São Paulo, 10 Abril, 2015
Com a chegada da televisão na casa das pessoas com 3 canais apenas, tudo era novidade. Qualquer propaganda também era vista como entretenimento e, com as opções limitadas, o público acabava focando naquilo que estava sendo oferecido. A comunicação era puramente pensada no sentido de BROADCASTING. Mas o que significa? Do dicionário: Broadcast: Cast or scattered in all directions.
Ou seja, consiste no envio de uma mensagem sem um foco, ‘target’ muito bem definido. É uma mensagem teoricamente de maior alcance, que vai agradar a maioria das pessoas. Em contraponto, a mensagem direcionada para todos mundo ou qualquer um pode também perder a profundidade, já que parte do preceito de generalização.
Hoje, nós buscamos o conteúdo que queremos, na hora mais propícia, no meio em que mais nos agrada. A quantidade de informações é tanta, que apertamos o ‘skip’ automaticamente, sem nem saber do que se trata. Com a expansão das mídias e dos conteúdos, não ficamos mais engessado em um canal e restritos à sala de nossas casas. O aumento das funcionalidades e de pessoas conectadas a partir do mobile (apenas uma pessoa por aparelho), facilita o estudo de cada consumidor e suas preferências individuais, o que facilita o uso do NARROWCASTING, uma tendência, hoje, em alta.
Esse consiste no foco da mensagem para um ‘target’ específico. Enquanto o Broascasting pode atingir pessoas de diferentes estilos, personalidades, sexo, classe, etc, o Narrowcasting se comunica apenas com os clientes que são interessantes para o negócio, conseguindo, com uma mensagem mais direcionada, engajá-los. Podemos dizer que o BROADCASTING é um coleguismo e o NARROWCASTING está mais para um romance.
Para conhecer os cases e a posição a se tomar diante dessa tendência, clique aqui


Não é um desafio encontrar alguém que não conheça a trama empolgante da nova série de TV, o universo pós-apocalíptico do novo livro lançado, ou o protagonista apaixonado do novo filme em cartaz. Mas quando estamos à procura de alguém que não conheça, por exemplo, qual freira rebelde é interpretada por Whoopi Goldberg, de quem o Sancho Pança é o fiel escudeiro, ou que família mórbida tem um tio pálido e careca chamado Chico, a tarefa fica bem mais difícil. Ainda assim, os teatros lotam e continuam a lotar produções como Mudança de Hábito, O Homem de la Mancha e A Família Adams, mesmo que essas histórias sejam tão conhecidas. Ao ponto de que a revelação de que o dragão é na verdade um moinho de vento seja o spoiler mais bem aceito da humanidade.


Mas por quê as pessoas insistem em reassistir a histórias que já conhecem de cor? Por quê querem ver a mesma coisa?

As histórias

Porque não são a mesma coisa. Tudo bem, o Quixote pode continuar imprudente, a irmã Mary pode continuar rebelde e a Wandinha pode continuar mal-humorada, mas as suas versões teatrais sempre criam experiências diferentes das originais, ainda que a trama seja a mesma. Isso acontece pois as histórias, como linguagem, dependem da materialidade por onde chegam aos nossos olhos e ouvidos: elas apenas se fazem histórias quando são projetadas a partir dos estímulos do meio.

Por isso, enquanto os estímulos visuais e sonoros de uma caixinha de luzes ou das milhares de palavrinhas de um amontoado de papéis são capazes de nos levar por maravilhosas viagens em universos imaginários, a performance de atores em um palco pode nos levar para as mesmas viagens, com os mesmos roteiros, e ainda assim proporcionando uma experiência totalmente singular, que cada “meio de transporte” pode oferecer. Assim, quando visitamos aquele mundo imaginário, podemos viajar em um avião que garante uma vista panorâmica e rápida, em uma trilha a pé que explora cada detalhe e demora o dobro do tempo, ou em um ônibus de excursão onde o motorista vai cantando músicas e fazendo coreografias para cada lugar que passamos.


O teatro

A materialidade que nos leva pelas tramas e universos paralelos encontra seu potencial máximo no teatro. Não apenas pelos cenários super produzidos, os atores famosos, e as coreografias impecáveis, mas pelo apelo como ritual. O teatro tem a capacidade ritualística de instaurar um espaço-tempo diferente do cotidiano, e assim, empresta da força do espaço e do tempo real para construir uma história ficcional e imaginativa de grande potência. Por isso, dizer que os espetáculos trazem os personagens que amamos à vida não é de toda ingenuidade. Enquanto na televisão vemos a imagem de uma mulher de vestido longo e nos enganamos a acreditar que ela é uma a mãe de uma família mórbida, no teatro, mesmo com a consciência de que ela não é real, essa “auto-enganação” é mais espontânea e intensa, porque vemos essa mulher viva, presente. Assim, somos afetados por uma outra variedade de estímulos, que estreita ainda mais a divertida ponte entre nossa realidade e a ficção alheia.



            A broadwaificação

O sucesso dos espetáculos musicais das histórias que já foram contadas e recontadas inúmeras vezes tem muito a dizer sobre o poder do meio sobre as narrativas. Nenhuma história é completa em si mesma, já que depende dos pedacinhos de contato do meio com o espectador (que nunca são absolutos a ponto de esgotar as possibilidades de viagens dentro de uma determinada história). Isso permite que que cada tipo de estímulo proporcione uma experiência única, e, em consequência, permite reinventar as narrativas.

Quem diz que a chave de uma boa história se encontra nas reviravoltas e imprevisibilidade está enganado. A chave das histórias está em como contá-las, de modo que as pessoas estejam dispostas a ouvi-la de novo e de novo, por vozes diferentes e complementares. Os musicais parecem ser mestres nisso, pois além de contar com seus atores, cenários e coreografias espetaculares, já têm as histórias que as pessoas adoram. E, mais uma vez, não precisam se preocupar com spoilers.






Muita gente tem como totem o ícone de São Jorge, o “Santo Guerreiro” que, galopando seu alazão, subjuga a figura desprezível do Dragão. Estar “vestido com as roupas e as armas de Jorge” – um centurião romano, garoto-propaganda do credo bélico de Roma – é motivo de orgulho. Mas vamos analisar mais atentamente esse hieróglifo da Igreja Romana.


Segundo a hagiografia¹ da Igreja Católica Romana, São Jorge teria nascido na Lida – atualmente situada em Israel – e era soldado do exército do Imperador Diocleciano. Teria morrido na Nicomédia (hoje, Izmit na Turquia) e seus restos mortais transferidos para sua terra natal pelo Imperador Constantino que mandou construir uma igreja-mausoléu em sua homenagem. Considerado padroeiro de diversas cidades ao redor do mundo e padroeiro não oficial do Rio de Janeiro – título originalmente atribuído a São Sebastião – a figura mítica de São Jorge, no entanto, remete a períodos históricos anteriores ao cristianismo.

A Diáspora do Ícone

Uma das primeiras manifestações iconográficas semelhantes de que se tem notícia data do Livro Egípcio dos Mortos, onde uma figura desprovida de nomenclatura fere uma serpente com sua lança.  

Na Índia, Krishna subjuga a serpente antropomórfica Kaliya. Atentem para o fato de que Krishna, assim como São Jorge, subjuga Kaliya, seu próprio dragão, pisoteando-a. Todos os mitos que subjugam sua própria besta por intermédio da truculência possuem um intermédio, um anteparo; por vezes, um símbolo fálico. Do ponto de vista do gênero, o arquétipo Masculino, Positivo, “do bem” deve submeter o Feminino, Negativo, “do mal”. Do ponto de vista do Gênio Humano, este deve submeter o Instinto à Razão, que deve ser superior à Emoção.

Estes arquétipos são sempre representados por um guerreiro, trajado em vestes bélicas, muitas vezes em uma montaria que lhe serve de veículo. O adversário é sempre representado como uma serpente ou figura reptílica, mas não em seu aspecto de autorrenovação, por mudar de pele; ou de abrangência, já que seu corpo longilíneo poder envolver qualquer objeto em circunferência, inclusive o mundo; mas por seu aspecto rasteiro, baixo, ao revés, à mercê.

No antigo Egito, o deus Osíris trava uma batalha com Seth, a serpente do deserto, que o castra e esquarteja, lançando seus pedaços ao longo do Rio Nilo. Osíris representa o Sol, o aspecto masculino e viril. Seus pedaços são lançados ao longo do leito de um rio, sinuoso como qualquer serpente. Ísis, deusa da fertilidade, chora a morte de seu consorte e suas lágrimas se transformam em abelhas, não só porque polinizam flores mas porque, em seu voo, formam a gestalt (forma) de lemniscatas, o signo do infinito. Chamo de signo em vez de símbolo, devido à Lógica dos Signos e Símbolos, preconizada por C.S.Peirce e Ferdinand de Saussure .


Na mitologia grega o herói Belerophonte², filho de Poseidon, cavalga um pégaso (cavalo alado) e subjuga a Quimera. O pégaso mesmo teria nascido da morte de Górgona por Perseu, emergindo do mar tal qual Afrodite o fez após a castração de Urano por Cronos, que atirou seu falo ao Oceano (também um Titã). Logo, Pégaso representa também um arquétipo feminino. Com sua ajuda,  Belerophonte pôde não só derrotar a Quimera, mas vencer as Amazonas. Segundo o professor Junito de Souza, Zeus o nomeou “o portador do trovão e do raio”, o que faz Belerophonte próximo de Thor e Xangô.

O professor também menciona que: “O simples cavalo figura tradicionalmente como a impetuosidade dos desejos.  Quando o ser humano faz corpo com o cavalo, torna-se um monstro, o Centauro, identificando-se com os instintos animalescos. O cavalo alado, muito pelo contrário, simboliza a inspiração criadora sublimada e sua elevação real.” O cavalo de São Jorge não possui asas, não apenas para que a única figura inverossímil da imagem seja apenas o dragão, conferindo-lhe um ar de pouca credibilidade, e portanto demoníaco, mas também porque “São Jorge” é uma versão de Belerophonte castrado de sua subjetividade. “Belerophonte” significa Fonte de Poder. Mais tarde, acrescentou-se à lenda que São Jorge matara o Dragão em uma batalha na lua, plagiando a “cena” em que o herói grego sobe ao Olimpo.


Na mitologia Celta, Thor enfrenta Jormungand, a serpente que envolve o mundo. Na ilustração abaixo, tirada de uma história em quadrinhos, após sair muito maior de sua casca, Jormungand pode envolver o mundo, até seu focinho alcançar sua cauda, tal qual Ouroboros. Thor, assim como Belerophonte e seu pégaso, é o portador do trovão e do raio, simbolizados por seu martelo, Mjolnir.             


A diferença é que, tanto Marduk³ quanto Shiva subjugam a famigerada Serpente através da vontade, não pela coerção ou pela força bruta. Na Índia, Shiva, o Destruidor (ou Transformador) possui a Serpente calmamente enroscada em torno de seu pescoço, enquanto Marduk jaz tranquilo tendo a seus pés a dócil Ti´âmat.


Ti´âmat é a Deusa Dragão do Caos e das Trevas; o Abismo, as águas salgadas, mas da à luz o Mundo. Mistura-se à Apsu, as águas doces, e resgata sua completude, já que havia sido dividida pela lança de Marduk.

Em algumas poucas versões, Krisna chega a aparecer em harmonia com a  Serpente:


O mítico “São Jorge” é, na verdade, uma mimésis de Belerophonte, montado num cavalo subjugando sua própria Quimera. O arquétipo do homem dominando a besta deu lugar a um mito de coerção. Não esqueçamos que a palavra “quimera” derivou para um adjetivo que designa sonhador, fantasista, sem fundamento, ilusório, utópico. Matar o sonho é castrar a subjetividade. E como subjetividade não pode faltar para nós, Storytellers, vamos às versões pop do mito, que mostraram o arquétipo de modo quase imperceptível e evocaram-no do inconsciente coletivo do grande público de forma praticamente subliminar.

Transmídia Arquetípica
As versões pop do Mito

Mesmo nas formas mais sutis, o arquétipo de São Jorge e o Dragão está presente. A figura mais próxima ao ser humano possui sempre um aparato bélico enquanto sua besta particular se encontra sempre desprovida de armamento e o que faz dela um perigo é ela própria.

Muitas vezes, o herói não foi preparado para aquela missão, e seu dragão particular aparece como um deux ex machina em sua saga para confrontar-lhe de uma forma que nem o seu arqui-inimigo algum dia fez. Vamos aos casos mais conhecidos:

Ultraman x Godzilla- Ao fazer contato com uma entidade superior, um indivíduo se torna um robô de 50 metros de altura nas cores vermelho e cinza (as mesmas de São Jorge) para enfrentar criaturas gigantes e medonhas, verdadeiras quimeras, híbridas de várias espécies para formar um amálgama bestial. Não raro, tinham formas reptílicas. A mais famosa delas, embora não faça parte do universo de Ultraman é Godzilla, único personagem que conseguiu alcançar a hegemonia de protagonista personificando um dragão. Seu genérico, Spectreman, em um episódio chega a enfrentar a Salamandra, que cuspia fogo. Precisa de mais?
Na foto, um confrade de Ultraman, Ultraseven.


Superman x Apocalypse- Todos reclamavam que o Super-Homem era um semideus e que não poderia jamais se dar mal pra valer em uma estória, o que fazia com que o personagem estivesse gradativamente perdendo sua popularidade. Para por em xeque sua invulnerabilidade, sua editora, a DC Comics, lançou mão de um deus ex machina para tirar o protagonista da mesmice. Assim, Doomsday, como é chamado nos EUA, sai da terra com  uma das mão atadas e desce o braço no Super, literalmente com uma mão nas costas. O nome verdadeiro do Super-Homem não é Clark Kent, seu nome adotivo, mas Kal El. “El” vem das letras hebraicas Aleph e Lamed e quer dizer “do Céu”, como seu correlato árabe “Al”, como em Alá, o Celestial.

Batman x Bane- Mesmo o soturno personagem, que nada tem de celestial tem um quê de São Jorge. Batman possui um aparato bélico de ponta, embora não letal, pois, assim como Jorge, é um paladino da justiça. Mas o que ninguém esperava é que seu dragão não seria seu zênite, Coringa, mas um brutamontes criado de última hora. Pensando bem, Bane personifica bem mais o dragão. Embora não tenha aparência reptílica, sua força bruta o aproxima da imagem de besta, e sua história o faz emergir de um ambiente infernal, que o obrigava a rastejar (viver de forma subserviente), tanto na HQ quanto em sua versão para as telonas. De quebra, seu poder vem do anabolizante que tem o sugestivo nome de Veneno. Cobaia de um experimento por ter sido condenado, ainda no ventre, por ser o filho homem de um rebelde revolucionário, Bane pode injetar o dito anabolizante a hora que bem entender, aumentando sua massa muscular consideravelmente e o imunizando contra a dor.


Batman x Crocodilo- Crocodilo (ou Killer Croc, no original), ao contrário do Lagarto, da Marvel, que veremos a seguir, já nasceu com a aparência reptílica. Abandonado por seus pais por esse motivo, teve que se virar pra viver como manda o dia a dia,” tornando-se gangster no início de carreira. Tendo sofrido bullying na época em que ainda se chamava zoação, Croc quase matou seu algoz juvenil o que o levou a um reformatório. Já vimos este estória muitas vezes, inclusive – e principalmente – na vida real, não é, Storytellers? Mais uma vez o Dragão foi admoestado e respondeu à altura. À medida que se tornava mais velho, seu ódio pela humanidade crescia, bem como sua aparência bestial. Algo próximo do(s) personage(ns) Dr. Jekyll & Mr. Hyde, dA Liga Extraordinária. Oops! Spoilers... 

Homem-Aranha x Lagarto- Quando o Dr. Curt Connors inventou sua fórmula reparadora baseado em seu estudo com répteis e sua autotomia (capacidade de regenerar um membro amputado), para regenerar seu braço perdido, não sabia que isso o faria mudar para uma forma humanoide reptílica conhecida a partir de então como Lagarto. A metamorfose para um “dragão” se dá a partir de um médico  um doutor – enunciando a perda da Razão. 


Alien x Predador- Ainda que ambos tenham traços reptilianos, a figura do Predador nos é mais humana: dois braços, duas pernas, domínio do polegar opositor, postura ereta, vestuário, linguagem articulada... já o Alien nos lembra vários bichos, sempre rastejantes, hora reptílicos, hora insectoides. Não possuem línguagem articulada, cultura, roupas e se comportam como uma colmeia. É novamente a razão contra o instinto; a tecnologia contra a  natureza.


Os Heróis de Caverna do Dragão x Tiamat- Os heróis de Caverna do Dragão, cartoon de grande sucesso nos anos 1980, tinham como zênite o famigerado Vingador, que montava, não um cavalo alado, já que era ele que possuía asas. Tanto que ficava a dúvida: se o Vingador abrisse as pernas, o cavalo cairia?


Brincadeiras à parte, não é essa visão degenerada de Belerophonte que nos interessa, mas Tiamat, o dragão de cinco cabeças, que tornou o mito mundialmente conhecido, embora quase ninguém saiba que ele possui seu próprio São Jorge, Marduk.


O cartoon foi inspirado no RPG Dungeons & Dragons que nos apresenta Tiamat em sua versão mais fiel, como uma mulher: 


Em muito ela nos lembra as versões múltiplas de Kaliya.


O cristianismo, como religião patriarcal e consequentemente falocrática imprimiu na psique ocidental uma noção hierárquica vertical. O detentor do poder deve ostentar um cetro que representa seu poder coercivo, consequentemente castrador. Osíris, ao morrer no deserto, tem seu falo arrancado por seu invejoso irmão Seth, enquanto, na mitologia grega, Urano é castrado pelo titã Cronos por ter dado origem, com sua criatividade, ao universo.


Cronos (tempo) derivou para cronologia, crônica, etc. Seguindo a lógica de que “tempo é dinheiro”, qualquer um que dedicar seu tempo útil à arte, ao sentimento e à contestação deve ser rapidamente subjugado. Sob esse raciocínio, todos caçam um monstro que só existe em seus sonhos.

Vale lembrar que a China alcançou o segundo PIB mundial tendo como ícone o famigerado Dragão; tão enaltecido por eles em suas festividades que em muito lembram o nosso “Bumba meu Boi”. Parafraseando Djavan: “São Jorge, por favor, liberte o Dragão!”.

NOTAS:

1- Hagiografia- Ramo da História responsável por catalogar a vida de santos e beatos, além de suas virtudes supostamente heróicas. É uma prática mais comum na Igreja Católica Romana, que a considera uma ramificação da História da Igreja.

O termo deriva do grego hagios, santo; e graphía, escrever. Originou-se por volta do século XVII, alegando ter como objetivo catalogar os diversos escritos a respeito dos santos. Autenticando textos não necessariamente históricos, acabou por repaginar deuses pagãos convertendo-os em ícones de devoção. 

2- Belerophonte, tal qual Caim, matou seu irmão, daí o seu nome "aquele que matou Belero", segundo algumas fontes. Após ter matado a Quimera sem dificuldade, tentou (tal qual Ícaro), voar  ao Olimpo, "fato" que deu origem à lenda de São Jorge combatendo o Dragão na Lua, já que esta estaria no céu. No entanto, foi amaldiçoado por  Zeus, que enviou uma vespa para que picasse o Pégaso. Atena tornou o chão macio, mas Belerophonte, aleijado, passou o resto de seus dias coxo, peregrinando atrás de seu alazão alado.
(Fonte: Mitologia Grega, Volume I; Junito de Souza Brandão - Editora Vozes)

3- Marduk- dividiu ao meio Ti´âmat, a Deusa Dragão do Caos e das Trevas.” De suas lágrimas surgiram os rios Eufrates e Tigre e de seu corpo formou-se a humanidade. Esse “feito” marca a passagem do matriarcado para o patriarcado. De forma semelhante, Apolo matara Píton, ato do qual derivou o Oráculo de Delfos, que abrigaria as Pitonísias, primeiras Prostitutas Sagradas da Grécia Antiga, tão bem representados no filme "300."
(Fonte: Androginia, Rumo a uma Nova Teoria da Sexualidade; June Singer; Editora Cultrix)


Postado originalmente no blogue Cinegnose.




Post publicado originalmente no Adnews por Renato Rogenski

O mercado internacional reconhece o impacto e a efetividade dos trabalhos de product placement. Fosse diferente, a maioria das superproduções não teriam a introdução das marcas durante as cenas. Para alguns especialistas, o Brasil parece ainda engatinhar no tema, apesar de já ter algumas iniciativas interessantes. Uma delas, criada pela J.Walter Thompson, chamou a atenção de parte do público do Twitter na noite de ontem.

No penúltimo capitulo da novela Império, exibida pela Rede Globo, o vilão José Pedro (Caio Blat) bebeu uma Coca-Cola momentos antes de sequestrar a própria irmã (Leandra Leal). "Estou ansioso. Fiquei até com a boca seca. Adeus, bastarda", disse o personagem, ao lado de Maurílio (Carmo Dalla Vechia). Na sequência, durante o sequestro, Maurílio segura a lata vazia na mão e questiona o que fazer com o objeto, que agora tem impressões digitais.

Ao tentar jogar a embalagem no lixo, entretanto, o personagem erra o alvo, e o item cai na rua. A última cena parece deixar evidente a importância que a lata da Coca deve ganhar no desfecho do último capítulo da trama, que foi ao ar em março. Entretanto, parte do público do Twitter não entendeu a ação como um encaixe bem contextualizado. Uma enxurrada de críticas sobre a introdução do produto nas cenas ganhou a rede social. A maior delas: a associação do vilão com o produto.

Para Fernando Palacios, professor de Storytelling na ESPM e Diretor da Storytellers Brand´n´Fiction, a questão é também a própria cultura do brasileiro com relação à polarização entre mocinhos e vilões. "A estratégia foi ousada. Enquanto os Estados Unidos investem cada vez mais em seus vilões, o Brasil ainda tem esse apego dicotômico ao herói bonzinho e ao vilão malvado", acredita.
Para Palacios, talvez o fator mais grave esteja em outro ponto. "Colocar uma Coca-Cola na mão do vilão no penúltimo episódio certamente daria o que falar. Talvez o escorregão esteja no fato de que a Coca-Cola se posicione como a marca ‘Embaixadora da Alegria’ e essa associação com a vilania acaba ficando estranha", explica.

Ainda assim, o professor lembrou que a mesma Coca-Cola já se arriscou em cenas de placement com o contexto parecido. "No seriado Breaking Bad, a Coca-Cola também apareceu em contextos de vilania, tanto quando o protagonista Walter White compra o lava-rápido para lavar seu dinheiro, como na cena icônica do episódio ‘Say my name’ em que ele diz que sua droga é a melhor e que se ele morrer seria como acabar a Coca-Cola do mundo", finalizou.

Confira alguns dos comentários no portal Adnews.
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Era um dia como qualquer outro, bem... parecia. Porém alguns prédios estavam estremecendo com o impacto de ondas de choque. O que causou isso, era o embate que acontecia na rua. De um lado uma integrante de uma unidade de elite dos Boinas Verdes, Sonya Blade. De outro, o último filho de Kripton, um extraterrestre que cresceu entre nós e tem poderes que raramente foram testados em toda sua extensão. Sim, é Superman.

Sonya é uma humana, aparentemente normal, porém suas capacidades físicas excedem a maioria. Já enfrentou um torneio mortal para proteger a Terra da invasão de deuses de outra dimensão. Ela começa a golpear e de alguma forma Superman está sofrendo a cada soco ou chute. 

Comparando os poderes, podemos dizer que o Kriptoniano seria um tipo de deus perto dela. Aliás ele já enfrentou seres que não estavam apenas querendo dominar o planeta, mas devastar todo o universo e a vida que nele poderia existir. Parece difícil, improvável e, mesmo impossível, mas Sonya venceu a luta em questão. Esse é um caso de dissonância ludonarrativa apresentado na maioria dos jogos de luta.





Suspensão de "partes da ficção" 

Isso só é possível, porque quando players se desafiam nesse tipo de jogo eles estão interessados em testar suas habilidades com combos e sequências de botões para desafiar os amigos e, não na história.  É um daqueles casos que a gente já abordou aqui de quando o gameplay é maior que o storytelling.

Só que se formos levar apenas para esse lado todo jogo de luta é a mesma coisa, então o que faz a diferença estratégica na hora de um jogador escolher entre Tekken e Mortal Kombat é a história por trás dos personagens e, claro, a profundidade deles que vão gerar uma identificação em níveis arquetípicos.  E vão responder a perguntas como "por quê escolher a Sônya? " 


Eu, por exemplo, baixei recentemente uma DLC para o game Injustice: Gods Among Us que me permite jogar com o Arqueiro verde, usando o visual do seriado Arrow.  O jogo me permite "estar na pele" do personagem e isso faz dele um dos meus heróis preferidos.  Mas no fundo, eu sei que dificilmente ele venceria alguém como o Apocalipse ou Lobo... apesar de eu já ter vencido algumas vezes.




Por falar em Mortal Kombat vs DC Universe, eles abusaram dessa dissonância. Só porque os players estão dispostos a deixar alguma coisa de lado, não significa que você precisa oferecer uma história "mal-feita".  Esse game tem um dos piores personagens que já vi na vida: Dark Khan, vejam e lamentem!