Storytelling ja existe como disciplina nos EUA. Os alunos aprendem a construir discursos de venda
contando suas histórias.

UM DOS CONCEITOS MAIS UTILIZADOS SÃO OS PITCHES. OS ALUNOS DEVEM SABER CONTAR SUAS HISTÓRIAS UTILIZANDO ROTEIROS CURTOS, COM BREVES PERÍODOS DE TEMPO.

O elevator pitch surgiu em Hollywood, onde um roteiro de filme vale milhões. O diretor recebia milhares de roteiros e não conseguia ler todos, por conterem centenas de páginas. Para conseguir vender suas histórias, os roteiristas começaram a contar suas histórias em poucos segundos, ao esbarrar com
o diretor no elevador.

O ambiente corporativo percebeu que as técnicas desenvolvidas pelos roteiristas para sintetizar 90 minutos em 90 segundos também poderiam servir para as empresas. Assim surgiu o conceito de elevator pitch dentro das empresas, seja para uma equipe apresentar um projeto para a diretoria, seja para um fornecedor aprender seus serviços para a área de compras. Hoje até os empreendedores estão usando as técnicas para apresentar suas startups para investidores.

E você, sabe apresentar seu negócio, seu produto e seu currículo em apenas alguns segundos ou sempre sofre quando faz um curso e o professor pede para todo o mundo se apresentar? 



A Diletto ajudou a levantar um grande questionamento sobre o Storytelling: Até onde vai a ética na hora de contar histórias?  Pra quem não acompanhou, o caso gerou a matéria “Marketing ou Mentira” publicada pela revista Exame e  o artigo “Toda empresa quer ter uma boa história. Algumas são mentira” que foi destaque no site.

Após toda essa polêmica, será que alguém já se perguntou que fim o Nonno Vittorio levou? Sem dúvida muita gente.  Mas quem me chamou a atenção foi um dos redatores da Carta Capital que questionou em seu artigo, "Que urso sou eu?". Vejam:


Essa semana, quando vi no freezer da padaria aqui do meu bairro, o picolé de Ovomaltine da Diletto, confesso que não resisti. Peguei logo quatro e levei pra casa. Viciado em ler embalagens, lá fui eu saber o que tinha acontecido com o pobre do nonno Vittorio, velho de guerra, já que sua história fora proibida na embalagem.

Que surpresa! O velhinho boa praça desapareceu da história, para dar lugar a um urso. Sim, um urso. Diz a embalagem:

“Seguimos as receitas originais do pequeno urso polar Diletto, que no começo do século passado fazia seus picolés à base de neve no pequeno vilarejo de Sappada, na região dos alpes italianos”. 




Será que a marca abraçou completamente a ficção, deixando bem claro que o mundo aonde o pequeno Urso polar vive é lúdico? 


Segundo Fernando Palacios eles teriam abraçado se construíssem melhor o urso, porém apenas trocaram o avó pelo novo personagem.  

Mas é mesmo possível substituir um personagem? Claro! Nas HQs vários nomes acabam assumindo a roupa de um Super Herói ou outro.  Entretanto a construção desse personagem tem que ser lapidada com cuidado especial, o que inclui uma boa estratégia de narrativa para apresenta-lo, caso contrário, ele pode criar uma estranheza muito grande. 

No caso Diletto, essa foi a sensação do autor da Carta Capital.: "Resumindo a história: O picolé de Ovomaltine é irresistivelmente delicioso mas, sinceramente, essa história do urso não me convenceu. "

Isso tudo ressalta para o mundo empresarial a responsabilidade de contar uma narrativa de marca.  E para vocês, o que acham dessa "nova" história? O Urso convence?  








Vamos falar de games analógicos, de origem bastante remota e que fundaram as bases do storytelling interativo.  Para não nos perder no assunto vale a pena ressaltar que um RPG pode ser um tipo de jogo de tabuleiro (dependendo do sistema) ou de cartas, mas não vamos falar deles agora.  Estamos focando naqueles games tipo o War ou Banco imobiliário que não necessitam de uma "interpretação" e a ficção pode ser mínima. 


A chave para o círculo mágico 


O Círculo mágico é um conceito definido por Huizinga, no livro Homo Ludens, ele basicamente fala de um espaço-tempo aonde entramos em contato com o mundo criado pela experiência de jogo. Ali, claro, é um campo norteado pelo imaginário e pelas regras definidas no game. 

Assim como Huizinga fala que ter essas regras definidas ajudam a compor o limite do círculo, isso também pode nos dar a chave para acessá-lo: um contrato social.  Quando as pessoas sentam-se em torno da mesa e dizem "a partir de agora somos guerreiros, astronautas e etc..." 




É importante dizer tudo isso, pois quando se escreve para um jogo de tabuleiro ou mesmo um Card Game, a maioria do conteúdo narrativo não vai estar presente durante o jogo, mas vai fazer ele funcionar para conectar emocionalmente os players. 


Minha primeira experiência com esse tipo de game veio com o Selene The Fantasy e foi bem desafiador, pois quando entrei no projeto ele estava bem avançado, já tinha muita coisa escrita, então passei por um processo de entender o que o Game Designer queria contar. 



Um game writter, independente da plataforma, se depara uma hora ou outra com essa realidade:  infelizmente, quase sempre os escritores não estão no começo do projeto.  É uma cultura que vem de longe. Wendy Despain falou sobre isso em um dos livros da IGDA - "A contratação de um " escritor " nestas grandes equipes de desenvolvimento é bastante nova . Até cerca de 2002 , game designers e programadores faziam o que hoje chamamos concepção narrativa e escrita de diálogo."  As grandes franquias já mudaram isso, como podemos ver nos AAA, mas ainda há uma ressonância desse comportamento em mercados menos evoluídos em relação a cultura de produção de game. 







Criando o Game World


É onde os players devem estar durante a partida. Lá que os conflitos e desafios acontecem e eles devem fazer sentido com as mecânicas.  O Fernando Palacios sempre fala de como a verdade humana é importante para as histórias, o seu game world deve estar recheado delas. 

A motivação do player deve ser a mesma que a do personagem. "Não é apenas chegar na casa central do tabuleiro, é evitar que a vila seja incinerada por uma magia devastadora de fogo. Você quer que pessoas ao seu redor morram?" 


Esses são assuntos que convergem em nosso mundo, nem tudo que está lá dentro do mundo mágico vai permanecer lá e nem tudo nasceu lá.  Você deve usar isso para ajudar o jogadores a se conectarem.  Estou desenvolvendo a narrativa de um board game para uma psicóloga infantil, a ideia é fazer as crianças entrarem em contato e desafiarem seus próprios medos. 

 O que faço para achar essa verdade é entender os medos, aliás isso facilita bastante o trabalho, as pessoas compartilham os mesmos medos,  o trabalho reside então em dar dimensões lúdicas e extremamente divertidas - afinal é um jogo e não uma palestra motivacional, se você perder esse controle na hora de escrever o game todo fica comprometido.    




Escreva personagens que possam identificar os players


Geralmente Board & Card Games apresentam uma variedade interessante de personagens jogáveis.  Porém ao contrário dos jogos de RPG o player não vai construir eles, apenas viver a jornada deles.  Então você deve aproveitar essa variedade para se aprofundar nos seus perfis.  

Uso uma estrutura arquetípica que se baseia nos 12 definidos por Jung ou nos 22 Arcanos que também acho interessante, mas tudo varia da proposição do jogo.  

Mais importante do que a estrutura do personagem é sua motivação: o que ele busca naquele mundo,  qual é o seu lugar ou qual é a realidade que ele quer mudar?  Essa resposta é uma ferramenta poderosa de conexão emotiva. 


Imagine como cada personagem fala, como anda e como se comporta diante de um combate. Isso vai ser passado para o jogador com o conteúdo narrativo do game.  Como? Vamos então falar disso... 



Board & Card Game Cracks 


Muitos jogos de tabuleiro ou de cartas não são um Story Games, eles não são focados na imersão narrativa. Por isso tudo o que você construiu como descrevi acima deve ser recortado, integrado a mecânica e aos elementos do jogo.  Essas inserções nos elementos é o que vamos chamar de Cracks do Storytelling interativo. 

Os cards, que também estão presentes nos board games são a forma mais clara para isso acontecer.  No game Selene The Fantasy eu inseri frases para cada personagem, os players poderiam então imaginar como era interpretar o combate. 




Você precisa avaliar qual é a função do card e como aproveita-la para inserir um Crack, as vezes as missões pode inserir trechos importantes da história. As vezes cards de itens podem fazer a função parecida dando sentido lendário para suas conquistas. 

"A pérola dos Deuses. Encontrada há anos pelo povo do mar e cobiçada pelos seus inimigos que não vão poupar esforços para conquista-la"


Alguns jogos tem um número pequeno e definido de missões, nesses casos eu acho bacana os cards acompanharem um conteúdo maior, no manual como um miniconto (por exemplo) para imergir os players em cada uma delas.

No caso do tabuleiro, o desenho dele também conta sua história. Como as batalhas que aconteceram antes ou as disputas naquele mundo moldou sua disposição?  O que aconteceu ali antes dos personagens pisarem no seu solo?   A primeiro momento você não vai contar isso tudo escrevendo, então coloque indícios e depois dê um conteúdo off game para o player que vai explicar tudo. 


Conteúdo Off game? 


Isso mesmo. A maioria dos players está buscando uma diversão casual e não vão estar dispostos a se envolverem com toda a narrativa. Mas quem sabe, ao menos um deles não. Sabe aquele conteúdo todo que escreveu como o game world? 





Então, ele pode virar um monte de conteúdo off game, o manual do jogo por exemplo pode vir com uma HQ ou ela pode ser disponibilizada na internet.  Um Trading Card Game que faz muito suceso atualmente é o Hearthstone, da Blizzard... é dispensável falar sobre quanto conteúdo narrativo eles desenvolveram nos últimos 20 anos. Afinal é um TCG baseado no universo de Warcraft que já conta com séries para web e com um futuro filme. 

Ah sim,  se quiser escrever para um jogo deste tipo, não precisa ser exatamente uma Blizzard. Sabe o jogo que citei com a psicóloga? Ele vai acompanhar histórias para serem contadas durante as sessões,  da maneira que nossa avó contava antigamente.  E, talvez, uma fábula representada com fantoches. Dessa maneira quando a criança levar o game para sua casa, tudo vai fazer muito mais sentido.   






Recentemente eu escrevi um artigo sobre meu processo criativo para um conto de Scifi. Logo que meus outros trabalhos estiverem publicados posso compartilhar também como foram suas concepções, mas estou trazendo alguns aplicativos que eu uso o tempo todo e que podem ajudar, seja na inspiração, seja na hora da mão na massa.

Evernote




Vocês devem conhecer o Evernote, o app para criação de notas. Elas podem ser fotografadas, gravadas em áudio ou transcritas do áudio para texto.  É sem dúvida o que eu mais utilizo e, inclusive, merece um post a parte - como criar um tipo de storybible no app por exemplo. 

Mas aqui pode servir para catalogar anotações em qualquer momento do dia. Se a inspiração vier durante uma viagem,  basta abrir uma nova nota e pronto. Depois você vai precisar tirar umas horas (ou dias) para organizar tudo em etiquetas e pilhas de cadernos, mas vale a pena.  

O Evernote está disponível na versão mobile, desktop e web.  Se inscrevam aqui para utilizar, é free



Google Drive




Existem várias discussões sobre como utilizar programas de roteiros para ajudar a produzir o seu texto.  Mas nem todo mundo prefere esse tipo de software e algumas versões free não disponibilizam recursos interessantes online. 

O Google Drive é disponível o tempo todo e você pode trabalhar colaborativamente, criando anotações ou editando as cores do texto de cada autor. Além disso tem uma opção de chat que é ideal para manter o foco no que está sendo produzido.  Fora que na hora de exportar é uma beleza.  Se você já tem alguma conta do Google, provavelmente encontrará alguns arquivos de emails lá, acessem aqui.


Spotfy





Pois é, o spotfy que citei no meu último artigo é bom pra colocar todo mundo em sintonia, literalmente. Dá para montar várias playlists com trilhas sonoras de filmes, games ou artistas famosos que transmitam a mensagem que você está escrevendo e mergulhar nesse universo.  Experimentem aqui. 


MindMeister





Por fim, o Mind Meister que é uma das melhores ferramentas para mapas mentais.  As possibilidades são enormes e o visual fica bem bacana.  Também está disponível em várias plataformas como a mobile e a desktop. Cliquem e confiram.


Matéria publicada inicialmente pelo jornal Diário do Nordeste.
 
Criar histórias. Narrar. Emocionar. Os ingredientes formam a receita do storytelling, um método que utiliza palavras ou recursos audiovisuais para transmitir uma mensagem. Pode ser utilizado em várias vertentes, como estratégia de marketing, para motivar colaboradores ou até mesmo no lançamento de produtos. O mundo corporativo vem se apropriando cada vez mais da técnica de contar histórias relevantes para potencializar resultados em suas marcas e atrair a atenção de seu público-alvo.

"Desde a antiguidade, no tempo dos homens das cavernas, todo mundo contava uma história por vários motivos. Para ensinar a caçar ou falar dos perigos. Os pais contam histórias para os seus filhos", explica Fernando Palácios, um dos fundadores do primeiro escritório de Storytelling no Brasil, a Storytellers Brand 'n' Fiction que tem como principais cases: a peça de Teatro "Filhas do Dodô" para o Grupo J. Macêdo e "O Mistério das Cidades Perdidas" para Mini-Schin que superou 2 milhões de leitores na internet.

Em algum momento, a organização precisa contar uma história, seja ela de ficção ou não, para atingir determinado objetivo, "sem que a narrativa se torne chata". O storytelling foge das abordagens tradicionais de comunicação, valendo-se de histórias interessantes para obter a atenção de alguém.

A técnica, como parte da visão corporativa, vem sendo utilizada pelas empresas há pouco mais de dez anos. Com nascimento nos Estados Unidos, no Brasil, é uma abordagem recente. As empresas, segundo Fernando, estão começando a despertar para a necessidade de contar histórias interessantes sobre ela ou sobre seus produtos. "O método trabalha com o emocional das pessoas, podendo ser de forma dramática ou engraçada".

A propagação do storytelling como um método eficaz desperta a curiosidade das empresas cearenses. "O Ceará é um polo forte nesse sentido. As primeiras histórias, as mais bem construídas são do Estado". Fernando cita o caso do Grupo M. Dias Branco que vem construindo uma narrativa para um dos produtos da marca Richester, o Animado Zoo. O produto possui mascotes. O trabalho do storytelling é construir narrativas envolvendo esses personagens, criando um vínculo emocional para cada um deles, aproximando a marca de seus principais consumidores.