Entre os dias 18 e 23 de agosto, o Centro de Inovação e Criatividade da ESPM (CIC ESPM) realizará a 13ª edição do curso “Inovação em Storytelling: do branded content à transmídia”, ministrado pelos professores Bruno Scartozzoni, Fernando Palacios e Martha Terenzzo, que contribuem com experiências complementares de mercado.

Diferente das doze edições anteriores do curso, essa terá um período só para colocar em prática os conhecimentos aprendidos. Os alunos pediram e os professores acataram. Agora a 13ª edição, intensiva, com duração de uma semana inteira, conta com seis aulas, sendo cinco teóricas durante a semana e a última, no sábado, totalmente prática.

Entenda como são feitas as histórias, para os mais diversos meios, desde a cultura organizacional das empresas, passando pela conceituação de produtos, até os sucessos de bilheteria produzidos em Hollywood, bem como os clássicos que já emocionaram diversas gerações na Broadway. O curso deseja aprimorar o olhar, e a escrita, de seus participantes, a fim de apresentar o “caminho das pedras” para se capturar a atenção do público.

Empreendedores, empresários, publicitários, comunicadores, diretores de marketing, escritores e roteiristas, entre outros, são esperados no campus do CIC ESPM, localizado na Rua Álvaro Alvim, 123, Vila Mariana, São Paulo, a partir da próxima segunda, dia 18 de agosto. As aulas ocorrerão de segunda a sexta, das 19h30 às 22h30, e no sábado, das 9h às 13h.


Quem quiser saber qual a diferença entre contar histórias e contar a melhor história, deve se inscrever a partir do site do CIC ESPM – http://www2.espm.br/cursos/cic/inovacao-em-storytelling-do-branded-content-transmidia-intensivo – até domingo, dia 17 de agosto. O valor do investimento é de R$ 1.230,00 e pode ser parcelado em até três vezes iguais de R$ 410,00. Mais informações pelo telefone (11) 5085-4600.



Storytelling é mesmo uma palavra que já causa muita confusão por quem ainda não entende o poder de uma história, agora se inserirmos a palavra transmidia antes tudo se complica muito mais.  Isso porque transmídia sem storytelling é basicamente multiplataforma e não transmidia. (mas vamos voltar a falar disso em outro post para não complicar). 

O que importa é saber que o passo principal e inicial para uma transmidia dar certo é ter muito conteúdo e deixar ele fluir naturalmente para outras mídia, assim como o novo projeto do RPG Dungeons & Dragons da WOTC.

  • Pra quem não conhece o D&D é primeiro RPG de mesa ou tabletop que ficou famoso pelo mundo inteiro na década de 70 e inspirou séries como o desenho Caverna do Dragão.  A publisher WOTC desenvolveu ao longo dos anos vários storyworld que também são conhecidos como cenários de campanha pelos jogadores 

O cenário atual é Forgotten Realms, que vem sendo construído desde 1967 e foi projetado para acomodar elementos tradicionais de D & D,  um mundo de terras estranhas, criaturas perigosas e poderosas divindades, onde os fenômenos sobrenaturais e magia são bastante reais.

O sucesso do cenário, embalado por uma série de romances de  R. A. Salvatore que se tornaram best sellers nos EUA,  levou-o até os MMORPGs em 2013 quando Dungeons & Dragons: Neverwinter foi lançado (já compreendendo uma série de quatro livros de fantasia) As mecânicas do jogo eram inspiradas na edição do tabletop de D&D - demonstrando um interesse em transmidializar o conteúdo e o gameplay que não cabiam mais em uma só plataforma.

Agora com o lançamento de uma nova edição do D&D (a quinta) a WOTC teve a oportunidade de fazer algo único, aproximando ainda mais o MMORPG do RPG e lançando um conteúdo que converge para o mesmo mundo e o mesmo conflito: Tyranny of Dragons




Nessa próxima aventura os jogadores terão que impedir (ou ajudar) um culto do Dragão que planeja trazer Tiamat de volta para dominar o mundo.  Este lançamento vem com atualização de regras para as duas versões do jogo, novos personagens e em breve uma nova série de HQs e romances.

Os players poderão experimentar uma narrativa mais linear no MMO e depois partirem para suas próprias aventuras com as narrativas emergentes do tabletop, tendo toda literatura produzida em torno de Forgotten Realms e Tyranny of Dragons dando suporte a sua imaginação, isso é pura imersão narrativa transmidia.  Querem embarcar nessa? Conheçam mais no site oficial - dnd.wizards.com



Muita gente pergunta de cursos de storytelling online, tá aí uma chance de conhecer uma introdução ao assunto: palestra online pelo Sebrae-MG amanhã.

http://www.sebraemg.com.br/atendimento/conteudo/cursos-e-eventos



Um dos calcanhares de aquiles do storytelling interativo é o "quão interativo a sua história pode ser".  Produtoras passam anos estudando formas de conectar emoções em jogos através dos seus personagens e do mundo ao seu redor e cada novo personagem que possa interagir com o player abre uma nova árvore de possibilidades do enredo - se for personagem jogador então pode abrir várias.

Tudo isso nos trás dois cenários que ainda são quase imutáveis: Quanto mais personagens maior será o tempo de produção de um jogo e mais caro ele fica.  Por fim, atualmente ainda há pouca possibilidade de um personagem de game construir realmente uma história própria, a maioria das escolhas que ele toma são consideradas "cosméticas" e não vão influenciar no final do game que converge para um ou dois finais apenas. 

Isso não necessariamente destrói a experiência do player, porque quando se joga uma vez o game você consegue se conectar com o enredo e viver grandes experiências com seus desafios, mas quando acaba o game e tenta joga-lo novamente aí a graça toda vai para o ralo.



Agora, Brian Schwab, ex-desenvolvedor da Blizzard Entertainment que trabalhou na inteligência artificial de Heartstone, decidiu trabalhar em um pequeno estúdio em Londres com o intuito de desenvolver uma nova forma de evoluir a narrativa ainda deixar tudo muito mais barato na hora de produzir estes tipos de jogos focados em elementos narrativos. É a engine que ele chama de Storybrick, que vai Diretor de Inteligência Artificial.  Nesse processo o motor gráfico constrói o personagem e suas ações como vários tijolos que vão se conectando e considerando tudo para criar diferentes situações para ele.

Isso tudo ainda está em fase experimental e talvez nem se torne algo muito comercial, existem vários fatores que podem influenciar a construção de um game e muitos jogos estão alcançando o sucesso utilizando as mecânicas tradicionais (como nos games da Bioware, que sempre surpreende com histórias fantásticas) , mas é um caminho e mostra um movimento da indústria para amplificar a experiência - que eu ainda acredito ser mais viável com a transmídia.





Desde 2008 ao menos um membro da Storytellers está presente no evento literário mais importante do Brasil, a FLIP. O que para muita gente é turismo e até festa, para nós é trabalho. Sempre acabamos marcando reuniões com editores e livreiros e, acima de tudo, aproveitamos para nos mantermos informados sobre as novidades no mundo da literatura. Aliás, se estiver por lá, dê um alô.

Aproveitando a viagem, fizemos alguns levantamentos sobre alguns autores e achamos que não custava compartilhar por aqui.

Eliane Brum
Autora brasileira muito premiada e especialista em histórias reais.

Charles Peixoto
Autor brasileiro que ao nascer tinha outro nome e mestre na poesia marginal. 

Elif Batuman
Autora estadounidense que tem se dedicado a estudar grandes épicos.

Vladimir Georgievich Sorokin
Autor russo muito popular na literatura contemporânea e crítico ao regime de Putin.

Joël Dicker
Autor suíço é uma das novas vozes da literatura européia e já vendeu mais de um milhão de livros.

Eleanor Catton
Autora canadense, tão jovem quanto o Joel Dicker e laureada com o Man Booker Prize pelo seu segundo romance, The Luminaries. A mesa traz um clima de Granta VS Geração Sub Zero.

Francesco Dal Co
Historiador italiano especializado em arquitetura.

Paulo Mendes da Rocha
Arquiteto brasileiro consagrado e cheio de histórias para contar.

Michael Pollan
Autor estadounidense que trabalha temas de ativismo.

Charles Henry Ferguson
Documentarista estadunidense interessado em temas de guerra e autoridade em temas de tecnologia.

Etgar Keret,
Escritor israelita e um dos mais populares da nova geração. 

Juan Villoro Ruiz
Autor mexicano que critica as redes sociais e as informações nos meios digitais. 

Jhumpa Lahiri
Escritora nascida na Inglaterra e criada nos Estados Unidos. Passou anos tendo seu trabalho rejeitado e quando finalmente publicou uma coleção de contos, em 1999, vendeu mais de 600 mil cópias e venceu o prêmio Pulitzer no ano seguinte.

Andrew Solomon
Autor estadunidense que fala sobre psicologia e aspectos da depressão. Tem uma palestra interessante no TED.

Jorge Edwards
Autor chileno nascido em 1931 com grande repertório, mas no Brasil ainda pouca notoriedade.

Graciela Mochkofsky,
Escritora argentina que trabalha o interessante conceito de livro-reportagem.

Daniel Alarcón,
Escritor peruano que caiu nas graças da crítica internacional.

Almeida Faria,
Escritor português com grande bagagem.

Mohsin Hamid
Escritor paquistanês que tem inovado na estrutura narrativa e diz que prefere que seus leitores leiam suas obras duas vezes ao invés de apenas metade.


Matéria publicada pelo Diário do Nordeste.
A criatividade inerente ao cearense se uniu aos princípios do design estratégico para propôr ideias pautadas na eficácia da comunicação durante o workshop de storytelling realizado ontem, no Sebrae, dentro da programação da 4ª Semana + Design. O evento, promovido pela Associação Brasileira das Empresas de Design (Abedesing), com o apoio do Sistema Verdes Mares, teve início no dia 21 e segue até quinta-feira, com palestras e workshops sobre temas relacionados ao design.
O storytelling, segundo o responsável pelo workshop e professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Fernando Palacios, é "uma forma sofisticada de se comunicar" visando a construção da identidade de uma empresa. "Se você não tiver uma boa comunicação, as pessoas não vão saber que o seu negócio existe, não vão entender o que você tem de diferente", acrescenta Palacios. O Ceará, na visão do professor, é propício ao desenvolvimento de ideias inovadoras ligadas ao design. "Os profissionais daqui têm essa vontade de aprender mais, se comprometem, se envolvem com o trabalho", destaca.
Inserção
O evento surgiu em 2011, mesmo ano em que foi oficializada a regional da Abedesign no Ceará. "Nossa intenção era mostrar para a comunidade o que estava acontecendo, juntar essas empresas de design que estavam começando a se organizar", lembra o presidente da entidade no Estado, Allysson Reis.
Os temas abordados a cada edição, segundo Reis, buscam aproximar diversas áreas ao design. "A gente tenta ser o mais diverso possível, até por conta da própria natureza dessa área", explica. Hoje com dez empresas associadas, a Abedesign-CE busca difundir e valorizar a aplicação do design entre os profissionais da Capital. "O amadurecimento começou pelas próprias empresas do setor, que perceberam que precisam se preparar melhor ", acrescenta.
De acordo com o presidente nacional da Abedesign, Gustavo Gelli, a entidade vem trabalhando cada vez mais na perspectiva de inserir o design no desenvolvimento da economia. Como exemplo, ele cita a parceria firmada entre a entidade e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil).
"Estamos ajudando oito empresas de vidro a melhorarem suas condições de exportação. O design pode melhorar a produtividade e ser ponta de lança na inovação", garante Gelli. Em todo +o País, a Abedesign reúne cerca de 200 associados.
Economia criativa
Para o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Ceará (Sebrae Ceará), parceiro da Abedesign na organização no evento, o encontro de profissionais é uma maneira de fortalecer a economia criativa no Estado. "Trazer pessoas de fora e estabelecer um dialogo com conteúdo de ponta faz parte dessa qualificação de empresas e profissionais", explica o coordenador de Economia Criativa do Sebrae-CE, Glauber Uchôa.
Segundo um estudo realizado há dois anos pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), em 2011, o Ceará era o Estado com maior representatividade no núcleo de economia criativa na região Nordeste.




Transmídia é uma forma muito contemporânea de se contar uma história: ao invés de seguir por uma só linha, a narrativa pode ganhar novos horizontes. No caso da franquia Planeta dos Macacos, o transmídia começou logo com o primeiro filme: ao invés do remake do seriado, o filme foi mostrar a origem de como o nosso planeta foi tomado pelos símios. Assim, o filme ajuda a complementar a história do seriado na mente dos indivíduos que já conheciam a história.

Entre o primeiro e o segundo filme, passam-se dez anos. Aqui entra uma dica preciosa para entender como fazer transmídia funcional acabou de chegar, através do Tomás de Sousa do Grupo de Estudos de Storytelling. O estúdio Twentieth Century Fox uniu forças com a Vice para criar conteúdos complementares que acontecem no hiato entre os filmes e que ajudam a aprofundar os dilemas de todos os sobreviventes à gripe símia.

1 ano depois, o silêncio no meio da crise:


5 anos depois, a tensão dos poucos que sobraram:


10 anos depois, a loucura testemunhada por uma arma:


Além dessa imersão no universo ficcional, existe ainda um documentário que se passa no nosso mundo atual. Considerando que o filme trata de um futuro distópico - aquele em que tudo vai de mal a pior - é eficaz a estratégia de provar que o cenário apresentado no filme está mais próximo do que imaginamos.


O que existe de especial nesse case é o fato de que apesar de não usarem muitas frentes narrativas, as peças são todas muito bem construídas: tanto em termos de produção, quanto de enredo. Cada uma adiciona uma camada a mais no universo ficcional. Para quem está atento, é um prato cheio, com toda a vantagem da estratégia transmídia: mesmo que você não tenha visto nenhum dos filmes, você pode ver os curtametragens.


O ano de 2014 está subindo o sarrafo da ficção. Antes, qualquer ousadia ou coincidência era alvo de críticas na linha de 'isso aí é coisa de novela'. Agora a coisa fica diferente: se alguém disser 'isso aí só acontece em filme', o storyteller mais sagaz só precisa dizer uma ou duas das frases abaixo:

- mais 'irreal' do que o avião que saiu da Malásia em direção à China, sumiu, e seis meses depois ainda não se tem nenhuma pista, nem com toda a tecnologia atual? 


- mais 'inverossímil nos dias' de hoje do que a Rússia invadir e anexar um território vizinho em pleno século XXI?

- mais 'exageradamente inesperado' do que país do futebol perder a semifinal em casa, de 7 a 1?

- mais 'cenário forçado' do que Israel chamar o Brasil de anão político?

- mais 'coincidência que não acontece' do que 3 dos maiores autores da história do país morrerem na mesma semana?

- mais 'fora da realidade' do que um banco internacional dizer que se o atual governo for reeleito, a economia do país irá deteriorar? 

Agora não tem mais desculpas... deixe a imaginação voar e mãos à obra!



A gente vive ressaltando aqui no blog como o storytelling deve se aliar ao gameplay para criar boas experiências com histórias de jogos.  Quando algum jogo conta mal a sua história ou quando ela não combina com a imersão que o gameplay proporciona ao jogador, então podem acontecer certas dissonâncias cognitivas, que são basicamente as falhas na experiência.

Quando alguma dissonância acontece o jogador percebe, elas gritam com ele e se ele continua o jogo é provável que tenha perdido o elo ou saído do círculo mágico, se tornando apenas uma execução mecânica.  Vamos explicar isso com os três tipos de dissonâncias cognitivas no Storytelling interativo:

Dissonância Ludonarrativa - quando a história conta uma coisa, mas o jogo mostra outra. 


Imaginem: Uma grande cutscene inicia o game, contando do seu lado heroico, um paladino guerreiro da justiça em busca de salvar o mundo banindo todo o mal, os bandidos que surgirem pelo caminho.  Em seguida um mentor surge dizendo que você é o seu aprendiz mais astuto e perspicaz do templo e que tem muito orgulho de ti.

Então quando encontra o primeiro desafio você se pega dando voltas em círculos com movimentos estúpidos e assassinando moradores de uma pequena vila, apenas porque eles são NPCs. Você não é capaz de resolver um simples problema como abrir uma fechadura e precisa do mentor para isso. Toda essa ação contradiz o seu background de personagem.  Eu me pego questionando muito os games de luta, como o Mortal Kombat Vs DC.  Fico me perguntando: Será que e possível mesmo em alguma situação o Coringa vencer Raiden ou Sônia Blade vencer Superman?


Dissonância de identidade - quem é você? 


Isso tem muito a ver com o telling do game.  Você começa jogando em primeira pessoa, cria a sensação de que é o personagem e vem construindo essa experiência o jogo todo. Porém em determinado momento você perde o controle do jogador e passa a assistir a interação dele com NPCs. 

Sim isso acontece frequentemente em algum game é uma cutscene interativa, uma alternativa a outras cutscenes que podem quebrar a imersão narrativa.  Mas a questão é nivelar até que ponto você pode tirar o jogador do personagem sem tirar também a sensação de "eu" que ele vem construindo. 


Dissonância de modos alternados - Bem na melhor hora do jogo? 

Por falar em cutscenes elas podem criar esse último tipo de dissonância.  Já sabemos que elas servem exatamente para dar aquele alívio na tensão do gameplay, ajudando a trazer o player pra narrativa quando ele está totalmente submerso em uma imersão tática.  Mas assim como no caso da dissonância de identidade, você como game writter deve encontrar o ponto certo, usar uma cutscene no melhor momento e não apenas para preencher um espaço no jogo. 



Neste semana, de 23 a 27 de Julho acontece na California a San Diego International Comic Con, o mais famoso evento de cultura pop do mundo. Lá são apresentados novos filmes, séries, quadrinhos, há entrevistas ao-vivo com diretores, roteiristas, atores e muitos, muitos cosplayers!

Você já deve ter percebido que nesses locais há uma grande concentração de fãs de uma determinada história, seja ela de qual mídia for. Já percebeu que quando dois ou mais fãs conversam sobre a mesma história parece que eles estão falando de algo REAL?

Isso acontece porque o próprio conceito de Storytelling nos diz que as histórias foram feitas para ilustrar a realidade. Nós somos um dos poucos seres terrestres capaz do tal "pensamento abstrato", isso nos permite trabalhar com coisas do passado, do futuro e com hipóteses, ou seja, temos a capacidade da imaginação. A princípio, nosso cérebro desenvolveu essa capacidade para poder prever estações de escassez, evitar predadores e assim sobreviver no mundo hostil e selvagem. Porém, chegamos a um ponto em que fazemos abstrações sobre abstrações. Imaginamos mundos que nem mesmo existem e quando encontramos pessoas que conhecem esses mundos imaginários somos capazes de interagir com elas como se esta história fosse real.

Com o advento dos jogos eletrônicos isso ficou ainda mais intenso. Aposto que, se você for um gamer, já disse alguma coisa do tipo "aí eu fui lá e matei um dragão" ou coisa do tipo, como se aquilo fosse parte do seu cotidiano, uma realidade. Preste atenção no discurso de pessoas que jogam os famosos Massive Multiplayer Online RPG's. O discurso dessas pessoas é estruturado como se as aventuras que eles vivem naquele mundo fossem reais.

Aliás, quando uma história é contada em mais de uma mídia, ou seja, quando ela é TRANSMÍDIA, isso ajuda ainda mais as pessoas a mergulhar naquele universo e fazer com as vezes ele pareça mais real que a realidade.





Nossas séries ainda engatinham. Nossos filmes, vezes deslancham, vezes encalham. Nossos livros até andam, em círculos. 

Gostemos ou não, o formato de história que é a cara do Brasil ainda é a telenovela. Complexo de vira-lata à parte – temos muito o que aprender com as novelas brasileiras. Esse é o segundo de 4 episódios sobre as telenovelas brasileiras.


Quando a Globo anunciou que a próxima novela das 6 seria de Benedito Ruy Barbosa, muitos atores tiraram o corpo fora. Isso porque Benedito tem a fama de atrasar roteiros, entregar tudo em cima da hora da gravação. Mas a Globo evitou isso: fez com que o autor entregasse o roteiro completo, pronto, antes mesmo da estreia.


Essa decisão não só aliviou os atores, como deu força à trama. Entre o amor e o ódio à novela, o primeiro elogio a ser feito para “Meu Pedacinho de Chão” é à sua construção dramática.

1) PERSONAGENS
Se na semana passada os personagens foram alvos de crítica, hoje são de elogios. A começar pelos números. Na construção de uma história, assim como numa casa, os personagens são os tijolos que sustentarão a narrativa. Sem personagens não há história, sem paredes não há casa que pare em pé.

Meu Pedacinho de Chão provou que quantidade não é qualidade: com apenas 23 personagens na história (contra 68 e 56 das duas novelas anteriores do horário, e quase 100 de “Em Família”), a novela tem poucos, mas ótimos personagens. É possível ver a profundidade em cada um deles e até identificar seus arquétipos. Ninguém está na trama por acaso.

2) DETALHES
Há uma máxima que diz: “As boas histórias são contadas nos detalhes”. Basta assistir uma cena de Meu Pedacinho de Chão e enumerar quantos detalhes ela tem. Desde o cenário, construído totalmente do zero e muito mais do que um desgastado Leblon, passando pelos animais e pelos incríveis figurinos.

Tudo isso confere à novela um ar teatral. Cada elemento de Meu Pedacinho de Chão enriquece o universo da história – que mais parece uma fábula. Não por acaso os figurinos da novela ganharam uma exposição no Rio.

3) REFERÊNCIAS
Não é novidade que, ainda que a passos de elefante, a Globo tem procurado reinventar seu modelo de novela. Para isso ela não tem medo de buscar referências naquilo que está em alta mundo afora. O novo traje de Zelão, quando o inverno chega, remete a Jon Snow de Game of Thrones. Gina é a cara da Merida, de Valente. São referências que vão além da estética até as características dos personagens.


Pessoalmente, há tempos não assistia uma novela tão bem construída e divertida quanto Meu Pedacinho de Chão. Àqueles que assistiram uma vez e não gostaram, vale ligar a TV às seis horas e assistir com outros olhos. Horário das seis este, aliás, que tem sido um grande laboratório à inovação nas novelas da Globo.

Nossas séries ainda engatinham. Nossos filmes, vezes deslancham, vezes encalham. Nossos livros até andam, em círculos.

Gostemos ou não, o formato de história que é a cara do Brasil ainda é a telenovela. Complexo de vira-lata à parte – temos muito o que aprender com as novelas brasileiras. Esse é o primeiro de 4 episódios sobre as telenovelas brasileiras.


Quando o assunto é novela, inevitavelmente, o assunto são as novelas globais. Entre os grandes autores de telenovelas da Globo, Manuel Carlos é um dos maiores. “Maneco”, como é conhecido, assinou 15 novelas na carreira – e anunciou que deve parar por aí. Entretanto, sua última novela, Em Família, não termina com todo o prestígio que o autor merece.



1) DO PROTAGONISTA…
Conhecido por seus personagens fortes e suas “Helenas com H maiúsculo”, tão fortes como a de Tróia, a última novela de Manuel Carlos peca, justamente, em seus personagens.
A Helena vivida por Júlia Lemmertz é uma protagonista sem personalidade, ressentida e apegada a seu amuleto – um colar de fênix. Se há uma vertente de estudo de narrativas que afirma que protagonistas são, em essência, sem personalidade para que haja identificação com todo e qualquer tipo de espectador (é o caso do Batman, por exemplo) – essa vertente não se aplica à Helena de Em Família.
Não é à toa que os únicos lampejos de viralização que a personagem registrou foram nos episódios em que ela “soltou a franga”.

2) AO ANTAGONISTA.
Também conhecido como “vilão” para os íntimos, o papel do antagonista ficou vago na novela de Maneco. Se, na mesma vertente que afirma que protagonistas devem ser “fracos”, os vilões é que são interessantes e cheios de personalidade (que é o caso do Coringa) – faltou um antagonista à altura de Felix – da novela anterior. Shirley até tenta ser a sua versão feminina, mas até nessa versão Félix divertia muito mais o público. Laerte até poderia ser um vilão e tanto, e ajudar a dar mais vida a protagonista, mas é previsível.

Entre outras críticas sites e revistas à fora, como o conto-de-fadas gay criado pela reprovação do público ao casal, ou a trilha-sonora fraca em relação a outras novelas de Manuel Carlos, a lição que Em Família deixa está na construção de personagens. Personagens são a soma de personalidade e ação. Sem bons personagens, não há história que se mantenha - quanto mais em horário nobre.



Nas últimas semanas só se falou em Copa do Mundo. Quem afinal levaria a tão desejada taça...?! Na disputa final deu Argentina e Alemanha. E sabe como é, brasileiro, o verdadeiro torcedor de futebol, parece que não torce pra Argentina. Uma bobagem. Los hermanos são isso aquilo e mais não sei o quê, mas o fato é que Buenos Aires é um dos destinos preferidos pela brasileirada, los hermanos têm ótimas vinícolas e quando se trata de cinema e filmes bons, estão à frente de muitos países, inclusive do Brasil.

E o quê, quem define que um filme é bom? A crítica, o elenco, o valor investido, a quantidade de prêmios?! Bom, também, e pode ser. Para mim um filme bom é aquele que me faz sentir melhor que quando entrei na sala de cinema. Aquele que me dá vontade de ir ao cinema todos os dias. Aquele que me faz pensar que, o que eu queria mesmo, é um trabalho que pague para eu assistir filmes! Acho até que trabalharia de graça. 

E quem curte mesmo cinema sabe: os filmes argentinos (também) estão dando de goleada (e faz tempo).  Talvez seja o eco do crescimento da América do Sul. Ou melhor, da crise do próprio país, no caso, da Argentina. O fato é que nos últimos anos fomos surpreendidos positivamente com o cinema dos hermanos muito mais que o próprio futebol. Ou não?! E devo dizer, sujeita a críticas e ferroadas, ao contrário, dos recentes filmes franceses que têm me assombrado. Salvo exceções.

Mas voltando ao cinema dos hermanos, verdade que o país ficou anos sem novidades; ali recluso, se recuperando da ditadura, entre crises e meio que vivendo seu próprio show de tango. Durante esse processo criou e produziu filmes inesquecíveis. A  lista não é pequena, e olha que devo ter deixado de mencionar alguns: "Nove Rainhas", "O Filho da Noiva", "O mesmo amor, a mesma chuva", "O Segredo dos Seus Olhos", "Medianeras", "Um Conto Chinês",  "Infância Clandestina", "O Ladrão e A  Bailarina", "Elefante Branco", "Lugares Comuns", "Elsa e Fred", "Plata Quemada", "A História Oficial"... só pra citar alguns e bons filmes. 



Elsa & Fred


Um conto chinês
Tá, tem outros tantos filmes bons mundo afora. Fato. Mas por que será que os filmes argentinos ganharam notoriedade, público e já mereceram dois Oscar de melhor filme estrangeiro?! Boa pergunta. 



Medianeras
Nada de grandes produções, efeitos especiais, orçamentos estratosféricos e figurinos de sonho (não que nós, o público comum, não goste das grandes produções, mas hoje, não nos rendemos apenas a elas). Originalidade, ótimos roteiros, podem ser  a resposta correta. Também há que se considerar a franqueza, a clareza, que o cinema argentino expõe os temas abordados. As tramas e os personagens bem construídos. Gente como a gente. 

Como no futebol, é necessário muito trabalho para se ter  e oferecer um bom filme. Dedicação. Inovação. A Argentina sai da Copa 2014 sem a tão deseja taça. Mas leva a dignidade de um povo de luta, que se reinventou, e mostra que tem boas histórias para contar. No campo e no cinema.