Hero by 88grzes


Na semana passada escrevi aqui um artigo falando sobre uma das características principais de um MMORPG: a progressão dramática.  E terminamos com uma dúvida bastante cruel: como escrever uma história em que todos devem se sentir protagonistas?

Afinal em um jogo online e massivo, como RPGs, todos devem sentir-se em sua própria jornada.  Isso segundo o Game Designer Daniel Erickson, vai contra toda tradição do Storytelling tradicional ao longo das eras : "... é como escrever Bravehearth sem o Willian Wallace e DC sem Batman. "


Mas existe salvação, a primeira dela é baseada em criar escolhas. Sendo uma narrativa para jogo, naturalmente elas devem compreender mais de um objetivo, independente se é para um jogo analógico de tabuleiro ou um app mobile.  As escolhas farão o player sentir que tem um certo poder sobre sua vida. Nem todo mundo iria se associar com Frodo para derrotar Sauron, pense nisso na hora de escrever. 

Trabalhe bem os diálogos, nem vou me estender pois já falamos do seu impacto na jornada heroica neste post.  (vale a leitura).  E faça com que as escolhas erradas dos personagens tenham consequências sérias na narrativa. Se ele errou feio, algo de muito ruim deve acontecer.  E o mundo deve mudar com essa consequência, mesmo que o seu jogador não esteja lá. É o que chamamos de mundo persistente.  

Pronto pra mai um drop de narrativa de game? Semana que vem falo sobre esse mundo persistente para você. ;) 





Há décadas atrás, o imaginário coletivo era habitado por monstros que se tornaram clássicos da cultura pop. Vampiros, Lobisomens, Múmias e todo o tipo de aberração noturna eram capazes de atormentar os sonhos de qualquer cidadão de bem, quando a lua brilhava ou quando a noite parecia mais fria. - e mais fértil para o surgimento de assombrações.

Isso era refletido, claro, no cinema. Foi uma época de ouro para os estúdios da Universal e seus personagens como Drácula e Talbot (O Lobisomen). Porém, os avanços tecnológicos impactaram definitivamente esse cenário; As pessoas passaram a crer menos que cérebros poderiam viver em redomas... (triste). E Horror sofreu grandes transformações, chegou a fazer comédia, apelou para escatologia, sexo e tudo o que podia. 


Mesmo assim parecia que esse universo gótico não estava funcionando da mesma forma. Parecia, afinal, mesmo que a Universal não consiga mais reunir todos seus monstros (leia aqui o começo de uma nova tentativa) recentemente me deparei com uma série que foi bem capaz: Penny Dreadful. 

A série criada por John Logan e Sam Mendes (The Hollow Crown) é uma coprodução americana (Showtime) e britânica (Sky Atlantic) que foi exibida no Brasil em pela HBO e Netflix - o último, apenas dispõe da primeira temporada.  O nome tem história, significa algo como um centavo de horror ou um centavo horrível, derivado de um tipo de publicação barata no século XIX. 


[ A SEGUIR SPOILERS ]


A Série começa quando Sir Malcolm Murray , um explorador Inglês, procura desesperadamente por sua filha, após ser carregada por um demônio.  Ela conta com ajuda da amiga de sua filha (e causadora de todo seu infortúnio) Vanessa Ives e o pistoleiro  Ethan Chandler.  Durante os episódios ambos se deparam com dezenas de figuras clássicas da literatura de horror.  Dr Frankestein é um tipo de consultor para o time - que em vários momentos me lembra a Liga Extraordinária de Alan Moore




Ela não deixa de lado os elementos que acompanham o gênero por gerações: O sangue, o sexo e o terror psicológico ainda residem de maneira brilhante e pertinente.  Perto do final da primeira temporada existe uma sequência de dois episódios em que Vanessa desperta sua possessão, após uma noite com o Dorian Gray, que também sofre com seus próprios diabos.  Logan usou a primeira temporada para construir o que ele chama de família; "Agora temos todas as peças no tabuleiro e podemos começar a jogar." 

A fantasia é intensa nessa Londres Vitoriana, não se tenta explicar a origem das coisas... não, pelo menos nesse momento. Apenas sabe-se que nos cantos mais escuros as sombras de movimentam para subjulgar homens.  A terceira temporada logo estará chegando e eu preciso me atualizar da segunda para acompanhar.  É uma história que vale a pena acompanhar, porém deixe de lado a origem conhecida dessas figuras monstruosas (a Universal tem direito a todas, praticamente) e se abra para uma ressignificação, muito bem feita. 





Fantasy Roleplay City Map by Adhras


Um dos gêneros de games online que mais fazem sucesso nos dias de hoje é o MMORPGs, como World of Warcraft, Ragnarok e Aika.  Um Massively multiplayer online role-playing game ou MMORPG é, basicamente, um jogo de interpretação de pesronagens virtuais em um ambiente de videogame ou computador conectado a uma rede (como a internet) permitindo assim, que várias outras pessoas participem do mesmo cenário.

O elemento comum a esse gênero é um mundo persistente, ou seja, mesmo que o player não esteja logado, a história continua. Isso cria certas particularidades como alguns graus de storytelling emergente com diálogos direcionados separadamente.  Steve Danuser, Game Designer da Sony, que trabalhou em games como Everquest II nos dá uma ideia do formato de narrativa para estes jogos.

[...]suas histórias são contadas em um formato semelhante aos seriados de filmes antigos da década de 1930. O herói é colocado em perigo por um bandido cruel, o vilão é vencido em uma batalha angustiante, na próxima semana surge outro inimigo ainda mais cruel para repetir o processo.


Os mais atentos leitores dos nossos artigos podem perceber que o segredo desse tipo de escrita é a fórmula clássica do romance, o Quest Romance.  Ele tem um caráter episódico, sempre termina com a sensação de que existe mais a se explorar. Esse algo mais pode, muito bem, ser uma DLC de nova região, raça, mapa, classe... ou tudo isso junto em uma expansão.  Porém, saiba que os players não aceitam qualquer coisa, o arco tem que ser muito bem trabalhado.

Depois de escrever tudo isso vai se deparar com o maior desafio em um MMO: A falta de protagonista. Isso quebra toda a tradição do storytelling clássico. Parece uma missão impossível, só que não é.  Vamos deixar isso pra outro post ;)





O segredo de uma boa história é a sua capacidade de contagiar o leitor, desenvolver ao longo das páginas de texto uma empatia com o protagonista, ou ocasionalmente os outros personagens.

Essa conexão emocional se dá, em muitos casos, pelo conflito central da narrativa. Então ela deve ser muito bem resolvida. Enquanto você não conseguir explicar o conflito central de sua história em poucas linhas, os leitores não compreenderão nem em uma centena de páginas.

Esse é o ponto inicial. Um escritor não pode cair na armadilha de não conseguir responder sobre o que é a sua história, tampouco ficar em cima do muro com ela.  Segmentar é uma prática saudável aos futuros planos comerciais de sua obra.  A sinopse é uma das, senão a melhor maneira de avaliar se o seu conflito está funcionando.  Percebam:

A Guerra dos Tronos - Quando Eddard Stark, lorde do castelo de Winterfell, aceita a prestigiada posição de Mão do Rei oferecida pelo velho amigo, o rei Robert Baratheon, não desconfia que sua vida está prestes a ruir em sucessivas tragédias.


Nada demais, não é? Sim, sim. O segredo está dentro do livro, o importante é você saber que não se perdeu e que seu leitor vai entender sobre o que está lendo.  Eu, particularmente fujo de obras que não consigo compreender na contracapa.  Frequentemente me deparo com novos autores que  descrevem suas obras mais ou menos assim: "... um personagem misterioso e desconhecido,  que na verdade está sofrendo uma dominação de raças superiores.  Essa raças vieram de um lugar distante, que na verdade é o planeta terra em um futuro e dimensão diferente da timeline padrão do universo." 

Isso não deve funcionar.  Se quer tentar produzir um conflito relevante para o seu público, procure saber o que é esse conflito, o que está em jogo e quais as consequências.  Depois disso sua escrita vai fluir naturalmente.





​"Será que essa história vai chegar em algum lugar?", "Consigo imaginar mais pelo menos três outras formas de compor essa cena, qual será que fica melhor?", "Será que a audiência vai se importar com essas personagens?". Estas são algumas perguntas recorrentes àqueles que desenvolvem qualquer tipo de processo narrativo.

O Storytelling parte de técnicas de diferentes formatos - a literatura, a dramaturgia, o audiovisual, os games, a música, o jornalismo, a publicidade e as artes plásticas -  para chegar à mesma finalidade: contar uma história de forma interessante ao interlocutor.

Fernando Palacios iniciou sua carreira como redator publicitário. Há anos no mercado, já produziu centenas de roteiros para filmes e eventos corporativos. A partir de sua experiência, ele passou a compilar as técnicas em um modelo funcional que garantisse uma jornada mais suave para a criação de Storytellings, desde a ideia até publicações de cada obra.

O curso é voltado para profissionais da área criativa - jornalistas, escritores, cineastas, compositores e letrista, gamers, publicitários curiosos em como intensificar narrativas de 30 segundos e em redes sociais, empresários e executivos que precisam contar a história da sua marca e artistas que buscam outras formas de expressar seus conceitos e todos aqueles que são aspirantes a autores e que desejam libertar aquela história que vive trancada.

Durante as aulas, serão abordados os seguintes temas:

- Storytelling, a grande inovação: De onde veio, por que surgiu, o que é e como usar Storytelling. Por que se tornou uma tendência no mundo corporativo e como empresas, agências e pessoas criativas podem se beneficiar;

- O Story do Storytelling: Como compor uma história realista capaz de englobar tudo aquilo que se quer e que se precisa expressar;

- O Telling do Storytelling: Como contar a sua história da forma tão intrigante que roube horas de sono da audiência e faça com que seja adotada por uma cultura;

- Placement: Como inserir um elemento novo na narrativa sem perder o fio da meada;

-Transmídia - como planejar a distribuição da história em diferentes veículos de forma orquestrada e harmônica;

- Content marketing - como conseguir visibilidade para suas histórias, através de um ecossitema de conteúdos interligados pelas redes sociais;

- Pitch e querry letter - para apresentar sua história a editores, canais, produtoras e possíveis patrocinadores.

A cada módulo haverá uma atividade prática para exercitar os aprendizados. Autores que possuírem obras em andamento poderão atuar diretamente sobre elas.

De 27 a 31 de julho
Segunda a sexta,
das 19h30 às 22h30

Inscrições: até 27 de julho
pelo site:    http://barco.art.br/storytelling-e-transmidia 




Por motivos de agenda, a oficina "Storytelling para a construção de marcas e conceitos", que seria em julho foi postergada para setembro. A oficina abordará, entre outras coisas, a forma encontrada pelas empresas de "contar histórias" sobre seus produtos e criar vínculos mais fortes com o consumidor.

A oficina será ministrada por Fernando Palacios, sócio-fundador da Storytellers, que é o primeiro escritório especializado no assunto do Brasil. Além de falar sobre como "contar a história de seu produto", o curso vai trazer dicas sobre construção da identidade da marca e o estabelecimento de conexão com o público.

O curso é promovido por IMPRENSA Editorial, em parceira com ADNews. As inscrições podem ser realizadas até o dia 11 de setembro, por meio do site Oficinas IMPRENSA.

Serviço:

Oficina "Storytelling para a construção de marcas e conceitos"
Data e horário: 12 de setembro de 2015
Local: Sede da IMPRENSA EDITORIAL
Endereço: Rua Camburiú, 505 - 2º Andar - Alto da Lapa - São Paulo/SP



J.K. Rowling, autora da aclamada saga "Harry Potter" já deu algumas dicas para novos autores em que disse escrever personagens, que não apareceram nos livros.  Muitos podem se perguntar: qual é a função de tudo isso?

De certo, os leitores não terão contato imediato com a profundidade dramática que existe em pedaços de personagens, surgindo na narrativa. Mas sabe aquele olhar sofredor, ou aquela frase dita de maneira desesperançosa por pessoas que ocasionalmente encontramos em situações degradantes da vida real?  Eles podem ser reveladores, como os do seu personagem... Qualquer um que pare naqueles segundos e reflitam sobre a entonação, as rugas e a construção das palavras, vai encontrar uma narrativa incorporada dentro da cena.  É como se você contasse, de maneira subjetiva uma outra história ali dentro.

Aliás, a série Orange is The New Black define bem o conceito de trama da história, como este aglomerado de linhas (vidas) se entrelaçando de uma maneira, que faça sentido para a audiência. 


Sinceramente, a protagonista parece ser a peça que dirige o show, enquanto entramos em contato com outras personagens que nos comovem. É o caso de Suzanne "crazy eyes", uma detenta que tem sua sanidade questionada por ela mesmo e pelo espectador constantemente.  Em um dos momentos mais interessantes da primeira temporada ela, que está se aproximando emocionalmente de Chapman (a protagonista) pergunta: "Por que as pessoas me chamam de Olhos Malucos?" ... a pergunta ecoa em nosso próprio julgamento sobre ela





É engraçado que ela está entre as detentas mais queridas pelos fãs da série e ao mesmo tempo em que nos conectamos profundamente a esta (e outras personagens) figura, todo o seu passado e o que a levou a prisão é um tremendo mistério.  O que sabemos [SPOILER] 

... 


Foi revelado na segunda temporada. Suzanne foi adotada por um casal que pensava ser infértil, mas que no final conseguiu ter por “milagre” uma filha biológica, Grace. E alguns flash backs revelam que sua relação com a irmã adotiva pode ter sido prejudicada, principalmente por ela ser negra.

Mais tarde vemos Suzanne perder o controle no momento de cantar uma música, na escola.  Algo que ela já havia sugerido no episódio final da primeira temporada "não quero que aquilo aconteça de novo".

O que seria aquilo? Como a mesma pessoa é capaz de apresentar traços de doçura e insanidade? Fortaleza e desestabilidade emocional? 


A resposta, apenas a série pode nos conceder. Evidentemente, o que encontramos é um primoroso trabalho, aonde a autora Lauren Morelli precisou chegar a um nível de realismo detalhado da personalidade e das motivações de cada mulher que passasse pela penitenciária de Lichfield.  Este parece ser o segredo, se embrenhar nas emoções humanas e descobrir o que traz elas a tona.   


WilyKit e WilyKat falam de aborto, redução da maioridade penal, legalização e uso recreativo de drogas, e contam como ficaram reféns de Mumm-Ra, a bicha velha de vida eterna.

Era o ano de 2003 após a guerra com o povo Cão e mesmo tendo forjado uma aliança nefasta com o afetadíssimo Mumm-Ra, Lion-O não conseguiu evitar que parte de seu povo gato (os principais dissidentes de Thundera) fosse escravizado pela múmia cri-cri e seus asseclas mutantes. Nesse processo, os dois "ninfetos" felinos acabaram virando room service da tumba do faraó falido. Em entrevista exclusiva para a Storytellers, os dois adolescentes contam como foi essa bizarra – e desconfortável – experiência.

Storytellers- Vocês ficaram reféns durante quanto tempo?

WilyKat- Durou apenas cinco edições, mas pra nós foi uma eternidade. E ficar refém de múmia por uma eternidade... mano, cê tá fodido! (Risos)



Storytellers- Como ocorreu a captura?

WilyKit- Durante a guerra com aqueles cães dos Wardogs, a gente (os Thundercats) tava perdendo, já que eles tinham a ajuda dos Lizarianos (Povo Réptil), que são fortes pra caralho! Foi aí que o Lion-O (na época, recém-coroado Rei do Terceiro Mundo) teve a brilhante ideia de se aliar à nosso arqui-inimigo. Foi a maior furada! O pulha traiu a gente e botou geral pra trabalhar forçado nas minas, plantações e pra erguer mais pirâmide e ídolo pros Antigos Espíritos do Mal. Sabe qual é, né? Quem faz acordos com o diabo...

Storytellers- Vocês ralaram no sol também?
WilyKat- Como eu e minha irmã somos os novinhos da parada, a múmia cretina botou a gente de bucha servindo cafezinho. E não só servindo cafezinho.


Storytellers- O que mais vocês eram obrigados a fazer?
WilyKit- Cafezinho era o de menos. Quando a gente foi recrutado pros aposentos do dito cujo, fiquei apavorada! Pensei que ia ser violentada! Foi um horror!



Storytellers- Vocês chegaram a sofrer abusos sexuais?
WilyKit- No início, achei que ia sofrer mesmo. Ainda mais quando vi as roupitchas que o Escamoso trouxe lá de um sarcófago lilás. Tinha que dar banho de ofurô todos os dias na múmia velha. Múmia velha é redundância, né? (Risos) Na primeira vez, fiquei assustadíssima! – Medo! – pensei. Imagina ter que encarar bilau de múmia? Nem na versão fitness do Mumm-Ra (Risos). Mas daí vi que eu ia ser só a escrava confidente. Já o meu irmão...



Storytellers- O que ele te obrigou a fazer, Wilykat?

WilyKat- Prefiro não falar sobre o assunto. (suspiro) 


Storytellers- E como conseguiram escapar?

WilyKat- A fim de atrair Lion-O pra uma arapuca, a múmia velha--

WilyKit (interrompendo)- Múmia velha é redundância, Wilikat!

WilyKat- Enfim, a múmia v... o Mumm-Ra me mandou de mensageiro pra atrair o Lion-O pra uma casa de caboclo (embuste onde uma pessoa é atraída para um local sigiloso para ser executada). Eu me arranhei todo pra fingir que tinha fugido e chamei Lion-O pra pirâmide.



Storytellers- Você não contou a ele a verdade logo que chegou?

WilyKat- Não. A melhor maneira de enganar alguém é acreditar na própria mentira. Quando a gente chegou lá ele descobriu tudo, libertou geral e nos escafedemos daquela porra!



Storytellers- Como você sabia que ia dar certo?

WilyKat- Regalia de protagonista, né? Eu tinha certeza que o Lion-O ia sacar que era "caô" (gíria para mentira) e vencer a parada. Senão não tinha virado rei.

Storytellers- E ele perdoou você?

WilyKat- Hhmmm... mais ou menos. Depois que acabou tudo e geral tava voltando, eu fui condenado a vagar um tempo pelos desertos do Terceiro Mundo. Só pra aprender a não enganar o rei. Sabe como é, né? Leão é majestoso, é bonito, mas não admite traição.



Storytellers- Então você admite que acha Lion-O bonito?

WilyKat- Qual é, tá me tirando? Geral acha leão bonito. Homem, mulher, todo mundo! Cê não acha ele gato, irmã?

WilyKit- Olha, no nosso caso todo mundo é gato. Mas, sinceramente, prefiro o Panthro. Negro, mais velho, mais inteligente... grosso... ! Esse negócio de homem bonito não me atrai muito não, sabe?

Storytellers- E que fim levou Mumm-Ra?

WilyKit- O Panthro... ai! (suspirando), segurou ele e o Lion-O desceu a porrada! A múmia virou pó.

Storytellers- Então vocês eram escravos do pó?

WilyKat- Mais ou menos, mano. De vez em quando rolava um agrado--

Storytellers (interrompendo)- Um agrado da parte dele ou da de vocês?

WilyKit- Das nossa parte TINHA que rolar agrados. Principalmente da parte do meu irmão. (Risos)



Storytellers- Um agrado da parte dele.

WilyKat- Então?! O que eu tava falando... de vez em quando rolava um agrado da múmia velha que botava um risc--

WilyKit (interrompendo)- Múmia velha é redundância!

Wilykat- Foda-se!

Wilykit- Ele só virou pó no final da estória toda, então acho que a sua pergunta não procede.

Storytellers- Além dos abusos sexuais e dos trabalhos forçados, vocês eram estimulados ao uso de entorpecentes?

Wilykit- Dentro da pirâmide é mais fácil você me perguntar o que não rola. Eu tinha acesso a tudo de graça, digo, sem ter que fazer mais nada, já que a mona precisava de alguém pra conversar, além daqueles espíritos. Falar com ser invisível o tempo todo é foda, né? Já o meu irmão tinha que ralar mais duramente pra ter as regalias.



Storytellers- Mudando de assunto, como vocês encaram o uso de entorpecentes e como o rei Lion-O está tratando a legalização das drogas no Terceiro Mundo?

Wilykat- Droga pesada é viagem errada, cara! E olha que de viagem a gente entende. A gente saiu lá da puta que o pariu que era Thundera pra vir pra cá, outro fim de mundo.

Wilykit- Maconha, sálvia e psicoativos alucinógenos como o cipó jagube, o cogumelo amanita muscaria e a semente agireia já estão sendo cultivados para comércio e uso indiscriminado da população. Mesmo algumas drogas sintéticas como o MDMA já estão sendo sintetizadas em nossos laboratórios. Já a cocaína impera lá nos domínios de Mumm-Ra e dos Mutantes e dos Lunatacs. Os Coffee Shops são abundantes em nosso reino desde que Lion-O assumiu.



Storytellers- E a folha de coca?

Wilykat- Vigora na mesma lei da Cannabis e da Salvia. A folha de coca não é crime.

Storytellers- Mas corrói os dentes.

Wilykat- Viver faz mal à saúde. E quem quer viver para sempre? Só a bicha velha que fica de ti-ti-ti com aqueles espíritos do "tempo do Onça" (expressão para "de antigamente")...

Wilykit- Você tem que morrer todos os dias pra não morrer. É um paradoxo interessante. Se você não dormir, vai morrer mais cedo, vai ter uma vida menos saudável. O sono, assim como o orgasmo, é uma pequena morte. E nós gatos adoramos dormir.

Storytellers- E como fica a questão da maioridade penal?

Wilykit- Filhotes bem educados viram adultos que não dão trabalho à sociedade. Infelizmente muitos filhotes não foram bem educados e é impossível fazer vista grossa pra suçuarana que se acha Sphynx. Pra nós é como Bar e Bat Mitzvah. Aos seis anos e mais um dia para as fêmeas e aos sete anos e mais um dia para os machos. Somos educados para sermos autossuficientes. Não somos cães.



Storytellers- E o aborto, será legalizado?

Wilykit- Nenhuma fêmea gosta de abortar, mesmo parindo uma ninhada. Mas é importante que ela possa ter a opção de não ter uma gravidez indesejada, mesmo quando não se pode sustentar a ninhada.


Wilykat- Hoje, com nossa tecnologia avançada, é raro algum filhote morrer durante seu crescimento. Nós levamos anos pra reconstruir nossa sociedade no Terceiro Mundo e não queremos uma superpopulação. Seria mais difícil educar os filhotes para construirmos uma sociedade justa e saudável e a criminalidade aumentaria.



Wilykit- Veja o que aconteceu com os Wardogs, os Lizarianos, os Mutantes e os Lunatacs. São sociedades decadentes e desorganizadas. Os recursos naturais rapidamente se esgotam. Saímos às pressas de Thundera e tivemos que deixar alguns dos nossos pra trás. Não foi fácil essa diáspora sideral. Não queremos que o mesmo ocorra no Terceiro Mundo. Gato escaldado tem medo de água fria.



Créditos das Imagens (a partir da primeira):

Imagens 1, 2, 3, 4, 5, 7, 10, 11, 13, 14, 15 & 16, da HQ Thundercats - The Return

Imagens 6, 8, 9 & 12, da HQ Thundercats - Dogs of War

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