Começando pelo conceito: o que é Storytelling?

Se eu tivesse que escolher apenas uma informação sobre tudo o que venho ensinando há mais de duas décadas, seria essa aqui: Story é uma coisa, Telling é outra.

Para entender melhor, vamos à tradução de StoryTelling. Story significa história. É a parte abstrata do conteúdo. Cada pessoa carrega em si uma versão diferente da história. Isto porque as histórias só existem dentro de nossas mentes, e são feitas de memórias e de imaginação. Story é a morada da criatividade. Assim como o fogo da fogueira, ninguém pode manipular, já que sequer consegue tocar.

Já o termo Telling se refere ao ato de narrar e, mais especificamente, às narrativas. A diferença é que essa é a parte tangível do conteúdo. São os livros, as películas, os DVDs, os cartuchos... Telling é a morada da expressão. Assim como a madeira da fogueira, a função da narrativa é permitir que o fogo apareça.

Assim temos que a definição de storytelling é, literalmente, narrar histórias.

"Na prática, storytelling é a forma mais primitiva e, ainda hoje, a mais sofisticada de transmitir uma mensagem."

Castores sabem represar um rio e transformar o ambiente a seu favor. Alguns macacos sabem fazer ferramentas de pesca. Os humanos são a única espécie que conta histórias. Storytelling é o que nos diferencia dos outros animais.

Começamos a contar histórias nas cavernas, ao redor de fogueiras, e foi justamente por isso que chegamos até onde estamos hoje: no topo da cadeia alimentar.

Por que Storytelling é um conceito novo?

Ora, porque apesar de nós, seres-humanos, contarmos histórias há milhares de anos, nossas empresas estão aprendendo essa arte há pouco tempo. O Google Trends não me deixa mentir:



No Brasil, o interesse tem sido crescente. De novo o Google Trends:



Apesar do tema ser recente dentro das grandes corporações, entre as 3 grandes tendências de marketing para 2013, adivinha quem aparece? Pois é, a nossa amiga Narração de Histórias.



Quando esse tipo de coisa acontece, aparece um monte de gente para falar do assunto. E aí vão dizer que storytelling é uma técnica de comunicação ou, pior, uma ferramenta de marketing. Só digo uma coisa:



"Usar Storytelling como ferramenta, é igual a
usar uma Ferrari para transportar tijolos." 



O pensamento do Storytelling vai muito além de uma simples aplicação pontual. Claro que você pode contar uma anedota para abrir uma apresentação, OK, mas convenhamos que isso não seria o suficiente para fazer do Storytelling a grande tendência do momento, não é mesmo?

Por que o mundo corporativo está tão interessado em Storytelling?

A primeira coisa é que uma história boa e bem contada nos faz descruzar os braços, sentar na ponta da poltrona e impedir que os olhos pisquem. A gente quer absorver cada detalhe da narrativa. No mundo corporativo, isso é chamado de:

"Otimização do share de olhos e ouvidos"

Isso significa que quando a gente mergulha numa história, a gente mergulha de cabeça. A gente larga tudo e segura o livro com as duas mãos e até desliga o celular no cinema. Quem mais tem esse poder de cativar nossa atenção? 

Mais do que uma audiência de leitores, ouvintes ou gamers, quando nos conectamos a uma história, estamos atentos. 

Estar atento se traduz em motivação. Ter atentos garante engajamento. Trocando em miúdos, contar histórias serve tanto para o público interno, como externo.

No ano em que escrevi a primeira monografia brasileira sobre Storytelling, li um artigo da Harvard Business Review que falava que todas as áreas de uma empresa podem se beneficiar com Storytelling: um vendedor pode contar uma história em que o produto é o herói, um gerente de produtos pode incentivar a equipe com uma história que mostre que sacrifícios pontuais geram o sucesso no longo termo, um CEO pode usar uma história emotiva sobre a missão da empresa para atrair investidores e parceiros e inspirar os colaboradores.

Mas e do lado de fora das corporações? Por exemplo, como que uma agência de publicidade pode se beneficiar com Storytelling?

Se Storytelling fosse estudado no campo das ciências exatas, seria representado assim: S > T. A história é sempre maior do que a narrativa. Nesse índice, quanto maior for o S em proporção ao T, melhor será o T. Mas como não é estudado em exatas, vou explicar assim:

"O segredo está nos detalhes, meu caro Watson"

Antes de perguntar se anúncio X é Storytelling, procure ver se existe uma história maior por trás. Qualquer filme você vai conhecer tudo sobre o protagonista: onde ele mora, o que ele quer da vida, de quem ele gosta, quem não gosta dele... Agora tente achar um anúncio sequer em que o protagonista tenha nome. Pois é.

Antes que alguém diga que anúncios são curtos e que por isso são rasos, esse é só mais um argumento a favor do Storytelling: a história pode começar no anúncio e continuar em outras plataformas. É como se o anúncio fosse o trailer para um filme bacana na internet, e o filme bacana na internet vendesse o a marca de uma forma mais bacana ainda. Mas isso é só um exemplo, tem várias formas de valorizar a propaganda e outras formas de comunicação através de Storytelling.

Falando nisso, o que o jornalismo pode aprender com Storytelling?

Na verdade, o jornalismo pode "reaprender" com o Storytelling. Afinal, as equipes dos primeiros jornais eram compostos por equipes de escritores e poetas. Na década de 60 nos Estados Unidos, o jornalismo se confundiu com a literatura no estilo chamado de New Journalism. Era uma luta contra o objetivismo das reportagens diretas e ditas "imparciais".

Se na era do jornalismo impresso a reportagem objetiva levou vantagem pela economia de espaço na página, na era da internet ele perde espaço para outras linguagens mais interessantes. Assim que nos dias de hoje:
"Enquanto você tiver atenção do seu leitor, 
você tem todo o tempo do Mundo."

O jornalista aprende a começar uma matéria com o lead que responda as perguntas "o quê?", "quem?", "quando?", "onde?" e "por quê?". Já o Storytelling ensina que é mais interessante segurar as respostas. Tudo tem a hora certa na arte da narrativa. Pressa é uma palavra que não existe no vocabulário do Storyteller.

Como será o Storytelling no futuro?

Todas atividades humanas serão revestidas por Storytelling. Desde os projetos corporativos, até as escolas, tudo deve se tornar plataforma para narrativa. Não vai ter sequer um powerpoint que não conte uma história.

Se realmente vai ser assim, eu não posso afirmar. Diferente de muitos personagens de histórias clássicas, eu não tenho uma bola de cristal. Mas não seria interessante?



Quer saber mais sobre Storytelling? Leia o artigo completo

Se sua história precisa de um plot twist, vamos conversar.


Continue sua jornada no storytelling

Agora que você conhece os fundamentos, explore mais:



por @ststefano


Parece que a Netflix deixou de ser o único cachorro grande na briga dos serviços de streaming no Brasil, o que, para mim, é um alívio. Não me leve a mal. Netflix é praticamente sinônimo de categoria. Aliás, mais que isso, é código para encontro (vem em casa tomar um vinho e ver Netflix), desculpa para não sair para balada (hoje não rola sair, vou ficar de boa vendo Netflix), assunto em qualquer situação social (alguém tem alguma recomendação boa do Netflix?) e muito mais. Entretanto, o serviço de streaming andou me decepcionando com algumas séries recentemente.

Eu tinha expectativas bem altas para a 3ª temporada de 3%, a 3ª temporada de La Casa de Papel, Titãs, Love, Death & Robots e a 2ª temporada de Sabrina. Por diferentes motivos, nenhuma delas foi alcançada. 3% repetiu a história, La Casa de Papel conseguiu ser pior que a 2ª temporada, Titãs quase destruiu minha infância, Love, Death & Robots foi uma perda de tempo e parei na metade da 2ª temporada de Sabrina porque o satanismo da série realmente me incomodou. Além dessa quebra de expectativas, acabei não tendo o menor interesse em muitas apostas da Netflix dos últimos anos. Os trailers de Coisa Mais Linda me deram preguiça, não cheguei na metade do 1º episódio de Elite, as críticas me fizeram não ver nenhuma das séries da Marvel e desisti de Narcos depois da Colômbia. Em contrapartida, gostei muito da 3ª temporada de Glow, maratonei sem parar a 1ª temporada de The Umbrella Academy, chorei no final de Stranger Things e fiquei pensando durante dias no argumento de You. Isso sem falar nos lançamentos que estão vindo agora.


Tem tanta coisa na Netflix que não dá para falar que não vale a pena assinar o serviço de streaming. Entretanto, outros players começaram a chamar minha atenção: HBO Go, Globo Play e Amazon Prime. Mas ai é aquela velha questão: valeria a pena assinar outro streaming se eu mal tenho tempo de assistir o que está na Netflix (que eu já assino)?!

Bom, a Amazon Prime matou essa xarada quando disponibilizou 7 dias de teste gratuito. Eu fiquei surpreso com a quantidade de séries excelentes produzidas pelo próprio serviço de streaming. E mais surpreso ainda quando descobri que o valor da mensalidade dos primeiros 6 meses de assinatura é menor do que 8 reais. Ou seja, está valendo muito a pena assinar a Amazon Prime!

Se você quiser fazer um teste e maratonar séries durante os 7 dias gratuitos, vou te dar 4 recomendações. Entretanto, antes, vou também fazer um alerta. Do mesmo jeito que achei o conteúdo excelente e o preço extremamente acessível, as formas de pagamento são limitadas e a usabilidade da plataforma é irritante para quem está acostumado com a praticidade da Netflix (demorou 2 dias para descobrir como botar legenda e áudio certos naquela merda e tenho amigos que disseram a mesma coisa). Bom, aviso dado. Vamos às recomendações?!

THE BOYS

Essa é minha recomendação número #1 porque foi a série que me fez assinar a Amazon Prime. The Boys é uma série de super-heróis bem diferente das tradicionais, inspirada na série de HQs. Na história os super-heróis são cuzões narcisistas e psicóticos que só se importam com fama e dinheiro, sendo personagens abusivos, corruptos, violentos e perturbados. É uma metáfora sobre o modelo de ídolos formados por esforços de marketing e comunicação e a realidade por trás deles. A série tem um visual exagerado, remetendo às grandes produções do gênero.

DEUSES AMERICANOS




Considero Deuses Americanos uma das maiores obras da literatura dos últimos tempos. Talvez por isso não consegui gostar da série de primeira. Até o 5º episódio da 1ª temporada, pensei em desistir e até fiquei revoltado. Como puderam mudar tanto a obra de Neil Gaiman? Entretanto, depois de um tempo, comecei a ver de forma positiva as mudanças que foram feitas. Afinal, muita coisa mudou desde quando o livro foi lançado até agora.

CARNIVAL ROW




Essa série é polêmica. O grande público gostou bastante, mas a crítica não foi muito favorável. Eu entendo o ponto das críticas negativas. A 1ª temporada da série foi um pouco desleixada com as histórias fora do núcleo central. E a atuação de Cara DeLeVingue não foi lá das melhores. Entretanto, o universo criado é phoda! Uma mistura da época vitoriana de Londres com “Sonho de uma Noite de Verão” de Shakespeare com questões contemporâneas como brutalidade policial, xenofobia, preconceito e busca por identidade. Não consegui parar de assistir e estou louco para a estreia da 2ª temporada.

GOOD OMENS


Novamente, Neil Gaiman. Partindo de uma obra desse mestre do Storytelling não tem como errar. A série conta de forma divertida a história de um anjo e um demônio que tentam se ajudar para acabar com o fim do mundo. Antes de assistir, achei que fosse algo batido. Mas os elementos narrativos de Good Omens estão incríveis! De uma ordem de freias satânicas a anjos burocratas, Neil Gaiman e a Amazon Prime conseguiram criar uma série apocalíptica onde a luta do bem contra o mal foge do óbvio.




Devo dizer, como fã da série e estudioso de Storytelling, depois de tantos anos de espera as conclusões da última temporada de Game of Thrones são negativamente revoltantes. Isso mesmo, negativamente revoltantes, já que existem conclusões positivamente revoltantes, como em 1984, por exemplo, que o final chega a dar náuseas, mas é perfeitamente condizente com a narrativa e leva o leitor a remoer tudo o que leu durante muito tempo. Não é à toa que 1984 é um dos maiores clássicos da literatura mundial. Apesar de mortes, desaparecimentos, prisões e tortura, o enredo sobrevive no final da história. O mesmo, infelizmente, não pode ser dito sobre Game of Thrones na televisão.

Enquanto a série de TV se baseava nos livros e contava com George Martin ativamente em sua produção, tudo correu bem. Aliás, extremamente bem. Afinal, apesar dos acontecimentos mais recentes, é inegável que Game of Thrones se tornou um dos maiores fenômenos da cultura pop mundial. Entretanto, também é inegável o fato da série virar uma fanfic, perdendo o que a fez chegar onde chegou: aquele medo que se tinha de “virar a página” bem característico da escrita de George Martin.

Era revoltante quando seu personagem favorito morria. Khal Drogo, Ned Stark, Robb Stark (esse eu joguei o livro no chão), Catelyn Stark, entre muitos outros nomes. Revoltante, mas condizente com o enredo da história. E isso deixava o público ligado na série. Cada episódio apresentava diferentes plot twists e revelações que ganhavam a atenção dos fãs e ajudavam a construir os personagens em diferentes níveis, criando uma trama complexa e envolvente. Mas essas características foram se perdendo nas duas últimas temporadas.

O que fãs como eu estão revoltados não é o fato de personagens principais continuarem vivos ou da redução de cenas polêmicas. É mais profundo que isso. O desenrolar dos fatos deixou a história difícil de se acreditar.

Espera ai, em um mundo com dragões, feiticeiras, mortos vivos, invernos que duram anos e outros elementos fantásticos, é o desenrolar dos fatos que faz a história parecer fantasiosa? Sim, exatamente isso. Quando assistimos uma série como Game of Thrones ficamos imersos no mundo em que a história se passa. Esse mundo tem suas próprias regras impostas a seus personagens. Em outras palavras, eu acredito que Daenerys seja capaz de sobrevoar Westeros nas costas de Drogon , mas não acredito que ela seja capaz de virar uma adolescente apaixonada por Jon Snow praticamente da noite para o dia e se importe mais com ele do que em perder um de seus dragões. Assista ao vídeo abaixo para entender melhor meu ponto (e dar umas risadas).


Eu até entendo que, por diferentes motivos, uma produção audiovisual sempre será diferente de uma obra da literatura. Nos livros temos muito mais contato com os pensamentos, sonhos e sensações dos personagens, o que facilita o entendimento de muitas de suas ações. A série televisiva expõe esses fatores através de nuances oriundos de diálogos e expressão corporal dos atores. Em alguns casos esses nuances podem ser dúbios e confundem a audiência sobre a motivação dos personagens para executarem determinadas ações. Entretanto, nessa última temporada de Game of Thrones, as motivações de cada um ficam claras, o que dificulta ainda mais defender os rumos que o enredo da série tomou.

Assim sendo, temos personagens brilhantes que se apagaram. Tyrion talvez seja o melhor exemplo desse caso. Um anão que lançava a sombra de um gigante na terra com seus atos inteligentes e corajosos. Nas primeiras temporadas, era interessante ver o contraste de sua ida a Porto Real comparada com a de Ned Stark. Enquanto Tyrion sabia jogar o jogo com maestria, levantando questões filosóficas e soltando excelentes bordões, Ned mal sabia se comunicar em meio aos interesses que rodeavam o Trono de Ferro. Recentemente Tyrion, o homem que cortou a barba de Pycelle, mandou Janos Slynt para a Muralha, impediu a tomada de Porto Real e matou próprio pai que o odiava no banheiro, não faz nada de genial. Muito pelo contrário. Ofuscaram seu brilho e de muitos outros, como Jaime Lannister, Sam, Bran, Asha/Yara e Bronn para que menos personagens da séire brilhassem mais e ditassem o rumo da trama. É como se em Os Vingadores: O Ultimato, os únicos heróis que pudessem manter suas características originais fossem o Capitão América e o Homem de Ferro. Imagine o filme sem Thor, Homem Formiga, Hulk, Viúva Negra, Capitã Marvel e outros ditarem seu próprio ritmo? Bom, é praticamente isso o que fizeram com Game of Thrones.


Aliado ao “apagão” de personagens chave, temos também a péssima escolha de tomada de decisões. Como Daenerys mandando sua horda Dothraki para a morte sem nenhum motivo a não ser livrar os showrunners do excesso de figurantes, Jon Snow “soltando” seu fiel companheiro Fantasma sem ao menos um carinho na orelha (eu tenho cachorro e fiquei revoltado com isso), ou Pedra do Dragão estar abandonada permitindo que Euron Greyjoy abatesse um dragão e balanceasse a última guerra. Isso sem falar no que fizeram com a trama de Dorne na série (conseguiram acabar com um dos arcos mais legais e intrigantes do livro de um jeito absurdamente estúpido). Tudo ficou forçado e não natural no universo de Game Of Thrones para agradar aos fãs e chegar ao final da história o quanto antes. E, nessa tentativa de acelerada de agradar aos fãs escutando seus apelos com uma fanfic, os showrunners se perdem. Como disse Henry Ford, se ele tivesse perguntado a seus consumidores o que queriam, a resposta seria “cavalos mais rápidos”. No caso, se George Martin tivesse perguntado a seus leitores o que eles queria, ele jamais teria escrito o Casamento Vermelho. Logo, ao invés de algo surpreendente e inovador, já sabemos o que vai acontecer no final da históra: Jon Snow e Daenerys vencerão a guerra contra Cersey em uma batalha cheia de reviravoltas. Um dos dois morrem e o outro fica com o Trono de Ferro, ou ninguém morre e os dois ficam com o Trono de Ferro. É bem previsível. Muito diferente do que está acontecendo nos livros.


Ao final do último livro publicado das Crônicas de Gelo e Fogo, tem tanta coisa acontecendo que não dá para saber para onde a história vai. Não dá para saber se o plano de Euron dará certo ou se seus parentes conseguirão destrona-lo. Não dá para saber se Cersey se vingará ou o que acontecerá com Jaime. Não dá para saber como ficará a situação de Daenerys do outro lado do Mar Estreito e muito menos a de Brienne prestes a ser enforcada pelo zumbi de Catelyn Stark em Westeros. Não dá para saber se Theon voltará para as mãos de Ramsay com a falsa Sansa Stark ou se a verdadeira Sansa Stark arranjará um marido honrado no Vale Aryn. E não dá para saber o que acontecerá em Dorne com as Serpentes da Areia presas e o filho do príncipe morto. São tantas possibilidades de reviravolta no jogo para tomar o Trono de Ferro e tantos personagens com diferentes facetas que não existe outra alternativa a não ser rezar para George Martin publicar finalmente as continuações de sua obra.


É o inesperado que fez e faz Game of Thrones ser uma série fora de série, com o perdão do trocadilho. E é isso o que se perdeu. Claro que na televisão ainda temos muitas coisas inesperadas. Depois que Arya matou o Rei da Noite pulando sei lá de onde passando por uma tropa de White Walkers para esfaqueá-lo, não dá para saber alguns detalhes do que vem pela frente. Especialmente depois de construírem durante anos o caminho para uma luta épica entre Jon Snow e o Rei da Noite e a descartarem quando estava muito próxima de acontecer. Será que Arya mata Cersey? Será que o Cão de Caça mata a Montanha? Será que Jaime fica com Brienne? Será que Drogon sobrevive? Não dá para saber, mas são detalhes insignificantes. Afinal, sabemos que a Montanha e Cersey morrem, o romance de Brienne e Jaime foi algo extremamente forçado e o destino de Drogon pode ser o mesmo que o de Fantasma depois do último episódio porque parece que ninguém liga para seus pets na série mesmo. É diferente de situações de quase morte, intrigas pelo poder e a busca por algum tipo de justiça que levam a um final impossível de prever ainda presente nos livros. 

Enredo é o conjunto das ações executadas pelas personagens numa narrativa, a fim de criar sentido ou emoção no espectador. É usado para designar todos os eventos de uma história. O enredo é aquilo que dá sustentação à história, ou seja, é o desenrolar dos acontecimentos. É justamente o que não pode morrer em uma boa história, mas morreu em Game of Thrones. Vamos ver se algum sacerdote do Senhor da Luz será capaz de revivê-lo nos dois episódios finais.







Na semana passada, três pessoas de cidades diferentes perguntaram “como funciona isso de escrever um livro? Vala a pena?” Ao mesmo tempo, outras três pessoas de outras três cidades enviaram fotos do Guia Completo do Storytelling e disseram estar adorando a leitura. A autora da foto publicada aqui foi mais longe e comentou “O bom desse livro é que abrange todas as áreas do conhecimento, fala com todas as pessoas. Tão abrangente quanto um rádio, né!?!”




Muito legal ver que um livro lançado há um ano e meio ainda continue em listas de mais vendidos. Mais legal ainda é quando alguém que leu o livro, no meio de uma conversa, descobre que sou coautor. Tem sempre um espanto. Como se um autor fosse algo meio mítico, meio distante, uma entidade com a qual não se vai ter contato.


Pois bem, retomando a pergunta inicial, o processo é árduo. Nosso ideal foi fazer o livro mais completo sobre o tema em língua portuguesa. Não foi fácil. Mesmo com toda a experiência no assunto, foram quatro anos entre fechar um contrato com a editora e o livro estar nas prateleiras de todo o país. Nesse tempo, seis meses ficaram dedicados só para a escrita. Seis meses sem dar cursos, sem fazer projetos, basicamente sem entrar dinheiro nenhum na empresa.


Se vale a pena? Bom, tudo depende do objetivo. Se for para ganhar dinheiro, existem formas mais fáceis. Mas se for para democratizar o conhecimento, aí compensa e recompensa.


Se quiser saber mais sobre o processo de escrita e publicação de um livro, comente que a gente aprofunda nos próximos posts.

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Muitas vezes quem está no mundo corporativo tem dificuldades de perceber que um filme, um livro, um seriado ou qualquer outro formato de entretenimento é um produto de consumo como qualquer outro. Parece mais fácil entender o aparelho televisivo como algo a ser marqueteado do que um espetáculo teatral.

Isso sempre fica claro durante cursos de Storytelling ou Branded Content. Para ensinar sobre como contar histórias e produzir bons conteúdos, muitas vezes recorremos à cultura pop. Nessas horas alguém sempre interrompe e pergunta se não tem algum exemplo mais corporativo, como se o anúncio de refrigerante estivesse mais próximo da realidade profissional do que o filme de Hollywood ou a novela da Globo. Na prática, qual é a diferença entre vender um disco de blu-ray ou uma garrafa de cerveja artesanal?

Do ponto de vista mercadológico, as histórias contidas em livros e DVDs podem valer fortunas. A Disney, por exemplo, desembolsou US$ 4 bilhões para comprar Star Wars e Indiana Jones. Além disso, a indústria do entretenimento vive de fazer e marquetear conteúdos e até por isso aprendeu a fazer isso melhor do que qualquer outra. Afinal, ao invés de pular o conteúdo feito por essas empresas, as pessoas ficam ansiosas pela continuação.

Veja o caso do seriado Game of Thrones, que angariou milhões de fãs pelo mundo e tem pautado boa parte das conversas nas redes sociais. Assim como Harry Potter, a obra de George R.R. Martin também começou a ser adaptada para audiovisual antes do fim da saga literária. O que acontece com GoT é ainda mais extremo: a adaptação vai revelar o desfecho da história antes mesmo da saga original. Ao que parece, isso deve ser uma tendência. A franquia The Walking Dead vai passar pela mesma situação.

Se você nunca viu o seriado e quer entender melhor a mecânica de uma franquia de entretenimento, vale a leitura do artigo o Futuro de GoT no Portal Administradores.

Se você viu e sofreu com o seriado, inclusive a quinta temporada, e cansou de gastar lenços, recomendo o artigo sobre como não torcer pelos personagens errados no artigo no portal Série Maníacos.

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Os Storytellers estão na Flip2015 e já participaram dos cafés literários promovidos pelo Sesc. O primeiro teve o sugestivo tema (Sobre)viver de Literatura. O debate foi acalorado, não só pelo calor da sala lotada de pessoas interessadas pelo assunto, como pela paixão da fala dos autores. Diz o bordão popular que "não tá fácil pra ninguém", mas para o escritor brasileiro parece que a situação é ainda mais difícil.

Uma coisa é certa, aos olhos da sociedade brasileira, escritor não é profissão. Faça o teste ao conhecer alguém: apresente-se como alguém que vive de escrever livros e verá que as próximas perguntas serão "você escreve sobre o quê?", "como é a vida de escritor?" e "como você faz para ganhar dinheiro?". O escritor Paulo Scott que lançou um livro intitulado O Ano Em Que Vivi De Literatura brincou "se você quiser saber como foi a minha vida de deixar um alto cargo de advocacia para viver de literatura, pergunte à minha mulher" e alguém da plateia comentou sem titubear "coitada".

Números do mercado comprovam um pouco dessa visão. Mesmo que as vendas de livros venham crescendo a um ritmo de 10% ao ano, a expectativa de um novo autor é ter de duzentas a trezentas cópias desovadas por leitores. Um livro no Brasil que venda mais de dez mil cópias é considerado um best seller. Já nos Estados Unidos, a expectativa de estreia de um novo autor está em torno de vinte a trinta mil cópias. O próprio Paulo Scott comentou que "ainda temos que comer muita grama para chegar mais perto deles".

Dois grandes motivos separam as realidades literárias do Brasil e dos Estados Unidos. O que separa o sobreviver do poder viver bem. A primeira é mercadológica, e como apontou Luiz Ruffato, "escrevemos em português, que é uma língua que ninguém fala". Fica mais difícil de levar a obra a outros mercados. Alguns acadêmicos rebateriam esse argumento com a literatura russa, que é uma língua menos abrangente que o português e mesmo assim se tornou a literatura mais influente do mundo. O que nos leva ao segundo motivo, que tem a ver com o preparo técnico.

A maioria dos autores brasileiros são autodidatas, perseguem seus sonhos e escrevem o que vem do estômago. Os autores nos Estados Unidos, depois da graduação, estudam mais dois anos o Master em Fine Arts, o equivalente ao MBA para um romancista ou roteirista. Não quer dizer que todo livro escrito por um estadunidense é ótimo. O ponto é que olhado do ponto de vista de produto cultural, sempre é uma obra mais completa. Existe um equilíbrio entre enredo, estilo e divulgação.

Um dos problemas de escrever pelo estômago é o ritmo, que tende a ser considerado lento demais para manter intrigado os jovens leitores crescidos ao ritmo dos filmes, dos vlogs(blogs filmados) e dos romances em que muita coisa acontece em pouco tempo. Essa questão de estilo, também chamada de poética, tem a ver com as técnicas narrativas, com o 'telling' do Storytelling, e ajudam a manter a atenção de um leitor cada vez mais disputado.

O outro problema é o controle sobre o enredo. Ao não conhecer a estrutura tradicional dos contos e fábulas, além das convenções de gênero, o autor tem dificuldade em manejar os rumos da narrativa além de onde o estômago aponta. Uma evidência disso é a dificuldade que os autores brasileiros encontram ao ter que escrever uma história a partir de um briefing, por mais vago que seja. O exemplo da coleção Amores Expressos citada durante o debate ilustra esse ponto. Muitos anos depois que um grupo de escritores consagrados brasileiros foram convidados a viajar para se inspirar e na volta escrever uma história de amor, muitos sofreram com o processo e outros nem chegaram a concluir o desafio. O difícil é conseguir fazer uma obra funcionar, sendo que ela não veio do âmago.
Mais do que programas de incentivo à produção literária, a solução para o mercado brasileiro de livros apontada pelos debatedores foi a educação. Claro. Afinal, como podemos falar de um Brasil que lê, com grande parte da população sendo analfabeta funcional? Mas a educação também pode servir aos escritores.
Para ajudar a entender as engrenagens e dominar melhor o processo é fundamental que os autores invistam na formação técnica, seja por meio da imersão em livros técnicos, seja por meio dos cursos de escrita criativa como a do Assis Brasil e de Storytelling e transmídia em instituições culturais como a galeria de arte b_arco ou instituições de ensino superior como a ESPM.

Para terminar, a questão da divulgação é sempre polêmica. Paulo Scott comentou o problema que assola muitos jovens escritores que mais se preocupam com suas contas nas redes sociais do que com suas obras. Não adianta divulgar algo que não tem substância. Mas quando algo com substância não é devidamente divulgado, caímos no desperdício tão cruel quanto raspar a comida do chef na lata do lixo. A reclamação que mais tenho ouvido de editores é que o escritor brasileiro entrega o texto e, pronto, considera que seu trabalho está finalizado.

Muitos escritores sentem que fazer a autopromoção seria se vender ao sistema e macular a aura artística. Aqui vale evocar a fala 'bélica' do escritor Luiz Ruffato, "esse tipo de discussão é uma mediocridade da classe média, que quer alçar a letra e a literatura a um patamar imaculado. Ninguém levanta essa questão para cineastas ou artistas plásticos".

Saber divulgar o próprio trabalho é fundamental para formar novos leitores. Afinal, como alguém vai se interessar por algo de que nunca ouviu falar? Não adianta reclamar depois que o Brasil é um país de não-leitores e vociferar contra sucessos internacionais que souberam embalar suas obras para criar um público interessado.


Publicação adaptada do artigo publicado no Portal Administradores, que achei pertinente compartilhar no LinkedIn. 


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Quem conhece restaurante japonês já sabe: para acompanhar as conversas, o saquê não poderia ficar de fora. Bebida alcoólica típica, à base de arroz, feita para enganar os desatentos. Parece leve, suave, mas é tão alcoólica quanto vodca, uísque ou cachaça.


O curioso é que na hora de servir, existe um ritual. Para simbolizar prosperidade e fartura, é normal fazer a bebida transbordar. Mas como a cultura japonesa é contra o desperdício, depois você bebe o que ficou no pires.
O mesmo ritual tem acontecido com muitas histórias.


Nesse nosso mundo digital um único livro não dá conta de contemplar tudo o que existe no universo criado pelo autor. Assim, a história que começa no seriado continua em filmes (Sex in the City), as histórias que não foram contadas nos quadrinhos ganham seriados dedicados (The Walking Dead) e assim por diante. São histórias que para ter prosperidade, transbordam seus formatos. O nome disso é Transmídia e expliquei o processo num curso online.


Como sempre, tudo o que acontece no entretenimento acaba influenciando a esfera corporativa. Muitas empresas já estão indo além da comunicação 360 graus e investindo em verdadeiras campanhas transmidiáticas. Um exemplo é a IT Mídia, que nessa semana lança a primeira edição do IT Forum revestido com Storytelling. Vai ser a primeira ação do gênero no mundo... quem participar vai ver a História ser escrita em frente de seus olhos ;)




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Dizem que não é bom escrever um post conceitual. Afirmam que as pessoas só querem saber de aplicações práticas. Defendem que o certo é fazer listas das 10 Coisas Que Podem Mudar Radicalmente Seu Negócio. Pela quantidade de listicles por aí, talvez seja verdade. Mesmo assim, esse post não tem listas. Mas com certeza pode ajudar a ver o seu negócio de outra forma. Vem comigo.

Se fosse para fazer uma lista, teria sido algo na linha de 5 Conceitos Que Você Precisa Conhecer. Uma das principais ferramentas de quem trabalha de frente para o computador é saber onde começa e onde termina um conceito. Mas existe um problema nessa tentativa de delimitar e definir. Por definição, as definições são sempre reducionistas.

Basta ver o exemplo de Storytelling. Pela definição da Neurociência (outro conceito), Storytelling é a forma de comunicação que mais estimula o cérebro e por isso garante maior lembrança dos dados transmitidos. A Antropologia (uma disciplina, que não deixa de ser um conceito) reforça essa ideia ao dizer que Storytelling foi a forma principal de difusão de cultura e conhecimento em todo o decorrer da Humanidade. Se quisermos simplificar, podemos dizer que Storytelling é o simples ato de contar histórias. Mas é mais do que isso.

Se olharmos sob a ótica do Marketing, Storytelling é contar uma história para atingir um objetivo de vendas e persuasão. Acontece que ninguém paga ingresso de cinema pelos 5 minutos de propaganda antes do filme. Storytelling tem mais a ver com o filme de entretenimento do que com o filme publicitário. Se Storytelling tem um objetivo primordial é o de encantar, de formar fãs. O que também não quer dizer que todo e qualquer filme ou livro conte boas histórias.

Quantas vezes você não saiu do cinema com uma sensação de frustração? De achar que os dois minutos do trailer foram melhores do que os noventa do longa-metragem? Nesse sentido, Storytelling é saber agarrar a audiência logo na primeira frase e não soltar até o ponto final... e ainda deixar todos em estado de reflexão depois da sessão. Muito do poder de encantamento só acontece depois do agradecimento dos atores aos aplausos da plateia. Quem nunca ficou com vontade de ir à Paris depois de reviver mentalmente os cenários de um filme romântico?

Aí que entra o Place Branding, que anda de mãos dadas com Destination Marketing. Mais dois conceitos. O primeiro tem a ver com a consolidação da marca de uma cidade ou país, que vai desde o Design de Logomarca até o estabelecimento do "clima" que cidade deve causar nos potenciais turistas e importadores: a cidade é arrojada? Ou seria clássica? Ou seria histórica? Ou seria luxuosa? Ou talvez cercada pela natureza...?

O conceito de Destination Marketing está ligado às ações capazes de atrair turistas, desde o desenvolvimento de pontos de atração até a divulgação do destino em outras praças. Você está no Brasil e vive vendo anúncios de outros países como Cuba ou Colômbia... O problema é que nem sempre as duas coisas estão alinhadas. A cidade pode ter um clima romântico e o material de promoção ressalta a beleza natural da região. Isso gera confusão e frustração.

Volta à cena o Storytelling. Ao pensar o destino através de um enredo, fica mais fácil de desenvolver um material promocional que coloca um personagem para viver a experiência posicionada pelo Place Branding. Já escrevi sobre o exemplo do cineasta Woody Allen, que há mais de uma década vem colocando essa ideia em prática.

O Sebrae de Minas Gerais também entendeu essa ideia e me convidou a propor um projeto nesses moldes para a cidade de Ouro Preto e a Associação dos Hoteleiros ABIH foi a primeira a se dispor a ajudar. Foram meses de conversas e planos, até que a ideia ganhou forma e se tornou uma engrenagem: articular, conversar, pesquisar, criar, escrever...

Isso não é tarefa para uma só pessoa, mas de uma grande equipe, que vai desde a pesquisa até a produção da obra. É preciso juntar esforços. A editora é outra parceira nesse projeto. No caso dos seriados, que tem equipes tanto de roteiro quanto de direção, entra em cena o papel do Showrunner (um conceito relativamente recente) que é a pessoa que guia a história. Nem sempre o Showrunner é o autor da ideia original. O Showrunner do seriado The Walking Dead não é quem criou a versão original da história em quadrinhos.

Acontece que o projeto em questão não é um filme nem um seriado e sim um livro. Obras literárias costumam ser feitas por uma só pessoa, o escritor, que leva meses e até anos para lançar a obra. No mundo das marcas - mesmo que seja a marca de uma cidade - esse prazo não existe. Ainda mais quando o livro em questão tende a se desdobrar em uma plataforma trasmidiática (juro que esse é o antepenúltimo conceito). Foi assim que surgiu a ideia do conceito central do post: o Storyrunner.

Antes de falar do Storyrunner, vamos tratar do último conceito do post, a Franquia Cultural, que deixei para o final por se tratar de algo importante, já que faz com que as histórias passem a ser vistas como tendo valor tangível, estimável e reproduzível.

O Storyrunner é o Showrunner de uma Franquia Cultural que nasce pensada dentro de uma plataforma transmidiática. Na prática, a história nasce maior do que uma única mídia. O livro, por exemplo, pode continuar seu enredo em um filme de cinema ou parte da história que só ficou pontuada no texto literário pode ser aprofundado nas páginas de um quadrinho. O Showrunner é quem deve pensar tudo isso. Pensar, planejar, coordenar e executar.

Se você trabalha em uma empresa e quer entender melhor como contar histórias ou se você trabalha com turismo e quer saber mais sobre essa metodologia, mande uma mensagem e vamos conversar.

Agora se só tiver curiosidade para saber o que vai sair da combinação de todos esses conceitos, acompanhe os próximos capítulos dessa jornada:

Diário de Bordo feito pelo personagem fictício W. Dáblio no Facebook.

Dicas secretas de Ouro Preto pelos ouropretanos no Dubbi.

A Fanpage criada para o projeto, com histórias contadas por pessoas na cidade.




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Está declarada aberta a “Temporada Oficial de Convenções Anuais”. Nas próxima semanas, muitas empresas vão reunir seus times em hotéis e resorts por todo Brasil e até lá fora. A grande questão é: como aproveitar todo esse potencial reunido?




Durante uma maratona de compromissos, é normal a motivação se dissipar entre uma palestra e outra. Se você já participou em convenções e se sentiu dessa forma, aqui vai uma dica: não precisa desse jeito.




Nosso lema na Storytellers é “não é porque é sério que tem que ser chato”. Entra em cena o Storytelling e nem é preciso ir tão longe como transformar palestras em espetáculos teatrais. Apesar de ser possível, isso demanda tempo e planejamento. Muitas vezes uma consultoria de roteiro já ajuda a tornar as palestras e conteúdos muito mais interessantes. Sem falar em workshops de Storytelling que podem acontecer durante as convenções que podem treinar em temas como liderança e vendas e ao mesmo tempo inspirar as equipes a olhar para tudo de um jeito diferente.




Aproveitando o tema, comente qual foi a experiência mais interessante que você vivenciou durante uma convenção. Ao trocar ideias, todos ganham!



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Na história da humanidade, nunca houve uma época com tanta opção de informação e entretenimento. São centenas de canais de televisão, milhões de blogs na internet, bilhões de horas de conteúdo no YouTube. Tudo isso atrelado ao consumo simultâneo das mídias. Estamos na era da riqueza de informação e pobreza de atenção.

Se esta disputa já é difícil no entretenimento, ela fica ainda mais acirrada no mundo corporativo. Como chamar a atenção dos meus colaboradores se os modelos estão tão saturados? Para piorar, o nível de concentração caiu de 12 para 8 segundos, segundo o Statistic Brain. A verdade é que as pessoas estão demandando cada vez melhores histórias em qualquer ambiente, e isso não é diferente dentro das empresas, muito pelo contrário, é necessário ousar na forma de se comunicar. O storytelling surge como alternativa para captar a atenção da audiência. A seguir, confira cinco dicas infalíveis de storytelling para RH.

A ESCOLHA DO CANDIDATO POR MEIO DO STORYTELLING

Sabemos que todo profissional tem momentos bons e ruins, mas, na hora da entrevista, a maioria não quer contar seus fracassos e elementos negativos de sua história por medo de se expor. No entanto, ao estudar os processos de Storytolelling, fica fácil perceber que não existe história interessante sem conflito evidente. Portanto, é papel do entrevistador entender o enfrentamento das dificuldades, a capacidade de superar o problema e quais foram as lições aprendidas. Entender a narrativa de um candidato pode facilitar a decisão da contratação.

O candidato que traz suas dificuldades à tona no momento da entrevista revela aquilo que é verdadeiro a todo ser humano: a vida real como ela é. Essa sinceridade emocional gera empatia e conexão, favorecendo a atenção dedicada por parte do profissional de RH. É importante estar atento no que ele conta depois, em como solucionou o problema. Apresenta uma solução criativa e consistente? Por fim, a dica é analisar se o candidato traz o aprendizado e o resultado da sua decisão. É o famoso “moral da história”: precisa ter para a história ser boa. A maneira como o candidato conta sua história revela muito sobre seu perfil. Estar atento a essa narrativa é mais confiável do que simplesmente escutar: “sou ótimo em trabalhar com time e em tenho foco no resultado”. Isso anda em linha com a máxima “show, don’t tell”, em que, em vez de discursar sobre algo, uma narrativa acompanha o seu desenrolar.

COMO UTILIZAR O STORYTELLING PARA TREINAR SUA EQUIPE

Recentemente, fomos procurados por uma empresa B2B que está enfrentando dificuldade em capacitar seus representantes comerciais para vender seus produtos. Por serem muito específicos e extremamente técnicos, os representantes se mostram desinteressados durante as apresentações da convenção de vendas e têm dificuldade em fixar as informações. O diretor nos procurou com a seguinte demanda: “Investimos muitos recursos nas convenções de vendas, mas não conseguimos o principal, treinar nossos representantes comerciais. Eles saem da sala, ficam no celular, computador… Como consigo capacitá-los para vender nossos produtos?”. A resposta é simples: por meio de uma boa história. As pessoas não se apaixonam por tabelas, dados, números e slides de Power Point. Elas são movidas pelas emoções e o storytelling sabe disso há muito tempo. Há milênios que nossa espécie vem transmitindo conhecimentos dessa forma. Se antes ensinávamos técnicas de caça ao redor da fogueira, hoje ensinamos técnicas de vendas ao redor do projetor.

Foi assim que transformamos o treinamento técnico em uma história fabulosa, com conteúdo especial e marcante para as pessoas. Personificamos a marca e criamos personagens capazes de pegar quem estivesse atento pelas mãos e conduzir pela narrativa até mergulhar completamente naquele universo. Isso gerou curiosidade no time. A narrativa foi conduzida para o momento em que o personagem aprende algo e divide com sua audiência. Este foi o momento do ensinamento, o momento em que toda a parte técnica foi compartilhada, mas de maneira diferente. Esta é a grande função das histórias: entender como e por que as coisas funcionam.

A dica aqui é: transforme seu treinamento, independentemente do tema, em uma história fabulosa, com personagens marcantes, conflitos inescapáveis e acontecimentos emocionantes. A narrativa tem a capacidade de prender a atenção das pessoas e compartilhar informações estratégicas que serão absorvidas mais facilmente. Sem dúvida, sua equipe estará mais preparada.

COMO UTILIZAR O STORYTELLING PARA LIDERAR

Um recente artigo da Harvard Business Review mostrou que muitas empresas já descobriram a importância de uma boa história e que elas podem alterar nossas mentes. Estruturar narrativas bem construídas pode alterar decisões e persuadir pessoas a adotar diferentes comportamentos.

Agora pare e pense: dentro da sua empresa, qual foi a última vez que você parou para ouvir uma boa história? A maioria das pessoas irá relatar aquele momento no café, em que as pessoas estão mais relaxadas e onde a conversa flui com mais facilidade.

Os bons líderes entendem a importância de uma boa história para motivar seu time. Com isso, grandes líderes recorrem a narrativas para lidar com temas diversos que vão desde o alinhamento durante a implementação de um novo sistema até a mudança da cultura com foco na resolução de conflitos. As histórias sempre permearam a sociedade, comunidade e família como parte da construção da identidade de um grupo. Dentro do mundo corporativo, essa dinâmica se repete: é preciso boas histórias para construir a identidade do time.

Todos nós precisamos de lucro e dinheiro, mas gostamos de histórias e compramos narrativas que fazem parte da nossa vida para nos identificarmos enquanto grupo. Essa é a hora em que o propósito da empresa brilha. A dica aqui é: é preciso contar boas histórias, com enredos estrategicamente estruturados, para liderar com eficiência.



COMO UTILIZAR O STORYTELLING NA PESQUISA DE CLIMA

Quem é de RH sabe que todo ano é a mesma história: como cascatear as informações da pesquisa de clima para toda a organização e garantir que tenhamos melhora no ano seguinte? Aqui há dois desafios. O primeiro é como estruturar a informação para que todos os níveis da organização entendam os resultados. O segundo é como manter aceso o plano de ação elaborado durante o ano com tantas outras prioridades.

Vamos contar uma história para ajudar a ilustrar esse ponto. No ano passado, trabalhamos com uma empresa que tinha bem claros esses dois desafios. Para o primeiro, personificamos um dos personagens de seus produtos, e para isso usamos o gênio da lâmpada. Levamos os resultados da pesquisa de clima por meio dessa narrativa. “Se encontrasse o gênio da lâmpada e pudesse pedir três desejos relacionados a esta organização, quais seriam?” A devolutiva da pesquisa foi por essa narrativa. Além de excelentes resultados, a forma como foi conduzida foi também uma ação de engajamento, favorecendo a motivação e o sentimento de pertencer de toda a organização.

Seria possível continuar essa narrativa ao longo do ano para trabalhar e comunicar os planos de ação para toda a empresa. As pessoas já estariam conectadas à história e seria fácil ter a atenção e a memória dos colaboradores sobre as ações feitas pelo RH. No ano seguinte, para a resposta da próxima pesquisa de clima, com certeza as ações estariam mais frescas na memória dos colaboradores.

COMO UTILIZAR O STORYTELLING PARA TRABALHAR CULTURA

Todo conhecimento humano é envolvido por narrativas que compõem grandes histórias. Para incorporar a cultura de uma organização, esse processo é o mesmo.

As corporações precisam contar histórias sobre os valores e comportamentos desejáveis nela. Por meio dessas narrativas, os colaboradores podem se espelhar em personagens e incorporar os comportamentos desejados na rotina de seu trabalho.

Dica importante: para aplicar o Storytelling, é necessário ser autêntico e verdadeiro. Se os colaboradores perceberem que a história não está conexa com o ambiente e comportamentos daquela organização, irão se desinteressar rapidamente, além de colocar em xeque a credibilidade do interlocutor. É importante que a história tenha conexão com o que é praticado e desejado na instituição.

Esse texto foi escrito por Fernando Palacios e Milena de Stefani e foi publicado originalmente pela Revista Melhor.


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Desde o século XIX, um dos temas mais traduzidos da antiguidade para o mundo ocidental é a Ética de Aristóteles. A doutrina exposta no conjunto aristotélico dos tratados de Ética a Nicômago e Ética a Eudemo expressa uma visão ou concepção de Eudaimonia, o que Aristóteles apresenta como felicidade. O curioso é que essa felicidade, nos dias de hoje, pode ser vista com distanciamento da realidade. A noção de Eudaimonia é dependente de um conceito: o conceito do Sumo Bem Humano, um bem supremo para todas as pessoas.

Para Aristóteles, todas as nossas ações fazem parte de uma trajetória que se encerra em um ponto final. Esse ponto final é o Sumo Bem Humano, comum a todas as pessoas. O problema da noção de Eudaimonia para a atualidade, reside exatamente ai. Seria realmente possível a existência de um bem comum a todos os seres humanos?

A argumentação de Aristóteles nos faz entender que esse Sumo Bem Humano está ligado à concepção da natureza humana, segundo a qual nós devemos realizar aquilo que é próprio a um ser humano e não a qualquer outro tipo de ser. É na realização de algo próprio ao ser humano que está nossa Eudaimonia.

Nesse sentido, o filósofo grego tenta analisar estilos de vida. O primeiro estilo que se apresenta como um candidato a alcançar um Sumo Bem Humano está ligado aos prazeres, mas logo é descartado porque os animais também sentem e compartilham prazeres. O segundo estilo de vida está ligado a honra e glória, mas também é descartado. Segundo Aristóteles, honra e glória são algo que somente outros podem atribuir a uma pessoa, sendo assim, inatingíveis a uma pessoa por si própria, e a felicidade deve ser algo competente apenas aquele que deseja atingi-la. Seguindo essa linha de raciocínio, Aristóteles introduz a noção de que apenas os seres humanos são seres racionais e a faculdade da razão é algo que apenas uma pessoa pode exercer por si mesma. Por tanto, na Ética a Nicômago de Aristóteles, o Sumo Bem Humano e a Eudaimonia estão na nossa racionalidade e em um estilo de vida racional.

Apontando a racionalidade como Sumo Bem Humano, a Ética é a inteligência compartilhada a serviço do aperfeiçoamento da convivência. E, apesar dos problemas da atualidade, temos um alento. Nossas relações sociais podem ser diferentes do que são. Cabe a nós, seres humanos, a tarefa de refletir, de pensar em conjunto e de argumentar em espaço de diálogo para que nosso amanhã, como conjunto convivendo no mesmo espaço, seja melhor do que o nosso presente.
Por tanto, nós somos capazes de fazer o mundo tal qual ele está. Diferente de animais que agem por instinto e não conseguem fazer algo diferente por livre escolha, exceto quando há influência de pressão ou ambiente externo, como apontado por Darwin, nós podemos agir livremente para moldar o ambiente no qual vivemos. Logo, o mundo de hoje nada mais é do que o resultado das nossas escolhas.


Com pilares tradicionais como religião, família, nação e gênero cada vez mais perdendo o fator de determinação de identidade, o consumo toma conta de espaços que antes eram ocupados por estruturas sólidas que se deterioram na atualidade gaseificada. Sendo assim, o papel como cidadão que um indivíduo exerce em sociedade divide cada vez mais espaço com seu papel como consumidor.

Para aperfeiçoar nossa convivência, não podemos nos limitar a exigir atitudes éticas apenas de líderes políticos e entidades cívicas. Marcas e empresas devem ser cobradas por suas ações e ideais. Não é à toa que a sustentabilidade vem ganhando força nas últimas décadas a partir dessa corrente de pensamento. Racionalmente, consumir produtos dando lucro a empresas que exploram outros seres humanos ou acabam com o meio-ambiente, por exemplo, é algo que resulta em um mundo com maiores dificuldades de coexistência entre seus habitantes. Por isso o consumo sustentável é uma tendência crescente. A consciência de que as compras de cada indivíduo influenciam a sociedade onde o mesmo vive é a chave para uma convivência melhor no futuro.


Logo, em uma sociedade de consumo, o consumo sustentável é uma ação direcionada ao Sumo Bem Humano. O exercício da razão ao consumir é uma forma de buscar nossa Eudaimonia. Diferente de um pássaro que se guia por instinto e não por escolha para se locomover, nós podemos escolher não comprar um carro de certa marca, pois polui o ar ou explora seus trabalhadores. Podemos até mesmo escolher não comprar carro nenhum e usar transportes coletivos ou compartilháveis como forma de locomoção, afetando diretamente, com nossas ações, os problemas de mobilidade urbana e qualidade do ar, enquanto o pássaro pode apenas voa de um lado para o outro. E a escolha ética ao consumir traz um prazer sem culpa, que pode ser tido como felicidade. Concluindo, por tanto, que marcas que zelam por sustentabilidade em seus produtos e serviços tem mais chances de deixarem consumidores não apenas satisfeitos, mas também felizes. Essa é a Ética de Aristóteles aplicada a Sustentabilidade Contemporânea.






Um post sobre cinema e entretenimento, mas também sobre o mundo corporativo. Mas, pra começar, algo bem ordinário: esse post contém spoilers.



TÉCNICAS DE ENREDO EXTRAORDINÁRIAS

O filme desenrola sua trama de forma talentosa. Uma série de técnicas são empregadas para manter o espectador vidrado na tela e tentando sem sucesso a segurar as lágrimas. Algumas são mais comuns, como o uso do “telegraphing”, que é quando logo de início se comenta de algum evento que será realizado lá para o final. Normalmente o telegraphing se restringe a um grande evento. Mas no caso de Extraordinário, são quatro eventos que acontecem um seguido ao outro no final, gerando um clímax crescente e poderoso.


Contudo, o que há de mais extraordinário é criação de empatia. Para isso, duas técnicas são usadas em conjunto. A primeira é o carrossel, em que o ponto de vista se alterna ao longo da narrativa. Assim é possível olhar a história por diversas perspectivas. Não é algo inédito no cinema, mas certamente também não é ordinário. Mas o passo além está na narrativa oral em “voice over” dos personagens. Cada um dá o seu relato de como vê e vive o mundo e o texto é muito rico, com qualidades literárias. O que só é possível com personagens bem construídos, o que nos leva ao próximo ponto...



CONFLITOS E ANTAGONISTAS EXTRAORDINÁRIOS

Conflitos são o combustível de qualquer narrativa que se preze. Tanto que as histórias infantis sempre terminam com “foram felizes para sempre”, ou seja, quando acabam os conflitos, não tem mais história pra contar. O problema é que por isso muitos filmes apelam para conflitos clichês. Isso torna o filme previsível e interessante.


A melhor fonte de conflitos para um personagem é outro personagem. Um rival. O que chamamos de antagonista. O extraordinário aqui é que nenhum deles chega a ser “vilanesco”. O mais malvadinho deles, por exemplo, tem uma última cena que mostra por que ele era do jeito que era e sua última frase é “me desculpe”.



PRESENÇA EXTRAORDINÁRIA DE MARCAS

Aqui é onde o mundo corporativo entra em cena. Todo filme insere em média 42 marcas. Às vezes ela e só falada, como no caso da atriz mirim que diz que fez uma propaganda de Tidy. Outras vezes o produto só aparece como item de cenografia. Nesse quesito, o extraordinário são duas marcas inusitadas, que aparecem durante o filme todo: Nasa e Star Wars. Pois é. São marcas tão legais e colocadas em um contexto tão orgânico que nem parecem jabá.



E aí, o que mais achou extraordinário sobre o filme? Diga aqui nos comentários… e se gostou dessa análise, conta pra gente nos comentários qual filme ou seriado que a gente analisa ;)






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Dizem que não é bom escrever um post conceitual. Afirmam que as pessoas só querem saber de aplicações práticas. Defendem que o certo é fazer listas das 10 Coisas Que Podem Mudar Radicalmente Seu Negócio. Pela quantidade de listicles por aí, talvez seja verdade. Mesmo assim, esse post não tem listas. Mas com certeza pode ajudar a ver o seu negócio de outra forma. Vem comigo.

Se fosse para fazer uma lista, teria sido algo na linha de 5 Conceitos Que Você Precisa Conhecer. Uma das principais ferramentas de quem trabalha de frente para o computador é saber onde começa e onde termina um conceito. Mas existe um problema nessa tentativa de delimitar e definir. Por definição, as definições são sempre reducionistas.

Basta ver o exemplo de Storytelling. Pela definição da Neurociência (outro conceito), Storytelling é a forma de comunicação que mais estimula o cérebro e por isso garante maior lembrança dos dados transmitidos. A Antropologia (uma disciplina, que não deixa de ser um conceito) reforça essa ideia ao dizer que Storytelling foi a forma principal de difusão de cultura e conhecimento em todo o decorrer da Humanidade. Se quisermos simplificar, podemos dizer que Storytelling é o simples ato de contar histórias. Mas é mais do que isso.

Se olharmos sob a ótica do Marketing, Storytelling é contar uma história para atingir um objetivo de vendas e persuasão. Acontece que ninguém paga ingresso de cinema pelos 5 minutos de propaganda antes do filme. Storytelling tem mais a ver com o filme de entretenimento do que com o filme publicitário. Se Storytelling tem um objetivo primordial é o de encantar, de formar fãs. O que também não quer dizer que todo e qualquer filme ou livro conte boas histórias.

Quantas vezes você não saiu do cinema com uma sensação de frustração? De achar que os dois minutos do trailer foram melhores do que os noventa do longa-metragem? Nesse sentido, Storytelling é saber agarrar a audiência logo na primeira frase e não soltar até o ponto final... e ainda deixar todos em estado de reflexão depois da sessão. Muito do poder de encantamento só acontece depois do agradecimento dos atores aos aplausos da plateia. Quem nunca ficou com vontade de ir à Paris depois de reviver mentalmente os cenários de um filme romântico?

Aí que entra o Place Branding, que anda de mãos dadas com Destination Marketing. Mais dois conceitos. O primeiro tem a ver com a consolidação da marca de uma cidade ou país, que vai desde o Design de Logomarca até o estabelecimento do "clima" que cidade deve causar nos potenciais turistas e importadores: a cidade é arrojada? Ou seria clássica? Ou seria histórica? Ou seria luxuosa? Ou talvez cercada pela natureza...?

O conceito de Destination Marketing está ligado às ações capazes de atrair turistas, desde o desenvolvimento de pontos de atração até a divulgação do destino em outras praças. Você está no Brasil e vive vendo anúncios de outros países como Cuba ou Colômbia... O problema é que nem sempre as duas coisas estão alinhadas. A cidade pode ter um clima romântico e o material de promoção ressalta a beleza natural da região. Isso gera confusão e frustração.

Volta à cena o Storytelling. Ao pensar o destino através de um enredo, fica mais fácil de desenvolver um material promocional que coloca um personagem para viver a experiência posicionada pelo Place Branding. Já escrevi sobre o exemplo do cineasta Woody Allen, que há mais de uma década vem colocando essa ideia em prática.

O Sebrae de Minas Gerais também entendeu essa ideia e me convidou a propor um projeto nesses moldes para a cidade de Ouro Preto e a Associação dos Hoteleiros ABIH foi a primeira a se dispor a ajudar. Foram meses de conversas e planos, até que a ideia ganhou forma e se tornou uma engrenagem: articular, conversar, pesquisar, criar, escrever...

Isso não é tarefa para uma só pesso, mas de uma grande equipe, que vai desde a pesquisa até a produção da obra. É preciso juntar esforços. A editora é outra parceira nesse projeto. No caso dos seriados, que tem equipes tanto de roteiro quanto de direção, entra em cena o papel do Showrunner (um conceito relativamente recente) que é a pessoa que guia a história. Nem sempre o Showrunner é o autor da ideia original. O Showrunner do seriado The Walking Dead não é quem criou a versão original da história em quadrinhos.

Acontece que o projeto em questão não é um filme nem um seriado e sim um livro. Obras literárias costumam ser feitas por uma só pessoa, o escritor, que leva meses e até anos para lançar a obra. No mundo das marcas - mesmo que seja a marca de uma cidade - esse prazo não existe. Ainda mais quando o livro em questão tende a se desdobrar em uma plataforma trasmidiática (juro que esse é o antepenúltimo conceito). Foi assim que surgiu a ideia do conceito central do post: o Storyrunner.

Antes de falar do Storyrunner, vamos tratar do último conceito do post, a Franquia Cultural, que deixei para o final por se tratar de algo importante, já que faz com que as histórias passem a ser vistas como tendo valor tangível, estimável e reproduzível.

O Storyrunner é o Showrunner de uma Franquia Cultural que nasce pensada dentro de uma plataforma transmidiática. Na prática, a história nasce maior do que uma única mídia. O livro, por exemplo, pode continuar seu enredo em um filme de cinema ou parte da história que só ficou pontuada no texto literário pode ser aprofundado nas páginas de um quadrinho. O Showrunner é quem deve pensar tudo isso. Pensar, planejar, coordenar e executar.

Se você trabalha em uma empresa e quer entender melhor como contar histórias ou se você trabalha com turismo e quer saber mais sobre essa metodologia, mande uma mensagem e vamos conversar.

Agora se só tiver curiosidade para saber o que vai sair da combinação de todos esses conceitos, acompanhe os próximos capítulos dessa jornada:

Diário de Bordo feito pelo personagem fictício W. Dáblio no Facebook.

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Um momento curioso da semana. Estava num restaurante com amigos e um deles comentou com o garçom que só queria carne se fosse Angus. Outro amigo ficou curioso, perguntou se dava para notar alguma diferença. Entramos em uma conversa que tem muito a ver com a aplicação do Storytelling no agronegócio.




Mas antes de falar disso, vale uma explicação sobre percepção. Daria para escrever um livro sobre isso, mas vou arriscar ser direto ao ponto. O fato é que nada por si só tem valor. Um diamante nada mais é do que um mineral. Só é caro porque todos resolvemos concordar que o mineral diamante é mais valioso do que o mineral ametista ou o minério de ferro. A questão é: por que decidimos dessa forma?




Alguns podem dizer que é pela raridade do material. Mas se for seguir por essa lógica, então o cupim deveria ser um dos cortes mais caros de um boi. Já que um abate rende 2kg de cupim e 10kg de alcatra, por exemplo.




Então pode ter a ver com o fato de que dependendo da região do animal, a característica da carne muda. Nesse caso, por que um presunto espanhol Pata Negra custa dez vezes mais do que o presunto nacional? Afinal, ambos são feitos do pernil do porco.




Podemos ser levados a pensar que a variação de preço é devida ao processo de fabricação, muito diferente nos dois casos. Mas como fica o caso do vinho? Afinal, com ingredientes e processos semelhantes, a variação de preço entre vinhos pode ser duzentas vezes maior.




Storytelling ajuda a responder todos esses questionamentos: atribuímos valor às coisas (e até mesmo às pessoas) de acordo com as histórias que nos contam sobre elas. Tem vezes que a história pode estar focada em processo de produção, tem vezes que a história gira em torno das características da matéria-prima… já catalogamos 20 diferentes tipos de histórias que as marcas e os mercadores nos contam. Tem vezes que uma história é combinada com outra, formando um enredo com essas histórias, um commodity assume um patamar de valor diferenciado.




No mundo do agronegócio, uma das histórias mais marcantes é a de denominação de origem controlada. Algo que só pode levar aquele nome se for produzido numa determinada região. Por exemplo a champagne, que pra ser champagne, tem que ser feito na região francesa de Champagne. Para não ficar para trás, outras regiões de outros países inventam variações… a Itália por exemplo tem o Lambrusco na região de Emilia Romagna e o Prosecco na região do Vêneto. Nesse caso, não é apenas uma mudança de nome, mas o tipo de uva é diferente de um para o outro. O mesmo acontece com os queijos gorgonzola na Itália e roquefort na França.




A mesma coisa acontece com o vinho do Porto. A variação espanhola é o Jerez, palavra que deu origem à variação inglesa Cherry.




Moral da História: se você trabalha com agronegócio, busque uma história que torne o seu produto mais específico. Produtores, por exemplo, podem se articular para conseguir o selo DOC para algum produto típico de sua região. Outra possibilidade seria inovar no processo e explicar pras pessoas a diferença que isso faz no produto final. É exatamente isso que fazem os autores de filmes, livros e seriados: as jornadas de um herói são muito semelhantes, mas os autores sempre buscam um jeito de criar as histórias e os personagens com algo inédito com relação a tudo o que já foi contado.




Se você conhece outros exemplos de aplicação de Storytelling no agronegócio, comente abaixo. E se quiser dicas de algum outro segmento, conte pra gente. Se quiser ajuda pra contar sua história, conte com a gente ;)




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