protagonista acha que vai perder. É a hora mais terrível pra ele. Ele acha que não vai ser possível. No final do terceiro ato, ele junta todas as suas forças de novo, partindo para enfrentar o antagonista, o vilão. Em seguida, ele passa por um sacrifício, é o clímax, ele precisa pagar um preço, é um herói, vai sacrificar algo de que goste para cumprir seu objetivo. Enfrentado esse desafio, a segunda metade do quarto ato é ele voltando para o começo, volta para o mundo normal, mas não enxerga mais a sua realidade como antes. Ele traz o aprendizado que teve de volta para o mundo normal. De forma bem genérica, esta é a Jornada do Herói, um teoria elaborada por Joseph Campbell após fazer um estudo de várias mitologias. Em Hollywood, usa-se muito a Jornada do Herói.
Há outras estruturas que são bem mais difíceis, como a In Medias Res. Ela começa na metade da história e depois vai um pouco para trás e um pouco para frente, um pouco para trás, um pouco para frente. “Lost” um pouco assim. O filme “Amnésia” também.
É possível também fazer a Jornada do Herói de mais de um personagem. Comédias românticas geralmente são assim, você usa dois grandes personagens. “O casamento grego” faz muito isso.
O que um bom roteiro não pode deixar de ter?
A primeira coisa a entender é que a ideia tem que ser boa. Você tem que conseguir resumir sua história em três linhas e as pessoas gostarem. Mas, tendo uma boa história, você então precisa de um bom personagem, que dê um caráter único a ela. Terceiro elemento muito importante é o cenário. Mais uma vez, “Lost” é um exemplo. O roteiro precisa passar por uma produção e o cenário vai impactar bastante nisso. Se você diz que sua história vai se passar numa ilha, há um trabalho importante de produção aí. O roteirista sempre tem que pensar na forma mais simples e barata de concretizar a ideia, porque, quanto mais viável for o roteiro dele, mais provável ele se torna de se concretizar. Há historias fantásticas contadas em um só ambiente.


Um dos assuntos do momento na comunicação é a questão das multi-telas. Algumas pessoas chegam a advogar que a segunda tela, na verdade, é a televisão. Afinal, smartphones e tablets sempre à mão enquanto boa parte dos anúncios na telona falham em prender a atenção. Ainda que sejam apenas 30 segundos, não aguentamos essa espécie de “pedágio”.

Uma pergunta importante: por que não aguentamos assistir a um comercial de apenas 30 segundos, se mal conseguimos piscar durante mais de 90 minutos de uma película cinematográfica? Dica, a resposta não tem a ver com valores. Tecnicamente falando, 30 segundos de produção e veiculação de um anúncio no horário nobre chega a custar mais do que a produção dos mesmos 30 segundos de um filme feito em Hollywood. A resposta é outra: tudo muda com uma boa história por trás.

Uma história bem contada é capaz de conquistar mais que apenas consumidores, ela atrai também atentos. Sim, atentos. No cinema, desligamos os aparelhos celulares. Para ler um romance, seguramos o livro (ou o e-reader) com as duas mãos. O mesmo vale para o joystick dos videogames. Quando alguém consome uma história – seja leitor, plateia, ouvinte ou audiência – esse alguém está atento. De modo que o Storytelling é hoje o último reduto da atenção exclusiva e dedicada.

As histórias são naturais aos seres humanos desde o tempo pré-histórico, literalmente falando. Não tínhamos inventado a escrita, de modo que não podíamos registrar os pensamentos e descobertas, então inventamos as histórias. Se desde os tempos das cavernas as histórias fazem parte da natureza humana, é normal que cada dia mais ela venha a se tornar natural também às marcas.

Mas cuidado! Quando falamos em histórias de marcas não estamos falando sobre pontuar cada segundo do histórico do centenária da companhia. É preciso ter emoção. Assim como também não adianta coletar um monte de depoimentos e relatos de pessoas aleatórias. Pense que Storytelling não é narrar um jogo de futebol, mas mostrar os melhores momentos da final do campeonato no intervalo entre o término da prorrogação e a cobrança das penalidades.

Contar uma história contagiante depende da capacidade de saber buscar e encontrar os momentos mais marcantes e significativos. Mesmo uma marca com cinco anos de existência é capaz disso. Existe um ótimo exemplo brasileiro, que com alguns sorvetes e uma boa história já faturou mais de R$ 25 milhões e acaba de receber investimento de ninguém menos do que o homem mais rico do Brasil na atualidade. Essa marca é a Diletto, mas também pode ser a sua.

Artigo publicado inicialmente no Adnews, por Fernando Palacios e Pedro Kastelic.


Leia as partes anteriores desta série de artigos:

BADASS WAY OF LIFE
Descobrimos ao longo dos outros dois artigos que os badass têm um alguns ingredientes de perversão, mas que no fundo eles são bons neuróticos obsessivos como todos nós. Mas, será possível ser um valentão a vida toda?
A resposta é não. Se o personagem não vive num cenário extremo como um apocalipse zumbi ou uma guerra, ações impulsivas geralmente não são apoiadas pela sociedade. Na versão mais recente do Batman os filmes nos contam que Bruce Wayne vestiu a capa e o capuz por um período bem curto de tempo, logo um valentão da vida real teria boas histórias para contar par os seus netos (se chegasse a tal idade), mas não teria uma aventura todo dia. Por isso, os badass mais realistas têm suas histórias contadas em períodos bem curtos de tempo, como faz a série 24 Horas onde acompanhamos o agente Jack Bauer em um dia extremamente agitado, ou seja, uma excessão de sua rotina.
É importante ressaltar que precisa haver consequências para as ações do valentão. Ele tem que pagar o preço de se arriscar tanto. Na maioria dos filmes de ação, entre as explosões e tiroteios sobra pouco tempo para o desenvolvimento do personagem, mas o público sabe reconhecer um valentão pela forma como ele lida com as consequências de suas ações e quanto mais problemas ele tiver por conta de suas atitudes, mais carismático ele se torna.
Portanto nessa série de artigos aprendemos que um valentão parece um perverso porque sempre faz o que for preciso pra alcançar os seus objetivos, mas que sofre as consequências porque é um neurótico obsessivo e por isso tem uma consciência que pesa. Também vimos que não se pode ser um valentão o tempo todo, a não ser que você viva num mundo conturbado.


Muito se fala por este blog a fora sobre storytelling. Entre discursos mais ou menos corretos, em geral ouvimos que storytelling não é algo novo, mas que vem ganhando destaque na comunicação por, basicamente, comover e conquistar a atenção de consumidores cada vez mais “nem aí” para as marcas.
Mas se o storytelling não é algo novo, onde ele começa? O que é ou não storytelling? Como ele conquista consumidores? Em suma, que história é essa de contar histórias?
Foi atrás de respostas para perguntas como essas que, há pouco mais de um ano, comecei a estudar o storytelling e escrever meu TCC sobre construção de marcas a partir de histórias ficcionais. Sim! Adicionem às perguntas acima, outras duas: o storytelling pode sair de mídias (comunicação) e ir para a construção de marcas (identidade)? Como se dá a relação entre a realidade e a ficção no storytelling para marcas?
O resultado de uma longa jornada de pesquisas e estudos foi recompensador. Mas as conclusões, vou deixar para que vocês mesmos possam tirar, lendo meu estudo na íntegra com seus próprios olhos: